29 de fevereiro de 2016

Capítulo 71

Rowan manobrou sua espada e o cão de caça de Wyrd caiu para trás, uivando quando sua lâmina perfurou a pedra e a carne macia abaixo. Mas não o suficiente para mantê-lo caído, para matá-lo. Outro cão de caã de Wyrd saltou. Onde eles se lançaram, Rowan atingiu.
Lado a lado, ele e Aedion foram empurrados contra uma parede, recuando passo após passo da passagem – cada vez mais longe do carretel de estopim que Aedion carregava e foi forçado a abandonar.
Um badalar, um ruído miserável ecoou.
No espaço entre as badaladas, Rowan cortou dois cães de caça diferentes, golpes que teriam estripados a maioria das criaturas.
A torre do relógio. Meio-dia.
Os cães de caça de wyrd os circundavam, esquivando-se dos golpes certeiros que os matariam, mantendo-se fora de seu alcance.
Para impedi-los de chegar ao estopim.
Rowan xingou e se lançou em um assalto que envolveu três deles de uma só vez, Aedion flanqueando-o.
Os cães de caça de Wyrd mantiveram a fileira.
Meio-dia, ele havia prometido a Aelin. Quando atingisse o seu ápice no solstício, fariam a torre desabar.
O último repique do relógio da torre soou. Meio-dia viera e se fora.
E sua Coração de Fogo, sua rainha, estava naquele castelo acima deles – deixada apenas em sua forma mortal e inteligência para mantê-la viva. Talvez não por muito tempo.
O pensamento era tão repugnante, tão escandaloso, que Rowan rugiu sua fúria, mais alto do que os gritos das bestas.
O berro custou seu irmão. Uma criatura disparou pela guarda de Rowan, saltando, e Aedion soltou uma maldição e cambaleou para trás. Rowan sentiu o cheiro do sangue de Aedion antes de vê-lo.
O sangue semifeérico deve ter sido com o sino do jantar para o cão de caça de Wyrd. Quatro saltaram para o general como um, suas bocas revelando dentes de pedra retalhando a carne.
Os outros três giraram para Rowan, e não havia nada que ele pudesse fazer para chegar ao estopim. Para salvar a rainha que segurou seu coração em suas mãos cheias de cicatrizes.



Poucos passos à frente dele, Chaol assistiu Aelin voltar para as portas de vidro, assim como tinham planejado depois de ver seus homens mortos.
A atenção do rei estava fixada no Olho de Elena em torno do pescoço dela. Ela o tirou, segurando-o em uma mão firme.
— Estava procurando por isso, não é? Pobre Erawan, trancado em seu pequeno túmulo durante tanto tempo.
Foi um esforço manter sua posição quando Aelin saiu em retirada.
— Onde você achou isso? — o rei fervia.
Aelin atingiu Chaol, roçando contra ele, um conforto, um agradecimento e um adeus enquanto continuava se afastando.
— Acontece que seus antepassados não aprovam seus hobbies. Nós, mulheres Galathynius, ficamos juntas, sabe...
Pela primeira vez em sua vida, Chaol viu o rosto do rei trair seu sentimento. Mas, então, o homem disse:
— E alguma tola velha falou o que acontecerá se você empunhar a outra chave que já possui?
Ela estava tão perto das portas.
— Deixe o príncipe ir, ou eu vou destruir esta aqui, e Erawan ficará preso — ela deslizou a corrente em seu bolso.
— Muito bem — respondeu o rei. Ele olhou para Dorian, que não mostrou nenhum sinal de se lembrar nem mesmo do seu próprio nome, apesar do que a bruxa escrevera nas paredes de sua cidade. — Vá. Recupere dela.
A escuridão subiu de Dorian, vazando como sangue na água, e a cabeça de Chaol explodiu de dor quando....
Aelin correu, atravessando com tudo as portas de vidro.
Mais rápido do que deveria ser, Dorian correu atrás dela, gelo revestindo o piso, o salão. O frio quase travou sua respiração. Mas Dorian não olhou uma vez em sua direção antes de sair.
O rei desceu um degrau do estrado, sua respiração nublando na frente dele.
Chaol levantou a espada, mantendo sua posição entre as portas abertas e o conquistador de seu continente.
O rei deu mais um passo.
— Mais palhaçadas heroicas? Você nunca se cansa delas, capitão?
Chaol não se rendeu.
— Você matou meus homens. E Sorscha.
— E muitos mais.
Outro passo. O rei olhou por sobre o ombro de Chaol para o corredor onde Aelin e Dorian haviam desaparecido.
— Isso termina agora — disse Chaol.



Os príncipes valg haviam sidos letais em Wendlyn. Mas quando habitavam o corpo de Dorian, com a magia de Dorian...
Aelin arremessou-se pelo corredor, janelas de vidro flanqueando-a, mármore abaixo – nada além do céu aberto em torno dela.
E por trás, perseguindo-a como uma tempestade negra, estava Dorian. Gelo propagava-se dele, geadas estilhaçando ao longo das janelas.
No momento em que o gelo a alcançasse, Aelin sabia que não daria mais um passo.
Ela memorizara cada corredor e escada graças aos mapas de Chaol. Forçou-se a ir mais rápido, rezando para que Chaol ganhasse tempo enquanto se aproximava de um vão estreito de escadas e atirou-se para cima, subindo dois ou três degraus de cada vez.
Gelo rachou ao longo do vidro bem atrás dela, e frio começou a alcançar seus calcanhares.
Rápido – rápido.
Girando e girando, e até que quase voava. Já passava do meio-dia. Se algo tinha dado errado com Rowan e Aedion...
Ela atingiu o topo das escadas, e gelo tornou o piso tão liso que ela derrapou, indo para o lado, deslizando...
Ela se parou com uma mão contra o chão, sua pele ralando no gelo. Acertou uma parede de vidro e recuperou, em seguida, corria novamente quando o gelo cobriu todas as paredes em torno dela.
Mais alto – ela tinha que subir mais.
E Chaol, de frente para o rei...
Ela não se permitiu pensar nisso. Lanças de gelo dispararam para fora das paredes, errando-a por pouco.
Sua respiração queimava em sua garganta.
— Eu lhe disse — uma voz masculina fria falou, não de todo sem fôlego. Teias de gelo atravessavam as janelas de cada lado. — Eu lhe disse se arrependeria por me poupar. Que eu destruiria tudo o que você ama.
Ela correu para uma ponte com cobertura de vidro que se estendia entre duas das mais altas torres. O chão era totalmente transparente, de modo que ela podia ver cada centímetro da queda para o chão muito, muito abaixo.
Gelo revestia as janelas, fazendo-as gemer...
Vidro explodiu, e um grito saiu de sua garganta quando o frio cortou suas costas.
Aelin desviou para o lado, para a janela agora quebrada, sua estrutura de ferro pequena demais, e a queda além.
E atirou-se através dela.

7 comentários:

  1. Mas que sufoco esse final! Agora vou ficar esperando mais uma vida até a editora lançar o próximo... Mas a série é muito boa, por isso vale a pena esperar.
    Obrigada pelo trabalho maravilhoso! Abraço!

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    1. De nada, Ro :)
      Que bom que gostou, espero que compre o livro quando lançar aqui no Brasil!

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  2. Oi tudo bem? Então desculpa mas eu n to entendendo. Não tem esse capitulo mas tem os depois dele. Só queria saber se vc vai postar depois mesmo
    Obridadoooo linda

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    1. Oi Pipa, tudo bem sim. Como eu disse ali, ainda estou revisando o livro, de modo que ainda tenho que atualizar os últimos capítulos. Mas olhei no original, o capítulo 71 estava junto com o 70, então tá certinho, não falta nada ^^

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  3. Final? como assim? rsrsrsr começou agora.

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