17 de abril de 2016

Capítulo IV: De Thingol e Melian

Melian era uma Maia, da raça dos Valar. Vivia nos jardins de Lórien, e entre todos os de seu povo não havia ninguém mais bela do que Melian, nem mais sábia, nem mais hábil em canções de encantamento Diz-se que os Valar costumavam abandonar seu trabalho, e as aves de Valinor, sua alegria, que os sinos de Valmar se calavam, e as fontes paravam de jorrar quando na hora da mistura das luzes Melian cantava em Lórien. Os rouxinóis sempre a acompanhavam, e ela lhes ensinou seu canto; e adorava as sombras profundas das grandes árvores. Antes que o Mundo fosse feito, era aparentada da própria Yavanna; e na época em que os quendi despertaram ao lado das águas de Cuiviénen, ela partiu de Valinor e veio até as Terras de Cá: e aí preencheu o silêncio da Terra-média antes do amanhecer com sua voz e as vozes de seus pássaros.
Ora, quando sua viagem estava próxima do final, como já se relatou, o povo dos teleri permaneceu muito tempo no leste de Beleriand, do outro lado do Rio Gelion; e, naquela época, muitos dos noldor ainda estavam mais à oeste, nas florestas que mais tarde foram chamadas de Neldoreth e Region Elwë, senhor dos teleri, muitas vezes atravessava os grandes bosques à procura de Finwë, seu amigo, nas moradas dos noldor. E ocorreu que certa vez ele chegou sozinho ao bosque de Nan Elmoth, iluminado pelas estrelas, e ali de repente ouviu o canto de rouxinóis. Caiu então sobre ele um encantamento, que o deixou imobilizado. E muito ao longe, para além das vazes dos lómelindi, ele ouviu a voz de Melian; e ela encheu seu coração de maravilha e de desejo. Esqueceu-se Elwë, então, inteiramente de seu povo e dos objetivos de sua mente; e, acompanhando os pássa-ros à sombra das árvores, embrenhou-se por Nan Elmoth adentro e se perdeu. Finalmente, porém, chegou a uma clareira aberta para as estrelas, e ali estava Melian. E, do meio da escuridão, ele a contemplou; e a luz de Aman estava em seu rosto.
Melian não disse uma palavra; mas, dominado pelo amor, Elwë aproximou-se e segurou sua mão. Imediatamente um encantamento caiu sobre ele, de tal modo que os dois ficaram na mesma posição enquanto longos anos eram contados pelas estrelas que giravam acima de suas cabeças; e as árvores de Nan Elmoth cresceram e se tornaram escuras antes que eles dissessem alguma palavra.
Assim, o povo de Elwë que o procurava não o encontrou, e Olwë assumiu o trono dos teleri e partiu, como é relatado daqui em diante. Enquanto viveu, Elwë Singollo nunca mais atravessou o mar para chegar a Valinor, e Melian não voltou para lá enquanto perdurou o reinado de ambos.
A partir de Melian, porém, surgiu entre elfos e homens uma linhagem dos Ainur que estavam com Ilúvatar antes de Eä. Em tempos posteriores, Elwë tomou-se um rei célebre, e seu povo compreendia todos os eldar de Beleriand; os sindar eram chamados eltos-cinzentos, elfosdocrepúsculo, e o Rei Manto-cinzento era ele, Elu Thingol na língua daquela terra. E Melian era sua Rainha, mais sábia do que qualquer filho da Terra-média; e suas moradas ocultas eram em Menegroth, as Mil Cavernas, em Doriath. Grande poder Melian concedeu a Thingol, que era ele próprio grande entre os eldar; pois somente ele entre todos os sindar havia visto com os próprios olhos as Árvores no dia em que floresceram; e, embora fosse rei dos úmany ar, não era incluído entre os moriquendi, mas entre os elfos-da-luz, poderosos na Terra-média E, do amor de Thingol e Melian, vieram ao mundo os mais belos Filhos de Ilúvatar que já existiram ou virão a existir.

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