27 de março de 2016

Fanfic: DesEncontro


Sinopse:
E se o amor de sua vida passasse por você pela rua e...
Seguisse sem te notar?
Drica é uma jovem de cidade pequena mas que tem grandes ambições. Após se formar na faculdade de jornalismo, ela deixa Halley e vai em busca de seus sonhos que acredita estarem lhe esperando entre arranha-céus e pessoas glamurosas. Ela precisa se equilibrar em seus saltos preferidos em meio ao caos que é seu emprego como secretária de uma revista aguentando um chefe cretino e explorador, dando atenção a seu namorado de longa data e sobrevivendo a uma semana sem seu carro. Porém, nada sai como planejado; afinal nunca se sabe quando o amor está cruzando a rua a seu lado.
Tiago tem um carreira bem sucedida e mais do que sempre desejou: um ótimo emprego, um carro magnífico e um apartamento luxuoso. Porém, sente que a total falta de responsabilidades com que tem levado sua vida pessoal, começa a entediá-lo. Óbvio que Tiago ainda não almeja filhos ou um relacionamento estável; uma planta deve resolver o problema. Mas nem tudo sai como o esperado, afinal nunca se sabe quando o amor está cruzando a rua a seu lado.

Categorias: romance, amizade, história original
Autora: Ivanka Cerqueira

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Capítulo um

Meus olhos seguiam o movimento dos ponteiros do relógio, como se minha vida inteira dependesse do momento em que o ponteiro maior tocasse o sete, enquanto meus dedos deslizavam pelas teclas do computador com um ruído estridente.
Eu não estava digitando nada e nem poderia, já que nem olhava para o teclado e não faço parte do seleto clube de pessoas bem-dotadas que conseguem digitar sem olhar, então estava teclando letras a esmo. O importante era aparentar que estava escrevendo algo importante que me manteria ocupada até os minutos finais do meu expediente.
Não me entenda mal, amo meu trabalho.
Correção: amo o trabalho que deveria fazer, não o trabalho em si.
Para que entendam bem o motivo pelo qual estou aqui fingindo estar ocupada vou fazer um breve resumo da minha vida. Isso mesmo, pegue uma cadeira e relaxe porquê de breve provavelmente não terá nada.
Era uma vez uma pequena garotinha em uma cidade lá onde o vento faz a curva, que sonhava com a vida de glamour de uma cidade grande: as roupas lindas, a vida noturna, os cafés abertos vinte e quatro horas! Sobretudo o maior anseio dessa pequenina era ser jornalista e em uma cidade onde a fofoca impressa não funciona muito, porque vai de porta em porta mesmo, não havia lugar para mim. 
Ah, doces sonhos. Então ela cresceu, fez faculdade em uma universidade mixuruca, adquiriu um título obscuro e se mudou para a finalmente tão sonhada terra da "Cidade Grande".
Desnecessário dizer que até o ar poluído era absurdamente mais caro e logo nossa não-mais-garota-de-cidade-minúscula estava procurando serviço. Desesperadamente.
Foi preciso vagar por empregos como garçonete, atendente em call center, bar tender, entregadora de panfletos e afins até que sua grande oportunidade chegasse.
Uma revista renomada a havia contratado como revisora: que soem os sinos, que role o tapete vermelho!!
Finalmente a vida a estava recompensando depois de obriga-la a dividir o apartamento com uma garota insuportável e insipida que tinha dois cachorros fedorentos e agressivos. Finalmente...!
É... não foi bem assim.
O cargo oferecido era de ajudante do revisor geral, então vou traduzir para quem não entendeu e ficou animadinho como eu: Secretaria que vai fazer todo o seu próprio serviço tedioso mais o do seu chefe ogro, enquanto ele leva o crédito em seu lugar e o dinheiro, porque ele recebe umas quatro vezes mais do que o seu minguado salário.
Tudo bem, pensei comigo, estava lá dentro o que era o mais importante. Poderia subir de cargo ou realmente ser útil a um chefe cândido e amoroso.
Doce e cruel engano.
Rodolfo é tudo menos amável: na verdade é o filho desgarrado do cão, só pode. Eu deveria ter desconfiado quando entrei e todos abanaram a cabeça e me deram tapinhas na mão em forma de consolo.
Mesmo após quatro anos, ainda não consegui me livrar dele e de sua bipolaridade. Por isso cá estou eu fingindo digitar furiosamente em uma tentativa de que ele não me peça, leia-se: ordena, que leve trabalho para casa.
Tenho uma festa super badalada para ir hoje, coisa que nunca faço por:
A) Falta de tempo.
Ou
B) Falta de dinheiro.
Sim, todas as opções estão corretas. É uma combinação mortal que quase sempre culmina comigo assistindo tv todo o final de semana, comendo pizza e engordando igual a uma porca nos lugares errados. Depois tenho que me matar na academia para entrar na minha calça preferida ou ver o olhar recriminatório que Franco vai lançar nos meus quadris.
-Drica! – Aperto meus olhos com força invocando a força de Goku de algum lugar dentro de mim. Antes que meus olhos se abram e conjure o Kame Hame Ha, Rodolfo abre a porta esbravejando. – Tem vinte minutos que estou te chamando na minha sala e você aqui fazendo tempo. Ainda não acabou seu expediente moçinha!
Uma pilha de manuscritos cai diante de mim e o gemido que saiu da minha alma foi automático.
- Quero isso pronto em dez minutos. – Filho de uma bendita mãe santa! – Como entendo que você é bem lenta, permitirei que o faça no final de semana. E tente chegar pontualmente na segunda-feira.
Aceno para o meu fim de semana, que vai ser feliz nos braços de outra pessoa, aquele traidorzinho de quinta.
Rodolfo sai dez minutos mais cedo como sempre, enquanto que eu precisarei ficar lá no escritório até que todos vão embora e o segurança, Eudes, chegue e me expulse. O que ele efetivamente faz, assim que me vê encolhida na cadeira com meu copo de café pela metade.
- Você ainda está aqui menina? Não deveria trabalhar tanto, sabia?
- Minhas contas discordam de você, infelizmente. – Pego minha bolsa, a chave do carro, os manuscritos e claro, meu sagrado e maravilhoso café. Não sei o que faria sem ele.
Cafés são os melhores amigos do homem, não cachorro. Se café fosse uma religião me converteria apesar de provavelmente levar uma surra da minha mãe. Mas que ele é milagroso, ah se é.
Aceno com a cabeça me despedindo de Eudes e vou embora. Quando Marcio, o outro guarda é quem está e Eudes tira folga, preciso apenas de algumas piscadelas e dar uma ajeitada no decote para que ele me deixe ficar por mais algumas horas. Ele é um porco; sempre com alguma piada suja, machista e sexista que atira a torto e a direito.
Carregar todos esses manuscritos é chato, fazem uma bagunça infernal pelo meu apartamento e é sempre vantajoso evitar as reclamações de Veronica quando possível. Mas por alguma razão, Eudes acredita que eu deveria estar lá fora; no mundo, vivendo alguma aventura alucinada enquanto ainda sou jovem, não trancada no escritório até altas horas. Não sei em que mundo de fadas ele vive mas no mundo real que não é.
Aperto o botão do elevador com o cotovelo porque tenho as mãos cheias e vou pensando na baita festa que estou a ponto de perder enquanto a musiquinha irritante soa em meus ouvidos. Acho que as pessoas que controlam os elevadores, porque deve ter alguém certo? Bem, quem quer que seja essa pessoa, ou tem o pior gosto musical do século ou é algum tipo de pervertido que sente prazer em torturar as pessoas. Já não basta o lugar para onde esses elevadores levam, ainda me põe uma música tão brega e ruim que faz meus ouvidos sangrarem enquanto estou presa em uma lata de sardinha tamanho adulto. Ou talvez eu só esteja frustrada.
Sim, é o mais provável.
Suspiro me desencostando do espelho e marcho para o meu carro que é, surpresa, surpresa, o único em toda a garagem.
E se eu te disser que já tinha escolhido a fantasia? Porque tinha.
Amanhã ia passar na casa de aluguéis e pegar, está paga e tudo. Dou a partida no carro bufando de raiva. Minha vontade é de pegar esses manuscritos idiotas, jogar tudo pela janela gritando descabelada e depois dirigir até o penhasco mais próximo, me jogando de lá. As melhores novelas são as que tem explosões de carros caindo no penhasco, no entanto como ainda nem terminei de pagar o meu, vou me ater ao impulso e dirigir –com as janelas fechadas para não ter o perigo de alguma folha acidentalmente deslizar de minhas mãos para fora- em segurança para casa.
Levanto uma prece silenciosa ao divisar meu prédio.
-Por favor, fada madrinha. Sei que esteve um pouco preguiçosa hoje e que já está tarde, mas, por favor, que a Veronica não esteja. Também sei que você não é lá muito criativa então te dou uma ajudinha: Bota fogo nela, ou sei lá, que ela seja raptada por algum mendigo saradão e vá viver feliz com ele nas montanhas do Niágara. Não tenho a menor ideia de onde fica, ou se tem montanhas lá, mas vou supor que é longe e selvagem o suficiente para algum animal palitar os dentes com ela. Ah, e pelo amor de todos os santos, leva aqueles pulguentos com ela. Nada de fazer serviço pela metade, já dizia minha avó.
Estaciono o carro e entro no prédio ainda dando ideias inovadoras e sofisticadas à minha fada madrinha. Cumprimento o porteiro que com certeza vai estar dormindo antes mesmo que eu, quando se supõe que ele deveria ficar acordado vigiando qualquer coisa a noite toda.
O fulmino com o olhar quando ele não meche um músculo para me ajudar a chamar o elevador ou quem sabe, se não é esperar de mais, ajudar a carregar o mundo de papel que levo nos braços? Claro que seria pedir demasiado, então novamente uso meus cotovelos para pressionar o botão, tudo com muita classe, obviamente.
Coloco as coisas no chão para destrancar a porta porque meus cotovelos não são assim tão prendados e descubro que a passagem para o Niágara deve estar mais cara do que supus porque Veronica não só estava em casa, bem como os cachorros fedorentos e sua sempre presente calça de yoga.
Pessoas naturebas são chatas.
Pessoas naturebas que fazem yoga são mais chatas ainda.
Se lembra da musiquinha sobre o elefante que incomoda muita gente? Então gente natureba incomoda muito, muito, incontavelmente mais.
Ela está no chão sobre um colchonete imitando os movimentos que uma loira de maiô rosa faz na televisão. Veronica é professora de yoga e seu maior medo é que os alunos descubram que na verdade ela não tem a menor noção do que está fazendo, só repassa o que aprende nas fitas que assiste toda noite. Estilo "estar uma lição à frente do aluno" sabe?
Como isso é o que paga as contas dela e por conseguinte as minhas também, nunca dedurei e nem o farei, se ela não torrar muito minhas paciências.
- Marcelão vem para cá essa noite. – Veronica se levanta espreguiçando-se e eu marcho para a cozinha com ela me seguindo e jogo tudo o que tenho nos braços em cima da mesa, sem a menor cerimônia. Ela torce o nariz para os manuscritos, mas não fala nada, provavelmente prevendo os tufos do cabelo loiro amarelado dela nas minhas mãos, se o fizer. – Não que você vá notar, viciada no trabalho como é. Só achei melhor avisar.
- Uhum, obrigada. – Abro a geladeira e retiro um pote de sorvete de lá. Sim, sorvete é melhor que assassinato, confabulo comigo mesma.
- Não quero dizer nada, porém acho que você não deveria comer isso daí. Seu corpo está começando a ficar flácido e vai acabar nunca sendo pedida em casamento se continuar assim. – Minha resposta é pegar uma colherada enorme e enfiar na boca o máximo que cabe. Não estou gorda e outra, se estiver qual o problema? Quem vai malhar isso depois? Euzinha aqui. A mesma que vai ficar trabalhando enquanto ela faz o que quer que pessoas fitness fazem entre quatro paredes com Marcelão e que juro, prefiro morrer na ignorância a descobrir.
Ela torce o nariz em desgosto mais uma vez antes de voltar para seu colchonete e sua professora de maiô brega e eu vou para o banheiro tomar um banho para depois, já que não tem remédio, trabalhar.
Tem dias que não se deve sair da cama e tem noite que por mais que você queira e deseje com todas as forças da sua alma entrar lá e só desmaiar até o mundo acabar ou Thor vir em meu resgate, tudo conspira contra e a cama parece ser o item mais longe do planeta.
A revista para a qual trabalho teve a estúpida ideia de resenhar manuscritos nos quais as editoras apostam. Ideia tosca, eu sei. Mas por alguma razão os leitores acham o máximo e se sentem como se estivessem um passo à frente de todo mundo por saber quais livros serão lançados antes que de fato o sejam. Quem deveria fazer isso? Meu chefe. Quem o faz?
A escrava Isaura mal remunerada que vos fala.
Entrei sobre a promessa de que seria estagiária por alguns meses e então meu lugar seria definido conforme onde me sentisse cômoda. Claro que isso nunca aconteceu e antes que piscasse era secretária de Rodolfo.
Consegui ficar mais três horas lendo e redigindo antes de chutar o balde e ir assistir qualquer coisa na televisão. Resisti a vontade de enviar uma mensagem a Marina, a única amizade que realmente durara desde que me mudei, para choramingar sobre a festa que perderia amanhã.
Então mandei uma mensagem para meu namorado, Franco, avisando que não iria e, portanto, ele também não. Pode ser que eu tenha sido mais sutil, mas no final a mensagem era essa.
Não demorou para que ele me respondesse, na verdade, ele nunca demorava a me responder cuidadoso como era, me perguntando porque não iríamos, já que eu estava tão animada sobre isso por quase dois meses.
Seguiu-se um texto cheio de palavrões e termos inapropriados para uma jovem futura noiva, entretanto, eu não estava nem aí e mandei assim mesmo.
Não, você não leu errado. Eu me referi a mim mesma como futura noiva. Exatamente essas palavras.
Franco e eu nos casaríamos. Era um fato quase consumado.
Todos sabiam disso, o que por vezes era irritante, inclusive ele e eu.
Nos dávamos tão bem juntos que nunca tivemos uma briga sequer em três anos de namoro. Não sei como se sente estar casada, porém temos uma rotina que deixaria qualquer casal de bodas de ouro no chinelo.
Mas... sempre tem que ter um mas, não é mesmo? A vida seria tão mais simples se fosse só um ponto final ali.
Como dizia: mas... não temos, nem tivemos nenhuma borboleta no estômago, ou fogos de artifício colorindo o céu em nenhum momento da nossa relação. Ok, pode ser que esteja assistindo muita sessão da tarde e muita novela mexicana entretanto nos dias em que estou pensativa não deixo de me perguntar se eu não estaria, quem sabe, perdendo alguma coisa?
Meu celular se ilumina com uma nova mensagem dele dizendo que amanhã vem me ajudar assim que sair da loja de carros onde trabalha para seus pais. Não, eu só estou frustrada mesmo e acabo descontando em todo mundo quando acontece.
Dou boa noite e vou dormir antes que eu comece a terceira guerra mundial. Não duvide, sério, não duvide.
No outro dia não resisto e ligo para Marina enquanto cozinho meu almoço, maldizendo os astros e a conspiração Iluminatti que existe contra minha humilde pessoa.
- Ah, é mesmo. Esqueci de te avisar ontem, prometo que estava por ligar para te contar que adiaram a festa para semana que vem. – Solto um gritinho de júbilo que também pode ser considerado como um agradecimento à minha fada madrinha pelas horas extras que precisou fazer ontem.
- Ainda bem. – Digo mais controlada. – Porque tenho a fantasia perfeita e odiaria, odiaria não usa-la depois do absurdo que paguei por ela.
- E do que você vai? Eu até agora não consegui encontrar nada que combine com uma grávida.
- Não vou contar. E não sei, acho que tem que ser alguma coisa bastante cômoda. – Marina estava no nono mês, só que como sua barriga não estava enorme e ela não se sentia desengonçada nem inchada, acreditava que podia ignorar que em gravidez, ainda que sem riscos, a mulher deve descansar e ficar em repouso. Ao menos é o que eu li.
- Talvez vá com a barriga de fora. Todo mundo adora ficar alisando barriga de grávida, nunca vi. Parece algum tipo de fetiche estranho.
- Já sei! Você pode ir fantasiada de fada. Nada pode ser mais adorável do que uma fada grávida. E podemos colocar flores no seu cabelo.
- Amei a ideia, Drica. E vou obrigar Dante a ir de Peter Pan ou de príncipe da floresta. Fados não existem, existem?
- Acho que vamos precisar procurar na internet porque não tenho a menor noção como se chamam fadas macho. Quer dizer eles têm de existir, caso contrário como as fadas se reproduziriam?
- Elas não nascem das flores? Ou é da brisa da floresta?
Após uma extensa busca na internet e de descobrirmos que na verdade fadas são seres que não tem sexo masculino ou feminino, são só fadas mesmo, me despeço ao ouvir meu micro-ondas apitando para avisar que meu macarrão está pronto.
Fica combinado antes de desligarmos que nos encontraremos na terça-feira para nosso almoço semanal.
Volto para meus malfadados manuscritos depois de comer e permaneço concentrada mesmo que os poodles de Veronica façam xixi no sofá e ignoro totalmente seu timbre desafinado quando ela canta e dança pela sala como se não houvesse ninguém tentando trabalhar.
Ela para um pouco para atender a porta ao ouvir a campainha tocar e quando ouço sua voz ficar ainda mais estridente em um tom de flerte convidando alguém para entrar, sei que meu namorado chegou.
- Ela está na cozinha.
Franco chega quando estou no último capítulo do livro de jardinagem da senhora Nelson. Nem sei como fazer erva daninha crescer e olha que elas crescem sozinhas, quem dirá todas essas técnicas sofisticadas de como criar um jardim de inverno, porém, não teria muitos problemas para resenhar. Era só usar as palavras certas para descrever o livro, não o conteúdo em si.
- Oi, amor. – Franco se inclina sobre mim e pousa um beijo suave sobre meus lábios. Ele está extremamente fofo com uma camisa meio amarrotada e os cabelos espetados para cima.
Me levanto e passo os braços em volta do pescoço dele; sou alta então nos encaixamos bem uma vez que somos praticamente do mesmo tamanho, ele me passa apenas alguns centímetros.
- Você tem que beijar sua namorada direito quando chegar, afinal ela passou todo o dia sentindo sua falta. – E entediada até a morte, mas não iria mencionar isso. Ele não espera por um segundo convite e apesar de me beijar com mais vontade, definitivamente não sinto nenhuma muriçoca, quem dirá borboletas voando no meu estômago.
- Quer sair para jantar? – Ele se afasta um pouco apoiando as mãos nos meus quadris e tira alguns fios do meu rosto prendendo-os atrás da minha orelha com ternura. - Ou comemos aqui?
- O que, que horas são? – Franco gira o relógio de seu pulso para mim e vejo que são quase oito horas da noite. Para onde foi minha tarde que não vi?
- Você tem que parar um pouco, carinho. Aposto que passou o dia inteiro sentada e nem se deu conta de como o tempo passou rápido. – Faço uma careta porque realmente essas eram as palavras que eu ia usar – Vou te fazer esquecer um pouquinho de todos esses livros chatos.
Deixei que ele me levasse para jantar e depois para o cinema, mas fiquei toda a noite pensando no meu emprego. Claro que eu gostava, quero dizer, amava ler e resenhar alguns livros, às vezes, podia ser realmente divertido. A questão era ver o reconhecimento por algo que eu fazia ir para o nome de outra pessoa. Porque apesar de não ser o pior emprego do mundo, não deixava de apresentar certa dificuldade e exigia dedicação. Tudo bem que não tinha absolutamente nada a ver com o que me formei, mas estava me tornando cada vez melhor em escrever artigos.
- Você esteve distante e suspirando toda a noite. Algo está mal. O que é? - O fato dele me conhecer tão bem chegava a ser enervante. Não que eu fosse algum tipo de pessoa complexa e misteriosa, contudo não me agradava parecer um livro escancarado à vista de qualquer um.
Mas ele não é qualquer um, Drica. Ele é seu namorado. – Me corrigi ao descer da moto quando ele estacionou em frente ao meu prédio, devolvendo-lhe o capacete.
- Estava apenas pensando em meu emprego. Nada de mais.
- Precisa parar de trabalhar tanto, Drica. Não faz bem a você e não faz bem a nós.
Um sininho apitou no meu cérebro me alertando que esse era o tipo de conversa na qual eu não estava muito interessada quando tinha pilhas de coisas para fazer.
- Eu sei, eu sei. Juro que vou dar um jeito em toda essa situação.
Só quando a moto dobrou a esquina foi que me lembrei que o filho da mãe não havia prometido e não tinha me ajudado em nada!
Ai, homens... 
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7 comentários:

  1. MAIS JA ACABO?
    CADE O RESTANTE????

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    1. O restante está no link após "Saiba mais"

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  2. eu amei, você tem ki postar DesVerdades Karina, porfavor!!!!

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  3. Eu também não achei...

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  4. Eu tb não encontrei.Quero tanto ler.

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  5. é possível passar o e-mail dela? estou interessada em entrar em contato com o autor, desde já agradesço.

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