29 de fevereiro de 2016

Capítulo 56

Algumas horas mais tarde, sentada no chão de uma pousada em ruínas no lado oposto de Forte da Fenda, Aelin encarava um mapa que eles tinham marcado com o local da reunião – a cerca de meio quilômetro do templo de Temis. O pequeno templo ficava na cobertura da Floresta Carvalhal, empoleirado no topo de uma porção imponente de rochas no meio de uma profunda ravina. Só era acessível através de duas pontes oscilantes que ligavam um lado ao outro da ravina, que a poupara de exércitos invasores ao longo dos anos. A floresta circundante provavelmente estaria vazia, e se serpentes aladas voavam, sem dúvida chegariam com a cobertura da escuridão da noite anterior à reunião. Esta noite.
Aelin, Rowan, Aedion, Nesryn e Chaol sentavam-se ao redor do mapa, afiando e polindo suas lâminas enquanto conversavam sobre o plano. Eles deixaram Evangeline com o pai de Nesryn, juntamente com mais cartas para Terrasen e a Devastação – e o padeiro não fez nenhuma pergunta. Apenas beijara sua filha mais nova na bochecha e anunciou que ele e Evangeline assariam tortas especiais para o seu regresso.
Se eles voltassem.
— E se ela tiver um colar ou um anel? — Chaol perguntou do outro lado de seu pequeno círculo.
— Então ela perderá a cabeça ou um dedo — disse Aedion sem rodeios.
Aelin lhe lançou um olhar.
— Você não toma a decisão sem mim.
— E Dorian? — perguntou Aedion.
Chaol encarava o mapa como se quisesse queimar um buraco através dele.
— Não é decisão minha — Aelin disse firmemente.
Os olhos de Chaol se moveram para encontrar os dela.
— Você não toca nele.
Era um risco terrível leva-los todos dentro do alcance de um príncipe valg, mas...
— Vamos nos pintar com marcas de Wyrd — disse Aelin. — Todos nós. Para defender contra o príncipe.
Nos dez minutos que levaram para pegar suas armas, roupas e suprimentos do apartamento no armazém, ela lembrou-se de pegar seus livros de marcas de Wyrd, que agora estavam abertos na mesinha diante da única janela do quarto. Tinham alugado três para a noite: um para Aelin e Rowan, um para Aedion, e outro para Chaol e Nesryn. A moeda de ouro que ela deu pousara no balcão do estalajadeiro fora suficiente para pagar por pelo menos um mês. E por seu silêncio.
— Podemos acabar com o rei? — Aedion perguntou.
— Não é nosso objetivo — Rowan respondeu — até que saibamos com certeza se podemos matar o rei e neutralizar o príncipe com um risco mínimo. Tirar Lysandra do vagão vem em primeiro lugar.
— Concordo — disse Aelin.
O olhar de Aedion era firme em Rowan.
— Quando partimos?
Aelin admirava a sua aceitação pelo príncipe feérico.
— Eu não quero essas serpentes aladas ou bruxas nos farejando e seguindo — disse Rowan, o comandante se preparando para o campo de batalha. — Nós chegaremos um pouco antes da reunião acontecer, tempo suficiente para encontrar pontos vantajosos e localizar seus batedores e sentinelas. O olfato das bruxas é bastante afiado, o que arriscaria a descoberta. Nós nos moveremos rápido.
Ela não podia decidir se se sentia ou não aliviada.
O relógio soou meio-dia. Nesryn ficou de pé.
— Vou pedir o almoço.
Chaol levantou-se, esticando-se.
— Eu vou ajudá-la a trazer.
De fato, em um lugar como este, eles não receberiam da cozinha nenhuma serviço de quarto. Embora em um lugar como este, Aelin supôs, Chaol poderia muito bem ir para manter um olho nas costas de Faliq. Bom.
Depois que eles saíram, Aelin pegou uma das lâminas de Nesryn e começou a limpá-la: um punhal decente, mas não ótimo. Se eles vivessem depois do dia seguinte, talvez ela lhe comprasse um melhor como agradecimento.
— Pena que Lorcan seja um bastardo psicótico — ela comentou. — Nós poderíamos usá-lo amanhã — a boca de Rowan se apertou. — O que ele vai fazer quando descobrir sobre a herança de Aedion?
Aedion pousou a adaga que estava afiando.
— Será que ele se importa?
No meio polimento de uma espada curta, Rowan fez uma pausa.
— Lorcan poderia não tomar atitude nenhuma ou pode achar Aedion intrigante. Mas seria mais provável se interessar em saber como a existência de Aedion pode ser usada contra Gavriel.
Ela olhou para seu primo, seu cabelo dourado agora parecendo mais uma prova de seus laços com Gavriel do que com ela.
— Você quer conhecê-lo? — talvez ela estivesse levatando essa questão apenas para se impedir de pensar no dia seguinte.
Um encolher de ombros.
— Estou curioso, mas não tenho pressa. Não a menos que ele arraste a equipe para cá para ajudar com a luta.
— Aí está um pragmático — ela se virou Rowan, que estava de volta ao trabalho na espada. — Será que eles ñão seriam convencidos a ajudar, apesar do que Lorcan falou?
Afinal, eles ajudaram uma vez durante o ataque à Defesa Nebulosa.
— Não — disse Rowan, sem desviar o olhar da lâmina. — A menos que Maeve decida que lhe mandar socorro seja o próximo passo em seja qual for o jogo que ela esteja jogando. Talvez ela queira aliar-se com você para matar Lorcan por sua traição — ele refletiu — alguns dos feéricos que moravam aqui ainda podem estar vivos e escondidos. Talvez possam ser treinados ou já tenham treinamento.
— Eu não contaria com isso — disse Aedion. — O povo pequeno é visto e sentido em Floresta Carvalhal. Mas dos feéricos não há um sussurro por lá — ele não olhou nos olhos de Rowan, em vez disso começou a limpar lâmina afiada de Chaol. — O rei os caçou muito bem. Eu apostaria que todos os sobreviventes estão presos em suas formas animais.
O corpo de Aelin tornou-se pesado com um luto familiar.
— Nós descobriremos tudo isso mais tarde.
Se eles vivessem o suficiente para fazê-lo.



Pelo resto do dia e até tarde da noite, Rowan planejou seu curso de ação com a mesma eficiência que ela viera a esperar e estimar. Mas não se sentia reconfortada agora – não quando o perigo era tão grande, e tudo podia mudar em questão de minutos. Não quando Lysandra já poderia estar além da salvação.
— Você deveria estar dormindo — disse Rowan, sua voz profunda ribombando através da cama e ao longo de sua pele.
— A cama é torta — respondeu Aelin. — Odeio estalagens baratas.
Sua risada baixa ecoou no pequeno quarto escure. Ela providenciara para que a porta e a janela os alertasse para qualquer intruso, mas com o barulho vindo da taberna  decadente lá embaixo, eles teriam dificuldade em ouvir alguém no corredor. Especialmente quando alguns dos quartos eram alugados por hora.
— Nós vamos trazê-la de volta, Aelin.
A cama era muito menor do que a dela – pequena o suficiente para que seu ombro roçasse o dela quando ela se virou. Ela encontrou-o já de frente para ela, os olhos brilhando no escuro.
— Não posso enterrar outra amiga.
— Você não vai.
— Se alguma coisa acontecesse com você, Rowan...
— Não — ele respirou. — Nem mesmo diga isso. Lidamos com o suficiente na outra noite.
Ele ergueu uma mão – hesitou, e depois afastou uma mecha de cabelo que tinha caído no rosto dela.
Seus dedos calejados rasparam contra sua bochecha, em seguida, acariciaram em concha sua orelha.
Era tolice até mesmo começar a seguir por este caminho, quando todos os outros homens que ela teve deixaram alguma ferida, de uma forma ou de outra, acidentalmente ou não.
Não havia nada suave ou delicado em seu rosto. Só o olhar cintilante de um predador.
— Quando voltarmos — ele falou — lembre-me de provar que está errada sobre cada pensamento que acabou de passar por sua cabeça.
Ela levantou uma sobrancelha.
— Oh?
Ele lhe deu um sorriso malicioso que a fez pensar no impossível. Exatamente o que ele queria – distraí-la dos horrores do dia seguinte.
— Eu até deixarei que decida como vou provar: com palavras — seus olhos piscaram uma vez para sua boca — ou com os dentes e língua.
Um tremor passou por seu sangue, reunindo em seu núcleo. Não era justo – não era justo provocá-la assim.
— Esta estalagem miserável tem bastante barulho — disse ela, desafiando-o ao deslizar a mão sobre seu peito nu, em seguida, até o ombro. Ela ficou maravilhada com a força sob sua palma. Ele estremeceu, mas manteve as mãos em seus lados, brancas e cerradas. — Que pena que Aedion ainda provavelmente poderia ouvir através da parede.
Ela gentilmente raspou as unhas através de sua clavícula, marcando-o, clamando-o, antes de se inclinar para pressionar a boca no oco de sua garganta. Sua pele era tão suave, tão convidativa e quente.
— Aelin — ele gemeu.
Seus dedos curvaram na aspereza em sua voz.
— Que pena — ela murmurou contra seu pescoço.
Ele resmungou, e ela riu baixinho quando rolou de volta e fechou os olhos, sua respiração mais fácil do que tinha estado momentos antes. Ela sobreviveria ao dia seguinte, independentemente do que acontecesse. Ela não estava sozinha, não com ele e Aedion também ao seu lado.
Ela sorria quando o colchão balançou, seguido por passos firmes em direção à cômoda e os sons de água encheram o quarto quando Rowan virou o jarro de água fria sobre a própria cabeça.

17 comentários:

  1. O mundo desabando e eles pensando nisso .É mole?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. como e q pode lysandra la presa deus sabe oq estam fazendo com ela e esse povo pensando nisso!

      Excluir
    2. O Rowan tava tentando distrair ela das preocupações. E funcionou. E MUITO bem.

      Excluir
  2. E quando a gente acha que a coisa vai esquentar... Pá! um balde de agua fria. Hahaha

    ResponderExcluir
  3. eu acho q nessa floresta que eles váo se encontrar( o principe o rei e a lider alada , a mandon vai conhecer a Aelin e vão formar algum tipo de aliança , acho q a mandon vai pensar melhor sobre seus atos , pelo menos to torcendo por isso...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que vão prender a Aelin e a Manon vai salvar ela

      Excluir
    2. Eu mato o rei se ele fizer isso...

      Excluir
  4. "Aelin encarava um mapa que eles tinham marcado com o local da reunião – a cerca de maio quilômetro"
    Karina o MAIO ta errado

    ResponderExcluir
  5. Ele derramou um jarro de água na própria cabeça p apagar o fogo... Kkkk

    ResponderExcluir
  6. Esse Rowan destrói os meus planos de procurar um ser normal pra mim 😂 Vou morrer solteira!

    ResponderExcluir
  7. Kkkkkk só água fria mesmo! 🔥🔥🔥😂😀

    ResponderExcluir
  8. Então somos três!!! Kkkk com um Rowan desse quem vai querer um ser normal!

    ResponderExcluir
  9. ''— Eu até deixarei que decida como vou provar: com palavras — seus olhos piscaram uma vez para sua boca — ou com os dentes e língua.'' Soltei o grito da pantera

    ResponderExcluir
  10. " Ela gentilmente raspou as unhas através de sua clavícula, marcando-o, clamando-o, antes de se inclinar para pressionar a boca no oco de sua garganta. Sua pele era tão suave, tão convidativa e quente. — Aelin — ele gemeu. Seus dedos curvaram na aspereza em sua voz. — Que pena — ela murmurou contra seu pescoço. Ele resmungou, e ela riu baixinho quando rolou de volta e fechou os olhos, sua respiração mais fácil do que tinha estado momentos antes. Ela sobreviveria ao dia seguinte, independentemente do que acontecesse. Ela não estava sozinha, não com ele e Aedion também ao seu lado. Ela sorria quando o colchão balançou, seguido por passos firmes em direção à cômoda e os sons de água encheram o quarto quando Rowan virou o jarro de água fria sobre a própria cabeça."

    Amei e farteime de rir!!
    KKK

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!