12 de fevereiro de 2016

Capítulo 63

Aedion soltou um assobio baixo e ofereceu a Chaol a garrafa de vinho apoiada entre os dois, no telhado do apartamento de Celaena. O capitão, não sentindo vontade alguma de beber, fez que não com a cabeça.
— Eu queria ter estado lá para ver. — Ele deu a Chaol um sorriso lupino. — Fico surpreso por você não me condenar por dizer isso.
— Quaisquer que tenham sido as criaturas que o rei enviou com Narrok, não acho que fossem homens inocentes — falou o capitão. — Ou sequer que ainda fossem homens.
Ela conseguira; fizera uma demonstração tal que, mesmo dias depois, Aedion ainda comemorava. Em silêncio, é claro.
Chaol fora até lá naquela noite planejando contar a Aedion e a Ren o que sabia sobre o feitiço que o rei tinha usado, e como poderiam destruí-lo. Mas ainda não o dissera. Ainda imaginava o que Aedion faria com aquele conhecimento.
Principalmente depois que partisse para Anielle em três dias.
— Quando ela chegar em casa, você vai precisar ser discreto em Anielle — comentou Aedion, bebendo da garrafa. — Depois que for descoberto quem ela era todos esses anos.
E seria descoberto, Chaol sabia. Ele já se preparava para tirar Dorian e Sorscha do castelo. Mesmo que não tivessem feito nada errado, tinham sido amigos dela. Se o rei soubesse que Celaena era Aelin, poderia ser tão letal quanto se descobrisse que Dorian tinha magia. Quando ela voltasse, tudo mudaria.
Sim, Aelin voltaria para casa. No entanto, não para Chaol. Voltaria para casa em Terrasen, para Aedion e Ren e para a corte que estava se reunindo em seu nome. Voltaria para encontrar guerra e sangue e responsabilidades. Parte de Chaol ainda não conseguia aceitar o que ela fizera com Narrok, o grito de guerra que dera do outro lado do mar. O capitão não conseguia aceitar aquela parte dela, tão sedenta por sangue e implacável. Mesmo como Celaena, fora difícil às vezes, e ele tentara enxergar além daquilo, mas como Aelin... Soubera, desde que descobrira quem ela era, que embora Celaena sempre fosse escolher Chaol, Aelin não escolheria.
E não seria Celaena Sardothien quem voltaria para aquele continente.
Levaria tempo, o capitão sabia – para que parasse de doer, para esquecer.
Contudo, a dor não seria eterna.
— Há... — Aedion trincou o maxilar, como se debatendo se diria o resto. — Há alguma coisa que queira que eu diga a ela, ou que dê a ela?
A qualquer momento, qualquer hora, o general poderia precisar correr para Terrasen, para a rainha dele.
O Olho de Elena estava quente no pescoço, e ele quase o pegou. Mas não conseguia mandar aquela mensagem, ou deixá-la por completo, ainda não.
Assim como não conseguia contar a Aedion sobre a torre do relógio.
— Diga a ela — pediu Chaol, baixinho — que eu não tive nada a ver com você. Diga que mal falou comigo. Ou com Dorian. Diga que estou bem em Anielle, e que estamos todos em segurança.
Aedion ficou calado por tanto tempo que o capitão se levantou para ir embora. Mas então o general falou:
— O que você daria... apenas para vê-la de novo?
Chaol não conseguiu se virar ao dizer:
— Não importa mais.



Sorscha apoiou a cabeça no ponto macio entre o ombro e o peito de Dorian, inspirando-lhe o cheiro. O príncipe já estava dormindo profundamente. Quase – eles tinham quase ultrapassado os limites naquela noite, mas ela de novo hesitara, de novo deixara que aquela dúvida idiota surgisse quando Dorian perguntou se estava pronta, e, embora quisesse dizer sim, respondeu que não.
Sorscha ficou deitada, acordada, o estômago apertado e a mente acelerada.
Havia tanto que queria fazer e ver com ele. No entanto, conseguia sentir o mundo girando, o vento mudando. Aelin Galathynius estava viva. E, mesmo que a curandeira desse tudo a Dorian, as semanas e os meses seguintes seriam provações o suficiente para ele sem precisar se preocupar com ela.
Se o capitão e o príncipe decidissem agir de acordo com o que sabiam, se a magia fosse libertada... seria o caos. As pessoas poderiam enlouquecer com o retorno súbito, como fizeram quando se foi. Sorscha não queria pensar no que o rei faria.
Mesmo assim, não importava o que acontecesse no dia seguinte, ou na semana seguinte, ou no ano seguinte, estava grata. Grata aos deuses, ao destino, a si mesma por ter sido corajosa o bastante para beijar Dorian naquela noite. Grata por aquele pouco de tempo que recebera com ele.
A curandeira ainda pensava no que o capitão tinha dito tantas semanas antes – sobre ser rainha.
Mas o príncipe precisava de uma rainha de verdade se fosse sobreviver àquilo. Algum dia, talvez, Sorscha precisasse enfrentar a escolha de deixá-lo pelo bem maior. Ela ainda era calada e se sentia pequena. Se mal conseguia enfrentar Amithy, como poderiam esperar que lutasse pelo próprio país?
Não, não podia ser rainha, pois havia limites à coragem dela e ao que poderia oferecer.
Mas por enquanto... por enquanto, poderia ser egoísta por mais um tempo.



Durante dois dias, Chaol continuou a planejar uma fuga para Dorian e Sorscha, Aedion trabalhava com ele. O casal não tinha protestado conforme o capitão explicou – e havia até um toque de alívio nos olhos do príncipe. Todos iriam no dia seguinte, quando Chaol partisse para Anielle. Era a desculpa perfeita para que saíssem do castelo: queriam acompanhar o amigo durante um ou dois dias antes de se despedirem. Chaol sabia que Dorian tentaria voltar para Forte da Fenda, que precisaria brigar com o príncipe por isso, mas pelo menos os dois concordavam que Sorscha deveria sair dali. Alguns dos pertences do próprio Aedion já estavam no apartamento, no qual Ren continuava reunindo recursos para todos.
Apenas caso precisassem. Chaol entregara as sugestões formais de substituto ao rei, e o anúncio seria feito na manhã seguinte. Depois de tantos anos, de todo o planejamento, da esperança e do trabalho, ele partiria. Não conseguira deixar a espada para o substituto, como deveria ter feito. O dia seguinte; só precisaria enfrentar o dia seguinte.
Contudo, de maneira alguma o capitão poderia ter se preparado para a convocação que recebeu do rei de Adarlan para que o encontrasse na câmara particular do conselho. Quando chegou, Aedion já estava lá, cercado por 15 guardas que Chaol não reconhecia, todos vestindo aquelas túnicas com a serpente alada real bordada em linha preta.
O rei de Adarlan sorria.



Dorian ouviu em minutos que Aedion e Chaol tinham sido convocados para a sala particular do conselho do pai. Assim que soube, correu; não atrás de Chaol, mas de Sorscha.
O príncipe quase desabou de alívio ao encontrá-la na sala de trabalho. Mas Dorian encontrou forças para caminhar alguns passos pela sala, então segurou a mão da curandeira.
— Vamos sair. Agora. Você vai sair deste castelo agora mesmo, Sorscha.
Ela recuou.
— O que aconteceu? Conte o que...
— Vamos agora — disse Dorian, ofegante.
— Ah, acho que não — ronronou alguém da porta, que estava aberta. Dorian se virou e viu Amithy – a curandeira mais velha – parada ali, os braços cruzados e um leve sorriso. Ele não conseguiu fazer nada quando meia dúzia de guardas desconhecidos surgiu logo atrás e a mulher falou:
— O rei quer ver os dois na câmara dele. Imediatamente.

8 comentários:

  1. Ai gzuis essa é a hora da cel vin salvar o dia.

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  2. Fudeu!!!!!
    Eles tem q consegui escapar!!!!!
    O rei não pode matar o Aedion ou a Sorscha ou o Dorian nem o Chaol!!!

    Apesar q se matarem o Chaol ou a Sorscha eu supero mas se o Aedion e o Dorian morrerem eu entro em depreciação e entro no livro só para esfolar o rei!!!!

    ~Mari

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  3. Se ele matar qualquer um deles entro no livro e acabo com esse rei!!!!

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  4. a autora tem que pagar meu plano de saúde, tô morrendo aqui!

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