13 de março de 2016

Fanfic: Os Jogos de Johanna Mason


Sinopse:
Johanna Mason foi colhida, diante de uma eternidade de possibilidades, para os Jogos Vorazes, um evento anual culpado por matar centenas de crianças. Mesmo tendo habilidades notáveis com um machado simples, sabe que suas chances não serão maiores que as dos outros. Portanto opta por uma estratégia nunca vista na história de Panem: fazer-se de fraca e assustada, obliqua e dissimulada. Entre vinte e quatro participantes, Johanna consegue passar despercebida, sem atrair a atenção das pessoas erradas. Bom, somente até o gongo soar. 
Afinal, a morte é uma boca faminta.

“Eles pensavam que eu morreria logo, que sobreviveria por poucos minutos após ser jogada nesse maldito lugar. Ah, mas eles não podiam estar mais errados. Enganei todos. Sou boa nisso. Mentir com tanta naturalidade deve estar em meu sangue e, aparentemente, matar também.”

Categorias: ficção, aventura, distopia, Jogos Vorazes
Classificação: +16
Autor: Victor Tagliari
___________________________________________

Prólogo: Uma fagulha insignificante


IDIOTAS.
São todos burros, estúpidos e idiotas. Essa é a única coisa que consigo pensar enquanto assisto as criaturinhas insignificantes do Distrito 12 correrem das bestantes, fugindo para o pior lugar já imaginado ― a Cornucópia. Simplesmente previsível. Qualquer tolo com um pingo de cérebro sentiria o cheiro da armadilha a quilômetros de distância. Torço para que as bestantes saiam do controle dos Idealizadores dos Jogos e devorem os últimos tributos da septuagésima quarta edição. Seria notavelmente cômico se isso acontecesse. Até consigo imaginar os problemas que Seneca Crane teria ao se explicar aos pavões multicoloridos da Capital.
A garota do 12 está apontando uma de suas flechas para o carreirista quando desisto de perder meu tempo com os Jogos. É óbvio o que vai acontecer: os dois rapazes morrem; a menina da trança ganha. Apenas espero que ela não seja uma vitoriosa tão detestável quanto Chaff Cleanwater. A memória ainda é fresca de quando o conheci, logo no meu primeiro ano como mentora. Foram suas piadas grosseiras e risadas estrondosas que me fizeram perceber o quanto detesto os moradores do Distrito 11.
Vou para a mesa de doces, perto da sala, grata às pessoas que descobriram meu fraco por açúcar e desde então sempre deixam à mão essas deliciosas guloseimas. São o chocolate e o creme fantástico da Capital que me consolam nesses anos instruindo crianças burras demais para sobreviver. Odeio Blye Lockheart, minha ex-mentora, por obrigar-me a isso. “Foram dez longas edições aconselhando eles para depois vê-los morrerem. Agora é sua vez. Preciso de descanso”, foi exatamente o que ela disse na noite em que apareceu na minha luxuosa casa vazia na Aldeia dos Vitoriosos para dizer que, dali três dias, eu iria para o centro de Panem guiar os novos tributos.
Pego um bolinho minúsculo com licor de morango e enfio-o inteiro na boca. Falta muito pouco para o término dos Jogos, quando serei dispensada e poderei voltar para casa. Lanço um rápido olhar para a televisão. A garota quente não atirou. Ela ainda está pensando se mata o carreirista ou não. Porque se o fizer, seu parceiro de distrito também morrerá, caindo do topo da cornucópia para os dentes afiados das bestas. A decisão é tão simples. Mate-o, garota estúpida. Você estará fazendo um favor a si mesma. O que será que ela pensa que vai acontecer quando se tornar vitoriosa? Ainda mais com um rostinho tão bonito. O mesmo equivale para o garoto. Não importa se você ganha ou perde os Jogos Vorazes. No final do dia, você sempre se ferra.
Então o esperado acontece. A garota do Distrito 12 atira. Não nego sentir uma pontada de inveja, pois o tributo carreirista cai para as garras das bestantes e seu parceiro continua inteiro, são e salvo. O tiro de canhão anunciando a morte do idiota do 2 não surge, muito menos as trombetas da vitória. No lugar disso, vejo na tela uma cena grotesca dos animais ensandecidos tentando devorar o rapaz.
É depois de alguns minutos que concluo que a Capital não terá o seu vitorioso hoje. Algo me diz que os Idealizadores programaram uma morte lenta e dolorosa ao garoto. Volto ao sofá e cruzo as pernas, dez bolinhos com licor nas mãos. Mudo de canal e deixo na primeira estação que não diz respeito aos Jogos. É a propaganda de uma linha de maquiagem e cosméticos que se dizem milagrosos. “Basta apenas uma aplicação e você rejuvenescerá quinze anos!”, diz a voz animadamente ao fundo. Adormeço pouco depois da demonstração ao vivo do produto.

•••

O sol surge pelas janelas de vidro do sétimo andar do Centro dos Tributos quando acordo, espreguiçando-me. Olho para a televisão e vejo uma reportagem imperdível sobre os benefícios da máscara de gordura de tartaruga marinha para a pele. Dormi a noite inteira, os sons e delírios da Capital com seu vencedor não me despertaram. Os Jogos continuam.
Apenas por curiosidade, volto ao canal oficial do programa. A garotinha irritante do 12 fala para seu aliado permanecer acordado, soando quase histérica. Um corte na cena me leva até o canto escuro nas profundezas da cornucópia. A câmera com visão noturna transmite com perfeição o estado debilitado do carreirista, sangrando, quase morto, as bestantes se divertindo com os retalhos que viraram suas mãos. É então que a garota quente tem a ideia fantástica de finalmente agachar-se na borda do chifre dourado e acertar a última flecha na cabeça do alvo.
Assisto os próximos minutos com desdém. Os sobreviventes descem da estrutura de ouro assim que os animais se dispersam para longe. A garota em chamas ― Katniss, acho que é esse o seu nome ― leva o aliado para o lago. É então que a voz poderosa de Claudius Templesmith retumba nos autofalantes, anunciando a revogação da regra que diz que dois tributos do mesmo distrito não podem ser vitoriosos. Em um quadrado pequeno na parte inferior da televisão estão os comentaristas acenando em concordância, desculpando os telespectadores pelo mal-entendido.
É o olhar da arqueira que me prende. Consigo enxergar em sua expressão as engrenagens da sua mente maquinando até encontrar uma resposta. Assim que percebe que só um sairá vivo, mira a flecha no peito do parceiro. Não seja tola, penso. Atire. Eles conversam. Sem explicação, ela abaixa o arco. Pega umas pelotas pretas do bolso e coloca metade nas mãos do parceiro.
― No três? ― ela diz.
― No três ― o garoto louro concorda.
Mãos são estendidas para o céu e finalmente entendo o que está acontecendo. Amoras-cadeado. Lembro-me de ter ouvido algo a respeito disso pelos corredores do Centro de Treinamento, da boca de um vitorioso revoltado por seu tributo ter morrido assim, envenenado. Ou ela é a pessoa mais corajosa que já passou pelos Jogos ou a mais burra e estúpida. Acho que apostaria na segunda opção.
Aprumo-me no sofá, atenta ao que está prestes a acontecer. Panem inteira deve estar como eu, boquiaberta, incrédula. Talvez ― apenas talvez ― essa menina do Distrito 12 não seja tão detestável assim. Uma edição sem vencedores. Finalmente surgiu alguém mais esperto que os Jogos Vorazes. De repente uma fagulha quase que insignificante queima em meu peito.
Talvez, quem sabe, não estejamos assim tão ferrados como eu pensava.
___________________________________________

Deixe sua opinião nos comentários!

3 comentários:

  1. Muito bom! Parece mesmo a Johanna.
    Essa fanfic ja virou livro ou esta só aqui no blog?

    -Pamela

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma fanfic mesmo, está sendo postada no NyahFanfiction. O link está ali em Saiba mais, dá uma olhada :)

      Excluir
  2. Rapaz, parece até que foi a Suzanne que escreveu. Muito bom, parabéns! Primeira fic que leio até o final.

    #Sou anônimo mesmo e daí?

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!