29 de fevereiro de 2016

Capítulo 57

— Eu posso sentir o cheiro — disse Aedion, seu sussurro quase inaudível enquanto eles rastejavam através da vegetação rasteira, cada um deles vestido de verde e marrom para se camuflarem na floresta densa. Ele e Rowan caminhavam vários passos à frente de Aelin, flechas vagamente postadas em seus arcos quando eles escolheram o caminho com a sua audição e olfato aguçados.
Se ela estivesse em sua maldita forma feérica, poderia estar ajudando em vez de ficar para trás com Chaol e Nesryn, mas...
Não é um pensamento útil, ela disse a si mesma. Ela iria se contentar com o que tinha.
Chaol conhecia melhor a floresta, tendo vindo caçar com Dorian inúmeras vezes. Ele traçara um caminho para eles na noite anterior, mas submeteu-se aos dois guerreiros feéricos e seus sentidos impecáveis. Os passos dele eram firmes nas folhas e musgo sob suas botas, o rosto contraído, mas constante. Focado.
Bom.
Eles passaram por entre as árvores de Carvalhal tão silenciosamente que as aves não pararam o seu chilrear.
Floresta de Brannon. Sua floresta.
Ela se perguntou se seus habitantes sabiam do sangue que corria em suas veias, e escondia a sua pequena festa dos horrores que os esperavam pela frente. Ela se perguntou se eles tinham alguma forma de ajudar Lysandra quando chegasse a hora.
Rowan fez uma pausa três metros à frente e apontou para três carvalhos imponentes. Ela parou, seus ouvidos se esforçando enquanto examinava a floresta.
Grunhidos e rugidos de feras que soavam demasiadas grandes retumbaram em direção a eles, juntamente com o arrastar de asas de couro sobre pedra.
Preparando-se, ela correu para onde Rowan e Aedion esperavam nos carvalhos, seu primo apontando para o céu para indicar o seu próximo movimento.
Aelin subiu na árvore central, quase não perturbando uma folha ou galho enquanto isso. Rowan esperou até que ela tivesse chegado a um galho alto antes de vir atrás dela – em aproximadamente a mesma quantidade de tempo que levara, ela notou um pouco presunçosa. Aedion foi para a árvore da direita, com Chaol e Nesryn escalando a esquerda. Todos eles continuaram subindo, tão bem como serpentes, até que a folhagem bloqueou sua visão do chão abaixo e eles podiam ver em um pequeno prado à frente.
Deuses santos.
As serpentes aladas eram enormes. Enormes e maléficas, e aquelas eram de fato selas em suas costas.
— Farpas envenenadas na cauda — Rowan colocou a boca em seu ouvido. — Com essa envergadura, elas provavelmente podem voar centenas de quilômetros por dia.
Ele saberia disso, ela supôs.
Apenas treze serpentes aladas estavam amarradas no prado. A menor delas estava deitada sobre a barriga, o rosto enterrado em um monte de flores silvestres. Pontas de ferro brilhavam em sua cauda em vez de osso, cicatrizes cobriam seu corpo como arranhões de gato, e em suas asas... ela conhecia o material refletindo ali. Seda de aranha. Tudo aquilo deveria ter custado uma fortuna.
As outras serpentes aladas eram todas normais, e todas capazes de rasgar um homem ao meio com uma mordida.
Eles estariam mortos dentro de momentos contra uma dessas coisas. Mas um exército armado com três mil? Pânico a pressionou.
Eu sou Aelin Ashryver Galathynius...
— Aquela. Aposto que ela é a Líder Alada — Rowan falou, apontando agora para as mulheres reunidas na borda do prado.
Não mulheres. Bruxas.
Eram todas jovens e belas, com cabelos e pele de cores e tonalidades variadas. Mas, mesmo à distância, ela encontrou a que Rowan tinha apontado. Seu cabelo era vivo como o luar, seus olhos como ouro polido.
Ela era a pessoa mais linda Aelin já tinha visto. E a mais horrível.
Ela movia-se com uma arrogância que Aelin supôs que apenas um imortal poderia alcançar, seu manto vermelho flutuando atrás dela, o uniforme de montar agarrando-se em seu corpo flexível. Uma arma viva, era o que a Líder Alada era.
A Líder Alada rondava pelo acampamento, inspecionando as serpentes aladas e dando ordens que os ouvidos humanos de Aelin não podiam captar. As outras doze bruxas pareciam acompanhar cada movimento dela, como se ela fosse o eixo de seu mundo, e duas delas seguiam especialmente de perto. Tenentes.
Aelin lutou para manter o equilíbrio no grande galho.
Qualquer exército que Terrasen pudesse levantar seria aniquilado. Junto com os amigos ao seu redor.
Todos eles estavam tão, tão mortos.
Rowan colocou a mão em sua cintura, como se pudesse ouvir as palavras ecoando dentro dela com cada batimento cardíaco.
— Você matou uma das suas anciãs — disse ele em seu ouvido, pouco mais do que uma folha farfalhar. — Pode derrubar seus inferiores.
Poderia. Talvez não, dada a forma como as treze bruxas na clareira moviam-se e interagiram. Eles eram uma unidade brutal, um grupo fechado. Não pareciam do tipo que levavam prisioneiros.
Se o fizessem, provavelmente os comeriam.
Será que elas voariam com Lysandra para Morath logo que o vagão chegasse? Se isso acontecesse...
— Lysandra não chegará a dez metros das serpentes aladas — se ela fosse levada até uma delas, já seria tarde demais.
— Concordo — murmurou Rowan. — Cavalos se aproximam ao norte. E mais asas ao oeste. Vamos.
As Matriarcas, então. Os cavalos seriam o rei e o vagão-prisão. E Dorian.
Aedion parecia pronto para começar a arrancar gargantas das bruxas quando chegaram ao chão e se esgueiraram pela floresta novamente, em direção à clareira. Nesryn tinha uma flecha encaixada em seu arco quando deslizou para a moita para dar cobertura, seu rosto sério – pronta para qualquer coisa. Pelo menos um deles.
Aelin se aproximou de Chaol.
— Não importa o que você veja ou ouça, não se mova. Precisamos avaliar Dorian antes de agir. Apenas um daqueles príncipes valg é letal.
— Eu sei — disse ele, recusando-se a responder seu olhar. — Você pode confiar em mim.
— Preciso que você se certifique que Lysandra saia. Você conhece esta floresta melhor do que qualquer um de nós. Leve-a para algum lugar seguro.
Chaol assentiu.
— Eu prometo.
Ela não duvidou. Não depois deste inverno.
Ela estendeu a mão, fez uma pausa e, em seguida, colocou a mão em seu ombro.
— Eu não vou tocar Dorian — ela falou. — Eu juro.
Seus olhos cintilaram em bronze.
— Obrigado.
Eles pararam de se mover.
Aedion e Rowan voltaram para a área até onde haviam observado anteriormente, um pequeno afloramento de rochas com moitas suficientes para eles se agacharem invisíveis e observar o que acontecia na clareira.
Lentamente, como fantasmas encantadores de um reino infernal, as bruxas apareceram.
A bruxa de cabelos brancos caminhou para cumprimentar uma fêmea mais velha de cabelos negros, que só poderia ser a Matriarca do clã Bico Negro. Atrás da Matriarca, um grupo de bruxas arrastava uma grande carroça coberta, muito parecida com a que a Perna Amarela estacionara uma vez diante do palácio de vidro. As serpentes aladas deviam ter transportado entre elas. Parecia normal – pintada de preto, azul e amarelo, mas Aelin tinha a sensação de que não queria saber o que havia dentro.
Em seguida, a comitiva real chegou.
Ela não sabia para onde olhar: o rei de Adarlan, o pequeno vagão-prisão bastante familiar no centro dos cavaleiros...
Ou para Dorian, montado ao lado de seu pai, com o colar preto em volta do pescoço e nada humano em sua face.

6 comentários:

  1. danose!vai cover fogo agr kkkkkk

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  2. Ai que raiva desse livro.Sou fã número 1 da Celaena, mas por nada no mundo consigo gostar da Aelin.Ela se tornou uma pessoa muito manipuladora.

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    1. Concordo com vc.... Pra a historia é otima ate certo ponto, houve uma descostruçao de personalidade muito grande e descostruir um personagem tipo Chaol nao me agradou

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  3. A celaena era brincalhona mais aelin e uma rainha seria tem que dar ordens ser superior e tal

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  4. Porque. Eu só queria saber porque ela nao derrubou aquela maldita torre até agora.

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  5. Finalmente um bom entendimento entre Chaol e Aelin.

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