29 de fevereiro de 2016

Capítulo 60

Por um momento, o mundo parou.
Rowan bateu sobre as pedras do templo, o seu sangue acertando a rocha envelhecida.
O grito de Aelin ecoou pela ravina.
Mas então ele se levantou novamente, correndo e gritando para ela ir. Sob a flecha escura enfiada através de seu ombro, o sangue já encharcava sua túnica, sua pele.
Se ele tivesse acertado alguns centímetros para o lado, teria atingido seu coração.
A doze metros sobre a ponte, a Líder Alada se aproximava deles. Aedion fez chover flechas em suas sentinelas com precisão sobrenatural, mantendo-as na borda da linha das árvores.
Aelin passou um braço em torno de Rowan e eles correram através das pedras do templo, seu rosto pálido enquanto a ferida jorrava sangue. Ela ainda poderia estar gritando ou chorando – mas seu rugido era silencioso agora.
Seu coração – a flecha fora destinada para o coração dela.
E ele havia tomado essa flecha por ela.
A calma assassina propagou-se por ela como uma nevasca. Ela mataria todas. Devagar.
Eles alcançaram a segunda ponte ao mesmo tempo em que a saraivada de flechas de Aedion parou, sua aljava sem dúvidas vazia. Ela empurrou Rowan por sobre as tábuas.
— Corra — ordenou ela.
— Não...
— Corra.
Era uma voz que ela jamais se ouvira usar – a voz de uma rainha – a voz que saiu junto com o puxão cego ela fez sobre o juramento de sangue que os unia.
Seus olhos brilharam com fúria, mas seu corpo se movia como se o estivesse obrigando. Ele cambaleou através da ponte, ao mesmo tempo em que...
Aelin girou, desembainhando Goldryn e se esquivando da espada que a Líder Alada direcionava para a sua cabeça. Ela acertou a pedra, o pilar gemendo, mas Aelin já estava se movendo – não para a segunda ponte, mas de volta para a primeira, no lado das bruxas.
As outras bruxas, sem as flechas de Aedion para bloqueá-las, agora saiam da cobertura da floresta.
— Você — a Líder Alada rosnou, atacando novamente. Aelin rolou – direito através do sangue de Rowan – esquivando-se de novo do golpe fatal. Ela se ergueu na frente da primeira ponte, e duas descidas de Goldryn fizeram as correntes estalar.
As bruxas derraparam até parar na beira do barranco quando a ponte desabou, cortada.
O ar atrás dela mudou, e se ela moveu – mas Aelin não foi rápida o suficiente. Pano e carne foram rasgados em seu braço, e ela soltou um grito quando a lâmina da bruxa a cortou. Ela girou, trazendo Goldryn para o segundo golpe. Aço se chocou contra aço, fazendo faíscas voarem.
O sangue de Rowan estava a seus pés, cobrindo as pedras do templo. Aelin Galathynius olhou para Manon Bico Negro por sobre suas espadas cruzadas e soltou um rosnado baixo e vingativo.



Rainha, salvadora, inimiga, Manon não dava a mínima.
Ela mataria a mulher.
Suas leis exigiam; sua honra exigia.
Mesmo que ela não tivesse matado Baba Pernas Amarelas, Manon teria matado apenas por aquele feitiço que ela usou para congelá-la no lugar.
Era isso o que ela fazia com os pés. Escrevendo algum feitiço com o sangue do homem. E agora ela morreria.
Ceifadora de Vento pressionou contra a lâmina da rainha. Mas Aelin se manteve firme e sussurrou:
— Eu vou rasgá-la em pedaços.
Atrás delas, as Treze se reuniram à beira da ravina, da ponte cortada. Um assobio de Manon fez metade delas subir para as serpentes aladas. Ela não chegaria a soar o segundo assobio.
Mais rápido que um ser humano tinha o direito de ser, a rainha lhe atacou na perna, o golpe fazendo Manon tropeçar para trás.
Aelin não hesitou; girou a espada na mão e se lançou.
Manon desviou o golpe, mas Aelin ultrapassara sua guarda e acertou-a, batendo sua cabeça contra as pedras que estavam úmidas com o sangue do guerreiro feérico. Manchas escuras tomaram sua visão.
Manon prendeu a respiração para o segundo assobio – o que pararia Asterin e suas flechas.
Ela foi interrompida pela rainha acertando o punho no rosto de Manon.
O preto tomou ainda mais sua visão, mas ela se retorceu, revirou-se com cada pedaço de sua força imortal, e elas foram lançadas em todo o chão do templo. A queda apareceu, e então...
Uma flecha passou zunindo para acertar a rainha exposta quando ela se abaixou sobre Manon.
Manon retorceu-se novamente, e a flecha ricocheteou no pilar em vez disso. Ela jogou Aelin para longe, mas a rainha estava instantaneamente de pé, ágil como um gato.
— Ela é minha — Manon rosnou através da ravina para Asterin.
A rainha riu, rouca e fria, circulando quando Manon se levantou.
Do outro lado da ravina, os dois homens ajudavam o guerreiro feérico ferido a sair da ponte, e o guerreiro de cabelos dourados carregava...
— Não se atreva, Aedion — disse Aelin, erguendo a mão na direção do macho.
Ele congelou a meio caminho através da ponte. Impressionante, Manon admitiu, tê-los sob seu comando tão completamente.
— Chaol, mantenha um olho nele — a rainha ordenou.
Então, seguindo o olhar de Manon, Aelin embainhou a poderosa lâmina nas costas, o rubi gigante no pomo capturando a luz do meio-dia.
— Espadas são chatas — disse a rainha, e espalmou duas facas de combate.
Manon embainhou Ceifadora de Vento em suas próprias costas. Ela moveu os pulsos, as unhas de ferro disparando para fora. Abriu sua mandíbula, e suas presas desceram.
— De fato.
A rainha olhou para as unhas e os dentes e sorriu.
Honestamente, era uma pena que Manon tivesse que matá-la.



Manon Bico Negro pulou, rápida e mortal como uma víbora.
Aelin se arremessou para trás, esquivando-se de cada golpe das unhas de ferro letais. Em sua garganta, seu rosto, seu intestino. Recuando e recuando, circulando em torno dos pilares.
Era apenas uma questão de minutos antes de as serpentes aladas chegarem.
Aelin atacou com seus punhais, e a bruxa se esquivou dela, apenas para atacar com as unhas ao longo no pescoço de Aelin.
Aelin girou para o lado, mas as unhas roçaram sua pele. Sangue esquentou seu pescoço e ombros.
A bruxa era tão malditamente rápida. E um inferno como lutadora.
Mas Rowan e os outros estavam do outro lado da segunda ponte. Agora ela só tinha que chegar lá, também.
Manon Bico Negro fintou à esquerda e cortou para a direita. Aelin abaixou e rolou de lado.
O pilar estremeceu quando aquelas garras de ferro arrancaram quatro lascas profundas de pedra.
Manon assobiou. Aelin dirigiu sua adaga para a coluna vertebral da outra; a bruxa aparou com uma mão e a envolveu em torno da lâmina.
Sangue azul brotou, mas a bruxa aumentou o aperto até que a lâmina quebrou em três pedaços em sua mão.
Deuses.
Aelin teve o bom senso de atacá-la com a outra adaga, mas a bruxa já estava pronta – o grito de Aedion ecoou em seus ouvidos quando o joelho de Manon se dirigiu para seu estômago.
O ar a deixou num assobio, mas Aelin manteve seu domínio sobre o punhal, quando a bruxa a atirou para outro pilar.
A coluna de pedra balançou contra o golpe, e a cabeça de Aelin latejou, um arco de agonia através dela, mas...
Um golpe, diretamente para seu rosto. Aelin esquivou.
Mais uma vez, a pedra tremeu sob o impacto.
Aelin empurrou ar para seu corpo. Mova-se – ela tinha que se manter em movimento, suave como um rio, suave como o vento de seu carranam, sangrando e ferido outro lado da ponte.
De pilar em pilar, ela recuou, rolando e esquivando e desviando.
Manon batia e cortava, acertando cada coluna, uma força da natureza em seu próprio direito.
E, em seguida, de volta ao círculo, uma e outra vez, pilar após pilar absorvendo os golpes que deveriam ter desfiado seu rosto, seu pescoço. Aelin diminuiu seus passos, deixaria Manon achar que ela estava cansada, cada vez mais desajeitada...
— Chega, covarde — Manon assobiou, preparando-se para derrubar Aelin de vez.
Mas Aelin deu a volta no pilar para a borda fina de rocha nua para além da plataforma do templo, para a queda iminente, assim como Manon colidiu com a coluna.
O pilar gemeu – balançou e tombou para o lado, acertando o pilar ao lado dele, fazendo os dois caírem ao chão.
Junto com o teto abobadado.
Manon nem sequer teve tempo para se arremessar fora do caminho quando o mármore caiu sobre ela. Uma das poucas bruxas restantes do outro lado da ravina gritou.
Aelin já corria, enquanto a própria ilha de rochas começou a tremer, como se qualquer força antiga que morava neste templo tivesse morrido no momento em que o telhado desmoronou.
Merda.
Aelin correu para a segunda ponte, poeira e detritos queimando seus olhos e pulmões.
A ilha sacudiu com uma rachadura estrondosa, tão violenta que Aelin tropeçou. Mas havia os postes e a ponte além, Aedion esperando-a do outro lado – um braço estendido, acenando.
A ilha oscilou de novo – balançou mais e por mais tempo.
Entrava em colapso debaixo dela.
Houve um lampejo de azul e branco, um lampejo de pano vermelho, um vislumbre de ferro...
Uma mão e um ombro, braços em uma coluna caída.
Lenta e dolorosamente, Manon se largou sobre uma laje de mármore, o rosto coberto de poeira pálida, sangue azul escorrendo por suas têmporas.
Do outro lado da ravina inteiramente separada, a bruxa de cabelos dourados estava de joelhos.
— Manon!
Não acho que já rastejado para qualquer coisa em sua vida, Líder Alada, o rei havia dito.
Mas havia uma bruxa Bico Negro de joelhos, implorando aos deuses que adorava; e havia Manon Bico Negro, lutando para se erguer enquanto a ilha do templo desmoronava.
Aelin deu um passo para a ponte.
Asterin – era o nome da bruxa de cabelos dourados. Ela gritou por Manon novamente, um apelo para se levantar, para sobreviver.
A ilha sacudiu.
A ponte permanecia – a ponte para seus amigos, para Rowan, para a segurança – ainda aguentava.
Aelin sentira isso antes: um fio no mundo, uma corrida entre ela e outra pessoa.
Ela o sentira uma noite, há anos, e dera a uma jovem curandeira o dinheiro para sair do inferno deste continente. Ela sentiu o puxão – e decidiu dar um puxão de volta.
Aqui estava mais uma vez – aquele fio – na direção de Manon, cujos braços se dobraram quando ela caiu sobre a pedra.
Sua inimiga – sua nova inimiga, que teria matado ela e Rowan se tivesse a chance. Um monstro encarnado.
Mas talvez os monstros precisassem olhar um para o outro de vez em quando.
— Corra! — Aedion rugiu do outro lado da ravina. Então ela o fez.
Aelin correu para Manon, saltando sobre as pedras caídas, torcendo o tornozelo no detritos soltos.
A ilha tremia a cada passo dela, e a luz do sol era escaldante, como se Mala estivesse segurando aquela ilha no alto com cada parte de força que a deusa pudesse convocar nesta terra.
Então Aelin estava sobre Manon Bico Negro, e a bruxa ergueu os olhos cheios de ódio para ela. Aelin rebocou seu corpo pedra após pedra, a ilha abaixo delas despedaçando-se.
— Você é lutadora boa demais para matar — Aelin respirava, enganchando um braço sob os ombros de Manon e puxando-a para cima. A rocha balançou, mas segurou. Oh, deuses. — Se eu morrer por sua causa, vou te dar uma surra no inferno.
Ela podia jurar que a bruxa soltou uma risada quebrada quando ficou de pé, quase um peso morto nos braços de Aelin.
— Você... devia me deixar morrer — Manon falou quando elas mancaram pelos escombros.
— Eu sei, eu sei — Aelin ofegava, seu braço doendo com o peso da bruxa apoiada.
Elas correram por sobre a segunda ponte, o templo de pedra balançando para a direita – esticando a ponte atrás delas por sobre a queda e o rio brilhando muito, muito abaixo.
Aelin puxou a bruxa, rangendo os dentes, e Manon deu início a uma corrida impressionante. Aedion permaneceu entre os postes do outro lado, um braço ainda estendido em direção a ela – enquanto o outro segurava a espada, pronto para a chegada da Líder Alada. A rocha por trás delas gemeu.
Estavam no meio da caminho – nada além de morte esperava por elas do outro lado. Manon tossiu sangue azul nas ripas de madeira.
— Qual a serventia dos seus malditos animais se eles não podem te salvar desse tipo de coisa?
A ilha tombou na outra direção, e a ponte ficou tensa – oh, merda – merda, ia arrebentar. Elas correram, até que pôde ver os dedos esticados de Aedion e os brancos de seus olhos.
A pedra rachou, o som tão alto que a ensurdeceu. Então veio um puxão e o esticar da ponte quando a ilha começou a ruir em pó, deslizando para o lado...
Aelin investiu os últimos passos, agarrando o manto vermelho de Manon quando as correntes da ponte estalaram.
As ripas de madeira saíram de debaixo de seus pés, mas elas já estavam saltando.
Aelin soltou um grunhido quando bateu em Aedion. Ela virou-se para ver Chaol agarrando Manon e arrastando-a por sobre a borda da ravina, o manto rasgado e coberto de pó, tremulando ao vento.
Quando Aelin olhou para trás da bruxa, o templo já desmoronara por completo.



Manon tossiu em busca de ar, concentrando-se na sua respiração, no céu sem nuvens acima dela.
Os seres humanos a deixaram deitada entre os postes da ponte de pedra. A rainha não sequer se preocupara em dizer adeus. Ela correra para o guerreiro feérico ferido, o nome como uma oração em seus lábios.
Rowan.
Manon erguera o olhar a tempo de ver a rainha cair de joelhos diante do guerreiro ferido na grama, exigindo respostas do homem de cabelos castanhos – Chaol – que levou uma mão ao ferimento de flecha no ombro de Rowan para estancar o sangramento. Os ombros da rainha tremiam.
Coração de Fogo, o guerreiro feérico murmurou. Manon teria assistido – teria, se não tivesse tossido sangue na grama brilhante e apagado.
Quando acordou, eles tinham ido embora.
Apenas alguns minutos se passaram, e em seguida o som de asas cresceu, e Abraxos rugiu. E havia Asterin e Sorrel, correndo para ela antes de suas serpentes aladas terem pousado totalmente.
A rainha de Terrasen salvara sua vida. Manon não sabia o que fazer com ela. Por agora ter com a inimiga um débito de vida.
E ela acabara de aprender quão completamente sua avó e o rei de Adarlan estavam dispostos a destruí-la.

24 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira2 de março de 2016 14:10

    CARAAAA< MELHOR BATALHA DE GUERREIRAS QUE EU JÁ VI EM TODA A MINHA VIDA, adorei essa Aelin salvando a Manon

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  2. Na boa,MELHOR CAPÍTULO!!!! Imaginem a combinação Manon e Aelin!!! #divas #aguentaessarei

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  3. QUE CAPÍTULO FODA! Gente, imagina essas duas lutando juntas em um campo de batalha!

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    1. eu podia imaginar tudo menos essa batalha MDS MEGA UTRA FODASTICA BATALHA Q EU JA LI NA VIDA! manom e aelim S2

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  4. Uma unica palavra "espetacular"essa batalha foi a melhor de todas ate agora tenho esperança s delas se unirem , ai nem o rei aguentaria

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  5. Eu queria ver essa cena em filme

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  6. Que luta espetacular. Quero essas duas jogando no mesmo time.

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  7. Resumindo o capitulo em uma palavra: maravilhoso. Cara, serio, essa luta foi muito FODA!!!!!

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  8. Nossa!!!eu chorei quando Aelin voltou pra salvar manon. Luta épica . Essas duas são perfeitas uma pra outra . Um espelho eu diria em alguns aspectos!!

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  9. Não vai ter filme mas vai ter série gente, a autora confirmou ano passado :D :D Vai ser dos mesmo produtores de Grey's Anatomy, que é uma série ótima aliás. Super ansiosa para ver cenas desse tipo *-----*

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    1. Melhor notícia <3

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    2. sériooo???? caraca mds eu amo Grey's Anatomy estou assistindo ela, e amo muito ela!! uma ótima série.. caralho, vai ser uma série foda!!

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  10. Sim vai ter serieeee o que e muitooo melhor pra detalhar a historia, gente eu vou morre quando sai o primeiro capitulo quando fiquei sabendo que ia ter serie quase chorei... Sobre essa luta maravilhosa que amor :)

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  11. Ai que lindooooooooooo! Eu tenho um amor especial pela Manon 💕 As duas deram certinho kkkkk
    O Chaol vai levar o maior sermão da vida dele 😒 #pena

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  12. Eu vejo uma aliança se fornandooooooooooooooooooo ♥♡♥

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  13. Muito emocionante! Não dá parar de ler!!!
    Obrigada Karina!

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  14. Aelin sem magia magina com :\
    Gu

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  15. FODAAAAAAAAAAAAAAAAAAASTICOOOOOOOOOOOOOO

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  16. Amei!! Isto foi incrivel!!
    Neste momento eu sou a fã número 1 desta saga!! <3 <3

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