24 de abril de 2016

Apêndice E - Escrita e ortografia

I. Pronúncia de palavras e nomes

Owestron, ou Língua Geral, foi inteiramente traduzida para equivalentes ingleses. Todos os nomes de hobbits e palavras especiais deverão ser pronunciados de acordo: por exemplo, Bolger tem o g de bulge, e mathom rima com fathom.
Na transcrição das escritas antigas, tentei representar os sons originais (na medida em que podem ser determinados) com razoável precisão e produzir ao mesmo tempo palavras e nomes que não pareçam desajeitados em letras modernas. O alto-élfico quenya foi grafado tão próximo ao latim quanto seus sons o permitiram. Por esse motivo preferiu-se o c ao k em ambas as línguas eldarin.
Os pontos seguintes devem ser observados por aqueles que se interessam por tais detalhes.

Consoantes
C tem sempre o valor de k, mesmo antes de e e i: celeb “prata” deve ser pronunciado keleb.
CH usa-se apenas para representar o som ouvido em bach (em alemão ou galês), não o do inglês church. Exceto no final das palavras e antes de t, este som enfraquecia-se e tornava-se h na fala de Gondor, e essa mudança foi respeitada em alguns nomes, tais como Rohan, rohirrim (Jmrahil é um nome númenoriano).
DH representa o th sonoro do inglês these clothes. Está normalmente relacionado com d, como no S. galadh “árvore”, comparado com o Q. aida; mas às vezes deriva den + r,como em Caradhras “Chifre Vermelho”, de caran-rass.
F representa f, exceto no final das palavras, nas quais se usa para representar o som de v: Nindalf, Fladrif.
G tem apenas o som de g em give, get: gil “estrela”, em Gildor, Gilraen, Osgiliath,começa como no inglês gild.
H sozinho, sem outras consoantes, tem o som de h em house, behold. A combinação ht em quenya tem o som de cht, como no alemão echt, ach f.e.g. no nome Telumehtar “Órion”. Ver também CH, DH, L, R, TH, W, Y.
I em posição inicial, antes de outra vogal, tem o som consonantal de y em you, yore apenas em sindarin: assim em Ioreth, Iarwain. Ver Y.
K usa-se em nomes tirados de línguas não-élficas, com o mesmo valor de c; assim, kh representa o mesmo som que ch em Grishnákh na língua dos orcs, ou Adunakhor em adünaico (númenoriano). Sobre a língua dos anões (khuzdul) ver nota na página anterior.
L representa aproximadamente o som do l inicial, como em let. No entanto, era, até certo ponto, “palatalizado” entre e, i e uma consoante, ou em posição final após e, i (os eldar provavelmente transcreveriam as palavras inglesas bell, fill como beol, fiol). LH representa a forma surda deste som (normalmente derivada de sl-inicial). Em quenya (arcaico) isso se escrevia hl,mas na Terceira Era costumava ser pronunciado como l.
NG representa ng em finger, exceto em posição final, onde se pronunciava como no inglês sing. Este último som também ocorria em posição inicial em quenya, mas foi transcrito como n (como em Noldo), de acordo com a pronúncia da Terceira Era.
PH tem o mesmo som de f. Usa-se (a) quando o som de/ocorre no final de uma palavra, como em alph “cisne”; (b) quando o som de/se relaciona com p ou dele deriva, como em i - Pheriannath “os Pequenos” (perian); (c) no meio de algumas poucas palavras nas quais representa um /f longo (derivado de pp),como em Ephel “cerca exterior”; e (d) emadünaico e westron, como em Ar-Pharazôn (pharaz,”ouro”).
QU foi usado em lugar de cw, uma combinação muito frequenteem quenya, apesar de não ocorrer em sindarin.
R representa um r vibrante em todas as posições; o som não se perdia diante de consoantes (como no inglês pari). Consta que os orcs e alguns anões usavam um r posterior ou uvular, som que os eldar consideravam desagradável. RH representa um r surdo (normalmente derivado de um sr- inicial mais antigo). Escrevia-se hr em quenya. Cf. L.
S é sempre surdo, como no inglês so, geese; o som de z não ocorria no quenya ou sindarin contemporâneos. SH, que ocorria em westron e nas línguas dos anões e dosores, representa sons semelhantes ao sh de English.
TH representa o th surdo do inglês thin cloth. No quenya falado, este som se tornara s,apesar de ainda se escrever com uma letra diferente; como em Q.Isil, S.Ithil, “Lua”.
TY representa um som provavelmente semelhante ao t de tune. Derivava principalmente de c ou de/ ty.Os falantes de westron costumavam substituí-lo pelo som de ch inglês, frequentenaquela língua. Cf. HY em Y.
V tem o som de nosso v,mas não se usa em posição final. Ver F.
W tem o som do w inglês. HW é um w surdo, como no inglês White (na pronúncia do norte). Não era um som inicial incomum em quenya, apesar de aparentemente não ocorrerem exemplos neste livro. Tanto v como w são usados na transcrição do quenya, a despeito da assimilação de sua grafia ao latim, pois ambos os sons, de origens distintas, ocorriam naquela língua.
Y usa-se em quenya para a consoante y,como no inglês you. Em sindarin o y é vogal (ver abaixo). HY guarda a mesma relação com y que HW com w, e representa um som semelhante ao que frequentemente se ouve em inglês em hew, huge; o h de eht, ih tem quenya tinha o mesmo som. O som de sh inglês, comum em westron, muitas vezes tomava seu lugar na linguagem falada. Cf.
TY. HY normalmente derivava de sy- e khy-, em ambos os casos as palavras cognatas em sindarin têm h inicial, como em Q.Hyarmen “sul”, S.Harad.
Note-se que consoantes de grafia dobrada, tais como tt, ll, ss, nn, representam consoantes longas ou “duplas”. No final de palavras de mais de uma sílaba, costumavam ser reduzidas: como em Rohan, derivado de Rochann (Rochand arcaico). Em sindarin, as combinações ng, nd, mb, que eram bastante usuais na fase primitiva das línguas eldarin, sofreram várias mudanças, mb tornou-se m em todos os casos, mas continuou valendo como consoante longa para fins de tonicidade (ver abaixo), e, assim, escreve-se mm nos casos em que, de outra forma, poderia haver dúvida quanto ao acento, ng permaneceu sem alteração exceto em posição inicial ou final, em que se transformou na nasal simples (como no inglês sing). Nd normalmente transformou-se em nn, como em Ennor “Terra Média”, Q.Endóre; mas permaneceu como nd no final de monossílabos com acento pleno, tais como thond “raiz” (cf.Morthond, “Raiz Negra”), e também antes de r, como em Andros “espuma-longa”. Este nd também se vê em alguns nomes antigos derivados de um período anterior, tais como Nargothrond, Gondolin, Beleriand. Na Terceira Era o nd final em palavras longastornara-se n derivado de nn, como em Ithilien, Rohan, Anórien.

Vogais
Usam-se para as vogais as letras i, e, a, o, u e (apenas em sindarin) y. Até onde podemos determinar, os sons representados por essas letras (exceto por serem de caráter normal, apesar de indubitavelmente muitas variedades locais escaparem ao nosso conhecimento. Isto é, os sons eram aproximadamente aqueles representados por i, e, a, o, u em machine, were, father, for, brute, sem considerar a quantidade. Em sindarin, e, a, o longos possuíam a mesma qualidade das vogais curtas, já que haviam derivado destas em épocas relativamente recentes (os antigos é, á, ó haviam sido alterados). Em quenya é e ó longos eram, quando corretamente pronunciados, como pelos eldar, mais tensos e “fechados” que as vogais curtas.
Somente o sindarin, dentre as línguas contemporâneas, possuía o u “modificado” ou anterior, mais ou menos como o u francês em lime. Era em parte uma modificação de o e u, e em parte derivado dos antigos ditongos eu, iu. Usou-se y para esse som (como emanglo-saxão): assim em Ivg, “serpente”, Q.leiica, ou emyn, plural de amou “colina”. Em Gondor esse y era normalmente pronunciado como i.
As vogais longas são normalmente marcadas com um acento agudo, como em algumas variedades da escrita féanoriana. Em sindarin, as vogais longas de monossílabos tônicos são marcadas com um circunflexo, visto que em tais casos tendiam a ser especialmente prolongadas; assim em dttn comparado com Dúnadan. O circunflexo em outras línguas, tais como a dünaico ou a dos anões, não tem significado especial e é usado apenas para diferenciá-las como línguas estrangeiras (como no caso do k).
O e final nunca é mudo ou, como em inglês, um mero indicativo de duração. Para marcar este e final, o e é muitas vezes (porém sem consistência) escrito como ê.
Os gruposer, ir, ur (em posição final ou antes de consoante) não devem ser pronunciados como em inglês fern, fir, fur, mas sim como em air, eer, oor.
Em quenya, ui, oi, ai e iu, eu, au são ditongos (isto é, pronunciam-se na mesma sílaba). Todos os demais pares de vogais são dissilábicos. Isto é frequentemente indicado escrevendo-se êa (Ea), êo, oê.
Em sindarin, os ditongos se escrevem ae, ai, ei, oe, ui e au. As demais combinações não formam ditongos. A grafia do au final como aw está de acordo com o costume inglês, mas na verdade não é incomum em grafias féanorianas.
Todos estes ditongos eram “decrescentes”, isto é, tinham acento no primeiro elemento, ecompunham-sede uma fusão das vogais simples. Assim, ai, ei, oi, ui devem ser pronunciados respectivamente como os ditongos de rye (não ray), grey, boy, ruin; au (aw) como em loud, how; e não como laud.
Não há nada em inglês que corresponda exatamente a ae, oe, eu; ae e oe podem ser pronunciados como ai, oi.

Acento tônico
A posição do “acento” não está marcada, já que nas línguas eldarin em questão seu lugar é determinado pela forma da palavra. Em palavras dissílabas, ele recai na primeira sílaba em praticamente todos os casos. Em palavras mais longas, recai na penúltima sílaba se esta contém uma vogal longa, um ditongo ou uma vogal seguida de duas (ou mais) consoantes. Quando a penúltima sílaba contiver (como acontece frequentemente) uma vogal curta seguida de apenas uma (ou nenhuma) consoante, o acento recairá na sílaba anterior a ela, ou seja, na antepenúltima. Palavras desta forma são usuais nas línguas eldarin, especialmente em quenya.
Nos exemplos seguintes, a vogal tônica está destacada em maiúscula: isIldur, Orome, erEssea, LEanor, ancAlima, elentAri, dEnethor, periAnnath, ecthElion, pelArgir, siIlvren. Palavras do tipo de elentÁri, “rainha das estrelas”, raramente ocorrem em quenya onde a vogal é é, á, ó, a não ser que (como neste caso) se trate de compostos; são mais comuns com as vogais í, ú, como andUne “pôr-do-sol, oeste”. Não ocorrem em sindarin, exceto em compostos. Deve ser notado que em sindarin dh, th, ch são consoantes simples e representam uma única letra nas escritas originais.

Nota
Em nomes derivados de línguas não-eldarin, devem ser atribuídos às letras os mesmos valores caso não haja uma descrição especial para elas,excetono caso do idioma dos anões. Nessa língua, que não possuía os sons representados por th e ch (kh), the;são aspirados, isto é, t ou k seguidos de h, mais ou menos como nas palavras inglesas hackhand, outhouse. Onde ocorrer z, é o som do z inglês que se pretende, gh, na Língua Negra e na língua dos orcs, representa uma “fricativa posterior” (relacionada com g como dh se relaciona com d):como em ghâsh e agh.
Os nomes “externos” ou humanos dos anões receberam formas nórdicas, mas os valores das letras são conforme descrito. É esse também o caso dos antropônimos e topónimos de Rohan (quando não foram modernizados), exceto pelo fato de que éa e éo são ditongos, que podem ser representados por ea de bear e eo de Theobald; y é otimodificado. As formas modernizadas são facilmente reconhecíveis e devem ser pronunciadas como em inglês. Trata-se, em sua maioria, de topónimos.


II. Escrita

As leiras e formas cursivas usadas na Terceira Era eram todas essencialmente de origem eldarin, e já naquela época, extremamente antigas. Haviam alcançado a etapa do total desenvolvimento alfabético, porém ainda estavam em uso modos mais antigos nos quais apenas as consoantes eram denotadas por letras plenas.
Os alfabetos eram de dois tipos principais, de origens independentes: os Tengwar ou Ttw, aqui traduzidos como “letras”; e os Certar ou Cirth, traduzidos como “runas”. Os Tengwar foram criados para serem escritos com pincel ou pena, e as formas angulosas das inscrições eram, no caso, derivadas das formas escritas. Os Certar foram criados e mormente usados apenas para inscrições gravadas ou entalhadas.
Os Tengwar eram mais antigos, pois foram desenvolvidos pelos noldor, a estirpe dos eldar mais habilidosa em tais assuntos, muito tempo antes do seu axílio. As mais antigas letras eldarin, os Tengwar de Rúmil, não eram usadas na Terra Média. As letras posteriores, os Tengwar de Fêanor, eram em grande parte uma invenção nova, apesar de deverem algo às letras de Rúmil.
Foram trazidas para a Terra Média pelos noldor exilados, e assim tornaram-se conhecidas dos edain e dos númenorianos. Na Terceira Era seu uso havia se espalhado por uma área em grande parte coincidente com aquela onde se conhecia a Língua Geral.
Os Cirth foram criados inicialmente em Beleriand, pelos sindar, e por muito tempo foram usados apenas para inscrever nomes e breves textos comemorativos sobre madeira ou pedra.
Devem a essa origem suas formas angulosas, muito semelhantes às runas de nossos tempos, apesar de diferirem destas em detalhes e serem totalmente diversas no arranjo. Os Cirth, na sua forma mais antiga e simples, espalharam-se para o leste na Segunda Era, e tornaram-se conhecidos por muitos povos, pelos homens e pelos anões, e até pelos orcs, e todos os alteraram de acordo com suas necessidades e com a habilidade que tivessem ou não. Uma dessas formas simples era ainda usada pelos homens de Valle, e outra semelhante pelos rohirrim.
Mas em Beleriand, antes do fim da Primeira Era, os Cirth, em parte devido à influência dos Tengwar dos noldor, foram rearranjados e desenvolvidos. Sua forma mais rica e ordenada era conhecida como o Alfabeto de Daeron, pois na tradição élfica dizia-se que fora criado por Daeron, menestrel e mestre da tradição do rei Thingol de Doriath. Entre os eldar o Alfabeto de Daeron não desenvolveu formas genuinamente cursivas, pois na sua escrita os elfos adotaramas letras féanorianas. Na verdade, os elfos do Ocidente, em geral, abandonaram de vez o uso das runas. Na terra de Eregion, no entanto, o Alfabeto de Daeron foi mantido e passou para Moria, onde se tornou o alfabeto preferido pelos anões. Permaneceu em uso entre eles daí em diante, passando com eles ao norte. Por isso, mais tarde, foi muitas vezes chamado Angerthas Moria ou Longas Fileiras de Runas de Moria. Assim como faziam com sua fala, os anões utilizavam as escritas que estivessem em uso, e muitos eram habilidosos na escrita das letras féanorianas; mas, para sua própria língua, atinham-se aos Cirth, e desenvolveram formas escritas com a pena a partir deles.

As letras féanorianas
A tabela 1 mostra, no desenho formal da caligrafia usada em livros, todas as letras que eram comumente usadas nas Terras do Oeste na Terceira Era. O arranjo é o usual na época, aquele em que então se costumavam recitar as letras.
Esta escrita não era originariamente um “alfabeto”, isto é, uma série fortuita de letras, cada uma com um valor independente, recitadas em uma ordem tradicional sem ligação com suas formas ou funções. Tratava-se antes de um sistema de sinais consonantais, de formas e estilo semelhantes, que podia ser adaptado conforme a vontade ou a conveniência para representar as consoantes de línguas observadas (ou criadas) pelos eldar. Nenhuma das letras tinha valor fixo por si só, mas certas relações entre elas foram sendo gradativamente reconhecidas.
O sistema continha vinte e quatro letras primárias, 1-24,ordenadas em quatro témar (séries), cada uma com seis tyeller(graus). Havia também “letras adicionais”, exemplificadas pelos números25-36. Destas, a 27 e a 29 são as únicas letras estritamente independentes; as restantes são modificações das demais letras. Havia também certo número de tehtar (sinais) de usos variados. Estes não constam da tabela.
As letras primárias compunham-se cada uma de um telco (haste) e um lúva (arco). As formas vistas em 1-4 eram consideradas normais. A haste podia ser elevada, como em 9-16; ou reduzida, como em 17-24. O arco podia ser aberto, como nas Séries I e III, ou fechado, como em II e IV, e em cada um dos casos podia ser duplo, como e.g. em 5-8.
Na Terceira Era, a liberdade teórica de aplicação havia sido modificada pelo costume, ao ponto de a Série I ser em geral aplicada às dentais ou série do t (tinco-téma), e a II às labiais ou série do p(parmatéma). A aplicação das Séries III e IV variava de acordo com as exigências das diferentes línguas.
Em línguas como o westron, que fazia uso frequentede consoantes como os nossos ch, j, sh, a Série III era normalmente aplicada a estas; nesse caso a Série IV era aplicada à série normal do k (calmatéma). Em quenya, que além da calmatéma possuía tanto uma série palatal (tyelpetéma) como uma labializada (quessetéma), as palatais eram representadas por um sinal diacrítico féanoriano que denotava “y subsequente” (normalmente dois pontos sotopostos), ao passo que a Série IV era a série do kw.
No âmbito destas aplicações gerais, observavam-seem geral também as seguintes relações. As letras normais, Grau 1, eram aplicadas às “oclusivas surdas”: t, p, k, etc. A duplicação do arco indicava a adição de “sonoridade”: assim, se 1, 2, 3, 4 = t, p, ch, k (out, p, k, kw), então 5, 6, 7, 8 = d, b, j, g (ou d, b, g, gw). A elevação da haste indicava a abertura da consoante em “fricativa”: presumindo, assim, os valores acima para o Grau 1, Grau 3 (9-12) = th, f, sh, kh (ou th, f, Ich, khw/hw), e Grau 4 (13-16) = dh, v, zh, gh (ou dh, v, gh, ghw/w).
O sistema fêanoriano original possuía também um grau com hastes expandidas, tanto acima quanto abaixo da linha. Estas normalmente representavam consoantes aspiradas (e.g.,t+h,p + h,k+h), mas podiam representar outras variações consonantais exigidas. Não eram necessárias nas línguas da Terceira Era que adotavam essa escrita, mas as formas expandidas eram muito usadas como variantes dos Graus 3 e 4 (mais claramente distinguíveis do Grau 1).
O Grau 5 (17-20) era normalmente aplicado às consoantes nasais: assim, 17 e 18 eram os sinais mais comuns paranem. De acordo com o princípio observado acima, o Grau 6 deveria então representar as nasais surdas, mas, como tais sons (exemplificados pelo nh galês ou pelo hn anglo-saxão) ocorriam muito raramente nas línguas em questão, o Grau 6 (21 -24) era mais frequentementeusado para as consoantes mais fracas ou “semivocálicas” de cada série. Ele consistia nas formas menores e mais simples dentre as letras primárias. Assim, era muitas vezes usada para um r fraco (sem vibração), que originariamente ocorrera em quenya e era considerado, no sistema dessa língua, como a consoante mais fraca da tincotéma; era amplamente usada para w;onde a Série III era usada como série palatal, era comumente usada como y consonantal.
Como algumas das consoantes do Grau 4 tendiam a se enfraquecer na pronúncia e a se aproximar ou se fundir com as do Grau 6 (conforme descrito acima), muitas destas últimas deixaram de ter função clara nas línguas eldarin, e foi dessas letras que normalmente derivaram as letras que expressavam vogais.

Os Tengwar


Nota
A ortografia padrão do quenya divergia das aplicações das letras descritas acima. O Grau 2 era usado para nd, mb, ng, ngw, que eram todas frequentes, já que b, g, gw apareciam apenas nessas combinações, enquanto para rd, ld eram usadas as letras especiais (para lv, não para lw, muitos falantes de quenya, especialmente os elfos, usavam lb: isto se escrevia com tb, pois hnb não podia ocorrer). Da mesma forma, o Grau 4 era usado para as combinações extremamente frequentes nt, mp, nk. nqu, já que o quenya não possuía dh, gh, ghw, e para v usava- se a  letra 22.

As letras adicionais.
O n°27 era usado universalmente para l. O n°25 (na origem uma modificação do 21) era usado para o r vibrante “pleno”. Os n°26, 28 eram modificações destes. Eram usados com frequência para r surdo (rh) e l surdo (lh) respectivamente. Mas em quenya eram usados para rd e ld. O 29 representava s, e o 31 (com curva dupla) representava z nas línguas que o exigiam.
As formas invertidas, 30 e 32, apesar de disponíveis para uso como sinais separados, eram empregadas na maioria das vezes como simples variantes de 29 e 31, de acordo com a conveniência da escrita; e.g., usavam-se muito quando acompanhadas de tehtar sobrepostos.
O n°33 era na origem uma forma alternativa que representava alguma variedade (mais fraca) do 11; seu uso mais frequente na Terceira Era era h. O 34 geralmente era usado (se é que o era) para w surdo (hw). O 35 e o 36, quando usados como consoantes, aplicavam-se em geral a y e w, respectivamente.
As vogais eram, em muitos modos, representadas por tehtar, normalmente colocados acima das letras consonantais. Em línguas como o quenya, em que a maioria das palavras terminavam em vogal, o tehta era colocado acima da consoante precedente; em línguas como o sindarin, em que a maioria das palavras terminavam em consoante, era colocado acima da consoante subsequente. Quando não havia consoante na posição requerida, o tehta era colocado sobre o “suporte curto”, do qual uma das formas comuns era um i sem ponto.
Os tehtar efetivamente usados por diferentes línguas como sinais vocálicos eram numerosos. Os mais comuns, normalmente aplicados a (variedades de) e, i, a, o, u, estão demonstrados nos exemplos dados. Os três pontos, mais usualmente denotando a em escrita formal, eram escritos de maneiras variadas em estilos mais rápidos, sendo empregada muitas vezes uma forma semelhante a um circunflexo 49. O ponto isolado e o “acento agudo” eram frequentemente usados para i e e (mas, em alguns modos, para e e i). As curvas eram usadas para o e u. Na inscrição do Anel, a curva aberta à direita é usada para u; mas na página de rosto representa o, e a curva aberta à esquerda representa u. A curva à direita era preferida, e sua aplicação dependia da língua em questão: na Língua Negra o o era raro.
As vogais longas eram normalmente representadas colocando-se o tehta sobre o “suporte longo”, do qual uma das formas comuns era semelhante a um j sem ponto. Mas, com essa mesma finalidade, os tehtar podiam ser duplicados. Isto, no entanto, só costumava ser feito com as curvas e às vezes com o “acento”. Dois pontos eram usados com mais frequência como sinal de y subsequente.
A inscrição do Portão Oeste ilustra um modo de “escrita plena” com vogais representadas por letras individuais. Todas as letras vocálicas usadas em sindarin estão demonstradas. O uso do n°30 como sinal de y vocálico pode ser observado e também a expressão dos ditongos pela colocação do tehta de y subsequente sobre a letra vocálica. O sinal de w subsequente (necessário para expressar au, aw) era nesse modo a curva do u ou uma modificação desta: Mas os ditongos eram frequentemente grafados por extenso, como na transcrição. Neste modo, a duração da vogal era normalmente indicada pelo “acento agudo”, chamado nesse caso andaith “marca longa”.
Havia, além dos tehtar já mencionados, vários outros, usados em geral para abreviar a grafia, especialmente para expressar combinações consonantais frequentes sem escrevê-las por extenso. Entre estas, uma barra (ou um sinal semelhante ao til espanhol) sobre uma consoante era muitas vezes usada para indicar que esta era precedida pela nasal da mesma série (como em nt, mp ou nk), um sinal semelhante colocado abaixo, porém, costumava ser usado para indicar consoante longa ou dupla. Um gancho voltado para baixo, ligado ao arco (como em hobbits, a última palavra da página de rosto), era usado para indicar um 5 subsequente, especialmente nas combinações ts, ps, ks (x), que eram preferidas em quenya.
Naturalmente não havia “modo” para a representação do inglês. Poder-se-ia criar, a partir do sistema féanoriano, algum que fosse foneticamente adequado. O breve exemplo da página de rosto não tenta demonstrar isto. É antes um exemplo do que um homem de Gondor poderia ter produzido, hesitando entre os valores familiares das letras em seu “modo” e a ortografia tradicional do inglês. Pode-se notar que um ponto sotoposto (que tinha como um de seus usos a representação de vogais fracas e obscuras) emprega-se ali representando o and átono, mas usa-se também em here para representar o e final mudo; the, of e of the são expressados por abreviaturas (dh expandido, v expandido, este último com um traço inferior).

Os nomes das letras.
Em todos os modos, cada letra e sinal tinha um nome, mas estes foram criados para se adequarem ou descreverem o uso fonético em cada um dos modos. Muitas vezes, porém, especialmente ao descrever os usos das letras em outros modos, sentia-se a necessidade de um nome para cada letra considerada como forma em si. Para esta finalidade, empregavam-se comumente os “nomes plenos” em quenya, mesmo quando se referiam a usos peculiares em quenya. Cada “nome pleno” era uma palavra em quenya que continha a letra em questão. Quando possível, era o primeiro som da palavra, mas, nos casos em que o som ou a combinação expressada não ocorria em posição inicial, esse som era imediatamente seguido por uma vogal inicial.
Os nomes das letras da tabela eram (1) tinco metal, parma livro, calma lâmpada, quesse pena [de ave]; (2) ando portão, umbar destino, anga ferro, ungwe teia de aranha; (3) thúle (súle) espírito, formen norte, harma tesouro (ou aha furor), hwesta brisa; (4) anto boca, ampa gancho, anca mandíbulas, anque concavidade; (5) númen oeste, malta ouro, noldo (antigo ngoldo) alguém da estirpe dos noldor, nwalme (antigo ngwalme) tormento; (6) óre coração (mente interior), vala poder angelical, anna dádiva, vilya ar, firmamento (antigo wilya), rómen leste, arda região, lambe língua [órgão], alda árvore; silme luz das estrelas, silme nuquerna (s invertido), áre luz do sol (ou esse nome), áre nuquerna', hyarmen sul, hwesta sindarinwa, yanta ponte, úre calor.
Quando existem variantes, isso se deve ao fato de os nomes terem sido atribuídos antes de certas mudanças que afetaram o quenya falado pelos Exilados. Assim, o n°11 era chamado harma quando representava a fricativa ch em todas as posições, mas quando esse som se tornou um h aspirado em posição inicial 50 (apesar de permanecer em posição medial) criou-se o nome aha. Áre era originariamente áze, mas quando este z se fundiu com 21 o sinal foi usado, em quenya, para o ss, muito frequente nessa língua, e recebeu o nome esse. Hwesta sindarinwa ou “hw dos elfos-cinzentos” assim se chamava porque em quenya 12 tinha o som de hw, e sinais diversos para chw e hw não eram necessários. Os nomes de letras mais amplamente conhecidos e usados eram:
17- ss; 33- hy; 25- r; 9- f.
númen, hyarmen, rómen, formen = oeste, sul, leste, norte (cf. em sindarin dün ou annún, harad, rhün ou amrún, forod). Estas letras comumente indicavam os pontos cardeais O, S, L, N, até mesmo em línguas que usavam termos bem diferentes. Nas Terras do Oeste, eram nomeadas nesta ordem, começando com o oeste e de frente para ele; hyarmen e formen, na verdade, significavam região da esquerda e região da direita (o oposto do arranjo de muitas línguas humanas).

Os angerthas


Os angerthas


Os Cirth
O Certhas Daeron foi originalmente criado para representar apenas os sons do sindarin.
Os cirth mais antigos eram os n°1, 2, 5, 6; 8, 9, 12; 18, 19, 22; 29, 31; 35, 36; 39, 42, 46, 50; e um certh variando entre 13 e 15.A atribuição de valores não era sistemática. Os nos 39, 42, 46, 50 eram vogais e assim permaneceram em todas as evoluções posteriores. Os nos 13, 15 eram usados para h ou s, conforme o 35 fosse usado para s ou h. Essa tendência a hesitar na atribuição de valores para sth continuou nos arranjos posteriores. Nos caracteres constituídos de uma “haste” e um “ramo”, 1-31,a junção do ramo, se fosse de um lado apenas, geralmente ocorria do lado direito. O inverso não era incomum, mas não tinha significado fonético.
A expansão e elaboração deste certhas chamava-se, em sua forma mais antiga, Angerthas Daeron, pois as adições aos antigos cirthe sua reorganização foram atribuídas a Daeron. Contudo, a adição principal, a introdução de duas novas séries, 13-17 e 23-28, foi muito provavelmente invenção dos noldor de Eregion, já que eram usadas para representar sons não encontrados em sindarin.
Na organização do Angerthas podem ser observados os seguintes princípios (evidentemente inspirados pelo sistema féanoriano): (1) a adição de um traço a um ramo conferia “sonoridade”; (2) a inversão do certh indicava abertura em direção a uma “fricativa”; (3) a colocação do ramo em ambos os lados da haste conferia sonoridade e nasalidade. Estes princípios foram seguidos com regularidade, exceto por um ponto. Para o sindarin (arcaico) era necessário um sinal para m aspirado (ou v nasal) e, como a melhor maneira de fazê-lo era por uma inversão do sinal de m, o n°6, reversível, recebeu o valor de m, mas o n°5 recebeu o de hw.
O n°36, com valor teórico z, era usado para ss na grafia de sindarin ou quenya: cf. o 31 féanoriano.
O n°39 era usado para i ou para v (consoante); 34, 35 eram usados indiferentemente para s; e 38 era usado para a frequente sequência nd, apesar de não ter uma forma claramente relacionada com as dentais.
Na Tabela de Valores, os da esquerda, quando separados por -, são os valores do Angerthas primitivo. Os da direita são os valores do Angerthas Moria dos anões. Os anões de Moria, como se pode ver, introduziram certo número de alterações de valor assistemáticas, bem como certos cirth novos: 37, 40, 41, 53, 55, 56.O deslocamento dos valores deve-se principalmente a duas causas: (1) a alteração dos valores de 34, 35, 54, respectivamente a h (o início livre ou glotal de palavras começadas por vogal que aparecia em khuzdul) e s; (2) o abandono dos nos 14, 16, em cujos lugares os anões colocaram 29, 30. O consequente uso de 12 para r, a invenção de 53 para n (e sua confusão com 22); o uso de 17 como z, para acompanhar 54 com o valor de í, e o consequente uso de 36 como n e do novo certh 37 para ng também podem ser observados. Os novos 55, 56 eram originariamente metade de 46, e usados para vogais como a que se ouve no inglês butter, que eram frequentes na língua dos anões e em westron. Quando eram fracas ou evanescentes, muitas vezes se reduziam a um simples traço sem haste. Este Angerthas Moria está representado na inscrição tumular.
Os anões de Erebor usavam uma modificação deste sistema, conhecida como modo de Erebor e exemplificada no Livro de Mazarbul. Suas principais características eram: o uso de 43 como z; de 17 como ks (x); e a invenção de dois novos cirth, 57, 58, para os e ts. Também reintroduziram 14, 16 para os valores j, zh; mas usavam 29, 30 para g, gh, ou como simples variantes de 19, 21. Essas peculiaridades não estão incluídas na tabela, exceto pelos cirth ereborianos especiais 57, 58.

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