29 de fevereiro de 2016

Capítulo 79

A ponte explodiu debaixo dela, e o mundo se transformou em cacos de vidro voando.
Aelin despencou para o ar livre, torres desabando ao seu redor.
Ela estendeu a sua magia em um casulo, queimando através do vidro enquanto ela caía, caía e caía.
As pessoas gritavam – gritavam quando Dorian trouxe o castelo abaixo por Chaol, por Sorscha, e enviou uma onda de vidro correndo em direção à cidade abaixo.
Aelin desceu cada vez mais, o chão surgindo, os edifícios em torno ruindo, a luz refletindo e refratando nos fragmentos...
Aelin puxou para fora a última gota de sua magia quando o castelo desmoronou, a onda letal de cacos de vidro indo em direção à Forte da Fenda.
Fogo puro correu para os portões, correu contra o vento, contra a morte.
E, quando a onda de vidro atingiu os portões de ferro, rasgando os cadáveres presos ali como se fossem papel, uma parede de fogo irrompeu diante do vidro, erguendo-se às alturas, subindo cada vez mais. Parando a onda.
Um vento empurrou contra ela, brutal e implacável, seus ossos gemendo quando ele a empurrou para cima, não para baixo. Ela não se importava – não quando cedeu à totalidade de sua magia, a totalidade de seu ser, para manter a barreira de fogo agora protegendo Forte da Fenda. Mais alguns segundos e ela poderia morrer.
O vento rugiu para ela, e parecia gritar o seu nome.
Onda após onda de vidro e escombros a acertou em seu fogo puro.
Mas ela manteve a parede de chamas acesas – pelo Teatro Real. E pelas meninas das florrs no mercado. Pelos escravos, cortesãs e pela família Faliq. Pela cidade que ofereceu sua alegria e dor, morte e renascimento, pela cidade que lhe deu música, Aelin manteve a parede de fogo queimando brilhante.
Havia sangue chovendo entre o vidro – sangue que chiava em seu pequeno casulo de fogo, cheirando a escuridão e a dor.
O vento continuava soprando até que varreu o sangue escuro para longe.
Aelin ainda segurava o escudo ao redor da cidade, cumprindo a última promessa que fizera a Chaol. Eu farei valer a pena.
Ela esperou até o chão se levantar para encontrá-la...
E pousou suavemente na grama.
Então a escuridão a acertou na parte de trás da cabeça.



O mundo era tão brilhante.
Aelin Galathynius gemeu quando forçou-se sobre os cotovelos, a pequena colina de grama debaixo dela, intocada e vibrante. Só um momento – ela esteve fora por apenas um momento.
Levantou a cabeça, seu crânio palpitando quando ela empurrou o cabelo solto da frente de seus olhos e olhou para o que tinha feito.
O que Dorian tinha feito.
O castelo de vidro sumira.
Apenas o castelo de pedra permanecera, suas pedras cinzentas aquecendo sob o sol do meio-dia.
E onde uma cascata de vidro e escombros devia ter destruído a cidade, uma enorme parede opaca brilhava.
Uma parede de vidro, sua parte superior curva como se de fato tivesse sido uma onda cristalina.
O castelo de vidro se fora. O rei estava morto. E Dorian...
Aelin se levantou, os braços tremendo sob ela. Ali, a menos de um metro, estava Dorian, esparramado na grama, olhos fechados.
Mas seu peito subia e descia.
Ao lado dele, como se algum deus benevolente estivesse realmente cuidando deles, estava Chaol.
Seu rosto sangrava, mas ele respirava. Não havia outras feridas que ela podia detectar.
Ela começou a tremer. Se perguntou se ele tinha notado quando ela colocou o Olho de Elena em seu bolso quando ela fugiu da sala do trono.
O cheiro de pinho e neve chegou até ela, e ela percebeu como eles haviam sobrevivido à queda.
Aelin ficou de pé, oscilando.
A colina que levava para a cidade fora destruída, suas árvores, postes de iluminação e vegetação triturados pelo vidro.
Ela não queria saber sobre as pessoas que estavam ali – ou no castelo.
Obrigou-se a andar.
Indo em direção à parede. Para a cidade em pânico além. Para o novo mundo que acenava.
Dois perfumes convergiram, depois um terceiro. Uma essência estranha e selvagem que pertencia a tudo e a nada.
Mas Aelin não olhou para Aedion, ou Rowan, ou Lysandra enquanto desciam o morro para a cidade.
Cada passo era um esforço, cada respiração um julgamento puxando de volta da beira, para segurar o aqui e agora, e que tinha de ser feito.
Aelin se aproximou da parede de vidro imponente que agora separava o castelo da cidade, que separava a morte da vida.
Ela enviou uma centelha de chama azul através dela.
Mais gritaria surgiu quando a chama se propagou no vidro, formando um arco.
As pessoas além que choravam e se abraçavam, seguravam suas cabeças ou cobriam a boca, ficaram em silêncio enquanto ela caminhava através da porta que abrira.
A forca ainda estava um pouco além da parede. Era a única superfície elevada que ela podia ver.
Melhor que nada.
Aelin subiu na plataforma de execução, sua corte entrando em formação atrás dela. Rowan mancava, mas ela não se permitiu examiná-lo, até mesmo perguntar se ele estava bem. Ainda não.
Aelin manteve os ombros para trás, seu rosto sério e inflexível quando parou na borda da plataforma
— Seu rei está morto — disse ela. A multidão estava agitada. — O seu príncipe vive.
— Todos saúdem Dorian Havilliard — gritou alguém na rua.
Ninguém respondeu.
— Meu nome é Aelin Ashryver Galathynius — continuou ela. — E eu sou a rainha de Terrasen.
A multidão murmurou; alguns espectadores se afastaram da plataforma.
— O seu príncipe está de luto. Até que ele esteja pronto, esta cidade é minha.
Silêncio absoluto.
— Se vocês roubarem, se fizerem motins, se causarem um pingo de problemas — ela falou, olhando alguns nos olhos — eu vou encontrá-los, e vou queimá-los até as cinzas — ela levantou uma mão, e as chamas dançaram em seus dedos. — Se vocês se revoltarem contra o seu novo rei, se tentarem tirar seu castelo, então este muro — ela gesticulou com a mão queimando — vai se transformar em vidro fundido e inundará suas ruas, suas casas, suas gargantas.
Aelin ergueu o queixo, a boca em uma linha fina e implacável enquanto observava a multidão enchendo as ruas, as pessoas se esticando para vê-la, ver as orelhas feéricas e os caninos alongados, ver as chamas bruxuleantes ao redor de seus dedos.
— Eu matei o seu rei. Seu império acabou. Os seus escravos agora são pessoas livres. Se eu pegá-los mantendo escravos, se ouvir que alguma família tentou mantê-los em cativeiro, serão mortos. Se eu ouvir que vocês chicotearam um escravo, ou tentaram vender um, estarão mortos. Então sugiro que passem a notícia aos seus amigos, familiares e vizinhos. Sugiro que sejam pessoas razoáveis e inteligentes. E sugiro que permaneçam no seu melhor comportamento até que seu rei esteja pronto para recebê-los, momento em que juro pela minha coroa que cederei o controle da cidade para ele. Se alguém tem um problema com isso, leve-o até minha corte — ela fez sinal para trás dela. Rowan, Aedion e Lysandra, ensanguentados, espancados, sujos – parecendo como demônios. — Ou... — Aelin terminou, as chamas piscando em sua mão — podem vir até mim.
Nenhuma palavra. Ela se perguntou se eles estavam respirando.
Mas Aelin não se importou quando desceu da plataforma, voltou através da porta que tinha feito, e fez todo o caminho até a encosta estéril para o castelo de pedra.
Mal ultrapassou as portas de carvalho antes de cair de joelhos e chorar.

16 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira2 de março de 2016 22:46

    Ela é muito foda, muito loka e poderosa AMOOOOOO

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    1. Adorei!!
      Meteu todos na ordem.
      ASSIM É QUE É MIUDA!!

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  2. MEU PAI DO CEU! esse livro supero minhas esperanças nossa cara vei foi muito foda to e estado de choque pra poder dizer alguma coisa conclusiva anida so consigo pensa AHMMMMM COMOOO?!kkkkkkkk

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  3. Cada capítulo uma adrenalina. Muito top e isso é que eu comecei a lê o livro por acaso depois q comecei não consegui parar mais.

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  4. Obrigada Karina vc e minha salvadora.

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  5. Obrigada Karina vc e minha salvadora.

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  6. OMMMMG, ESSA CENA FOI MUITO FODA! Aelin é massa dms, mds. Chaol tá vivo, Dorian,liberto, Aedion, Rowan e Lysandra vivos, thank god.

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  7. Minha diva maravilhosa Aelin ❤ Obrigado Karina! ❤

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  8. Falou como uma Rainha que é!!!! Amei!!!

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  9. Acho muito idiota q o poder do Dorian e maior q o dela ele n fez nada a saga toda praticamente e agora e o mais foda de Erilea acho injusto

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  10. estupefada feat emocionalmente abalada feat esses acontecimentos feat MUITO FODAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA MEU DEEEEEEEEEUS
    ESSE LIVRO É FODA DEMAAAAAAAAAIS

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  11. Pq caralhos o Dorian fez aquilo? Mds q menino doido.
    Depois de fazer o discurso fodão ela se ajoelhou e chorou... Eu meio q ri, desculpa. Tbm iria chorar.

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  12. Aêêh!!! Agora bora fuder tudo kkkkkk

    Ps_ aelin nao chora pfv

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