24 de abril de 2016

Apêndice F

I. As línguas e os povos da Terceira Era

A língua representada nesta história pela nossa era o westron ou “Língua Geral” do oeste da Terra Média na Terceira Era. No decorrer dessa era, tornara-se a língua nativa de quase todos os povos falantes (exceto pelos elfos) que habitavam dentro dos limites dos antigos reinos de Arnor e Gondor, isto é, ao longo de toda a costa, desde Umbar até a Baía da Forochel, ao norte, e as Montanhas Sombrias e o Ephel Dúath, no interior. Propagara-se também para o norte, subindo o Anduin, ocupando as terras a oeste do Rio e a leste das montanhas, até os Campos de Lis.
A época da Guerra do Anel, no final da era, esses eram ainda os seus limites como língua nativa, embora grandes extensões de Eriador estivessem então desertas e poucos homens vivessem às margens do Anduin entre o Rio de Lis e Rauros.
Alguns dos primitivos homens selvagens ainda se ocultavam na Floresta de Drúadan em Anórien; e nas colinas da Terra Parda subsistia um remanescente de um antigo povo, os primitivos habitantes de boa parte de Gondor. Esses mantinham-se fiéis às suas próprias línguas, enquanto as planícies de Rohan eram agora habitadas por um povo do norte, os rohirrim, que haviam chegado à terra uns quinhentos anos antes. Mas o westron era usado como uma segunda língua de comunicação por todos os que ainda mantinham um idioma próprio, até mesmo pelos elfos, não apenas em Arnor e Gondor, mas em todos os vales do Anduin, e, a leste, até as mais distantes orlas da Floresta das Trevas. Até entre os homens selvagens e os da Terra Parda, que evitavam outros povos, havia alguns que eram capazes de falá-lo, ainda que mal.

Dos elfos
Há muito tempo, nos Dias Antigos, os elfos dividiram-se em dois ramos principais: os elfos do oeste (os eldar) e os elfos do leste. A esta última estirpe pertencia a maioria dos habitantes da Floresta das Trevas e de Lórien, mas suas línguas não aparecem nesta história, em que todas as palavras e nomes élficos são de forma eldarin.
Das línguas eldarin, duas encontram-se neste livro: o alto-élfico ou quenya e o élfico-cinzento ou sindarin. O alto-élfico era uma antiga língua de Eldamar além do Mar, a primeira a ser registrada por escrito. Não era mais uma língua nativa, mas tornara-se, por assim dizer, um “latim élfico”, ainda empregado em cerimônias e assuntos elevados, de tradição e canções, pelos altos-elfos, que haviam retornado em exílio à Terra Média no fim da Primeira Era.
O élfico-cinzento era na sua origem aparentado com o quenya, pois era a língua dos eldar que, chegando às margens da Terra Média, não haviam atravessado o Mar, detendo-se nas costas do país de Beleriand. Lá, Thingol Manto-Cinzento de Doriath era seu rei, e, no longo crepúsculo, sua língua mudara com a mutabilidade das terras dos mortais e se alheara muito da fala dos eldar de além do Mar.
Os Exilados, morando entre os elfos-cinzentos, mais numerosos, haviam adotado o sindarin no uso diário; dessa forma ele se tornou a língua de todos os elfos e senhores élficos que aparecem nesta história. Pois eram todos da raça eldarin, mesmo quando a gente que governavam era das estirpes menos elevadas. A mais nobre de todas era a Senhora Galadriel, da casa real de Finarfin, irmã de Finrod Felagund, rei de Nargothrond. Nos corações dos Exilados o anseio pelo Mar era uma inquietação que jamais podia ser acalmada; nos corações dos elfos-cinzentos ele dormitava, mas uma vez despertado não se podia apaziguar.

Dos homens
westron era uma fala humana, apesar de enriquecida e suavizada sob influência élfica. Era originariamente a língua daqueles a quem os eldar chamavam Atani ou Edain, “País dos Homens”, especialmente a gente das Três Casas dos amigos-dos-elfos, que chegou ao oeste, em Beleriand, na Primeira Era, e auxiliou os eldar na Guerra das Grandes Joias contra o Poder Escuro do norte.
Após a derrota do Poder Escuro, quando Beleriand foi em sua maior parte submersa ou destruída, concedeu-se aos amigos-dos-elfos a recompensa de poder, assim como os eldar, atravessar o Mar ramo ao oeste. Mas, como o Reino Imortal era-lhes proibido, foi-lhes reservada uma grande ilha, a mais ocidental de todas as terras mortais. O nome dessa ilha era Númenor (Ponente). A maioria dos amigos-dos-elfos, portanto, partiu e foi morar em Númenor, e lá tornaram-se grandes e poderosos, marinheiros de renome e senhores de muitos navios. Eram altos e belos de rosto, e a duração de sua vidaera o triplo da vida dos homens da Terra Média. Eram os númenorianos, os reis dos homens, a quem os elfos chamavam os dúnedain.
Somente os dúnedain, dentre todas as raças dos homens, conheciam e falavam uma língua élfica, pois seus ancestrais haviam aprendido a língua sindarin e a passaram a seus filhos como um tema da tradição, quase imutável com o passar dos anos. Seus homens sábios aprendiam também o alto-élfico, o quenya, e o estimavam acima do todas as outras línguas, e nele fizeram nomes para muitos lugares de fama e reverência, e para muitos homens de realeza e grande renome.
Mas a fala nativa dos númenorianos continuou a ser, principalmente, a língua humana ancestral, o adünaico, e a ela retornaram seus reis e senhores nos dias ulteriores de seu orgulho, abandonando a fala dos elfos, exceto os poucos que ainda se atinham à antiga amizade com os eldar. Nos anos de seu poderio, os númenorianos haviam mantido muitos fortes e portos nas costas ocidentais da Terra Média para auxiliar seus navios; um dos principais ficava em Pelargir, perto da Foz do Anduin. Lá se falava o adünaico, que, misturado a muitas palavras das línguas de homens inferiores, se transformou numa Língua Geral que se espalhou ao longo da costa, entre todos os que mantinham contato com o Ponente.
Após a Queda de Númenor, Elendil conduziu os sobreviventes dos amigos- dos-elfos de volta à costa noroeste da Terra Média. Lá já viviam muitos que, totalmente ou em parte, eram de sangue númenoriano; mas poucos recordavam a fala élfica. Assim, em geral, os dúnedain eram desde o princípio muito menos numerosos que os homens inferiores entre os quais viviam e a quem governavam, visto que eram senhores de longa vida e grande poderio e sabedoria. Portanto, usavam a Língua Geral no trato com outras gentes e no governo de seus amplos reinos, mas ampliaram a língua e a enriqueceram com muitas palavras retiradas dos idiomas élficos.
Nos dias dos reis númenorianos essa língua westron enobrecida espalhou-se por toda a parte, mesmo entre seus inimigos, e foi sendo cada vez mais usada pelos próprios dúnedain, de modo que na época da Guerra do Anel a língua élfica era conhecida apenas por uma pequena parcela dos povos de Gondor e falada diariamente por menos pessoas ainda. Estas eram principalmente as que habitavam Minas Tirith e as regiões povoadas adjacentes, bem como a terra dos príncipes tributários de Dol Amroth. Contudo, os nomes de quase todos os lugares e pessoas no reino de Gondor possuíam formas e significados élficos. A origem de alguns fora esquecida, mas, sem dúvida, provinham dos dias anteriores à época em que os navios dos númenorianos navegavam no Mar; entre esses estavam Umbar, Arnach Erech, e os nomes de montanhas EilenachRimmon. Forlong era também um nome da mesma espécie.
A maioria dos homens das regiões setentrionais das Terras do Oeste descendia dos edain da Primeira Era ou de seus parentes próximos. Suas línguas eram, portanto, aparentadas com o adünaico, e algumas ainda guardavam semelhança com a Língua Geral. Eram dessa espécie os povos dos vales superiores do Anduin: os beornings e os homens da Floresta das Trevas Ocidental, e, mais ao norte e a leste, os homens do Lago Comprido e de Valle. Veio das terras entre o Rio de Lis e o Carrock o povo conhecido em Gondor como os rohirrim, Senhores dos Cavalos. Falavam ainda sua língua ancestral e nela deram novos nomes a quase todos os locais de seu novo reino; chamavam a si mesmos eorlings, ou Homens da Terra dos Cavaleiros. Mas os senhores desse povo usavam livremente a Língua Geral, e a falavam com nobreza, à maneira de seus aliados em Gondor; pois em Gondor, de onde provinha, o westron mantinha ainda um estilo mais gracioso e arcaico.
Era totalmente estranha a fala dos homens bárbaros da Floresta de Drúadan. Também estranha, ou apenas remotamente aparentada, era a língua dos habitantes da Terra Parda. Estes eram remanescentes dos povos que haviam habitado os vales das Montanhas Brancas em épocas passadas. Os Mortos do Templo da Colina eram da sua estirpe. Mas nos Anos Escuros outros se haviam mudado para os vales meridionais das Montanhas Sombrias, e de lá alguns haviam migrado para as terras vazias ao norte, até as Colinas dos Túmulos. Deles descendiam os homens de Bri, mas havia muito tempo eles se tinham sujeitado ao Reino do Norte de Arnor, adotando a língua westron. Somente na Terra Parda os homens dessa raça se ativeram à sua antiga fala e costumes: um povo reservado, hostil aos dúnedain, que odiava os rohirrim. Da sua língua nada aparece neste livro, a não ser o nome Forgoil que davam aos rohirrim (e que significava, dizia-se, Cabeças de Palha).Terra Parda era o nome que os rohirrim davam à região porque seus habitantes tinham pele e cabelo escuros; assim, não há nenhuma conexão entre a palavra dunn no topónimo usado pelos rohirrim (Dunland) e a palavra Dün “oeste” em élfico-cinzento.

Dos hobbits
Os hobbits do Condado e de Bri tinham nessa época adotado a Língua Geral havia provavelmente mil anos. Usavam-na a seu próprio modo, livre e descuidadamente, embora os mais eruditos entre eles ainda tivessem o domínio de uma língua mais formal, quando a ocasião a exigia.
Não há registro de qualquer língua peculiar aos hobbits. Nos dias antigos, parece que sempre usavam as línguas dos homens perto dos quais ou entre os quais viviam. Assim, adotaram rapidamente a Língua Geral depois de entrarem em Eriador, e, na época de seu estabelecimento em Bri, já haviam começado a esquecer seu idioma anterior. Este era evidentemente uma língua humana do alto Anduin, aparentada com a dos rohirrim, apesar de os Grados, no sul, aparentemente terem adotado uma língua semelhante à da Terra Parda antes de se dirigirem ao norte, para o Condado.
Na época de Frodo, ainda restavam alguns vestígios desses fatos em palavras e nomes locais, muitos dos quais se assemelhavam bastante aos encontrados em Valle ou em Rohan. Os mais notáveis eram os nomes dos dias, meses e estações do ano; diversas outras palavras da mesma espécie (tais como mathom smial) também eram ainda de uso comum, enquanto outras estavam preservadas nos topónimos de Bri e do Condado. Os nomes pessoais dos hobbits eram também peculiares e muitos provinham dos dias antigos.
Hobbit era o nome normalmente dado pela gente do Condado a toda a sua espécie. Os homens chamavam-nos Pequenos e os elfos, Periannath. A origem da palavra hobbit fora esquecida pela maioria. Parece, no entanto, que inicialmente fora um nome dado aos Pés-peludos pelos Cascalvas e Grados, e que era a forma deturpada de uma palavra mais plenamente preservada em Rohan: holbytla, “construtor de tocas”.

De outras raças

Ents.
O povo mais antigo que sobrevivia na Terceira Era eram os onodrim ou enyd. Ent era a forma de seu nome na língua de Rohan. Eram conhecidos pelos eídar nos dias de outrora, e, na verdade, os ents atribuíam aos eldar, não sua própria língua, mas o desejo da fala. A língua que haviam feito era diferente de todas as outras: lenta, sonora, aglomerada, repetitiva-prolixa, na verdade formada de uma multiplicidade de tonalidades vocálicas e distinções de tom e quantidade que os próprios mestres da tradição entre os eldar não haviam tentado representar por escrito. Usavam-na apenas entre si, mas não tinham nenhuma necessidade de mantê-la secreta, pois ninguém mais era capaz de aprendê-la.
Os próprios ents, no entanto, eram versados em línguas, aprendendo-as rapidamente sem jamais as esquecer. Mas preferiam os idiomas dos eldar, e apreciavam acima de todas a antiga língua alto-élfica. As estranhas palavras e os nomes que, como os hobbits registram, eram usados por Barbárvore e outros ents são, portanto, élficos, ou fragmentos da fala dos elfos alinhavados à moda dos ents. Alguns são quenya, como Taurelilómèa-tumbalemorna Tumbaletaurêa Lómêanor, que pode ser traduzido como “Floresta-muitasombraprofundovalenegro Profundovaleflorestal Terraobscura”, e com o qual Barbárvore queria dizer, mais ou menos: “há uma sombra negra nos vales profundos da floresta”. Alguns são sindarin, como Fangorn “barba-(de)-árvore”, ou Fimbrethil “faia-esbelta”.

Os orcs e a Língua Negra.
Orc é a forma do nome que as demais raças usavam para esse povo imundo, tal como na língua de Rohan. Em sindarin era orch. Sem dúvida a palavra uruk na Língua Negra era aparentada com essa, apesar de normalmente ser aplicada apenas aos grandes orcs soldados procedentes de Mordor e Isengard naquela época. As espécies menores eram chamadas, especialmente pelos uruk-hai, snaga, “escravo”.
Os orcs foram inicialmente engendrados pelo Poder Escuro do norte nos Dias Antigos. Dizem que não tinham idioma próprio, mas adotavam o que podiam das outras línguas e o pervertiam ao seu gosto; produziram, porém, somente jargões grosseiros, insuficientes até mesmo para as suas próprias necessidades, a não ser quando usados em pragas e ofensas. E essas criaturas, cheias que eram de maldade, odiando até mesmo sua própria espécie, rapidamente desenvolveram tantos dialetos bárbaros quanto existiam grupos ou povoações da sua raça, de modo que sua fala pouco lhes servia no intercâmbio entre tribos diferentes.
Assim foi que na Terceira Era os orcs usavam o idioma westron para a comunicação entre uma espécie e outra; na verdade muitas das tribos mais antigas, como as que ainda persistiam no norte e nas Montanhas Sombrias, havia muito usavam o westron como língua nativa, mas de tal forma que parecia pouco menos detestável que seu idioma. Nesse jargão, tark, “homem de Gondor”, era uma forma corrompida de tarkil, uma palavra quenya usada em westron para designar alguém de ascendência númenoriana.
Diz-se que a Língua Negra foi inventada por Sauron nos Anos Escuros, e que ele desejara torná-la a linguagem de todos os que o serviam, mas fracassou nesse propósito. Da Língua Negra, no entanto, derivavam muitas das palavras que estavam em uso entre os orcs na Terceira Era, tais como ghâsh, “fogo”; mas, após a primeira deposição de Sauron, essa linguagem em sua forma antiga foi esquecida por todos, exceto os nazgül. Quando Sauron se reergueu, ela se tornou mais uma vez a língua de Barad-dür e dos capitães de Mordor. A inscrição do Anel encontrava-se na antiga Língua Negra, enquanto a praga do orc de Mordor está na forma mais corrompida usada pelos soldados da Torre Escura, cujo capitão era Grishnâkh. Sharku nessa língua significa homem velho.

Trolls.
Troll foi usado para traduzir o sindarin Torog. Nos seus primórdios, no crepúsculo dos Dias Antigos, eram criaturas de natureza obtusa e bruta, sem outra linguagem que não a dos animais. Mas Sauron fizera uso deles, ensinando-lhes o pouco que eram capazes de aprender e aumentando sua inteligência com maldade. Portanto, os trolls adotaram dos ores tanta linguagem quanto eram capazes de dominar, e, nas Terras do Oeste, os trolls de pedra falavam uma forma corrompida da Língua Geral.
Ao final da Terceira Era, porém, uma raça de trolls nunca antes vista apareceu no sul da Floresta das Trevas e nos limites montanhosos de Mordor. Eram chamados olog-hai na Língua Negra. Ninguém duvidava que tivessem sido engendrados por Sauron, mas não se sabia a partir de que linhagem. Alguns afirmavam que não eram trolls, e sim orcs gigantes; mas os olog-hai eram, na conformação do corpo e da mente, bem diversos até mesmo dos maiores orcs, a quem sobrepujavam amplamente em tamanho e força. Eram, sim, trolls, mas imbuídos da vontade malévola de seu mestre: uma raça cruel, forte, ágil, feroz e ardilosa, porém mais rija que pedra. Ao contrário da raça do Crepúsculo, mais antiga, eram capazes de resistir ao Sol enquanto a vontade de Sauron mantivesse o domínio sobre eles. Pouco falavam, e a única linguagem que conheciam era a Língua Negra de Barad-dür.

Anões.
Os anões são uma raça à parte. O Silmarillion relata sua estranha origem e a razão pela qual são semelhantes aos elfos e aos homens, e, ao mesmo tempo, diferentes deles; mas os elfos menores da Terra Média não tinham conhecimento dessa história, ao passo que os relatos posteriores dos homens se confundem com memórias de outras raças. São em geral uma raça resistente e obstinada, reservada, laboriosa, que conserva a lembrança de injúrias (e de benefícios), amante da pedra, das gemas, das coisas que adquirem forma nas mãos dos artesãos mais do que daquelas que vivem por si mesmas. Mas não são maus por natureza, e poucos serviram ao Inimigo de livre vontade, não importa o que possam ter alegado os relatos dos homens. Pois os homens de outrora cobiçavam suas riquezas e as obras de suas mãos, e houve inimizade entre as raças.
Mas na Terceira Era, contudo, ainda se encontrava em muitos lugares uma profunda amizade entre homens e anões; e era compatível com a natureza dos anões o fato de, viajando, trabalhando e comerciando pelas terras afora, como fizeram depois da destruição de suas antigas mansões, usarem as línguas dos homens entre os quais habitavam. Em segredo, porém (um segredo que, ao contrário dos elfos, não revelavam voluntariamente, nem aos seus amigos), usavam sua estranha língua, pouco mudada pelos anos; pois tornara-se uma língua de tradição, e não de berço, e eles a cultivavam e guardavam como um tesouro do passado.
Poucos membros de outras raças conseguiram aprendê-la. Nesta história ela aparece somente nos topónimos que Gimli revelou aos companheiros e no seu grito de batalha no cerco do Forte da Trombeta. Esse, pelo menos, não era secreto, e foi ouvido em muitos campos desde que o mundo era jovem. Baruk Khazâd! Khazâd aimênu! “Machados dos anões! Os anões estão sobre vós!”
O próprio nome de Gimli, porém, e os nomes de toda a sua gente são de origem setentrional (humana). Seus nomes secretos e “interiores”, seus nomes verdadeiros, jamais foram revelados pelos anões a quem fosse de raça alheia. Nem mesmo em seus túmulos eles os inscrevem.

II. Da tradução

Ao apresentar a matéria do Livro Vermelho como história para ser lida por pessoas da atualidade, a totalidade do ambiente linguístico foi traduzida, até onde isso era possível, em termos de nossos tempos. Apenas os idiomas alheios à Língua Geral foram mantidos em suas formas originais, mas essas aparecem principalmente em antropônimos e topónimos.
A Língua Geral, como linguagem dos hobbits e de suas narrativas, foi inevitavelmente vertida para o nosso idioma. Nesse processo, a diferença entre as variedades observáveis no uso do westron foi reduzida. Fizeram-se algumas tentativas de representar essas variedades por variações na espécie de linguagem usada; mas a divergência entre as pronúncias e os vernáculos do Condado e da língua westron falada pelos elfos ou pelos altivos homens de Gondor era maior do que se mostra neste livro. A maioria dos hobbits, na verdade, falava um dialeto rústico, enquanto em Gondor e Rohan se usava uma linguagem mais arcaica, mais formal e mais concisa.
Pode-se destacar aqui uma particularidade dessa divergência, pois, embora muitas vezes importante, sua representação provou ser impossível. A língua westron fazia uma distinção nos pronomes da segunda pessoa (e muitas vezes também nos da terceira), independente de número, entre formas “familiares” e “respeitosas”. No entanto, uma das peculiaridades do uso do Condado era o fato de as formas respeitosas terem desaparecido no uso coloquial.
Persistiam apenas entre os aldeões, especialmente da Quarta Oeste, que as usavam como termos carinhosos. Esta era uma das coisas a que a gente de Gondor se referia quando falava da estranheza da fala dos hobbits. Peregrin Tük, por exemplo, em seus primeiros dias em Minas Tirith, usava as formas familiares diante de pessoas de todas as classes, inclusive o próprio Senhor Denethor. Isto pode ter divertido o idoso Regente, mas deve ter espantado seus serviçais. Sem dúvida esse uso liberal das formas familiares ajudou a espalhar o boato popular de que Peregrin era uma pessoa de altíssima classe em seu país.
Ver-se-á que hobbits como Frodo, e outras pessoas como Gandalf e Aragorn, nem sempre empregam o mesmo estilo. Isso é proposital. Os mais eruditos e capazes dentre os hobbits tinham alguns conhecimentos de “linguagem livresca”, como se dizia no Condado, e rapidamente percebiam e adotavam o estilo daqueles com quem topavam. De qualquer forma, era natural que pessoas viajadas falassem mais ou menos à maneira daqueles entre os quais se achavam, especialmente no caso de homens que, como Aragorn, muitas vezes se esforçavam por ocultar suas origens e seus afazeres. Porém, naqueles dias todos os inimigos do Inimigo reverenciavam o que era antigo, na linguagem não menos que em outros assuntos, e compraziam-se nessas coisas conforme seu conhecimento. Os eldar, que eram, acima de tudo, hábeis com as palavras, possuíam o domínio de muitos estilos, apesar de falarem mais naturalmente na forma que mais se assemelhasse com seu próprio idioma, ainda mais arcaico que o de Gondor. Também os anões falavam com habilidade, adaptando-se prontamente à sua companhia, apesar de sua elocução parecer um tanto rude e gutural para alguns. Mas os orcs e trolls falavam de qualquer maneira, sem amor pelas palavras ou pelas coisas; e sua língua era na verdade mais degradada e imunda do que a representei. Não acho que alguém deseje uma descrição mais próxima, embora seja fácil encontrar modelos. Em geral, pode-se ainda ouvir o mesmo tipo de fala entre os que têm mentes de orcs; enfadonha e repetitiva, cheia de ódio e desprezo, há demasiado tempo afastada do bem para manter até mesmo o vigor verbal, exceto aos ouvidos daqueles para quem somente o sórdido soa vigoroso.
Uma tradução dessa espécie é naturalmente costumeira, pois é inevitável em qualquer narrativa que trata do passado. Raras vezes passa desse ponto. Mas fui ainda além. Também traduzi todos os nomes em westron de acordo com seus significados. Quando, neste livro, aparecem nomes ou títulos em nossa língua, trata-se de uma indicação de que nomes na Língua Geral estavam em uso na época, além ou em vez daqueles em outras línguas (normalmente élficas).
Os nomes em westron eram, em regra, traduções de nomes mais antigos, como Valfenda, Fontegris, Veio de Prata, Praia Comprida, O Inimigo, a Torre Escura. Alguns tinham significados diferentes, como Montanha da Perdição para Orodruin “montanha ardente”, ou Floresta das Trevas para Taur e- Ndaedelos “floresta do grande medo”. Alguns eram alterações de nomes élficos, como Lüne Brandevin, derivados de LhünBaranduin.
Este procedimento talvez necessite ser defendido. Pareceu-me que a apresentação de todos os nomes nas formas originais obscureceria uma característica essencial da época, tal como era percebida pelos hobbits (cujo ponto de vista procurei principalmente manter): o contraste entre uma língua difundida, tão comum e habitual para eles como a nossa para nós, e os restos vivos de idiomas muito mais antigos e veneráveis. Todos os nomes, se fossem meramente transcritos, pareceriam igualmente remotos aos leitores modernos: por exemplo, se o nome élfico Imladris e a tradução em westron Karningul tivessem ambos permanecido inalterados.
Mas referir-se a Valfenda como Imladris seria como se hoje se falasse de Winchester como Camelot, exceto que a identidade era certa, ao passo que em Valfenda vivia ainda um senhor de renome muito mais antigo do que seria Artur, se ainda fosse em nossos dias rei em Winchester.
O nome do Condado (Sûza) e os de todos os demais lugares dos hobbits foram, portanto, vertidos para nossa língua. Isso raramente apresentou dificuldades, pois tais nomes eram comumente compostos de elementos semelhantes aos usados em nossos topónimos mais simples: palavras ainda em uso como colina ou campo ou um tanto particulares como burgo. Mas alguns derivavam, como já foi observado, de antigas palavras dos hobbits caídas em desuso, e essas foram representadas por similares em nossa língua, tais como grã.
No caso de pessoas, porém, os nomes de hobbits no Condado e em Bri eram peculiares para a época, notadamente pelo hábito que se estabelecera, alguns séculos antes, de possuírem as famílias nomes hereditários. A maior parte desses sobrenomes tinha significados óbvios (no idioma corrente, pois provinham de apelidos jocosos, topónimos, ou, especialmente em Bri, dos nomes de plantas e árvores). A sua tradução apresentou poucas dificuldades, mas restaram um ou dois nomes mais antigos de significado esquecido, cuja grafia me limitei a adaptar, como Boffin por Bophin.
Tratei os prenomes dos hobbits, tanto quanto possível, da mesma forma. Às meninas os hobbits costumavam dar nomes de flores ou joias. Aos garotos davam normalmente nomes que nenhum significado tinham em sua língua cotidiana; e alguns dos nomes femininos eram semelhantes. São dessa espécie Bilbo, Bungo, Polo, Lotho, Tanta, Nina e assim por diante. Há muitas semelhanças, inevitáveis porém acidentais, com nomes que possuímos ou conhecemos hoje em dia: por exemplo, Otho, Odo, Drogo, Dora, Cora e outros mais. Mantive esses nomes, apesar de normalmente tê-los adaptado alterando-lhes as terminações, pois nos nomes dos hobbits era uma terminação masculina, e eram femininas.
Contudo, em algumas famílias antigas, especialmente as de origem Cascalva, como os Tüks e os Bolgers, havia o costume de dar prenomes altissonantes. Como a maioria deles parece ter sido recolhida em lendas do passado, dos hobbits e também dos homens, e como muitos, apesar de nada mais significarem para os hobbits, assemelhavam-se bastante aos nomes dos homens do Vale do Anduin, ou de Valle, ou da Terra dos Cavaleiros, transformei-os nos nomes antigos, mormente de origem frâncica e gótica, que ainda usamos ou encontramos em nossas histórias.
Assim, de qualquer maneira, preservei o contraste, frequentemente cômico, entre prenomes e sobrenomes, do qual os próprios hobbits tinham muita consciência. Nomes de origem clássica raramente foram empregados, pois os equivalentes mais próximos do latim e do grego, na tradição do Condado, eram as línguas élficas, e os hobbits raramente as usavam na nomenclatura. Em qualquer época, poucos deles conheciam as “línguas dos reis”, como as chamavam.
Os nomes dos habitantes da Terra dos Buques eram diferentes daqueles do resto do Condado. As pessoas do Pântano e seus descendentes na margem oposta do Brandevin eram estranhos em vários sentidos, como se disse. Foi sem dúvida do antigo idioma dos Grados do sul que herdaram muitos de seus estranhíssimos nomes. Normalmente deixei-os inalterados, pois, se agora são esquisitos, já eram esquisitos em sua própria época. Possuíam um estilo que talvez devamos, vagamente, considerar como “céltico”.
Como a sobrevivência de vestígios da antiga língua dos Grados e dos homens de Bri se assemelhava à sobrevivência de elementos célticos na Inglaterra, minha tradução ás vezes imita estes últimos. Assim, Bri, Archet e a Floresta Chet são baseados em relíquias da nomenclatura britânica, escolhidos de acordo com o sentido: bree “colina”, chet “floresta”. Mas somente um nome de pessoa foi assim alterado. Meriadoc foi escolhido para refletir o fato de que o nome abreviado desse personagem, Kali, significava em westron “alegre, jovial”, apesar de ser na verdade uma contração do nome Kalimac, da Terra dos Buques, sem significado na época.
Não usei nomes de origem hebraica ou similar em minhas versões. Nada que se refira aos nomes dos hobbits corresponde a esse elemento de nossos nomes. Nomes curtos como Sam, Tom, Tim, Mat eram abreviaturas comuns de nomes legítimos de hobbits, como Tomba, Tolma, Matta e semelhantes. Mas Sam e seu pai Ham chamavam-se na verdade Ban e Ran. Essas eram contrações de Banazir Ramigad, originariamente apelidos, que significavam “semi-sábio, simplório” e “fica-em-casa”; mas, como eram palavras que haviam desaparecido no uso coloquial, permaneceram como nomes tradicionais em determinadas famílias. Portanto, tentei preservar essas características usando Samwise e Hamfast, modernizações das palavras anglo-saxãs samwis hámfcest, que tinham significados próximos.
Tendo ido tão longe na tentativa de modernizar e tornar familiares a língua e os nomes dos hobbits, achei-me envolvido em outro processo. As línguas humanas aparentadas com o westron deveriam, assim me pareceu, ser vertidas para formas aparentadas com as nossas. Assim, fiz com que o idioma de Rohan se assemelhasse ao anglo-saxão, pois tinha uma relação tanto com a Língua Geral (mais distante) como com a antiga língua dos hobbits do norte (muito próxima), e era arcaica comparada com o westron. No Livro Vermelho observa-se em diversos trechos que, quando os hobbits ouviram a fala de Rohan, reconheceram muitas palavras e sentiram que a língua era aparentada à sua, de modo que pareceu absurdo manter os nomes e as palavras registradas dos rohirrim em um estilo totalmente diverso.
Em diversos casos modernizei as formas e as grafias de topónimos de Rohan, como em Templo da Colina ou Riacho de Neve; mas não fui coerente, pois guiei-me pelos hobbits. Eles alteravam da mesma forma os nomes que ouviam, se fossem compostos de elementos que reconhecessem ou parecidos com topónimos do Condado; muitos, porém, eles não alteraram assim como fiz, por exemplo, em Edoras “as cortes”. Pelos mesmos motivos, também foram modernizados alguns poucos nomes de pessoas, como Língua de Cobra.
Essa assimilação constituiu também um modo conveniente de representar palavras locais peculiares aos hobbits que eram originárias do norte. Elas receberam as formas que palavras inglesas perdidas poderiam muito bem ter adquirido, caso tivessem perdurado até nossos dias. Assim, mathom pretende lembrar a palavra máthm do antigo inglês, representando assim a relação de kast, na língua real dos hobbits, com o R.kastu. Da mesma forma, smial (ou smilé), “toca”, é uma forma provável para uma descendente de smygel, e representa bem a relação de trân, na língua dos hobbits, com o R.trahan. Sméagol Déagol são equivalentes, construídos da mesma maneira, dos nomes Trahald, “entocador, insinuador”, e Nahald, “secreto”, nas línguas do norte.
A língua de Valle, ainda mais setentrional, é vista neste livro apenas nos nomes dos anões que vinham daquela região e que, portanto, usavam a língua dos homens de lá, assumindo nesse idioma seus nomes “externos”. Pode-se observar que neste livro, assim como em O Hobbit, usa-se a forma dwarves, embora os dicionários digam que o plural de dwarf [anão] é dwarfs. Devia ser dwarrows (ou dwerrows), se singular e plural tivessem seguido seu caminho ao longo dos anos, como o fizeram manemen [homem, homens] ou gooseegeese [ganso, gansos], Mas já não falamos de um anão com a mesma frequência com que falamos de um homem, ou mesmo de um ganso, e a memória não foi nítida o suficiente entre os homens para que se preservasse um plural especial para uma raça que foi hoje confinada aos contos folclóricos, em que pelo menos se conserva uma sombra de verdade, e, por fim, a histórias tolas, nas quais se transformou em mero objeto de ridículo. Porém na Terceira Era ainda se entrevê um pouco do seu antigo caráter e poder, se bem que já, um tanto apagados: são os descendentes dos naugrim dos Dias Antigos, em cujos corações arde ainda o velho fogo de Aulê, o Ferreiro, e dormitam as brasas de seu longo rancor contra os elfos, e em cujas mãos vive ainda a habilidade de trabalhar a pedra, que ninguém excedeu.
Foi para destacar isto que me arrisquei a distanciá-los um pouco, talvez, das histórias mais tolas dos dias atuais. O termo Mina dos Anões representa o nome de Moria na Língua Geral: Phurunargian. Esta palavra significava “escavação dos anões”, e sua forma era já arcaica.
Mas Moria é um nome élfico, conferido sem amor, pois os eldar, apesar de serem capazes de criar fortalezas subterrâneas quando fosse necessário, como em suas amargas guerras contra o Poder Escuro e seus servidores, não habitavam tais lugares voluntariamente. Eram apreciadores da terra verde e das luzes do firmamento, e Moria, em sua língua, significa o Abismo Negro. Mas os próprios anões, e esse nome ao menos jamais era mantido em segredo, chamavam-na Khazad-düm, a Mansão dos Khazad, pois é esse o nome que dão à sua própria raça, e assim tem sido desde que Auléo conferiu quando de sua criação nas profundezas do tempo.

Elfos.
Foi empregado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, como Eldar, o nome das Três Famílias que buscaram o Reino Imortal e lá chegaram no princípio dos Dias (excetuando apenas os Sindar). Essa antiga palavra era, na verdade, a única disponível, e foi outrora adequada às lembranças desse povo que os homens conservavam, ou a produtos da mente humana não totalmente diversos. Mas foi diminuída, e para muitos pode hoje sugerir fantasias afetadas ou tolas, tão diferentes dos quendi de outrora quanto as borboletas são diferentes do falcão veloz não que algum dentre os quendi tenha jamais possuído asas no corpo, tão pouco naturais para eles quanto para os homens. Eram uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, e entre eles os eldar eram como reis, que agora se foram; o Povo da Grande Jornada, o Povo das Estrelas. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, porém seus cabelos eram escuros, exceto na casa dourada de Finurfin; e suas vozes tinham mais melodias que qualquer voz mortal que agora se ouça. Iiram valorosos, mas a história dos que retornaram em exílio à Terra Média foi dolorosa; e, apesar de ter-se cruzado, em dias longínquos, com o destino dos Pais, seu destino não é o dos homens. Seu domínio terminou há muito tempo, e agora habitam além dos círculos do mundo, e não retornarão.


Notas sobre três nomes: Hobbit, Gamgi Brandevin
Hobbit é uma invenção. Em westron a palavra empregada, nas raras ocasiões em que se fazia referência a esse povo, era banakil, “Pequeno”. Mas nessa época a gente do Condado e de Bri usava a palavra kuduk, que não se achava em outra parte. Meriadoc, no entanto, registra efetivamente que o Rei de Rohan usou a palavra küd-dükan, “habitante de toca”. Visto que, como já se observou, os hobbits haviam outrora falado uma língua aparentada à dos rohirrim, parece provável que kuduk fosse uma forma corrompida de kud-dükan. Traduzi esta última, por razões já explicadas, por holbytla; hobbit é uma palavra que bem poderia ser uma forma corrompida de holbytla, se esse nome tivesse outrora ocorrido.

Gamgi. De acordo com uma tradição familiar exposta no Livro Vermelho, o sobrenome Galbasi, ou Galpsi em forma reduzida, provinha da aldeia de Galabas, que, popularmente, se supunha que fosse derivado de galab-, “caça”, e de um antigo elemento bas-, mais ou menos equivalente ao wick, wich inglês. Gamwich (pronunciado Gámidj) pareceu, portanto, uma versão bastante razoável. No entanto, ao reduzir Gammidgy Gamgi, para representar Galpsi, não se pretendia fazer referência à conexão de Samwise com a família Villa, se bem que uma piada desse tipo seria bem típica dos hobbits, se houvesse alguma justificativa para tal na sua língua.
Villa, na verdade, representa Hlothran, um nome de aldeia bastante comum no Condado, derivado de hloth, “habitação ou toca de dois cômodos”, e ran (u), um pequeno grupo de tais habitações na encosta de uma colina. Como sobrenome, pode ser uma alteração de hlothram (à), “morador de chalé”. Hlothram, que verti como Cotman, era o nome do avô do fazendeiro Villa.

Brandevin. Os nomes que os hobbits davam a este rio eram alterações do élfico Baranduin (cuja sílaba tónica é and), derivado de baran, “marrom-dourado”, e dain “(grande) rio”. Brandevin pareceu uma corruptela natural de Baranduin em tempos modernos. Na verdade o nome mais antigo usado pelos hobbits era Branda-nîn “água limítrofe”, que teria sido vertido mais aproximadamente por Riacho da Fronteira; mas, devido a uma piada que se tornara habitual, referindo-se mais uma vez à sua cor, o rio nessa época costumava ser chamado de Bralda-hîm, “cerveja forte”.
É preciso observar, porém, que, quando a família Velhobuque (Zaragamba) alterou seu nome para Brandebuque (Brandagamba), o primeiro elemento significava “terra fronteiriça”, e Marcobuque teria sido mais próximo. Somente um hobbit muito atrevido ousaria chamar o Mestre da Terra dos Buques de Braldagamba onde este pudesse ouvi-lo.

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