11 de abril de 2016

Capítulo I - A partida de Boromir

Aragorn subiu correndo a colina. De quando em quando, curvava-se sobre o chão.
Aragorn subiu correndo a colina. De quando em quando, curvava-se sobre o chão. Os hobbits caminham com leveza e as pegadas que deixam não são fáceis de detectar nem mesmo por um guardião, mas não muito longe do topo uma nascente cruzava a trilha, e na terra molhada ele viu o que procurava.
— Interpretei os vestígios corretamente — disse ele para si mesmo. — Frodo correu para o topo da colina. Fico imaginando o que terá visto ali. Mas ele voltou pelo mesmo caminho, e desceu a colina outra vez.
Aragorn hesitou. Ele também desejava ir ao alto trono, na esperança de ver algo que pudesse guiá-lo em suas perplexidades, mas o tempo estava passando. De repente, deu um pulo para frente e correu ao topo, atravessando as grandes lajes e subindo os degraus. Então, sentando-se no trono, olhou em volta. Mas o sol parecia escurecido e o mundo apagado e remoto. Percorreu com os olhos toda a região, virando-se do norte de volta para o norte, mas não viu nada exceto as colinas ao longe, a não ser que aquilo que vislumbrava na distância fosse um grande pássaro, semelhante a uma águia voando alto no céu, descendo devagar em amplos círculos em direção à terra.
No momento em que olhava, seus ouvidos atentos distinguiram sons vindos da floresta abaixo, no lado oeste do Rio. Retesou-se. Eram gritos, e em meio a eles, para seu terror, Aragorn pôde perceber vozes rudes de orcs. Então, de repente, num chamado grave, uma poderosa corneta soou, e seus clamores golpearam as colinas e ecoaram nas concavidades, erguendo-se num grito poderoso acima do rugido da cachoeira.
— A corneta de Boromir! — gritou ele. — Ele está em apuros! — Saltou os degraus e desceu a trilha aos pulos. — Que lástima! Uma má sorte paira sobre mim hoje, e tudo o que faço dá errado. Onde está Sam?
Conforme corria, os gritos iam ficando mais nítidos, mas a corneta soava mais fraca e desesperada. Ferozes e agudos cresciam os urros dos orcs, até que de repente a voz da trombeta calou. Aragorn precipitou-se pela última encosta, mas antes que conseguisse atingir o pé da colina os outros sons também foram diminuindo; e no momento em que ele virou à esquerda e correu na direção deles, os gritos sumiram, até que finalmente não podiam mais ser ouvidos. Puxando sua espada reluzente e gritando Elendil! Elendil! , Aragorn irrompeu através das árvores.
A uma milha, talvez, do Parth Galen, numa pequena clareira não muito distante do lago, encontrou Boromir. Estava sentado e recostado numa grande árvore, como se descansasse. Mas Aragorn viu que ele estava perfurado por muitas flechas com plumas negras; ainda se via a espada em sua mão, mas estava quebrada perto do punho. A corneta, partida em duas, descansava ao seu lado. Viu muitos orcs abatidos, empilhados em toda a volta e aos pés de Boromir.
Aragorn ajoelhou-se ao lado dele. Boromir, abrindo os olhos, esforçava-se para falar. Finalmente, lentas palavras afloraram. — Tentei tirar o Anel de Frodo — disse ele. — Sinto muito. Paguei por isso. — Seu olhar desviou para os inimigos caídos; pelo menos vinte. — Eles se foram; os Pequenos; os orcs os levaram. Acho que não estão mortos. — Fez uma pausa na qual seus olhos se fecharam de cansaço. Depois de um momento, falou outra vez.
— Adeus, Aragorn! Vá para Minas Tirith e salve meu povo! Eu falhei.
— Não! — disse Aragorn, pegando-lhe a mão e beijando sua fronte. Você venceu. Poucos conseguiram tal vitória. Fique em paz! Minas Tirith não sucumbirá!
Boromir sorriu,
— Para que lado foram? Frodo estava com eles? — perguntou Aragorn.
Mas Boromir não falou mais nada.
— Que pena! — disse Aragorn. — Assim parte o herdeiro de Denethor, Senhor da Torre da Guarda! É um fim amargo. Agora a Comitiva está completamente desfeita. Fui eu quem falhou. A confiança que Gandalf depositou em mim foi em vão. Que farei agora? Boromir me incumbiu de ir a Minas Tirith, e meu coração deseja a mesma coisa; mas onde estão o Anel e o Portador? Como poderei salvá-los e salvar a Demanda do desastre?
Ficou ajoelhado por um tempo, curvado e chorando, ainda agarrado à mão de Boromir. Foi assim que Legolas e Gimli o encontraram. Vieram da encosta oeste da colina, em silêncio, rastejando por entre as árvores, como se estivessem caçando. Gimli trazia na mão o machado, e Legolas empunhava sua longa faca: tinha usado todas as flechas. Quando atingiram a clareira, pararam confusos; depois ficaram um tempo cabisbaixos e tristes, pois para eles ficara claro o que tinha acontecido.
— É lamentável! — disse Legolas, aproximando-se de Aragorn. — Caçamos e matamos muitos orcs na floresta, mas teríamos sido de mais utilidade aqui. Viemos quando escutamos a corneta. Tarde demais, ao que parece. Receio que tenha sofrido um ferimento mortal.
— Boromir está morto! — disse Aragorn. — Eu estou ileso, pois não estava aqui com ele. Ele pereceu defendendo os hobbits, enquanto eu estava longe, na colina.
— Os hobbits — gritou Gimli. — Onde estão eles então? Onde está Frodo?
— Não sei — respondeu Aragorn, fatigado. — Antes de morrer, Boromir me disse que os orcs os aprisionaram, embora não achasse que eles estivessem mortos. Pedi a ele que seguisse Merry e Pippin, mas não perguntei se Frodo ou Sam estavam com eles: não até que fosse tarde demais. Tudo o que fiz hoje deu errado. Que se deve fazer agora?
— Primeiro temos de cuidar do morto — disse Legolas. — Não podemos deixá-lo aqui estendido como um cadáver qualquer em meio a esses orcs nojentos.
— Mas precisamos ser rápidos — disse Gimli. — Ele não desejaria que demorássemos. Devemos seguir os orcs, se ainda temos alguma esperança de que algum membro de nossa Comitiva seja um prisioneiro vivo.
— Mas não sabemos se o Portador do Anel está com eles ou não — disse Aragorn. — Vamos abandoná-lo? Devemos procurá-lo primeiro? Uma terrível escolha se coloca diante de nós!
— Então vamos fazer primeiro o que devemos fazer — disse Legolas. Não temos tempo nem ferramentas para enterrar nosso companheiro com todas as honras, ou para erguer-lhe um monumento protetor. Podemos deixar um marco mortuário.
— O trabalho será difícil e longo: por aqui não há pedras para construir um marco. O lugar mais próximo onde podemos encontrá-las é a margem do Rio.
— Então vamos deitá-lo num barco com suas armas, e com as armas de seus inimigos derrotados — disse Aragorn. — Vamos enviá-lo à Cachoeira de Rauros e oferecê-lo ao Anduin. O Rio de Gondor cuidará para que pelo menos nenhuma criatura maligna desonre seus ossos.


Rapidamente revistaram os cadáveres dos orcs, recolhendo as espadas e elmos partidos e escudos numa pilha.
— Vejam! — gritou Aragorn. — Aqui encontramos sinais! — Apanhou da pilha de armas repugnantes duas facas com lâminas em forma de folha, trabalhadas em ouro e vermelho; procurando um pouco mais, encontrou as bainhas, negras e ornadas com pequenas pedras vermelhas. — Estas não são ferramentas de orcs! — disse ele. — Estavam sendo carregadas pelos hobbits. Sem dúvida, os orcs os despojaram, mas temeram guardar as facas, reconhecendo o que eram: trabalho do Ponente, cheio de encantos para a destruição de Mordor. Bem, agora, se ainda estão vivos, nossos amigos estão desarmados. Vou levar essas coisas, na esperança de poder devolvê-las a eles, embora essa esperança seja ínfima.
— E eu — disse Legolas — vou levar as flechas que puder encontrar, pois minha aljava está vazia. — Procurou na pilha e no chão em volta, encontrando um bom número de flechas que estavam intactas e eram mais longas na haste do que as que os orcs costumavam usar. Examinou-as atentamente.
E Aragorn olhou para os mortos, e disse: — Aqui estão muitos que não são do povo de Mordor. Alguns são do Norte, das Montanhas Sombrias, se é que sei alguma coisa sobre os orcs e suas espécies. Esses equipamentos não são nem um pouco parecidos com os dos orcs.
Havia quatro soldados-orcs de estatura maior, de pele escura, olhos oblíquos, com pernas grossas e mãos grandes. Estavam armados com espadas de lâminas curtas e largas, e não com as cimitarras arqueadas habituais dos orcs; e tinham arcos de teixo, do comprimento e da forma dos arcos dos homens. Nos escudos carregavam uma estranha insígnia. Uma pequena mão branca no centro de um campo negro; na parte frontal de seus elmos de ferro via-se uma runa correspondente à letra S, moldada em algum tipo de metal branco.
— Nunca vi estes símbolos antes — disse Aragorn. — O que significam?
— S é de Sauron — disse Gimli. — isso é fácil de ler.
— Nada disso — disse Legolas. — Sauron não usa runas élficas.
— Nem usa seu nome certo, nem permite que seja soletrado ou pronunciado — disse Aragorn. — E ele não usa a cor branca. Os orcs a serviço de Barad-dûr usam o símbolo do Olho Vermelho. — Parou por um tempo, pensando.
— Esse S é de Saruman, eu acho — disse ele finalmente. — O mal está à solta em Isengard, e o Oeste já não é seguro. É como Gandalf temia: de algum modo o traidor Saruman teve notícias de nossa jornada. É provável também que saiba da queda de Gandalf. Perseguidores de Moria podem ter escapado da vigilância de Lórien, ou talvez tenham evitado aquela terra, vindo para Isengard por outros caminhos. Os orcs viajam rápido. Mas Saruman tem muitos meios de conseguir notícias. Lembram-se dos pássaros?
— Bem, não temos tempo para resolver enigmas — disse Gimli. Vamos levar Boromir embora.
— Mas antes disso temos de decifrar os enigmas, para escolhermos o caminho certo — respondeu Aragorn.
— Talvez não exista uma escolha certa — disse Gimli.


Pegando seu machado, o anão começou a cortar vários galhos, que foram amarrados com cordas de arcos. Depois disso, eles estenderam suas capas sobre a estrutura. Sobre esse rude esquife, carregaram o corpo do companheiro para a praia, juntamente com os troféus de sua última batalha que foram escolhidos para acompanhá-lo. O percurso era curto; mesmo assim não foi uma tarefa fácil, pois Boromir era alto, além de robusto. Na beira da água, Aragorn ficou vigiando o esquife, enquanto Legolas e Gimli correram de volta para o Parth Galen. A distância era de uma milha ou mais, e demorou um pouco até que voltassem, conduzindo dois barcos rapidamente ao longo da margem.
— Tenho um caso estranho para contar! — disse Legolas. — Só há dois barcos sobre o barranco da margem. Não encontramos nem sinal do outro.
— Os orcs passaram por lá? — perguntou Aragorn.
— Não vimos sinais deles — respondeu Gimli. — E os orcs teriam levado ou destruído todos os barcos, como também a bagagem.
— Vou examinar o solo quando chegarmos lá — disse Aragorn.


Colocaram então Boromir no meio do barco que deveria levá-lo embora.
Dobraram o capuz e o manto élfico, colocando-os sob sua cabeça. Pentearam seus longos cabelos escuros, arrumando-os sobre os ombros. O cinto dourado de Lórien reluzia em sua cintura. O elmo foi colocado ao lado do corpo, e atravessados sobre seu colo colocaram a corneta partida e o punho com os fragmentos da lâmina da espada; sob os pés colocaram as espadas dos inimigos. Então, fixando a proa à popa do outro barco, arrastaram-no até a água. Remaram tristemente ao longo da margem, e mudando o curso para atingir o canal veloz, passaram pelo gramado verde do Parth Galen. As encostas escarpadas de Tol Brandir reluziam: já estavam no meio da tarde. Conforme se dirigiam para o Sul, a fumaça de Rauros se erguia e tremeluzia diante deles, uma névoa de ouro. O estrondo e a velocidade da cachoeira agitavam o ar parado.
Cheios de tristeza, soltaram o barco fúnebre: ali jazia Boromir, descansado, em paz, deslizando sobre o coração da água. A correnteza o levou, enquanto os outros seguravam o próprio barco com os remos. Boromir flutuou passando por eles, e lentamente seu barco afastou-se, reduzindo-se a um ponto escuro contra a luz dourada; depois, de repente, desapareceu. Rauros continuava rugindo, sem qualquer alteração. O Rio tinha levado Boromir, filho de Denethor, que agora não seria mais visto em Minas Tirith, altaneiro, como costumava ficar sobre a Torre Branca de manhã. Mas em Gondor, tempos depois, falou-se muito que o barco élfico passou pela cachoeira e pelo lago espumante, levando-o através de Osgiliath, passando pelas várias desembocaduras do Anduin, e entrando no Grande Mar à noite, sob as estrelas.


Por um tempo, os três companheiros permaneceram em silêncio, observando o rio que levara Boromir. Então Aragorn falou.
— Da Torre Branca vão procurá-lo, mas ele não mais retornará das montanhas ou do mar. — Depois, lentamente, começou a cantar:

Por Rohan sobre charco e campo onde alta cresce a grama
O Vento Oeste vai voando e em torno aos muros clama.
Que novas tu, ó Vento, vais à noite revelar?
Viste Boromir, o Alto, andando no luar?
Por amplas águas sete rios escuros o vi descer;
Por terras ermas foi-se embora até desaparecer
Nas sombras que cobrem o norte. Não mais vi ao redor.
O Vento Norte viu talvez o Filho de Denethor
Ó Boromir! Dos altos muros o oeste eu entrevi,
Mas da região de homens deserta voltar eu não te vi.

Então Legolas cantou:

Da boca do Mar das pedras e dunas o Vento Sul voa;
Traz das gaivotas o lamento, e ao portão geme à toa.
Que novas do sul, ó lamuriento, esta noite tu me dás?
Onde está o Belo Boromir? Demora e eu não tenho paz.
Onde ele mora não perguntes. Lá tantos ossos vão
Em praias brancas ou escuras sob tormentoso chão.
Desceram tantos o Anduin fluindo para o Mar.
O Vento Norte detém novas de quem aqui vai passar
Ó Boromir! Além das portas ao sul a estrada investe,
Mas tu do Mar com as gaivotas chorosas não vieste

Depois Aragorn de novo cantou:

Dos portões reais o Vento Norte vem e as cataratas sobrevoa;
E claro e frio em torno à torre sua trompa alto ecoa.
Que novas do norte, ó vento forte, me trazes nesta hora?
Que é de Boromir, o Ousado? Há tempos foi embora.
No Amon Hen ouvi seu grito. Com muitos se bateu.
O seu broquel e sua espada o rio os recebeu.
Afronte alta, o rosto belo, o corpo ao rio doaram;
E Rauros, de ouro Cataratas, ao peito o carregaram.
A Torre da Guarda, ó Boromir. Ao norte observará
As Cataratas de ouro, Rauros, até que o tempo findará.

Assim terminaram. Então viraram o barco e conduziram-no na maior velocidade possível contra a correnteza, de volta para o Parth Galen.
— Você deixou o Vento Leste para mim — disse Gimli. — Mas não vou dizer nada sobre isso.
— É o que devia ser feito — disse Aragorn. — Em Minas Tirith, eles suportam o Vento Leste, mas não lhe pedem notícias. Mas agora Boromir tomou sua estrada, e nós devemos nos apressar e escolher a nossa.
Examinou o gramado verde, rapidamente mas de forma completa, muitas vezes se abaixando ao solo. — Nenhum orc passou por este terreno — disse ele. — Se não for assim, não se pode ter certeza de nada. Todas as nossas pegadas estão aqui, cruzando e recruzando o terreno. Não posso dizer se qualquer um dos hobbits voltou aqui desde que começamos a procurar Frodo. — Voltou para a margem, perto do ponto onde a nascente escorria para dentro do Rio. — Há algumas pegadas bem visíveis aqui — disse ele. — Um hobbit caminhou para dentro da água, voltou, e depois entrou na água de novo, mas não consigo dizer há quanto tempo.
— Então como você decifra este enigma?
Aragorn não respondeu imediatamente, mas voltou para o acampamento e olhou a bagagem. — Estão faltando duas mochilas — disse ele. — E uma com certeza é de Sam: era bem grande e pesada. Esta então é a resposta: Frodo foi de barco, e seu servidor foi com ele. Frodo deve ter retornado quando todos estávamos longe daqui. Encontrei Sam subindo a colina e disse-lhe que me seguisse; mas está claro que ele não fez isso. Adivinhou os pensamentos de seu patrão e voltou aqui antes que Frodo tivesse partido. Não seria fácil para ele abandonar Sam.
— Mas por que nos abandonaria, e sem dizer nada? — disse Gimli. Que atitude estranha!
— E corajosa! — disse Aragorn. — Sam estava certo, eu acho. Frodo não desejava conduzir qualquer amigo para a morte em Mordor. Mas sabia que ele próprio deveria ir. Alguma coisa aconteceu depois que ele nos deixou, e isso o fez superar seus receios e dúvidas.
— Talvez um ataque de orcs caçadores o tenha feito fugir — disse Legolas.
— Certamente ele fugiu — disse Aragorn. — Mas não acho que tenha fugido dos orcs. — O que considerava ser a causa da súbita resolução e da fuga de Frodo, Aragorn não disse. Guardou em segredo por muito tempo as últimas palavras de Boromir.
— Bem, isso pelo menos está claro agora — disse Legolas. — Frodo não está mais deste lado do Rio: só pode ter sido ele quem levou o barco. E Sam está com ele; só ele teria levado a própria mochila.
— Deixem-me pensar! — disse Aragorn. — E, agora, tomara que eu possa fazer a escolha certa e mudar o destino trágico deste dia infeliz! — Ficou em silêncio por um momento. — Vou seguir os orcs — disse ele finalmente. — E eu teria guiado Frodo a Mordor, acompanhando-o até o fim; mas se o procurar agora nestes lugares desertos vou abandonar os prisioneiros ao tormento e à morte. Meu coração fala claramente: o destino do Portador não está mais em minhas mãos. A Comitiva desempenhou seu papel. Mas nós, que permanecemos, não podemos abandonar nossos companheiros enquanto tivermos forças. Venham! Partiremos agora! Deixem para trás tudo o que for possível! Vamos prosseguir de dia e de noite.
Arrastaram o último barco e carregaram-no para as árvores. Colocaram debaixo dele as coisas de que não iriam precisar e que não podiam levar.
Depois deixaram o Parth Galen. A tarde ia se apagando quando retornaram à clareira onde Boromir tinha sucumbido. Ali pegaram a trilha dos orcs. Não foi preciso muita habilidade para encontrá-la.
— Nenhum outro povo pisa tão pesadamente — disse Legolas. — Parece que o prazer deles é ferir e derrubar tudo o que estiver crescendo, mesmo que não esteja em seu caminho.
— Mas eles avançam com grande velocidade apesar disso — disse Aragorn. — E não se cansam. E mais tarde talvez tenhamos de procurar nosso caminho em terras duras e desertas.
— Bem, atrás deles! — disse Gimli. — Os anões também conseguem andar depressa, e não se cansam antes que os orcs. Mas será uma longa caçada: eles estão em grande vantagem.
— Sim — disse Aragorn. — Todos nós precisaremos da resistência dos anões! Mas venham! Com ou sem esperança, seguiremos a trilha de nossos inimigos. E ai deles se acabarmos sendo mais rápidos! Faremos uma caçada que será considerada um prodígio nos Três Reinos: dos elfos, anões e homens. Lá vão os Três Caçadores!
Como uma corça ele saltou à frente. Através das árvores, correu. Sempre adiante conduziu os outros, incansável e veloz, agora que finalmente tinha decidido o que fazer.
A floresta em volta do lago ficou para trás. Escalaram longas encostas, escuras, de arestas duras contra o céu que já se avermelhava com o pôr-do-sol. Chegou o crepúsculo.
Passaram, sombras cinzentas numa região rochosa.

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