28 de fevereiro de 2016

Capítulo 47

— Que diabos aconteceu aqui? — Aelin rugiu quando as portas da frente do Forte dos Assassinos bateram atrás dela. Aedion e Rowan a seguiam, ainda escondidos sob os capuzes pesados.
A sala da frente estava vazia, mas um copo caiu da sala de estar fechada, e então três homens – um alto, outro baixo e delgado, e um monstruosamente musculoso – vieram pelo corredor.
Harding, Tern e Mullin. Ela mostrou os dentes para os homens – o do meio, em particular. Ele era o menor, o mais antigo e o mais astuto, o líder de seu pequeno grupo. Provavelmente esperava que ela matasse Arobynn naquela noite em que eles se esbarraram nos Cofres.
— Comece a falar agora — ela sussurrou.
Tern firmou os pés afastados.
— A não ser que você faça o mesmo.
Aedion soltou um rosnado baixo e os três assassinos olharam para seus companheiros.
— Os cães de guarda não importam — ela retrucou, chamando a sua atenção de volta para ela. — Explique-se.
Houve um soluço abafado da sala de estar por trás dos homens, e ela jogou ergueu os olhos por sobre o ombro musculoso de Mullin.
— Por que essas duas vagabundas estão nesta casa?
Tern a olhou ameaçadoramente.
— Porque Lysandra foi quem acordou gritando ao lado do corpo dele.
Seus dedos se curvaram em garras.
— Ela estava, e agora? — ela murmurou, tal ira em seus olhos que, mesmo Tern se afastou enquanto caminhou para a sala de estar.
Lysandra estava caída em uma poltrona, um lenço pressionado no rosto. Clarisse, sua senhora, permanecia atrás da cadeira, com o rosto pálido e apertado.
Sangue emplastrava a pele de Lysandra, emaranhando-se ao seu cabelo, e o robe de seda fina manchado fazia pouco para esconder sua nudez.
Lysandra ficou de pé, os olhos vermelhos e o rosto sujo.
— Eu n-não... eu j-juro que não...
Uma performance espetacular.
— Por que diabos eu deveria acreditar em você? — Aelin perguntou lentamente. — Você é a única com acesso ao quarto dele.
Clarisse, os cabelos dourados e envelhecendo graciosamente para uma mulher na casa dos quarenta, estalou a língua.
— Lysandra nunca machucaria Arobynn. Por que fazer isso, quando ele estava fazendo tanto para pagar suas dívidas?
Aelin inclinou a cabeça para a senhora.
— Pedi a sua maldita opinião, Clarisse?
Prontos para a violência, Rowan e Aedion se mantiveram em silêncio, embora ela pudesse ter jurado que um toque de choque brilhou em seus olhos sombreados. Bom. Aelin desviou sua atenção para os assassinos.
— Mostrem-me onde o encontraram. Agora.
Tern deu-lhe um longo olhar, considerando cada palavra dela. Um grande esforço, ela pensou, para não ser pega sabendo mais do que deveria. O assassino apontou para as escadas largas visíveis através das portas abertas sala de estar.
— No quarto dele. Nós colocamos seu corpo lá embaixo.
— Você o moveu antes que eu pudesse estudar a cena?
Ele falou alto, tranquilo e duro:
— Você foi avisada apenas como cortesia. — E para ver se eu tinha feito isso.
Ela caminhou para a porta, apontando um dedo para trás na direção de Lysandra e Clarisse.
— Se qualquer uma delas tentar correr — pediu a Aedion, — Estripe-as.
O sorriso de Aedion brilhava debaixo de seu capuz, as mãos pairando ao alcance de suas facas de combate.
O quarto de Arobynn era um banho de sangue. E não havia nada fingido quando ela parou no limiar, piscando para a cama encharcada de sangue e o sangue acumulado no chão.
Que diabos Lysandra fizera com ele?
Ela apertou as mãos contra o tremor, ciente de que os três assassinos em suas costas podiam vê-la. Eles estavam monitorando cada respiração, piscada e engolida sua.
— Como?
Mullin resmungou.
— Alguém cortou sua garganta e o deixou sufocar até a morte em seu próprio sangue.
Seu estômago revirou – revirou de verdade. Lysandra, ao que parecia, não estava pronta para deixá-lo ir rapidamente.
— Não — ela disse, e sua garganta fechou. Ela tentou novamente. — Há uma pegada no sangue.
— Botas — Tern revelou ao seu lado. — Grandes, provavelmente do sexo masculino — ele deu pés delgados da Aelin um olhar aguçado. Em seguida, estudou os pés de Rowan, onde o príncipe pairava atrás dela, embora ele provavelmente já os tivesse examinado. O merdinha. Claro, as pegadas que Chaol deliberadamente deixara foram feitas com botas diferentes das que qualquer um deles usava.
— A fechadura não mostra sinais de adulteração — ela comentou, tocando a porta. — E quanto a janela?
— Verifique — respondeu Tern.
Ela teria que andar através do sangue de Arobynn para alcançá-la.
— Apenas me diga — ela respondeu calmamente.
Cansada.
— Uma trinca quebrada por fora — Harding falou, e Tern atirou um olhar a ele.
Ela voltou para a escuridão fria do corredor. Rowan silenciosamente manteve distância, seus traços feéricos ainda não detectados sob o capuz – traços que permaneceriam assim, enquanto ele não abrisse sua boca para revelar seus caninos alongados.
— Ninguém relatou sinais de algo errado? — Aelin perguntou.
Tern deu de ombros.
— Houve uma tempestade. O assassino provavelmente esperou até depois para matá-lo — ele lançou-lhe outro longo olhar, uma dança de violência perversa em seus olhos escuros.
— Por que você não apenas diz o que tem a dizer, Tern? Por que não me pergunta onde eu estava na noite passada?
— Nós sabemos onde você estava — Harding falou, elevando-se sobre Tern. Não havia nada amável em sua cara longa e sem graça. — Nossos olhos a viram em casa a noite toda. Você estava no telhado, e depois foi para a cama.
Exatamente como ela tinha planejado.
— Você está me contando os detalhes porque gostaria que eu caçasse os seus pequenos olhos e os cegasse? — Aelin respondeu docemente. — Porque depois que eu resolver essa bagunça, é exatamente o que pretendo fazer.
Mullin suspirou com força pelo nariz e encarou Harding, mas não disse nada. Ele sempre foi um homem de poucas palavras perfeitas para o trabalho sujo.
— Você não toca os homens, e nós não tocaremos os seus — respondeu Tern.
— Eu não faço negócios com pedaços de merda, assassinos de segunda categoria — ela cantarolou, e lhe deu um sorriso desagradável quando saiu pelo corredor, passando por seu antigo quarto, e descendo as escadas, Rowan um passo atrás.
Ela deu a Aedion um aceno quando entrou na sala de estar. Ele manteve sua posição vigilante, ainda sorrindo como um lobo. Lysandra não se moveu uma polegada.
— Você pode ir — ela falou.
A cabeça de Lysandra caiu.
— O quê? — Tern latiu.
Aelin apontou para a porta.
— Por que essas duas prostitutas matariam seu maior cliente? Se fosse para apontar alguém — ela disse por sobre seu ombro — penso que vocês três teriam mais a ganhar.
Antes que eles pudessem respondeu, Clarisse tossiu incisivamente.
— Sim? — Aelin assobiou.
O rosto de Clarisse estava pálido, mas ela manteve a cabeça erguida quando disse:
— Se nos permitir, o mestre do banco em breve estará aqui para ler a vontade de Arobynn. Arobynn... — ela enxugou os olhos, o retrato perfeito de tristeza — Arobynn informou-me que fomos nomeadas. Gostaríamos de permanecer até que o testamento tenha sido lido.
Aelin sorriu.
— O sangue de Arobynn ainda nem secou na cama e você já está mergulhando em seu legado. Não sei por que estou surpresa. Talvez eu a tenha descartado cedo demais como sua assassina, se está tão ansiosa para arrebatar tudo o que ele deixou.
Clarisse empalideceu novamente, e Lysandra começou a tremer.
— Por favor, Celaena — Lysandra implorou. — Nós não... eu nunca...
Alguém bateu na porta da frente.
Aelin deslizou as mãos para dentro dos bolsos.
— Bem, bem. Que pontualidade.



O mestre do banco pareceu prestes a vomitar com a visão de Lysandra coberta de sangue, mas depois suspirou com algo parecido com alívio quando viu Aelin. Lysandra e Clarisse agora sentavam-se em poltronas individuais, enquanto o mestre se sentou atrás da escrivaninha, pouco antes das janelas altas, e Tern e seus comparsas pairavam como abutres. Aelin encostou-se à parede ao lado da porta, braços cruzados, Aedion flanqueando-a pela esquerda e Rowan à direita.
Enquanto o mestre seguia e seguia com suas condolências e sentimentos, ela sentiu os olhos de Rowan sobre ela. Ele deu um passo mais perto, como se para roçar o braço contra a ela. Ela se esgueirou para fora do alcance.
Rowan ainda a fitava quando o mestre abriu um envelope lacrado e limpou a garganta. De sua boca jorrou algum jargão legal e ele ofereceu suas condolências novamente, as quais – deuses condenados – Clarisse teve a audácia de aceitar como se fosse a viúva de Arobynn.
Então veio a longa lista dos ativos de Arobynn, investimentos empresariais, propriedades e da enorme e ultrajante fortuna deixada em sua conta. Clarisse praticamente babava no tapete, mas os três assassinos de Arobynn mantiveram seus rostos cuidadosamente neutros.
— É a minha vontade — leu o mestre — que o único beneficiário de toda a minha fortuna, ativos e participações seja da minha herdeira, Celaena Sardothien.
Clarisse se virou em sua cadeira, rápida como uma víbora.
— O quê?
— Merda — Aedion desabafou.
Aelin apenas fitou o mestre, sua boca um pouco aberta, as mãos caindo folgadas para os lados.
— Diga isso de novo — ela sussurrou.
O mestre deu um sorriso nervoso e aguado.
— Tudo – todas as coisas foram deixadas para você. Bem, exceto por esta soma para madame Clarisse, para liquidar as suas dívidas — ele mostrou o papel para Clarisse.
— Isso é impossível — a senhora assobiou. — Ele jurou que eu estava nesse testamento.
— E você está — Aelin falou lentamente, desencostando-se da parede para olhar por sobre o ombro de Clarisse a pequena soma. — Não fique gananciosa, agora.
— Onde estão as duplicatas? — Tern exigiu. — Você já as inspecionou? — ele deu a volta na mesa para examinar à vontade.
O mestre se encolheu, mas ergueu o pergaminho assinado por Arobynn – inteiramente dentro da lei.
— Verificamos as cópias em nossos cofres esta manhã. Todas idênticas, todas datadas de três meses atrás.
Quando ela estava em Wendlyn.
Ela deu um passo a frente.
— Então excetuando a soma para Clarisse, tudo desta casa, a Guilda, as outras propriedades, a fortuna dele, é tudo meu?
O mestre balançou a cabeça novamente, já lutando para arrumar o seu caso.
— Parabéns, Srta. Sardothien.
Lentamente, ela virou a cabeça na direção de Clarisse e Lysandra.
— Bem, se esse é o caso — ela mostrou os dentes em um sorriso cruel. — Coloque essa prostituta e sua carcaça de sugadora de sangue do inferno para fora da minha propriedade.
O mestre engasgou.
Lysandra não podia se mover rápido o suficiente quando correu para a porta. Clarisse, no entanto, permaneceu sentada.
— Como você se atreve — a senhora começou.
— Cinco — Aelin contou, erguendo cinco dedos. Ela baixou um, e pegou sua adaga com a outra mão. — Quatro — outro. — Três.
Clarisse saiu rapidamente da sala, apressando-se após uma Lysandra soluçando.
Então Aelin olhou para os três assassinos. Seus braços pendiam soltos em seus lados, fúria, choque e – sabiamnete, o suficiente – algo como medo em seus rostos.
Ela disse muito calmamente:
— Vocês seguraram Sam enquanto Arobynn me espancava até desmaiar e, em seguida, não levantaram um dedo para impedi-lo quando Arobynn batia nele, também. Eu não sei o papel que desempenharam na morte dele, mas nunca vou esquecer os sons de suas vozes do lado de fora da minha porta quando me contaram os detalhes sobre a casa de Rourke Farran. Foi fácil para vocês três? Me mandarem para a casa daquele sádico, sabendo o que ele tinha feito com Sam e o quanto era doente para fazer comigo? Vocês estavam apenas cumprindo ordens, ou ficaram mais do que felizes em ser voluntários?
O mestre recuara em sua cadeira, tentando fazer-se o mais invisível possível em uma sala cheia de assassinos profissionais.
O lábio de Tern enrolou-se.
— Nós não sabemos do que você está falando.
— Pena. Eu poderia estar disposta a ouvir algumas desculpas insignificantes — ela olhou para o relógio sobre a lareira. — Façam suas malas e deem o fora. Agora mesmo.
Eles piscaram.
— O quê? — Tern indagou.
— Arrumem suas malas — ela disse, enunciando cada sílaba. — Caiam fora. Agora mesmo.
— Esta é a nossa casa — disse Harding.
— Não mais — ela estudou suas unhas. — Corrija-me se eu estiver errada, banqueiro — ela ronronou, e o homem se encolheu com a atenção. — Esta casa e tudo o que tem dentro. Tern, Harding e Mullin ainda não haviam pago suas dívidas com Arobynn, então tudo o que eles têm aqui, até mesmo suas roupas, é meu também. Estou me sentindo generosa, então vou deixá-los ficar com elas, desde que o gosto deles é horrível de qualquer maneira. Mas as armas, as suas listas de clientes, a Guilda, tudo é meu. Eu decido quem está dentro e quem está fora. E desde que estes três acharam por bem me acusar de assassinar meu mestre, digo que eles estão fora. Se eles tentarem trabalhar de novo nesta cidade, neste continente, logo, pela lei e pelas leis da Guilda, tenho o direito de caçá-los e picá-los em pequenos pedaços — ela bateu os cílios. — Ou estou errada?
O engolir do mestre banqueiro era audível.
— Você está certa.
Tern deu um passo em direção a ela.
— Você não pode... não pode fazer isso.
— Eu posso, e vou. Rainha dos Assassinos soa tão bem, não é? — ela acenou para a porta. — Sumam aqui.
Harding e Mullin se moveram para sair, mas Tern ergueu os braços, impedindo-os.
— O que diabos você quer de nós?
— Honestamente, eu não me importaria de ver os três eviscerados e pendurados nos lustres pelos intestinos, mas acho que arruinaria estes belos tapetes que agora sou proprietária.
— Você não pode simplesmente atirar-nos para fora. O que vamos fazer? Para onde vamos?
— Ouvi dizer que o inferno é particularmente agradável nesta época do ano.
— Por favor, por favor — pediu Tern, sua respiração vindo rápido.
Ela enfiou as mãos nos bolsos e examinou o cômodo.
— Suponho que... — ela fez um som pensativo. — Acho que eu poderia vender-lhes a casa, a propriedade e a Guilda.
— Cadela — cuspiu Tern, mas Harding deu um passo adiante.
— Quanto? — ele perguntou.
— Em quanto a propriedade e a Guilda estão avaliadas, mestre?
O banqueiro parecia um homem caminhando até a forca quando abriu seu arquivo novamente e encontrou a soma. Astronômica, ultrajante, impossível para os três pagarem.
Harding passou a mão pelo cabelo. Tern tinha virado uma sombra espetacular de roxo.
— Acho que vocês não possuem tanto... — Aelin observou. — Que pena. Eu ia lhes oferecer vender tudo pelo seu valor nominal – sem lucro.
Ela fez um movimento para se afastar, mas Harding falou:
— Espere. E se todos pagarmos juntamente, nós três e os outros? Então todos seríamos proprietários da casa e da Guilda.
Ela fez uma pausa.
— Dinheiro é dinheiro. Não dou a mínima para de onde tirarem, contanto que seja dado a mim — ela inclinou a cabeça em direção ao banqueiro. — Consegue ter os documentos elaborados hoje? Desde que o dinheiro chegue, é claro.
— Isso é loucura — Tern murmurou para Harding.
Harding balançou a cabeça.
— Fique quieto, Tern. Apenas fique quieto.
— Eu... — disse o mestre. — E-eu posso tê-los escritos e prontos dentro de três horas. Será o tempo adequado para que forneçam provas de fundos suficientes?
Harding assentiu.
— Vamos encontrar os outros e dizer-lhes.
Ela sorriu para o mestre e para os três homens.
— Parabéns pela sua nova liberdade — ela apontou para a porta novamente. — E como sou senhora desta casa por ainda três horas... saiam. Vão encontrar os seus amigos, juntem o dinheiro e, em seguida, sentem-se no meio-fio como o lixo que vocês são até que o mestre retorne.
Eles sabiamente obedeceram, Harding segurando o braço de Tern para impedi-lo de lançar-lhe um gesto vulgar. Quando o banqueiro foi embora de carruagem, os assassinos falaram com seus colegas, e todos os habitantes da casa saíram um por um, até mesmo os servos. Ela não se importava com o que os vizinhos fizessem quanto a isso.
Logo a imensa e bela mansão estava vazia, exceto por ela, Aedion e Rowan.
Eles silenciosamente a seguiram enquanto ela ultrapassava a porta e ia para os níveis mais baixos, descendo para a escuridão para ver seu mestre pela última vez.



Rowan não sabia o que fazer com ela. Um turbilhão de ódio, raiva e violência, era o que ela se tornou. E nenhum daqueles assassinos fracos se surpreendeu, nem mesmo piscou pelo comportamento dela. Pelo rosto pálido de Aedion, ele sabia que o general pensava o mesmo, contemplando os anos que ela passara como aquela criatura inflexível e maléfica. Celaena Sardothien – quem ela tinha sido então, era quem ela se tornou hoje.
Ele odiava isso. Odiava que não pudesse alcançá-la quando ela era essa pessoa. Odiava ter dado as costas para ela na noite passada, quando entrara em pânico com o toque de suas mãos. Agora ela o expulsara inteiramente. Esta pessoa em que se convertera hoje não tinha bondade, nem alegria.
Seguiu-a para as masmorras, onde velas acesas iluminavam um caminho o cômodo onde o corpo de seu mestre estava sendo mantido. Ela ainda era arrogante, mãos nos bolsos, sem se importar se Rowan vivia, respirava ou sequer existia. Não é real, disse-se. Uma farsa.
Mas ela o tinha evitado desde a noite passada, e hoje se afastara verdadeiramente de seu toque quando ele se atreveu a se aproximar dela. Isso tinha sido real.
Ela atravessou a porta aberta para a mesma sala onde Sam fora colocado.
O cabelo vermelho derramava-se sob o lençol de seda branca que cobria o corpo nu em cima da mesa, e ela fez uma pausa diante dele. Então virou-se para Rowan e Aedion.
Ela os olhou, esperando. Esperando que eles...
Aedion praguejou.
— Você mudou o testamento, não foi?
Ela deu um pequeno sorriso frio, os olhos obscuros.
— Você disse que precisava de dinheiro para um exército, Aedion. Então aqui está o seu dinheiro – todo ele, cada moeda, para Terrasen. Era o mínimo que Arobynn nos devia. Naquela noite em que lutei no Poços, estávamos lá apenas porque contatei os proprietários dias antes e disse-lhes para enviar sinais sutis para Arobynn quanto ao investimento. Ele mordeu a isca – nem mesmo questionou o timing disso. Mas eu queria me assegurar que ele ganharia de volta rapidamente todo o dinheiro que perdeu quando eu destruí o Cofres. Portanto, não seria negada uma moeda devida a nós.
Sagrado inferno ardente.
Aedion balançou a cabeça.
— Como... como diabos você fez isso?
Ela abriu a boca, mas Rowan disse calmamente:
— Ela se esgueirou para o banco todas aquelas vezes em que saiu no meio da noite. E usou as reuniões diárias com o mestre banqueiro para ter uma noção melhor do espaço, onde as coisas eram mantidas — essa mulher, essa rainha de seu... a emoção familiar correu através de seu sangue. — Você queimou os originais?
Ela nem sequer olhou para ele.
— Clarisse teria sido uma mulher muito rica, e Tern teria se tornado rei dos Assassinos. E você sabe o que eu teria recebido? O amuleto de Orynth. Isso foi tudo o que ele me deixou.
— Foi assim que você soube que ele realmente o tinha, e onde ele o mantinha — disse Rowan. — À partir da leitura do testamento.
Ela deu de ombros novamente, descartando o choque e admiração que ele não podia impedir de mostrar em seu rosto.
Dispensando.
Aedion esfregou o rosto.
— Eu nem sei o que dizer. Você deveria ter me contado para que eu não agisse como um tolo de boca aberta lá em cima.
— Sua surpresa era necessária para ser genuína, nem mesmo Lysandra não sabia sobre o testamento — uma resposta tão distante – fechada e pesada. Rowan queria sacudi-la, exigir que ela falasse com ele, olhasse para ele. Mas ele não estava inteiramente certo do que faria se ela não o deixasse se aproximar, se ela o afastasse novamente enquanto Aedion assistia.
Aelin voltou-se para o corpo de Arobynn e puxou o lençol de seu rosto, revelando uma ferida irregular que atravessava seu pescoço pálido.
Lysandra o tinha mutilado.
O rosto de Arobynn estava arranjado em uma expressão de calma, mas pela quantidade de sangue que Rowan vira no quarto, o homem estava bastante acordado enquanto se engasgava em seu próprio sangue.
Aelin baixou o olhar para seu antigo mestre, seu rosto em branco, exceto por um ligeiro aperto em torno de sua boca.
— Espero que o deus negro encontre um lugar especial para você em seu reino — disse ela, e um calafrio percorreu a espinha de Rowan pela sobriedade de seu tom.
Ela estendeu a mão para trás, para Aedion.
— Dê-me sua espada.
Aedion desembainhou a espada de Orynth e entregou a ela. Aelin examinou a lâmina de seus antepassados enquanto a pesava em suas mãos.
Quando levantou a cabeça, só havia determinação gelada nos olhos notáveis. Uma rainha exigindo justiça.
Então ela ergueu a espada de seu pai e decepou a cabeça de Arobynn de seu corpo.
A cabeça rolou para o lado com um baque vulgar, e ela sorriu sombriamente para o cadáver.
— Só para ter certeza — foi tudo o que disse.

18 comentários:

  1. Então ela levantou a espada de seu pai e decepou a cabeça de Arobynn de seu corpo.
    Ele rolou para o lado com um baque vulgar, e ela sorriu sombriamente para o cadáver.
    —Só para ter certeza—, foi tudo que ela disse.
    "SÒ PRA GARANTIR" Linda, Deusa, Maravilhosa e Cruel ;3

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  2. HaHAHAHAHAHAHAHAHAHHA TO ME SENTINDO VINGADA!!! E que Arobynn aproveite a sua estada no inferno

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  3. Gente.. que irritantes são esses erros no texto. Sério. Muito chato.

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    1. Miga(o) se tá achando tão ruim compra o livro ou cria um blog você mesmo e veja como é difícil. A Karina cuida do blog praticamente sozinha, e ela não é nem professor Pasquale, alguns erros passam despercebidos. Se você pelo menos ajudasse dizendo que erros são esses pra ela poder corrigir, maaas não...

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    2. Aqui provavelmente é um livro traduzido por um leitor e não uma editora, pfvr... Se tá reclamando e não gosta é só comprar o livro. Karina tem um esforço danado pra manter esse blog em dia pra você se queixar zzzzz não seja sem noção

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  4. Assustador... Essa mulher é um gênio.

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  5. Fodaaaaaasticaaaaaaaaa!!!!! Amei, adoro quando ela fica assim

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  6. Essa tensão entre ela e Rowan não me agrada

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  7. Kkkkk amei ela decepando a cabeça dele.

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  8. Pelos círculos incandescentes do inferno, Sagrado inferno ardente.Espero q o deus negro faça do Aro sua putinha

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  9. Sabe eu pesquisei sobre esse livro e descobrir que a autora meio que queria fazer a historia baseada na Cinderela porem com base em algo tipo em vez da garota e pro baile pra ficar com o principe porque não e pro baile pra matar um principe. Acho que isso esplica o castelo de vidro

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  10. HFGI0NYURTKNGHITOGJVB 23R EIUFU YWA EDIEHBFSAKLVDFHGVN DESIFREMKKKKKKKKKK

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  11. N to me sentindo vingada. A morte do Sam foi horrível. Claro q a Lysandra n conseguiria torturar o ARobbyn como torturam o Sam, mas... n foi o suficiente pra mim.

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