28 de fevereiro de 2016

Capítulo 48

Manon bateu em Asterin no salão de refeições na manhã após sua explosão sobre o clã das Pernas Amarelas. Ninguém perguntou por quê; ninguém se atreveu.
Três golpes não defendidos.
Asterin não fez mais do que recuar.
Quando Manon terminou, a bruxa apenas olhou-a, sangue azul jorrando de seu nariz quebrado. Nenhum sorriso. Nada de sorriso selvagem.
Então Asterin se afastou.
O resto das Treze monitoravam com cautela. Vesta, agora segunda imediata de Manon, parecia meio inclinada a correr atrás de Asterin, mas um aceno de cabeça de Sorrel manteve a bruxa ruiva quieta.
Manon ficou fora do eixo o resto do dia.
Ela disse a Sorrel para não falar sobre as Pernas Amarelas, mas se perguntou se deveria dizer a Asterin para fazer o mesmo.
Ela hesitou, pensando nisso. Você os deixou fazer isso.
As palavras dançavam ao redor da cabeça de Manon, juntamente com aquele pequeno discurso enfadonho que Elide fizera na noite anterior. Esperança. Que besteira.
As palavras ainda flutuavam quando Manon chegou à câmara do conselho do duque vinte minutos depois que ele a convocou.
— Você se deliciar me ofendendo com seu atraso, ou é incapaz de medir o tempo? — o duque perguntou de seu lugar. Vernon e Kaltain estavam à mesa, o sorriso tolo deste último olhando fixamente à frente. Nenhum sinal de fogo de sombras.
— Eu sou uma imortal — disse Manon, tomando um assento em frente a eles enquanto Sorrel montava guarda nas portas, Vesta no corredor do lado de fora. — O tempo não significa nada para mim.
— Há uma pitada de atrevimento em você hoje — comentou Vernon. — Gosto disso.
Manon nivelou um olhar frio para ele.
— Perdi o café da manhã, humano. Eu teria cuidado se fosse você.
O senhor apenas sorriu.
Ela se inclinou para trás em sua cadeira.
— Por que me chamar aqui?
— Eu preciso de outro clã.
Manon manteve seu rosto sem expressão.
— E as Pernas Amarelas que você já tem?
— Elas estão se recuperando bem e estarão prontas para receber visitantes em breve — mentiroso.
— Um clã Bico Negro desta vez — o duque pressionou.
— Por quê?
— Porque eu quero um, e você me fornecerá, isso é tudo que precisa saber.
Você o deixou fazer isso.
Ela podia sentir o olhar de Sorrel na parte de trás de sua cabeça.
— Nós não somos prostitutas para seus homens usarem.
— Vocês são recipientes sagrados — respondeu o duque. — É uma honra ser escolhida.
— Pensamento machista assumir isso.
Um flash de dentes amarelados.
— Escolha o seu clã mais forte, e o envie lá embaixo.
— Isso exigirá alguma consideração.
— Faça isso rápido, ou eu mesmo escolherei um.
Você os deixou fazer isso.
— E, enquanto isso — o duque disse ao se levantar de seu assento em um movimento rápido e poderoso — prepare as suas Treze. Tenho uma missão para vocês.



Manon navegou em um vento rápido e forte, incitando Abraxos mesmo quando as nuvens se reuniram, até mesmo quando uma tempestade desabou em torno das Treze. Esgotada. Ela tinha que sair, tinha que se lembrar da mordida do vento no rosto, da velocidade sem controle e força ilimitada.
Mesmo que a pressa fosse um pouco diminuída pelo cavaleiro que se segurava na frente dela, seu corpo frágil agasalhado contra os elementos.
Relâmpagos brilhavam no ar tão perto que Manon podia sentir o cheiro de éter, e Abraxos desviava, mergulhando na chuva, nuvens e vento. Kaltain não fez mais do que recuar. Gritos vinham dos homens que montavam com o resto das Treze.
Um trovão explodiu, e o mundo ficou dormente com o som. Mesmo o rugido de Abraxos foi silenciado em seus ouvidos entorpecidos. Uma cobertura perfeita para sua emboscada.
Você os deixou fazer isso.
A chuva encharcava suas luvas feitas para aquecer seu sangue pegajoso. Abraxos pegou uma corrente ascendente e subiu tão rápido que o estômago de Manon caiu. Ela segurou Kaltain com força, mesmo que a mulher estivesse atrelada. Não houve uma reação dela.
O duque de Perrington, montando com Sorrel, era uma nuvem de escuridão na visão periférica de Manon quando eles dispararam através dos desfiladeiros do Canino Branco, que tão cuidadosamente havia mapeado todas essas semanas.
As tribos selvagens não teriam nenhuma ideia do que estava sobre eles, até que fosse tarde demais.
Ela sabia que não havia nenhuma maneira de pular essa parte – nenhuma maneira de evitá-la. Manon continuou voando através do coração da tempestade.



Quando chegaram à aldeia, em meio à neve e às rochas, Sorrel se aproximou o suficiente para Perrington falar com Kaltain.
— As casas. Queime todas elas.
Manon olhou para o duque, em seguida, para sua passageira.
— Devemos pousar...
— Daqui de cima — o duque ordenou, e seu rosto tornou-se grotescamente suave enquanto falava com Kaltain. — Faça isso agora, bichinho.
Abaixo, uma pequena figura feminina saiu de uma das pesadas tendas. Ela olhou para cima, gritando.
Chamas escuras – fogo de sombras – a engolfaram da cabeça aos pés. Seu grito foi levado até Manon pelo vento. Em seguida houveram outros, aumentando quando o fogo profano saltava para suas casas, seus cavalos.
— Todos eles, Kaltain — o duque falou por sobre o vento. — Mantenha circulando, Líder Alada.
Sorrel encontrou o olhar de Manon. Manon rapidamente desviou a atenção e voltou Abraxos para a passagem onde a tribo estava acampada. Havia rebeldes entre eles; Manon sabia porque ela fora quem os rastreara.
O fogo de sombras cortou o acampamento. Pessoas caíam no chão, gritando, implorando em línguas que Manon não entendia. Alguns desmaiaram de dor; alguns morreram com ela. Os cavalos resistiam e os sons miseráveis subiam pela espinha de Manon e enrijecendo-a.
Em seguida, eles desapareceram.
Kaltain caiu nos braços de Manon, ofegante, sua respiração baixa e rouca.
— Ela terminou — disse Manon ao duque.
Irritação cintilou no rosto talhado a granito. Ele observou as pessoas correndo, tentando ajudar aqueles que estavam chorando ou inconscientes, ou mortos. Cavalos corriam em todas as direções.
— Desça, Líder Alada, e coloque um fim isso.
Em qualquer outro dia, uma boa quantidade de sangue teria caído bem . mas esta ordem dele...
Ela vigiara esta aldeia para ele.
Você o deixou fazer isso.
Manon rosnou o comando para Abraxos, mas a descida dele foi lenta, como se dando-lhe tempo para reconsiderar. Kaltain tremia nos braços de Manon, quase em convulsão.
— O que há de errado com você? — Manon perguntou à mulher, meio querendo saber se ela deveria encenar um acidente que acabaria com o pescoço da mulher quebrado contra as rochas.
Kaltain não disse nada, mas seu corpo estava rígido, como se congelado, apesar da roupa grossa em que estava envolvida.
Muitos olhos – havia olhos demais sobre elas para Manon matá-la. E se ela era tão valiosa para o duque, Manon não tinha dúvida de que ele mataria uma ou todas as Treze como retribuição.
— Depressa, Abraxos — disse ela, e ele pegou o ritmo com um grunhido. Ela ignorou a desobediência, a desaprovação, no som.
Eles pousaram em um ponto achatado da borda da montanha, e Manon deixou Kaltain sob os cuidados de Abraxos quando caminhou através do granizo e neve para a aldeia em pânico.
As Treze silenciosamente desceram em posição atrás dela. Não olhou para elas; parte dela não se atreveu a ver o que podia haver em seus rostos.
Os aldeões pararam enquanto viam o clã descer pelo afloramento de rocha que se projetava sobre o vale onde eles ergueram suas casas.
Manon desembainhou Ceifadora de Vento. E então a gritaria começou novamente.

5 comentários:

  1. quando a Manon vai matar esse duque maldito

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  2. Gente a autora constrói muito bem as cenas!!!!

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  3. Quando o bicho pegar pro lado da Manon e ela precisar do apoio das 13, certeza que vão virar as costas pelas ações que ela tá tomando, já vimos que elas não são de todo mal, que existem certas limitações e ela só anda obedecendo mesmo relutante zzz isso irrita

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