28 de fevereiro de 2016

Capítulo 7

Havia duas pessoas feridas no total, uma entre Chaol e seu companheiro, o outro apoiado entre dois homens que ela não conhecia. Três outros, dois homens e outra mulher guardava a parte traseira.
A rebelde os cumprimentou com um olhar. Uma amiga.
Aelin segurou cada um dos seus olhares enquanto se apressavam em direção a ela, as armas para fora. Sangue estava espalhado em todos eles sangue – vermelho e sangue negro que ela conhecia muito bem. E as duas pessoas quase inconscientes...
Ela também conhecia a aparência seca, emagrecida. O vazio em seus rostos. Ela chegara demais com os de Wendlyn. Mas de alguma forma, Chaol e seus aliados resgataram esses dois. Seu estômago virou. Patrulha – a jovem a seu lado tinha patrulhado o caminho à frente, para se certificar de que este resgate era seguro.
Os guardas nesta cidade não foram corrompidos apenas por valgs comum, como Arobynn sugerira.
Não, havia pelo menos um príncipe valg aqui. Nesses túneis, se a escuridão era qualquer indicador.
Droga. E tinha sido Chaol – Chaol fez uma pausa longa o suficiente para um companheiro intervir para ajudar a levar o homem ferido para longe. Então, ele estava caminhando pela frente. A vinte passos agora. Quinze. Dez. Sangue escorria a partir do canto de sua boca e seu lábio inferior estava aberto. Eles abriram caminho.
— Explique — ela murmurou para a mulher ao seu lado.
— Não é o meu dever — foi a resposta da mulher.
Ela não se preocupou em devolver. Não com Chaol agora na frente dela, os olhos de bronze arregalados enquanto observava o sangue na própria Aelin.
— Você foi ferida? — sua voz estava rouca.
Aelin silenciosamente balançou a cabeça. Deuses. Deuses. Sem a capa, agora ela podia ver suas feições.
Ele estava exatamente como ela se lembrava – robustamente bonito, o rosto talvez um pouco mais magro e barba por fazer, mas ainda era Chaol. Ainda assim, o homem que ela veio a amar, antes... agora tudo tinha mudado.
Havia tantas coisas que ela tinha pensado que diria ou faria, ou sentiria.
A cicatriz branca delgada em sua bochecha. Que ela tinha lhe dado, na noite que Nehemia tinha morrido, quando tentou matá-lo.
O teria matado se Dorian não a tivesse parado.
Mesmo assim, ela entendia o que Chaol tinha feito, a quem escolhera, que quebrara entre eles. Era a única coisa que ela não podia esquecer, não podia perdoar.
Sua resposta silenciosa pareceu suficiente para o capitão. Ele olhou para a mulher ao lado Aelin – a sua batedora. Com um olhar, ela relataria a ele. Como se ele liderasse.
— O caminho à frente está limpo. Atenha-se aos túneis orientais — disse ela.
Chaol assentiu.
— Mantenham-se em movimento — ele falou para os outros, que agora o alcançaram. — Eu os alcanço em um momento. — Sem hesitações e sem suavidade, tampouco. Como se ele tivesse feito isso centenas de vezes.
Eles estavam sem palavras, mas continuaram através dos túneis, lançando olhares a Aelin enquanto passavam.
Somente a jovem permanecia. Assistindo.
— Nesryn — disse Chaol, o próprio nome como uma ordem.
Nesryn encarou Aelin, analisando, calculando.
Aelin deu-lhe um sorriso preguiçoso.
— Faliq — Chaol rosnou, e a mulher moveu seus olhos meia-noite para ele.
Se o sobrenome de Nesryn não entregasse a sua herança, aqueles olhos, ligeiramente inclinados nos cantos e levemente delineados com kohl, revelava que pelo menos um de seus pais vinha do continente sul. Interessante que a mulher não tentasse escondê-lo, que ela escolhesse usar o kohl, mesmo em uma missão, apesar das políticas de Forte da Fenda para os imigrantes não tão amigáveis.
Chaol empurrou o queixo em direção a seus companheiros de fuga.
— Vá para as docas.
— É mais seguro ter um de nós aqui — mais uma vez aquela voz firme, letal.
— Ajude-os a chegar às docas, em seguida, leve o inferno de volta para o distrito de artesãos. Seu comandante da guarnição notará se você estiver atrasada.
Nesryn olhou Aelin de cima a baixo, sua expressão séria nunca mudando.
— Como saberemos que ela não veio para cá sob as ordens dele?
Aelin sabia muito bem o que ela queria dizer. Ela piscou para a jovem.
— Se eu tivesse vindo aqui sob ordens do rei, Nesryn Faliq, você teria sido morta minutos atrás.
Sem sombra de dúvidas, nenhum indício de medo. A mulher poderia apostar o seu dinheiro com Rowan pela pura frieza.
— Pôr do sol de amanhã — disse Chaol bruscamente para Nesryn.
A jovem fitou-o, ombros apertados, antes de se dirigir para o túnel. Movia-se como água, Aelin pensou.
— Vá — Aelin falou para Chaol, sua voz fina. — Você deveria ir ajudá-los. — Ou o que quer que ele estivesse fazendo.
A boca ensanguentada de Chaol formou uma linha fina.
— Eu vou. Em um momento. — Sem convite para ela entrar. Talvez ela devesse ter se oferecido.
— Você voltou — ele falou. Seu cabelo estava mais longo e desgrenhado do que tinha sido meses atrás. — Essa é uma armadilha para Aedion.
— Eu sei sobre Aedion. — Deuses, o que ela poderia dizer?
Chaol acenou de longe, piscando.
— Você... você está diferente.
Ela tocou seu cabelo vermelho.
— Obviamente.
— Não — ele disse, dando um passo mais perto, mas apenas um. — Seu rosto. A maneira como você está. Você... — ele inclinou a cabeça, olhando para a escuridão de que tinham acabado de fugir. — Ande comigo.
Ela o fez. Bem, foi mais como um andar rápido que mais podia ser uma corrida. À frente, ela podia apenas distinguir os sons de seus companheiros apressados através dos túneis.
Todas as palavras que ela queria dizer correram ao redor em sua cabeça, lutando para sair, mas ela as empurrou de volta por mais um momento.
Amo você, foi o que ele tinha dito no dia em que ela partiu. Ela lhe respondera com um Desculpe.
— Uma missão de resgate? — ela perguntou, olhando para trás.
Sem sussurro de perseguição.
Chaol grunhiu de confirmação.
— Antigos portadores de magia estão sendo caçados e executados novamente. Os novos guardas do rei os trazem para dentro dos túneis e os mantêm até que seja hora da execução. Eles gostam da escuridão, parecem prosperar sobre ela.
— Por que não as prisões? — elas eram escuras o suficiente, mesmo para o valg.
— Público demais. Pelo menos para o que fazem com eles antes que elas sejam executadas.
Um arrepio serpenteou por sua espinha.
— Será que eles usam anéis negros? — Um aceno de cabeça. Seu coração quase parou. — Eu não me importo quantas pessoas eles levam para dentro dos túneis. Não vá de novo.
Chaol deu uma risada curta.
— Não é uma opção. Nós vamos porque somos os únicos que podem.
Os esgotos começaram a cheirar a sal. Eles tinham que estar se aproximando do Avery, se ela tivesse contado corretamente as voltas.
— Explique.
— Eles não percebem ou realmente se preocupam com a presença de seres humanos ordinários, somente as pessoas com magia em sua linhagem. Mesmo portadores latentes — ele olhou de soslaio para ela. — Foi por isso que eu mandei Ren para o norte, para sair da cidade.
Ela quase tropeçou em uma pedra solta.
— Ren... Allsbrook?
Chaol balançou a cabeça lentamente. O chão balançou sob seus pés. Ren Allsbrook. Outra criança de Terrasen. Ainda vivo. Vivo.
— Ren é a razão por nós sabermos disso em primeiro lugar — disse Chaol. — Nós entramos em um dos seus ninhos. Eles olharam bem para ele. Ignoraram Nesryn e eu inteiramente. Nós mal saímos. Eu o mandei para Terrasen, para reunir os rebeldes no dia seguinte. Ele não estava muito feliz com isso, acredite em mim.
Interessante. Interessante, e totalmente insano.
— Essas coisas são demônios. O valg. E eles...
— Sugam a sua vida, se alimentam de você, até que fazem um show de execução?
— Não é uma piada — ela retrucou.
Seus sonhos eram assombrados pelas mãos desses príncipes valg, enquanto eles alimentavam-se dela. E a cada vez ela despertava com um grito nos lábios, procurando um guerreiro feérrico que não estava ali para lembrá-la do que eles fizeram, do que sobreviveram.
— Eu sei que não é — disse Chaol. Os olhos dele foram para onde Goldryn despontava por cima de seu ombro. — Nova espada?
Ela assentiu com a cabeça. Havia talvez apenas um metro entre eles agora – um metro e meses de saudade e ódio. Meses de rastejar para fora do abismo em que ele a empurrou. Mas agora que ela estava aqui...
Tudo era um esforço para não dizer que estava arrependida. Desculpar-se não pelo o que fizera em seu rosto, mas pelo fato de que seu coração havia se curado – ainda meio fraturado em alguns pontos, mas curou-se e ele... não estava nele. Não como uma vez esteve.
— Você descobriu quem eu sou — ela falou, consciente da distância que separava seus companheiros à frente.
— No dia em que você foi embora.
Ela observou a escuridão atrás deles por um momento. Tudo limpo.
Ele não se moveu para mais perto – não parecia de todo inclinado a segurá-la ou beijá-la ou até mesmo tocá-la.
À frente, os rebeldes desviaram em um túnel menor, que ela conhecia e levava diretamente para as docas em ruínas nas favelas.
— Eu peguei Ligeirinha — disse ele depois de um momento de silêncio.
Ela tentou não expirar muito alto.
— Onde ela está?
— Segura. O pai de Nesryn possui algumas padarias populares em Forte da Fenda, e fez bem o suficiente para ter uma casa de campo nas montanhas fora da cidade. Ele disse que seu pessoal cuidaria dela em segredo. Ela parecia mais do que feliz assustando as ovelhas, por isso, desculpe, eu não poderia mantê-la aqui.
— Eu entendo — ela respirou. — Obrigada. — Ela inclinou a cabeça. — A filha de um dono de terras é uma rebelde?
— Nesryn está na guarda da cidade, mesmo contra os desejos do pai. Eu a conheço há anos.
Isso não respondeu a pergunta.
— Ela é confiável?
— Como você mesma falou, nós todos já estaríamos mortos se ela estivesse aqui sob as ordens do rei.
— Certo. — Ela engoliu em seco, embainhando suas facas e tirando as luvas, apenas porque dava-lhe algo para fazer com as mãos. Mas, em seguida, Chaol olhou o dedo vazio onde o anel de ametista tinha estado antes. A pele estava encharcada com o sangue que havia se infiltrado entre o tecido, alguns vermelhos, alguns em preto e fedendo.
Chaol olhou para que o dedo vazio – e quando seus olhos subiram para os dela novamente, ficou difícil respirar.
Ele parou na entrada do túnel estreito. Longe o suficiente, ela percebeu. Ele a levou até onde estava disposto a permitir que ela seguisse.
— Eu tenho muito a dizer — ela começou antes que ele pudesse falar. — Mas acho que prefiro ouvir a sua história primeiro. Como você chegou aqui; o que aconteceu com Dorian. E Aedion. Tudo isso. — E por que você estava com Arobynn esta noite.
A ternura hesitante em seu rosto endureceu e um desagradável frio tomou seu lugar – seu coração rachou um pouco ao vê-lo. O que ele tinha a dizer não seria agradável.
Mas ele apenas falou:
— Encontre-me em quarenta minutos — e nomeou um endereço nas favelas. — Tenho que lidar com isso primeiro.
Ele não esperou por uma resposta antes de correr pelo túnel atrás de seus companheiros.
Aelin o seguiria de qualquer maneira.



Aelin assistiu de um telhado, acompanhando das docas da favela quando Chaol e seus companheiros se aproximaram do pequeno barco. A tripulação não se atreveu a ancorar, somente amarrou o barco nas tábuas podres por tempo suficiente para que os rebeldes passassem as vítimas flácidas nos braços dos marinheiros que esperavam. Em seguida, foram remando com agilidade para fora na curva escura do Avery, onde um navio maior esperava.
Ela observou Chaol falar rapidamente aos rebeldes, Nesryn persistente quando ele terminou. A discussão, sobre algo que ela não podia ouvir, foi rápida e, em seguida, o capitão caminhava sozinho, Nesryn e os outros seguindo na direção oposta sem sequer olhar para trás.
Chaol andou um quarteirão antes de Aelin silenciosamente cair ao lado dele. Ele não vacilou.
— Eu deveria conhecê-la melhor.
— Realmente devia.
A mandíbula de Chaol se apertou, mas ele continuou andando mais para dentro das favelas.
Aelin examinou a noite escura, as ruas adormecidas. Alguns moleques de rua passaram correndo, e ela olhou-os de baixo de sua capa, imaginando que estavam na folha de pagamento da Arobynn e poderiam relatar-lhe que ela estava a quarteirões de distância de sua antiga casa. Não havia nenhum motivo em tentar esconder seus movimentos, ela não o queria, de qualquer maneira.
As casas aqui estavam caindo aos pedaços, mas não destruídas. O que quer que as famílias da classe trabalhadora que moravam ali fizessem, tentavam o seu melhor para mantê-las em forma. Dada a sua proximidade ao rio, eles provavelmente tinham ocupações como pescadores, estivadores e talvez o ocasional escravo a serviço de seu mestre. Mas nenhum sinal de problema a não ser vagabundos, cafetões ou ladrões que estavam à espreita.
Quase charmoso, para as favelas.
— A história não é a mais agradável possível — o capitão começou finalmente.



Aelin deixou Chaol falar enquanto eles caminhavam pelas favelas, e ele quebrou seu coração.
Ela manteve a boca fechada quando ele lhe contou como conheceu Aedion e trabalhou com ele, e então como o rei capturara e interrogara Aedion e Dorian. Foi um esforço considerável se segurar para não balançar o capitão e perguntar como ele poderia ter sido tão imprudente e estúpido e demorado tanto tempo para agir.
Então Chaol chegou à parte onde Sorscha foi decapitada, cada palavra mais baixa e mais entrecortada do que a última.
Ela nunca soubera o nome da curandeira em todas as vezes que a mulher tinha remendado-a e costurado-a.
Para Dorian perdê-la... Aelin engoliu em seco.
E ficou ainda pior.
Muito pior, quando Chaol explicou o que Dorian tinha feito para tirá-lo do castelo. Ele se sacrificou, revelando o seu poder para o rei. Ela tremia tanto que enfiou as mãos nos bolsos e apertou os lábios para trancar as palavras.
Mas elas dançaram em seu crânio de qualquer maneira, ao redor e ao redor.
Você devia ter tirado Dorian e Sorscha de lá no dia o rei massacrou aqueles escravos. Não aprendeu nada com a morte de Nehemia? Será que de alguma forma acha que poderia ganhar com a sua honra intacta, sem sacrificar alguma coisa? Você não deveria tê-lo deixado; como pôde deixá-lo enfrentar o rei sozinho? Como você pôde como você pôde como você pôde?
A tristeza nos olhos de Chaol a impedia de falar.
Ela respirou quando ele se calou, dominou a raiva e a decepção e o choque. Levou três quarteirões antes que pudesse pensar direito.
Sua ira e suas lágrimas não seriam de serventia. Seus planos mudariam de novo, mas não muito. Libertar Aedion, recuperar as chaves de Wyrd... Ela ainda podia fazê-los. Endireitou os ombros. Eles estavam a poucos quarteirões de seu antigo apartamento.
Pelo menos ela poderia ter um lugar para ficar quieta, se Arobynn não tivesse vendido o imóvel. Ele provavelmente teria zombado dela sobre o que ele tinha, ou talvez deixasse para encontrá-lo com um novo proprietário. Ele adorava surpresas como essa.
— Então agora você está trabalhando com os rebeldes — ela falou para Chaol. — Ou liderando-os, pelo o que parece.
— Há alguns de nós no comando. Meu território abrange as favelas e as docas – existem outros responsáveis por diferentes partes da cidade. Nós nos reunimos tão frequentemente quando ousamos. Nesryn e alguns dos guardas da cidade têm sido capazes de entrar em contato com alguns dos meus homens. Ress e Brullo, principalmente. Eles estão procurando maneiras de libertar Dorian. E Aedion. Mas esse calabouço é impenetrável, e eles estão vigiando os túneis secretos. Nós só entramos em seu ninho esta noite pelo esgoto porque recebemos a notícia de Ress de que havia alguma grande reunião no palácio. Acontece que eles tinham deixado mais sentinelas por trás do que tínhamos previsto.
O castelo era impenetrável, a menos que ela aceitasse a ajuda de Arobynn. Outra decisão. Para o dia seguinte.
— O que você ouviu sobre Dorian desde que fugiu?
Um lampejo de vergonha brilhou em seus olhos bronze. Ele havia fugido, no entanto. Deixara Dorian nas mãos de seu pai.
Ela apertou os dedos em punhos para evitar bater a cabeça dele na parede. Como ele podia ter servido aquele monstro? Como ele podia não ter enxergado, não ter tentado matar o rei em qualquer momento que esteve próximo dele?
Ela esperava que o que quer que o pai de Dorian tivesse feito para ele, qualquer que fosse sua punição, o príncipe soubesse que ele não era o único de luto. E depois ela contaria a Dorian, ela o deixaria saber, quando ele estivesse pronto para ouvir, que ela entendia e que seria difícil e longo e doloroso, mas ele podia viver com isso, com a perda. Quando o fizesse, com a magia crua dele, livre como a dela não era... isso poderia ser fundamental para derrotar o valg.
— O rei não puniu Dorian publicamente — disse Chaol. — Nem mesmo o prendeu. Tanto quanto nós podemos dizer, ele ainda está participando de eventos, e a execução será em sua festa de aniversário.
Aedion – oh, Aedion. Ele sabia quem ela era, o que ela havia se tornado, mas Chaol não tinha sugerido que seu primo cuspiria em seu rosto no momento em que se pusesse os olhos nela. Ela não se importaria com isso até que Aedion estivesse seguro, até que ele estivesse livre.
— Então, nós temos Ress e Brullo dentro, e os olhos sobre as muralhas do castelo — Chaol continuou. — Eles dizem que Dorian parece estar se comportando normalmente, mas seu comportamento é afastado. Mais frio, mais distante, mas isso é de se esperar após o acontecido com Sorscha...
— Será que o viram usando um anel preto?
Chaol estremeceu.
— Não, não um anel — havia algo em seu tom que a fez olhar para ele, e a fez ter a impressão de que ela não gostaria de ouvir suas próximas palavras. Chaol: — Mas um dos espiões alegou que Dorian tem um binário de pedra preta em volta do pescoço.
Um colar de pedra de Wyrd.
Por um momento, tudo que Aelin conseguia fazer era olhar para Chaol. Os edifícios circundantes a pressionavam, um poço gigante abrindo-se sob os paralelepípedos pela qual ela caminhava, ameaçando engoli-la inteira.
— Você está pálida — disse Chaol, mas ele não fez nenhum movimento para tocá-la.
Bom. Ela não estava totalmente certa de que poderia lidar com ser tocada sem rasgar seu rosto fora.
Mas ela respirou, recusando-se a deixar a enormidade do que havia acontecido com Dorian abatê-la – pelo menos por agora.
— Chaol, eu não sei o que dizer – sobre Dorian, e Sorscha, e Aedion. Sobre você estar aqui — ela fez um gesto para as favelas ao redor deles.
— Apenas me conte o que aconteceu com você todos esses meses.
Ela contou. Ela falou o que tinha acontecido em Terrasen há dez anos, e o que tinha acontecido com ela em Wendlyn. Quando chegou aos príncipes valg, não contou a ele sobre s colares, porque ele já parecia ruim. E ela não contou sobre a terceira chave de Wyrd – somente que Arobynn havia roubado o amuleto de Orynth, e ela o queria de volta.
— Então agora você sabe por que estou aqui, o que eu fiz, e o que pretendo fazer.
Chaol não respondeu por um quarteirão inteiro. Ele ficara em silêncio por todo o caminho. Ele não tinha sorrido.
Havia tão pouco do capitão que ela viera a gostar quando ele finalmente encontrou seu olhar, os lábios numa linha fina.
— Então você está aqui sozinha.
— Eu disse a Rowan que seria mais seguro para ele permanecer em Wendlyn.
— Não — ele disse um pouco bruscamente, encarando a rua em frente. — Quero dizer, você voltou, mas sem um exército. Sem aliados. Você voltou de mãos vazias.
De mãos vazias.
— Eu não sei o que você esperava. Você... Você me mandou para Wendlyn. Se queria que eu voltasse com um exército, deveria ter sido um pouco mais específico.
— Eu a mandei para lá para sua segurança, para que pudesse ficar longe do rei. E assim que percebi quem você era, como eu poderia não supor que você correria para os seus primos, e Maeve...
— Você não estava ouvindo nada do que falei? Sobre como é Maeve? Os Ashryver acenaram chamaram, e se Maeve não enviou ajuda antes, não vai enviar agora.
— Você nem sequer tentou — ele fez uma pausa em uma esquina deserta. — Se o seu primo Galan ajuda a furar os bloqueios...
— Meu primo Galan não é da sua conta. Você sequer entende o que eu enfrentei?
— Você entende o que foi para nós aqui? Enquanto você estava fora brincando com a magia, passeando por aí com o seu príncipe das fadas, entende o que aconteceu comigo, ou com Dorian? Entende o que está acontecendo todos os dias nesta cidade? Porque suas travessuras em Wendlyn podem muito bem ter sido a causa de tudo isso.
Cada palavra era como uma pedrada em sua cabeça. Sim, sim, talvez, mas...
— Minhas travessuras?
— Se você não tivesse sido tão dramática sobre isso, não tivesse ostentado sua derrota sobre Narrok e praticamente gritavo para o rei que estava de volta, ele nunca teria nos chamado para aquele encontro...
— Você não pode me culpar por isso. Por suas ações — ela cerrou os punhos enquanto o olhava – realmente olhava para ele, para a cicatriz que a lembraria para sempre do que ele tinha feito e que não poderia perdoar.
— Então pelo que eu devo culpá-la? — ele exigiu, e ela começou a andar novamente, seus passos rápidos e precisos. — Alguma coisa?
Ele não podia querer dizer aquilo – não queria dizer aquilo de verdade.
— Você está procurando coisas para me culpar? Como sobre a queda dos reinos? A perda da magia?
— O segundo — disse ele através dos dentes — pelo menos eu sei, sem dúvida, que não é obra sua.
Ela parou de novo.
— O que você disse?
Seus ombros encolheram-se. Isso era tudo o que ela precisava ver para saber que ele tinha planejado ocultar isso dela. Não de Celaena, sua antiga amiga e amante, mas de Aelin – rainha de Terrasen. Uma ameaça. O que quer que esta informação sobre magia fosse, ele não tinha planejado contar a ela.
— O que, exatamente, você aprendeu sobre a magia, Chaol? — ela perguntou muito calmamente. Ele não respondeu. — Conte-me.
Ele balançou a cabeça, uma lacuna nos postes sombreando seu rosto.
— Não. Sem chance. Não quando você é tão imprevisível.
Imprevisível. Era uma misericórdia, supôs, que a magia tenha sido realmente sufocada ali, ou então ela poderia ter transformado a rua ao seu redor em cinzas, só para mostrar-lhe quão muito previsível ela era.
— Você encontrou uma maneira de libertá-la, não é? Você sabe.
Ele não tentou fingir o contrário.
— Ter a magia livre resultaria apenas em caos, o que pioraria as coisas. Talvez tornasse mais fácil para esses demônios encontrarem e se alimentarem de mágicos ativos.
— Você pode muito bem se arrepender dessas palavras quando ouvir o resto do que tenho a dizer — ela sussurrou, furiosa e com algo rugindo dentro dela. Ela manteve sua voz baixa o suficiente para que ninguém por perto pudesse ouvir enquanto continuava. — Esse colar Dorian está usando, deixe-me contar o que ele faz, e vamos ver se você se recusa a me dizer, então, se descarta o que venho fazendo nos últimos meses — com cada palavra, com o rosto ainda sem cor. Uma pequena parte má dela se divertia com isso. — Eles têm como alvo pessoas que possuíram magia, alimentando-se do poder em seu sangue. Eles drenam a vida daqueles que não são compatíveis para suportar um demônio valg. Ou, considerando o novo passatempo favorito de Forte da Fenda, basta executá-los para angariar medo. Eles alimentam-se de medo, miséria ou desespero. É como vinho para eles. O menor valg pode aproveitar do corpo de um mortal através desses anéis pretos. Mas a toda civilização, caramba — ela disse — é dividida em hierarquias como a nossa. E os seus príncipes querem vir para nosso mundo muito, muito mal. Então o rei usa colares. Colares pretos com pedras de Wyrd — ela não achava que Chaol estava respirando. — Os colares são mais fortes, capazes de ajudar os demônios a permanecer dentro de corpos humanos, enquanto eles devoram a pessoa e o poder que elas contêm. Narrok tinha um dentro dele. Ele me pediu no fim para matá-lo. Nada mais poderia. Eu testemunhei monstros que você não pode começar a imaginar tomar um deles e falhar. Só chama, ou decapitações acabam com eles. Então veja — ela terminou — considerando-se os dons que tenho, você vai descobrir que quer me dizer o que sabe. Eu poderia ser a única pessoa capaz de libertar Dorian, ou pelo menos dar-lhe a misericórdia de matá-lo. Se ele estiver mesmo lá.
As últimas palavras tiveram um gosto tão horrível quanto soaram. Chaol balançou a cabeça. Uma vez. Duas vezes. E ela poderia ter se sentindo mal pelo pânico, pela tristeza e desespero em seu rosto. Até que ele disse:
— Será que nem ocorreu a você enviar um aviso? Permitir que qualquer um de nós soubesse sobre os colares do rei?
Foi como se um balde de água tivesse sido despejado sobre ela. Ela piscou. Ela poderia ter avisado – poderia ter tentado. Mais tarde, ela tinha que pensar sobre isso mais tarde.
— Isso não importa — ela falou. — Agora, nós precisamos ajudar Aedion e Dorian.
— Não há nenhum “nós” — ele soltou o Olho de Elena de seu pescoço e atirou-o para ela. O colar brilhou sob a luz dos postes enquanto voava entre eles. Ela o pegou com uma mão, o metal quente contra a sua pele. Ela não olhou para ele antes de deslizá-lo em seu bolso. Ele continuou: — Não há um “nós” faz um tempo, Celaena...
— É Aelin agora — ela retrucou tão alto quanto ousou. — Celaena Sardothien não existe mais.
— Você ainda é a mesma assassina de quando partiu. Voltou somente quando foi útil para você.
Foi um esforço não enfiar o punho em seu nariz. Em vez disso, ela puxou o anel de prata e ametista do bolso e pegou sua mão, colocando-a na palma enluvada.
— Por que você se encontrou com Arobynn Hamel esta noite?
— Como...
— Isso não importa. Diga-me por que.
— Eu queria a ajuda dele para matar o rei.
— Você está louco? Você disse isso a ele? — Aelin exclamou.
— Não, mas ele adivinhou. Eu estava tentando me encontrar com ele por uma semana agora, e esta noite ele me chamou.
— Você é um tolo por ir.
Ela começou a andar novamente. Permanecer em um só local, mesmo deserta, não era sensato.
Chaol a acompanhou.
— Não vejo quaisquer outros assassinos oferecendo seus serviços.
Ela abriu a boca, logo a fechou. Ela fechou os dedos, em seguida, endireitou-os um por um.
— O preço não será de ouro ou favores. O preço será a última coisa que você vê chegando. Provavelmente a morte ou sofrimento das pessoas que você gosta.
— Acha que eu não sabia disso?
— Então você quer a ajuda de Arobynn para matar o rei, e o quê? Colocar Dorian no trono? Com um demônio valg dentro dele?
— Eu não sabia disso até agora. Mas isso não muda nada.
— Isso muda tudo. Mesmo se você conseguir tirar o colar, não há nenhuma garantia de que o valg não tenha se enraizado dentro dele. Você pode substituir um monstro por outro.
— Por que você não diz aonde está querendo chegar, Aelin? — ele sussurrou seu nome apenas alto o suficiente para ela ouvir.
— Você pode matar o rei? Quando tudo isso vir abaixo, você matará o seu rei?
— Dorian é meu rei.
Foi um esforço para não vacilar.
— Semântica.
— Ele matou Sorscha.
— Ele matou milhões antes dela — talvez um desafio, talvez outra questão.
Os olhos dele queimavam.
— Preciso ir. Vou me encontrar Brullo em uma hora.
— Vou com você — disse ela, olhando para o castelo de vidro elevando-se sobre a porção nordeste da cidade. Talvez ela aprendesse um pouco mais sobre o que o mestre de armas sabia sobre Dorian. E como ela poderia ser capaz de vingar sua amiga. O sangue dela gelou lentamente.
— Não, você não vai — Chaol respondeu. Sua cabeça virou para ele. — Se você estiver lá, terei que responder muitas perguntas. Eu não vou comprometer Dorian para satisfazer a sua curiosidade.
Ele continuou andando em linha reta, mas ela virou a esquina com um encolher de ombros apertados.
— Faça o que quiser.
Percebendo que ela estava indo embora, ele parou.
— E o que você vai fazer?
Demasiada suspeita naquela voz. Ela parou e arqueou uma sobrancelha.
— Muitas coisas — ela o interrompeu com uma risada. — Você se recusou a compartilhar suas informações, capitão. Acho que seja razoável para mim reter as minhas. — Ela voltou a caminhar em direção a seu antigo apartamento.
— Capitão não.
Ela olhou por cima do ombro, estudando-o novamente.
— O que aconteceu com sua espada?
Seus olhos eram ocos.
— Eu perdi — Ah.
— Então, é lorde Chaol, então?
— Apenas Chaol.
Por um segundo, ela teve pena dele, e parte dela desejava que pudesse ser mais gentil, ter mais compaixão.
— Não há como deixar Dorian de fora. Não há como salvá-lo.
— Com o inferno que não há.
— Você deveria considerar melhor outros candidatos para colocar no trono...
— Não termine a frase — seus olhos estavam arregalados, sua respiração irregular.
Ela havia dito o suficiente. Ela moveu os ombros, fogo em seu temperamento.
— Com minha magia, eu poderia ajudá-lo, poderia tentar encontrar uma maneira de libertá-lo.
Mas muito provavelmente matá-lo. Ela não admitiria isso em voz alta. Não até que ela pudesse vê-lo por si mesma.
— E depois? — perguntou Chaol. — Você vai manter todos de Forte da Fenda reféns do jeito que fez em Doranelle? Queimar qualquer um que não concordar com você? Ou será que vai incinerar o nosso reino por despeito? E as outras pessoas como você, que sentem que têm contas a acertar com Adarlan? — ele bufou um riso amargo. — Talvez nós sejamos melhores sem magia. Talvez a magia não torne as coisas justas para nós, meros mortais.
— Justo? Você acha que alguma parte disto é justo?
— Magia deixa as pessoas perigosas.
— A magia salvou sua vida algumas vezes agora, se bem me lembro.
— Sim — ele respirou — você e Dorian, e sou grato por isso. Mas onde estão os controles contra o seu tipo? Ferro? Não é muito impedimento, é? Uma vez que a magia esteja permitida, quem impedirá os monstros de saírem novamente? Quem vai impedir você?
Uma lança de gelo atravessou seu coração.
Monstro.
Ela realmente tinha sido o horror e repulsa que viu em seu rosto naquele dia, quando revelou sua forma feérica no outro mundo, o dia que ela tinha abrira a terra e invocou fogo para salvá-lo, para salvar Ligeirinha. Sim, sempre precisariam de medidas contra qualquer tipo de poder, contra um... Monstro.
Ela desejou que ele a golpeasse uma vez.
— Então Dorian pode ter magia. Você pode entrar em acordo com o poder dele, e ainda assim o meu poder é uma abominação para você?
— Dorian nunca matou ninguém. Dorian não estripou Archer Finn nos túneis ou torturou e matou Grave e em seguida, picou-o em pedaços. Dorian não fez uma matança em Endovier que deixou dezenas de mortos.
Foi um esforço erguer aquela velha e familiar barreira de gelo e aço. Tudo por trás dela eram ruínas trêmulas.
— Eu fiz a minha paz com isso — ela respirou através dos dentes, tentando não puxar suas armas como poderia ter feito uma vez, como ainda se coçava para fazer, e falou: — estarei em meu antigo apartamento, se você decidir usar a cabeça em vez da bunda. Boa noite.
Ela não lhe deu uma chance de responder antes de sair andando pela rua.



Chaol estava no pequeno quarto da casa caindo aos pedaços que tinha sido  sede principal do seu esquadrão pelas últimas três semanas, olhando para uma mesa cheia de mapas, planos e notas relativas ao palácio, trocas de guardas e hábitos de Dorian. Brullo não tivera nada a oferecer durante o encontro uma hora antes, apenas reafirmações sombrias de que Chaol fizera a coisa certa em deixar o serviço do rei e se afastar de tudo pelo que ele trabalhara. O homem mais velho ainda insistia em chamá-lo de capitão, apesar dos protestos de Chaol.
Brullo fora quem procurara Chaol e se oferecera para ser os olhos dentro do castelo, apenas três dias depois que ele saiu. Fugiu, Aelin tinha dito. Ela sabia exatamente o que ela palavra significaria.
A rainha – furiosa e impetuosa e talvez mais do que um pouco cruel, o encontrara esta noite. Ele vira a partir do momento em que cambaleou para fora da escuridão dos valgs para encontrá-la de pé com a quietude de uma predadora ao lado Nesryn. Apesar da sujeira e sangue nela, o rosto de Aelin era calmo e lavado com cor, e diferente. Mais velho, como se o silêncio e o poder que ela irradiava tivessem afiado e não apenas a sua alma, mas também a sua própria forma. E quando viu o seu dedo nu...
Chaol tirou o anel que tinha enfiado no bolso e olhou para a lareira apagada. Seria uma questão de minutos em acender uma chama e atirar o anel nela.
Ele girou o anel entre seus dedos. A prata estava manchada e marcada por inúmeros arranhões.
Não, Celaena Sardothien certamente não existia mais. Essa mulher – a mulher que ele amava... Possivelmente se afogou no vasto mar implacável entre aqui e Wendlyn. Talvez ela tivesse morrido nas mãos dos príncipes valg. Ou talvez ele tivesse sido um tolo todo esse tempo, tolo de olhar para a vida que ela tomara para si, o sangue que ela tinha tão irreverentemente derramado, e não estar enojado.
Havia sangue nela esta noite, ela tinha matado muitos homens antes de encontrá-lo. Ainda não tinha se incomodado em lavá-lo, nem sequer pareceu notar que estava usando o sangue de seus inimigos.
Uma cidade – ela tinha cercado uma cidade com suas chamas, e fez uma rainha feérica tremer. Ninguém devia possuir esse tipo de poder. Se ela podia fazer uma cidade inteira queimar como retribuição por uma rainha feérica havia chicoteando o seu... amigo, o que faria com o império que tinha escravizado e massacrado o seu povo? Ele não iria dizer-lhe como libertar magia, não até que tivesse certeza de que ela não transformaria Forte da Fenda em cinzas ao vento.
Houve duas batidas eficientes em sua porta.
— Você devia estar no seu turno, Nesryn — ele falou em forma de saudação.
Ela avançou, suave como um gato. Nos três anos em que a conhecia, sempre tivera uma forma tranquila e elegante de se mover. Um ano atrás, um pouco abalado e imprudente pela traição de Lithaen, foi o suficiente para que ela passasse a partilhar sua cama no verão.
— Meu comandante estava bêbado, enfiando a mão sob a camisa de qualquer nova garçonete em seu colo. Ele não vai notar a minha ausência por um tempo ainda — uma espécie de divertimento ferido brilhou em seus olhos escuros. O mesmo tipo de diversão que estivera ali no ano anterior sempre que eles se encontravam em pousadas ou em quartos acima de tabernas ou às vezes até contra a parede de um beco.
Ele precisava de distração após Lithaen tê-lo trocado pelos encantos de Roland Havilliard. Nesryn estava entediada, aparentemente. Ela nunca o procurou, nunca perguntou quando iria vê-lo novamente, porque seus encontros sempre tinham sido iniciados por ele. Poucos meses depois, ele não se sentiu particularmente mal quando foi para Endovier e parou de vê-la. Ele nunca disse a Dorian, ou a Aelin. E quando ele correu com Nesryn há três semanas em um dos encontros rebeldes, ela não parecia guardar rancor.
— Você parece um homem que levou um soco nas bolas — falou, finalmente.
Ele moveu um olhar em sua direção. E porque ele realmente se sentisse assim, porque talvez ele estivesse novamente se sentindo um pouco abalado e imprudente, ele contou a ela o que tinha acontecido. Quem tinha acontecido com ele.
Ele confiava nela, no entanto. Nas três semanas que passaram lutando e sobrevivido juntos, ele não teve escolha a não ser confiar nela. Ren confiara nela. No entanto, Chaol ainda não contara a Ren quem Celaena realmente era antes de ele partir. Talvez ele devesse saber. Se ele soubesse que ela voltaria assim, agiria desta forma, supôs que Ren saberia por quem estava arriscando sua vida. Supôs que Nesryn merecia saber também.
Nesryn inclinou a cabeça, seu cabelo brilhando como seda preta.
— Campeã do rei e Aelin Galathynius. Impressionante.
Ele não precisava se preocupar em pedir a ela para manter segredo. Ela sabia exatamente quão preciosa aquela informação era. Ele não lhe pedira para ser sua segunda em comando para nada.
— Eu deveria estar lisonjeada por ela segurar uma faca em minha garganta.
Chaol olhou novamente para o anel. Ele devia derretê-lo, mas o dinheiro era escasso. Ele já utilizara até muito do que retirara da tumba.
E ele agora precisava mais do que nunca. Agora que Dorian estava...
Estava...
Dorian tinha ido embora.
Celaena – Aelin mentira sobre muitas coisas, mas não teria mentido sobre Dorian. E ela podia ser a única pessoa capaz de salvá-lo. Mas se ela tentasse matá-lo, em vez...
Ele afundou na cadeira, olhando fixamente para os mapas e planos que tinha montado. Tudo – tudo era por Dorian, por seu amigo. Por si mesmo, ele não tinha mais nada a perder. Ele não era nada mais do que um quebrador de juramentos – sem nome, um mentiroso, um traidor.
Nesryn deu um passo em direção a ele. Havia pouca preocupação em seu rosto, mas ele nunca esperara nada dela. Nunca quis isso. Talvez porque apenas ela entendesse o que era enfrentar a desaprovação de um pai para seguir o seu próprio caminho. Mas enquanto o pai de Nesryn acabou por aceitar a sua escolha, o de Chaol... Ele não queria pensar sobre seu pai agora, não quando Nesryn disse:
— O que ela alegou sobre o príncipe...
— Isso não muda nada.
— Parece que isso muda tudo. Incluindo o futuro deste reino.
— Basta deixá-lo cair.
Nesryn cruzou os braços finos. Ela era magra o suficiente para que a maioria dos adversários subestimasse seu próprio infortúnio. Esta noite, ele a viu rasgar em um desses soldados valg como se ela estivesse desentranhando um peixe.
— Acho que você está deixando a sua história pessoal ficar no caminho ao considerar cada rota.
Ele abriu a boca para protestar. Nesryn levantou uma sobrancelha bem cuidada e esperou. Talvez ela tivesse se exaltado apenas agora.
Talvez tivesse sido um erro de se recusar a dizer a Aelin como libertar a magia. E se isso lhe custasse Dorian no processo...
Ele jurou baixinho, a prensa de ar caleiras a vela sobre a mesa.
O capitão que uma vez fora teria se recusado a contar a ela. Aelin era um inimigo do seu reino.
Mas ele não era mais o capitão. O capitão morrera ao lado de Sorscha naquele quarto da torre.
— Você lutou bem esta noite — disse ele, como se isso fosse uma resposta.
Nesryn estalou a língua.
— Eu voltei porque recebi um relatório de que três das guarnições da cidade foram chamados para o Cofres menos de trinta minutos depois de nossa saída. Sua Majestade — disse Nesryn secamente — matou um grande número de homens do rei, os proprietários e investidores do salão, e tomou para si o dever de destruir o lugar. Ele não será reaberto novamente em breve.
Deuses acima.
— Será que eles sabem que foi a campeã do rei?
— Não. Mas imaginei que eu deveria avisá-lo. Aposto que ela tinha uma razão para fazê-lo.
Pode ser. Talvez não.
— Você vai descobrir que ela tende a fazer o que quer quando quer e não pede permissão antes.
Aelin provavelmente apenas estava irritada e decidiu liberar o seu temperamento no salão prazeres.
Nesryn disse:
— Você deveria ter pensado melhor antes de perder-se com uma mulher assim.
— E suponho que você saiba tudo sobre perder-se com as pessoas, dada a forma como tantos pretendentes estejam enfileirados do lado de fora das padarias de seu pai. — Um tiro barato, talvez, mas sempre tinham sido francos um com o outro. Ela nunca parecia chateada com ele, de qualquer maneira.
Um fraco brilho de divertimento voltou a seus olhos quando Nesryn colocou as mãos nos bolsos e se virou.
— É por isso que nunca fico muito envolvida. Confuso demais.
Por que ela não deixaria ninguém entrar. Nunca. Ele se debateu perguntando-se sobre isso. Mas limitar as perguntas sobre seu passado era parte de seu negócio, e tinha sido desde o início.
Honestamente, ele não sabia o que esperava quando a rainha voltou. Não aquilo.
Você não pode escolher qual parte vai amar, Dorian dissera uma vez para ele. Ele estava certo. Tão dolorosamente certo.
Nesryn saiu porta fora.
Na primeira luz, Chaol foi para o joalheiro mais próximo e penhorou o anel por um punhado de prata.



Exausta e miserável, Aelin marchou de volta para seu antigo apartamento em cima do armazém anônimo. Ela não se atreveu a demorar do lado de fora do portão do edifício de madeira de dois andares que comprara quando finalmente pagou suas dívidas para com Arobynn – comprado para si, para sair da Torre dos Assassinos. Mas ele só começou a parecer como uma casa depois que ela pagou as dívidas de Sam e ele foi morar ali com ela. Umas poucas semanas – isso foi tudo o que ela pôde compartilhar com ele.
Em seguida, ele estava morto.
A fechadura na grande porta de correr era nova, e dentro do armazém, as pilhas enormes de caixas cheias de tinta permaneciam em boas condições. Sem pó revestindo as escadas na parte de trás. Arobynn ou outra pessoa de seu passado estaria lá dentro. Bom. Ela estava pronta para outra luta.
Quando ela abriu a porta verde, uma faca erguida diante dela, o apartamento estava escuro. Vazio.
Mas havia um cheiro diferente.
Era uma questão de minutos checar o apartamento inteiro – a grande sala, a cozinha (algumas maçãs velhas, mas não havia outros sinais de um ocupante), seu quarto (intocado), e quarto de hóspedes. Era ali que o cheiro de alguém permanecia; a cama não estava feita com perfeição, e havia um bilhete sobre a cômoda ao lado da porta.

O capitão disse que eu poderia ficar aqui por um tempo. Desculpe por tentar matá-la no último inverno. Eu era aquele com as espadas gêmeas. Não foi pessoal.
Ren.

Ela praguejou. Ren ficara ali? E... e ele ainda achava que ela era a campeã do rei.
Na noite em que os rebeldes mantiveram Chaol refém em um armazém, ela havia tentado matá-lo, e ficou surpresa quando ele se manteve firme. Oh, ela se lembrava dele.
Pelo menos ele estava seguro no Norte.
Ela se conhecia bem o suficiente para admitir que o alívio era parcialmente covardia, ela não teria que enfrentar Ren e ver como ele reagiria a quem ela era, o que fizera com o sacrifício de Marion. Dada própria reação de Chaol, “não muito bem” parecia uma suposição justa.
Ela caminhou de volta para a grande sala escura, acendendo as velas enquanto passava. A grande mesa de jantar que ocupava metade do espaço ainda estava montada com seus pratos elegantes. O sofá e duas poltronas de veludo vermelho que antes adornavam o canto estavam um pouco amassados, mas limpos.
Por alguns momentos, ela apenas olhou para a lareira. Um relógio bonito uma vez estivera ali, até o dia em que ela descobrira que Sam fora torturado e morto por Rourke Farran. Que a tortura durara por horas, enquanto ela estava com a bunda sentada naquele apartamento, embalando as coisas que precisariam para onde fossem. E quando Arobynn viera dar a notícia, ela pegara aquele lindo relógio e o arremessara do outro lado sala, onde ele tinha se quebrado contra a parede.
Ela não voltara ali desde então, portanto alguém limpara a sujeira. Ou Ren ou Arobynn.
Um olhar sobre uma das muitas estantes deu-lhe a resposta.
Cada livro que ela tinha fora embalado para aquela viagem só de ida para o continente sul, para uma nova vida com Sam, fora colocado de volta no lugar. Exatamente no mesmo local onde uma vez estiveram.
E só havia uma pessoa que saberia os detalhes – que usaria os objetos não embalados como uma provocação e um presente e um lembrete tranquilo do que deixá-lo custaria a ela. O que significava Arobynn não tinha dúvidas de que ela voltaria para lá. Em algum momento.
Ela caminhou para o seu quarto. Não se atreveu a verificar se as roupas de Sam tinham sido guardadas nas gavetas – ou jogadas fora.
Um banho era do que ela precisava. Um longo banho quente.
Ela mal reparou no quarto que uma vez tinha sido seu santuário. Acendeu as velas no banheiro de azulejos brancos, lançando um brilho cintilante e dourado.
Depois de girar a torneira de bronze da grande banheira de porcelana para deixar que a água fluísse, ela desprendeu cada uma de suas armas. Tirou as camadas imundas de roupas sangrentas até que ficou somente em sua própria pele cicatrizada e olhou para a tatuagem no espelho em cima da pia.
Um mês atrás, Rowan cobrira suas cicatrizes de Endovier com uma impressionante tatuagem escrita na língua antiga dos feéricos, as histórias de seus entes queridos e como eles tinham morrido.
Ela não permitiria que Rowan pintasse outro nome em sua carne.
Ela entrou na banheira, gemendo com o calor delicioso, e pensou no lugar vazio na prateleira sobre a lareira, onde o relógio devia estar. O lugar que nunca fora completamente preenchido novamente desde o dia em que ela quebrara o relógio. Talvez ela também tenha parado naquele momento.
Parado de viver e apenas... sobrevivendo. Furiosa.
E talvez tenha ficado assim até esta primavera, quando estava esparramada no chão enquanto três príncipes valg se alimentavam dela, quando ela finalmente foi queimada por aquela dor e escuridão, e o relógio começou a andar de novo. Não, ela não gostaria de acrescentar outro nome amado em sua carne. Ela puxou um pano ao lado banheira e esfregou o rosto, pedaços de lama e sangue turvando a água.
Imprevisível. A arrogância, o puro egoísmo obstinado...
Chaol fugira. Ele fugira, e deixara Dorian para ser escravizado pelo colar.
Dorian. Ela voltou, mas tarde demais. Tarde demais.
Ela mergulhou a toalha novamente e cobriu o rosto com ela, esperando que de alguma forma aliviasse o ardor em seus olhos. Talvez se ela tivesse mandado uma mensagem de Wendlyn sobre a destruição de Narrok; talvez fosse culpa dela que Aedion tivesse sido capturado, Sorscha estivesse morta, e Dorian, escravizado.
Monstro.
E ainda assim...
Por seus amigos, por sua família, ela ficaria feliz em ser um monstro. Por Rowan, por Dorian, por Nehemia, ela se rebaixaria e degradaria e arruinaria a si mesma. Ela sabia que eles teriam feito o mesmo por ela. Ela atirou a toalha na água e se sentou.
Monstro ou não, nunca em dez mil anos teria deixado Dorian enfrentar o pai sozinho. Mesmo que Dorian tivesse dito a ela para ir. Um mês atrás, ela e Rowan escolheram enfrentar os príncipes valg juntos – morrer juntos, se necessário, ao invés de fazê-lo sozinho.
Você me lembra de como o mundo deveria ser. De como o mundo pode ser, ela dissera uma vez para Chaol. Seu rosto queimava. Uma menina dissera aquelas coisas; uma menina tão desesperada para sobreviver, para encará-lo a cada dia, que não o questionara por que ele servia o verdadeiro monstro de seu mundo.
Aelin voltou a submergir, esfregando o cabelo, o rosto, seu corpo ensanguentado. Ela podia perdoar a menina que precisava de um capitão da guarda para oferecer estabilidade depois de um ano no inferno; perdoaria a garota que precisava de um capitão para ser seu campeão.
Mas ela era sua própria campeã agora. E não queria acrescentar outro nome de alguém amado e morto em sua carne.
Então, quando acordou na manhã seguinte, Aelin escreveu uma carta a Arobynn, aceitando sua oferta.
Um demônio valg para o próprio rei dos Assassinos.
Em troca de sua ajuda no resgate seguro retorno de Aedion Ashryver, o Lobo do Norte.

56 comentários:

  1. Chaol está sendo injusto! Ele realmente não entende o sofrimento de Aelin. Eu prefiro chamar de Celaena.

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    1. Eu não entendo pk k a aelin está agindo com o chaol, acho que já é hora dela esquecer este lançe de traição de chaol pela morte de neemiah, ela sabe que a neemih forgou a morte dela, se a Celaena nao fosse tão cubarde, como neemia a chamou, talvez ela não teria morrrido. Se é para eles nao ficarem juntos prefiro o chaol morto, assim ela vai ter uma razão para tatuar o nome dele na pele dela. Doi muito o meu coração ao vê la a ser tão fria com eles, eles eram tão íntimos k agora doi toda esta indiferença...
      Falei gente! Prefiro chaol morto do que com essa nova garota que apareceu.
      Anna

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    2. o chaol é sim culpado pela morte de nehemia, talvez não só ele, mas é. se ele tivesse avisado a celaena/aelin ela poderia ter feito algo, e provavelmente, salvado a princesa nehemia.

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  2. esse Chaol e um tremendo idota

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  3. Ainda bem que eu nunca gostei do Chaol. A menina passou por varias coisas ,e quando volta ele fica culpando ela de coisas que ela no tem culpa nenhuma ela merece alguem muito melhor que esse chato depois de tudo que passou. Que ridiculo esse Chaol deu vontade de socar a cara dele quando começou a falar aquelas merdas pra ela

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  4. Eu odeio esse homem, nunca vi ninguém tão hipócrita

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  5. Entendo a a situação de Aelin mas enquanto estava em Wendlyn ela foi egoísta, nunca mandou um carta. Nunca.
    Ela fala de Chaol ter "fugido" como se ela pudesse entender o que se passou naquela sala. Eles (Dorian e Chaol) viram a morte cruel de Sorscha, e Dorian ciente da lealdade de seu amigo o pediu pra partir pois sabia que ele voltaria POR ele. Ai Aelin (que nem parece que já foi Cealena) resolve que o melhor é matar Dorian, ela nem pensa em procurar um meio de salva-lo e ainda quem leva a culpa é Chaol. Sendo que ele é o único dos dois que se importa com a vida de Dorian, o único que cogita que ele ainda possa ser salvo!?

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    1. É por isso que eu odeio ela. Se ela tivesse confiado nele desde o início ele teria visto a verdade muito mais cedo. Ñ digo que ele ñ errou por vezes, mas ele só sabia das "verdades" que o rei contou para sua corte.
      Sinceramente eu achei ela muito vaca no último capítulo.

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    2. Concordo com vcs, Alícia e Danilo.Ela poderia ser menos egoista e ter contado ao Chaol seus segredos desde o início(não a vi oferecendo resistência ao contar pro Rowam).Agora quer colocar a culpa de todos os problemas do mundo nas costas do Chaol.Se ele tivesse ficado pra ajudar Dorian,estaria desperdiçando o sacrifio do amigo e ainda iria morrer de qualquer forma.
      Pra mim o livro ficou bem chato.

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    3. Alícia, Danilo e P.M. vocês falam que Chaol fez o que fez pelo que ele passou. Acontece que Aelin julgou o príncipe também pelo que ela passou com os três príncipes demonios. Para ela, a melhor forma de salvar o príncipe era dar a ele a morte.

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    4. Sinceramente, não existe um "certo" e um "errado' nessa questão, os dois foram babacas.

      Primeiro ponto: Celaena não mandou cartas por que seria inútil de qualquer forma. Nenhum meio de contato é seguro lá, uma carta avisando mesmo que em códigos, poderia chegar as mãos do rei e acabar com tudo de forma pior. Mas também, ela estava tão focada no objetivo de salvar o reino, que se esqueceu totalmente do que poderia estar acontecendo com o Dorian. Ela mesma admitiu no último livro que se esqueceu.

      Segundo ponto: Se coloquem no lugar dela, esse é um passado muito difícil de contar pra alguém. Principalmente, se essa pessoa for capitão da guarda do rei, um inimigo. Antes de ser o amigo dela, amante dela, ele era o capitão do rei. Tudo o que ele fez nos últimos dois livros, foi pelo rei. Toda aquela história de limites e blá, blá, blá, tudo por causa do trabalho dele. E ele não amava ela, eu sabia disso antes mesmo deles se envolverem. Ele não pode escolher só uma parte da garota de muitos nomes para amar, ele tem que amar todas as partes, todos os defeitos dela e inclusive a magia dela. Mas ele não suportou que ela e Dorian fossem 'monstros", ele não amou essas partes dela.

      Terceiro ponto: Em momento algum, ela disse que a única forma de salvar o Dorian é matar ele. Ela disse que PODIA ser o único jeito, também nunca disse que não ia tentar outra forma. Além disso, era o que o Dorian iria querer, ele prefere a morte do que se tornar um escravo do pai, submisso ao rei e suas crueldades. Tanto que no último capítulo do livro passado, ele mandou o pai matar ele.

      Quarto ponto: Chaol fugiu. Ele foi SIM um covarde, ele deveria ter lutado, deveria ter protegido o príncipe. Ou saiam os dois vivos ou não saia ninguém. Ele ainda era o capitão da guarda com o dever de proteger o príncipe, seu rei (Que ele diz muitas vezes que o rei era o Dorian), mas ele também deveria estar lá como amigo e se isso fosse comigo, eu teria morrido pelo Dorian, teria lutado tentando salvar ele de um destino terrível. Dorian salvou a vida de Chaol várias vezes, ele foi muito valente, deixou de salvar quem ele amava para salvar o melhor amigo, que traiu e abandonou ele, mentiu pra ele. Então, sim, meus colegas, Chaol foi um covarde por fugir. Os únicos heróis dentro daquela sala, foram Dorian, Aedion e a curandeira. A desculpa dele pra não fazer nada, foi que alguém precisava sair vivo daquela sala pra salvar o reino.

      Quinto ponto: A forma como Chaol tratou a história da Celaena, o jeito que ela salvou o povo "dela", lutou contra uma rainha má e não machucou NINGUÉM naquela cidade, mesmo colocando em chamas. Ele foi horrível com ela e não tinha um pingo do personagem que eu amei tanto no primeiro livro. Ele não conseguiu ver o ponto de Celaena, chamou ela de monstro (indiretamente, mas chamou) e demonstrou que não conhece ela o suficiente, pra saber que ela jamais machucaria alguém inocente.

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    5. Os dois estão sendo hipócritas. Chaol não sabe o que a Cel passou lá e nem ela sabe o que ele passou na sala do trono
      São dois birrentos orgulhosos que se acham donos da razão. Enquanto o Dorian tá sofrendo horrores eles tão jogando a culpa um no outro ao invés de se unirem

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    6. Concordo plenamente!!

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    7. A Cleary disse tudo... só não concordo com o quarto ponto dela, pq a fuga de Chaol era o que Dorian desejava, mas de resto, é isso aí

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    8. Tambem concordo com a Cleary cada um pensa que o outro sofreu menos ,mas como eu disse so pensão não tentam se colocar no lugar do outro mas deixa estar. Eu ja li esse livro não vou dar spoiler apenas direi que tudo ira se acerta no final ,talvez nem todos os casais terminem juntos afinal ainda temos mais dois livros.

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    9. Cleary só disse verdades, concordo exatamente com tudo que ela mencionou.

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    10. Concordo plenamente!!! E realmente n consigo entender como conseguem defender tanto o Chaol. Ele é o único personagem que parece que não evolui. É cabeça dura, egoísta e preconceituoso. Eu entendo que a Aelin n é nenhuma santa, mas dado tudo que ela passou..... A morte dos pais, a perda do primo, do país e do próprio povo. Depois se tornar uma assassina pra sobreviver. Depois perder o Sam. Endovier. A traição do Arobynn. Depois ter que servir o homem que matou sua família e escravizou seu povo pra sobreviver. A morte da Neehmia. Depois o inferno do treinamento com o Rowan. Chegar até o fundo do poço, da aflição e do sofrimento na luta com os Valg. Enfrentar a vaca da Maeve. Tudo isso pro retardado do Chaol cuspir na cara dela é chamar ela de monstro???????
      Eu mandava ele pro inferno, o que ele passou não é nada comparado e ele só sabe olhar pro próprio umbigo. Ai tadinho papai não gosta que ele seja capitão da guarda! Me poupe... Ele devia é tomar vergonha na cara e parar de ser hipócrita. Porque ele fugiu sim, na primeira luta de verdade dele e deixou o Dorian pra trás pra ser morto. E tudo o que ele "jogou na cara dela" foi porque não conseguiu aguentar que ela saiu da escuridão que ele ajudou ela a se enfiar, ainda mais com ajuda de um feérico

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  6. "estarei em meu antigo apartamento, se você decidir usar a cabeça em vez da bunda. Boa noite"
    Ri muito
    KKKKKKKKKKKKKK

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    1. Eu nunca gostei dele e muito chatoooo

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  7. Eu consigo entender o Chaol a se recusar a dizer como trazer a magia de volta. O rei de Adarlan fez um trabalho muito bom ao plantar o meda a magia no coração do seu povo. Isso e o fato de quase sempre a Celane sempre só mostrar seu pior lado para ele e nunca demonstrar qualquer indicio de remorso. Dito isso eu acho que o Chaol errou por vezes, mas ela é uma vaca...

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  8. Vai ser burro assim no inferno chal!
    ele n consegue Dacha a ignorância e a burrice de lado e ele mal consegui o disser tava com saudade dela se ele fala-se comcerteza tudo ficaria mAis facil pra os dois😳😵😧

    E eu to odiando essa tal de nesrym 😠😤😝

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  9. Aelin que é hipócrita e também egoísta. Só pensa nos próprios problemas e não enxerga o que os outros estão passando.O Chaol passou por muitas coisas ruins enquanto ela tava brincando de casinha com o Rowan.

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    1. Não discordo que Chaol teve problemas em Forte da Fenda, mas desde quando Celaena "brincou de casinha com Rowan"?

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  10. Acho que TODOS os personagens até agora estão um saco. Tudo o que falta é o diálogo entre eles, só sabem colocar a culpa uns nos outros. A Aelin é super egoísta e eu acho que o Chaol - apesar de estar insuportável - está tendo essa atitude com ela mais pra tentar sufocar o que sente por ela. Acho que ele e o Dorian vão ficar juntos no final.

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  11. O caramba que a Aelin é uma vaca! Vcs esqueçeram o q ela passou???? Ela teve que sobreviver aos PRINCIPES VALS!!! Ela é D+!

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  12. Bom na minha opinião os dois esconde as coisas um do outro isso acaba a relação deles os dois tiveram dificuldades os dois enfrentaram batalhas e situações desgastantes mais a falta de confiança um no outro estraga tudo eles poderiam acabar fácil com isso abrindo a situação deles um pro outro mas parece que toda vez que eles vão conversar eles travam e só conseguem brigar e se acusar botando a culpa um no outro se eles se entendessem seria bem melhor pra eles e tbm pra própria causa deles.

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  13. cara sempre soube q Choal era inutil agora esta confirmado ele é um inutil odeio ele espero q ele se f***
    Aelin é uma verdadeira guerreira <3
    Saudades do Ronaw
    Aelin/Celaena e Ronaw Melhor casal <3
    ele nao tem a frescura do chaol

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  14. Só eu que estou triste por ver meu shipp indo por água abaixo????
    Chaol não tem o direito de julga Celaena, pois ela estava com medo de contar a verdade no começo e enfrentar quem ela era, oq não quer dizer que ela foi egoísta e burra, apesar dela está sendo uma das minha heroínas favoritas, e a Celaena tbm te o direito de julga o Chaol pq ela não estava em Forte da Fenda pra ver tudo q ele passou e não ajudou ele e o Dorian e vamos combinar q ele abriu mão de muita coisa por ela...
    Pelo amor de Deus shippo vocês desde o primeiro encontro em Endovir, parem de fogo e façam as pazes meu core não aguenta mais tanto sofrimento e drama
    (Me veio lágrimas nos olhos quando ele penhorou o anel)

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  15. Só eu que estou triste por ver meu shipp indo por água abaixo????
    Chaol não tem o direito de julga Celaena, pois ela estava com medo de contar a verdade no começo e enfrentar quem ela era, oq não quer dizer que ela foi egoísta e burra, apesar dela está sendo uma das minha heroínas favoritas, e a Celaena tbm te o direito de julga o Chaol pq ela não estava em Forte da Fenda pra ver tudo q ele passou e não ajudou ele e o Dorian e vamos combinar q ele abriu mão de muita coisa por ela...
    Pelo amor de Deus shippo vocês desde o primeiro encontro em Endovir, parem de fogo e façam as pazes meu core não aguenta mais tanto sofrimento e drama
    (Me veio lágrimas nos olhos quando ele penhorou o anel)

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  16. Só eu torci pro Rowan simplesmente brotar ao lado da Aelin e dar um soco na cara do Choal quando ele o chamou de "príncipe das fadas"?? Sério, tomara que ele engula as palavras quando ele ver o brutamontes que é o "príncipe das fadas" ¬¬

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    1. kkkkkkkkkk seria muito engraçado se essa cena acontecesse!

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    2. Não se preucupe ele ira com certeza ingoli o que disse e ainda tera respeito por ela. Desculpa karina se eu to dando algum tipo de spoiler so que eu ja to cheida de ouvir que celaena é uma vaca, ela ja fez muito mais que chaol e dorian juntos, sobriveu a situações que ninguem deveria passar e mesmo assim saiu vitoriosa e sorrindo, ela cometeu erros sim quem nunca cometeu um erro que atire a primeira pedra ou reclamação, ta certo que ela poderia ter mandado uma carta porem quem ia se lembra de manda uma carta pro outro lado do aceano quando se pensava que seus amigos estavam seguros ,quando um bando de demonios ameaçava a fortaleza que lhe acolheu e quando tudo dependia do proprio poder e força de vontade. Tudo que ela faz tem um mutivo(literalmente vcs vão entender depois do resgate).

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    3. Seria meu sonho???? KKKKKKKKKKKKK

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  17. Não sei se fico com raiva por causa de tudo o que Chaol disse para Celaena ou se fico triste porque meu personagem favorito já tá fazendo muita besteira. Espero que ele melhore nos próximos capítulos. Queria que a Celaena, o Chaol e o Dorian estivessem do mesmo lado =/

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  18. To com muita raiva do Chaol, ele não tem direito de dizer isso pra Aelin "só voltou quando você queria" (foi o que ele disse, praticamente) quando ela contou toda a história da Maeve e ele que fugiu e deixou o Dorian sozinho

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  19. Gente, o que que aconteceu com os personagens?No livro passado,eles estavam mega legais,e agora estam mega irritantes ... espero que o livro melhore.Será que os capítulos da Manon vão voltar?

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  20. Que capítulo chato. ... DR entre Chaol e Aelin, fala sério! Meu shipp tá afundando. ..

    Flavia

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  21. Eu não sei se fico com mais raiva da egoísta da Aelin ou do idiota do Chaol :/
    Tomara que não demore para o "Príncipe das fadas" aparecer novamente. Algo me diz que ele e o Chaol vão se alfinetar bastante kkkk
    Esse Cap é bem criativo em relação aos lugares que ele gosta de dar uns pega nas mulheres dele...

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  22. 1° estou com ciúmes do Chaol, 2 ° não entendi a Celaena ainda está com essa besteira de achar que Chaol é culpado da morte de Nehemia? Que saco isso,já deu!! 3 °Estou com saudd do gostoso do Rowan *.*

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  23. Eu quase acredite kkkkkkk q essse comentarios , fossse mas um capitulo. Me divertido kkkkk

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  24. Gente, esse Chaol ta me saindo um belo meio quilo de bosta! Aelin não pediu pra ser herdeira do trono e muito menos do poder contido na linhagem à qual pertence. Ele escolheu não contar a ela sobre Nehemia e deixou que ela se esgueirasse pelos cortiços da cidade matando rebeldes pra salvar o rabinho dele enquanto a única amiga dela morria, mesmo sabendo que ela seria a única proteção possível. Está claro que ele só aceitou a magia de Doriam porque se perdesse o amigo também estaria sozinho, e porque foi conveniente pra salvar a própria vida. Ele viu o rei matar milhares nos campos de trabalho, viu ordenar a decapitação da mulher que o amigo amava, lutou contra as criaturas que o rei invoca e ainda sabe que ele entregou o próprio filho para um desses demônios. Então como ele ousa sequer cogitar que Aelin seja um monstro?? Ta na hora de morrer ja! #SHIPANDO_AELIN_E_ROWAN #SÓ_DE_RAIVA

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  25. Chaol é um idiota filho da mãe q nunca amou a Celena de verdade ja q odiava o fato dela ser assassina e por burrice se negou a olhar a tirania do rei o q resultou na possível morte de Dorian.
    Ele julga a Aelin por não ter um exército quando o q ele tem é um bando de rebeldes q seriam massacrados pelo poder do rei. Não quero desmerecer o trabalho de resgate mas ele também não fez muita coisa para ajudar a liberta o reino!!!
    Gostava dele no primeiro livro no segundo já não gostei muito da relação dos dois é agora ele se mostra um completo idiota!
    Mas dou crédito as desconfianças com a magia mas falar q a Aelin estava brincando enquanto estava fora é ridículo. Pq enquanto ele estava apenas espionando e fazendo planos de resistencia no terceiro livro a guria estava enfrentando monstros e um exército!!!
    Ele é nojento. E pode ficar sozinho pq sério ninguém merece ele!!!
    E depois do q ele disse ela pode queima esse reino inteiro q deixo!
    Mas Chaol está certo em não desistir do Dorian espero q ele ainda possa se salvar!!!!
    Aelin não pode desistir do Dorian mas depois das enganações do Chaol eu quero q ela ganhe tudo e de todos e esfregue a vitória na cara desse infeliz!!!
    Tô voltando a suspeitar de Celena e Dorian será q rola????

    Minha opinião pessoal pesso respeito!!!!

    ~Mari

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  26. Só uma coisa: Concordo com a Cleary Miyazono.
    Queria ver o Chaol ter passado tudo que a Aelin passou la. Agr o que ele passou em forte da fenda era a vida ''normal'' dela,quantas vezes ela nao viu seus amados morrerem ou serem capturados?Uma dessas vezes em que Chaol deixou acontecer.
    -Rachel mega p* com chaol covarde

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  27. Poha quanto texto gente Hahahah odiando a mulher que dormiu com o chol odiando o chol e amando aelin por mim chol é um idiota covarde arrogante e tudo isso está acontecendo por culpa dele. Ele que fugiu da sala do trono e deixou Dorian sozinho idiota é chama a cealena de monstro ainda monstro é ele isso sim.

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  28. Pausei a leitura desse capítulo apenas para dizer: É OFICIAL... Odeio Chaol e ficaria feliz se ele morresse, desperdício de personagem, convenhamos. Ele morreu p mim no momento que ele deixou nehemia morrer, mas mesmo assim tinha esperança dele voltar à ser o personagem que era. Mas agora? Ele discrimina quem pertence a magia e se esquece de que os rebeldes é o povo de Aelin e não dele, ele prefere Dorian no trono com um demônio vaulg pq é um EGOÍSTA, pelamor, não suporto mais ele, pra mim ele se tornou um vilão detestável.

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  29. Chaol hipócrita! Que raiva dele! É por isso que desde o segundo livro e disse que a Cel merece alguém melhor que ele(chaol).
    Como por exemplo um guerreiro sarrado e emburrado. Rs

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  30. Kkkkkkkkk olha só rindo mesmo desse capítulo, estou lendo pela segunda vez a série e só tenho a dizer q quero dar umas boas bofetadas na cara do chatol. Na visão dele até parece q a Aelin tava de férias q ridículo vontade de matar esse imbecil!!!!! 😠😠😠😠😠

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  31. Eu também concordo com o que Cleary Miyazono disse.
    Para mim, Chaol foi um idiota que ficou a julgando por coisas que não tinham a ver com ele ou não eram culpa dela. Por exemplo, ele desmerecer todo o tempo que ela passou treinando com Rowan foi um absurdo, principalmente considerando o tempo que ele levou para decidir de que lado ele estaria e se ele agiria. E ela nunca prometeu chegar de volta com um exército, então ele não pode cobrar isso. Mas o pior foi a falta de respeito dele ao a chamar de monstro, mesmo que indiretamente. Imagine ouvir um namorado a chamando assim, só por causa do jeito que você nasceu. Seria horrível. Confesso que estava torcendo para Aelin dar um tapa bom dado na cara dele para ver se ele acordava para a realidade.
    Ainda espero ansiosamente por uma cena em que Chaol trate ela assim de novo e ela esteja com Rowan ou Aedion. Ou que Arobynn o faça sofrer e depois o mate.
    Neste momento Chaol é o meu personagem mais odiado de todas as séries, embora eu admita que a Aelin seja egoísta muias vezes.

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  32. Eu achando que o capítulo era longo demais... esquece, são os comentários

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  33. Melhor coisa aqui são os comentários. Já li o livro todo e na minha opinião como alguns já disseram antes os dois tem razão pois cada um viveu e cresceu acreditando nisso ou naquilo. Ambos sofrem. Eu sei que a Aelin passou por muito + coisas, mas isso não quer dizer que o Chaol sofre menos, aliás eu quis matar ele porque foi babaca em muitos pontos, quis matar ela tbm. Senti raiva dos 2, mas depois como uma libriana botei tudo na balança pesei e compreendi melhor as atitudes de cada um.

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  34. MONSTRO?!!?
    Seu estupido burro e outras coisas (que eu não vou dizer para nao ser mal educada!)
    EU ODEIO-TE!!

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