29 de fevereiro de 2016

Capítulo 86

— Esta é a última de suas roupas — disse Lysandra, fechando o baú que um dos funcionários acabara de deixar ali. — Pensei que eu tivesse problema com compras. Você nunca joga nada fora?
Empoleirada sobre a poltrona de veludo no centro do enorme closet, Aelin mostrou a língua.
— Obrigada por ficar, por tudo — ela falou.
Não fazia sentido desembalar as roupas que Lysandra trouxera de seu antigo apartamento, assim como não fazia sentido voltar lá. Não ajudou que Aelin não conseguisse deixar Dorian sozinho. Mesmo que finalmente tenha conseguido tirá-lo do quarto e caminhar com ele ao redor do castelo.
Parecia um morto-vivo, especialmente com a linha branca em torno de sua garganta dourada. Ela supôs que ele reparassem sempre nisso.
Ela esperava por ele do lado de fora do quarto de Chaol. Quando ouviu falar que Chaol finalmente acordara, convocou Nesryn assim que dominou as lágrimas de alívio que tinham ameaçado a dominá-la.
Depois de Dorian voltou, quando olhou para ela e seu sorriso era forçado, ela levou o rei de volta para seu quarto e se sentou com ele por um bom tempo.
Culpa – este seria um fardo tão pesado para Dorian quanto sua dor.
Lysandra colocou as mãos nos quadris.
— Alguma outra tarefa para mim antes de eu buscar Evangeline amanhã?
Aelin devia a Lyssandra mais do que ela poderia começar a expressar, mas...
Ela puxou uma caixinha do bolso.
— Há mais uma tarefa — disse Aelin, estendendo a caixa para Lysandra. — Você provavelmente vai me odiar por isso mais tarde. Mas pode começar por dizer sim.
— Está me pedindo em casamento? Que inesperado — Lysandra pegou a caixa, mas não abriu.
Aelin acenou com a mão, o coração batendo forte.
— Apenas... abra.
Com uma careta cautelosa, Lysandra abriu a tampa e inclinou a cabeça para o anel ali dentro em um movimento puramente felino.
— Você está me pedindo em casamento, Aelin Galathynius?
Aelin sustentou o olhar de sua amiga.
— Há um território no norte, um pequeno pedaço de terra fértil que costumava pertencer à família Allsbrook. Aedion o tomou para si, para me informar que os Allsbrook não tem uso para ele, por isso está parado por um tempo — Aelin deu de ombros. — Ele poderia ser utilizado uma senhora.
O sangue sumiu do rosto de Lysandra.
— O quê?
— É um lugar atormentado por leopardos fantasmas, daí o selo no anel. Mas acho que se houvesse alguém capaz de lidar com eles, seria você.
As mãos de Lysandra tremeram.
— E... e  chave acima do leopardo fantasma?
— É para lembrá-la de quem agora detêm a sua liberdade. Você.
Lysandra cobriu a boca, olhando para o anel, então para Aelin.
— Você está fora de si?
— A maioria das pessoas provavelmente pensaria assim. Mas, como terra foi oficialmente libertada pelos Allsbrook anos atrás, tecnicamente posso nomeá-la senhora delas. Com Evangeline como sua herdeira, caso deseje.
Sua amiga não tinha manifestado quaisquer planos para ela ou sua protegida além de buscá-la, não pediu para vir com eles, para começar de novo em uma nova terra, um novo reino. Aelin esperava que isso significasse que ela quisesse ir para Terrasen, mas...
Lysandra afundou no chão acarpetado, olhando para a caixa, para o anel.
— Eu sei que será uma grande quantidade de trabalho...
— Eu não mereço isso. Ninguém nunca vai querer me servir. Seu povo vai se ressentir por me nomear.
Aelin deslizou para o chão, de joelhos ao lado de sua amiga, e pegou a caixa das mãos trêmulas da metamorfa. Tirou o anel de ouro que encomendara semanas atrás. Ele só tinha ficado pronto esta manhã, quando Aelin e Rowan saíram para buscá-lo, juntamente com a verdadeira chave de Wyrd.
— Não há ninguém que mereça mais — respondeu Aelin, pegando a mão da amiga e colocando o anel no dedo dela. — Não há mais ninguém que eu gostaria guardando as minhas costas. Se o meu povo não pode ver o valor de uma mulher que se vendeu para a escravidão por causa de uma criança, que defendeu minha corte sem pensar na sua própria vida, então eles não são meu povo. E podem queimar no inferno.
Lysandra traçou um dedo sobre o brasão de armas que Aelin tinha projetado.
— Como o território se chama?
— Eu não tenho ideia — respondeu Aelin. — Lysandria soa bem. O mesmo acontece com Lysandrius, ou talvez Lysandraland.
Lysandra olhou boquiaberta.
 Você está fora de si.
— Vai aceitar?
— Não sei qualquer coisa sobre governar um território... Sobre ser uma dama.
— Bem, eu não sei qualquer coisa sobre governar um reino. Vamos aprender juntas — ela lançou o sorriso conspirador. — Portanto...
Lysandra olhou para o anel, em seguida, levantou os olhos para o rosto de Aelin – e atirou os braços em volta dela, apertando. Ela tomou isso como um sim.
Aelin fez uma careta pelo pulsar surdo de dor, mas segurou.
— Bem-vinda à corte, lady.



Aelin honestamente não queria mais nada além de subir na cama naquela noite, esperando Rowan ao lado dela. Mas, quando eles terminaram o jantar – sua primeira refeição juntos como uma corte – ela ouviu uma batida na porta.
Aedion estava respondendo antes que Aelin pudesse pousar o garfo.
Ele voltou com Dorian no reboque, o rei olhando para todos eles.
— Eu queria ver se vocês tinham jantado...
Aelin apontou com o garfo para a cadeira vazia ao lado de Lysandra.
— Junte-se a nós.
— Eu não quero impor minha presença.
— Sente sua bunda logo — disse ao novo rei de Adarlan.
Naquela manhã, ele assinara um decreto libertando todos os reinos conquistados por Adarlan. Ela o tinha visto fazer isso, Aedion segurara a mão dela com força o tempo todo, e ela desejou que Nehemia estivesse lá para isso.
Dorian moveu-se para a mesa, diversão acendendo-se naqueles olhos de safira assombrados. Ela apresentou-o novamente para Rowan, que inclinou a cabeça mais profundamente do que Aelin esperava. Em seguida, ela apresentou Lysandra, explicando quem era e o que ela havia se tornado para Aelin, a sua corte.
Aedion assistiu, seu rosto apertado, os lábios numa linha fina. Seus olhos se encontraram.
Dez anos mais tarde, estavam todos sentados juntos numa mesa outra vez – não mais crianças, mas governantes de seus próprios territórios. Dez anos mais tarde, e lá estavam eles, amigos apesar das forças que os tinham quebrado e os destruído.
Aelin olhou para o centro de esperança brilhando na sala de jantar e ergueu o copo.
— Por um novo mundo — a rainha de Terrasen falou.
O rei de Adarlan levantou o copo, aquelas sombras intermináveis dançando em seus olhos, mas... ali. Um lampejo de vida.
— Pela liberdade.

6 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira2 de março de 2016 23:51

    Reis e Rainhas de uma nova ordem, um novom mundo, uma nova vida.

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  2. nossa ja ta assim imagina oq vem nos outros livros!

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  3. Eu fico pensando, esse livro parece ser o fim sabe, tipo, Felizes para sempre. Mais ainda tem 2 Livros pela frente, o que será que me agrada?

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    1. ainda tem o duque q tá com aquele bicho dentro dele, ela ainda tem q voltar pra terrassen e blabla e muito mais outras coisas. n podia acabar assim, ia ficar um furo enorme na história. mas eu acho q esse furo podia ser preenchido com só mais um livro, n sei pq a autora vai escrever dois, mas n to reclamando, quanto mais melhor.

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  4. se eu já morri chorando com o quarto livro imagina com os outros dois!

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