28 de fevereiro de 2016

Capítulo 52

Quando saíram do templo do Comedor de Pecados, Chaol ficou maravilhado sobre quão era estranho trabalhar com Aelin e sua corte. Como era estranho não estar lutando por ela uma vez.
Ele não deveria sequer ter ido com eles, dado o quanto havia para fazer. Metade dos rebeldes havia deixado Forte da Fenda, e mais fugiam a cada dia, e aqueles que permaneciam estavam decididos a mudar para outra cidade.
Ele os mantinha na linha tanto quanto podia, contando com Nesryn para apoiá-lo sempre que começavam a trazer o seu próprio passado com o rei. Ainda havia pessoas sumindo, sendo executadas por causa daqueles que eles salvaram o mais rápido que podiam nas plataformas de execução. Ele continuaria fazendo isso até que o último rebelde deixasse a cidade, ficaria para ajudá-los, para protegê-los. Mas se o que eles descobriram sobre Erawan fosse verdade...
Deuses ajudassem a todos.
De volta ao nivel da cidade, virou-se a tempo de ver Rowan oferecer uma mão amiga para puxar Aelin fora de esgotos. Ela pareceu hesitar, mas, em seguida, agarrou-a, sua mão engolida pela dele.
Uma equipe, sólida e inquebrável.
O príncipe feérico içou-a e a colocou de pé. Nenhum deles soltou imediatamente o outro.
Chaol esperou – esperou a contorção do ciúme, a bile ferroando-o.
Mas não havia nada. Apenas um alívio vacilante, talvez, por...
Por Aelin e Rowan.
Ele devia estar realmente sentindo pena de si mesmo, decidiu.
Passos soaram, e todos se prepararam, armas em punho, apenas para...
— Estive procurando por vocês por uma hora — disse Nesryn, correndo para fora das sombras do beco. — O que...
 Ela notou seus rostos sombrios. Eles haviam deixado o fogo infernal lá embaixo, escondido em um sarcófago, para guardar e não serem derretidos caso as coisas dessem muito errado.
Ele ficou surpreso que Aelin o tivesse permitido saber, muito embora como ela planejava entrar no castelo, não tivesse contado.
Basta dizer a Ress, Brullo e os outros ficarem bem longe da torre do relógio – fora sua única advertência até agora. Ele quase quis saber quais eram seus planos pelos outros inocentes do castelo, mas... isso tinha sido legal. Ter uma tarde sem luta, sem ninguém a odiá-lo. Sentir como se ele fosse parte de sua unidade.
— Eu a atualizarei mais tarde — disse Chaol para ela. Mas o rosto de Nesryn estava pálido. — O que foi?
Aelin, Rowan e Aedion foram até eles em passos silenciosamente não naturais.
Nesryn deu de ombros.
— Recebi notícias de Ren. Ele teve alguns problemas menores na fronteira, mas está bem. Ele tem uma mensagem para vocês, para nós — ela afastou uma mecha de seu cabelo escuro. Sua mão tremia um pouco.
Chaol preparou-se e lutou contra o impulso de colocar uma mão em seu braço.
— O rei — Nesryn continuou — está montando um exército em Morath, sob a supervisão de duque Perrington. Os guardas valg ao redor de Forte da Fenda são os primeiros. Mais estão vindo desta maneira.
Soldados valg de infantaria, então. Morath, parecia, poderia muito bem ser o seu primeiro ou último campo de batalha.
Aedion inclinou a cabeça, o encarnado Lobo.
— Quantos?
— Muitos — disse Nesryn. — Não obtivemos uma contagem completa. Alguns estão acampados dentro das montanhas que cercam o acampamento e nunca saem todos de uma vez, nunca completamente à vista. Mas é um exército maior do que qualquer um que ele está montou antes.
As palmas das mãos de Chaol ficaram escorregadias de suor.
— E além disso — Nesryn continuou, com a voz rouca — o rei tem agora uma cavalaria aérea de bruxas Dentes de Ferro, acolhendo três mil delas, que foram secretamente treinadas no Desfiladeiro Ferian para montar a raça de serpentes aladas que o rei tem conseguiu criar.
Deuses.
Aelin levantou a cabeça, olhando para a parede de tijolos como se pudesse ver o exército aéreo lá, o movimento revelando o anel de cicatrizes em seu pescoço.
Dorian – eles precisavam de Dorian no trono. Precisavam terminar com isso.
— Você tem certeza? — Aedion indagou.
Rowan olhava para Nesryn, o rosto o retrato de um guerreiro calculista e frio – e ainda de alguma forma se aproximando de Aelin.
— Perdemos muitos espiões para conseguir essa informação — Nesryn disse firmemente.
Chaol se perguntou qual deles tinha sido amigo dela.
Aelin falou, sua voz plana e dura.
— Só para ter certeza que ouvi direito: nós estamos enfrentando agora três mil bruxas Dentes de Ferro sanguinárias em serpentes aladas e uma série de soldados mortais se reunindo ao sul de Adarlan, provavelmente para cortar qualquer ligação entre Terrasen e os reinos do sul.
Deixando Terrasen num beco sem saída.
Diga, Chaol silenciosamente implorou ela. Diga que você precisa de Dorian livre e vivo.
Aedion meditou:
— Melisande pode ser capaz de se unir conosco — ele derrotou Chaol com um olhar avaliativo, o olhar fixo de um general. — Você acha que seu pai sabe sobre as serpentes aladas e bruxas? Anielle é a cidade mais próxima do Desfiladeiro Ferian.
Seu sangue gelou. Era por isso que seu pai estava tão interessado em levá-lo para casa? Ele sentiu a próxima pergunta de Aedion antes do general falar.
— Ele não usa um anel preto — falou Chaol. — Mas duvido que encontrariam nele um aliado agradável, se ele se preocupasse em fazer uma aliança.
— Há coisas a considerar — Rowan disse — precisaremos de um aliado para atravessar as fronteiras do sul.
Deuses, eles realmente estavam falando sobre isso. Guerra – a guerra estava chegando. E eles não poderiam sobreviver a tudo.
— Então, o que eles estão esperando? — Aedion perguntou, andando. — Por que não atacar agora?
A voz de Aelin era suave e fria.
— Eu. Eles estão esperando que eu faça a minha jogada.
Nenhum deles a contradisse.
A voz de Chaol estava tensa quando ele empurrou de lado seus exames de pensamentos:
— Algo mais?
Nesryn enfiou a mão na túnica e tirou uma carta. Ela entregou a Aedion.
— Veio do seu imediato. Estão preocupados por você.
— Há uma taberna neste quarteirão. Dê-me cinco minutos, e eu terei uma resposta para você — disse Aedion, já caminhando para longe. Nesryn o seguiu, dando a Chaol um aceno de cabeça em silêncio. O general disse por cima do ombro para Rowan e Aelin, seu capuz pesado ocultando traços reveladores: — Eu os vejo em casa.
Para outra reunião.
Mas Aelin de repente disse:
— Obrigada.
Nesryn fez uma pausa, de alguma forma sabendo que a rainha tinha falado com ela.
Aelin colocou a mão em seu coração.
— Por tudo o que está arriscando, eu agradeço.
Os olhos de Nesryn cintilaram quando ela respondeu:
— Vida longa à rainha.
Mas Aelin já havia se afastado.
Nesryn encontrou o olhar de Chaol, e ele a seguiu e Aedion.
Um exército indestrutível, possivelmente liderado por Erawan, se o rei de Adarlan fosse louco o suficiente para erguê-lo.
Um exército que poderia esmagar qualquer resistência humana.
Mas... mas talvez não uma resistência mágica.
Ou seja, se os detentores de magia, depois de tudo o que foi feito para eles, ainda assim quisessem se incomodar em salvar seu mundo.



— Fale comigo — pediu Rowan atrás dela enquanto Aelin cruzava rua após rua.
Ela não podia. Não podia formar pensamentos, transformá-las em palavras.
Quantos espiões e rebeldes haviam perdido suas vidas para obter essa informação? E quão pior seria a sensação quando ela enviasse pessoas para a morte – quando tivesse que assistir seus soldados serem massacrados por esses monstros? Se Elena lhe dera uma pista, de alguma forma levando o traficante de ópio para o templo do Comedor de Pecados para que eles pudessem encontrá-lo, ela não estava se sentindo particularmente grata.
— Aelin — Rowan repetiu, em voz baixa o suficiente apenas para ela e os ratos do beco ouvirem.
Ela mal sobrevivera à Baba Pernas Amarelas. Como é que qualquer um sobreviveria a um exército de bruxas treinadas em combate?
Ele agarrou seu cotovelo, forçando-a a parar.
— Vamos enfrentar isso juntos — ele falou, seus olhos brilhando, os caninos reluzindo. — Como fizemos no passado. Qualquer que seja o fim.
Ela tremia – tremia como uma, deuses malditos, covarde – e libertou seu cotovelo, continuando a andar. Nem sabia para onde seguia, somente andava, tinha que encontrar uma maneira de extravasar, colocar o mundo para fora, antes de parar de se mover, ou então nunca se moveria novamente.
Serpentes aladas. Bruxas. Um exército novo, ainda maior. O beco se fechava sobre ela, selando tão firmemente como um daqueles túneis de esgoto alagados.
— Fale comigo — Rowan pediu novamente, mantendo uma distância respeitosa por trás.
Ela sabia que ruas eram essas. Poucos quarteirões abaixo, encontraria uma das entradas de esgoto dos valg.
Talvez saltasse para lá e cortaria alguns deles em pedaços. Ver o que eles sabiam sobre o Rei das Trevas Erawan, e se ele ainda dormia sob aquela montanha.
Talvez ela não se preocupasse com perguntas.
Então uma mão forte a agarrou pelo lado, puxando-a contra um corpo masculino duro.
Mas o cheiro não era de Rowan.
E a faca em sua garganta, a lâmina apertando tanto que sua pele ardia, cedia...
— Indo a algum lugar, princesa? — Lorcan soprou em seu ouvido.



Rowan pensara que conhecia o medo. Pensara que podia enfrentar qualquer perigo com a cabeça limpa e gelo nas veias.
Até Lorcan aparecer das sombras, tão rápido que Rowan não tinha sequer sentido o cheiro dele, e colocou a faca contra a garganta de Aelin.
— Você se move — Lorcan rosnou na orelha de Aelin — e eu te mato. Você fala, e eu te mato. Entendeu?
Aelin não disse nada. Se ela balançasse a cabeça, abriria a garganta na lâmina. Sangue já brilhava ali, um pouco acima de sua clavícula, enchendo o beco com seu perfume.
Apenas o cheiro dele já fez Rowan deslizar em uma fria calma assassina.
— Entendeu? — Lorcan assobiou, empurrando o suficiente para que o sangue dela fluísse um pouco mais rápido. Ainda assim ela não disse nada, obedecendo à ordem dele. Lorcan riu. — Bom. Eu gosto assim.
O mundo desacelerou e se abriu para Rowan com clareza afiada, revelando cada pedra dos edifícios e da rua, os restos e o lixo em torno deles. Qualquer coisa para dar-lhe uma vantagem, para usar como uma arma.
Se ele tivesse sua magia, teria sufocado o ar dos pulmões de Lorcan agora, teria quebrado os escudos escuros de Lorcan com meio pensamento. Se tivesse sua magia, teria erguido um escudo em torno deles desde o início, assim esta emboscada nunca poderia acontecer.
Os olhos de Aelin encontraram os seus.
E medo – medo genuíno brilhava lá.
Ela sabia que estava em uma posição comprometida. Ambos sabiam que não importava quão rápido ele fosse, ela fosse, a faca de Lorcan seria mais rápida.
Lorcan sorriu para Rowan, o capuz escuro baixado pela primeira vez. Sem dúvida, para que Rowan pudesse ver cada brilho de triunfo em seus olhos negros.
— Sem palavras, príncipe?
— Por quê? — era tudo o que Rowan poderia perguntar. Cada ação, cada plano possível ainda o deixava muito longe. Ele se perguntou se Lorcan percebeu que se ele a matasse, o próprio Lorcan seria o próximo. Em seguida, Maeve.
E talvez o mundo, por despeito.
Lorcan esticou a cabeça para olhar para o rosto de Aelin. Seus olhos se estreitaram.
— Onde está a chave de Wyrd?
Aelin ficou tensa, e Rowan desejou que ela não falasse, não para insultar Lorcan.
— Nós não a temos — disse Rowan.
Raiva – interminável, cataclísmica. Ódio o atravessou.
Exatamente o que Lorcan queria. Exatamente da maneira como Rowan testemunhara o guerreiro semifeérico manipular seus inimigos por séculos. Então Rowan bloqueou essa raiva. Tentou, pelo menos.
— Eu poderia abrir este pescoço tão facilmente — disse Lorcan, roçando o nariz contra a sua garganta. Aelin ficou rígida. A possessividade por aquele toque o cegou com ira feroz. Foi um esforço sufocá-la novamente quando Lorcan murmurou para sua pele: — Você é muito melhor quando não abre essa boca terrível.
— Nós não temos a chave — Rowan falou novamente. Ele abateria Lorcan da maneira que apenas imortais sabiam, que gostavam de matar: lenta e violentamente, de forma criativa. O sofrimento de Lorcan seria completo.
— E se eu lhe disser que estamos trabalhando para o mesmo lado? — Lorcan disse.
— Eu lhe diria que Maeve trabalha para apenas um lado: o dela própria.
— Maeve não me enviou aqui.
Rowan quase podia ouvir as palavras que Aelin lutava para segurar. Mentiroso – pedaço de merda mentiroso.
— Então foi quem? — Rowan exigiu.
— Eu saí.
— Se estamos do mesmo lado, então, abaixe a sua faca — Rowan rosnou.
Lorcan riu.
— Não quero ouvir o latido da princesa. O que tenho a dizer aplica-se para ambos — Rowan esperou, levando a cada segundo para avaliar e reavaliar seus arredores, as probabilidades. Por fim, Lorcan baixou a lâmina ligeiramente. Sangue deslizou do pescoço de Aelin, sujando seu traje. — Você cometeu o maior erro de sua curto vida mortal e patética quando entregou o anel a Maeve.
Através da calma letal, Rowan sentiu o sangue sumir de seu rosto.
— Você deveria ter pensado melhor — continuou Lorcan, ainda segurando Aelin pela cintura. — Deveria saber que ela não era uma tola sentimental ansiando por seu amor perdido. Ela tinha muitas coisas de Athril, por que iria querer seu anel? O anel dele, e não Goldryn?
— Pare de enrolar e nos dizer logo o que é.
— Mas eu estou achando muito divertido.
Rowan segurou seu temperamento com tanta força que se engasgou com ele.
— O anel — falou Lorcan — não era uma relíquia de família de Athril. Ela matou Athril. Ela queria as chaves e o anel, e ele recusou, e ela o matou. Enquanto lutavam, Brannon os roubou, escondendo o anel com Goldryn e trazendo as chaves para cá. Você nunca se perguntou por que o anel estava com a espada? Uma espada para matar demônios e um anel para combinar.
— Se Maeve quer matar demônios — Rowan disse — nós não vamos reclamar.
— O anel não os mata. Concede imunidade ao seu poder. Um anel forjado pela própria Mala. Os valg não podiam ferir Athril quando ele o usava.
Os olhos de Aelin se arregalaram ainda mais, o cheiro de seu medo mudando para algo muito mais profundo que o temor de dano corporal.
— O portador do anel — Lorcan continuou, sorrindo para o terror cobrindo seu cheiro — não precisa temer ser escravizado por uma pedra de Wyrd. Você entregou-lhe a sua própria imunidade.
— Isso não explica por que você a deixou.
O rosto de Lorcan apertou.
— Ela abateu seu amante por um anel, pelas chaves. Vai fazer muito pior para consegui-los agora que elas estão no tabuleiro de jogo novamente. E uma vez que ela os tenha... minha rainha se fará uma deusa.
— E então?
A faca permanecia muito perto do pescoço de Aelin para correr o risco de atacar.
— Isso irá destruí-la.
A raiva de Rowan tropeçou.
— Você pretende obter as chaves para mantê-las longe dela.
— Eu pretendo destruir as chaves. Você me dá a sua chave de Wyrd — disse Lorcan, abrindo o punho que ele segurava contra o abdômen de Aelin — e eu lhes darei o anel.
Com certeza, em sua mão brilhava um anel de ouro familiar.
— Você não deveria estar vivo — disse Rowan. — Se tivesse roubado o anel e fugido, ela o teria matado.
Era uma armadilha. Uma armadilha inteligente e razoável.
— Eu agi rapidamente.
Lorcan tinha levado o traseiro para fora de Wendlyn. Isso não provava nada, no entanto.
— Os outros...
— Nenhum deles sabe. Acha que confio neles para não dizer nada?
— O juramento de sangue torna a traição impossível.
— Estou fazendo isso por causa dela — respondeu Lorcan. — Estou fazendo isso porque não quero ver minha rainha tornar-se um demônio. Estou obedecendo o juramento nesse sentido.
Aelin estava eriçada agora, e Lorcan fechou os dedos ao redor do anel novamente.
— Você é um tolo, Rowan. Só pensa nos próximos anos, décadas. O que estou fazendo é para o bem dos séculos. Para a eternidade. Maeve enviará os outros, você sabe. Para caçá-los. Para matar os dois. Que esta noite seja um lembrete de sua vulnerabilidade. Você nunca conhecerá a paz por um único momento. Nenhum.  E mesmo nenhum de nós mate Aelin do Fogo Selvagem... a hora chegará.
Rowan encerrou as palavras.
Lorcan olhou para Aelin, seu cabelo preto movendo com o movimento.
— Pense sobre isso, princesa. O que vale a imunidade num mundo onde seus inimigos estão esperando para acorrentá-la, onde um deslize pode significar tornar-se um escravo eterno?
Aelin apenas mostrou os dentes.
Lorcan empurrou-a para longe, e Rowan já estava se movendo, lançando-se para ela. Ela girou, as lâminas embutidas em seu traje libertando-se. Mas Lorcan tinha ido embora.



Depois de decidir que os cortes em seu pescoço eram superficiais e que ela não estava em perigo de morrer, Rowan não falou com ela pelo resto da viagem de volta.
Se Lorcan estivesse certo... não, ele não estava certo. Ele era um mentiroso, e sua barganha cheirava aos truques de Maeve.
Aelin pressionava um lenço contra o pescoço enquanto caminhavam, e no momento em que chegaram ao apartamento, as feridas tinham coagulado. Aedion, felizmente, já estava na cama.
Rowan caminhou direito para o quarto.
Ela o seguiu, mas ele foi para o banheiro e fechou a porta silenciosamente atrás dele.
Água corrente gorgolejou um batimento cardíaco mais tarde. Um banho.
Ele fizera um bom trabalho escondendo-a, e sua raiva era... ela nunca vira ninguém com tanta raiva. Mas ainda assim ela vira o terror em seu rosto. Tinha sido o suficiente para fazê-la dominar seu próprio medo quando o fogo começou a crepitar em suas veias. E ela tinha tentado – deuses, ela tentara – encontrar uma maneira de sair daquele aperto, mas Lorcan... Rowan tinha razão. Sem a sua magia, ela não era páreo para ele.
Ele poderia tê-la matado.
E tudo em que ela tinha sido capaz de pensar, apesar de seu reino, apesar de tudo o que ainda tinha que fazer, era no medo nos olhos de Rowan.
E seria uma vergonha se ele nunca soubesse... se ela nunca lhe dissesse...
Aelin limpou seu pescoço na cozinha, lavou o pouco de sangue de seu traje e o pendurou na sala de estar para secar, em seguida, puxou uma das camisas de Rowan e subiu na cama.
Ela mal ouvia qualquer som de água. Talvez ele estivesse apenas deitado na banheira, olhando para o nada com aquela expressão vazia que usara desde que Lorcan retirara a faca de sua garganta.
Minutos se passaram, e ela gritou boa noite para Aedion, cuja resposta ecoante retumbou através das paredes.
Em seguida, a porta do banheiro se abriu, um véu de vapor ondulou para fora, e Rowan apareceu, uma toalha pendurada em seus quadris. Ela encarou aquele abdome musculoso, os ombros poderosos, mas...
Mas o vazio naqueles olhos.
Ela deu um tapinha na cama.
— Venha aqui.
Ele permaneceu ali, os olhos demorando-se em seu pescoço machucado.
— Nós dois somos especialistas nisso, por isso vamos concordar agora em manter o temperamento na linha, conversar como pessoas razoáveis.
Ele não devolveu o seu olhar quando se aproximou da cama e caiu ao lado dela, estendendo-se ao longo dos cobertores. Ela nem sequer o repreendeu por deixar os lençóis molhados, ou mencionar que ele poderia ter tomado meio minuto para vestir alguma roupa.
— Parece que nossos dias de diversão terminaram — disse ela, apoiando a cabeça na mão e olhando para ele. Ele fitava para o teto. — Bruxas, senhores escuros, rainhas feéricas... se sairmos disso tudo vivos, vou querer umas boas e longas férias.
Seus olhos eram frios.
— Não me expulse — ela bufou.
— Nunca — ele murmurou. — Isso não é... — ele esfregou os olhos com o polegar e o indicador. — Eu falhei com você esta noite. — Suas palavras eram um sussurro na escuridão.
— Rowan...
— Ele chegou perto o suficiente para matá-la. Se tivesse sido outro inimigo, podem ter feito — a cama gemeu quando ele deu um suspiro estremecido e baixou a mão de seus olhos. Emoção crua envolvia seus lábios. Nunca, nunca ele a deixara ver essas coisas. — Eu falhei com você. Jurei protegê-la, e não fiz isso esta noite.
— Rowan, tudo bem...
— Não está tudo bem — sua mão estava quente enquanto segurava seu ombro. Deixou que ele a virasse de costas, e encontrou-o quase em cima dela enquanto olhava para o seu rosto. Seu corpo era uma enorme força sólida da natureza acima dela, mas nos seus olhos o pânico persistia. — Eu quebrei a sua confiança.
— Você não fez nada disso. Rowan, você disse a ele que não entregaria a chave.
Ele respirou fundo, seu peito largo expandindo.
— Eu teria entregado. Deuses, Aelin, ele me teve, e não sabia disso. Ele poderia ter esperado mais um minuto e eu teria contado a ele, com anel ou sem. Erawan, as bruxas, o rei, Maeve... eu enfrentaria todos eles. Mas perder você... — ele abaixou a cabeça, sua respiração aquecendo sua boca enquanto fechava os olhos. — Falhei com você esta noite — ele murmurou, sua voz rouca. — Eu sinto muito.
Seu aroma de pinho e neve envolveu em torno dela. Ela devia se afastar, rolar para fora de alcance. Não me toque dessa maneira.
No entanto, lá estava ele, com a mão em uma cicatriz em seu ombro nu, seu corpo quase cobrindo o dela.
— Você não tem nada do que se desculpar — ela sussurrou. — Eu confio em você, Rowan.
Ele deu-lhe um aceno de cabeça quase imperceptível.
— Eu senti sua falta — ele disse em voz baixa, seu olhar correndo entre sua boca e olhos — quando estava em Wendlyn. Menti quando disse que não. A partir do momento em que você saiu, senti tanto sua falta que perdi a cabeça. Eu estava feliz com a desculpa de seguir Lorcan até aqui, apenas para vê-la novamente. E esta noite, quando ele segurou aquela faca em sua garganta... — o calor de seu dedo calejado espalhou por ela quando ele traçou um caminho sobre o corte em seu pescoço. — fiquei pensando em como você nunca saberia o quanto senti sua falta com apenas um oceano entre nós. Mas se fosse a morte nos separando.. eu iria encontrá-la. Não me importo quantas regras quebraria. Mesmo que eu tivesse que pegar as três chaves eu mesmo e abrir um portal, eu iria encontrá-la novamente. Sempre.
Ela piscou pela queimação em seus olhos quando ele esticou o braço e tomou sua mão, guiando-a para colocar em seu rosto tatuado.
Foi um esforço se lembrar de como respirar, concentrar-se em algo que não a sua pele suave e quente. Ele não tirou os olhos dos dela enquanto ela roçava o polegar ao longo de sua bochecha afiada. Saboreando cada movimento, ela acariciava seu rosto, a tatuagem, sem nunca desviar seu olhar.
Sinto muito, ele ainda parecia dizer.
Ela manteve o olhar preso no dele mesmo quando soltou seu rosto e lentamente, certificando-se de que ele entendia cada passo do caminho, inclinava a cabeça para trás até que sua garganta estivesse arqueada e desnuda diante dele.
— Aelin — ele resfolegou. Não uma reprimenda ou aviso. Soou como um apelo. Ele abaixou a cabeça para seu pescoço exposto e pairou a um fio de cabelo de distância.
Ela arqueou mais o pescoço, um convite silencioso.
Rowan soltou um gemido suave e roçou os dentes contra sua pele.
Uma mordida, um movimento, era tudo o que seria necessário para ele arrancar sua garganta.
Seus caninos alongados deslizaram ao longo de sua carne – suavemente, com precisão. Ela apertou os lençóis para evitar correr os dedos pelas costas nuas e puxá-lo para mais perto.
Ele apoiou uma das mãos ao lado da cabeça, entrelaçando os dedos em seu cabelo.
— Mais ninguém — ela sussurrou. — Eu nunca permitiria mais ninguém em minha garganta — mostrar-lher a garganta era a única maneira que ele entenderia a confiança, um modo que o predatório lado feérico dele compreenderia. — Mais ninguém — disse ela novamente.
Ele soltou outro gemido baixo, resposta, confirmação e pedido, e o estrondo ecoou dentro dela. Cuidadosamente, ele fechou os dentes sobre o local onde seu sangue zumbia e batia, seu hálito quente em sua pele.
Ela fechou os olhos, estreitando todos os sentidos à sensação, aos dentes e à boca em sua garganta, no poderoso corpo tremendo de contenção acima dela. A língua dele dançou contra sua pele.
Ela fez um pequeno ruído que poderia ter sido um gemido, ou uma palavra, ou o seu nome. Ele estremeceu e a puxou de volta, o ar frio beijando seu pescoço. Selvageria – selvageria pura provocava naqueles olhos.
Em seguida, ele cuidadosamente, descaradamente explorou seu corpo, suas narinas dilatando enquanto cheirava com exatidão o que ela queria.
Sua respiração ficou rápida quando ele arrastou seu olhar faminto para o dela, feroz, inflexível.
— Ainda não — disse ele asperamente, sua própria respiração irregular. — Agora não.
— Por quê? — foi um esforço se lembrar da fala com ele olhando para ela desse modo. Como ele podia comê-la viva. Calor atravessou o seu centro.
— Quero ter meu tempo com você. Para conhecer... cada centímetro seu. Este apartamento tem paredes muito, muito finas. Não quero um público — acrescentou ele quando se inclinou para baixo novamente, roçando seus lábios sobre o corte na base da sua garganta — quando eu a fizer gemer, Aelin.
Ah, por Wyrd. Ela estava em apuros. Tantos problemas. E quando ele falava o nome dela assim...
— Isso muda as coisas — disse ela, dificilmente capaz de dizer as palavras.
— As coisas têm mudado faz um tempo. Nós lidaremos com isso.
Ela se perguntou quanto tempo sua resolução duraria se ela erguesse o rosto para reivindicar sua boca com a dela, se ela corresse os dedos por sua espinha. Se ela o tocasse mais baixo do que isso. Mas...
Serpentes aladas. Bruxas. Exército. Erawan.
Ela soltou uma respiração pesada.
— Dormir — ela murmurou. —Nós devemos dormir.
Ele engoliu em seco novamente, lentamente indo para longe dela e caminhando até o closet para se vestir.
Honestamente, foi um esforço não pular atrás dele e arrancar a maldita toalha.
Talvez ela devesse fazer Aedion ir para outro lugar. Apenas por uma noite.
E então ela queimaria no inferno por toda a eternidade por ser a pessoa mais egoísta e horrível, que teve a graça de andar sobre a terra.
Obrigou-se a desviar o olhar do closet, não confiando em si mesma para olhar Rowan sem fazer algo infinitamente estúpido.
Oh, ela estava com tantos problemas, deuses malditos.

38 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira1 de março de 2016 19:38

    Ai meu deus, Kkkk as putaria tão chegando, cara, ela vai derrubar a torre do relógio e então enfrentar as bruxas com poderes que vão vir dela, do Rowan, do Aedion (ele tem poderes?), do Dorian (ela vai libertar ele com o poder da chave de Wyrd), o pai do Aedion (não lembro o nome dele), a menina aquela amiga do Chaol, a Lysandra e o Chaol apesar de ele não ter poderes, o coitado. Mas eu também não tenho poderes, então o Chaol não merece tê-los também. Minha amável teoria.

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    1. É realmente uma amável teoria. Hahahaha

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    2. Ue eu tava achando que manon tinha matado o Dorian kkk
      Matou foi aquele primo dele então né?

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  2. Esse capítulo foi quente...mas os erros estão me broxando, sinceramente!

    Por favor, revisem logo!

    To morrendo... :(

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  3. Karina, só pra avisar, esse capítulo tá todo bugado, cheio de frases incompletas, tá meio ruim de ler. Os tres anteriores tbm.

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    1. Então, Mayy, os últimos capítulos do livro - a segunda parte - como avisado no post do livro, não foram revisados... atualizarei assim que puder

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    2. ñ me importo com os erros, na empolgação na verdade nem os percebos,se isso me incomodasse compraria os livros. só acho. agradeço a Karina por dispor de seu tempo para publica-los, com erros ou ñ.

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  4. Meodeusdoceu!! Kkkkkk

    Juh

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  5. 😲😲😲 Meu pai...esse final de capítulo foi muito quenteeeeee...cê é louco Cachoeira....gente esse Rowan me suoreendeu agora safadinho...hhee a eu aqui pensando que esse livros era somente de fadas e monstros e magia e pá começa a sacanagem hehe tauana

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    1. e eu aqui pensando q a rainha safada era alein mas rowan me surpriendel nossa!!!!!!

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  6. ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️ Omgggggggg Q peeeeerrrrrrfeiiiiiitooooooooooo finalmente eles estão juntoooooosssssss! S2s2s2s2s2s2❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️

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  7. Essa galera vai potar tudo abaixo

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  8. Eu estou sem palavras. MANOOO EU TO SEM PALAVRAS! QUANDO ELE DISSE Q SENTIU FALTA DELA EU JURO Q COMECEI A CHORAR, E AGR NO FINAL QND ELE TERMINOU DE EXPLICAR Q NN QUERIA PÚBLICO EU QUASE GRITEI KKKKKKK. GENTE EU AMEI ESSE CAPITULO SOCORRO! IMAGINA QUANDO TODO MUNDO COMEÇAR A LUTAR E TALS... NOSSA MANO... TO GRITANDO AQUI! COMO Q EU VOU ME CONCENTRAR NA AULA AMANHÃ DPS DISSO??? AHSHAHS FOI PERFEITO!

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  9. Essa Aelin troca de namorado como quem troca de roupa como diz minha mãe agora toh esperando pra saber quem vai ser o sucessor de Rowan.

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    1. VAI CONTINUAR SENDO ELE QUERIDA. Ele é um divooo

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  10. Eita agora as bruxas estão entrando pra valer na história espero que manon deserte pro lado da Aelim senão tá todo mundo lascado.

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  11. Este apartamento tem paredes muito, muito finas. Não quero um público — acrescentou ele quando se inclinou para baixo novamente, roçando seus lábios sobre o corte na base da sua garganta — quando eu a fizer gemer, Aelin.

    Ah, por Wyrd. Ela estava em apuros. Tantos problemas. E quando ele falava o nome dela assim... kkkkkkkkkk nossa muuuito bom esses dois juntos , pegando fogo amo eles juntos !!!!!<3<3<3<3

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  12. Ja ja ela vai ficar com o rei de "Adarlan" kkk Rowan humilhou 50 t.de cinza e ainda ñ fez nada :v
    -Glauber Singer

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    1. olha que gosto bastante de "50 t.de cinza" e sinceramente kkk é pura verdade isso! O Rowan não fez nada ainda e já está assim hihihi, bem, para dizer a verdade foi desde o seu aparecimento, então agora isso, imagina depois!! kkkkk foda demais!! apavarou :D

      OBS: 50 t.de cinza é sensacional o melhor livro ficção erótica que li!!
      Mas esse Rowan de 0 a 1000. 1000 a Rowan né!? haha

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  13. Ora shay. .Sabe nada inocente. .o romance não tem sucessor
    ....eu espero

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  14. — Quero ter meu tempo com você. Para conhecer... cada centímetro seu. Este apartamento tem paredes muito, muito finas. Não quero um público — acrescentou ele quando se inclinou para baixo novamente, roçando seus lábios sobre o corte na base da sua garganta — quando eu a fizer gemer, Aelin.
    Me arrepiei horrores nessa parte, pelo amor dos deuses o Rowan ainda me mata ♥♥♥♥♥♥♥

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  15. Tendo um treco c esse final de capítulo.... Rowan, vc ta me dxd loka aki😂😂😂

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  16. Essa é a primeira vez que não acho ela egoísta.

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  17. Eu tô passaaaaaaaaaaaaada! Que que isso? Rowan sendo Christian Gray kkkkkkkkk Me pergunto se o Aedion sentiu os "cheiros", pelo que eu percebi eles sentem cheiros de emoções e, Pelo Anjo, emoção foi o que não faltou ai, hein pai kkkkkk Safadhênhos!

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    1. cheiros.... huehuehuehueheheuehueheuheuheue

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  18. Pirando em 3,2,1.... QUE ISSO JOVEM! KKKKKK. .... amei esse capítulo, acabei de me bandear pro lado do Rowam!
    By: Bianca

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  19. MEH SANTO DEUS ♥♡ TÔ PIRANDO N VOU DORMI HOJE NEM FID@/#DO

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  20. O negócio dos cheiros é que quando ela chegou em wendlyn,ela cheirava á chaol e agora,tanto o primo quanto o rowan perceberam que ela cheira á rowan
    TO PASSADA
    se alguem ainda tem um shipp com qualquer outro que nao seja rowan,se retire da sala pfvr.
    Se rowan existe,graças a Deus porque existe
    -Rachel gritando aqui

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  21. ela tem o cheiro do rowam nela porq ele é carranan dela, os cheiro q eles sentem é do desejo.

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  22. Nossa, não dava pra rolar nem um único beijo???? pras eles só serve se for os "finalmentes"??? (não que eu não tenha gostado, é claro) kkkkkk

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  23. QUE FINAL DE CAPITULO QUENTE!!!! gente socorro que eu to morrendo aqui!!!
    que casal SAFADENHO!!! super shippo Aelin e Rowan

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  24. 1- Aelin já sabe das bruxas, só falta as bruxas saberem da aelin.
    2- OH SO HOT! "Honestamente, foi um esforço não pular atrás dele e arrancar a maldita toalha." HUAHUAUAHUHAUHAUAUUAHUAHAUUAHUAHUAHUAHUA BERRO

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  25. uma vantagem de livros online: COMENTÁRIOS.

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