2 de abril de 2016

Capítulo III - Três não é demais


— Você deve partir sem que ninguém saiba, e logo — disse Gandalf.
Duas ou três semanas haviam passado, e nada de Frodo se aprontar para ir.
— Eu sei, mas as duas coisas são difíceis — objetou ele. — Se eu simplesmente desaparecer como Bilbo, essa história nunca estará encerrada no Condado.
— É claro que você não deve desaparecer! — disse Gandalf. — De nada adiantaria! Eu disse logo, não instantaneamente. Se puder pensar num modo de escapar do Condado sem que todo mundo fique sabendo, vale a pena esperar um pouco. Mas você não deve demorar demais.
— Que tal no outono, ou depois do Nosso Aniversário? — perguntou Frodo. — Acho que provavelmente até lá posso organizar alguma coisa.
Para falar a verdade, Frodo relutava em partir, agora que o momento chegara. Bolsão parecia uma residência muito mais desejável do que fora por muitos anos, e ele desejava aproveitar ao máximo o seu último verão no Condado. Sabia que, quando o outono chegasse, pelo menos uma parte de seu coração consideraria com mais carinho a ideia de viajar, como sempre acontecia nessa estação. Na realidade, decidira ir em seu quinquagésimo aniversário: o centésimo vigésimo oitavo de Bilbo. Esse parecia, de alguma forma, ser o dia adequado para partir e segui-lo. A possibilidade de seguir Bilbo predominava em sua mente, sendo a única coisa que tornava suportável a ideia de ir embora. Pensava o mínimo possível no Anel e a que lugares este poderia acabar por levá-lo. Mas não revelava todos os seus pensamentos a Gandalf. O que o mago adivinhava era difícil dizer.
Gandalf olhou Frodo e sorriu.
— Muito bem — disse ele. — Acho que assim está bom – mas não pode ser nem um pouco depois. Estou ficando muito ansioso. Enquanto isso, cuide-se, e não dê qualquer pista do seu destino! E cuide para que Sam Gamgi não fale nada. Se ele der com a língua nos dentes, vou realmente transformá-lo num sapo.
— Quanto ao meu destino — disse Frodo — seria difícil eu me trair e revelá-lo a alguém, pois não tenho ainda uma ideia clara.
— Não seja ridículo — disse Gandalf — Não o estou prevenindo para que não deixe seu endereço no correio! Mas você está deixando o Condado, e ninguém deve saber disso, até que esteja bem longe. E você vai ter de ir, ou pelo menos partir, em direção ao Norte, Sul, Leste ou Oeste – e certamente ninguém deve saber a direção.
— Tenho estado tão ocupado pensando em deixar Bolsão e dizer adeus, que nunca nem cogitei qual direção tomar — disse Frodo. — Para onde devo ir? E pelo que devo me guiar? Qual será minha busca? Bilbo foi procurar um tesouro, lá e de volta outra vez; mas eu vou perder um tesouro, e não voltarei, pelo que estou entendendo.
— Mas você ainda não está conseguindo enxergar muito longe — disse Gandalf — nem eu. Sua tarefa pode ser encontrar as Fendas da Perdição; mas essa busca pode estar destinada a outros. Eu não sei. De qualquer modo, você ainda não está pronto para aquela longa estrada.
— Não mesmo! — disse Frodo. — Mas enquanto isso, que caminho devo tomar?
— Em direção ao perigo; mas sem precipitação demasiada, e não direto demais — respondeu o mago. — Se quer um conselho, vá para Valfenda. Essa viagem não deve ser muito perigosa, embora a estrada esteja menos fácil do que antes, e ficará pior até o fim do ano.
— Valfenda — disse Frodo. — Muito bom: vou para o leste, com destino a Valfenda. Levarei Sam para visitar os elfos; ficará encantado — ele falava de modo suave, mas seu coração de repente foi tomado pelo desejo de ver a casa de Elrond Semi-elfo e respirar o ar daquele vale profundo, onde grande parte do Belo Povo ainda vivia em paz.


Numa noite de verão, uma notícia espantosa chegou ao Ramo de Hera e ao Dragão Verde. Gigantes e outros prodígios nas fronteiras do Condado foram esquecidos para dar lugar a assuntos mais importantes: o Sr. Frodo estava vendendo Bolsão, na verdade já tinha vendido – para os Sacola-bolseiros!
— E por uma boa quantia — diziam uns.
— Por uma bagatela — diziam outros.
— E isso é mais provável, visto que a Sra. Lobélia é a compradora.
(Otho falecera alguns anos antes, na madura mas frustrante idade de 102 anos.)
A razão pela qual o Sr. Frodo estava vendendo sua bonita toca gerava ainda mais discussões que o preço. Alguns tinham a teoria – apoiada pelos acenos de cabeça e insinuações do próprio Sr. Bolseiro – de que o dinheiro de Frodo estava acabando: ele ia deixar a Vila dos Hobbits e viver modestamente, com o que recebesse pela venda, lá em Terra dos Buques, entre seus parentes Brandebuques.
— O mais longe possível dos Sacola-bolseiros — alguns acrescentavam.
Mas a ideia da riqueza incomensurável dos Bolseiros de Bolsão estava tão cristalizada, que essa suposição parecia inverossímil, mais ainda do que qualquer outra razão ou desrazão que a imaginação deles pudesse sugerir: para a maior parte, tudo sugeria um plano obscuro e ainda oculto de Gandalf. Embora se mantivesse quieto e não saísse à luz do dia, todos sabiam que o mago “estava escondido em Bolsão”. Mas mesmo que não se entendesse como a mudança podia se encaixar nos desígnios de sua magia, não restava dúvida sobre um ponto: Frodo Bolseiro estava retornando para a Terra dos Buques.
— Sim, estarei de mudança neste outono — dizia ele. — Merry Brandebuque está procurando uma toca confortável, ou talvez uma pequena casa.
Na verdade, com a ajuda de Merry, ele já tinha escolhido e comprado uma casinha em Cricôncavo, no campo além de Buqueburgo. Fingia para todos, com a exceção de Sam, que pretendia ficar por lá permanentemente.
A decisão de partir em direção ao leste havia lhe sugerido isto; a Terra dos Buques ficava na fronteira leste do Condado, e, como passara sua infância ali, seu retorno parecia no mínimo digno de crédito.
Gandalf permaneceu no Condado por mais de dois meses. Então, numa manhã no final de junho, logo após o plano de Frodo estar finalmente pronto, de repente anunciou que estava partindo de novo no dia seguinte.
— Só por pouco tempo, espero — disse ele. — Mas vou descer além das fronteiras do sul para conseguir mais notícias, se puder. Descansei mais do que devia.
Falava de modo calmo, mas Frodo teve a impressão de que estava bastante preocupado.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou ele.
— Bem, não; mas escutei umas coisas que me deixaram ansioso e precisam ser averiguadas. Se, no fim das contas, julgar necessário que você parta com urgência, voltarei imediatamente, ou pelo menos mandarei um recado. Enquanto isso, continue com seu plano; mas tenha mais cuidado do que nunca, especialmente com o Anel. Vou frisar mais uma vez: não o use.
Partiu ao amanhecer.
— Posso voltar qualquer dia desses — disse ele. — Devo estar de volta o mais tardar para sua festa de despedida. Afinal de contas, acho que você pode precisar da minha companhia na estrada.
No início, Frodo ficou bastante perturbado, e sempre se perguntava o que Gandalf teria ouvido; mas a ansiedade se acalmou, e naquele clima agradável esqueceu os problemas por uns tempos. Raramente o Condado tinha visto um verão mais bonito, ou um outono mais pródigo: as árvores carregadas de maçãs, o mel pingando dos favos, as espigas de trigo altas e cheias.
O outono já avançava, e Frodo não tinha voltado a se preocupar com Gandalf outra vez. Setembro estava passando, e ainda nenhuma notícia dele.
O Aniversário, e a mudança, se aproximavam, e mesmo assim ele não veio nem enviou recado. Bolsão começou a ficar movimentada. Alguns amigos de Frodo vieram para ficar e ajudá-lo com a bagagem: Fredegar Bolger e Folco Boffin e, é claro, seus amigos especiais Pippin Túk e Merry Brandebuque. Só estes quatro viraram todo o lugar de ponta-cabeça.
Em 20 de setembro, duas carroças cobertas saíram carrega das em direção à Terra dos Buques, levando para a casa nova, através da Ponte do Brandevin, a mobília e os mantimentos que Frodo não tinha vendido. No dia seguinte Frodo ficou realmente ansioso, sempre esperando que Gandalf aparecesse. Quinta-feira, a manhã de seu aniversário, surgiu linda e clara, exatamente como tinha sido no aniversário de Bilbo. Gandalf ainda não aparecera. À noite Frodo deu sua festa de despedida: bem modesta, apenas um jantar para ele e seus quatro ajudantes; estava preocupado e não sentia ânimo para festas. Pesava-lhe o coração pensar que em breve teria de se separar dos jovens amigos.
Buscava um modo de dizer isso a eles.
Entretanto, os quatro hobbits mais jovens estavam alegres, e a festa logo ficou bastante animada apesar da ausência de Gandalf. A sala de jantar estava vazia, a não ser por uma mesa com cadeiras, mas a comida estava boa, e o vinho também: o vinho de Frodo não fora incluído na venda para os Sacola-bolseiros.
— Não importa o que aconteça com o resto das minhas coisas, quando os S-Bs lhes puserem as garras em cima; pelo menos encontrei um bom lugar para isto! — disse Frodo, enquanto esvaziava o copo. Era a última gota de Velhos Vinhedos.
Depois de muitas canções, e conversar sobre muitas coisas que tinham feito juntos, fizeram um brinde ao aniversário de Bilbo, e então beberam à saúde dele e de Frodo juntos, de acordo com o hábito de Bilbo. Então saíram para arejar um pouco e olhar as estrelas, e depois foram dormir. A festa de Frodo tinha acabado, e Gandalf não aparecera.
Na manhã seguinte ficaram ocupados carregando outra carroça com o resto da bagagem. Merry tomou conta disso, e partiu com Fatty (isto é, Fredegar Bolger).
— Alguém precisa estar lá e aquecer a casa antes da sua chegada — disse Merry. — Bem, vejo vocês depois – depois de amanhã, se não dormirem no caminho.
Folco foi para casa depois do almoço, mas Pippin ainda ficou. Frodo estava inquieto e ansioso, tentando em vão captar algum sinal de Gandalf.
Decidiu esperar até o começo da noite. Depois disso, se Gandalf precisasse vê-lo com urgência, iria até Cricôncavo, e poderia até chegar lá antes, pois Frodo ia a pé. Seu plano – pelo prazer de dar uma última olhada no Condado, mais do que por qualquer outro motivo – era caminhar da Vila dos Hobbits até a balsa de Buqueburgo, com bastante calma.
— Devo treinar um pouco também — disse ele, olhando-se num espelho empoeirado no salão quase vazio.
Havia muito não fazia caminhadas cansativas, e achou que o reflexo estava um tanto balofo.
Depois do almoço, para a irritação de Frodo, apareceram os Sacola-bolseiros, Lobélia e o filho ruivo, Lotho.
— Finalmente nossa! — disse Lobélia entrando na casa.
Isso não era correto, nem estritamente verdadeiro, pois a venda de Bolsão não teria efeito antes de meia-noite. Mas pode ser que Lobélia tenha esquecido: fora obrigada a esperar por Bolsão cerca de setenta e sete anos mais do que imaginara a princípio, e estava agora com cem anos. De qualquer modo, tinha vindo para se certificar de que nada do que tinha comprado fora levado embora; e queria as chaves. Demorou muito para ficar satisfeita, pois tinha trazido um longo inventário, do qual verificou item por item. Ao fim de tudo, partiu com Lotho e a chave sobressalente, e com a promessa de que a outra chave ficaria com os Gamgis na Rua do Bolsinho. Bufou e demonstrou de modo cabal que achava os Gamgis capazes de saquear tudo durante a noite. Frodo não lhe ofereceu chá.
Tomou o seu com Pippin e Sam Gamgi na cozinha. Fora anunciado oficialmente que Sam ia para a Terra dos Buques “para ajudar o Sr. Frodo e cuidar de seu pequeno jardim”; esse arranjo foi aprovado pelo Feitor, embora não o consolasse diante da perspectiva de ter Lobélia como vizinha.
— Nossa última refeição em Bolsão! — disse Frodo, empurrando para trás sua cadeira.
Deixaram a louça para Lobélia.
Pippin e Sam amarraram suas três mochilas e as empilharam na varanda. Pippin saiu para um último passeio no jardim. Sam desapareceu.
O sol se pôs. Bolsão parecia triste, um lugar melancólico e desarrumado.
Frodo andou pelas conhecidas salas, e viu a luz do pôr do sol desmaiar nas paredes, e sombras que vinham dos cantos já se insinuando. O interior da casa escureceu lentamente. Saiu e desceu pelo caminho que conduzia até o portão de entrada, indo em seguida por uma passagem estreita até a Estrada da Colina. Tinha uma certa esperança de ver Gandalf subindo a passos largos em meio ao crepúsculo.
O céu estava claro e as estrelas ficavam cada vez mais brilhantes.
— Teremos uma noite agradável — disse ele em voz alta. — Isso é um bom começo. Tenho vontade de caminhar. Não aguento esperar mais. Vou partir, e Gandalf deve me seguir.
Virou-se para voltar, e então parou, ouvindo vozes logo ali, do outro lado da esquina da rua do Bolsinho. Uma delas certamente era do velho Feitor; a outra era estranha, e de certo modo desagradável. Não conseguia entender o que dizia, mas ouviu as respostas do Feitor, que tinha uma voz bem aguda. O velho parecia desconcertado.
— Não, o Sr. Bolseiro foi embora. Hoje cedo, e o meu Sam foi junto: de qualquer jeito, as coisas dele não estão mais aí. Sim, foram vendidas e levadas, digo ao senhor. Por quê? Isso não é da minha conta. Ele se mudou para Buqueburgo ou algum lugar por ali, lá para as bandas de baixo. Sim o caminho é bom. Nunca fui até lá; o pessoal da Terra dos Buques é esquisito. Não, não posso dar nenhum recado. Boa-noite para o senhor!
Passos desceram a Colina. Frodo tentava vagamente descobrir o motivo de seu alívio quando percebeu que os passos não tinham subido a Colina.
“Acho que estou farto de perguntas e curiosidade sobre o que faço”, pensou ele. “Que bando de intrometidos!” Fez menção de ir perguntar ao Feitor quem estava pedindo as informações; mas pensou melhor (ou pior), virou-se e andou rápido de volta a Bolsão.
Pippin estava sentado sobre sua mochila na varanda. Sam não estava lá.
Frodo entrou na sala escura.
— Sam! — chamou ele. — Sam, está na hora!
— Estou indo, senhor — veio uma resposta lá de dentro, rapidamente seguida pelo próprio Sam, que limpava a boca. Estivera dizendo adeus ao barril de cerveja na adega.
— Todos a bordo, Sam? — disse Frodo.
— Sim, senhor. Agora posso aguentar bastante, senhor.
Frodo fechou e trancou a porta redonda, dando a chave para Sam.
— Corra até sua casa com isto, Sam! — disse ele. — Depois corte a estrada e junte-se a nós no portão da alameda além das campinas, o mais rápido possível. Não vamos passar pela vila esta noite. Muitas orelhas em pé e olhos espionando.
Sam correu a toda velocidade.
— Bem, finalmente estamos indo! — disse Frodo.
Puseram suas mochilas nos ombros e pegaram suas bengalas, dobrando a esquina em direção ao lado oeste de Bolsão.
— Adeus! — disse Frodo, olhando para as janelas escuras e fechadas.
Acenou a mão, voltou-se e (seguindo os passos de Bilbo, sem saber) apressou-se atrás de Peregrin, descendo o caminho do jardim. Pularam sobre a parte baixa da cerca-viva lá embaixo e entraram nos campos, passando pela escuridão como um farfalhar na grama.
No pé da Colina, do lado oeste, chegaram até o portão que se abria para uma alameda estreita. Ali pararam e ajustaram as correias de suas mochilas. Imediatamente Sam apareceu, andando rápido e respirando com dificuldade, sua pesada mochila na altura dos ombros, e sobre a cabeça um saco sem formato definido, ao qual dava o nome de chapéu. No escuro lembrava muito um anão.
— Tenho certeza de que me deram as coisas mais pesadas — disse Frodo. — Tenho pena dos caramujos, que carregam suas casas nas costas.
— Consigo carregar bem mais, senhor. Minha mochila está bem leve — disse Sam, resoluto e insincero.
— Não, não consegue, Sam! — disse Pippin. — Está bom assim para ele. Não há nada nas mochilas além do que nos mandou colocar. Esteve indolente nos últimos tempos, e sentirá menos o peso da mochila quando tiver perdido um pouco do seu.
— Tenha pena de um pobre e velho hobbit — riu Frodo. — Estarei fino como uma vara de salgueiro quando chegar à Terra dos Buques, com certeza. Mas eu estava falando besteira. Suponho que esteja levando mais que a sua parte, Sam, e vou verificar isso na próxima vez que empacotarmos as coisas. — Pegou novamente a bengala. — Bem, todos nós gostamos de andar no escuro — disse ele. — Então, vamos deixar algumas milhas para trás antes de dormir.
Por um breve trecho, seguiram a alameda em direção ao oeste. Depois, abandonando-a, viraram à esquerda e entraram silenciosamente nos campos de novo. Foram em fila indiana ao longo de cercas-vivas e das orlas dos matagais, e a noite escura caiu sobre eles. Em suas capas escuras, ficavam invisíveis como se todos tivessem um anel mágico. Já que eram todos hobbits, e estavam tentando ser silenciosos, não fizeram qualquer barulho que mesmo um hobbit pudesse ouvir. Os próprios seres selvagens dos campos e florestas mal notaram sua passagem.
Depois de algum tempo cruzaram o Água, a oeste da Vila dos Hobbits, por uma pinguela estreita.
O rio ali não era mais que uma sinuosa fita negra, ladeada por amieiros inclinados. Uma ou duas milhas à frente, atravessaram rapidamente a grande estrada que vinha da Ponte do Brandevin; estavam agora na Terra dos Túks e, virando em direção ao sudeste, dirigiram-se para a Terra das Colinas Verdes. Depois de começar a subir as primeiras ladeiras, voltaram-se e viram as luzes da Vila dos Hobbits piscando ao longe, no suave vale do Água, que rapidamente desapareceu nas dobras da terra escurecida, seguido por Beirágua ao lado de seu lago cinzento. Quando a luz do último sítio já estava bem distante, espiando por entre as árvores, Frodo se virou e acenou um adeus.
— Fico pensando se verei este vale outra vez — disse ele calmamente.
Depois de andar cerca de três horas, pararam para descansar. A noite estava clara, fresca e estrelada, mas feixes de névoa semelhantes a fumaça estavam avançando, subindo as encostas das colinas, vindo das correntes de água e das várzeas profundas. Bétulas delgadas, que um leve vento balançava sobre suas cabeças, desenhavam uma rede negra contra o céu pálido. Fizeram uma ceia bastante frugal (para hobbits), e depois continuaram. Logo toparam com uma estrada estreita que, subindo e descendo, desaparecia cinzenta na escuridão à frente. Era a estrada para a Vila do Bosque, para Tronco, e para a balsa de Buqueburgo, que subia da estrada principal no Vale do Água, descrevendo curvas nos arredores das Colinas Verdes em direção à Ponta do Bosque, um canto selvagem da Quarta Leste.
Depois de um tempo, mergulharam num caminho que desenhava uma fenda profunda entre altas árvores, cujas folhas secas farfalhavam na noite.
Estava muito escuro. No começo conversaram, ou cantarolaram uma melodia suave juntos, agora que estavam longe de ouvidos curiosos. Depois continuaram a marcha em silêncio, e Pippin começou a ficar para trás. Finalmente, quando começaram a subir uma ladeira íngreme, ele parou e bocejou.
— Estou com tanto sono — disse ele — que logo vou cair na estrada. Vocês vão dormir em pé? Já é quase meia-noite!
— Pensei que gostasse de andar no escuro — disse Frodo. — Mas não há tanta pressa. Merry nos espera a qualquer hora depois de amanhã. Vamos parar no próximo ponto adequado.
— O vento está soprando do Oeste — disse Sam. — Se chegarmos ao outro lado desta colina, encontraremos um local bem protegido e confortável, senhor. Existe um pinheiral seco logo ali adiante, se estou bem lembrado.
Sam conhecia bem a terra num raio de vinte milhas da Vila dos Hobbits, mas este era o limite de sua geografia.
Bem no topo da colina encontraram o pinheiral. Deixando a estrada, entraram na escuridão das árvores, que tinha um cheiro profundo de resina, e recolheram galhos e pinhas secas para fazer uma fogueira. Logo tinham um alegre crepitar de chamas ao pé de um pinheiro grande, e se sentaram em volta do fogo por um tempo, até começarem a cochilar. Então, cada um num canto das raízes da grande árvore, enrolaram-se em suas capas e cobertores, e logo estavam num sono pesado. Não montaram guarda; nem Frodo receava qualquer perigo por enquanto, pois eles ainda estavam no coração do Condado. Algumas criaturas vieram olhá-los quando o fogo tinha se apagado.
Uma raposa que passava através da floresta cuidando de seus próprios negócios parou por vários minutos, farejando. “Hobbits!”, pensou ela. “O que vem depois? Ouvi falar sobre coisas estranhas nesta terra, mas nunca soube de hobbits dormindo ao relento sob as árvores. Três deles! Tem alguma coisa muito estranha por trás disso.” Estava muito certa, mas nunca soube disso.
A manhã chegou, pálida, fria e úmida. Frodo acordou primeiro, e descobriu que a raiz da árvore tinha feito um buraco em suas costas, e seu pescoço estava duro. “Caminhar por prazer! Por que não vim com uma condução?”, pensou ele, como sempre fazia no início de uma expedição. “E todos os meus ótimos acolchoados de pena vendidos para os Sacola-bolseiros! Essas raízes de árvore fariam bem a eles.” Espreguiçou-se.
— Acordem, hobbits! — gritou ele. — Está uma linda manhã.
— O que tem de bonito nisso? — disse Pippin, espiando com um só olho da beira de seu cobertor. — Sam, apronte o desjejum para as nove e meia! Já esquentou a água do banho?
De um salto Sam se pôs de pé, ainda com muito sono.
— Não, senhor, ainda não! — disse ele.
Frodo arrancou os cobertores de Pippin e o fez rolar no chão; depois caminhou até a beira da floresta. Ao leste, bem distante, o sol vermelho surgia da névoa que pairava espessa sobre o mundo. Tingidas de dourado e vermelho, as árvores do outono pareciam estar navegando sem raízes num mar de sombras, Um pouco abaixo dele, à esquerda, a estrada descia íngreme por um desfiladeiro e desaparecia.
Quando voltou, Sam e Pippin estavam fazendo uma boa fogueira.
— Água — gritou Pippin. — Cadê a água?
— Não carrego água no bolso — disse Frodo.
— Pensamos que tivesse ido buscar — disse Pippin, arrumando a comida e as xícaras. — É melhor ir agora.
— Vocês também podem vir — disse Frodo — e tragam todas as garrafas de água. — Havia um riacho no pé da colina.
Encheram as garrafas e a pequena chaleira de acampamento numa pequena cascata, onde a água caía de uma altura de mais ou menos um metro sobre uma saliência rochosa cinzenta. Estava quase congelada, e eles bufaram e resfolegaram ao lavar o rosto e as mãos.
Já eram mais de dez horas quando terminaram o desjejum e de arrumar as mochilas, e o dia começava a ficar quente e agradável. Desceram a ladeira, e atravessaram o riozinho no ponto em que ele mergulhava sob a estrada, e galgaram a próxima ladeira, e então subiram e desceram outra saliência das colinas, após o que suas capas, cobertores, água, comida e outros equipamentos já pareciam um fardo pesado.
A marcha do dia prometia ser quente e cansativa. Entretanto, depois de algumas milhas a estrada não tinha mais tantos altos e baixos: subia ziguezagueando até o topo de uma encosta íngreme, e então se preparava para descer pela última vez. À frente eles viram as terras mais baixas, ponteadas com pequenos grupos de árvores que na distância se desfaziam em névoa escura. Olhavam através da Ponta do Bosque em direção ao rio Brandevin. A estrada dava voltas diante deles como um pedaço de fio.
— A estrada vai seguindo sempre em frente — disse Pippin — mas não consigo continuar sem um descanso. Já está mais que na hora de almoçarmos.
Sentou-se no barranco à beira da estrada e olhou na distância em direção ao leste, dentro da névoa, além da qual ficava o Rio e o fim do Condado onde tinha passado toda sua vida. Sam estava perto dele, os olhos redondos bem abertos – pois estava olhando, através de terras que nunca tinha visto, para um novo horizonte.
— Os elfos moram nesses bosques? — perguntou ele.
— Não que eu saiba — disse Pippin.
Frodo estava em silêncio. Também ele olhava ao longo da estrada em direção ao leste, como se nunca tivesse visto aquilo antes. De repente falou, em voz alta, mas como se fosse para si mesmo, dizendo devagar:

A Estrada em frente vai seguindo
Deixando a porta onde começa.
Agora longe já vai indo,
Devo seguir, nada me impeça;
Por seus percalços vão meus pés,
Até a junção com a grande estrada,
De muitas sendas através.
Que vem depois? Não sei mais nada.

— Isso é parecido com um trecho dos versos do velho Bilbo — disse Pippin. — Ou é uma das suas imitações? Não parece muito encorajador.
— Não sei — disse Frodo. — Ocorreu-me, como se eu estivesse compondo; mas posso ter escutado há muito tempo. Certamente me lembra muito Bilbo nos últimos anos, antes de ir embora, Ele costumava sempre dizer que só havia uma Estrada, que se assemelhava a um grande rio: suas nascentes estavam em todas as portas, e todos os caminhos eram seus afluentes. “É perigoso sair porta afora, Frodo”, ele costumava dizer. “Você pisa na Estrada, e, se não controlar seus pés, não há como saber até onde você pode ser levado. Você percebe que é exatamente esse o caminho que atravessa a Floresta das Trevas, e que, se você deixar, poderá levar você até a Montanha Solitária e muito mais além, e para lugares piores?” Costumava dizer isso no caminho que passava pela porta de Bolsão, principalmente depois de ter feito uma longa caminhada.
— Bem, a Estrada não vai me arrastar a lugar nenhum, pelo menos pela próxima hora — disse Pippin, desafivelando sua mochila.
Os outros seguiram o exemplo, colocando as suas no barranco e esticando as pernas sobre a estrada. Depois de descansar, almoçaram bem, e então descansaram mais.
O sol estava começando a abaixar e a luz da tarde estava sobre a paisagem quando desceram a colina. Até agora não tinham encontrado vivalma na estrada. Esse caminho não era muito usado, sendo pouco adequado para carroças, e havia pouco trânsito na Ponta do Bosque. Já estavam andando havia uma hora ou mais quando Sam parou por um momento, como se escutasse algo. Estavam agora em terreno plano, e a estrada, depois de muitas curvas, estendia-se em linha reta através de um capinzal salpicado de árvores altas, sentinelas avançadas das florestas que se aproximavam.
— Ouço um pônei ou um cavalo vindo pela estrada — disse Sam.
Olharam para trás, mas uma curva os impedia de enxergar muito além.
— Imagino se não é Gandalf, vindo atrás de nós — disse Frodo; mas enquanto falava, teve um pressentimento de que não era, e se sentiu dominado por um desejo repentino de sumir da vista do cavaleiro.
— Pode não fazer muita diferença — disse ele se desculpando — mas prefiro não ser visto na estrada – por ninguém. Estou cansado de comentários sobre o que faço. E se for Gandalf — acrescentou ele, completando o pensamento — podemos fazer-lhe uma pequena surpresa, puni-lo por estar tão atrasado. Vamos nos esconder!
Os outros dois correram para a esquerda e desceram até uma pequena concavidade não muito distante da estrada. Deitaram-se no solo. Frodo hesitou por um momento: a curiosidade ou algum outro sentimento lutava contra seu desejo de se esconder.
O som de cascos se aproximou. Bem na hora, ele se jogou numa moita alta atrás de uma árvore que cobria a estrada de sombra. Então levantou a cabeça e espiou cuidadosamente por cima de uma das raízes grandes.
Pela curva vinha um cavalo negro, não um pônei de hobbit, mas um cavalo grande: montado por um homem grande, que parecia abaixado na sela, envolto numa grande capa e num capuz preto, de modo que só se viam as botas nos estribos altos.
O rosto, coberto por uma sombra, era invisível.
Quando chegou à árvore onde estava Frodo, o cavalo parou. A figura do cavaleiro permanecia imóvel com a cabeça abaixada, como que tentando escutar algo. De dentro do capuz veio um ruído, como se alguém tentasse farejar um cheiro indefinível; a cabeça se virava para os dois lados da estrada.
Um medo repentino e insensato de ser descoberto tomou conta de Frodo, que pensou no Anel. Mal ousava respirar, e mesmo assim a vontade de retirá-lo do bolso se tornou tão forte que sua mão começou lentamente a se mover. Sentia que era só colocá-lo, e ficaria a salvo.
O conselho de Gandalf parecia absurdo. Bilbo tinha usado o Anel.
“E ainda estou no Condado”, pensava ele, no momento em que sua mão alcançou a corrente em que estava o Anel. Nesse momento o cavaleiro sentou-se ereto e sacudiu as rédeas.
O cavalo avançou, primeiro andando devagar, para depois romper num trote rápido.
Frodo se arrastou até a beira da estrada e ficou olhando o cavaleiro, até que desapareceu na distância. Não podia ter certeza, mas teve a impressão de que, de repente, antes que sumisse de vista, o cavalo tinha virado para o lado e entrado no mato à direita.
— Bem, acho isso estranho, e na verdade perturbador — falou Frodo consigo mesmo, enquanto andava em direção aos companheiros.
Pippin e Sam permaneciam deitados no chão, e não tinham visto nada; então Frodo descreveu o cavaleiro e seu comportamento estranho.
— Não sei por que, mas tive certeza de que estava me procurando ou me farejando; e também tive certeza de que eu não queria que me descobrisse. Nunca vi ou senti algo assim no Condado antes.
— Mas o que teria umas das pessoas grandes a ver conosco? — disse Pippin. — E o que estaria fazendo nesta parte do mundo?
— Existem alguns homens por aí — disse Frodo. — Lá embaixo, na Quarta Sul, andaram tendo problemas com as pessoas grandes, eu acho. Mas nunca soube de nada como este cavaleiro. Fico imaginando de onde veio.
— Desculpe — interrompeu Sam. — Eu sei de onde ele vem. É da Vila dos Hobbits que este cavaleiro vem, a não ser que exista mais de um. E sei para onde vai.
— O que quer dizer? — disse Frodo abruptamente, olhando para ele assombrado. — Por que não falou nada antes?
— Só lembrei agora, senhor. Foi assim: quando volto para a nossa toca ontem à noite com a chave, meu pai diz para mim: “Oi, Sam”, diz ele. “Achei que tinha ido embora com o Sr. Frodo hoje cedo. Passou por aqui um camarada estranho perguntando pelo Sr. Bolseiro de Bolsão, e ele acabou de sair. Mandei-o para Buqueburgo. Não que tenha gostado do jeito dele. Parecia muito furioso quando eu disse que o Sr. Bolseiro tinha deixado sua velha casa para sempre. Chiou na minha cara! Me deu um arrepio”. “Que tipo de pessoa pode ser?”, digo eu para o Feitor. “Eu não sei”, diz ele; “mas não era um hobbit. Ele era alto e parecia negro, e se inclinava em cima de mim. Acho que era uma das pessoas grandes, dos lugares distantes. Ele falava esquisito”. Não pude ficar para ouvir mais, já que o senhor estava à minha espera; e não dei muita atenção a isso. O Feitor está ficando velho, e bem cego, e devia estar quase escuro quando esse camarada subiu a Colina e o encontrou tomando ar no fim de nossa rua. Espero que ele não tenha feito nenhum mal, senhor, nem eu.
— De qualquer jeito, a culpa não é dele — disse Frodo. — Para falar a verdade, eu o escutei conversando com um estranho, que parecia perguntar por mim, e quase fui até lá saber quem era. Gostaria de ter ido, ou que você tivesse me contado isso antes. Devia ter tomado mais cuidado na estrada.
— Ainda assim, pode não haver ligação alguma entre o sujeito estranho do Feitor e este cavaleiro — disse Pippin. — Saímos da Vila dos Hobbits em segredo, e eu não vejo como ele possa nos ter seguido.
— Devia ter esperado Gandalf — murmurou Frodo. — Mas talvez isso só piorasse as coisas.
— Então você sabe ou imagina alguma coisa sobre este cavaleiro? — disse Pippin, que escutara essas últimas palavras.
— Não sei, e preferia não adivinhar — disse Frodo.
— Tudo bem, primo Frodo! Pode guardar o seu segredo por agora, se quiser fazer mistério. Mas enquanto isso, que vamos fazer? Gostaria de beliscar alguma coisa, mas algo me diz que devemos sair daqui. Essa conversa de cavaleiro farejador com nariz invisível me deixou inquieto.
— É, acho que vamos agora — disse Frodo — mas não pela estrada como prevenção, caso aquele cavaleiro volte, ou outro o siga. Temos muito chão pela frente hoje. A Terra dos Buques ainda está a milhas daqui.
As árvores lançavam sombras altas e esguias sobre o mato quando partiram novamente. Agora se mantinham a certa distância da estrada, do lado esquerdo, e escondidos o máximo possível. Mas isso os atrasou, pois o mato era espesso e cheio de moitas, e o solo irregular, as árvores já começando a se agrupar em feixes.
O sol já baixava, vermelho, além das montanhas atrás deles, e a tarde já avançava quando voltaram para a estrada, no final de um longo trecho plano e reto que se estendera por algumas milhas. Naquele ponto descrevia uma curva e descia para as terras da Baixada, seguindo para Tronco; mas havia uma ramificação à direita, que desenhava curvas e entrava numa floresta de velhos carvalhos, em direção à Vila do Bosque.
— Este é o nosso caminho — disse Frodo.
Não muito distante da bifurcação, encontraram o tronco de uma enorme árvore: ainda estava viva e tinha folhas nos pequenos ramos crescidos em volta dos tocos quebrados de seus galhos caídos havia muito; mas era oca, e podia-se entrar nela através de uma grande fissura no lado oposto à estrada. Os hobbits se arrastaram para dentro, e lá sentaram sobre o chão de folhas velhas e madeira podre. Descansaram e fizeram uma refeição leve, conversando baixo e parando para escutar de tempo em tempo.
Já os envolvia o crepúsculo quando se puseram a caminho. O vento Oeste suspirava nos galhos. As folhas sussurravam. Logo a estrada começou a mergulhar de leve, mas continuamente, no lusco-fusco. Uma estrela surgiu sobre as árvores no Leste que escurecia diante deles. Caminhavam lado a lado no mesmo passo, para manter o ânimo.
Depois de um tempo, à medida que as estrelas aumentavam em número e brilho, a inquietação os deixou, e eles pararam de prestar atenção ao som de cascos. Começaram a cantar baixinho, como os bobbits fazem ao caminhar juntos, especialmente quando se aproximam dos lares à noite. Para a maioria dos hobbits, é uma cantiga de ceia ou de dormir; mas para esses hobbits era uma cantiga de caminhar (embora não deixasse, é claro, de mencionar a ceia e a cama). Bilbo Bolseiro tinha feito a letra para uma melodia antiga como as colinas, e ensinou-a a Frodo quando caminhavam nas ladeiras do vale do Água, e conversavam sobre Aventura.

Sobre a lareira arde a chama,
E sob o teto há uma cama;
Mas nossos pés vão mais andar,
Ali na esquina pode estar
Árvore alta ou rochedo frio
Que ninguém sabe ninguém viu.
Folha e relva, árvore e flor
Deixa passar aonde for!
Água e monte vão chegando,
Vai passando! Vai passando!
Talvez te espere noutra esquina
Porta secreta ou nova sina.
E se hoje nós passarmos por elas,
Amanhã podemos revê-las
E seguir a senda secreta
Que o Sol e a Lua têm por meta.
Maçã e espinho, noz e ameixa,
Deixa passar! Deixa, deixa!
Pedra e areia, lagoa e vargem,
Boa viagem! Boa viagem!
Lá atrás a casa, em frente o mundo,
Muitas trilhas ao vagabundo,
Pelas sombras do anoitecer,
Té a última estrela aparecer.
Agora o mundo já não chama,
Voltemos pra casa e para a cama.
Nuvem, sombra, dúbia neblina,
Deixa a retina, deixa a retina!
Água e comida, luz e chama,
E já pra cama! Já pra cama!
A cantiga terminou.

— E agora pra cama! Agora pra cama! — cantou Pippin bem alto.
— Quieto! — disse Frodo. — Acho que ouvi cascos de novo.
Pararam de repente e ficaram quietos como sombras de árvores, escutando.
Havia um som de cascos no caminho, um pouco atrás, mas que se aproximava devagar. Saíram do caminho rápida e silenciosamente, correndo para a sombra mais profunda embaixo dos carvalhos.
— Não vamos muito longe! — disse Frodo. — Não quero ser visto, mas quero ver se é outro Cavaleiro Negro.
— Muito bem! — disse Pippin. — Mas não esqueça que ele fareja!
Os cascos se aproximaram. Não tinham tempo para encontrar um esconderijo melhor que a escuridão geral sob as árvores; Sam e Pippin se agacharam atrás de um tronco, enquanto Frodo se arrastava alguns metros em direção ao caminho, que se mostrava cinzento e pálido, uma linha de luz sumindo através da floresta.
Acima, o céu claro estava coalhado de estrelas, mas não havia luar.
O barulho de cascos parou. Olhando, Frodo viu alguma coisa escura atravessar o espaço mais claro entre duas árvores, e depois parar.
Parecia a sombra negra de um cavalo, conduzida por uma sombra negra menor. A sombra ficou parada perto do ponto onde tinham abandonado o caminho, e se se virava de um lado para outro. Frodo pensou ouvir o som de alguém farejando. A sombra se abaixou até o solo, e começou a avançar em direção a ele.
Mais uma vez, o desejo de colocar o Anel se apossou de Frodo; agora mais forte que antes. Tão forte que, sem perceber o que estava fazendo, sua mão já tateava o bolso. Mas neste momento veio um som semelhante ao de música e risadas misturadas. Som de vozes perfeitamente audíveis, mais altas e depois mais baixas, através do ar iluminado pela luz das estrelas. A sombra negra se endireitou e se afastou. Montou a sombra do cavalo e pareceu desaparecer através do caminho, dentro da escuridão do outro lado. Frodo pôde respirar novamente.
— Elfos! — exclamou Sam num sussurro rouco. — Elfos, senhor!
Poderia ter se jogado à frente das árvores e corrido na direção das vozes, se os outros não o tivessem segurado.
— Sim, são elfos — disse Frodo. — Pode-se encontrá-los de vez em quando na Ponta do Bosque. Não moram no Condado, mas vagueiam por aqui na primavera e no outono, vindos de suas terras além das Colinas das Torres. Ainda bem que fazem isso! Vocês não viram, mas aquele Cavaleiro Negro parou bem aqui, e estava realmente vindo em nossa direção quando a música começou. Assim que escutou as vozes, ele fugiu.
— E os elfos? — disse Sam, entusiasmado demais para se preocupar com o cavaleiro. — Podemos ir até lá para vê-los?
— Escutem! Estão vindo para cá — disse Frodo. — Temos só de esperar.
A cantoria chegou mais perto. Uma das vozes podia agora ser ouvida acima das outras. Cantava na bela língua dos elfos, que Frodo entendia um pouco, e os outros não conheciam. Apesar disso, na imaginação deles, o som combinado com a melodia parecia tomar a forma de palavras que entendiam só em parte. Frodo escutou a canção assim:

Branca-de-Neve! Clara Senhora!
Reinas além dos Mares Poentes!
És nossa Luz aqui nesta hora
No mundo das arvores onipresentes!
Ó Gilthoniel! Ó Elbereth!
De hálito puro e claro olhar!
Branca-de-Neve, a ti nossa voz
Em longes terras, além do Mar.
Estrelas que, no Ano sem Sol,
Pela sua mão fostes semeadas,
Em campos de vento, em claro arrebol,
Agora sois flores prateadas.
ó Elbereth, ó Gilthoniel!
Inda lembramos, nós que moramos
Nesta lonjura, em matas silentes,
A luz dos astros nos Mares Poentes.
A canção terminou.

— Estes são Altos-elfos! Falaram o nome de Elbereth! — disse Frodo surpreso. — Esse belo povo raramente é visto no Condado. Poucos ainda permanecem na Terra Média, a leste do Grande Mar. De fato, um acaso estranho!
Os hobbits se sentaram na sombra ao lado do caminho. Logo os elfos desceram por ele em direção ao vale. Passaram devagar, e os hobbits puderam ver a luz das estrelas brilhando nos olhos e cabelos deles. Não levavam qualquer luz, e mesmo assim, conforme caminhavam, um clarão, como a luz da lua que aparece sobre a borda das montanhas anunciando sua chegada, parecia iluminar seus pés. Agora estavam em silêncio, e o último elfo, ao passar, se voltou e olhou em direção aos hobbits, rindo.
— Salve, Frodo — gritou ele. — Você está fora de casa tarde da noite. Ou será que está perdido?
Então gritou pelos outros, e todo o grupo parou e se juntou em volta deles.
— Isto é realmente maravilhoso! — disseram eles. — Três hobbits numa floresta à noite. Não vemos uma coisa dessas desde que Bilbo foi embora. Que significa isto?
— Isto simplesmente significa, belo povo, que parece que estamos indo pelo mesmo caminho que vocês. Gosto de andar sob as estrelas. Mas a sua companhia seria bem-vinda.
— Mas não precisamos de outra companhia, e os hobbits são tão enfadonhos — riram eles. — E como você sabe que estamos indo pelo mesmo caminho que vocês, já que não sabem aonde estamos indo?
— E como você sabe meu nome? — perguntou Frodo.
— Sabemos de muitas coisas — disseram eles. — Já o vimos antes muitas vezes com Bilbo, embora vocês possam não nos ter visto.
— Quem são vocês, e quem é o seu senhor?
— Sou Gildor — respondeu o líder, o elfo que o tinha chamado primeiro. — Gildor Inglorion da Casa de Finrod. Somos Exilados, e a maioria de nossos parentes partiu há muito tempo, e também nós vamos permanecer aqui apenas um pouco, antes de nosso retorno pelo Grande Mar. Mas alguns de nosso povo ainda moram em paz em Valfenda. Agora vamos, Frodo, conte-nos o que está fazendo. Pois vemos uma sombra de medo em você.
— Ó Povo Sábio! — interrompeu Pippin ansiosamente. — Contem-nos sobre os Cavaleiros Negros!
— Cavaleiros Negros? — disseram em voz baixa. — Por que estão perguntando sobre Cavaleiros Negros?
— Porque dois Cavaleiros Negros passaram por nós hoje, ou um deles duas vezes — disse Pippin. — Agora há pouco fugiu, quando vocês se aproximaram.
Os elfos não responderam imediatamente, mas conversaram entre si num tom baixo, em sua própria língua. Finalmente Gildor voltou-se para os hobbits.
— Não vamos falar disso aqui — disse ele. — Achamos que é melhor virem conosco. Não é nosso hábito, mas desta vez levaremos vocês pela nossa estrada, e vocês vão se hospedar conosco esta noite, se quiserem.
— Ó Belo Povo, isto é boa sorte além do que esperava — disse Pippin.
Sam estava mudo.
— Agradeço-lhe muito, Gildor Inglorion — disse Frodo, fazendo uma reverência. — Elen sila lúmenn omentielvo, uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro — acrescentou ele, na língua dos Altos-elfos.
— Tenham cuidado, amigos — gritou Gildor rindo. — Não digam segredos! Aqui está um estudioso da Língua Antiga. Bilbo foi um bom mestre. Salve, amigo-dos-elfos! — disse ele fazendo uma reverência a Frodo. — Venha agora com seus amigos e junte-se ao nosso grupo! É melhor andarem no meio, para não se perderem. Podem ficar cansados antes de pararmos.
— Por quê? Aonde vamos? — perguntou Frodo.
— Por hoje vamos para a floresta nas colinas sobre a Vila do Bosque. Fica a algumas milhas, mas vão ter de descansar no final, e isto encurtará a sua viagem amanhã.
Agora continuavam a marcha em silêncio, e passavam como sombras e luzes fracas: os elfos (mais ainda que os hobbits) sabiam andar sem fazer nenhum ruído, se desejassem.
Pippin começou logo a ficar sonolento e cambaleou uma ou duas vezes; sempre um elfo ao seu lado estendia o braço, evitando que caísse. Sam andava ao lado de Frodo, como se sonhasse, com uma expressão no rosto que misturava medo e uma alegria atônita.
A floresta em ambos os lados se tornou mais densa; as árvores agora eram mais jovens e espessas; e conforme o caminho descia, entrando numa dobra das montanhas, havia profundas moitas de aveleiras nas ladeiras dos dois lados.
Finalmente os elfos deixaram o caminho virando à direita. Uma trilha verde quase invisível passava pelas moitas; e por ela seguiram, através de curvas que voltavam a subir as ladeiras, até o topo de uma saliência das colinas, que altiva se projetava sobre a parte mais baixa do vale do rio. De repente saíram da sombra das árvores, e diante deles estava um espaço grande de capim baixo, cinzento no escuro da noite. De três lados, a floresta avançava por cima dele, mas ao leste o solo descia vertiginosamente, e as copas das árvores escuras que cresciam no fundo da ladeira ficavam abaixo de seus pés. Mais além, as terras baixas se estendiam escuras e planas sob as estrelas. Mais próximas, algumas luzes brilhavam na aldeia da Vila do Bosque.
Os elfos sentaram-se no capim e conversaram em voz baixa; pareciam não tomar mais conhecimento dos hobbits. Frodo e seus companheiros se embrulharam em capas e cobertores, tomados pelo sono. A noite avançou, e as luzes no vale se apagaram. Pippin adormeceu, com a cabeça apoiada num outeiro verde.
Lá em cima no Leste oscilavam Remmirath, as Estrelas Enredadas, e lenta acima da névoa a vermelha Borgil se levantava, brilhando como uma joia de fogo. Então, por alguma mudança de ar, toda a névoa foi retirada como um véu; e ali subia, como se escalasse a borda do mundo, o Espadachim do Céu, Menelvagor com seu cinto brilhante.
Todos os elfos começaram a cantar. De repente, sob as árvores, uma fogueira se acendeu com uma luz vermelha.
— Venham! — disseram os elfos chamando os hobbits. — Agora é hora de conversar e de se divertir!
Pippin se sentou, esfregando os olhos. Tremeu.
— Há um fogo no salão, e comida para convidados famintos — disse um elfo parado diante dele.
Na ponta sul do gramado havia uma abertura. Ali o solo verde entrava na floresta, e formava um amplo espaço como um salão, coberto pelos ramos das árvores. Os grandes troncos se alinhavam como pilares em cada um dos lados. No meio ficava uma fogueira, e nas árvores-pilares, tochas com luzes de ouro e prata queimavam continuamente. Os elfos se sentaram em volta da fogueira, sobre a grama ou sobre rodelas serradas de velhos troncos. Alguns iam e vinham carregando taças e servindo bebidas; outros traziam comida em montes de pratos e bandejas.
— É uma refeição modesta — disseram eles aos hobbits — pois estamos alojados na floresta, longe de nossos salões. Se alguma vez forem à nossa casa, serão mais bem tratados.
— A mim parece bom o suficiente para uma festa de aniversário — disse Frodo.
Mais tarde, Pippin se lembraria muito pouco da comida e da bebida, pois sua mente estava tomada pela luz nos rostos dos elfos, e pelos sons de vozes, tão variadas e bonitas que o faziam sentir-se como se estivesse sonhando acordado. Mas saberia dizer que houve pão, cujo sabor superava o de uma bela bengala de pão branco para alguém que está morrendo de fome; e frutas doces como pomos silvestres e mais saborosas que as cultivadas em jardins; ele esvaziou um copo cheio de uma bebida aromática, fresca e transparente como água de fonte, dourada como uma tarde de verão.
Sam jamais poderia descrever em palavras, nem representar de modo claro para si mesmo, o que sentiu ou pensou naquela noite que, apesar disso, ficou-lhe gravada na memória como um dos acontecimentos mais importantes da sua vida. O mais próximo disso a que conseguiu chegar foi dizer:
— Bem, senhor, se eu pudesse cultivar maçãs assim, diria que sou um hortelão. Mas foram as canções que tocaram meu coração, se entende o que quero dizer.
Frodo estava sentado, comendo, bebendo e conversando com prazer; mas sua mente se concentrava nas palavras ditas. Sabia um pouco da língua élfica, e escutava atento.
De vez em quando falava com aqueles que o serviam, e lhes agradecia na língua deles. Em contrapartida, sorriam e diziam:
— Aqui está uma joia rara entre os hobbits.
Depois de um tempo Pippin adormeceu profundamente, e foi levantado e levado para um abrigo sob as árvores; ali o deitaram num leito macio onde dormiu o resto da noite. Sam se recusou a deixar seu mestre. Quando Pippin tinha ido, ele veio e se sentou encolhido perto de Frodo, onde finalmente pendeu de sono e fechou os olhos.
Frodo permaneceu por muito tempo acordado, conversando com Gildor.
Falaram de muitas coisas, velhas e novas, e Frodo perguntou muito sobre os acontecimentos no vasto mundo fora do Condado. As novidades eram na maioria tristes e agourentas: uma escuridão que crescia, as guerras dos homens e a fuga dos elfos. Finalmente Frodo fez a pergunta que calava mais fundo em seu coração.
— Diga-me, Gildor, você viu Bilbo depois que ele nos deixou?
Gildor sorriu.
— Sim — respondeu ele. — Duas vezes. Disse-me adeus aqui mesmo. Mas o vi uma outra vez, longe daqui. — Não disse mais nada sobre Bilbo, e Frodo ficou em silêncio.
— Você não me pergunta ou fala muito sobre as coisas que o preocupam, Frodo — disse Gildor. — Mas eu já sei um pouco, e posso ler mais em seu rosto e no pensamento por trás de suas perguntas. Você está deixando o Condado, e ainda assim duvida se poderá encontrar o que procura, ou conseguir o que pretende, ou se algum dia retornará, Não é isso?
— É sim — disse Frodo — mas pensei que minha partida fosse um segredo conhecido apenas por Gandalf e meu fiel Sam.
Olhou para Sam, que roncava baixinho.
— O segredo não chegará ao Inimigo por nosso intermédio — disse Gildor.
— O Inimigo? — disse Frodo. — Então você sabe por que estou deixando o Condado?
— Não sei por que motivo o Inimigo está perseguindo você — respondeu Gildor — mas percebo que está – embora isso me pareça muito estranho. E faço uma advertência: o perigo agora está adiante e também atrás de você, e dos dois lados.
— Quer dizer os Cavaleiros? Receava que fossem servidores do Inimigo. O que são os Cavaleiros Negros?
— Gandalf não lhe disse nada?
— Sobre essas criaturas, nada.
— Então acho que não cabe a mim dizer mais – para evitar que o terror o impeça de continuar a viagem. Pois a mim parece que você partiu em cima da hora, se é que já não está atrasado. Deve se apressar, e não ficar e nem voltar; o Condado não oferece proteção a você.
— Não consigo imaginar que informação possa ser mais terrível que suas insinuações e advertências — exclamou Frodo. — É claro que sabia que havia perigo à minha frente, mas não esperava encontrá-lo no nosso próprio Condado. Um hobbit não pode caminhar do Água até o Rio em paz?
— Mas não é o seu próprio Condado — disse Gildor. — Outros moraram aqui antes dos hobbits; e outros virão quando os hobbits não estiverem mais aqui. O vasto mundo está em volta de vocês. Podem se trancar aqui dentro, mas não trancá-lo lá fora.
— Eu sei – e apesar disso o Condado sempre me pareceu tão seguro e familiar. Que posso fazer agora? Meu plano era sair do Condado em segredo, e ir até Valfenda; mas agora meus passos estão sendo seguidos, antes mesmo de chegar à Terra dos Buques.
— Acho que ainda deve seguir esse plano — disse Gildor. — Não acho que a Estrada será dura demais para sua coragem. Mas se desejar um conselho mais direto, deve pedi-lo a Gandalf. Não sei o motivo de sua fuga, e por isso não sei por que meios seus perseguidores vão atacá-lo. Isso Gandalf deve saber. Suponho que deve encontrá-lo antes de deixar o Condado?
— Espero que sim. Mas esta é outra coisa que me deixa ansioso. Tenho esperado Gandalf há muitos dias. Ele deveria ter chegado à Vila dos Hobbits no máximo há duas noites; mas não apareceu. Agora fico imaginando o que pode ter acontecido. Será que devo esperá-lo?
Gildor ficou em silêncio por um momento.
— Não gosto dessa notícia — disse ele finalmente. — O atraso de Gandalf não é um bom presságio. Mas dizem por aí: Não se meta nas coisas dos magos, pois eles são sensíveis e ficam facilmente irritados. A escolha é sua: ir ou esperar.
— E também dizem por aí: Não peça conselhos aos elfos, pois eles dirão ao mesmo tempo não e sim.
— É mesmo? — riu Gildor. — Os elfos raramente dão conselhos imprudentes, pois o conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios para os sábios, e tudo pode dar errado. Mas e você? Se não me contou sobre tudo o que o preocupa, como posso fazer uma escolha melhor que a sua? Mas se quer um conselho, vou dá-lo em nome de nossa amizade. Acho que deve partir imediatamente, sem demora; e se Gandalf não chegar antes de sua partida, então também aconselho o seguinte: não vá sozinho. Leve amigos, que sejam confiáveis e prestativos. Agora, deve me agradecer, pois não dou este conselho com tranquilidade. Os elfos têm suas próprias dores e seus próprios labores, e não se preocupam muito com os assuntos dos hobbits, ou de qualquer outra criatura sobre a terra. Nossos caminhos se cruzam raramente, por acaso ou de propósito. Neste nosso encontro, pode haver algo mais que o acaso; mas o propósito não está claro para mim, e temo falar demais.
— Fico imensamente grato — disse Frodo — mas queria que dissesse de modo direto o que são os Cavaleiros Negros. Se seguir seu conselho, posso não encontrar Gandalf por um longo tempo, e preciso saber qual é o perigo que me persegue.
— Não basta saber que são servidores do Inimigo? — respondeu Gildor. — Fuja deles! Não fale com eles! São letais. Não me pergunte mais nada! Mas meu coração pressente que, antes que tudo se acabe, você, Frodo, filho de Drogo, saberá mais sobre essas coisas terríveis que Gildor Inglorion. Que Elbereth o proteja!
— Mas onde buscarei coragem? — perguntou Frodo. — É disso que eu mais preciso.
— A coragem pode ser encontrada em lugares improváveis — disse Gildor. Tenha esperança! Durma agora! Pela manhã deveremos ter partido, mas enviaremos nossas mensagens por todo lugar. Os Grupos Errantes vão saber de sua viagem, e aqueles que têm poder para o bem estarão vigiando. Nomeio-o amigo-dos-elfos, e que as estrelas brilhem sobre o final de seu caminho! Raramente tivemos tanto prazer na companhia de estranhos, e é bonito escutar palavras da Língua Antiga dos lábios de outros andarilhos do mundo.
Frodo sentiu-se sonolento, ainda enquanto Gildor terminava de falar.
— Vou dormir agora — disse ele, e o elfo o conduziu a um abrigo ao lado de Pippin, e ele se jogou sobre um leito, caindo imediatamente num sono sem sonhos.

3 comentários:

  1. Alguém mais faz um ritimozinho para as músicas? Toda hora eu faço mas nunca fecha certo a letra e o ritmo ._.

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  2. Estou adorando a história,é muito envolvente e prevejo muitas emoções!

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