29 de fevereiro de 2016

Capítulo 55

Aelin acreditava totalmente em fantasmas.
Ela só não achava que eles costumavam sair durante o dia.
A mão de Rowan estava pousada em seu ombro antes do nascer do sol. Ela deu uma olhada em seu rosto apertado e se preparou.
— Alguém invadiu o armazém.
Rowan estava fora do quarto, armado e totalmente pronto para derramar sangue antes que Aelin pudesse pegar suas próprias armas. Deuses ele se movia como o vento, também. Ela ainda podia sentir os caninos dele em seu pescoço, raspando sua pele, pressionando levemente...
De pé e quase em silêncio, ela foi atrás dele, encontrando a ele e a Aedion postados diante da porta do apartamento, lâminas na mão, suas costas musculosas e rígidas. As janelas eram suas melhores opções para a fuga caso fosse uma emboscada. Ela alcançou os dois machos assim que Rowan abriu a porta para revelar a escuridão da escada.
Um montinho em colapso, Evangeline soluçava no patamar da escada, o rosto cheio de cicatrizes mortalmente pálido e aqueles olhos citrinos arregalados de terror quando olhou para cima e viu Rowan e Aedion. Todo o peso em músculos letais e dentes à mostra...
Aelin abriu caminho por eles, descendo dois ou três degraus de cada vez até que alcançou a garota. Ela estava limpa – nenhum arranhão.
— Você está ferida?
Ela balançou a cabeça, seu cabelo vermelho dourado captando a luz da vela que Rowan segurava.
A escada estremeceu com cada degrau que ele e Aedion desciam.
— Diga-me — Aelin sussurrou, rezando silenciosamente que não fosse tão ruim quanto parecia. — Conte-me tudo.
— Eles a levaram, eles a levaram, eles a levaram.
— Quem? — Aelin perguntou, afastando o cabelo da menina, perguntando-se se ela entraria em pânico ou se conseguiria se controlar.
— Os homens do rei — Evangeline sussurrou. — Eles vieram com uma carta de Arobynn. Disseram que era a vontade de Arobynn que eles fossem informados sobre a li-li-linhagem de Lysandra.
O coração de Aelin parou. Pior – era muito pior do que o que ela se preparara para...
— Eles disseram que ela era um metamorfo. Levaram-na, e iam me levar também, mas ela lutou contra eles, e me fez correr, e Clarisse não ia ajudar...
— Para onde eles a levaram?
Evangeline soluçou.
— Eu não sei. Lysandra disse que era para vir aqui se alguma coisa acontecesse, disse para eu avisar para você correr...
Ela não conseguia respirar, não conseguia pensar. Rowan ajoelhou-se ao lado delas e escorregou os braços ao redor da garota, reconfortando-a, sua mão tão grande quase envolvendo toda a parte de trás da cabeça dela. Evangeline escondeu o rosto em seu peito tatuado, e Rowan murmurou sons sem palavras de conforto.
Ele encontrou os olhos de Aelin por sobre a cabeça da menina. Precisamos sair desta casa em dez minutos – até descobrirmos se ele a traiu, também.
Como se tivesse ouvido, Aedion passou por eles, indo para a janela do armazém por onde Evangeline de alguma forma entrara. Lysandra, ao que parecia, havia lhe ensinado algumas coisas.
Aelin esfregou o rosto e apoiou uma mão no ombro de Rowan quando se levantou, sua pele quente e macia sob os dedos calejados.
— O pai de Nesryn. Vamos pedir-lhe para cuidar dela hoje.
Arobynn fizra aquilo. A última carta na manga.
Ele havia descoberto. Sobre Lysandra – sobre a amizade delas.
Ele não gostava de compartilhar seus pertences.
Chaol e Nesryn irromperam no armazém um nível abaixo, e Aedion estava a meio caminho de encontra-los antes que sequer percebessem que ele estava lá.
Eles tinham mais notícias. Um dos homens de Ren os encontrara momentos atrás: uma reunião seria realizada no dia seguinte na Floresta Carvalhal, entre o rei, Dorian e a Líder Alada de sua cavalaria aérea.
Com a entrega de um novo prisioneiro que seguiria para Morath.
— Vocês tem que tirá-la dos túneis — disse Aelin para Chaol e Nesryn, quando desceu o resto das escadas tempestuosamente. — Vocês são humanos; não vão notá-los de início. Vocês são os únicos que podem entrar nessa escuridão.
Chaol e Nesryn trocaram olhares.
Aelin foi até eles.
— Vocês tem que tirá-la de lá agora.
Por um instante, ela não estava no armazém. Por um instante, estava de pé em um belo quarto, diante de uma cama ensanguentada e o corpo destruído espalhado em cima dele.
Chaol estendeu as mãos.
— Estamos melhores sem desperdiçar o tempo em armar uma emboscada.
O som de sua voz... A cicatriz em seu rosto era gritante na penumbra. Aelin apertou os dedos em um punho, suas unhas – as unhas que marcaram seu rosto – cravando-se em suas palmas.
— Eles poderiam estar se alimentando dela — ela conseguiu dizer.
Atrás dela, Evangeline soltou um soluço. Se eles fizessem Lysandra suportar o que Aelin suportava quando encontrou os príncipes valg...
— Por favor — Aelin pediu, sua voz quebrando com as palavras.
Chaol percebeu, então, que seus olhos se concentraram no rosto dele. Ele empalideceu, sua boca se abriu.
Mas Nesryn pegou a mão dela, seus dedos magros e bronzeados contra as palmas das mãos úmidas de Aelin.
— Nós vamos tê-la de volta. Vamos salvá-la. Juntos.
Chaol sustentou o olhar de Aelin, endireitando os ombros como se lesse seus pensamentos quando disse:
— Nunca mais.
Ela queria acreditar nele.

14 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira2 de março de 2016 06:12

    Ai que dor na alma

    ResponderExcluir
  2. Meu... Chorei. N seu se a Aelin aguenta mais essa

    ResponderExcluir
  3. Arobynn aquele fdp! Eu pensando que ele nao poderia mais prejudicar a Aelin :((((
    Que a Lysandra esteja viva,pfvr

    ResponderExcluir
  4. naaoooo mais essa n fdp miseravel avarento rato traidor arobynn lysandra n niguem merese

    ResponderExcluir
  5. Aff. Ela sabe jogar com as pessoas quando precisa delas.Se ela não precisasse do Chaol agora iria trata-lo como um rato de esgoto,da mesma forma que vem tratando ele durante todo o livro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ela é quem o está tratando-o mal? Assim que ele a reencontrou atirou nela mil e uma injustiças, dizendo-lhe que enquanto ela brincava e tirava férias, pessoas morriam. Sendo que, se você leu os outros livros, sabe que nada nela foi diversão. Chaol é um puta de um egoista. Tudo bem matar, tudo bem calar outros reinos, mas não o seu. Tudo bem matar pessoas desconhecidas em que os príncipes vivem, mas nada de matar seus conhecidos. Tudo certo enquanto ela perde mortos, mas nada certo enquanto os mortos são deles. O capitão até começou bem, mas parece que perdeu o juízo e a noção. Tenta se redimir ajudando rebeldes, mas a lealdade dele ainda estará no próprio reino, não importa quantas mentiras sejam enterradas, da mesma forma que ela... Não a vejo tão errada. O capitão, por outro lado, está cada vez mais maçante.

      Excluir
  6. Respostas
    1. Chaol à levou pra uma fazenda pros parentes de nezrin cuidar dela e ficar longe dessa guerra que eu me lembre
      Sdds ligeirinha

      Excluir
    2. Desculpa, mas por um momento pensei que vc tava xingando a Aelin kkkkkkkkkkk

      Excluir
  7. Gente acho q a Aelin não suportaria perder outra amiga!!!! Esse livro não chega ao nível de game of throne mas tá matando muito personagem legal
    ...

    ResponderExcluir
  8. Aeeeee
    Já tava na hora de chaol se redimir pela morte de nehemia

    ResponderExcluir
  9. nuhuiguib vdkxuifasiizmi AROBYYNNNN!!!!!!!!!!
    Se n fosse por ele a Aelin e sua tropa já iam encontrar Manon e Dorian!

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!