28 de fevereiro de 2016

Capítulo 43

Aelin recostou-se na cadeira. Até mesmo Rowan olhava para ela agora, surpresa e aborrecimento escritos em seu rosto. Lysandra fazia um bom trabalho ao fingir choque e confusão, mesmo que ela tivesse alimentado Aelin com os detalhes que tornaram seu plano muito melhor e mais amplo do que era quando Aelin rabiscou-o no navio.
— Eu não sei do que você está falando — ela respondeu com um pequeno sorriso.
— Oh não? — Arobynn girou seu vinho na taça. — Quer me dizer que quando destruiu o Cofres além do reparo, não foi um movimento contra o meu investimento no estabelecimento e meus lucros mensais? Não finja que foi apenas vingança por Sam.
— Os homens do rei apareceram. Eu não tive escolha a não ser lutar pela minha vida — depois de levá-los diretamente a partir do cais para o salão de prazer, é claro.
— E suponho que tenha sido um acidente o cofre ter sido aberto e seu conteúdo, arrebatado pela multidão.
Ele havia sido feito – feito de forma tão espetacular que ela estava surpreendida por Arobynn ter demorado tanto tempo para atacar sua garganta.
— Você sabe como esses delinquentes chegam. Um pouco de caos e eles se transformam em animais espumando pela boca.
Lysandra se encolheu; um desempenho estelar de uma mulher assistindo a uma traição.
— De acordo — disse Arobynn. — Mas especialmente os delinquentes em estabelecimentos dos quais eu recebo uma bela quantia mensal, correto?
— Então você convidou a mim e meus amigos esta noite para arremessar acusações contra mim? Aqui estava eu, pensando que havia me tornado sua caçadora valg pessoal.
— Você deliberadamente disfarçou-se de Hinsol Cormac, um dos meus clientes e investidores mais leais, quando libertou o seu primo —Arobynn estalou. Os olhos de Aedion arregalaram-se ligeiramente. — Eu poderia rejeitá-lo como coincidência, exceto por uma testemunha que diz ter chamado o nome de Cormac na festa do príncipe, e Cormac ter acenado para ele. A testemunha disse ao rei que, também, viu Cormac indo na direção de Aedion antes das explosões acontecerem. E a segunda coincidência no dia que Aedion desapareceu: duas carruagens pertencentes a um negócio que Cormac e eu temos juntos, desapareceram, e Cormac então contou a todos os meus clientes e parceiros que as usei para transportar Aedion em segurança quando o libertei para impressioná-lo, porque eu, aparentemente, me tornei um rebelde, deuses malditos, um simpatizante pavoneando pela cidade em todas as horas do dia.
Ela ousou um olhar para Rowan, cujo rosto permaneceu cuidadosamente vazio, mas viu as palavras lá de qualquer maneira. Você é uma perversa, raposa inteligente.
E aqui estava você, pensando que o cabelo vermelho era apenas por vaidade. Eu nunca duvidaria novamente.
Ela se virou para Arobynn.
— Não posso ajudá-lo se seus clientes frescos viram as costas a você ao menor sinal de perigo.
— Cormac fugiu da cidade, e continua a arrastar o meu nome pela lama. É um milagre o rei não ter vindo me arrastar para o castelo.
— Se está preocupado em perder dinheiro, pode sempre vender a casa, penso. Ou parar de usar os serviços de Lysandra.
Arobynn assobiou, e Rowan e Aedion alcançaram casualmente suas armas escondidas sob a mesa.
— O que será necessário, querida, para que você pare de ser uma dor violenta na minha bunda?
Lá estavam elas. As palavras que ela queria ouvir, a razão pela qual fora tão cuidadosa para não destrui-lo por completo, mas apenas para irritá-lo o suficiente.
Ela examinou as unhas.
— Algumas coisinhas, acho.



A sala era grande e feita para entreter festas de vinte ou trinta pessoas, com sofás, cadeiras e poltronas espalhados por todo lado. Aelin descansava em uma poltrona diante do fogo, Arobynn na frente dela, a fúria ainda dançando em seus olhos.
Ela podia sentir Rowan e Aedion no corredor do lado de fora, monitorando cada palavra, cada respiração. Ela se perguntava se Arobynn sabia que eles desobedeceram suas ordens de permanecer na sala de jantar; mas duvidava. Eles eram mais furtivos do que leopardos fantasmas, aqueles dois. Mas ela não os queria aqui – não até que tivesse feito o que precisava fazer.
Ela cruzou uma perna sobre a outra, revelando os simples sapatos de veludo preto que usava, e suas pernas nuas.
— Então tudo isso foi uma punição – por um crime que não cometi — disse Arobynn finalmente.
Ela correu um dedo pelo apoio de braço da cadeira.
— Em primeiro lugar, Arobynn, não vamos nos preocupar com mentiras.
— Suponho que você já tenha contado a seus amigos a verdade?
— Minha corte sabe tudo que há para saber sobre mim. E eles sabem tudo o que você fez, também.
— Lançando-se como a vítima, você? Está se esquecendo que não foi preciso muito incentivo para colocar as facas em suas mãos.
— Eu sou o que sou. Mas isso não apaga o fato de que você sabia muito bem quem eu era quando me encontrou. Você tirou meu colar de família de mim, e me disse que qualquer um que viesse me procurar acabaria morto pelos meus inimigos — ela não ousou permitir que sua respiração acelerasse, não deixaria que ele considerasse as palavras muito mais que ela, pensando à frente. — Você queria me moldar como sua própria arma, por quê?
— Por que não? Eu era jovem e bravo, e o meu reino tinha acabado de ser conquistado por aquele rei bastardo. Eu acreditava que poderia lhe dar as ferramentas necessárias para sobreviver, para algum dia derrotá-lo. Foi por isso que você voltou, não foi? Estou surpreso que você e o capitão não o tenham matado ainda – não era o que ele queria, porque tentou trabalhar comigo? Ou está clamando para matá-lo você mesma?
— Você honestamente espera que eu acredite que seu objetivo final era vingar minha família e recuperar o meu trono.
— Quem você se tornaria sem mim? Alguma princesa mimada e medrosa. Seu primo amado a teria trancado em uma torre e jogado a chave fora. Eu lhe dei a sua liberdade, dei-lhe a capacidade para derrubar homens como Aedion Ashryver com alguns golpes. E tudo o que ganho com isso é desprezo.
Ela apertou os dedos, sentindo o peso dos seixos que segurava naquela manhã ao túmulo de Sam.
— Então, o que mais tem guardado para mim, poderosa rainha? Quer que eu lhe poupe o trabalho e diga de que outra forma você pode continuar a ser um espinho no meu pé?
— Você sabe que uma dívida não é paga em qualquer lugar.
— Dívida? Pelo quê? Por tentar livrá-la de Endovier? E quando isso não funcionou, eu fiz o melhor que pude. Subornei aqueles guardas e funcionários com dinheiro dos meus próprios cofres para que eles não a ferissem além do reparo. Todo o tempo tentei encontrar maneiras de tirá-la de lá – um ano sem parar.
Verdades e mentiras, como ele sempre lhe ensinou. Sim, ele subornara funcionários e guardas para garantir que ela ainda estaria ativa quando ele finalmente a libertasse. Mas a carta de Wesley explicara em detalhes quão pouco esforço Arobynn estendeu uma vez que ficou claro que ela estava indo para Endovier. Como ele tinha ajustado seus planos – abraçando a ideia de seu espírito a ser quebrado pelas minas.
— E o que dizer de Sam? — ela perguntou.
— Sam foi assassinado por um sádico, a quem meu guarda-costas inútil meteu na cabeça que devia matar. Você sabe que eu não podia permitir que ficasse impune, não quando precisávamos que o novo lorde do crime continuasse a trabalhar conosco.
Verdades e mentiras, mentiras e verdades. Ela balançou a cabeça e olhou para a janela, sempre a proteção confusa e conflituosa saindo pelas palavras envenenadas de Arobynn.
— Diga-me o que preciso fazer para fazê-la entender — disse ele. — Você sabe por que tive que fazê-la capturar aquele demônio? Para que pudéssemos conseguir o seu conhecimento. Assim você e eu poderíamos assumir o rei, saber o que ele sabe. Por que acha que eu o deixei naquela sala? Juntos. Nós vamos derrotar esse monstro juntos, antes de todos nós usarmos aqueles anéis. Seu amigo, o capitão, pode até participar, gratuitamente.
— Espera que eu acredite em uma palavra do que diz?
— Eu tive um longo, longo tempo, para pensar sobre as coisas miseráveis que fiz para você, Celaena.
— Aelin — ela retrucou. — Meu nome é Aelin. E você pode começar a provar que quer consertar seus caminhos me devolvendo, deuses malditos, o amuleto da minha família. Depois, pode prová-lo um pouco mais dando-me recursos, me deixando usar seus homens para conseguir o que preciso.
Ela podia ver as engrenagens girando em sua mente fria e astuta.
— Em que capacidade?
Nenhuma palavra sobre o amuleto – nenhuma negação que ele o tinha.
— Você quer derrubar o rei — ela murmurou, como se para manter os dois machos feéricos do lado de fora da porta fora do campo de audição. — Então derrubaremos o rei. Mas nós faremos do meu jeito. O capitão e minha corte ficaram fora disso.
— O que isso significa para mim? Esses são tempos perigosos, você sabe. Por que, apenas hoje, um dos traficantes de opiáceos foi capturado por homens do rei e morto. Uma pena... Ele escapou do abate no mercado negro apenas para ser pego comprando o jantar a poucos quarteirões de distância.
Mais um absurdo para distraí-la. Ela disse simplesmente:
— Eu não enviarei uma dica para o rei sobre esse lugar, sobre como você opera e quem são seus clientes. Ou mencionarei o demônio em seu calabouço, seu sangue agora uma mancha permanente — ela sorriu um pouco. — Eu tentei; o seu sangue não sai.
— Ameaças, Aelin? E se eu fizer minhas próprias ameaças? E se eu mencionar à guarda do rei que seu general e seu capitão da Guarda são frequentemente vistos visitando um determinado armazém? E se eu deixar escapar que um guerreiro feérico está vagando por sua cidade? Ou, pior ainda, que sua inimiga mortal está vivendo nas favelas?
— Acho que será uma corrida para o palácio, então. É muito ruim o capitão ter homens colocados pelos portões do castelo, mensagens na mão, prontos para o sinal para enviar-lhes esta noite.
— Você tem que sair daqui viva para dar esse sinal.
— O sinal é nos não voltarmos, temo. Todos nós.
Mais uma vez, aquele olhar frio.
— Quão cruel e implacável que você se tornou, meu amor. Mas será que se tornaria uma boa tirana? Talvez deva começar a escorregar anéis nos dedos de seus seguidores.
Ele enfiou a mão na túnica. Ela manteve sua postura relaxada enquanto uma corrente de ouro brilhava em torno de seus longos dedos brancos, e então um tilintar soou, e então...
O amuleto era exatamente como ela se lembrava.
Ainda tinha mãos de criança quando o segurara, e os olhos de uma criança quando vira pela última vez a frente azul cerúleo com o veado marfim e a estrela de ouro entre seus chifres. O veado imortal de Mala Portadora do Fogo, trazido a estas terras pelo próprio Brannon e libertado na Floresta Carvalhal.
O amuleto brilhou nas mãos de Arobynn quando ele o removeu de seu pescoço.
A terceira e última chave de Wyrd.
Ele tornara seus antepassados poderosos reis e rainhas; fizera Terrasen intocável, uma potência tão letal que nenhuma força jamais violara suas fronteiras. Até que ela caíra no rio Florine naquela noite, até que este homem removera o amuleto de seu pescoço, e um exército conquistador varreu o reino. E Arobynn ascendera de um senhor local de assassinos para coroar-se neste continente o incomparável rei de sua Guilda. Talvez o seu poder e influência derivasse somente a partir do colar – colar que ele usara todos estes anos.
— Eu me tornei um pouco ligado a ele — disse Arobynn quando o entregou.
Ele sabia que ela perguntaria do colar esta noite, se o estava usando. Talvez tivesse planejado oferecer a todos juntos, só para ganhar sua confiança, ou fazê-la parar de armar contra seus clientes e interromper os seus negócios.
Manter seu rosto neutro foi um esforço que ela fez para ele.
Seus dedos roçaram a corrente de ouro, e ela desejou então e que nunca tivesse ouvido falar dele, nunca o tivesse tocado, nunca estivesse no mesmo quarto que ele. Não está certo, o sangue dela cantou, seus ossos gemeram. Não está certo, não está certo, não está certo.
O amuleto era mais pesado do que parecia – e quente pelo corpo dele, ou do poder ilimitado que o habitava.
A chave de Wyrd.
Santos. Deuses.
E tão rapidamente, tão facilmente, ele o entregou. Como se Arobynn não sentisse, não percebesse... a menos que se precisasse de magia em suas veias para senti-lo, a menos que o amuleto nunca o tivesse.. chamado como fazia com ela agora, seu poder cru roçando contra seus sentidos como um gato se esfregando ao longo de suas pernas. Como sua mãe, seu pai, nenhum deles o sentira?
Ela quase saiu ali mesmo. Mas colocou o amuleto de Orynth em torno do pescoço, o seu peso ainda maior por uma força que pressionava em seus ossos, espalhando-se por seu sangue como tinta em água. Não está certo.
— Amanhã de manhã — ela falou friamente — você e eu conversaremos novamente. Traga seus melhores homens, ou quem esteja lambendo suas botas nos dias de hoje. E então nós planejaremos.
Ela se levantou da poltrona, os joelhos tremendo.
— Quaisquer outros pedidos, sua majestade?
— Acha que não percebo que você tem a mão superior? — ela acalmou suas veias, seu coração. — Você concordou em me ajudar muito facilmente. Mas gosto deste jogo. Vamos continuar jogando.
Seu sorriso em resposta foi venenoso.
Cada passo para a porta foi um esforço de vontade, enquanto ela se forçou a não pensar sobre o peso entre seus seios.
— Se você nos trair esta noite, Arobynn — acrescentou ela, parando diante da porta — o que foi feito com Sam parecerá misericordioso em comparação com o que farei com você.
— Aprendeu alguns truques novos nos últimos anos, não é?
Ela sorriu, capturando em detalhes como ele parecia neste exato momento: o brilho de seu cabelo vermelho, os ombros largos e cintura fina, as cicatrizes em suas mãos e aqueles olhos de prata, tão brilhantes com desafio e triunfo. Eles provavelmente assombrariam seus sonhos até o dia que ela morresse.
— Só mais uma coisa — falou Arobynn.
Foi um esforço erguer uma sobrancelha quando ele chegou perto o suficiente para beijá-la, abraçá-la. Mas ele apenas pegou a mão dela na sua, seu polegar acariciando a palma da mão.
— Gostarei de tê-la de volta — ele ronronou.
Em seguida, mais rápido do que ela pôde reagir, ele colocou o anel de pedra de Wyrd em seu dedo.

17 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira29 de fevereiro de 2016 18:47

    Pela mor de deus, que desastre, não é possível, o Rowan e o Aedion vão parar ela, certeza, PLEASEEEEEEE EU NÃO POSSO SOFRER MAIS

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  2. OMG OMG OMG OMG OMG OMG
    QUE DESGRAÇADO GSKGKWJTIDNARHHW

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  3. Eu sabia! Juro que pensei que ele usar o anel dela. Quando ele tirou do Valg ainda vivo, era um indício de que algo especial viria do anel, já que a própria Aelin comentou o fato dele tê-lo tirado com o ser ainda vivo!

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  4. Ela resistirá! Ahhhhn!!! Quero dormir, mas não da!

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  5. ela n vai cai facil!
    omg!!!! to em panico!!!!

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  6. Ohhhh. My. God.
    Desgraçado ele jah sabia do amuleto só que não podia usar pq ele não tem magia por isso ele armou pra ela que desgraçado.

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  7. Acho q não é o anel verdadeiro pra mim é uma réplica.

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  8. AAAH! MATA ELE! MATA ELE! ;( EM PRANTOS AQUI!!

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  9. Mas ô povo mais sem esperança vcs acham mesmo que ela vai cair pela segunda vez num truque de arobynn

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  10. Lembre-Se que ela tinha combinado um plano com o demônio.

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  11. Eu acho que tudo isso é combinado!Ta tão na cara que é armação da minha rainha preferida

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  12. NAAAAAAAO ACREDITO
    QUE FILHO DA P#@!$ que ódio, e agora??? Tô chocada

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  13. Eu sabia, eu sabiiiiiia :@
    Que filho da ... :@ :@
    Odeio o Arobbyn com todas a minhas forças!!!

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  14. cara, meu coração tava batendo mtooo qnd ela pegou o colar e o maldito vai lá e arranca! INFARTO

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  15. " — Gostarei de tê-la de volta — ele ronronou. Em seguida, mais rápido do que ela pôde reagir, ele colocou o anel de pedra de Wyrd em seu dedo."

    Pelo anjo!!
    Espero que ela consiga tirar aquela coisa nojenta dio dedo!

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