28 de fevereiro de 2016

Capítulo 8

Manon Bico Negro, herdeira do clã de bruxas Bico Negro, portadora da lâmina Ceifadora do Vento, cavaleira da serpente alada Abraxos, e Líder Alada do rei de Adarlan, olhou para o homem corpulento sentado do outro ao lado da mesa de vidro negro e manteve o temperamento sob rédea curta.
Nas semanas em que Manon e metade da legião Dentes de Ferro foram encaminhadas para Morath, para a fortaleza na montanha do duque Perrington, ela não confiou nele. Nem qualquer uma de suas Treze. Era por esse motivo que as mãos de Asterin estavam a uma curta distância de suas lâminas gêmeas enquanto permanecia inclinada contra a parede de pedra escura, e por que Sorrel estava postada perto das portas, e por que Vesta e Lin montavam guarda do lado de fora delas.
O duque não percebeu ou não se importava. Ele demonstrou interesse em Manon apenas quando deu ordens sobre o treinamento de sua tropa. Fora isso, apareceu implacavelmente focado no exército de homens estranhos – que esperavam no acampamento ao pé da montanha. Ou nos que moravam sob as montanhas que cercavam – aqueles que gritavam e gemiam e rugiam dentro do labirinto de catacumbas escavadas no coração da antiga rocha. Manon nunca tinha perguntado o que era mantido ou feito dentro dessas montanhas, embora suas Sombras houvessem relatado sussurros e altares de pedra manchados de sangue e masmorras mais negras do que a própria escuridão. Se ele não interferisse na legião das Dentes de Ferro, Manon particularmente não se importava. Deixe esses homens brincarem de ser deuses.
Normalmente, porém, especialmente nestas reuniões miseráveis, a atenção do duque fixava-se na mulher bonita de cabelos negros que nunca saía de seu lado, como se presa a ele por uma corrente invisível.
Era para ela que Manon olhava agora, enquanto o duque apontava as áreas no mapa que ele queria batedoras Dentes de Ferro examinassem. Kaltain – era o nome dela.
Ela nunca falava nada, nunca olhava para ninguém. Um colar escuro apertava em torno de sua garganta branca, um colar que fazia Manon manter distância. Havia aquele cheiro errado em torno de todas aquelas pessoas. Humano, mas também não humano. E naquela mulher, o cheiro era mais forte e mais estranho. Como os lugares escuros e esquecidos do mundo. Como terra cultivada num cemitério.
— Na próxima semana, quero relatórios sobre o que os homens selvagens das Caninos estão fazendo — disse o duque. O bigode cor de ferrugem bem aparado parecia tão em desacordo com sua escura armadura brutal. Um homem que luta igualmente confortável em salas do conselho ou em campos de extermínio.
— Alguma coisa em particular para procurar? — Manon perguntou categoricamente, já entediada. Era uma honra ser Líder Alada, lembrou a si mesma; uma honra levar as anfitriãs Dentes de Ferro. Mesmo que estar ali a fizesse sentir que era uma punição, e mesmo que já tivesse recebido a ordem de sua avó, a líder do clã das bruxas Dentes de Ferro, sobre qual deveria ser o próximo passo. Eles eram aliados de Adarlan – não lacaios que respondiam ao sinal e chamado do rei.
O duque acariciou ociosamente o braço fino de Kaltain, sua carne branca marcada com contusões demais para serem acidentais.
E depois havia a cicatriz vermelha e grossa, um pouco antes da dobra de seu cotovelo, com duas polegadas de comprimento, ligeiramente saltada. Tinha que ser recente.
Mas a mulher não vacilou ao contato íntimo do duque, não mostrou um lampejo de dor quando os dedos grossos acariciaram a cicatriz violenta.
— Quero uma lista atualizada de seus assentamentos — falou o duque. — Seus números, os principais caminhos que eles usam para atravessar as montanhas. Permaneça invisível e não se envolva.
Manon podia tolerar tudo sobre estar presa em Morath, exceto esse último fim. Não se envolva. Não mate, não lute, nada de homens sangrando.
A câmara do conselho tinha apenas uma janela alta e estreita, seu campo de visão cortado por uma das muitas torres de pedra de Morath. Espaço aberto não era suficiente nesta sala, não com o duque e sua mulher quebrada ao lado dele. Manon ergueu o queixo e se levantou.
— Como quiser.
— Vossa Graça — disse o duque.
Manon fez uma pausa, meio virada para trás.
Os olhos escuros do duque não eram totalmente humanos.
— Você me tratará como “Vossa Graça”, Líder Alada.
Foi um esforço manter seus dentes de ferro na cavidade de suas gengivas.
— Você não é meu duque — ela devolveu. — Muito menos minha graça.
Asterin continuava imóvel.
O duque Perrington soltou uma risada. Kaltain não mostrou qualquer indicação de que tivesse ouvido algo.
— O demônio branco — o duque meditou, olhando para Manon com olhos que percorriam livres demais. Se ele fosse qualquer outra pessoa, ela teria arrancado seus olhos com seus dentes de ferro, e o teria deixado gritar um pouco antes de rasgar a garganta dele com os dentes. — Eu me pergunto se você não tomará o anfitrião para si e abocanhará meu império.
— Não tenho uso nenhum para as terras humanas.
Era verdade. Apenas os restos ocidentais, lar do outrora glorioso reino das bruxas. Mas até que lutassem na guerra do rei da Adarlan, até que os inimigos dele fossem derrotados, elas não seriam autorizadas a recuperá-lo. Além disso, a maldição das Crochan que lhes negara a verdadeira posse da terra manteve-se firme e elas não estavam mais perto de quebrá-la do que as anciãs estiveram anos atrás, quando a última Rainha Crochan as amaldiçoou com seu último suspiro.
— E, por isso, agradeço aos deuses todos os dias — ele acenou com a mão. — Dispensada.
Manon o olhou, mais uma vez debatendo os prós de mata-lo na mesa, só para ver como Kaltain reagiria a isso, mas Asterin trocou o pé poiado contra a pedra – era o mesmo que uma tosse para chamar sua atenção.
Então Manon deu as costas para o duque e sua noiva em silêncio e saiu.



Manon seguia pelos corredores estreitos da fortaleza de Morath, Asterin flanqueando-a, Sorrel um passo atrás, Vesta e Lin fechando a retaguarda.
Através de cada janela que elas passavam, rugidos e asas e gritos explodiam em conjunto com os raios finais do pôr do sol – e, além deles, o impressionantemente implacável ruído de martelos sobre aço e ferro.
Passaram por um grupo de guardas do lado de fora da entrada para a torre privada do duque e dos poucos lugares onde elas não eram autorizadas a entrar. O cheiro que vazava de trás da porta de pedra escura brilhante fincava garras na espinha de Manon, e ela e sua segunda e terceira imediatas mantiveram uma distância prudente. Foi Asterin quem expôs os dentes nus para os guardas postados na frente da porta, seu cabelo dourado e a tira de couro áspera que ela usava em torno de sua testa brilhando à luz das tochas.
Os homens não ousaram piscar, e suas respirações não travaram. Ela sabia que o treinamento deles não tinha nada a ver com isso, eles tinham um cheiro desagradável, também.
Manon olhou por cima do ombro para Vesta, que sorria para cada guarda e servo trêmulo pelo qual passavam. Seu cabelo vermelho, a pele cremosa e olhos pretos e dourados eram suficientes para fazer a maioria dos homens em seu caminho ficarem distraídos enquanto ela os usava para o prazer e depois os deixava sangrar por diversão. Mas esses guardas não renderam nenhuma reação a ela, também.
Vesta notou a atenção de Manon e ergueu as sobrancelhas ruivas.
— Chame as outras — Manon ordenou a ela. — É hora de caçar.
Vesta assentiu e virou por um corredor escuro. Ela moveu o queixo para Lin, que lançou a Manon um sorriso perverso e desapareceu nas sombras nos calcanhares de Vesta. Manon e sua segunda e terceira ficaram em silêncio enquanto subiam a torre arruinada – metade dela abrigando a área privada das Treze. Durante o dia, suas serpentes aladas empoleiravam-se nas traves enormes que sobressaíam nas laterais da torre para obter algum ar fresco e ver o campo de guerra muito, muito abaixo; durante a noite, arrastavam-se na área para dormir, acorrentadas em suas áreas designadas.
Era muito mais fácil do que prendê-las nas celas fétidas no ventre da montanha com o resto das serpentes aladas do anfitrião, onde elas só atacariam umas às outras e sairiam com ferimentos e asas rasgadas.
Elas haviam tentado alojá-las – apenas uma vez, no momento da chegada. Abraxos enlouquecera e destruíra metade e sua cela, despertando as outras montarias até que elas, também, resistiam, rugiam e ameaçavam destruir tudo em torno deles. Uma hora mais tarde, Manon reivindicara a torre para as Treze. Parecia que o cheiro estranho irritava Abraxos também.
Mas no ninho da águia, o fedor dos animais era familiar e acolhedor. Sangue, bosta, feno e couro. Dificilmente um sopro daquele fedor, talvez porque eles estivessem tão alto que o vento o soprasse para longe.
O piso revestido de palha era triturado sob suas botas, uma brisa fresca descia de onde metade do telhado fora arrancado graças à montaria de Sorrel. Para deixar as serpentes aladas se sentirem menos enjauladas – e assim Abraxos podia ver as estrelas, como ele gostava de fazer.
Manon correu um olhar sobre os comedouros no centro da câmara. Nenhuma das montarias tocou a carne e grãos fornecidos pelos homens mortais que mantinham a torre abastecida. Um desses homens foi deixar feno fresco, e um reluzir dos dentes de ferro de Manon e ele estava correndo escada abaixo, o cheiro de seu medo persistente no ar como uma mancha de óleo.
— Quatro semanas — disse Asterin, olhando para a serpente alada azul-clara, visível em sua trave por um dos muitos arcos abertos. — Quatro semanas, e nenhuma ação. O que estamos fazendo aqui? Quando é que vamos agir?
Na verdade, as restrições estavam afetando a todos eles. Os voos limitados às noites para manterem-se sem ser detectados, o fedor daqueles homens, a pedra, as forjas, as passagens sinuosas e infinitas da fortaleza – eram todas pequenas coisas que esgotavam a paciência de Manon a cada dia. Mesmo a pequena cordilheira em que a Fortaleza estava aninhada era densa, feita apenas de rocha nua, com poucos sinais da primavera que agora cobrira a maior parte da terra. Um lugar morto e apodrecido.
— Nós nos movemos quando nos é ordenado — disse Manon para Asterin, olhando na direção do sol poente. Logo – logo mais – o sol desapareceria atrás daqueles irregulares picos negros e elas poderiam tomar o céu. Seu estômago agitou-se em antecipação. — E se estiver questionando ordens, Asterin, ficarei feliz em substituí-la.
— Eu não estou questionando — disse Asterin, sustentando o olhar de Manon por mais tempo do que a maioria das bruxas ousava. — Mas é um desperdício de nossas habilidades ficar sentadas aqui como galinhas em uma gaiola, sob o comando do duque. Eu gostaria de abrir a barriga daquele verme.
— Eu a aconselho, Asterin, a resistir ao impulso — Sorrel murmurou.
A morena e terceira na hierarquia de Manon, forte como um aríete, manteve sua atenção exclusivamente nos movimentos rápidos e letais de sua segunda em comando. A rocha na chama de Asterin, desde que elas se tornaram imediatas.
— O rei de Adarlan não pode tirar nossas montarias de nós. Não agora — falou Asterin. — Talvez devêssemos ir mais fundo nas montanhas e acampar lá, onde, pelo menos, o ar está limpo. Não há porque ficarmos escondidas aqui.
Sorrel soltou um grunhido de advertência, mas Manon moveu o queixo, uma ordem silenciosa para impedi-la enquanto ela mesma se aproximava de sua segunda imediata.
— A última coisa que preciso — Manon vociferou no rosto de Asterin — é ter o porco questionamento mortal da minha aptidão das Treze. Mantenha-se na linha. E se eu ouvi-la dizer a suas batedoras qualquer...
— Acha que eu falaria mal de você para as inferiores? — um reluzir dos dentes de ferro.
— Acho que você e todas nós estamos cansadas de ficar confinadas nestes buracos ridículos, e você tem a tendência a dizer o que pensa e considerar as consequências mais tarde.
Asterin sempre tinha sido assim e foi exatamente por isso que Manon a escolhera como sua imediata. A chama na rocha de Sorrel... E no gelo de Manon.
O resto das Treze começou a aparecer quando o sol desapareceu. Elas ergueram os olhos para Manon e Asterin e sabiamente se mantiveram distantes, desviando a atenção. A própria Vesta murmurou uma oração à Deusa de Três Rostos.
— Eu apenas quero que as Treze, que todas as Bico Negro, conquistem a glória no campo de batalha — disse Asterin, recusando-se a desviar o olhar de Manon.
— Nós conquistaremos — Manon prometeu alto o suficiente para as outras ouvirem. — Mas até então, mantenha-se em na linha, ou vou deixá-la presa ao chão até que você seja digna de voar conosco novamente.
Asterin baixou os olhos.
— Sua vontade é minha, Líder Alada.
Vindo de qualquer outra pessoa, até mesmo Sorrel, o título de honra teria sido normal, esperado. Porque nenhuma delas jamais se atrevera a usar aquele tom com ela.
Manon atacou, tão rápido que até mesmo Asterin não pôde recuar. A mão de Manon fechou-se em torno da garganta de sua prima, suas unhas de ferro enterrando-se na pele macia sob suas orelhas.
— Dê um passo para fora da linha, Asterin, e isto — Manon cravou as unhas mais fundo quando o sangue azul começou a deslizar no pescoço dourado de Asterin — encontrará o seu alvo.
Manon não se importava que elas tivessem lutado do mesmo lado um século após o outro, que Asterin fosse sua parente mais próxima, ou que Asterin tivesse avançado para defender a posição de Manon como herdeira várias vezes. Ela dispensaria Asterin no momento em que ela se tornasse um incômodo inútil. Manon deixou Asterin ver tudo isso em seus olhos.
O olhar de Asterin foi para o manto vermelho-sangue que Manon usava – o manto que avó de Manon entregara para ela após Manon ter cortado a garganta da Crochan, a bruxa sangrou no chão da Ômega. O rosto lindo e selvagem de Asterin estava frio quando ela respondeu:
— Entendido.
Manon balançou sua garganta, expulsando o sangue de Asterin das unhas quando se virou para as Treze, agora de pé esperando por suas montarias,  redor e silenciosas.
— Vamos montar. Agora.



Abraxos se moveu e balançou embaixo de Manon enquanto ela subia na sela, bem consciente de que um passo em falso na trave de madeira em que ele estava empoleirado levaria a uma queda muito longa, muito permanente.
Abaixo e ao sul, incontáveis fogueiras do exército piscaram, e a fumaça das forjas entre eles subia alto em nuvens que estragavam o céu estrelado iluminado pela lua. Abraxos rosnou.
— Eu sei, eu sei, estou com fome, também — disse Manon, piscando para colocar a pálpebra extra no lugar enquanto conferia os arreios que a mantinham firme na sela. À sua esquerda e direita, Asterin e Sorrel montavam suas serpentes aladas e viraram-se para ela. As feridas de sua prima já haviam coagulado.
Manon olhou para o mergulho implacável que as esperava na lateral da torre, passando pelas pedras irregulares da montanha, e para o ar livre além. Talvez fosse por isso que os tolos mortais tivesse insistido para que cada serpente alada e cavaleira fizessem a Travessia para a Ômega – para que elas pudessem vir a Morath e não se recusar a simplesmente saltarem, mesmo a partir dos níveis mais baixos da Fortaleza.
Um vento frio roçou seu rosto, obstruindo seu olfato. Uma súplica, um grito rouco partiu de dentro de uma daquelas montanhas ocas – então ficou em silêncio. Hora de ir – para encher suas barrigas, em seguida, para ficar longe da podridão daquele lugar por algumas horas.
Manon cravou as pernas na lateral cicatrizada do couro de Abraxos, e suas asas reforçadas com seda de aranha brilharam como ouro à luz das fogueiras muito abaixo.
— Voe, Abraxos — ela sussurrou.
Abraxos sugou um grande fôlego, fechou asas e mergulhou pela lateral da trave.
Ele gostava de fazer isso, apenas cair como se tivesse sido fulminado. Sua serpente alada, ao que parecia, tinha senso de humor.
Da primeira vez que ele fizera isso, ela gritara com ele. Agora ele o fez apenas para se mostrar, enquanto as serpentes aladas das outras Treze tiveram que saltar para cima e para longe, para em seguida mergulhar, seus corpos grandes demais para navegar com agilidade na queda estreita.
Manon manteve os olhos abertos enquanto eles caíam, o vento acertando-lhes, Abraxos uma massa quente abaixo dela. Ela gostava de ver cada rosto mortal, atordoado e aterrorizado, gostava de ver o quão perto Abraxos chegava das pedras da torre, da irregular montanha de rocha negra diante deles...
Abraxos estendeu suas asas e se inclinou com força, girando o mundo e, em seguida, atirando para trás. Ele soltou um grito perfurante que reverberou sobre cada pedra de Morath, ecoado pelos gritos das montarias das Treze. Nas escadas exteriores de uma torre, um servo transportando um cesto de maçãs gritou e deixou cair seu fardo. As maçãs caíram uma por uma pelos degraus sinuosos ao redor da torre, uma cascata de vermelho e verde até acertar as forjas.
Então Abraxos foi para cima e para longe sobre o exército escuro, sobre os picos afiados, as Treze entrando suavemente em formação atrás dele.
Era uma estranha espécie de emoção voar assim, com apenas seu clã – a unidade capaz de saquear cidades inteiras para si mesmas. Abraxos voou forte e rapidamente, ele e Manon explorando a terra enquanto ficavam livres das montanhas e cruzavam a terra plana antes de o rio Acanthus.
A maioria dos humanos tinha fugido desta região, ou foram massacrados pela guerra ou por esporte. Mas ainda havia alguns, se você soubesse para onde procurar.
Eles voaram e voaram, uma lua crescente prateada aumentando cada vez mais: a foice de Crone. Uma boa noite para a caça, se o rosto cruel da Deusa agora as vigiasse, mesmo que a escura lua nova – a sombra de Crone – fosse sempre preferível.
Pelo menos a foice emitia luz suficiente para Manon ver enquanto explorava a terra. Água – mortais gostavam de viver perto da água, de modo que ela se dirigiu para um lago que vislumbrara semanas atrás, mas ainda não tinha explorado.
Rápidas e elegantes como sombras, as Treze dispararam sobre a terra oculta da noite.
Por fim, o luar brilhava vagamente sobre um pequeno corpo de água, e Abraxos deslizou para ele, descendo cada vez mais até Manon podia ver seu reflexo na superfície plana, ver a capa vermelha tremulando atrás dela como um rastro de sangue.
Atrás, Asterin gritou, e Manon virou-se para ver a segunda em comando arremessar seus braços para fora e inclinar-se para trás na sela até que ela estava deitada de costas de sua montaria, seu cabelo dourado flutuando para trás.
Tão extasiante e selvagem como sempre, uma alegria indomável e feroz quando Asterin voava.
Manon, ocasionalmente, se perguntava se sua imediata escapava durante a noite para voar sem nada, apenas sua pele, abrindo mão até mesmo da sela.
Manon olhou para frente, franzindo a testa. Graças à escuridão que a Mãe Bico Negro não estivesse ali para ver isso, ou mais do que Asterin estaria ameaçada. O próprio pescoço de Manon, também, por permitir que tais selvagerias florescerem. E não estar inteiramente disposta a impedi-la. Manon avistou uma pequena casa com um campo cercado. Uma luz cintilava na janela – perfeito. Além da casa, tufos brancos brilhavam como a neve. Igualmente melhor.
Manon dirigiu Abraxos em direção à fazenda, em direção à família – que se fosse inteligente – ouviria as asas se aproximando e correria para se esconder.
Nada de crianças. Era uma regra tácita entre as Treze, mesmo que alguns dos outros clãs não tivessem escrúpulos sobre isso, especialmente as Pernas Amarelas. Mas homens e mulheres eram um jogo justo, se houve diversão.
E depois de seus encontros anteriores com o duque, como Asterin, Manon estava realmente pronta para uma diversão.

12 comentários:

  1. Eu ainda acho que essa bruxa vai se juntar com a Aelin.

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    1. Eu tbm cara, to torcendo pra isso acontecer!!!!!!!!

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    2. pohh Luliyoko sou mulher CARA..

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    3. Acho que a briga vai bem muito boa!

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    4. Isso seria incrível, principalmente se tiver a magia livre!

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    5. também aposto!

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  2. Eu estava torcendo para não ter capítulos sobre as bruxas nesse livro, acho extremamente chato e entediante.

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    1. Também... Estou achando Manon um pouco melhor, mas ela ainda é entediante comparada com o resto da história.

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  3. Ódio do perrington... desde o primeiro livro, quando ele atirou Celaena no chão que eu torço para que alguém rasgue a garganta dele... Ainda assim, tenho uma afeição por Manon, ela parece ter escrúpulos e ser um personagem interessante...

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  4. Voltou a chata da bruxa 😒😒😒

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  5. Nossa tadinha da kaltain! O duque acabou conseguindo se casar com ela ...

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  6. MDS, amo a Manon... Ela com certeza vai ser uma peça chave pra queda do Rei... Espero que ao lado da Aelin!!!!

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