29 de fevereiro de 2016

Capítulo 59

O demônio tomou o controle no momento em que o homem que controlava o colar retornou. Ele o empurrou de volta para aquele poço de memória até que era o único a gritar novamente, até que ele era pequeno e quebrado e fragmentado.
Mas aqueles olhos dourados permaneceram. Encontre-me novamente, príncipe.
Uma promessa – uma promessa de morte, de libertação. Encontre-me novamente.
As palavras logo desapareceram, engolidas por gritos e sangue e dedos frios do demônio correndo sobre sua mente. Mas os olhos persistiam – e aquele nome.
Manon. Manon.



Chaol não podia deixar que o rei levasse Dorian de volta para o castelo. Ele nunca poderia ter essa chance novamente.
Ele tinha que fazê-lo agora. Tinha que matá-lo.
Chaol correu através da mata tão silenciosamente quanto podia, espada em punho, preparando-se.
Uma adaga através do olho – uma adaga, e então...
Conversa à frente, junto com o farfalhar das folhas e da floresta.
Chaol se aproximava da comitiva, começando a rezar, começando a implorar por perdão – pelo o que estava prestes a fazer e por quanto tempo demorara. Ele mataria o rei mais tarde; o deixaria por último. Mas essa seria a morte que o quebraria.
Ele sacou a adaga, erguendo o braço. Dorian estava bem atrás do rei. Um lance para derrubar o príncipe do cavalo, em seguida, ele baixaria sua espada, e nada mais. Aelin e os outros podiam lidar com as consequências; ele já estaria morto.
Chaol rompeu através das árvores para uma clareira, o punhal um peso queimando na mão. Não era o grupo do rei que estava ali na grama alta e na luz do sol. Treze bruxas e suas serpentes aladas se viraram para ele. E sorriram.



Aelin correu por entre as árvores quando Rowan rastreou Chaol pelo cheiro.
Se eles os matassem, se conseguissem machucá-lo – haviam deixado Nesryn para proteger Lysandra, com ordens de ir para a floresta do outro lado da ravina, perto do templo, e esperar sob um afloramento de pedras. Antes de levar Lysandra por entre as árvores, Nesryn agarrara firme o braço de Aelin e disse:
— Traga-o de volta.
Aelin apenas acenara com a cabeça antes de sair.
Rowan era um raio de luz através das árvores, muito mais rápido do que ela quando estava presa naquele corpo. Aedion corria logo atrás dele. Ela correu o mais rápido que podia, mas...
O caminho se afastou, e Chaol tomara a direção errada. Em que diabos de direção Chaol havia ido?
Ela mal podia respirar rápido o suficiente. Em seguida, a luz inundou através de uma ruptura nas árvores – do outro lado do grande prado.
Rowan e Aedion estavam a poucos metros, suas espadas para baixo.
Ela viu o motivo um segundo depois.
A menos de seis metros deles, o lábio de Chaol sangrava por seu queixo enquanto a bruxa de cabelos brancos o segurava, unhas de ferro cravando-se em sua garganta. O vagão prisão estava aberto além deles para revelar os três soldados mortos no interior.
As doze bruxas atrás da Líder Alada riam todas com prazer em antecipação quando perceberam Rowan e Aedion, e então ela.
— O que é isso? — a Líder Alada indagou, uma luz de matança em seus olhos dourados. — Espiões? Salvadores? Como pegaram nosso prisioneiro?
Chaol lutou, e ela cravou as unhas mais fundo. Ele endureceu. Um fio de sangue escorreu por seu pescoço e em sua túnica.
Oh, deuses. Pense – pense, pense, pense.
A Líder Alada deslocou aqueles olhos queimando em ouro para Rowan.
— Sua raça — a Líder Alada meditou — não a vejo faz um bom tempo.
— Deixe o homem ir — disse Rowan.
O sorriso de Manon revelou uma fileira de dentes de ferro retalhadores de carne, muito, muito perto do pescoço de Chaol.
— Eu não recebo ordens de bastardos feéricos.
— Deixe-o ir — repetiu Rowan, muito baixo. — Ou ele será o último erro que cometerá, Líder Alada.
No campo atrás deles, as serpentes aladas estavam agitadas, suas caudas açoitando, asas batendo.
A bruxa de cabelo branco olhou para Chaol, cuja respiração ficou irregular.
— O rei não está muito longe na estrada. Talvez eu deva entregá-lo a ele — os cortes em seu rosto eram crostas em azul, como pinturas de guerra brutais. — Ele ficará furioso ao saber que vocês roubaram seu prisioneiro de mim. Talvez você o satisfaça, garoto.
Aelin e Rowan compartilharam um olhar antes de ela se aproximar, puxando Goldryn.
— Se quer um prêmio para o dar ao rei — disse Aelin — pode me levar.
— Não — Chaol ofegou.
A bruxa e todas as suas doze sentinelas agora fixavam sua imortal atenção em Aelin.
Aelin deixou Goldryn na grama e levantou as mãos. Aedion rosnou em advertência.
— Por que eu deveria me importar? — a Líder Alada perguntou. — Talvez devêssemos levar todos ao rei.
A espada de Aedion ergueu-se ligeiramente.
— Pode tentar.
Aelin se aproximou cuidadosamente da bruxa, as mãos ainda para cima.
— Se entrar em combate conosco, você e suas companheiras morrerão.
A Líder Alada a olhou de cima a baixo.
— Quem é você? — uma ordem, não uma pergunta.
— Aelin Galathynius.
Surpresa e talvez algo mais, algo que Aelin não pôde identificar – acendeu os olhos de ouro da Líder Alada.
— A Rainha de Terrasen.
Aelin curvou-se, sem se atrever a desviar sua atenção da bruxa.
— A seu serviço.
Apenas um metro a separava da herdeira Bico Negro.
A bruxa moveu um olhar para Chaol, e depois para Aedion e Rowan.
— Sua corte?
— O que é pra você?
A Líder Alada estudou Aedion novamente.
— Seu irmão?
— Meu primo, Aedion. Quase tão bonito quanto eu, não diria?
A bruxa não sorriu.
Mas Aelin agora estava suficientemente perto, tão perto que os respingos do sangue de Chaol estavam agora na grama diante da ponta de suas botas.



A rainha de Terrasen.
A esperança de Elide não fora em vão.
Mesmo que esta jovem rainha estivesse agora remexendo a terra e a grama, incapaz de ficar parada enquanto barganhava pela vida do homem.
Atrás dela, o guerreiro feérico observava cada pequeno movimento. Ele era o único letal – o único com que tomar cuidado.
Cinquenta anos tinham se passado desde que ela lutara com um guerreiro feérico.  Na cama com ele, depois brigando com ele. Ele tinha deixado os ossos de seu braço em pedaços.
Então ela o deixara em pedaços.
Mas ele era jovem e arrogante, e mal treinado.
Este macho... ele poderia muito bem abater algumas de suas Treze se ela sequer tocasse um fio de cabelo da cabeça da rainha. E depois havia o de cabelos dourados – tão grande quanto o macho Feérico – mas com a brilhante arrogância de sua prima e uma selvageria afinada. Ele poderia ser um problema, se deixado vivo por muito tempo.
A rainha se manteve seu pé inquieto na grama. Ela não podia ter mais de vinte anos. E, no entanto, movia-se como uma guerreira, também - ou teria se movido se não ficasse movendo a perna a toda hora. Mas ela parou o movimento, como se percebesse que entregava seus nervos, sua inexperiência. O vento soprava na direção errada para Manon para detectar verdadeiro nível de medo da rainha.
— Bem, Líder Alada?
Será que o rei colocaria um colar em volta de seu pescoço, como fizera com o príncipe? Ou será que ele a mataria? Não fazia diferença. Ela seria um prêmio bem-vindo para o rei.
Manon empurrou o capitão para longe, mandando-o tropeçando para a rainha. Aelin estendeu um braço, empurrando-o para trás dela. Manon e a rainha prenderam o olhar.
Sem medo em seus olhos, em seu bonito rosto mortal. Nenhum.
Seria mais problema do que valeria a pena.
Manon tinha coisas mais importantes a considerar, de qualquer maneira. Sua avó aprovava. Aprovava a criação, a violação das bruxas.
Manon precisava ir para o céu, precisava se perder em nuvens e vento por algumas horas. Dias. Semanas.
— Não tenho nenhum interesse em prisioneiros ou lutas hoje — disse Manon.
A rainha de Terrasen deu-lhe um sorriso.
— Bom.
Manon se afastou, rugindo para as Treze tomarem suas montarias.
— Eu acho — a rainha continuou — que isso a torna mais esperta do que Baba Pernas Amarelas.
Manon parou, olhando para frente sem enxergar grama, céu ou árvores.
Asterin girou.
— O que você sabe de Baba Pernas Amarelas?
A rainha deu uma risada baixa, apesar do grunhido de advertência do guerreiro feérico.
Lentamente, Manon olhou por cima do ombro.
A rainha puxou a gola da túnica, revelando um colar de cicatrizes finas quando o vento mudou.
O perfume – ferro e pedra e puro ódio – acertou Manon como uma rocha no rosto. Cada bruxa Dente de Ferro conhecia o perfume que sempre permanecia nessas cicatrizes: Assassina de Bruxa.
Talvez Manon permitisse se perder e deixar o sangue coagular em seu lugar.
— Você é carniça — disse Manon, e avançou.
Só para bater de frente em um muro invisível. E, em seguida, congelar completamente.



— Corram — Aelin exalou, pegando Goldryn e indo para as árvores.
A Líder Alada estava congelada no lugar, as sentinelas de olhos arregalados quando correram para ela.
O sangue humano de Chaol não manteria o feitiço por muito tempo.
— A ravina — Aedion disse sem olhar para trás, correndo adiante com Chaol na direção do templo.
Eles se arremessaram através das árvores, as bruxas ainda no prado, ainda tentando quebrar o feitiço que prendera sua Líder Alada.
— Você — Rowan falou enquanto corria ao seu lado — é uma mulher de muita sorte.
— Me diga isso novamente quando estivermos fora daqui — ela ofegou, saltando por cima de uma árvore caída.
Um rugido de fúria fez as aves se dispersarem das árvores, e Aelin correu mais rápido. Oh, a Líder Alada estava brava. Realmente, realmente brava.
Aelin não acreditara por um momento que a bruxa os deixaria ir embora sem uma luta. Ela precisava do máximo de tempo pudessem obter.
As árvores diminuíram, revelando um trecho árido de terra que se projetava em direção à ravina profunda e o templo empoleirado no alto de pedra no centro. Do outro lado, Carvalhal esparramava-se adiante.
Ligada apenas por duas pontes de correntes e madeira, que era a única forma de atravessar a ravina em quilômetros.
E com a folhagem densa de Carvalhal bloqueando as serpentes aladas, era a única maneira de escapar das bruxas, que, sem dúvida, prosseguiam a pé.
— Depressa — gritou Rowan quando eles saíram para as ruínas do templo.
O templo era pequeno o suficiente para que nem mesmo as sacerdotisas pudessem ter morado ali. As únicas decorações na ilha de pedra eram cinco pilares e o telhado abobadado. Nem mesmo um altar – ou pelo menos um que tivesse sobrevivido aos séculos.
Aparentemente, as pessoas tinham desistido de Temis muito antes de o rei de Adarlan aparecer.
Ela só rezava para que as pontes...
Aedion parou diante da primeira ponte, Chaol trinta passos atrás, Aelin e Rowan seguindo-os.
— Seguro — disse Aedion.
Antes que ela pudesse gritar um aviso, ele trovejou para a ponte.
A ponte saltou e cambaleou, mas aguentou – aguentou mesmo quando seu maldito coração parou. Então Aedion estava na ilha do templo, o único pilar, fino de rocha esculpida pelo rio caudaloso que fluía muito, muito abaixo. Ele acenou para Chaol ir diante.
— Um de cada vez — ele ordenou. Além dele, a segunda ponte esperava.
Chaol se apressou através dos pilares de pedra que ladeavam a entrada para a primeira ponte, as finas correntes de ferro nas laterais contorcendo quando a ponte balançou. Ele se manteve de pé, voando em direção ao templo, mais rápido do que ela já o tinha visto correr durante todos os exercícios matinais através dos jardins do castelo.
Então restavam ela e Rowan nas colunas, e...
— Nem sequer tente argumentar — Rowan assobiou, empurrando-a para frente.
Deuses, era uma queda perversa abaixo deles. O rugido do rio era quase um sussurro.
Mas ela correu – correu porque Rowan estava esperando, e havia as bruxas que quebravam através das árvores com rapidez feérica. A ponte resistiu e balançou quando ela disparou por sobre as tábuas de madeira envelhecidas.
À frente, Aedion atravessara a segunda ponte para o outro lado, e Chaol agora corria através dela.
Mais rápido – ela tinha que ir mais rápido. Ela saltou os poucos centímetros finais para o templo de pedra.
À frente, Chaol passou a segunda ponte e sacou a espada quando se juntou a Aedion no penhasco gramíneo além, uma flecha colocada no arco de seu primo visando as árvores atrás de si. Aelin se equilibrou nos poucos degraus para a plataforma do templo em ruínas. Todo o espaço circular tinha pouco mais de dez metros de diâmetro, rodeado por todos os lados por uma queda de puro vazio – e pura morte.
Temis, aparentemente, não era o tipo que perdoava.
Ela relanceou um olhar para trás. Rowan corria através da ponte, tão rápido que a ponte quase não se movia, mas...
Aelin praguejou. A Líder Alada chegara aos postes, saltando através do ar e cobrindo um terço do caminho da ponte. Mesmo o tiro de aviso de Aedion sendo longo, a flecha acertou o lugar onde qualquer mortal deveria ter pousado. Mas não uma bruxa. Inferno ardente.
— Vá — Rowan rugiu para Aelin, mas ela empunhou suas facas de combate, flexionando seus joelhos enquanto...
Enquanto uma flecha era disparada na direção de Aelin pela tenente de cabelos dourados do outro lado da ravina.
Aelin se moveu para evitá-la, apenas para encontrar uma segunda flecha da bruxa, antecipando sua manobra.
Uma parede de músculos se chocou contra ela, protegendo-a e empurrando-a para as pedras.
E seta da bruxa foi direta e limpa no ombro Rowan.

12 comentários:

  1. aelin sua idiota ela podia ter saido sem nada mas n tinha q fazer burrise agr rowann pode morrer por cousa da ignoransia e burise dela tomara q ele morra so pra dfazer ela sofrer com a burrise dela!

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    1. Desculpa...mas eu acho que a culpa disso tudo é do Chaol...

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    2. Acho que a culpa é dos dois, os dois idiotas e metidos, perfeitos um para o outro. Tomara q ELES morram, não o Rowan!!!

      Duda, Filha de Hades

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    3. Kkkkk
      É óbvio que a cupa é do chaol
      Ele tinha que ir atraz do seu principe ne :-| :-|

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    4. Cê chamando a Aelin de burra e ignorante e eu rindo do seu português. Desculpa o palavrão, mas: Q porra é essa? Burrise? Ignoransia? Hein?
      E nem pensei em culpar o Chaol. Foi a idiota da Aelin q fez merda. Ela disse q n acreditou q a bruxa ia deixar eles irem embora sem uma briga mas ia sim. A Manon tava mais preocupada com outras coisas e n ia brigar, podiam ter ido embora. Mas a Aelin foi dar uma de boa ¬¬

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  2. Agora o Chaol quer matar o Dorian. Quando a Aelin queria, ela era uma sem egoísta/sem coração. Então ele simplesmente resolve matar o príncipe e se mete numa merda dessas

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    1. E a Aelin ? Queria matá-lo mas pela ajuda do Chaol pra salvar a Lysandra ela concordou em deixá-lo vivo? Chaol está muito perdido pois a Aelin é nada além de uma manipuladora ...

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  3. Gente. ..vcs nao entenderam que eles estão sofrendo? ...doriam é amigo deles rapa. ...

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  4. Mais que fdp. Ela tinha que provocar...
    Miserável!

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  5. Desculpa, mas é burrice e ignorância :D

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  6. Entendo o Chaol fez, apesar de que foi estúpido. Agora Aelin... Fez merda agora.

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  7. " Enquanto uma flecha era disparada na direção de Aelin pela tenente de cabelos dourados do outro lado da ravina. Aelin se moveu para evitá-la, apenas para encontrar uma segunda flecha da bruxa, antecipando sua manobra. Uma parede de músculos se chocou contra ela, protegendo-a e empurrando-a para as pedras. E seta da bruxa foi direta e limpa no ombro Rowan."

    Espero que não aconteça nada a ele!!

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