28 de fevereiro de 2016

Capítulo 6

— Você tem uma frase — Aelin soprou no ouvido da mulher quando pressionou o punhal com mais força contra o seu pescoço. — Uma frase para me convencer a não derramar o seu sangue no chão.
A mulher desceu as escadas e, para seu crédito, não foi estúpida o suficiente para buscar armas escondidas em sua lateral. Com as costas contra o peito de Aelin, suas armas estavam além do alcance, de qualquer maneira. Ela engoliu em seco, a garganta roçando a lâmina que Aelin segurava ao longo de sua pele lisa.
— Vou levá-la para o capitão.
Aelin cravou a faca um pouco mais.
— Pouco convincente para alguém com uma lâmina em sua garganta.
— Há três semanas, ele abandonou sua posição no castelo e fugiu. Para se juntar à nossa causa. A causa rebelde.
Os joelhos de Aelin ameaçaram parar de funcionar.
Ela supôs que deveria ter incluído três partidos em seus planos: o rei, Arobynn e os rebeldes – que poderiam muito bem ter contas a acertar com ela depois de ter esviscerado Archer Finn no inverno passado.
Mesmo assim, Chaol estava trabalhando com eles.
Ela se fechou ao pensamento antes que seu impacto abatesse sobre ela.
— E o príncipe?
— Vivo, mas ainda no castelo — a rebelde assobiou. — Isso é o suficiente para baixar sua faca?
Sim. Não. Se Chaol agora estava trabalhando com os rebeldes... Aelin baixou a faca e deu um passo atrás para dentro de uma piscina de luar que vinha de uma grade acima.
A rebelde girou e pegou uma de suas facas. Aelin estalou a língua. Os dedos da mulher fizeram uma pausa no punho bem polido.
— Eu decido poupá-la, e é assim que você me retribui? — Aelin perguntou, puxando o capuz para trás. — Eu particularmente não sei por que estou surpresa.
A rebelde largou a faca e tirou seu próprio capuz, revelando o bonita e bronzeado rosto solene e totalmente desprovido de medo. Seus olhos escuros fixos em Aelin. Aliada ou inimiga?
— Diga-me por que veio aqui — disse a rebelde em voz baixa. — O capitão diz que você está do nosso lado. No entanto, você se escondeu dele no Cofres esta noite.
Aelin cruzou os braços e encostou-se à parede de pedra úmida atrás dela.
— Vamos começar com você me dizendo o seu nome.
— Meu nome não é da sua conta.
Aelin arqueou uma sobrancelha.
— Você exige respostas, mas se recusa a me dar outra em troca. Não me admira que o capitão tenha-lhe feito esperar na reunião. É difícil de jogar o jogo quando você não conhece as regras.
— Eu ouvi o que aconteceu neste inverno. Que você foi para o armazém e matou tantos de nós. Você abateu os rebeldes, meus amigos — a máscara de calma não fez mais do que recuar. — E ainda assim supõe-se que devo acreditar que você estava do nosso lado o tempo todo. Perdoe-me se não sou franca com você.
— Eu não deveria matar as pessoas que sequestram e atacam meus amigos? — Aelin devolveu suavemente. — Eu não deveria reagir com violência quando receber bilhetes ameaçando matar meus amigos? Devo supor e acreditar que tinham boa fé, ameaçando o meu querido amigo de ser assassinado? — ela se afastou da parede, indo em direção à mulher. — Você gostaria que eu pedisse desculpas? Devo rastejar de joelhos por isso? — O rosto da rebelde não mostrou nada, fosse por treinamento ou frieza genuína. Aelin bufou. — Eu pensei assim. Então, por que você não me leva para o capitão e deixa a besteira hipócrita para mais tarde?
A mulher olhou para a escuridão mais uma vez e balançou a cabeça ligeiramente.
— Se você não tivesse colocado uma lâmina na minha garganta, eu teria lhe dito que chegamos. — Ela apontou para o túnel à frente. — Seja bem-vinda.
Aelin refletiu sobre bater a mulher na parede molhada e imunda apenas para lembrá-la exatamente quem era a campeã do rei, mas logo as respirações irregulares soaram em seus ouvidos, vindas daquela escuridão. Respiração e sussurros humanos.
Botas batendo contra a pedra, mais sussurros baixos – ordens apressadas vindo de vozes que ela não reconheceu, e tranquila agora, e...
Aelin sentiu os músculos travando quando uma voz masculina sussurrou:
— Nós temos vinte minutos até os navios. Mexam-se.
Ela conhecia aquela voz.
Mas ela ainda não podia se preparar para o impacto total de ver Chaol Westfall cambaleando para fora da escuridão no fim do túnel, segurando um homem muito magro e mole entre ele e um companheiro, outro homem armado guardando suas costas.
Mesmo à distância, os olhos do capitão travaram nos de Aelin. Ele não sorriu.

8 comentários:

  1. Chaol é um idiota! Desculpe se ofendi quem gosta dele mas é minha opinião...

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    1. Oq mais me dá raiva é o fato se que foi preciso os amigos deles se sacrificaram por ele pra ele de fato acordar e escolher um lado

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    2. eu simplesmente não gosto do chaol.

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  2. Eu gostava muito dele no primeiro e no segundo livro. Mas no terceiro... Só queria que ele sumisse logo.

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  3. Prefiro ela com o rowan (não se é assim que escreve)
    💋cat

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