12 de março de 2016

Capítulo 6

VIVI QUATRO DIAS NUM MUNDO SECRETO DE ALEGRIA ABSOLUTA.
Nem dormi, porque pela primeira vez em muito tempo ficar acordada era bem melhor. Passei horas à procura de receitas, tentando encontrar uma que fosse um pouco acima do que uma principiante faria, mas que não fosse complicada demais para uma cozinha de alojamento.
Dava para sentir o peso do olhar das minhas irmãs enquanto eu cantarolava sozinha. Elas não perguntaram qual era o motivo da melhora tão repentina do meu humor, talvez porque soubessem que eu não ia contar nada. Mas quando a animação não diminuiu depois de uns dias, comecei a me perguntar como era possível um garoto causar tanto efeito sobre mim.
Disse a mim mesma que era totalmente normal não parar de pensar em alguém cujo sobrenome eu sequer sabia. As pessoas se apaixonavam por atores e músicos e celebridades que não tinham a menor chance de conhecer na vida real. Pelo menos estava direcionando meu afeto a alguém que me conhecia de verdade.
Eu não via a hora de o nosso encontro chegar, e tentava dar um tom divertido e leve à expectativa. Mandava mensagens como: Você fornece o forno e os utensílios e eu levo todos os ingredientes?
E ele respondia: Também levo o estômago, porque bolo > comida de verdade. Combinado!
Eu perguntava: O que você acha de cobertura de cream cheese?
E vinha a resposta dele: Acho que não recebe o reconhecimento que merece, para ser sincero.
Os dias que antecederam o encontro foram cheios de mensagenzinhas assim, em que uma única frase acabava virando uma hora seguida de alertas no celular. O que tornava tudo ainda melhor era que eu nem sempre precisava começar a conversa. Na quarta-feira, as perguntas de Akinli foram mais pessoais e vieram espontaneamente.

Você cozinha faz tempo?

Parece que desde sempre.

Foi sua mãe que te ensinou?

Na verdade, fui aprendendo sozinha.

Carinhas felizes. Ele mandava várias. Se viessem de qualquer outra pessoa, seriam ridículas, mas eu tinha certeza de que, se ele mandava uma, era porque estava sorrindo de verdade.
Passamos a maior parte da quinta sem nos falar, o que não me incomodou. Eu repetia a mim mesma que estava exagerando na empolgação. O mais provável era que esse encontro seria o único, porque a nossa comunicação ia ser tão difícil que Akinli não ia querer me ver de novo. E seria o melhor. Afinal, que futuro poderíamos ter?
Era isso que eu dizia a mim mesma quando, por volta das dez da noite, ele me mandou uma foto com uma expressão confusa e a legenda: “Por que, matemática? Por quê?”. Deitei na cama e comecei a rir incontrolavelmente.
Primeiro: ele era tão, mas tão fofo! Segundo: ele me mandou uma foto! Um garoto havia tirado uma foto só pra mim, e senti como se aquilo fosse mais importante do que qualquer coisa que tinha vivido no último século.
Ouvi uma batida rápida na porta do quarto, mas Elizabeth e Miaka abriram antes que eu pudesse responder.
— Tudo bem por aqui? — Elizabeth perguntou, apoiando a mão no quadril.
Respirei fundo e parei de rir.
— Sim, estou bem.
Miaka deu uma olhada no quarto. Minha TV estava desligada e não havia um livro na minha mão.
— Qual é a graça?
Mostrei o celular.
— Só uma coisa que eu vi.
— Podemos ver também? — Elizabeth perguntou estendendo a mão.
Eu sabia que, provavelmente, elas ficariam felizes por eu ter conhecido alguém. Mas não conseguia evitar o desejo de guardar Akinli só pra mim mais um pouquinho.
— Acho que vocês não iam entender — menti.
Elas se entreolharam e me encararam desconfiadas.
— Tudo bem... Então a gente vai embora — Miaka disse, e seu olhar se deteve em mim um pouco mais antes de fechar a porta.
Apertei os lábios na tentativa de não rir de pura felicidade por ter um segredo. Depois, abri a foto de Akinli de novo e sorri ao ver as sobrancelhas caídas dele.
Procurei no celular alguma coisa que pudesse enviar pra ele, talvez uma foto minha num daqueles vestidos que eu adorava. Mas me dei conta de que nunca tirava fotos de mim mesma. Tinha imagens do céu, de um pássaro, das minhas irmãs, mas nenhuma de mim.
Deitei a cabeça no travesseiro, o que jogou quase todo o meu cabelo para cima. Parte do meu rosto estava coberta pelo edredom, mas quando vi a foto que tirei, achei que era uma representação honesta de mim. Encarei aquela garota por um tempo, o brilho bobo no olhar, a sugestão de sorriso nas bochechas, e pensei: Sim, é assim que me sinto neste momento.
Enviei a foto para ele com a mensagem:

Agora é hora de desistir e ir pra cama. Ninguém vai querer saber das suas notas de matemática daqui a seis anos. Prometo.

Queria explicar quantos desastres eu tinha visto desaparecer num piscar de olhos em comparação à duração do tempo.
Ele respondeu: É estranho se eu disser que você é bonita? Você é bonita.
Pensei em como a Água ficava quando eu soprava bolhas nEla. Desconfiei que era assim que meu corpo estava por dentro naquele momento: leve e aerado e borbulhando de felicidade.

Também é estranho se eu disser que gosto de conversar com você apesar de você não falar? Gosto de conversar com você.


— Aonde você vai? — Miaka perguntou assim que a minha mão tocou a maçaneta na noite seguinte.
Eu tinha chegado a pensar que seria capaz de sair sem que elas percebessem. A música de Elizabeth ressoava do quarto dela, e as duas tinham passado os últimos vinte minutos numa conversa séria sobre vestidos.
— Só vou caminhar um pouco. Talvez passe no mercado. Quer alguma coisa?
Ela me encarou bem, examinando meu visual. Eu gostava de usar macacões confortáveis ou moletons em casa, e se a minha saída era casual, provavelmente iria com essas mesmas roupas. A saia que eu estava usando – eu sabia que talvez fosse um pouco demais para a ocasião, mas fazia eu me sentir tão bem por fora quanto me sentia por dentro – já me entregava um pouco.
— Não. Não ouvi falar de nada que valesse a pena comer ultimamente.
Assenti.
— A gente devia ir para um estado novo logo. Ou um país novo. Às vezes o cheiro de um lugar diferente me faz querer comer, sabia?
— É verdade! Precisamos planejar nosso próximo destino. Às vezes as mudanças são improvisadas demais para o meu gosto.
— É — eu disse, ajeitando a bolsa. — Seria bom ter um plano.
Miaka sorriu e olhou de novo para a minha roupa.
— Bom, a gente pode conversar sobre um monte de coisas quando você voltar.
Não disse nada, mas tive certeza de que meu sorriso me entregou tanto quanto a saia. Bom, paciência. O segredo já era.
Comprei os ingredientes e levei tudo para o alojamento de Akinli. Me atrasei um pouco porque não podia entrar no prédio sozinha. A universidade exigia a carteirinha de estudante de quem entrasse depois das seis, e como eu não era aluna de verdade, precisei esperar outra pessoa aparecer e passar o cartão para entrar logo atrás.
— Você precisa de ajuda? — um garoto perguntou, os olhos fixos na minha boca.
Fiz que não com a cabeça.
— Ah, deixa disso! Isso aí é pesado demais pra você.
Ele se aproximou e mais uma vez odiei a atração natural que exercíamos sobre as pessoas. Provavelmente eu não estava correndo nenhum risco, mas nem por isso era confortável passar por esse tipo de situação. Fiz que não com a cabeça de novo.
— Não, sério, em que andar você está? Posso...
— Oi, Kahlen!
Levantei os olhos e vi Akinli atravessando o corredor. Ainda que usasse uma camiseta cinza por baixo, fiquei encantada por ele ter escolhido uma camisa de botão. — Estava ficando preocupado — ele continuou. — Oi, Sam.
— Oi.
O garoto olhou torto para Akinli e saiu em direção à escadaria; seu desgosto pela chegada de Akinli era evidente. Fiquei bem mais animada. Naquele momento, começava oficialmente meu primeiro encontro.
— Deixa que eu levo uma dessas — Akinli disse, pegando uma sacola da minha mão e indo em direção ao elevador. — A cozinha é lá em cima. E, bom, pratiquei um pouco hoje de manhã — ele disse, orgulhoso.
Arqueei as sobrancelhas.
— É verdade. Fritei ovos. Ficaram horríveis.
Segurei o riso. O sinal da chegada do elevador soou e as portas demoraram um momento para abrir.
— Acho que o problema é que não tive supervisão, então as coisas devem sair bem melhores agora.
Entramos na pequena cozinha e vi que Akinli tinha feito alguns preparativos.
Um fouet e uma tigela já estavam no balcão, bem como duas assadeiras circulares de tamanhos diferentes. Ele então pôs a sacola ali e pegou outra coisa.
— Arranquei isto da porta. Meu colega de quarto encheu o saco, mas se você precisar dizer alguma coisa é só escrever aqui.
Ele me entregou um quadro branco já meio surrado, apesar de serem os primeiros meses de aula. Foi um gesto tão gentil que quase chorei.
Eu o observei tirar com cuidado os ovos, o açúcar e a farinha das sacolas e os enfileirar no balcão do fundo, para que tivéssemos espaço para cozinhar.
— Isto aqui é essência de amêndoas? Que chique. Só pra lembrar, estraguei a comida hoje, então você vai precisar me guiar passo a passo.
Sem palavras, saquei a receita impressa e a deixei do lado da tigela.
— Lá vamos nós — ele disse ao pegar o papel. Correu os olhos pelas instruções, e sua expressão ficava cada vez mais preocupada à medida que avançava a leitura. No fim, ele se recompôs e me lançou um olhar de súplica por cima do papel. — Muito bem, Kahlen. Me ensine a cozinhar!

30 comentários:

  1. kkkk, estou amando esse cara!
    Ass: Bina.

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  2. Primeiro comentário aqui ☺☺ como ela consegue fazer livros tao perfeitos? mal comecei a ler esse ja estou amando !

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    1. Não.. não foi o primeiro comentário kkkkkkk

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    2. Kkkkkkkkkkkkkk pior q nao fooi

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  3. kiera é boa msm em fazer personagens homens fofos! Maxon,Aspen,Carter,Akinli...

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  4. Cada dia que leio este livro amo cada pedacinho pq ele é bom demais😍😍💗👌👍

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  5. Qual é o melhor partido: Maxon,Aspen,Carter,Akinli? KKKK
    Obrigada Karina por ser Perfect!!!

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  6. A "Água" é mulher neh? To meio confusa _!

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    1. Nem mulher nem homem
      Eh mais uma força com personalidade

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  7. Adorando os personagens,não dá vontade de parar de ler.

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  8. Ah! Quem dera os meninos reais fossem assim como o Akinli ou Maxon ou qualquer outro personagem de livro perfeitoooooo!

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  9. K, eu li aquela duologia da Jenny Han "Para todos os garotos que já amei" e "P.S.: Ainda amo você", achei os livros perfeitos, superfofos, acho que seria legal p vc postar!

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  10. A kiera so cria meninos fofos e impossieis de se ter na vida real! Mais ja estou shippando esses dois! Ass: Leh

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  11. A não meu Deus que gracinha dele ☺

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  12. Por que homem assim não aparece do nada pra gente tambem?

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  13. Karina você não vai postar 'como eu era antes de você' ?

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    1. Já está postado, Gabriela :)
      http://www.bloglivroson-linee.blogspot.com/2016/02/como-eu-era-antes-de-voce.html

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  14. AAIIIIIIIIIII QUE FOFO....... NOSSA *DOREI*

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  15. esse alinili e fofo demais

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  16. Sera q vai sair um bolooo aiii kkk
    Ele conseguil fazer um ovo frito horrivel kk

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