29 de fevereiro de 2016

Capítulo 81

O tio de Elide enviou duas servas de pedras para baixo para esfregá-la, ambas carregando baldes de água.
Ela tentou lutar quando a despiram, mas as mulheres eram paredes de ferro. Qualquer tipo de sangue nas veias de Bico Negro de Elide, ela percebeu, devia ser do tipo diluído. Quando estava nua diante delas, despejaram água sobre seu corpo e a atacaram com suas escovas e sabonetes, nem mesmo hesitando em lavarem todos os lugares, mesmo quando ela gritou para pararem.
A oferta de sacrifício; um cordeiro ao matadouro.
Tremendo, fraca pelo esforço de lutar contra elas, Elide quase não tinha forças para retaliar enquanto elas arrastavam pentes pelos seus cabelos, puxando com força suficiente para seus olhos lacrimejarem. Elas a deixaram livre, e a vestiram com um roupão verde liso. Sem nada por baixo.
Elide implorou a elas, mais e mais. Elas poderiam muito bem ser surdas.
Quando saíram, tentou se espremer na porta da cela depois delas. Os guardas a empurraram de volta com uma risada.
Elide recuou até que estava pressionada contra a parede de sua cela.
Cada minuto estava mais perto de seu último.
Uma resistência. Ela faria uma resistência. Ela era uma Bico Negro, e sua mãe fora secretamente uma, e ambas cairiam lutando. Iria forçá-los a estripá-la, matá-la antes que pudessem tocá-la, antes que pudessem implantar a pedra dentro dela, antes que ela pudesse dar à luz àqueles monstros...
A porta se abriu. Quatro guardas apareceram.
— O príncipe está esperando nas catacumbas.
Elide caiu de joelhos, grilhões tilintando.
— Por favor, por favor...
— Agora.
Dois deles entraram na cela, e ela não pôde lutar contra as mãos que a agarraram debaixo dos braços e a arrastaram na direção da porta. Seus pés descalços esfolaram nas pedras enquanto ela chutava e golpeava, apesar da corrente, tentando se libertar.
Cada vez mais perto, eles a puxavam como a um cavalo na direção da porta da cela aberta.
Os dois guardas esperando riram, os olhos sobre a aba do roupão que caiu quando ela chutou, revelando suas coxas, a barriga, tudo para eles. Elide soluçou, mesmo sabendo que lágrimas lhe fariam nenhum bem. Eles apenas riram, devorando-a com os olhos...
Até que uma mão com unhas brilhantes de ferro surgiu através da garganta de um deles, perfurando-o completamente. Os guardas congelaram, o outro que ladeava a porta caindo com o sangue espirrando... Ele gritou quando seus olhos foram cortados em tiras por um lado, a garganta retalhada por outro.
Ambos os guardas desabaram no chão, revelando Manon Bico Negro de pé atrás deles. O sangue escorria por suas mãos e antebraços.
E os olhos dourados de Manon brilhavam como brasas viva quando ela encarou os dois guardas que seguravam Elide. Quando viu o oupão descartado.
Eles soltaram Elide para pegar suas armas, e ela caiu no chão.
Manon apenas disse:
— Você já são homens mortos.
E então ela se moveu.
Elide não sabia se era magia, mas ela nunca tinha visto alguém em sua vida se mover como se fosse um vento fantasma.
Manon agarrou o pescoço do primeiro guarda com um aperto brutal. Quando o segundo se lançou para ela, Elide lutou para sair do caminho, Manon apenas riu – riu e girou para longe, movendo-se para trás dele para mergulhar a mão em suas costas, em seu corpo.
O grito dele explodiu através da cela. Carne rasgou, revelando uma coluna branca de ossos – a coluna vertebral dele, que ela agarrou, suas unhas rasgando profundamente, e partiu em duas.
Elide tremeu – pelo homem que caído no chão, sangrando e quebrado, e para a bruxa que estava sobre ele, sangrando e ofegante. A bruxa que viera por ela.
— Precisamos correr — falou Manon.



Manon sabia que resgatar Elide seria uma declaração – e sabia que havia outras que gostariam de fazê-lo com ela.
Mas o caos havia irrompido na Fortaleza quando ela correu para convocar as Treze. Notícias haviam chegado.
O rei de Adarlan estava morto. Destruído por Aelin Galathynius.
Ela destruíra seu castelo de vidro, usou seu fogo para poupar a cidade de uma onda mortal de vidro, e declarou Dorian Havilliard rei de Adarlan.
A Assassina de Bruxa fizera isso.
As pessoas estavam em pânico; mesmo as bruxas olhavam para ela em busca de respostas. O que eles fariam agora que o rei mortal estava morto? Aonde é que pertenciam? Estavam livres de seu acordo?
Mais tarde – Manon pensaria nessas coisas mais tarde. Agora ela tinha que agir.
Então encontrara as suas Treze e ordenou-lhes que deixassem as serpentes aladas seladas e prontas.
Três masmorras.
DepressaBico Negro, sussurrou uma voz feminina estranha e suave em sua cabeça, que era ao mesmo tempo antiga e jovem e sábia. Você corre contra a desgraça.
Manon chegara ao calabouço mais próximo, Asterin, Sorrel e Vesta em suas costas, as gêmeas demônio de olhos verdes atrás delas. Os homens começaram a agonizar, sangrando em agonia.
Não adiantava discutir – não quando os homens deram uma olhada nelas e sacaram suas armas.
A masmorra mantinha rebeldes de todos os reinos, que invocaram a morte quando as viu, em tais estados de tormento indescritível que até mesmo o estômago de Manon revirou. Mas nenhum sinal de Elide.
Elas tinham varrido o calabouço, Faline e Fallon demorando para se certificar que não tinha perdido nada.
O segundo calabouço continha mais do mesmo. Vesta permaneceu o tempo para varrê-la novamente.
Mais rápido, Bico Negro, a voz feminina e sábia pediu a ela, como se não houvesse tanta coisa que ela pudesse interferir. Mais rápido…
Manon correu como o inferno.
O terceiro calabouço ficava por cima das catacumbas, e era tão fortemente vigiado que o sangue negro tornou-se uma névoa em torno delas quando se lançaram camada após camada de soldados.
Nenhuma mais. Não permitiria que lhes tomassem mais nenhuma mulher.
Sorrel e Asterin mergulharam nos soldados, abrindo um caminho para ela. Asterin arrancou a garganta de um homem com os dentes enquanto eviscerava outro com as unhas. Sangue negro pulverizava da boca de Asterin quando ela apontou para as escadas em frente e gritou:
— Vá!
Então Manon deixou suas imediatas para trás, pulando escada abaixo, dando voltas e voltas. Tinha que haver uma entrada secreta naquelas masmorras para as catacumbas, escondida de alguma forma para transportar Elide...
Mais rápido, Bico Negro!, a voz sábia ganiu.
E quando um pouco de vento empurrou os pés de Manon como se pudessem apressá-la, ela sabia que era uma deusa espiando por cima do ombro, uma senhora das coisas sábias. Que talvez tivesse cuidado de Elide toda a sua vida, sem som, sem mágica, mas agora que estava livre...
Manon atingiu o nível mais baixo da masmorra, um mero andar acima das catacumbas. Com certeza, no final do corredor, uma porta se abria para uma escada descendente.
Entre ela e a escadaria estavam dois guardas às risadinhas em uma porta de cela aberta quando uma jovem mulher implorou por sua misericórdia.
Foi o som de choro de Elide – aquela garota de aço tranquilo e vivo, cheia de sagacidade que não tinha chorado por si mesma ou por sua triste vida – unicamente a enfrentava com sombria determinação, que fez Manon estourar totalmente.
Ela matou os guardas no corredor.
Viu porque estavam rindo: a menina estava presa entre dois outros guardas, seu robe puxado aberto para revelar sua nudez, toda a extensão de sua perna arruinada...
Sua avó as tinha vendido para essas pessoas.
Ela era uma Bico Negro; não era escrava de ninguém. Nenhuma delas era um cavalo premiado para se reproduzir.
Elide não era.
Sua ira era uma canção em seu sangue, e Manon apenas disse “Vocês já são homens mortos”, antes de cair sobre eles.
Quando jogou o corpo do último guarda no chão, quando estava coberta de sangue preto e azul, Manon olhou para a menina no chão.
Elide fechou seu manto verde, tremendo tanto que Manon pensou que ela iria vomitar. Ela podia sentir o cheiro de vômito já na cela. Eles a mantiveram ali, naquele lugar podre.
— Precisamos correr — disse Manon.
Elide tentou se levantar, mas não conseguiu sequer chegar até os joelhos.
Manon caminhou até ela, ajudando a menina a ficar de pé, deixando uma mancha de sangue em seu antebraço. Elide balançou, mas Manon olhava para a corrente antiga em torno de seus tornozelos.
Com um golpe de suas unhas de ferro, ela as quebrou.
Abriu as algemas depois.
— Agora — disse Manon, puxando Elide para o corredor.
Havia mais soldados a gritaria aumentando à medida que se aproximavam, e os gritos de guerra de Asterin e Sorrel ecoaram escadas abaixo. Mas atrás delas, das catacumbas abaixo...
Mais homens – valg – curiosos sobre a algazarra vazando de cima.
Levar Elide para o corpo a corpo poderia muito bem matá-la, mas se os soldados das catacumbas as atacassem por trás... pior ainda, se eles trouxessem seus príncipes...
Arrependimento. Foi arrependimento que sentira naquela noite em que matou a Crochan. Arrependimento e culpa e vergonha, por agir em obediência cega, por ser uma covarde quando a Crochan manteve a cabeça erguida e falando a verdade.
Elas transformaram vocês em monstros. Transformaram, Manon. E nós sentimos pena de vocês.
Foi arrependimento que ela sentiu quando ouviu a história de Asterin. Por não ser digna de confiança. E pelo o que ela permitira que acontecesse a aquelas Pernas Amarelas.
Ela não queria imaginar o que poderia sentir ao trazer Elide para a sua morte. Ou pior.
Brutalidade. Disciplina. Obediência.
Isso não parecia ser uma fraqueza, lutar por aquelas que não podiam se defender. Mesmo que elas não fossem verdadeiras bruxas. Mesmo que não significassem nada para ela.
— Nós vamos teremos que lutar no nosso caminho para fora — disse Manon para Elide. Mas a menina estava com os olhos arregalados, boquiaberta na porta da cela.
Ali de pé, o vestido fluindo ao redor dela como noite líquida, estava Kaltain.

3 comentários:

  1. Manon só cresce no meu conceito!

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  2. AEEEE, MANON!!!! Eu gosto muito dela ❤ Tá crescendo no meu conceito também

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