1 de fevereiro de 2016

Capítulo 48

Como esperado, Cova lançou-se imediatamente ao ataque, mirando o golpe no centro do bastão com a intenção de parti-lo ao meio.
Mas Celaena desviou facilmente. Quando o golpe do adversário não encontrou o alvo, ela lançou a extremidade do bastão na coluna de Cova. Ele cambaleou, mas se manteve de pé, então girou e golpeou a assassina novamente.
Celaena bloqueou o golpe seguinte, colocando o bastão no ângulo certo de modo que Cova atingisse a parte inferior. A espada dele afundou na madeira, e Celaena se lançou na direção do oponente, permitindo que a força do golpe de Cova alavancasse a parte superior do bastão contra o rosto do oponente. Ele tropeçou, mas o punho da assassina estava à espera. Depois de acertar o nariz de Cova, Celaena saboreou a dor na mão e o ruído dos ossos do oponente se quebrando sob as articulações dos dedos. Ela saltou para trás antes que Cova pudesse atacá-la. O sangue brilhava ao escorrer do nariz dele.
— Vaca! — sibilou Cova, e atacou.
Celaena foi de encontro à espada, segurando o bastão com as duas mãos e pressionando a haste contra a lâmina mesmo quando a madeira soltou um gemido como se fosse se partir.
A assassina empurrou o adversário, grunhindo, e girou. Ela bateu com a ponta do bastão atrás da cabeça de Cova, quase desequilibrando-o, mas ele se recuperou. Cova limpou o sangue do nariz, ofegante, com os olhos brilhando. O rosto com marcas de catapora do adversário se tornou feroz, e ele partiu para outro ataque, mirando direto no coração de Celaena. Rápido e brusco demais para que parasse.
Celaena se agachou. No momento que a espada zuniu sobre sua cabeça, a assassina golpeou as pernas de Cova. Ele não teve tempo de gritar enquanto Celaena varria seus pés por baixo, nem de erguer a arma antes de a assassina se agachar sobre seu peito e tocar a ponta de ferro do bastão em sua garganta.
Celaena aproximou a boca de uma das orelhas de Cova.
— Meu nome é Celaena Sardothien — sussurrou ela. — Mas não faz diferença se meu nome é Celaena, Lillian, ou Vaca, eu ganharia de você da mesma forma, independentemente de como você me chamasse. — Celaena sorriu ao se levantar.
O homem a encarou, o sangue do nariz escorria-lhe pelas bochechas. A assassina tirou um lenço do bolso e jogou-o em cima de Cova.
— Pode ficar — disse ela, e saiu da varanda.
Celaena interceptou Chaol assim que atravessou o contorno de giz do ringue.
— Quanto tempo demorei? — perguntou.
Nehemia estava sorrindo para ela, e Celaena ergueu o bastão para cumprimentar a princesa.
— Dois minutos.
A assassina abriu um sorriso para o capitão. Mal ofegava.
— Fui mais rápida que Cain.
— E certamente mais dramática — completou Chaol. — Precisava mesmo jogar o lenço nele?
Celaena mordeu o lábio e estava prestes a responder quando o rei se levantou, aquietando a multidão.
— Vinho para os vencedores — disse ele, e Cain, que estava na lateral do ringue, caminhou até a mesa do rei.
Celaena permaneceu ao lado de Chaol. O rei fez um gesto para Kaltain, que obedientemente pegou a bandeja de prata que continha dois cálices. Deu um para Cain, então caminhou até Celaena e lhe deu o outro, depois parou diante da mesa do rei.
— De boa fé e como uma homenagem à Deusa — disse Kaltain, com uma voz dramática. Celaena teve vontade de lhe dar um soco. — Que esta seja sua oferta à Mãe que nos trouxe ao mundo. Bebam e deixem que Ela os abençoe e restaure suas forças. — Quem será que escrevera aquele discursinho?
Kaltain fez uma reverência para os campeões, e Celaena levou o cálice à boca. O rei sorriu para ela, e a assassina tentou não se encolher ao beber o vinho. Kaltain pegou o cálice depois que Celaena terminou, fez uma reverência para Cain ao pegar o dele, e foi embora discretamente.
Ganhe. Ganhe. Ganhe. Acabe com ele depressa.
— Preparem-se — ordenou o rei. — E comecem quando eu der o sinal.
Celaena olhou para Chaol. Não a deixariam descansar por um momento?
Até Dorian levantou as sobrancelhas para o pai, mas o rei se recusou a reconhecer o questionamento do filho.
Cain desembainhou a espada, abaixando-se no centro do ringue em posição defensiva, com um sorriso torto no rosto.
Celaena teria proferido insultos se Chaol não tivesse colocado a mão em seu ombro, os olhos castanhos cheios de alguma emoção que a assassina ainda não conseguia entender. Havia uma força naquele rosto que Celaena achava dolorosamente bela.
— Não perca — sussurrou ele para que apenas Celaena ouvisse. — Não quero ter de escoltar você de volta a Endovier. — O mundo ficou nebuloso quando o capitão se afastou com a cabeça erguida, ignorando o olhar furioso do rei. Cain se aproximou, a espada montante brilhando. Celaena respirou fundo e entrou no ringue.
O conquistador de Erilea levantou as mãos.
— Comecem! — bradou ele, e Celaena sacudiu a cabeça, tentando se livrar da visão borrada.
Ela se equilibrou, segurando o bastão como se fosse uma espada enquanto Cain começava a circular ao seu redor. Quando Cain flexionou os músculos, Celaena sentiu náuseas. Por algum motivo, o mundo ainda estava enevoado. A assassina trincou os dentes e piscou os olhos. Usaria a força dele a seu favor.
Cain lhe atacou mais rápido do que Celaena antecipara. Ela bloqueou a espada com a parte larga do bastão, evitando as pontas afiadas, então saltou para trás quando escutou a madeira gemer.
Cain atacou tão rápido que a assassina teve de absorver o golpe da lâmina da espada, deixando-a fincar-se nas profundezas da madeira. Os braços de Celaena doeram com o impacto. Antes que pudesse se recuperar, Cain puxou a espada para fora do bastão e se impulsionou na direção de Celaena. A jovem precisou dar um passo para trás, defendendo-se do golpe com a ponta de ferro do bastão.
Sua circulação parecia grossa e lenta, e a cabeça parecia girar. Será que estava doente? O enjoo não melhorava.
Grunhindo, Celaena se afastou com um esforço de força e de habilidade. Se estava realmente ficando doente, tinha de terminar aquilo o mais rápido possível. Não era uma exibição de suas habilidades, principalmente se o livro estivesse certo e Cain realmente possuísse o poder de todos os campeões mortos.
Trocando para posição ofensiva, Celaena avançou no oponente com agilidade. Cain bloqueou o ataque com um roçar da espada. Ela desceu o bastão contra a espada, farpas voaram para todos os lados.
Celaena sentia a pulsação do coração nas orelhas, e o som da madeira contra o aço tornou-se quase insuportável. Por que as coisas estavam ficando mais lentas?
Ela atacou – mais e mais rápido, mais e mais forte. Cain riu, e Celaena quase gritou de raiva. Cada vez que ficava a um passo de derrubá-lo, cada vez que ficavam próximos demais, ela se atrapalhava ou ele se afastava como se já soubesse o que Celaena planejava fazer. A jovem teve a sensação extremamente irritante de que Cain estava brincando com ela, de que havia alguma piada que ela não estava entendendo.
Celaena chicoteou o bastão no ar, querendo acertar o pescoço indefeso de Cain. Mas o adversário a driblava, e mesmo que Celaena girasse e tentasse lhe dar um soco no estômago, Cain a bloqueava novamente.
— Está passando mal? — disse ele, mostrando os dentes brancos e brilhantes. — Talvez fosse melhor se você não tivesse se segurado durante todas aquelas...
BAM!
Celaena sorriu ao ver a haste do bastão colidir com as costelas de Cain. Ele se dobrou, e a jovem chutou e o derrubou ao chão. Celaena ergueu o bastão, mas sentiu um enjoo tão forte que seus músculos se enfraqueceram. Não tinha mais força.
Cain afastou o golpe de Celaena como se não significasse nada, e ela recuou enquanto o poente se levantava. E foi aí que Celaena ouviu o riso – suave, feminino e maligno. Kaltain. Celaena tropeçou, mas se manteve de pé e olhou brevemente para a dama e para os cálices diante dela. Então soube que não era vinho naquele copo, mas sanguinária, a mesma droga que não soubera identificar na prova. No melhor dos casos, causava alucinações e desorientação. No pior dos casos...
Celaena tinha dificuldades para segurar o bastão. Cain avançou na adversária, e a assassina não teve escolha a não ser enfrentar os golpes, sem força o bastante para erguer a arma a cada golpe. Quanto de sanguinária teria tomado? O bastão rachou, soltou farpas e rangeu. Se fosse uma dose fatal, já estaria morta. Eles provavelmente haviam colocado o suficiente para desorientá-la, mas não o suficiente para ser fácil comprovar. Celaena não conseguia se concentrar, e seu corpo ficava quente e frio. Cain era tão grande – era uma montanha, e seus golpes... faziam os de Chaol parecerem os de uma criança...
— Já cansou? — perguntou o oponente. — É uma pena que todos aqueles latidos não tenham servido para nada.
Ele sabia. Sabia que a haviam drogado. A assassina rosnou e partiu para o ataque. Cain desviou, e os olhos de Celaena se arregalaram quando ela acertou o ar, o vácuo, até que...
Cain afundou o punho na coluna dela, e Celaena só pôde ver rapidamente o borrão dos azulejos antes de cair com o rosto no chão.
— Patético — disse o adversário. A sombra de Cain cobriu Celaena, e ela virou de barriga para cima, arrastando-se para longe antes que o adversário pudesse se aproximar. Sentia gosto de sangue na boca. Era inacreditável, eles não poderiam tê-la traído dessa forma. — Se eu fosse Cova, ficaria ofendido por ter sido derrotado por você.
Com os joelhos latejando e a respiração ofegante, Celaena se levantou com dificuldade e tentou atacá-lo. Rápido demais para ser bloqueado, Cain agarrou a gola da blusa de Celaena e a empurrou para trás. A assassina se manteve de pé ao tropeçar e parou a alguns passos dele.
Cain começou a andar ao redor de Celaena, balançando casualmente a espada. Seus olhos estavam negros – tão negros quanto o portal para aquele outro mundo. O adversário adiava o inevitável, um predador brincando com a presa antes de devorá-la. Cain queria desfrutar de cada momento.
Celaena precisava acabar logo com aquilo, antes que as alucinações começassem. Sabia que seriam poderosas: tempos atrás, as videntes usavam sanguinária para ver os espíritos de outros mundos. Celaena se lançou para a frente com um golpe do bastão. A madeira colidiu com o aço.
O bastão se partiu ao meio.
A ponta de ferro voou para o outro lado da varanda, deixando Celaena com um pedaço de madeira completamente inútil. Os olhos negros de Cain encontraram os dela por um momento, antes de o adversário golpear o ombro de Celaena com o outro braço.
A assassina ouviu o estalo antes de sentir a dor, então gritou, caindo de joelhos ao sentir o ombro se deslocar. Cain lhe deu um chute no ombro, e Celaena voou de costas, caindo no chão com tanta força que o ombro voltou para o lugar com um som terrível. A agonia cegava a assassina, o mundo entrava e saía de foco. Estava tudo tão devagar...
Cain agarrou o colarinho do casaco de Celaena para puxá-la, colocando a assassina de pé mais uma vez. Ela cambaleou para trás e se libertou das mãos dele, o chão deslizou sob os pés de Celaena, e ela caiu – com força.
A assassina ergueu a base quebrada do bastão com a mão esquerda. Cain, ofegante e sorridente, aproximou-se.



Dorian trincou os dentes. Havia algo terrivelmente errado. Ele soube no momento em que o duelo começou, suor lhe escorreu quando Celaena teve a oportunidade de dar o golpe da vitória e fracassou no último momento. Mas agora...
O príncipe não conseguia assistir Cain chutando o ombro de Celaena e pensou que fosse vomitar quando o brutamontes a levantou e a jogou de volta no chão. Celaena enxugava os olhos sem parar, e o suor brilhava em sua testa.
O que estava acontecendo?
Ele devia dar um fim àquilo – devia cancelar o duelo imediatamente. Deixá-la começar no dia seguinte, com uma espada e a saúde mental restaurada. Chaol ciciou, e Dorian gritou ao ver Celaena tentar ficar de pé e desmoronar. Cain a estava provocando – danificando não só o corpo de Celaena, mas também sua força mental... Dorian precisava impedir aquilo.



Cain atacou Celaena com a espada, e ela se jogou para trás – mas fora tarde demais. A assassina gemeu ao sentir a espada perfurar sua coxa, rasgando roupa e carne. Sangue tingiu as calças de Celaena. Mesmo assim, ela ficou de pé novamente, a expressão do rosto transparecia um ódio desafiador.



Dorian tinha de ajudá-la. Mas se interferisse, Cain poderia acabar sendo eleito o campeão. Então o príncipe assistiu, desesperado e horrorizado, o punho de Cain atingir o queixo de Celaena.
Os joelhos da assassina se dobraram, e ela caiu.



Algo dentro de Chaol começou a se desfazer quando ele viu Celaena erguer o rosto ensanguentado para olhar para Cain.
— Esperava mais de você — disse Cain, enquanto Celaena rastejava até ficar de joelhos, ainda agarrada ao pedaço de madeira inútil. A assassina estava ofegante e sangue escorria de seu lábio. Cain estudou Celaena como se pudesse ler pensamentos, como se estivesse ouvindo algo que Chaol era incapaz de escutar. — E o que seu pai diria?
Uma expressão que beirava medo e incompreensão passou brevemente pelos olhos de Celaena.
— Cale a boca — disse ela, as palavras trêmulas enquanto a assassina lutava contra a dor das feridas.
Mas Cain continuava encarando Celaena com um sorriso crescente no rosto.
— Está tudo aí — disse ele. — Logo abaixo desse muro que você construiu por cima. Consigo ver perfeitamente.
Do que ele estava falando? Cain levantou a espada e passou o dedo pelo sangue de Celaena. Chaol reprimiu o nojo e a fúria. Cain gargalhou espalhafatosamente.
— Como foi acordar deitada entre seus pais, coberta no sangue deles?
— Cale a boca! — repetiu Celaena, com a mão livre raspando o chão e o rosto tomado por raiva e por angústia. Qualquer que fosse a ferida que Cain remexia, ardia.
— Sua mãe era uma coisinha tão linda, não era? — disse Cain.
— Cale a boca! — Celaena tentou se levantar de uma só vez, mas a perna ferida não a deixava ficar de pé.
A assassina arquejou para tomar fôlego. Como Cain sabia aquelas coisas sobre o passado de Celaena? O coração de Chaol batia rapidamente, mas não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar a jovem.
Celaena deixou escapar um grito incompreensível, que despedaçou o vento gelado no momento em que a jovem se erguia do chão. A dor se perdia entre a fúria, e Celaena empunhou o que restava do bastão contra a espada.
— Bom — disse Cain, ofegante, empurrando o bastão com tanta força que a espada penetrou a madeira. — Mas não o bastante.
O adversário empurrou Celaena e, enquanto ela cambaleava um passo para trás, ergueu a perna e chutou a assassina nas costelas. Celaena saiu voando.
Chaol nunca vira ninguém levar um golpe tão forte. Celaena caiu no chão e rolou várias vezes até bater na torre do relógio. A cabeça da jovem se chocou contra a pedra negra, e Chaol apertou os lábios para não gritar, obrigando-se a ficar do lado de fora do ringue e a assistir enquanto Cain destruía Celaena, pedaço por pedaço. Como era possível tudo dar errado tão de repente?



Celaena tremeu ao erguer-se até ficar de joelhos, com um braço envolto nas costelas. Ela ainda segurava o resto do bastão de Nehemia como se fosse uma pedra no mar violento.
Celaena sentiu gosto de sangue ao ser agarrada por Cain de novo e arrastada pelo chão. A assassina não tentou impedi-lo. Cain poderia apontar a espada para o coração de Celaena a qualquer momento. Aquilo não era um duelo – era uma execução. E ninguém estava fazendo nada para ajudar. Eles a haviam drogado. Não era justo. A luz do sol oscilou, e Celaena se debateu nos braços de Cain mesmo com a dor agonizante irradiando por seu corpo.
A seu redor, ouviam-se sussurros, risadas, vozes do além. Os sons a chamavam – mas um nome diferente, um nome perigoso...
Celaena olhou para cima e viu a ponta do queixo de Cain antes de ser levantada e atirada, de frente, contra uma parede de pedras gélidas e lisas. A assassina foi cercada por uma escuridão familiar. A cabeça ainda latejava com a dor do impacto, mas o grito de dor de Celaena foi interrompido quando ela abriu os olhos no escuro e viu o que havia surgido. Alguma coisa – alguma coisa morta estava diante dela.
Era um homem de pele pálida e apodrecida. Os olhos dele eram vermelhos, e o homem apontou para Celaena de forma fraca e rigorosa. Os dentes dele eram tão pontiagudos e longos que mal cabiam na boca.
Para onde fora o mundo? As alucinações deviam estar começando. A luz oscilou quando Celaena foi puxada de volta bruscamente. Os olhos da jovem se arregalaram quando Cain a jogou no chão perto da linha do ringue.
Uma sombra passou sobre o sol. Era o fim. Agora, Celaena morreria – morreria ou perderia e seria mandada de volta para Endovier. Era o fim. O fim.
Um par de botas negras entrou no seu campo de visão, então um par de joelhos quando alguém se agachou perto da linha do ringue.
— Levante-se — sussurrou Chaol.
Celaena não teve coragem de olhar nos olhos dele. Era o fim.
Cain começou a rir, e a assassina sentiu as reverberações de cada um dos passos do adversário enquanto ele a circulava.
— É só isso que você tem para oferecer? — gritou ele, triunfante.
Celaena estremeceu. O mundo estava coberto por névoa, escuridão e vozes.
— Levante-se — repetiu Chaol, mais alto.
Só restava a Celaena encarar a linha de giz que marcava o ringue.
Cain dissera coisas que não tinha como saber – ele as vira dentro dos olhos de Celaena. E se Cain sabia do passado dela... A assassina gemeu, furiosa consigo mesma por demonstrar tanta fraqueza, as lágrimas escorrendo pelo rosto, pelo nariz, e caindo no chão. Era realmente o fim.
— Celaena — disse Chaol, com gentileza. A jovem ouviu o ruído de arranhões no momento em que as mãos de Chaol surgiram em seu campo de visão. Os dedos dele tocaram as beiradas da linha branca. — Celaena — suspirou ele, a voz cheia de dor e de esperança. Era tudo o que lhe restava: a mão estendida de Chaol e a esperança de que havia algo melhor além daquela linha.
Mover o braço fazia com que Celaena visse fagulhas diante dos olhos, mas ela ainda assim estendeu-o até alcançar a linha de giz, e ficou ali, a meio centímetro de Chaol, separados apenas por aquela linha grossa e branca.
Celaena ergueu os olhos para ver o rosto do capitão e enxergou esperança no olhar dele.
— Levante-se. — Foi tudo o que Chaol disse.
Nesse momento, por algum motivo, somente o rosto de Chaol importava para Celaena. A assassina se mexeu, mas não conseguiu segurar o choro quando sentiu uma erupção de dor por todo o corpo, então se deitou, parada, de novo.
Mas Celaena se concentrou nos olhos castanhos de Chaol, nos lábios cerrados que se entreabriram e sussurraram:
— Levante-se.
A jovem afastou o braço da linha de contorno do ringue, apoiando-se no chão congelado com uma das mãos. Celaena continuou olhando para Chaol enquanto colocava a outra mão debaixo do peito, então, a jovem suprimiu o grito de dor quando se impulsionou para cima, seu ombro quase se deslocando.
Celaena deslizou a perna que não estava ferida para debaixo do corpo. Quando deu impulso para ficar de pé, ouviu o barulho dos passos de Cain, e os olhos de Chaol se arregalaram.
O mundo girou em tons de preto e azul sob uma cortina nebulosa quando Cain a agarrou e a jogou contra a torre do relógio mais uma vez; o rosto de Celaena colidiu com a pedra. Quando a assassina abriu os olhos, o mundo havia mudado. A escuridão estava em todos os lugares. Lá no fundo, Celaena sabia que não era só uma alucinação – o que estava vendo, quem estava vendo, realmente existiam logo além do véu de sua realidade e das drogas venenosas que, de alguma forma, tinham aberto sua mente para vê-los.
Havia duas criaturas agora, e a segunda tinha asas. Estava sorrindo... sorrindo como um...
Celaena não teve tempo de gritar antes de ser lançada para o alto. A criatura jogou-a no chão e enfiou as garras na assassina. Celaena se debateu. Para onde fora o mundo? Onde ela estava?
Havia mais deles – mais apareceram. Mortos, demônios, monstros – todos a queriam. Chamavam seu nome. A maioria tinha asas e os que não tinham eram carregados pelos outros.
As criaturas atacavam ao passar, rasgando a pele de Celaena com as garras. Queriam levá-la para a dimensão deles, e a torre era o portal aberto. Celaena seria devorada. Terror – terror como a assassina nunca sentira antes – tomou conta dela. Celaena cobriu a cabeça quando as criaturas investiram contra ela, chutando às escuras. Para onde fora o mundo? Quanto veneno recebera? Estava prestes a morrer. Liberdade ou morte.
Fúria e rebeldia se misturaram em seu sangue. A jovem golpeou com o braço livre e acertou um rosto sombreado cujos olhos pareciam pedras de carvão em chamas. A escuridão se dissolveu e revelou o rosto enorme de Cain. Havia sol ali – Celaena estava de volta à realidade. Quanto tempo ainda tinha antes de ser tomada por outra onda de alucinações causadas pelo veneno?
Cain tentou agarrar a garganta da assassina, e ela se jogou para trás. O adversário conseguiu apenas arrebentar o amuleto de Celaena. Com um estalo ruidoso, o Olho de Elena foi arrancado do pescoço da assassina.
A luz do sol desapareceu, a sanguínea tomou controle da mente de Celaena mais uma vez, e a assassina se viu diante de um exército de mortos-vivos. A silhueta de Cain levantou o braço e jogou o amuleto no chão.
As criaturas avançaram na direção de Celaena.

13 comentários:

  1. seriamente, eu li esse capítulo em prestação, pq eu não tava aguentando, se eu lesse tudo de uma vez eu ia ou chorar, ou morrer, ou ter um ataque cardíaco, mas eu tenho uma coisa pra dizer pra esse fdp do Cain COVARDE DE MERDA! VAI AO INFERNO! FRACOTE! NÃO CONSEGUE DERROTAR ALGUÉM SEM TRAPACEAR, SEU FELADAPOTA!!! CE NÃO PODE FALAR DA CEL!!! QUE ÓÓÓÓÓDIOOOOO!!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Essa luta é horrível, isso e injusto ela foi drogada!
    Ass: Bina.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo. Cain é um covarde e Kaltain é uma vadia!!!!

      Excluir
  3. Nao nao e nao eu a proiboa de morr3eeeeee

    ResponderExcluir
  4. Desgraçadoooooo eu queria entrar agora na história só pra poder arrancar a cabeça do caim.

    ResponderExcluir
  5. seu fdp eu queria ta ai pra te matar

    ResponderExcluir
  6. Vamos cel VC consegue

    ResponderExcluir
  7. me recuso dar minha opiniao (estou zangada rummm")

    ResponderExcluir
  8. Li apulsso namoral! 😖

    ResponderExcluir
  9. Cain é como aquelas pessoas despresíveis que não consegue ganhar sem trapacear!!!Que raiva!!!!

    ResponderExcluir
  10. Que ódio do Cain... Eu aposto como o rei sabe de toda essa trapaça e não quer que a Lana vença pq ele quer alguém submisso a ele e ele vê que a Lana nunca vai ser uma marionete na qual ele iria só puxar as cordinhas e ela faria... Aposto como ele não só sabia como ele autorizou....

    Ass:Shay Santos

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!