29 de fevereiro de 2016

Capítulo 65

Seu antigo comandante esperava, os braços cruzados sobre o peito largo. Ele examinou Rowan com o cenho franzido, observando as ataduras em seu torso nu.
— Devo agradecer-lhe por colocar calças? — Lorcan perguntou, sua voz pouco mais que um vento meia-noite.
— Não quero que se sinta inadequado — Rowan respondeu, inclinando-se contra a porta do telhado.
Lorcan bufou uma risada.
— Será que a sua rainha a arranhou, ou são feridas de um daqueles animais que ela enviou atrás de mim?
— Eu estava pensando quem acabaria por vencer, você ou os cães de Wyrd Wyrd — um flash de dentes.
— Eu matei todos eles.
— Por que veio aqui, Lorcan?
— Acha que não sei que a herdeira de Mala Portadora do Fogo está planejando algo para o solstício de verão em dois dias? Os tolos já consideram a minha oferta?
A questão fora cuidadosamente redigida, para provocá-lo a revelar o que Lorcan só tinha adivinhado.
— Além de beber o primeiro vinho de verão e ser uma dor na minha bunda, não acho que ela esteja planejando alguma coisa.
— Então é por isso que o capitão está tentando marcar uma reunião com os guardas no palácio?
— Como vou saber o que ele faz? O garoto costumava servir o rei.
— Assassinos, prostitutas, traidores... que boas companhias você mantêm estes dias, Rowan.
— Melhor do que ser um cão preso por uma mestra psicótica.
— É isso que você pensava de nós? Todos esses anos em que trabalhamos juntos, homens mortos e mulheres nas camas juntos? Nunca o ouvi reclamar.
— Eu não sabia que havia algo de que reclamar. Eu era tão cego quanto você.
— E, em seguida, uma princesa de fogo apareceu em sua vida, e você decidiu mudar por ela, certo? — um sorriso cruel. — Você contou a ela sobre Sollemere?
— Ela sabe tudo.
— Ela sabe agora. Acho que sua própria história facilita ainda mais a compreensão dos horrores que você cometeu em nome de nossa rainha.
— Em nome da sua rainha. O que, exatamente, a respeito de Aelin o incomoda, Lorcan? Será que por ela não ter medo de você, ou por eu ter me afastado para ficar com ela?
Lorcan bufou.
— Tudo o que você está pensando, não vai funcionar. Todos vocês vão morrer no processo.
Era altamente provável, mas Rowan disse:
— Eu não sei do que você está falando.
— Você me deve mais confiança do que essa merda.
— Cuidado, Lorcan, ou vai soar como se se preocupasse com alguém diferente de si mesmo.
Como um filho bastardo descartado crescendo nas ruelas de Doranelle, Lorcan perdera essa capacidade séculos antes de Rowan nascer. Nunca teve pena por ele, no entanto. Não quando Lorcan fora abençoado em todos os outros aspectos pelo próprio Hellas. Lorcan cuspiu no telhado.
— Eu ia me oferecer para levar seu corpo de volta para a amada montanha para ser enterrado ao lado de Lyria, uma vez que eu encontrasse as chaves. Agora vou deixá-lo apodrecer aqui. Ao lado de sua linda princesa.
Ele tentou ignorar o golpe, o pensamento do túmulo no topo de sua montanha.
— Isso é uma ameaça?
— Por que eu iria me preocupar? Se você estiver realmente planejando algo, não vou precisar matá-la, ela pode fazer isso tudo sozinha. Talvez o rei coloque um daqueles colares nela. Assim como em seu filho.
Um acorde de horror o atingiu tão profundamente Rowan que seu estômago virou.
— Cuidado com o que diz, Lorcan.
— Aposto que Maeve ofereceria um bom dinheiro por ela. E se ela conseguir colocar as mãos em uma chave de Wyrd... Você pode imaginar tão bem quanto eu que tipo de poder Maeve deterá então.
Pior – era muito pior do que ele poderia imaginar Maeve querer Aelin não morta, mas escravizada. Uma arma sem limites de um lado, e a herdeira de Mala Portadora do Fogo do outro. Não haveria como impedi-la.
Lorcan viu a hesitação, a dúvida. Ouro brilhava em sua mão.
— Você me conhece, príncipe. Sabe que sou a única pessoa qualificada para caçar e destruir essas chaves. Permita que sua rainha assuma a reunião do exército no sul, e deixe essa tarefa para mim — o anel parecia brilhar à luz do luar quando Lorcan o estendeu. — Para o que ela está planejando, ela precisará disso. Ou então você pode dizer adeus — os olhos de Lorcan foram chips de gelo negro. — Nós todos sabemos quão bem você lidou em dizer isso para Lyria.
Rowan controlou sua raiva.
— Jure.
Lorcan sorriu, sabendo que tinha ganhado.
— Jure que isto concede imunidade ao anel valg, e eu lhe entregarei — disse Rowan, e ele puxou o amuleto da Orynth do bolso.
O foco de Lorcan estalou para o amuleto, para a estranheza de outro mundo que ele irradiava, e jurou. A lâmina brilhou, e então o cheiro do sangue de Lorcan encheu o ar. Ele cerrou o punho, levantando-o.
— Juro por minha honra e sangue que não estou enganado-o em nada disso. O poder do anel é genuíno.
Rowan assistiu o sangue escorrer para o telhado.
Uma gota, duas, três.
Lorcan poderia ter sido um canalha, mas Rowan nunca o tinha visto quebrar um juramento antes. Sua palavra era a sua ligação; e sempre fora a única moeda que ele apreciava. Ambos moveram-se ao mesmo tempo, lançando o amuleto e o anel para o espaço entre eles. Rowan pegou o anel e rapidamente o guardou no bolso, mas Lorcan apenas olhou para o amuleto em suas mãos, seus olhos como sombras. Rowan evitou o desejo de prender a respiração e ficou em silêncio. Lorcan deslizou a corrente no pescoço e colocou o amuleto dentro de sua camisa.
— Vocês todos vão morrer. Na realização deste plano, ou na guerra que se seguir.
— Você destrói essas chaves — Rowan devolveu — e pode não haver uma guerra. — Esperança de um tolo.
— Haverá uma guerra. É tarde demais para pará-la agora. É uma pena que o anel não os manterá a salvo do que está sendo armado sobre as muralhas do castelo.
Uma imagem passou pela sua cabeça – fez tudo piorar, talvez, por causa dos tempos que tinha visto ele mesmo, que fez a si mesmo.
— O que aconteceu com você, Lorcan? O que aconteceu em sua existência miserável para deixá-lo dessa maneira?
Ele nunca perguntara pela história completa, nunca se preocupara. Não se incomodou com ele até agora. Antes, teria ficado ao lado de Lorcan e insultado o pobre idiota que ousou desafiar sua rainha.
— Você é um homem melhor do que isso.
— Eu sou? Eu ainda sirvo à minha rainha, mesmo que ela não possa vê-lo. Quem foi que a abandonou na primeira vez que uma coisinha humana bonita abriu a pernas...
— É suficiente.
Mas Lorcan tinha ido embora.
Rowan esperou alguns minutos antes de descer de volta para a casa, girando o anel em seu bolso. Aelin estava acordada na cama quando ele entrou, fechou as janelas e cortinas, a lareira escura.
— Bem? — ela perguntou, a palavra quase inaudível acima do farfalhar dos cobertores enquanto subia ao seu lado.
Seus olhos afiados na noite lhe permitiam ver o movimento quando ela estendeu a mão e ele deixou cair o anel ali. Ela o deslizou em seu polegar mexeu os dedos, franzindo a testa quando nada particularmente emocionante aconteceu. Um riso ficou preso em sua garganta.
— Quão louco Lorcan vai ficar — Aelin murmurou quando eles ficaram cara a cara — quando ele finalmente abrir o amuleto, encontrar o anel do comandante valg dentro e perceber que você lhe deu um falso?



O demônio atacou as barreiras ainda existentes entre as suas almas, como se fossem de papel, até que apenas uma permaneceu, uma pequena carapaça de ego.
Ele não se lembrava de acordar, ou dormir, ou comer. De fato, havia muito poucos momentos em que ele estava lá, olhando para fora através de seus olhos. Somente quando o príncipe demônio se alimentava com os prisioneiros nas masmorras, quando ele lhe permitia se alimentar, beber ao lado dele, era a única vez que ele agora vinha à tona.
Seja qual fosse o controle que ele teve naquele dia...
Que dia?
Ele não conseguia se lembrar de uma época em que o demônio não tinha estado lá dentro dele.
E no entanto... Manon.
Um nome.
Não tenha um único pensamento – não pense nela. O demônio odiava esse nome.
Manon.
Chega. Nós não falamos deles, os descendentes de nossos reis.
Falar de quem?
Bom.



— Você está pronto para amanhã? — Aelin perguntou a Chaol enquanto estavam no telhado de seu apartamento, olhando para o castelo de vidro. No sol poente, ele era inundado de ouro e laranja e rubi, como se já estivesse em chamas.
Chaol rezou para não chegar a isso, mas...
— Tão pronto quanto eu posso estar.
Ele tentou não parecer muito hesitante, demasiado cauteloso, quando chegou há minutos para discutir o plano do dia seguinte pela última vez e Aelin ao invés disso pediu-lhe que se juntasse a ela ali em cima. Sozinho.
Ela vestia uma camisa branca solta por dentro de calças marrons apertadas, o cabelo solto, e não tinha sequer se preocupado em colocar os sapatos. Ele se perguntou o que seu povo pensaria de uma rainha com os pés descalços.
Aelin apoiou os antebraços na barra atrás dela, cruzando os tornozelos quando disse:
— Você sabe que não colocarei vidas em perigo desnecessariamente.
— Eu sei. Confio em você.
Ela piscou, e vergonha correu através dele como um choque no rosto.
— Você se arrepende de ter sacrificado sua liberdade para me mandar para Wendlyn?
— Não — ele respondeu, surpreendendo-se por descobrir ser verdade. — Independentemente do que aconteceu entre nós, eu era um tolo por servir o rei. Gosto de pensar que eu o teria deixado algum dia.
Ele precisava dizer isso a ela – precisava dizer isso desde o momento em que ela voltou.
— Comigo — ela disse, a voz rouca. — Você o teria deixado comigo, quando eu era apenas Celaena.
— Mas você nunca foi apenas Celaena, e acho que, no fundo, você sabia – mesmo antes de tudo acontecer. Agora eu entendo.
Ela estudou-o com olhos que eram muito mais velhos do que dezenove anos.
— Você ainda é a mesma pessoa, Chaol, que era antes de quebrar o juramento de seu pai.
Ele não tinha certeza se era ou não um insulto. Ele supôs que merecia, depois de tudo o que tinha dito e feito.
— Talvez eu não queira ser aquela pessoa — ele respondeu. Essa pessoa, que era estupidamente fiel, a pessoa inútil que perdeu tudo. Seu amigo, a mulher que ele amava, sua posição, sua honra. Perdeu tudo, por apenas culpar a si mesmo. — Sinto muito. Por Nehemia, tudo.
Não era o suficiente. Nunca seria. Mas ela deu-lhe um sorriso triste, os olhos indo para a pequena cicatriz em sua bochecha.
— Me desculpe por arranhar seu rosto, em seguida, tentar matá-lo — ela virou-se para o castelo de vidro novo. — Ainda é difícil para mim, pensar no que aconteceu neste inverno. Mas no final fico grata que tenha me enviado para Wendlyn, e fez a barganha com seu pai.
Ela fechou os olhos e respirou superficialmente.
Quando os abriu, o sol poente os encheu de ouro líquido. Chaol se preparou.
— Significava algo para mim. O que você e eu tínhamos. Mais do que isso, sua amizade significava algo para mim. Eu nunca disse a verdade sobre quem eu era porque não conseguia enfrentar essa verdade. Sinto muito se o que eu falei nas docas aquele dia, que eu iria buscá-lo, te fez pensar que eu ia voltar, e tudo seria corrigido. As coisas mudaram. Eu mudei.
Ele esperou por esta conversa há semanas, meses e agora – ele esperava gritar, ou interromper, ou simplesmente calá-la inteiramente. Mas não havia nada, apenas calma em suas veias, uma calma pacífica estável.
— Você merece ser feliz — disse ele. E quis dizer isso. Ela merecia a alegria que ele tantas vezes vislumbrou em seu rosto quando Rowan estava próximo, merecia o riso perverso que ela dividia com Aedion, o conforto e provocação com Lysandra. Ela merecia felicidade, talvez mais do que ninguém.
Ela lançou seu olhar por cima do ombro, onde a silhueta esguia de Nesryn enchia a porta para o telhado, onde ela esperava nos últimos minutos.
— Assim como você, Chaol.
— Você sabe que ela e eu não temos...
— Eu sei. Mas vocês deveriam. Faliq – Nesryn é uma boa mulher. Vocês se merecem.
— Isso supõe que ela tenha algum interesse em mim.
Um brilho conhecido naqueles olhos.
— Ela tem.
Chaol novamente olhou para Nesryn, que fitavao rio. Ele sorriu um pouco. Mas então Aelin falou:
— Pprometo que vou fazê-lo rápido e indolor. Por Dorian.
Sua respiração travou.
— Obrigado. Mas, se eu pedir... — ele não podia dizer isso.
— Então, o golpe será seu. Basta dizer uma palavra — ela correu os dedos sobre o olho de Elena, sua pedra azul brilhando ao sol. — Nós não olhamos para trás, Chaol. Não ajuda ninguém olhar para trás. Nós só podemos seguir em frente.
Lá estava ela, a rainha olhando para ele, uma sugestão da governante que ela estava se tornando. E tirou o fôlego dele, porque o fez sentir-se tão estranhamente jovem – quando agora ela parecia tão velha.
— E se nós seguirmos em frente — ele falou — apenas para encontrar mais dor e desespero? E se formos em frente, apenas para encontrar um final horrível esperando por nós?
Aelin olhou para o norte, como se pudesse ver todo o caminho para Terrasen.
— Então, não é o fim.



— Apenas vinte deles restando. Espero que eles estejam prontos para o inferno amanhã — disse Chaol sob sua respiração enquanto ele e Nesryn deixaram uma reunião secreta dos rebeldes em uma pousada degradada ao lado das docas de pesca. Mesmo dentro da pousada, a cerveja barata não tinha sido capaz de cobrir o fedor de peixe proveniente dos intestinos ainda salpicado as pranchas de madeira fora e as mãos dos peixeiros que partilhavam o salão da taverna.
— Eles serão melhores do que apenas dois — Nesryn respondeu, seus passos leves na madeira quando eles desceram o rio.
Lanternas nos barcos ancorados ao lado da passarela balançavam com a corrente, e a partir do outro lado do Avery, o som fraco de música escorria de uma das bonitas propriedades rurais em suas margens. A festa na véspera do solstício de verão.
Uma vez, há muito tempo atrás, ele e Dorian tinham ido a essas festas, indo a várias em uma noite. Ele nunca gostou, só tinha ido para manter Dorian seguro... ele deveria ter gostado. Deveria ter aproveitado cada segundo com seu amigo. Nunca percebera quão precioso os momentos calmos eram.
Mas ele não pensaria sobre isso, no que teria que fazer no dia seguinte. A quem diria adeus.
Eles caminharam em silêncio até Nesryn dobrar uma rua lateral e caminhar até um pequeno templo de pedra encravado entre dois armazéns de mercado. A rocha cinza era desgastada, as colunas que ladeavam a entrada eram decoradas com várias conchas e pedaços de coral. A luz dourada derramada a partir do interior revelava um espaço redondo, aberto com uma fonte simples em seu centro.
Nesryn subiu os degraus e colocou poucas moedas na bandeja selada ao lado de um pilar.
— Venha comigo.
E talvez fosse porque ele não queria sentar-se sozinho em seu apartamento e meditar sobre o que estava por vir no dia seguinte, talvez porque visitar um templo, talvez inútil, não poderia machucar.
Chaol a seguiu para dentro.
Naquela hora, o templo do Deus do Mar estava vazio. Uma pequena porta na parte de trás do espaço estava trancada. Até mesmo o sacerdote e sacerdotisa tinham ido dormir por algumas horas para terem que acordar antes do amanhecer, quando os marinheiros e pescadores fariam suas oferendas, refletiriam, ou pediriam bênçãos antes de sair com o sol.
Duas lanternas, criadas a partir de corais branqueados pelo sol, estavam penduradas no teto abobadado, construído por telhas madrepérolas acima deles que brilhavam como a superfície do mar. Nesryn tomou um assento em um dos quatro bancos estabelecidos ao longo das paredes curvas – um banco para cada direção de uma viagem marítima.
Ela escolhera sul.
— Para o Continente Sul? — Chaol perguntou, sentando-se ao lado dela na madeira lisa.
Nesryn olhou para a pequena fonte, a água borbulhando o único som.
— Fomos para o Continente Sul algumas vezes, duas vezes quando eu era criança para visitar a família; uma vez para enterrar minha mãe. Por sua vida inteira, eu sempre a peguei olhando o sul. Como se ela pudesse vê-lo...
— Pensei que só o seu pai tivesse vindo de lá.
— Sim. Mas ela se apaixonou por ele, e disse que se sentia mais em casa lá do que neste lugar. Meu pai nunca concordou com ela, não importa quantas vezes ela lhe implorasse para voltar.
— Você gostaria que ele tivesse voltado?
Seus olhos escuros como a noite se deslocaram para ele.
— Eu nunca senti como se tivesse uma casa. Aqui, ou em Milas Agia.
— A... a cidade dos deuses — disse ele, lembrando das lições de história e geografia que tivera. Ele era mais frequentemente chamado por seu outro nome, Antica, e era a maior cidade no Continente Sul, que abrigava um poderoso império em seu pleno direito, que alegava ter sido construída pelas mãos dos deuses. Também abrigava Torre Cesme, os melhores curandeiros mortais do mundo. Ele nunca conhecera a família de Nesryn não fosse a que estava na própria cidade. — Onde você acha que sua casa pode ser? — ele perguntou.
Nesryn apoiou os braços sobre os joelhos.
— Eu não sei—  admitiu ela, torcendo a cabeça para olhar para ele. — Alguma ideia?
Você merece ser feliz, Aelin havia dito mais cedo naquela noite. Um pedido de desculpas e um empurrão para fora da porta, ele supôs.
Ele não queria perder os momentos de calmaria.
Então pegou a mão dela, deslizando mais perto quando entrelaçou seus dedos. Nesryn olhou para suas mãos por um piscar de olhos, em seguida, sentou-se.
— Talvez uma vez que tudo isso... Uma vez que tudo acabar — disse Chaol com voz rouca — nós poderíamos descobrir isso. Juntos.
— Prometa-me — ela respirou, sua boca trêmula. Na verdade, aquilo era uma fresta de esperança nos olhos, que ela fechou tempo suficiente para dominar a si mesma.
Nesryn Faliq, às lágrimas.
— Prometa-me — ela repetiu, olhando para as mãos de novo — que você vai sair daquele castelo amanhã.
Ele se perguntou por que ela o trouxera ali. O deus do mar e o deus dos Juramentos. Ele apertou a mão dela. Ela apertou de volta.
Luz dourada ondulava na superfície da fonte do deus do mar, e Chaol ofereceu uma oração silenciosa.
— Eu prometo.



Rowan estava na cama, casualmente testando seu ombro esquerdo com giros cuidadosos. Ele se forçou muito durante o treinamento, e a dor agora latejava em seus músculos. Aelin estava em seu closet, preparando-se para dormir – silenciosa, como estivera o dia e a noite todos.
Com duas urnas de fogo infernal agora escondidas a um quarteirão de distância em um prédio abandonado, todos deviam estar andando na ponta dos pés. Um pequeno acidente, e eles seriam incinerados tão completamente que nenhuma cinza permaneceria.
Mas ele tinha a certeza de que não era essa a sua preocupação. No dia seguinte, ele e Aedion seriam aqueles que carregariam as urnas através da rede de túneis de esgoto e para o próprio castelo.
Aelin monitorara os cães de Wyrd e sua entrada – a entrada que os levava direito à torre do relógio – e agora que ela enganara Lorcan para matar todos por ela, o caminho estava mais livre para ele e Aedion plantarem as urnas, armares os estopins e usarem sua rapidez feérica para dar o fora antes de a torre explodir.
Então Aelin... Aelin e o capitão desempenhariam o seu papel, o mais perigoso de todos. Especialmente desde que eles não tinham sido capazes de obter uma resposta do palácio de antemão. E Rowan não estaria lá para ajudá-la.
Ele repassara o plano com ela de novo e de novo. As coisas poderiam dar errado tão facilmente, e ainda assim ela não parecia nervosa enquanto jantava. Mas ele a conhecia bem o suficiente para ver a tempestade abaixo da superfície, para sentir a sua carga, mesmo do outro lado da sala.
Rowan girou o ombro novamente, e passos suaves soaram no tapete.
— Eu estive pensando... — Rowan começou, e, em seguida, esqueceu tudo o que ia dizer quando saltou da cama.
Aelin estava recostada à porta do closet, vestida com uma camisola dourada.
Ouro metálico – como ele tinha solicitado.
Poderia ter sido pintada sobre ela tal qual abraçava cada curva e cavidade, por tudo o que ela ocultava.
Uma chama viva, era o que ela parecia. Ele não sabia para onde olhar, onde queria tocar primeiro.
— Se bem me lembro — ela falou lentamente — alguém pediu para lembrá-lo para provar que estou errada quanto às minhas hesitações. Acho que eu tinha duas opções: palavras, ou língua e dentes.
Um rosnado baixo retumbou em seu peito.
— Lembro-me agora.
Ela deu um passo, e o cheiro de seu desejo o atingiu como um tijolo no rosto. Ele rasgaria a camisola em pedaços. Não se importava quão espetacular parecia; ele queria a pele nua.
— Nem sequer pense sobre isso — disse ela, dando mais um passo, tão fluido quando o metal fundido. — Lysandra me emprestou.
Seus batimentos cardíacos trovejavam em seus ouvidos. Se ele se movesse um centímetro, estaria sobre ela, a pegaria em seus braços e descobriria o que, exatamente, fazia a herdeiro do fogo realmente queimar.
Mas ele saiu da cama, arriscando tudo em um único passo, bebendo a visão das pernas longas e nuas; a curva dos seios, o pescoço, apesar da noite de verão amena, o prumo de sua garganta enquanto ela engolia.
— Você disse que as coisas tinham mudado, que lidaríamos com isso — vez dela de ousar mais um passo. Outro. — Eu não pedirei qualquer coisa que você não esteja pronto ou disposto a dar.
Ele congelou quando ela parou diretamente diante dele, inclinando a cabeça para trás para estudar seu rosto quando o cheiro dela enroscou em torno dele, despertando-o.
Deuses, aquele cheiro. A partir do momento em que ele mordera o seu pescoço em Wendlyn, o momento em que provara seu sangue e abominou o fogo acenando e crepitando dentro dele, ele fora incapaz de tirá-la de seus pensamentos.
— Aelin, você merece melhor do que isto, do que eu — ele queria dizer isso fazia tempo.
Ela não fez mais do que recuar.
— Não me fale o que mereço ou não. Não me fale sobre amanhã, ou o futuro, nem nada disso.
Ele tomou sua mão; seus dedos estavam frios – tremendo um pouco.
O que você quer que eu lhe diga, Coração de Fogo?
Ela estudou as mãos unidas, e o anel de ouro que cerca no polegar. Ele apertou os dedos suavemente. Quando ela levantou a cabeça, seus olhos brilhavam.
— Diga-me que nós vamos passar por amanhã. Que vamos sobreviver à guerra. Diga-me... — ela engoliu em seco. — Diga-me que mesmo se nos conduzir à ruína, nós vamos queimar no inferno juntos.
— Nós não vamos para o inferno, Aelin — respondeu ele. — Mas aonde quer que formos, vamos juntos.
Sua boca tremeu um pouco, e ela ergueu a mão apenas para colocá-la em seu próprio em seu peito.
— Apenas uma vez. Eu quero te beijar apenas uma vez.
Cada pensamento saiu de sua cabeça.
— Soa como se você esperasse que não vamos fazê-lo novamente.
O brilho de medo nos olhos dela disse-lhe o suficiente – disse-lhe que o seu comportamento no jantar poderia ter sido principalmente atuação para manter Aedion calmo.
— Eu sei das chances.
— Você e eu sempre adoramos condenar as chances.
Ela tentou e não conseguiu não sorrir. Ele inclinou-se, deslizando a mão ao redor de sua cintura, as rendas e seda suaves contra seus dedos, seu corpo quente e firme por baixo dele, e sussurrou em seu ouvido:
— Mesmo que estejamos separados amanhã, eu estarei com você a cada passo do caminho. E cada passo depois, aonde quer que seja.
Ela respirou estremecendo, e ele a puxou o suficiente para que eles compartilhassem a respiração. Seus dedos tremiam enquanto ela os roçou contra a sua boca, e seu controle quase quebrou direito ali.
— O que você está esperando? — ele perguntou, as palavras próximas do gutural.
— Bastardo — ela murmurou, e beijou-o.
Sua boca era suave e quente, e ele reprimiu um gemido. Seu corpo ficou imóvel – todo o seu mundo ficou imóvel – ainda naquele sussurro de um beijo, a resposta a uma pergunta que ele fizera por séculos. Ele percebeu que estava encarando-a apenas quando ela se retirou ligeiramente. Seus dedos apertaram a cintura dela.
— Mais uma vez — ele respirou.
Ela deslizou para fora de seu aperto.
— Se vivermos depois de amanhã, você terá o resto.
Ele não sabia se ria ou rugia.
— Você está tentando me subornar para sobreviver?
Ela sorriu finalmente. E maldição, se ele não morresse pela alegria tranquila em seu rosto.
Eles haviam saído da escuridão e da dor e desespero juntos. Ainda estavam andando para fora disso. Então aquele sorriso... Pareceu-lhe estúpido toda vez que ele viu e percebeu que era para ele. Rowan permaneceu enraizado no centro do quarto quando Aelin subiu na cama e apagou as velas. Ele olhou para ela através da escuridão.
Ela disse baixinho:
— Você me faz querer viver, Rowan. Não sobreviver, não existir. Viver.
Ele não tinha palavras. Não quando o que ela lhe disse o acertou mais forte e mais profundo do que qualquer beijo. Então ele subiu na cama e segurou-a firmemente durante toda a noite.

22 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira2 de março de 2016 18:11

    Que fofos, adorei, não shippo mais Chaol e Celaena, VIVA ROWAN E AELIN #EUSHIPPO #ROWLIN #AEWAN #TheySeeMeRowlin Kkkkk piadinha de trocadilho Rollin'

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  2. Amei as cenas do Rowan e Aelin e do Chaol e Nesryn. Essa Sarah J Maas... Ela já bagunçou minha cabeça várias vezes com esses ships!

    Trono de Vidro - Celeana e Dorian
    Coroa da Meia noite - Celeana e Chaol
    Herdeira do fogo - Dorian e Sorscha; Celeana e Rowan
    Rainha das Sombras - Chaol e Nesryn; Aelin e Rowan.

    Tô com medo dos próximos livros.

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    1. Muito medo. A autora quer nos matar!!!!
      #Rowlin #Chasryn

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    2. No próximo livro vai ter Dorian e Manon kkkkkk

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    3. Lamina assassina Celaena e San

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    4. Concordoooo #Rowaelin sempre agora, não aceito Aelin/Celaena com mais ninguém sem ser Rowan
      Tomara que os próximos livros tenha novos casais como Lizandra e Aedion pq os dois estão sozinhos e merecem ser felizzz e Manon e Dorian, pq amei os dois juntos <3

      Ass Thalissa

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  3. ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️ Oooooowwwwwwwnnnnnnnttttttttttt❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️

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  4. BOTA ESSE ANEL NO DORIAN E ELE VOLTA AO NORMAL #SEJAMINTELIGENTES

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    1. tambem pensei nisso so bota o anel em doriam

      rowam e aelin S2

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  5. Shippo muito Rowan e Aelin. A quimica e a conexão entre eles é muito forte. Nada comparado ao que ela tinha com Dorian ou Chaol.

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  6. CARALHO. CARALHO PLMDS EU NN TO RESPIRANDO! FINALMENTE! FINALMENTEEEEEEEEE UHUHUUUUHHL! CARALHO! EU NN TO CONSEGUINDO PARAR DE GRITAR E CHORAR E XINGAR PQ TA MARAVILHOSO! PQP EU TO MORRENDO

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  7. Gente, serio, esse lance de mortal e imortal tá me preocupando rsrsrsr se ela ficar na sua forma freetica ela tb fica imortal?

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  8. Então viva Aelin.

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  9. " Você me faz querer viver, Rowan. Não sobreviver, não existir. Viver."

    Own! Que lindo! 👏👏👏❤❤❤❤🔥🔥🔥

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  10. Lindooo ameeeiiii marquei na página dos favoritos mlr capítulo!
    Só espero q a Manon chegue antes q matem Dorian

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  11. Finalmente ouve beijo!! ❤❤❤❤ ❤❤❤❤ ❤❤❤❤

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