28 de fevereiro de 2016

Capítulo 51

Manon e suas Treze estavam em volta de uma mesa numa sala no fundo do quartel das bruxas.
— Vocês sabem por que as chamei aqui — disse Manon.
Nenhuma delas respondeu; nenhuma delas se sentou. Elas quase não tinham falado com ela desde o massacre da tribo nas Montanhas Caníno Branco. E então hoje, mais notícias.
Mais pedidos.
— O duque me pediu para escolher outro clã. Um clã Bico Negro.
Silêncio.
— Eu gostaria das suas sugestões.
Elas não encontraram seus olhos. Não pronunciaram uma palavra.
Manon estalou seus dentes de ferro.
Você se atreveriam a me desafiar?
Sorrel limpou a garganta, a atenção na mesa.
— Nunca você, Manon. Mas nós desafiamos o direito do verme humano de usar nossos corpos como se fossem deles.
— Sua Grã Bruxa deu ordens que serão obedecidas.
— Você pode muito bem nomear as Treze — disse Asterin, a única delas a sustentar o olhar de Manon.
Seu nariz ainda estava inchado e machucado da surra.
— Para nós, devemos enfrentar nosso destino antes de entregar nossas irmãs.
— E todas vocês concordam com isso? Desejam produzir filhotes de demônios até seus corpos quebrarem?
— Somos Bico Negros — respondeu Asterin, o queixo erguido. — Não somos escravos de ninguém, e não seremos usadas como tal. Se o preço é nunca voltarmos para os desertos, que assim seja.
Nenhuma das outras se encolheu muito. Tinham todas se reunido – haviam discutido de antemão. O que dizer a ela.
Como se ela precisasse de uma direção.
— Decidiram mais alguma coisa em sua pequena reunião do conselho?
— Há algumas... coisas, Manon — falou Sorrel. — Coisas que você precisa ouvir.
Traição – isso era o que os mortais chamavam de traição.
— Não dou a mínima para o que vocês tolas ousaram acreditar que preciso ouvir. A única coisa que preciso ouvir é o som de vocês dizendo Sim, Líder Alada. E o nome de um clã condenado.
— Escolha um você mesmo — Asterin estalou.
As bruxas se mexeram. Não era uma parte do plano, era?
Manon deu a volta ao redor da mesa até Asterin, passando pelas outras bruxas que não se atreveram a girar para encará-la.
— Você tem sido nada além de inútil desde o minuto em que pôs os pés nesta fortaleza. Eu não me importo se você voou ao meu lado durante um século, vou matá-la como a cadela ladrando que você é...
— Faça — Asterin assobiou. — Rasgue minha garganta. Sua avó vai ficar tão orgulhosa que você finalmente o fez.
Sorrel foi para trás de Manon.
— Isso é um desafio? — Manon perguntou muito calmamente.
Os olhos negros salpicados de ouro de Asterin dançaram.
— É um... — mas a porta se abriu e fechou.
Um jovem com cabelos dourados agora estava na sala, seu colar de pedra negra brilhando à luz das tochas.



Ele não deveria ter entrado.
Havia bruxas em toda parte, e ela colocara as sentinelas de outro clã para proteger a sala de modo que nenhum dos homens do duque pudesse pegá-las de surpresa.
Como uma, as Treze se voltaram- para o homem jovem e bonito.
E, como uma, elas se encolheram quando ele sorriu e uma onda de escuridão colidiu com elas.
Escuridão sem fim, olhos de escuridão que nem mesmo Manon não podia penetrar, e...
E Manon estava novamente de pé diante da bruxa Crochan, um punhal na mão.
Sentimos pena de vocês, cada uma de vocês. Pelo que fazem com suas crianças. Elas não nascem más, mas vocês as obrigam a matar e ferir e odiar até que não reste mais nada dentro delas, de vocês. É por isso que está aqui esta noite, Manon. Por causa da ameaça que representa ao monstro que você chama de avó. A ameaça que representou quando escolheu ter piedade e salvar a vida de sua rival.
Manon balançou violentamente a cabeça, piscando. Em seguida, aquilo tinha ido embora. Havia apenas escuridão, e as Treze, gritando umas com as outras, lutando e...
Um jovem de cabelos dourados estava naquele quarto com as Pernas Amarelas, Elide dissera.
Manon começou a andar através da escuridão, navegando no quarto pela memória e olfato. Algumas de suas Treze estavam próximas; algumas apoiadas contra as paredes. E o cheiro do homem, do demônio de outro mundo dentro ele...
O cheiro a envolveu totalmente, e Manon puxou Ceifadora de Vento.
Então, lá estava ele, rindo quando alguém – Ghislaine – começou a gritar. Manon nunca tinha ouvido esse som. Nunca tinha ouvido qualquer uma delas gritar com uma pitada de medo. E dor.
Manon se arremessou em um ataque cego e derrubou-o ao chão. Nada de espada, ela não queria uma arma para esta execução.
Luz abriu-se em torno dela, e lá estava seu belo rosto, e o colar.
— Líder Alada — ele sorriu, falando com uma voz que não era deste mundo.
As mãos de Manon estavam em torno de sua garganta, apertando, suas unhas rasgando a pele dele.
— Você foi enviado aqui? — ela exigiu.
Seus olhos se encontraram e a malícia antiga dentro deles se encolheu.
— Afaste-se — ele assobiou.
Manon não fez tal coisa.
Você foi enviado aqui? — ela gritou.
O jovem tentou se levantar, mas logo Asterin estava ali, prendendo suas pernas.
— Faça-o sangrar — disse ela por trás Manon.
A criatura continuou se debatendo. E na escuridão, algumas das Treze ainda gritavam em agonia e terror.
Quem o mandou? — Manon berrou.
Os olhos dele mudaram – tornando-se azul, ficando claros. Foi com uma voz de homem jovem que ele disse:
— Mate-me. Por favor, por favor, me mate. Roland, meu nome era Roland. Diga ao meu...
Então a escuridão se espalhou por seu olho novamente, junto com puro pânico em tudo o que ele viu no rosto de Manon, e em Asterin de cima de seu ombro. O demônio dentro o homem gritou:
— Afastem-se!
Ela tinha ouvido e visto o suficiente. Manon apertou com mais força, suas unhas de ferro triturando carne mortal e músculos. Sangue preto e fétido cobriu suas mãos e ela cortou mais, até que chegou ao osso e cortou através dele, e a cabeça dele bateu contra o chão.
Manon podia jurar que ele suspirou.
A escuridão desapareceu, e Manon instantaneamente ficou de pé, o sangue escorrendo de suas mãos enquanto avaliava o dano.
Ghislaine soluçava no canto, toda a cor de sua pele rica e escura esvaída. Thea e Kaya choravam em silêncio, as duas amantes abraçadas. E Edda e Briar, suas sombras, nascidas e criadas na escuridão, estavam de quatro, vomitando. Logo ao lado das gêmeas demônias de olhos verdes, Faline e Fallon.
O resto das Treze estava ilesa. Algumas ainda ruborizadas, algumas ofegantes da onda momentânea de raiva e energia, mas... bem.
Apenas algumas delas eram alvo?
Manon olhou para Asterin – e para Sorrel, Vesta, Lin  e Imogen.
Em seguida, para aquelas que tinham sido drenadas. Todas encontraram o olhar dela neste momento.
Afaste-se, o demônio tinha gritado, como se de surpresa e terror.
Depois de olhar nos olhos dela.
Aquelas que tinham sido afetados, seus olhos eram de cores comuns. Castanho, azul, verde. Mas as que tinham...
Olhos negros salpicados de dourado.
E quando ele olhou nos olhos de Manon...
Olhos dourados sempre foram apreciados entre as Bico Negro. Ela nunca se perguntou por que. Mas agora não era o momento. Não com esse sangue fétido em sua pele.
— Este foi um lembrete — Manon disse, com voz cavernosa saltando pelas pedras. Ela virou-se para o quarto. Deixou-as com si mesmas. — Livrem-se do corpo.



Manon esperou até Kaltain estar sozinha, à deriva em uma das escadas em espiral esquecidas de Morath, antes de atacar.
A mulher não vacilou quando Manon a prendeu contra a parede, as unhas de ferro espetando os ombros pálidos e nus de Kaltain.
— De onde o fogo de sombras vem?
Olhos escuros e vazios encontraram os dela.
— De mim.
— Por que você? Que tipo de magia é? Poder valg?
Manon estudou o colar em volta do pescoço fino da mulher.
Kaltain deu um pequeno sorriso morto.
— Era meu, para começar. Em seguida, foi fundido com outra fonte. E agora é o poder de cada mundo, cada vida.
Bobagem. Manon empurrou-a mais forte na pedra escura.
— Como você tira esse colar?
— Ele não sai.
Manon mostrou os dentes.
— E o que vocês querem de nós? Nos colocar coleiras?
— Eles querem reis — Kaltain respirou, os olhos cintilando com algum estranho, deleite doente. — Reis poderosos. Não vocês.
Mais asneiras. Manon rosnou, mas, em seguida, havia uma mão delicada em seu pulso.
E ela queimou.
Oh, deuses, queimou, e seus ossos estavam derretendo, as unhas de ferro tornaram-se minério derretido, seu sangue estava fervendo...
Manon saltou para longe de Kaltain, e apenas ao tocar seu pulso percebeu que os ferimentos não eram reais.
— Eu vou matar você — Manon assobiou.
Mas o fogo de sombras dançava na ponta dos dedos de Kaltain, mesmo quando o rosto da mulher ficou inexpressivo novamente. Sem dizer uma palavra, como se ela não tivesse feito nada, Kaltain subiu as escadas e desapareceu.
Sozinha nos degraus, Manon embalou seu braço, o eco da dor ainda reverberando através de seus ossos. O abate da tribo com a Ceifadora de Vento, disse a si mesma, tinha sido uma misericórdia.

12 comentários:

  1. Roland!!!!!! O primo chato do Dorian!Como vão conseguir salvar o Dorian? :(((((
    Não vou aceitar que ele morra, não vou

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  2. Respostas
    1. Vou ter um Treco se ele morrer

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  3. Ao que parece não tem jeito pra ele espero estar errada.

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  4. Toda vez que penso nele sinto um aperto no peito. É tão triste ver um personagem com uma história tão boa ser tão desperdiçado e vom tão pouco espaço. É realmentr triste...

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  5. mds será que quem esta reproduzindo os filhos com a bruxa e aquele que lutou com Galvi... sla oq?

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  6. Se Dorian morrer eu vou atrás da autora e termino com ela...
    Juro pelo deuses do olimpo

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  7. Aquelas que tinham sido afetados, seus olhos eram de cores comuns. Castanho, azul, verde.- Queria q meu olho tivesse essa cor comum azul ou verde... Zueira a parte, tô chocada demais... Quer dizer que as bruxas q tem dourado não é afetada?

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  8. Os feéricos tem dourado nos olhos... as Bico Negro tem mais ascendência feérica, então?

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    1. Parece que sim. Pelo menos elas herdaram essas características

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