12 de março de 2016

Capítulo 25

ESFREGUEI O PEITO QUE AINDA DOÍA enquanto esperava no carro. O avião delas tinha pousado havia quase uma hora, e achei melhor partir para nossa casa no estado de Washington assim que elas passassem pela alfândega e pegassem as malas. Seria melhor voltar antes que a Água percebesse que tínhamos viajado.
Não tinha certeza se queria saber se a viagem delas tinha sido um sucesso.
Em todo caso, a sensação era de uma pequena vitória. Tinha feito uma coisa sozinha e ninguém sabia. Essa privacidade fez com que me sentisse um indivíduo, menos serva e mais garota.
Ainda assim, soltei um gritinho dentro do carro quando vi Padma, Elizabeth e Miaka saírem do aeroporto. Estava muito feliz em tê-las de volta.
Quando Padma me viu, soltou a mala e correu pelo estacionamento; o cabelo preto arroxeado voava atrás dela. Nos unimos num abraço, fazendo o máximo de esforço para não rir.
— Obrigada — ela sussurrou no meu ouvido. — Obrigada por tudo.
— Venha. Vamos para o carro.
Me afastei e lancei um olhar por cima do ombro na direção de Miaka e Elizabeth, ambas contentes. Joguei as chaves na direção de Elizabeth, cansada de dirigir. Na verdade, um pouco cansada de tudo. Foram poucos dias, mas muito longos.
Uma vez seguras, fiz a única pergunta que importava:
— A Água suspeita de algo?
— Não — Miaka garantiu. — Fiquei na escuta, e Ela parecia nem desconfiar da nossa viagem. Só estava ansiosa para chegarmos a tempo. Você A ouviu hoje de manhã?
Assenti.
— Ela está faminta.
— Vamos ter que cantar de novo? — Padma perguntou, mordendo o lábio.
Eu sabia que ela estava lembrando da confusão do último canto.
— Não se preocupe — prometi, virando para ela para passar segurança. — Não vai ser como a última vez. Aquilo jamais vai acontecer de novo.
Elizabeth concordou, e Miaka estendeu o braço e segurou a mão de Padma.
— As coisas estão diferentes agora — ela disse. — Faremos o que precisarmos fazer.
Encostei no banco e fechei os olhos. Não via a hora de voltar para casa.
Estive perigosamente perto de Akinli, e a presença das minhas irmãs reforçaria minha decisão de me manter longe dele.
A lembrança da textura da barba por fazer na bochecha dele foi a última coisa em que pensei antes de cair no sono.


— Acorde, bela adormecida! — A voz de Miaka me arrancou da inconsciência.
Pisquei para me acostumar com a luz.
— Quê?
— Estamos em casa!
Elizabeth bateu a porta do carro. Levantei os olhos e vi nossa imaculada casa de praia.
— Dormi a viagem inteira?
Miaka sorriu para mim.
— Impressionante para alguém que nem precisa.
— Foram o quê? Uns dois dias?
Ela confirmou.
— Como eu disse, impressionante.
Apesar do sorriso, havia uma pequena ruga de preocupação no rosto dela. Dormir por tanto tempo era estranho, mesmo para mim.
Miaka saltou do carro para a neblina cinza da manhã. O sol era como uma massa gigante e perolada escondida atrás das nuvens, mas ainda brilhante o suficiente para incomodar meus olhos.
Tirei a mala do bagageiro e a levei para dentro. As outras retomaram a rotina instantaneamente, como se só tivéssemos parado para conversar. Miaka pegou as tintas à procura de tons amarelos e alaranjados. Não conseguia deixar de pensar no que ela teria visto enquanto estivera fora e como aquilo a inspiraria naquele dia.
— Muito bem — Elizabeth disse, puxando Padma para o sofá. — Vamos ver se encontramos algum desses filmes de Bollywood de que você falou. — Ela pegou o controle da TV e fez uma busca.
Concluí que a viagem delas tinha sido um sucesso. Padma não chorava mais e as outras pareciam calmas. Sorri para minha irmã mais nova. Como sempre parecia acontecer com as jovens sereias, a sensação era de que ela tinha sido minha irmã desde o começo. Esfreguei os olhos para tentar me livrar da sonolência.
Tinha sonhado com Akinli e isso me deixara mais feliz. Era a única forma de mantê-lo perto, e eu repassaria todos os meus momentos com ele, os reais e os imaginados, enquanto ainda pudesse.


— Vai ser um cruzeiro de novo? — Padma perguntou nervosa, esfregando as mãos.
— Não sabemos — respondi. — Meu único conselho é: evite olhar para o rosto das pessoas. Você vai ouvir gritos de qualquer jeito, mas olhe para qualquer outra coisa. A lua, a água, o vestido… Ajuda.
— E assim que acabarmos, voltamos e fazemos o que você quiser — Elizabeth disse enquanto acariciava o cabelo de Padma para acalmá-la.
— Não vamos embora dessa vez, vamos? — Miaka perguntou.
Fiz que não com a cabeça.
— Acho que não. Esta casa é tão isolada que ninguém nos incomoda. Talvez seja o lugar mais fácil onde já moramos.
Não sabia o que tinha acontecido na Índia, mas Padma parecia mais calma e confortável em nossa casa à beira-mar. Talvez tivesse finalmente compreendido a própria força, a nova vida. Ela ainda tinha muito tempo pela frente.
— Combinado.
— Então vai ser assim: fazemos o nosso trabalho e voltamos para cá — eu disse ao grupo. — Talvez a gente possa comemo… Bom, não comemorar, mas, sei lá, fazer algo especial.
— Temos vinho — Elizabeth lembrou.
— E mais filmes — Padma acrescentou.
Segurei a mão dela.
— Ótimo. Noite de filme então.
— Venha. Está próximo.
Padma lançou um olhar por cima do meu ombro em direção ao mar e engoliu em seco.
— Vamos — disse minha irmã mais nova.
Senti orgulho da coragem dela e torci para que continuasse assim a noite inteira. Padma segurou a mão de Elizabeth enquanto caminhava para a Água.
— Parece que roubaram sua melhor amiga — comentei com Miaka.
— Que nada. Ela ainda me ama. Assim como você, mesmo quando está distraída.
— Estou distraída?
Ela apertou os lábios e me encarou como quem tem certeza do que diz.
— Você passa a maior parte dos dias com a cabeça longe. Mas não te culpo. E não culpo Elizabeth por levar Padma debaixo da asa. São elas que vão passar mais tempo juntas.
Soltei um suspiro.
— Por pouco.
Miaka me cutucou.
— Vamos. Já está na hora.
Mergulhamos e tomamos a corrente que nos levaria direto ao navio. O sal pinicava quando grudava no meu corpo para fazer o vestido. Era uma rotina tão familiar que eu nem pensava nisso. Até passarmos por algum lugar no litoral sul americano.
Foi lá que me senti sufocar.
— Socorro! — implorei, ainda sendo puxada.
— Que foi?
Comecei a me debater na Água na tentativa de chegar até o ar.
— Não consigo respirar! Socorro!
Acho que Ela não me levou a sério. Afinal, como seria possível? Minha visão foi diminuindo até sumir, senti minha consciência escapar e meus pulmões pareciam esmagados.
Então Ela mudou a direção e me levou para cima. Emergi resfolegando, deitada sobre Ela, cuspindo água e puxando o ar.
— Por que você fez isso? — Ela quis saber. — Como?
— Não sei como. Não sei o que aconteceu.
— O que houve?
— Precisei de oxigênio — respondi enquanto endireitava o corpo. Minhas pernas ainda descansavam sobre a Água, e minha cabeça estava caída de exaustão. — Senti que meus pulmões não aguentavam mais.
— Não é possível.
— Mas foi o que aconteceu! Nunca tinha sentido nada assim.
— Devo chamar as outras?
— Não — respondi. — Me deixe respirar um pouco. Depois eu alcanço as três.
Pude notar a paciência dEla se esvair enquanto eu tentava recuperar o fôlego, mas não havia o que fazer. Mesmo quando voltei a me sentir normal, meu coração acelerava ao pensar que teria que voltar para debaixo da Água. Mas eu tinha consciência de qual era o meu trabalho – e de tudo que dependia dele – então mergulhei esperando alcançar as outras antes de começarem a se preocupar.
— Onde você estava? — Elizabeth perguntou.
— Difícil explicar. — Me sentia tonta e enjoada. Não queria que elas soubessem o que tinha acontecido.
— Fiquei com medo de você ter desobedecido. — Miaka falou ao me abraçar.
— Não. Como vocês mesmas já disseram, esse não é meu forte.
— O que aconteceu então?
Como explicaria a ela e às outras que não tinha sido capaz de fazer algo que todas deveríamos conseguir?
— Depois. Por enquanto, vamos nos preparar.
Nadei desviando das rochas pontiagudas, consciente do que estava à espera bem debaixo de nós. Mas duvidava que o navio ao longe soubesse.
Me estiquei na Água, me sentindo péssima por ter perdido o fôlego.
Miaka ajoelhou atrás de mim, e Elizabeth abraçou Padma, que murmurava para si mesma:
— Não olhar para os rostos, não olhar para os rostos, não olhar para os rostos…
A canção preencheu o céu vazio conforme nossas vozes se erguiam na noite.
Olhei para a bela luz das estrelas enquanto o navio colidia com as rochas a bombordo e tombava por causa da velocidade.
— Linda garota! — um homem gritou com a voz alegre enquanto nadava em nossa direção. Não o vi, mas a voz foi engrossando em gargarejos conforme a água entrava pela boca dele. — Lin-da — ele entoou algumas vezes, então se calou.
Esperei o silêncio, a certeza de que tínhamos atingido cada alma, mas antes de as vozes dos passageiros sumirem, a minha falhou.
Tossi algumas vezes na tentativa de forçar a garganta, mas foi em vão. Movi os lábios com a canção, já que conhecia cada nota tão bem quanto as batidas do meu coração, mas só saía silêncio. Miaka me agarrou pelo braço, Elizabeth e Padma me lançaram olhares consternados, mas todas continuaram a cantar.
O naufrágio terminou e reconheci envergonhada a facilidade com que esqueci os rostos se afogando ao meu redor. Estava preocupada demais comigo mesma para pensar nos outros. Olhei para Padma, que soluçava nos ombros de Elizabeth.
— Já acabou. Vai ficar mais fácil com o tempo.
— Os gritos são terríveis! — ela chorava.
O olhar de Elizabeth cruzou com o meu antes de ela aproximar os lábios do ouvido de Padma.
— Não foi pior do que o que você fez com seu pai.
— Mas ele merecia! — Padma berrou.
A Água se agitou sob nós e nos puxou com tudo para baixo da superfície.
— O QUÊ? — Ela rugiu.
Padma se agarrou em Elizabeth e eu tremi. Todo aquele trabalho para nada.
— Eu tinha dito não. Por que fizeram isso? — A voz saiu carregada com toda a fúria e força mortal dEla.
— Porque você estava errada! — A acusação de Elizabeth estourou dentro da nossa cabeça. — Entrei na casa de Padma. Vi como o pai dela era cruel, mas agora essa lembrança já era. Nós a destruímos. Nenhuma de nós podia permitir que ela vivesse no mesmo mundo que seus agressores. Agora eles se foram, ninguém desconfia, e você ainda nos tem ao dispor.
— Kahlen, você sabia? — Ela pareceu magoada diante da possibilidade da minha traição.
Olhei para cada uma das minhas irmãs, me perguntando o que aconteceria comigo.
— Sim. Não fui com elas, mas ajudei.
— Era para você não deixar isso acontecer!
— Eu não conseguia viver com a tristeza de Padma. Ela voltou muito melhor. Agora a segunda vida dela é pra valer. Ela venceu os próprios demônios e é inteiramente sua.
Senti o calor da raiva dEla nos envolver. Suas ondas batiam contra nosso corpo.
— O que vou fazer com vocês?
— Vai nos condenar a mais tempo? — Elizabeth caçoou. — Que inteligente seria! Manter quatro rebeldes presas ao seu lado. Ou melhor aindamate todas nós! Quem serviria a você?
— Não, não poderia acabar com todas vocês — a Água concordou com um tom frio e mortal na voz. Ela arrancou Padma dos braços de Elizabeth, apertando-a. Padma gritou, tentou mover os braços, mas estava completamente imobilizada.
— Não! — supliquei.
— Pare! — Elizabeth insistiu.
Miaka estava em choque. Seus pensamentos saíam como sons distorcidos em vez de palavras.
— Prestem atençãonão posso acabar com todas de uma vez, mas sinto a devoção que têm por ela. Quebrem minhas regras de novo e ela vai pagar o preço.
Elizabeth contorceu o rosto de raiva à espera de que Padma fosse devolvida.
— Alguém mais tem algo a confessar?
Quis ocultar Akinli com outros pensamentos, preocupada de acabar revelando alguma coisa errada. Afastei a lembrança da minha última viagem a Port Clyde, enterrando-a sob lembranças mais antigas dele.
— Sinto saudade dele — pensei, na esperança de que isso mascarasse meus outros pecados.
— Eu sei. — Ela ainda estava com raiva, mas começava a se acalmar.
Baixei a cabeça, desejando que eu fosse melhor. Eu era considerada a boazinha, então não deveria ser assim?
— Muito bem. — Ela lançou Padma de volta para Elizabeth, que a envolveu nos braços. Miaka correu para o lado delas. — Voltem agora. Sem desvios.
As outras partiram, mas eu permaneci.
— Como você pôde? Você me desobedeceu de novo! — Dava para perceber a decepção na voz dEla.
— Sentia a dor dela. Era impossível viver daquele jeito. Você sempre disse que nos devolvia às nossas vidas. Ela nunca conseguiria aproveitar isso enquanto soubesse que os pais estavam por aí, felizes e bem, sem pagar pelo que fizeram.
— Sempre há pessoas cruéis, e nem todas recebem o que merecem.
— Sim, mas tínhamos a oportunidade de castigar duas pessoas que não seriam castigadas. Por favor, não fique brava. Ela não precisa do ódio de outra mãe.
Senti a Água suspirar impaciente.
— Por que você não cantou?
— Eu cantei! Até não conseguir mais. Não faço ideia do que aconteceu.
— Isso não é normal. — Ela soava mais irritada do que preocupada. — Você tem que conseguir cantar e nadar. É para isso que foi criada.
— Será que estou velha demais? Sei que ainda não completei um século, mas é possível que esteja perdendo a força?
— Não — Ela respondeu seca. — É mais provável que esteja me desobedecendo.
— Por que eu faria isso?
— Pelo mesmo motivo que levou você a ajudar Padma. Está com raiva de mim.
Balancei a cabeça.
— Sinto saudade de Akinli. Todo dia, mesmo quando tento não sentir. Mas você me deu sua palavra de que iria protegê-lo, e aceitei meu destino. A esta altura, você deveria saber que nunca ignoro suas ordens por interesse próprio.
Ela refletiu por um instante. A vez que não cantei, a tentativa de tirar Akinli do mar, a viagem de Padma até os pais… Nada disso tinha sido só por mim.
— É verdade.
— Posso me juntar às minhas irmãs? Com certeza Padma está se sentindo uma peça de um jogo agora, e quero que ela saiba que é amada.
— Sim — Ela disse, mais calma. — Diga que ela é amada. Não apenas por você, mas por mim também.
Balancei a cabeça.
— Posso dizer o que quiser a Padma, mas você deveria provar seu amor pessoalmente. Em breve.
Segui minhas irmãs, exausta pela noite e grata por Ela ter me empurrado durante a maior parte do trajeto.
Em casa, encontrei as três no sofá. Elizabeth e Miaka abraçavam Padma entre carinhos e sussurros para tentar acalmar o choro.
— Ela não vai te matar — Elizabeth garantiu.
— Então por que disse aquilo? Deve existir algum fundo de verdade nas palavras — Padma replicou, tremendo de medo.
— Ela me pediu para dizer que te ama — eu disse baixo, com a sensação de ser mais espectadora do que participante da cena.
Padma balançou a cabeça. O rosto se contorcia de dor.
— Sei que não parece. Às vezes o amor dEla é uma tortura. Mas é real. Às vezes sinto até demais a atenção que Ela nos dá, mas a Água não faz ideia de como erra feio quando tenta demonstrar Seu amor.
Esfreguei as têmporas, tentando processar toda a estranheza daquele dia.
— Kahlen tem razão — Miaka disse, balançando a cabeça. — É inevitável. Mas Ela demonstra tão mal que às vezes parece ódio.
— Vocês estão tentando justificar o que Ela fez hoje? — Elizabeth perguntou, nervosa.
Miaka levantou.
— Não. Só estou tentando entender como Ela pode nos tirar tanta coisa e ainda achar que está sendo carinhosa.
— Não é como se Ela tivesse um semelhante com que praticar — comentei enquanto cutucava o sal do vestido. Quase senti pena dEla.
— Não quero voltar para a Água — Padma disse preocupada. — Não quero que Ela me machuque.
Elizabeth continuou a abraçá-la.
— Ela não vai. Porque vamos ser tão perfeitas daqui para a frente que Ela jamais terá motivo. Prometo.

14 comentários:

  1. Eu acho que a Kahlen esta voltando a ser humana.

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    1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira18 de março de 2016 13:17

      Faz tempo já que dava pra perceber

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  2. Desde a coceira na perna, pra mim pelo meno
    Alguém percebeu antes?

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    1. Tá na cara que ela criou um vínculo com o Akinli, e pode ser que ele, como no sonho dela,possa ter adquirido umas a biliares depois que se beijaram. Só acho, me perdoem se eu estiver errada.

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  3. A Kahlen ta voltando a ser humana gente q felicidade

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  4. Eu percebi no momento em que ela salvou ele. Ela disse q sentiu cansaço

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  5. Agora e certeza A Kahlen ta voltando mesmo a ser humana...

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  6. Mano,essa Padma eh muito mimada.
    MEU DEUS

    Rupp

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    1. Acho q ela é tudo menos mimada tem certeza q voce ta prestando atençao no livro ?

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  7. Ela ja mal consegue respirar debaixo de agua

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  8. Acho que o amor fazem elas se tornarem humanas, por isso a Agua nao aceita esposas ou maes, porque elas amam, e é amor verdadeiro, deve ser por isso que nao deixa suas sereias amarem, porque senao pode perde-las.

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  9. Eu acho q ela tá voltando a ser humana! Estou ansiosa para saber o final💙

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