29 de fevereiro de 2016

Capítulo 61

A caminhada de volta através de Carvalhal foi a mais longa jornada da vida miserável de Aelin. Nesryn retirara a flecha do ombro de Rowan, e Aedion encontrara algumas ervas para mastigar e enfiar na ferida aberta para estancar o sangramento.
Mas Rowan ainda estava caído contra Chaol e Aedion enquanto se apressavam através da floresta.
Não havia lugar para correr. Ela não tinha um lugar para levar um macho feérico ferido na capital, nem em todo o buraco de merda que era o reino.
Lysandra estava pálida e tremendo, mas endireitou os ombros e se ofereceu para ajudar a apoiar Rowan quando um deles cansou. Ninguém aceitou. Quando Chaol finalmente pediu a Nesryn para assumir, Aelin vislumbrou sangue encharcando sua túnica e mãos – o sangue de Rowan – e quase vomitou.
Lento – cada passo era mais lento enquanto a força de Rowan diminuía.
— Ele precisa descansar — Lysandra falou suavemente.
Aelin fez uma pausa, os carvalhos imponentes pressionando em torno dela.
Os olhos de Rowan estavam semicerrados, o rosto drenado de toda cor. Ele não conseguia sequer levantar a cabeça. Ela deveria ter deixado a bruxa morrer.
— Não podemos simplesmente acampar no meio do mato — disse Aelin. — Ele precisa de um curandeiro.
— Eu sei onde podemos levá-lo — falou Chaol.
Ela arrastou os olhos para o capitão. Ela deveria ter deixado a bruxa matá-lo também.
Chaol sabiamente evitou seu olhar e olhou para Nesryn.
— A casa de campo do seu pai. O caseiro é casado com uma parteira.
A boca de Nesryn apertou.
— Ela não é uma curandeira, mas... sim, pode ajudar.
— Vocês entendem — Aelin falou muito calmamente — que se eu suspeitar que eles vão nos trair, eles morrerão?
Era verdade, e talvez ela fosse um monstro para Chaol, mas ela não se importava.
— Eu sei — disse Chaol.
Nesryn apenas acenou com a cabeça, ainda calma, ainda sólida.
— Então lidere o caminho — pediu Aelin, sua voz oca. — E reze para que eles possam manter suas bocas fechadas.



Um alegre latido frenético os cumprimentou, despertando Rowan da semiconsciência em que tinha caído nos últimos quilômetros até a pequena fazenda. Aelin mal respirava o tempo todo.
Mas apesar de tudo, apesar das lesões de Rowan, quando Ligeirinha correu pela grama alta na direção deles, Aelin sorriu um pouco.
A cadela saltou sobre ela, lambendo, choramingando e abanando o rabo de pelos dourados.
Ela não percebera quão imundas e sangrentas suas mãos estavam até que ela as colocou no pelo brilhante de Ligeirinha.
Aedion grunhiu quando sustentou todo o peso de Rowan enquanto Chaol e Nesryn corriam para a grande casa de campo bem iluminada, o crepúsculo caindo completamente em torno deles. Bom. Menos olhos para ver como eles saíram de Carvalhal e cruzaram os campos recém-arados. Lysandra tentou ajudar Aedion, mas ele se recusou novamente. Ela sibilou para ele e ajudou de qualquer maneira.
Ligeirinha dançava ao redor de Aelin, então notou Aedion, Lysandra e Rowan, e que a cauda se tornou um pouco mais hesitante.
— Amigos — ela disse à cadela.
Ela ficara enorme desde que Aelin a vira pela última vez. Não tinha certeza de por que isso a surpreendeu, quando tudo o mais em sua vida mudara também.
A garantia de Aelin pareceu boa o suficiente para Ligeirinha, que trotou em frente, acompanhando-os até a porta de madeira que se abria para revelar uma parteira alta de rosto sério que lançou um olhar para Rowan e franziu a testa.
Uma palavra. Uma palavra maldita que sugerisse que ela os trairia, e ela estaria morta.
Mas a mulher disse apenas:
— Quem pôs esses musgos na ferida salvou a vida dele. Coloquem-no para dentro, nós precisamos limpá-lo antes de mais nada.



Levou algumas horas para Marta, a esposa do caseiro, limpar, desinfetar e remendar as feridas de Rowan. Sorte, ela não parava de dizer, muita sorte que não tenha atingido qualquer coisa vital.
Chaol não sabia o que fazer que não fosse levar embora as tigelas de água ensanguentada.
Aelin apenas ficava sentada em um banquinho ao lado da cama no quarto de hóspedes da casa elegante e confortável e monitorava cada movimento que Marta fazia.
Chaol se perguntou se Aelin sabia que estava suja e ensanguentada. Que parecia ainda pior do que Rowan.
Seu pescoço estava arranhado, o sangue secara em seu rosto machucado e a manga esquerda da sua túnica rasgada revelava um corte feio. E depois havia a poeira, sujeira e sangue azul da Líder Alada cobrindo-a.
Mas Aelin estava empoleirada no banco, sem se mover, apenas bebendo água, rosnando se Marta sequer olhasse por muito tempo para Rowan.
Marta, de alguma forma, suportou.
E quando a parteira acabou, ela enfrentou a rainha. Sem alguma indicação de saber quem estava sentada em sua casa, Marta falou:
— Você tem duas opções: pode lavar-se na torneira lá de fora, ou pode se sentar com os porcos a noite toda. Está suja o suficiente para que um toque infeccione suas feridas.
Aelin olhou por cima do ombro para Aedion, que estava encostado na parede atrás dela. Ele concordou em silêncio. Ele cuidaria do feérico.
Aelin se levantou e saiu.
— Vou inspecionar sua outra amiga agora — Marta falou, e correu para onde Lysandra adormecera no quarto ao lado, encolhida em uma cama estreita. No andar de cima, Nesryn estava ocupada lidando com o pessoal – garantindo seu silêncio. Mas ele vira a alegria instantânea em seus rostos quando eles chegaram: Nesryn e a família Faliq haviam ganhado sua lealdade há muito tempo.
Chaol deu a Aelin dois minutos, depois a seguiu para fora.
As estrelas brilhavam intensamente, a lua cheia quase ofuscante. O vento da noite sussurrava através da grama, quase inaudível por sobre os sons da torneira sendo acionada e a água correndo.
Ele encontrou a rainha agachada diante dela, com o rosto no fluxo de água.
— Sinto muito — ele falou.
Ela esfregou o rosto e puxou a alavanca até mais água ser derramada sobre ela.
— Eu só queria acabar com aquilo, por ele — Chaol continuou. — Você estava certa... todo esse tempo, você estava certa. Mas eu queria outra coisa. Sinto muito.
Ela soltou a alavanca e girou para olhá-lo.
— Eu salvei a vida da minha inimiga hoje — ela falou, sem rodeios. Ela se ergueu, limpando a água do rosto. E, embora ele fosse mais alto do que ela, sentiu-se diminuído quando Aelin o encarou. Não, não apenas Aelin. A rainha Aelin Ashryver Galathynius, ele percebeu, olhava para ele. — Eles tentaram atirar em mim... e Rowan tomou a flecha. E eu a salvei mesmo assim.
— Eu sei — ela gritara quando a flecha acertara Rowan... — Sinto muito — ele repetiu.
Ela olhou para as estrelas – em direção ao Norte. Seu rosto estava tão frio.
— Será que você realmente o teria matado se tivesse a chance?
— Sim — Chaol sussurrou. — Eu estava pronto para isso.
Ela lentamente virou-se para ele.
— Nós vamos fazer isso juntos. Libertaremos a magia, e então você e eu vamos lá e acabaremos com isso juntos.
— Você não vai insistir que eu permaneça afastado?
— Como posso negar esse último presente a ele?
— Aelin...
Seus ombros caíram ligeiramente.
— Eu não o culpo. Se fosse Rowan com o colar em volta do pescoço, eu teria feito o mesmo.
As palavras o atingiram no estômago, enquanto ela se afastava.
Um monstro, ele a chamara semanas atrás. Acreditara nisso, e permitiu que fosse um escudo contra o amargo sabor de decepção e tristeza.
Ele era um tolo.



Eles se foram com Rowan antes do amanhecer. Por qualquer graça imortal persistente em suas veias, ele tinha se curado o suficiente para andar por conta própria, assim saíram da linda casa antes que qualquer empregado despertasse. Aelin deu adeus apenas para Ligeirinha, que dormira enrolada ao seu lado durante a longa noite em que ela observara Rowan.
Em seguida, eles estavam fora, Aelin e Aedion flanqueando Rowan, seus braços sobre os ombros deles enquanto se apressavam à pé pelas colinas.
A névoa no início da manhã os cobria quando eles fizeram o seu caminho para Forte da Fenda uma última vez.

13 comentários:

  1. Não sou capaz de opinar

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    1. somos duas esse cao não tem o que falar sobre ele nada a declarar

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  2. Chaol se deixou levar pela decepção de perder a Celaena (que deixou de existir) e esqueceu de lutar pela Aelin ... Uma pena, pois ele seria o equilíbrio na vida da rainha. Agora o melhor pra ele é a Nesryn, uma semelhante.

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  3. Que bom o Chaol finalmente percebeu quão idiota tava sendo, não sei se há chance de romance entre eles mais, até pq nenhum deles parece ainda ter aquele sentimento pelo outro, só espero que eles sejam pelo menos bons amigos, a aelin precisa de pessoas em que possa contar e confiar

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  4. Gente, que capítulo. Quando era pra o chaol ter esperança no dorian depois que ele ouviu a conversa com a Manon ele vai e tenta matar o pobre. Não tem como entender essa corte da Aelin .

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  5. Acho que no fim a Aelin vai ficar com Rowan o Doria se não morrer fica com a manon o chAOL com a nesryn e o Aedion fica com a lyssandra.

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    1. e isso ai kkkk

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    2. Super aprovo, essa é a minha meta até agora

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  6. eu nunca perdi a esperança pelo Chaol, sabia que ele acordaria(mas ele tem seus motivos,tudo aconteceuu tão rápido)
    :D

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  7. Ligeirinhaaaa que saudades!!!!!!!

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