12 de março de 2016

Capítulo 23

— E AÍ, RAINHA DO BAILE DE FORMATURA? — ele começou, rindo.
Sorri mesmo sem querer.
— Essa piada não tem mais graça.
— Bom, mas pegou.
Rolei na direção dele. Estávamos deitados sobre uma coberta no gramado entre a casa dele e a Água. O sol era ofuscante, mas o murmúrio da Água batendo na areia me tranquilizava.
Akinli cheirava a algodão e a grama e a algo seco… talvez livros. Era um cheiro maravilhoso e único, que me inebriava.
— E então? O que você vai estudar? — ele perguntou erguendo um panfleto. — Letras? Comunicação social? Lembra de quando nos conhecemos? Você olhando todos aqueles bolos…
— Hum, bolo… — respondi sonhadora.
Akinli riu da minha reação.
— Você podia estudar gastronomia. O que acha?
— Eu comeria todos os trabalhos. Não ia sobrar nada para o professor avaliar.
Ele me bateu de leve com o panfleto.
— Bom, então o quê? Quando eu voltar para a faculdade, você vai junto. O que quer estudar?
— Talvez história — reconheci.
— Parece que você sente vergonha.
— É que não parece tão empolgante quanto química ou direito. Eu provavelmente acabaria num museu ou coisa parecida.
Akinli deu de ombros.
— E daí? O importante é você estar feliz.
— Eu posso lhe mostrar a história!
Sentamos imediatamente.
— Nossa!
— Você ouviu isso? — perguntei. Ele não deveria ter escutado nada. Nem eu, não mais.
— Posso te conduzir através dos séculos. Fique comigo.
— Mas eu já fiquei! — gemi. Não tinha esquecido. Tudo o que me prometeram era mentira.
— Quem é essa? Com quem você está falando?
— Fique. Posso te dar tudo.
Ela tinha ficado mais forte, muito mais forte, e eu A imaginei causando tsunamis e derrubando aviões apenas para ter energia suficiente para aquele momento. O vento me empurrava para a Água ao mesmo tempo que segurava Akinli no lugar.
— Veja! Ele está seguro. Como eu prometi. Agora volte para casa.
— Não! Não! Já servi o meu tempo!
— Kahlen! — Akinli gritou, com a mão estendida para mim e o rosto em agonia.
Acordei sobressaltada. Pensei que dormir seria uma boa ideia, uma forma de passar o tempo sem decepcionar ou mentir para minhas irmãs. Por mais estranho que fosse, nos últimos dias houve momentos em que sentira necessidade de descansar. Mas era melhor evitar por ora. Eu não conseguia me desvencilhar do pesadelo em que Akinli ouvia a Água, compreendia o chamado dEla… Me dava calafrios.
Quando meu coração desacelerou, fui atrás das garotas. Tinha acabado de amanhecer e o sol brilhava forte atrás das janelas. O cabelo castanho-claro de Elizabeth parecia ter um brilho dourado à luz da manhã.
— Oi — eu disse ao me aproximar. Elizabeth tinha apoiado uma tela larga no chão e trocado os pincéis por brochas. Padma a observava em silêncio. Minha irmã mais nova falava menos a cada dia, mas parecia feliz com Elizabeth. Vi Elizabeth riscar a brocha pela tela e deixar um rastro azul grosso. — Acho que assim também vale — comentei.
Ela riu.
— Não sou tão talentosa quanto Miaka. Não consigo fazer todos aqueles traços finos. Mas isto aqui tem mais a minha cara.
Contemplei as linhas bizarras, as cores aleatórias. Tudo parecia mero acaso, mas dava para sentir a arte na pintura.
— Com certeza — concordei. — Onde está Miaka?
— Ah, ela saiu — Elizabeth disfarçou num tom estranho.
— Saiu para onde?
— Ela leu sobre uma floresta na Islândia com flores superespeciais. Se você moer as pétalas e misturar com óleo, teoricamente consegue uma tinta incrível e vibrante. Tipo, melhor do que qualquer coisa que você encontra nas lojas.
— Ah… E quanto tempo ela vai demorar?
— Uns dias, acho. A Água a levou até a Islândia, mas Miaka tem que encontrar as flores por conta própria.
Corri os olhos pelas pinturas prontas espalhadas pela sala. Miaka já tinha mais de uma dúzia, o suficiente para chamar de série e começar a vender.
— Bem que ela poderia ter nos levado. Um projeto me faria bem agora.
— Então pinte alguma coisa — Elizabeth sugeriu enquanto mergulhava a brocha num pote de tinta amarela.
— Não sei se tenho alguma coisa que valha a pena pintar no momento.
— Não seja tonta. É só encontrar o bilionário certo, aquele que compra um risco verde num fundo branco por dinheiro suficiente para pagar três meses de aluguel.
Com essas palavras, ela sorriu e voltou ao trabalho.
Sentei com os lápis de carvão e tentei. Tentei de verdade. Mas só saíam as ondas do cabelo de Akinli quando dirigia de janela aberta ou suas mãos imóveis quando tirei seu corpo da Água. Evitei desenhar o rosto dele, mas Akinli aparecia numa centena de imagens. Não passavam de esboços no papel, mas os deixei empilhados para Miaka. Ela saberia o que fazer com eles.
Depois de quatro dias ela finalmente retornou, toda molhada, e fiquei contente com o potencial que viu nos meus rabiscos desleixados.
— Eles transmitem tanta honestidade, Kahlen. Se tivesse dinheiro, compraria na hora.
Dei um cutucão no braço dela.
— Para com isso. Gosto desses desenhos, mas não são tão bons assim. Nada perto dos que você faz.
— Bom, vou colocar na minha galeria mesmo assim.
— Junto com obras novas? Com a tinta da flor?
Ela franziu a testa.
— Hein?
— As flores da Islândia. Você não ia fazer uma tinta com elas?
Ela riu e abanou a mão, despreocupada.
— Ah, nem consegui encontrar as flores. Me senti uma idiota perambulando pela floresta tanto tempo. Acho que preciso pesquisar mais.
— Vou junto da próxima vez se você quiser.
Miaka tocou meu braço.
— Que gentil da sua parte. Fico feliz que esteja voltando ao normal.
Dei de ombros.
— Não desista de mim. Estou tentando.
— Nunca.
Miaka piscou para mim e fui para a cozinha. Talvez um pouco de comida levantasse o ânimo de todas. Talvez preenchesse o vazio no meu estômago que parecia uma fome estranha.
Quando me virei para abrir a geladeira, notei Miaka acenar discretamente com a cabeça para Elizabeth. Elizabeth respirou fundo na tentativa de esconder um sorriso. Depois foi enxaguar as brochas enquanto Miaka ia atrás de roupas secas, e a comunicação das duas parou por aí.


Umas semanas depois, Elizabeth saiu para uma viagem de compras de cinco dias. Padma chorou, implorou para que ela não fosse, mas em vão. Elizabeth já tinha feito isso antes. Chegou a comprar tantas roupas que as mandou para casa por uma transportadora. Dessa vez, ela voltou com duas sacolas. Duas!
— O que posso dizer? A estação está lamentável — ela explicou ao jogar seus achados num canto como se nem importassem.
Depois disso, Miaka passou uma semana no Japão para se reconectar às raízes em nome da arte. Durante todo o tempo em que ela esteve fora, Elizabeth não fez mais nada além de andar de um quarto para o outro, inquieta, como se não suportasse a ausência da irmã. Eu nem entendia o motivo da viagem para começo de conversa. Miaka nunca quisera voltar para a terra natal antes, independente do motivo. E depois que voltou, sua arte parecia a mesma de sempre.
Nem tentei lembrar da desculpa que Elizabeth deu para sair depois, embora não tivesse entendido o motivo mais uma vez. Se ela tinha ficado tão aflita com a ausência de Miaka e sabia como Padma se inquietava com a sua partida, por que sair?
Quando voltou, pus as três contra a parede, determinada a botar um fim naquela história.
— Por que vocês não param de fugir? — exigi saber, com as mãos na cintura.
Miaka cruzou os braços na defensiva.
— Não sei do que você está falando.
— Tenho a sensação de que já estou bem melhor, de que já está muito mais fácil me ter por perto. Então por que vocês ficam se revezando para sair e deixam Padma como minha babá?
— Ninguém está sendo sua babá — Elizabeth argumentou antes de se jogar no sofá. — Só estávamos pensando que talvez fosse bom passarmos um tempo sozinhas de vez em quando. Como Aisling fazia.
Padma concordou.
— É.
Meus olhos saltavam de uma para outra. Estava difícil acreditar naquilo. Havia décadas que Elizabeth e Miaka eram inseparáveis, e Padma parecia se encaixar às duas com perfeição. Por que estavam agindo daquela forma? O que tinha acontecido?
— Vocês estão brigadas? — perguntei incrédula.
— Não — Elizabeth respondeu, toda esparramada no sofá.
— Estão bravas comigo?
Miaka se aproximou de mim com uma expressão afetuosa no rosto.
— Não, nem um pouco. Tínhamos curiosidade sobre o método de Aisling, só isso. Mas é estranho ficar longe por tanto tempo. — Ela se voltou para Elizabeth. — Não sei como ela aguentava passar meses longe.
— Nem eu. Eu seria infeliz sem vocês — Padma concordou. Eu não quis comentar que ela nem parecia feliz para começo de conversa. Uma discussão de cada vez.
— Então… está tudo bem? — perguntei.
Levei a mão à testa, sentindo um pouco de tontura. Era a terceira vez na última semana que havia tido essa sensação e precisara ficar na cama até a cabeça clarear.
— Sim.
— Ah… — murmurei, recuando. Meu cérebro estava todo atrapalhado com a vertigem e a confusão pela ausência delas. — Desculpem. Não tenho estado muito bem nos últimos dias.
Miaka sorriu.
— A gente sabe. E estamos aqui do seu lado.
— Ou lá do seu lado — Elizabeth acrescentou, apontando graciosamente para a Água.
Um calafrio percorreu meu corpo. Como ele não passava, me enrolei em um cobertor e me retirei para o quarto, decepcionada comigo mesma. Será que eu estava ficando paranoica?
Respirei fundo, tentando lembrar da minha promessa. Eu ia ser uma irmã exemplar. Não adiantava nada acusar as outras. Precisava de um passatempo ou coisa assim. Eu tinha muito tempo livre, espaço demais para a minha mente voar.
Se eu queria cumprir a promessa e tentar viver sem Akinli, precisava pensar  em outras coisas.


Uns dias depois, fui obrigada a pensar em alguém que não Akinli. Todas tivemos que nos concentrar em Padma, quiséssemos ou não.
— Ela ainda não esqueceu. Quer que o pai sofra como ela — Miaka anunciou com uma expressão solene ao me encarar do outro lado da mesa.
Ao lado dela, lágrimas rolavam pelo rosto de Padma. Elizabeth estava sentada do outro lado da irmã mais nova, com a mão delicada sobre seu ombro.
Me sentia péssima. Sabia que ela estava triste, mas não imaginava que estava tão mal assim. Fazia mais de um ano. Já tivéramos um segundo – e ainda mais melancólico – Natal juntas e assistimos a bola cair em Nova York no Ano-Novo.
Padma desejara tristemente estar lá para ver. Já estavam passando comerciais do Dia dos Namorados e Padma não era mais uma sereia iniciante. Nada daquilo fazia sentido.
— Por quê? — perguntei. — Todas esquecemos nossa vida passada. Como ela ainda consegue lembrar de tanta coisa?
— Porque ainda está com raiva — Elizabeth supôs. Recordei do nosso tempo em Nova York, quando tinha pensado numa teoria semelhante. — Miaka perdoou a família, então não lembra de muitos detalhes, e você esqueceu quase tudo. Mas eu lembro de mais coisas que vocês, e Padma passou por bem mais coisas do que todas nós…
— Tenho lembranças suficientes. Meus pais também não gostavam de mim — Miaka reconheceu, encarando Padma. — A minha situação não era horrível como a sua, mas chegava perto.
Padma acenou com a cabeça.
— Talvez não tenham festejado a minha morte, mas duvido que tenham lamentado — Miaka continuou. — Está enganada se acha que essa ideia não assombrou meus pensamentos. Todas temos nossas mágoas — ela disse, apontando para cada uma de nós.
Assenti. Eu sentia uma culpa incalculável pela perda da minha família, como se pudesse voltar atrás de alguma forma. E havia ainda as dezenas de milhares de vidas que tinha tirado com o meu canto ao longo dos anos. Eu as carregava como um peso em volta do pescoço.
E sempre haveria Akinli, talvez por toda a eternidade.
— Mas você não pode querer vingança — Miaka disse a Padma, decidida.
Padma suspirou e secou as lágrimas.
— É uma sensação de injustiça. Ele me matou. Minha mãe deixou. Ninguém vai procurar por mim. Nenhum policial vai atrás deles. Não é justo!
Elizabeth balançou a cabeça.
— O quê? — disparei. — Você acha que ela devia ir em frente, não acha?
Elizabeth deu de ombros.
— Se ela tivesse feito isso por conta própria, sem nos dizer nada, já teria se vingado e nunca saberíamos.
— A Água saberia — respondi. — Se Padma tivesse pulado no mar e voltado à Índia, com certeza Ela leria seus pensamentos. A Água seria capaz de matar Padma por isso — expliquei, apoiando a mão no braço de Padma. — E morrer depois de tudo o que você sofreu? Seria a maior das nossas perdas.
— Ela conseguiria — Elizabeth resmungou.
Fechei os olhos, tentando conter a irritação.
— Sinto muito pelo seu sofrimento, Padma. Você não faz ideia do quanto a sua história me dói. Talvez seja egoísmo, mas não preciso de mais um motivo para odiar esta vida. Se perdêssemos você agora… — disse a ela.
Eu não queria nem pensar na possibilidade.
— O que você quer dizer com “mais um motivo”? — Padma perguntou. — O que mais aconteceu?
Miaka me lançou um olhar rápido. Tinha guardado em segredo o que acontecera comigo – meu amor, o acordo que fiz com a Água – à espera de que eu estivesse pronta para contar às outras.
Engoli em seco.
— É uma vida difícil — eu disse, tentando desconversar. — Ferir as pessoas, perder quem amamos…
Elizabeth se inclinou mais sobre a mesa.
— Quem você amou?
— Amo A… — Quase deixei escapar. Eu sentia tanta falta dele. Todos os dias me perguntava o que ele estaria fazendo. Se pensava em mim. Se estava com outra. Se tinha voltado à faculdade. Se estava feliz. — Amei Aisling. E Marilyn. No final, vamos acabar separadas. E eu amava a minha família — disse, sorrindo para mim mesma. — Eu era uma garota de sorte. Paparicada.
Elizabeth pareceu frustrada. Talvez estivesse esperando alguma revelação mais interessante, mas Miaka falou:
— Você nunca contou muito sobre a sua família. Sei que você tinha irmãos, mas só.
Juntei os retalhos de lembranças que ainda tinha.
— Eu era parecida com a minha mãe. Lembro um pouco do rosto dela porque o vejo no meu. E meu pai tinha orgulho de mim, acho que mais porque eu era bonita. Mas ele sempre dizia como eu era esperta e boa de conversa. E eu era obediente — disse, assentindo. — Eles gostavam disso.
— Uma característica que você nunca perdeu — Elizabeth comentou.
Esbocei um sorriso.
— Bom, quase nunca. Já cometi minha parcela de erros, como você astutamente notou.
— E por que não cometer? — ela questionou, apoiando a bochecha na mão e me encarando. — O que você ganhou com essa obediência?
— Uma segunda chance, Elizabeth.
Ela balançou a cabeça.
— Imagino que a obediência fez você perder sua única chance.
As palavras dela despertaram em mim uma sensação vagamente familiar… O que senti quando caí na Água durante o meu naufrágio. Meu corpo estava tenso, aguçado, real demais.
Miaka bateu no braço dela.
— Pare com isso. Caso você tenha esquecido, Kahlen tem mais cinquenta anos nas costas agora. Você sabe pelo que ela está passando.
Elizabeth fez uma cara de tédio como se aquilo não fosse nada.
— Desculpa.
— E se eu perguntasse à Água? — Padma propôs. — E se Ela autorizasse a minha vingança?
Elizabeth bateu palmas.
— Agora sim uma ideia excelente! Pergunte à Água. Aposto que agradeceria se levássemos os corpos deles para Ela.
Depois de um instante de reflexão, Miaka disse:
— É possível.
— Kahlen? Podemos ir? — Padma perguntou.
Quem era eu para dizer não?
— Podem perguntar, mas temos que concordar com uma coisa: o que a Água disser é definitivo. Seja lá o que Ela decidir, vamos aceitar e parar de insistir.
— Você parte do princípio de que Ela vai dizer que não — Elizabeth reclamou.
— Parto mesmo. Não sei por que ela diria que sim.
— Então você tem que concordar em vir junto se Ela disser que sim. Não podemos deixar Padma sozinha nisso.
Recuei, chocada.
— Isso é loucura. Me recuso a tirar qualquer vida se não for obrigada.
Elizabeth me fulminou com os olhos.
— Sempre pensei que estivéssemos juntas nesta vida. Era você quem pregava solidariedade e apoio. Agora vai deixar a mais frágil de nós se virar sozinha?
— Não vou deixar nada. A Água jamais vai concordar.
Elizabeth afastou a cadeira.
— É o que nós vamos ver.
Ela foi a primeira a sair da casa coberta de neve para ir até o mar, muito segura de si. Ela ficou ao lado da nossa irmã caçula quando Padma confessou seu drama à Água, jurou tomar cuidado e prometeu levar os corpos dos pais para o mar se a Água lhe permitisse a vingança.
— Não.
— Por favor! — Padma implorou. — Não percebe como isso é injusto?
— Percebo. Mas o segredo do nosso mundo vale muito mais do que a sua vingança. Um único passo em falso pode arruinar tudo. Você não pode ir.
Padma começou a chorar e saiu às pressas da Água. Elizabeth a seguiu, balançando a cabeça.
— Não deixe que cometa nenhuma idiotice.
— Não vou deixar — prometi, ciente de que a ordem era para mim.
Miaka segurou minha mão no caminho de volta. Ainda bem que morávamos num lugar isolado, porque os gemidos de Padma eram estridentes.
— Estou arrasada — Miaka comentou com os olhos cheios de lágrimas. — Houve tantos momentos em que quis mostrar aos meus pais que eu não era inútil, que era inteligente e criativa. Queria que soubessem do que eu era capaz. Assistir ao sofrimento de Padma é tão doloroso…
— A Água disse que Padma tem uma mente bondosa e que já se desapegou de muita coisa. Cedo ou tarde, não vai sobrar mais nada.
Miaka balançou a cabeça.
— O que deixa tudo mil vezes pior. Se Padma já se livrou de tantas lembranças, quantas devem ter existido para que ela ainda se sinta tão injustiçada?


Os dias passaram e as lágrimas de Padma continuaram. Tentei me dedicar a outras coisas, mas fracassei. O pincel de Miaka pendia sobre a tela sem que ela criasse nada. Elizabeth não conseguia se distrair.
Não foi o choro de Padma nem a raiva de Elizabeth que me convenceram.
Foi Miaka que, como sempre, encontrara uma verdade simples por trás de tudo.
Ela tinha razão: o passado de Padma devia ter sido horrível para que ela continuasse daquele jeito. Ela merecia se vingar.
Então fui eu que pesquisei passagens para a Índia e escolhi um voo direto de Miami. Podíamos sair do aeroporto mais perto da nossa casa no estado de Washington em vez de ter que cruzar o país de carro, mas achei que teríamos mais chance de não sermos notadas pela Água se viajássemos por terra até o lugar mais distante possível de onde Ela achava que estávamos. Fui eu que aluguei o carro. E fui eu que supliquei a Padma que se acalmasse para que pudéssemos chegar à Flórida sem que a Água soubesse.

14 comentários:

  1. Pressinto tretas...
    -Emy

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  2. Estou sentindo uma treta.. Vai dar merda gentii >.<

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  3. Aguma coisa de ruim vai acontecer o meu medo e que aconteça alguma coisa com as sereias

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  4. Acho q vai dar uma treta muito loca e no final a Água vai matar a Padma

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  5. Eu tô com medo delas e do senpai da Kahlen morrer,sinto cheiro de treta!!

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  6. Puta q pariu acho q vai da RUIM, mais eu ia fazer a mesma coisa kk

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  7. Gente a Kahlen ta cada vez mais parecendo uma humana...Primeiro ela sentiu aquela cocerinha na perna que depois ficou vermelho,ela disse que sente necessidade de descansar e disse que estava sentindo uma fome estranha...Ah e esse troço vai dar errado mesmo!!!

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  8. E ela sentiu tontura também...Ela não deveria ficar doente!!!Será que os anos dela vão acabar mais rápido por que a água cometeu algum erro nas contas sei lá...

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  9. O bixo vai pegar já li o livro espero que gostem

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