14 de abril de 2016

Fanfic: Tiara de sangue


Sinopse:
Das ruínas da América do Sul surge uma nação poderosa: Bellator, a terra onde os fortes sobrevivem. A cada geração, trinta e duas garotas, uma de cada província, são escolhidas para lutar até a morte na temida Seleção. O prêmio? Tornar-se esposa do príncipe herdeiro e futura rainha.
Evelyn sempre soube que um dia seria obrigada a inscrever-se para essa loucura, mas jamais poderia imaginar que seu nome sairia no sorteio. Agora, em meio a outras garotas ávidas por poder e liberdade, terá que provar-se forte, pois só assim sobreviverá.
Que a guerreira lute, que a mais forte vença e que a vitoriosa reine!

Categorias: ficção, aventura, romance, Jogos Vorazes, A Seleção
Autora: Teresa Motta
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 1. BEIJOS TRAZEM BOA SORTE...

Me agarrei ao sonho como se minha vida dependesse disso. Era perfeito de mais... o céu iluminado pelas estrelas, o som de grilos, ao longe as ondas quebrando na praia e ele. Apenas ele. Os olhos escuros presos aos meus, seu sorriso maravilhoso, sua pele tão quente ao toque e então...
            Bam!
            Abri os olhos e demorei alguns segundos para me situar. Quatro paredes, uma cômoda, cama estreita. Ok, eu estava no meu quarto. Estatelada no chão, para ser mais exata. Provavelmente me remexi tanto na cama que passei a beirada. Em qualquer outro dia eu xingaria o mundo por acordar desse jeito, mas agora sorri. Tentei tapar a boca, mas não pude evitar uma sonora gargalhada.
            Ontem eu beijei Tiago Rodriguez. Ontem eu beijei Tiago Rodriguez! Foi ainda mais perfeito do que nos meus sonhos! Estávamos juntos, observando as estrelas, então viramos ao mesmo tempo um para o outro e ele me beijou. O beijo perfeito, no momento perfeito, com o cara perfeito.
            - Está tendo uma convulsão, Ivy?
            Ergui a cabeça para ver meu irmão encostado na porta e atirei uma almofada em sua direção, mas passou longe.
            - Ninguém te ensinou a não invadir os aposentos de uma dama?
            - Não vejo nenhuma dama por aqui, e o quarto também é meu.
            Odeio quando usa esse argumento. O do quarto, é claro. Eu realmente estava longe de parecer uma dama. Além, disso, levando em conta que fui eu quem criou Zach, não posso esperar muita educação da parte dele. Ele me ajudou a levantar e mais uma vez pensei como ele parecia maduro, maduro demais, para um garoto de onze anos.
            - Estou curioso para saber como chegou a essa posição.
            - E vai continuar assim. – baguncei seus cabelos e corri para o banheiro.
            Nossa casa é grande comparada a maior parte das outras construções de Atlanta. Três quartos e dois banheiros? Isso é um luxo que poucos têm. Mas era uma das menores do Condomínio dos Oficiais do Exército Nacional de Bellator. Gostou do nome? É, também acho pomposo.
            - Você não deveria estar na escola? – gritei para Zach.
            - Está tão ocupada pensando no seu príncipe encantado que esqueceu que dia é hoje?
            Saí amarrando o cabelo e fazendo a pior cara feia possível.
            - Você me seguiu.
            O traidor nem se esforçou em tentar fingir. Uma coisa que aprendi ao longo dos anos é que pior do que ter irmãos é ser o membro do meio. Você sofre com um mais velho convencido e um mais novo enxerido.
            - Vou te perdoar, porque estou atrasada, mas depois vamos ter uma conversinha.
            Desci correndo para o primeiro andar e fui me servindo de café. Zach olhava para mim como se eu fosse maluca.
            - Qual o problema? Cadê todo mundo?
            - Tia Marisa foi fazer uma entrega, Angelina foi na casa de alguém fazer alguma coisa, não peguei o recado, e Jonas deve estar terminando o turno.
            Nossa família é um tanto remendada. Minha mãe faleceu no nascimento de Zach, eu tinha seis anos e Jonas, dez. Crescemos meio soltos, pois papai vivia fora. Nossa vizinha costureira, Marisa Sangi, nos mandava comida, ajudava com a roupa e tentava garantir que ficássemos vivos. A filha dela, Angelina, tinha a idade de Jonas e ajudava a mãe na costura e a cuidar de nós.
Há três anos meu pai morreu. Não gosto de falar disso, foi uma época bem complicada, perdemos a casa e teríamos ido para a rua se Marisa não nos acolhesse. De qualquer forma, Jonas iniciou o serviço militar e terminou entre os melhores. Ele e Angelina se casaram e puderam se mudar conosco para uma das casas disponibilizadas para militares.
- Está me ouvindo?
Hum, não?
- Foi mal, Zach. Mas estou realmente atrasada, podemos conversar depois?
Ele revirou os olhos e balançou a cabeça, o cabelo fino e loiro acompanhando o movimento.
- Para um segundo e pensa.
Me abaixei para ficar ao nível dele.
- Parada e pensando.
Revirou os olhos de novo e apontou para o calendário na parede, imprensado entre os seus inúmeros desenhos.
- Que dia é hoje, Ivy?
Tentei me localizar no tempo. A verdade é que não me importo com datas, contanto que esteja viva, tanto faz ser setembro ou outubro. Minha cara de confusão deve ter sido bem clara, porque Zach respondeu impaciente:
- Primeiro de agosto! Feriado nacional, lembra?
A compreensão invadiu a minha mente e logo em seguida o meu estômago. Me encostei na mesa para não cair. Primeiro de agosto, dia oficial da fundação de Bellator. Festa de manhã à tarde, distribuição de doces para as crianças, assar marshmallows na praia. Esse seria o normal, se hoje fosse qualquer primeiro de agosto. Mas não era.
- O primeiro de agosto. – falei em voz alta.
Zach segurou minha mão parecendo preocupado. Ele sabia o que eu estava pensando: trinta e duas garotas, uma de cada província...
- Se você estiver com medo pode falar comigo, sabe.
Eu queria deitar na cama e ficar encolhida até o próximo ano, mas me esforcei para rir, após algumas tentativas até pareceu de verdade.
- Eu sou a mais velha, baixinho. Não tente roubar meu papel.
Engoli o restante do café e corri para fora.
- Ainda vou dar uma passada no Armazém, o senhor Fraga pode querer ajuda. – virei para o meu irmão ainda coma expressão fechada. – Sorria, querido, eu não vou a lugar algum.
Ele abriu um sorrisinho convencido.
- Achei que fosse para o trabalho.
Ri e mostrei a língua – não ao mesmo tempo, seria meio bizarro – e caminhei para o meu destino.
As ruas do Condomínio dos Oficiais estavam perfeitamente limpas, como sempre. Enchi meus pulmões com a brisa do mar e ignorei o vigia que batia continência. Quando atravessei os portões, entrei em outra realidade: ruas realmente movimentadas, cheiro de peixe frito em todos os lugares. Atlanta se estende pela costa e é a única província de Bellator que tem contato com o oceano, isso significa que somos umas das províncias mais frequentadas pelos turistas ricos.
Várias barraquinhas estavam sendo montadas e os últimos enfeites para o desfile eram arranjados nos postes. Apesar do clima de festa, era claro no rosto de todos o que estavam pensando, mesmo que fingissem o contrário. A Seleção começava hoje. Dentro de dois meses teríamos uma nova princesa. Uma entre trinta e duas. A única sobrevivente...
- Olá, querida.
Tiago estava encostado no poste em frente ao Armazém, o uniforme do Exército meio amarrotado. Seu sorriso zombeteiro foi o suficiente para expulsar todos os pensamentos de minha mente e fazer meu coração executar uma manobra artística. Ele parou na minha frente e tirou a mão de trás das costas para me entregar uma rosa. Me segurei para não derreter.
- É linda!
Estendi a mão para pegar, mas ele a afastou.
- Nem pensar, senhorita Evelyn Morais. Não antes disso.
Ele se inclinou e me deu um beijo rápido. Senti minhas bochechas queimarem e olhei em torno rapidamente para ter certeza de que ninguém vira. É contra a lei demonstrações de afeto em público com alguém que não seja da família.
- Não faça isso aqui – falei, me sentindo um tanto reclamona. – Há patrulhas por todos os lados!
- Que tal sairmos mais tarde?
- Ouviu o que falei?
- Você fica uma gracinha quando está irritada.
Corei ainda mais, mas fiz o possível para parecer no comando. Estendi a mão impaciente.
- Vai me dar a rosa ou não?
Ele riu e enfiou a rosa no meu cabelo. Aproveitei a proximidade para observá-lo melhor. Nós Morais somos todos loiros de olhos azuis, então eu destoava completamente de Tiago com seu cabelo e os olhos mais escuros que já vi, sua pele bem bronzeada de tanto trabalhar ao sol, seus braços musculosos... Eu precisava manter o foco.
- Achei que estivesse em serviço pela manhã. – comentei.
- Ah, eu deveria, mas dei uma escapada para ver uma bela moça.
- Espero que tenha valido a pena.
- Com certeza.
Senti-me quentinha por dentro e quase o beijei, mas o senhor Fraga escolheu esse momento para aparecer.
- Jovens de pouca vergonha! Se querem quebrar a lei que seja longe da minha propriedade!
- Desculpe, cidadão. – exclamou Tiago com sua melhor voz de soldado. – Estava em meio a um interrogatório.
- Até onde eu sei, não é preciso grudar a boca para falar.
Me esforcei para ficar séria. Tiago ajeitou o quepe, piscou para mim e foi embora assoviando. Encarei meu patrão fazendo biquinho.
- Não quero saber de manha, Evelyn. Francamente, achei que tivesse mais juízo! – ele deu passagem para eu entrar e continuou com o sermão. – Em algum momento parou para pensar nas consequências? Se agarrando em público! Na minha época...
- Senhor Fraga – interrompi – tem algum trabalho para mim hoje?
Ele piscou surpreso.
- Não... bem, sim, chegaram alguns sacos de trigo ontem... mas é feriado!
- Eu apenas preciso manter a mente ocupada.
Seu olhar amoleceu e percebi que ele entendeu o que eu queria dizer.
- Claro, menina. Me ajude a empilhar e te dou algum mantimento em troca. Acho que a Beth vai querer ajuda com a barraca também.
Sorri agradecida e fui direto para os fundos.
- Mas não pense que não vou informar seu irmão desse deslize!
Ajeitei a rosa e ri contente. Estava me preocupando à toa. Cantarolei durante todo o trabalho me sentindo feliz, na expectativa de sair com um cara incrível mais tarde.
Meu dia prometia.
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26 comentários:

  1. Respostas
    1. Ela tinha sido postada no outro blog, o que foi excluído. A autora pediu pra repostar :P

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    2. Oiee vai ter mais??quando???

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  2. Adoro essa fanfic! Vale a pena ler!

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  3. Angélica Higurashi6 de março de 2016 14:57

    Já li essa! Quase toda,tava procurando ela no Nyah igual louca *u* Essa Karina só sabe salvar minha vida <3 amo samulher

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  4. Karina e so impressão minha ou esse livro se parece um pouco com A Seleção?

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    1. Sim, é fanfic de A Seleção e Jogos Vorazes!

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  5. Eu tava lendo essa fic aí a autora excluíu, fiquei de maus

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    1. Desculpa por isso... não vou parar desta vez,prometo :)
      Ass: Autora da Fic

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    2. OI THERESA VAI ter continuaçao depois do capitulo 18? :/ To muito anciosa pra continuar a leitura!!

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    3. Theresa, quando vc volta a postar? PRECISO ler o restante da história! ahahahaha

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    4. O bloqueio bateu rsrsrs mas não se preocupe que posto logo :)

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  6. Fala que tem 18 capitulos e nao esta terminada!pq?agradeço des de ja karina

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    1. eu tbm gostaria de terminar o livro que foi só até o capitulo 18, kd o resto?

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  7. Eu simplesmente amei, é maravilhosa, não pare de escrevê - la nunca kkk <3

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  8. Karina tenho uma fic vc postaria aq tbm ??

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    1. Claro, Kassia... só envie pro meu e-mail, sim? livroson-line@hotmail.com
      Mande primeiro capítulo, imagem, sinopse e link de onde posta

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  9. Eu perfeitamente amei e eu comecei a Ler Hoje não pensei que seria tão bom ^-^ Mudando de assunto espero que continue fazendo Livros emocionantes Bye Bye

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  10. Espero q a autora termine o livro eu fiquei viciada em le-lo precisso terminar esse livro!!!!

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  11. vc escreve muito bem a historia é incrivel!
    vou adorar!?

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  12. Hey, Karina, como faço para postar uma fanfic aqui ??
    bjss adoro seu blog

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