28 de fevereiro de 2016

Capítulo 3

Chaol era o cliente de Arobynn.
Ou ele queria algo de seu antigo mestre, ruim o suficiente para arriscar uma reunião ali.
Que diabo tinha acontecido enquanto ela estava fora?
Ela observou as cartas serem baixadas na mesa – úmidas, assim como a atenção do capitão fixa em suas costas. Ela desejou que ele pudesse ver seu rosto, ver na escuridão debaixo daquele capuz.
Apesar do respingo de sangue em suas roupas, movia-se como se não houvesse ferimentos atormentando-o. Algo que estivera guardado firmemente em seu peito durante meses lentamente afrouxou.
Vivo – mas de onde vinha o sangue?
Ele deve ter considerado não ser uma ameaça, porque apenas fez um sinal para sua companheira ir, e ambos caminharam na direção do bar, não, para a escada além. Moveram-se a um ritmo constante e ocasional, embora a mulher ao seu lado estivesse tensa demais para passar por despreocupada. Felizmente, ninguém olhou quando ele saiu, e o capitão não voltou a atenção em sua direção novamente.
Ela se moveu rápida o suficiente para que ele provavelmente não tivesse sido capaz de perceber que era ela. Bom. Bem, se fosse ela, o teria reconhecido em movimento ou ainda, camuflado ou nu.
Ele se foi, escadas acima, nem mesmo olhando para baixo, embora sua companheira continuasse vendo de lá. Que diabos era isso? Não havia guardas mulheres no palácio quando ela o deixou, e ela estava bastante certa de que o rei tinha uma regra absurda sobre a ausência de mulheres.
Ver Chaol não mudara nada – não agora.
Ela fechou as mãos em punhos, bem consciente de sua mão direita. O dedo não parecera nu até agora.
Uma carta pousou diante dela.
— Três pratas para participar — o homem calvo e tatuado ao lado dela disse enquanto dava as cartas, inclinando a cabeça em direção à pilha de moedas arrumadas no centro.
Um encontro com Arobynn – ela nunca imaginou que Chaol fosse tão estúpido, mas isso... Aelin levantou-se da cadeira, arrefecendo a ira que tinha começado a ferver em suas veias.
— Estou morta — disse ela. — Aproveite o jogo.
A porta no topo das escadas de pedra já estava fechada, Chaol e sua companheira haviam desaparecido.
Ela se deu um segundo para limpar qualquer expressão duvidosa, suavizando seu rosto.
As probabilidades eram de que Arobynn tivesse planejado a coisa toda para coincidir com a sua chegada. Ele provavelmente enviara Tern ao mercado negro apenas para chamar sua atenção, para atraí-la para cá. Talvez ele soubesse o que o capitão estivesse fazendo, de que lado o jovem senhor estava de agora em diante; talvez tivesse acabado atraindo-a para cá para ver o seu caminho, testar sua mente, para sacudi-la um pouco.
Obter respostas de Arobynn viria a um preço, mas ela era mais esperta do que isso para sair correndo atrás de Chaol na noite, embora o desejo fizesse seus músculos travarem. Meses, fazia meses desde que o viu quando deixou Adarlan, quebrada e oca.
Mas não mais.
Aelin deu os últimos passos para o assento e parou em frente a ele, cruzando os braços quando viu Arobynn Hamel, o rei dos Assassinos e seu antigo mestre, sorrindo para ela.



Descansando nas sombras da banqueta de madeira, um copo de vinho diante dele, Arobynn parecia exatamente como ela se lembrava da última vez que o viu: um rosto arisco de ossos finos, cabelos ruivos sedosos que roçavam os ombros e uma túnica azul de corte requintado, desabotoada descontraidamente para revelar o peito tonificado abaixo. Nenhum sinal de um colar ou corrente. Seu braço longo e musculoso estava sob o encosto do bando, e seus dedos bronzeados, salpicados de cicatrizes, tamborilavam uma batida no ritmo da música do salão.
— Olá, querida — ele ronronou, seus olhos de prata brilhando, mesmo na penumbra.
Nenhuma arma além da bela espada ornamentada ao seu lado, que torceria os guardas como uma roda encadernada em ouro. O único sinal evidente da riqueza que rivalizava com os reis e imperatrizes.
Aelin deslizou para o banco em frente a ele, muito consciente da madeira ainda quente onde Chaol estava. O punho da própria espada pressionava contra ela a cada movimento. Goldryn era um peso morto a seu lado, o rubi maciço em seu punho escondido por sua capa-escura, a lâmina lendária era totalmente inútil em tais locais apertados. Sem dúvida ela sabia por que ele escolhera a cabine para esta reunião.
— Você tem mais ou menos a mesma aparência — disse ela, inclinando-se contra o banco duro e puxando o capuz para trás. — Forte da Fenda continua a tratá-lo bem.
Era verdade. Em seus trinta e tantos anos, Arobynn permanecia bonito, sempre calmo e sereno, como era na Fortaleza dos Assassinos durante a mancha escura de dias que se seguiram após a morte de Sam.
Havia muitos, muitos débitos a serem pagos pelo o que aconteceu naquela época.
Arobynn a olhou de cima a baixo – um exame lento, deliberado.
— Acho que eu preferia sua cor natural de cabelo.
— Precauções — disse ela, cruzando as pernas lentamente.
Não havia indicação de que ele estivesse usando o amuleto de Orynth, a herança real que ele roubara dela quando a encontrou quase morta nas margens do Florine. Ele permitiu que ela acreditasse que o amuleto, que continha secretamente a terceira e última chave de Wyrd, se perdera para o rio. Por mil anos, seus antepassados usaram inadvertidamente o amuleto, e ele fizera de seu reino uma potência próspera e segura, o ideal para o qual foram realizados todos os tribunais em todas as terras. Ainda assim, ela nunca tinha visto Arobynn usar qualquer tipo de corrente no pescoço. Ele provavelmente tinha escondido em algum lugar na Torre dos Assassinos.
— Eu não gostaria de acabar de volta em Endovier.
Aqueles olhos de prata brilharam. Foi um esforço enorme impedir-se de pegar o punhal e atirá-lo.
Mas estava muito dependente dele para matá-lo imediatamente. Ela teve um longo tempo para pensar sobre o que queria fazer, como queria fazê-lo. Acabar com ele aqui e agora seria um desperdício. Especialmente quando ele e Chaol estavam ligados de algum modo.
Talvez fosse por isso que ele a atraiu, para que ela pudesse ver Chaol com ele... E hesitasse.
— De fato — Arobynn disse. — Eu odiaria vê-la de volta em Endovier também. Embora eu deva dizer que os últimos dois anos a deixaram ainda mais impressionante. Feminilidade combina com você — ele inclinou a cabeça, e ela sabia o que estava chegando antes de ele emendar: — Ou eu devo dizer rainha herdeira?
Uma década se passara desde que eles falaram sobre sua herança, ou do título que ele ajudara a manter longe, havia lhe ensinado a odiar e sentir medo. Às vezes ele mencionava isso em termos velados, geralmente como uma ameaça para mantê-la presa a ele. Mas nunca falou uma vez o seu verdadeiro nome, nem mesmo quando a encontrou na margem do rio gelado e levou-a para a sua casa de assassinos.
— O que te faz pensar que tenho algum interesse nisso? — ela perguntou casualmente.
Arobynn encolheu os ombros largos.
— Não se pode colocar muita fé em fofoca, mas o boato chegou a cerca de um mês de Wendlyn. Alegava que certa rainha perdida se dispôs a um show bastante espetacular contra uma legião invasora de Adarlan. Na verdade, acredito que o título que os nossos estimados amigos do império agora gostem de usar é “Rainha cadela cuspidora de fogo”.
Honestamente, ela quase achou engraçado, até mesmo lisonjeiro. Ela tinha conhecimento de que o boato sobre o que ela tinha feito com o general Narrok e os três príncipes valgs, coisas iguais a sapos dentro de corpos humanos, se espalharia. Ela só não tinha percebido que todos saberiam disso tão rapidamente.
— As pessoas acreditam em tudo o que ouvem nos dias de hoje.
— Verdade — disse Arobynn.
No outro extremo do Cofres, uma multidão frenética rugiu para os combatentes lutando na arena. O rei dos Assassinos olhou para eles, sorrindo ligeiramente.
Fazia quase dois anos desde que ela estava naquela multidão, observando Sam destruir lutadores muito inferiores, apressado para arrecadar dinheiro suficiente para tirá-los de Forte da Fenda e para longe de Arobynn. Poucos dias depois, ela acabou em um vagão de prisão com destino a Endovier, mas Sam...
Ela nunca descobriu onde enterraram Sam após Rourke Farran – segundo no comando para Ioan Jayne, o lorde do crime de Forte da Fenda – o torturou e matou. Ela mesma matou Jayne, com um punhal arremessado no rosto. E Farran... Ela soube mais tarde que Farran fora assassinado pelo próprio guarda-costas de Arobynn, Wesley, como retribuição pelo o que tinha sido feito a Sam. Mas essa não era sua preocupação, mesmo que Arobynn tivesse matado Wesley para restabelecer o vínculo entre a Guilda dos Assassinos e o novo lorde do crime. Outra dívida.
Ela podia esperar; poderia ser paciente. Simplesmente falou:
— Então você está fazendo negócios aqui agora? O que aconteceu com a Fortaleza?
— Alguns clientes — Arobynn demorou-se — preferem reuniões públicas. A Fortaleza pode deixar as pessoas nervosas.
— Seu cliente deve ser novo no jogo, se não insistiu em um cômodo privado.
— Ele não confia muito em mim, tampouco. Pensou que o piso principal seria mais seguro.
— Ele não deve conhecer o Cofres, então. — Não, Chaol nunca viera aqui, tanto quanto ela sabia. Ela normalmente evitava contar a ele sobre o tempo que passou neste lugar apodrecido. Como tinha evitado dizer-lhe muitas coisas.
— Por que você apenas não me pergunta sobre ele?
Ela manteve sua expressão neutra, desinteressada.
— Eu particularmente não me preocupo com seus clientes. Fale-me ou não.
Arobynn deu de ombros novamente, um belo gesto casual. Um jogo, então. Um pouco de informação para segurar contra ela, mantê-la ali até que fosse útil. Não importava se era informação valiosa ou não; era a retenção da fonte, o poder dele, que ele amava.
Arobynn suspirou.
— Há tanta coisa que eu quero lhe perguntar e saber.
— Estou surpreso que você esteja admitindo que não sabe tudo.
Ele descansou a cabeça contra a parte de trás da cabine, o cabelo vermelho brilhante como sangue fresco. Como um investidor no Cofres, ela supôs que ele não precisasse se preocupar em esconder seu rosto aqui. Ninguém, nem mesmo o rei de Adarlan, seria estúpido o suficiente para ir atrás dele.
— As coisas ficaram miseráveis desde que você partiu — disse Arobynn calmamente.
Como se ela tivesse ido voluntariamente para Endovier; como se ele não tivesse sido responsável por isso; como se ela tivesse acabado de voltar de férias. Mas ela o conhecia muito bem. Ele ainda estava testando-a, apesar de tê-la atraído até aqui. Perfeito.
Ele olhou para a cicatriz grossa em sua palma, do voto que fizera para Nehemia de uma Eyllwe livre. Arobynn estalou a língua.
— Dói meu coração ver tantas novas cicatrizes em você.
— Eu prefiro gostar delas — era a verdade.
Arobynn se mexeu na cadeira – um movimento deliberado, como todos os seus movimentos – e a luz caiu sobre uma cicatriz que se estendia desde o orelha até a clavícula.
— Como você deve gostar dessa cicatriz também — ela falou com um sorriso meia-noite. Isso explicava por que ele deixou a túnica desabotoada, então.
Arobynn acenou com a mão, com uma graça fluida.
— Cortesia de Wesley.
Um lembrete ocasional do que ele era capaz de fazer, o que ele podia suportar. Wesley fora um dos melhores guerreiros que ela já encontrou. Se ele não sobrevivera à luta com Arobynn, poucos o fariam.
— Primeiro Sam — disse ela — em seguida, Wesley. O que um tirano como você se tornou? Há alguém em toda a Guilda que você mantenha além do querido Tern, ou você descarta todas as pessoas que o desagradaram?
Ela olhou para Tern, vadiando no bar, e, em seguida, para os outros dois assassinos sentados em mesas separadas no meio da sala, tentando fingir que não monitoravam cada movimento que ela fazia.
— Pelo menos Harding e Mullin estão vivos também. Mas eles sempre foram tão bons em beijar sua bunda que tenho dificuldade em imaginar se os mataria.
Uma risada baixa.
— E lá estava eu, pensando que meus homens estavam fazendo um bom trabalho de mantendo-se escondidos no meio da multidão — ele tomou um gole do seu vinho. — Talvez quando você chegar em casa, possa ensinar-lhes algumas coisas.
Casa. Outro teste, outro jogo.
— Você sabe que estou sempre feliz em ensinar uma lição aos seus bajuladores, mas tenho outros alojamentos preparados enquanto estou aqui.
— E quanto tempo durará sua visita, exatamente?
— O tempo necessário. — Para destruí-lo e obter o que ela precisava.
— Bem, estou contente em ouvir isso — ele respondeu e bebeu novamente. Sem dúvida, de uma garrafa trazida só para ele, não havia nenhuma maneira no reino queimado do deus escuro que Arobynn beberia o sangue de rato diluído que era servido no bar. — Você terá que ficar aqui por algumas semanas, pelo menos, dado o que aconteceu.
Gelo revestiu suas veias. Ela deu um sorriso preguiçoso a Arobynn, mesmo quando começou a orar para Mala e Deanna, as irmãs-deusas que a assistiram durante tantos anos.
— Você sabe o que aconteceu, não é? — ele perguntou, despejando vinho no copo.
Maldito – maldito por fazê-la confirmar que não sabia.
— Isso explica por que a guarda real tem aqueles novos uniformes espetaculares? — Não Chaol ou Dorian, não Chaol ou Dorian, não Chaol ou...
— Oh, não. Aqueles homens são apenas uma nova adição deliciosa à nossa cidade. Os meus acólitos têm se divertido atormentando-os. — Ele esvaziou o copo. — Embora eu apostasse um bom dinheiro que a nova guarda do rei estivesse presente no dia que aconteceu.
Ela apertou as mãos para não tremer, apesar do pânico devorando cada último pingo de bom senso.
— Ninguém sabe o que, exatamente, aconteceu naquele dia no castelo de vidro — Arobynn começou.
Depois de tudo o que ela sofrera, depois do que havia superado em Wendlyn, para voltar a esse... Ela desejou que Rowan estivesse ao lado dela, desejava que ela pudesse sentir seu cheiro de pinho-e-neve e saber que não importava o que as notícias de Arobynn significassem, não importava como ela se quebrasse, o guerreiro feérico estaria lá para ajudar a juntar os pedaços novamente.
Mas Rowan estava a um oceano de distância, e ela rezou para que ele nunca chegasse a cem milhas de Arobynn.
— Por que você não chega ao ponto? Quero ter algumas horas de sono hoje esta noite. — Não era uma mentira. Em cada respiração, o cansaço envolto apertava em torno de seus ossos.
— Eu teria pensado — Arobynn disse — dado o quão próximos os dois eram, e suas habilidades, que você seria de alguma forma capaz de senti-lo. Ou, pelo menos, ouvir falar do assunto, considerando que ele foi acusado de...
O maldito estava curtindo cada segundo disso. Se Dorian estivesse morto ou...
— Seu primo Aedion foi preso por traição, por conspirar com os rebeldes aqui em Forte da Fenda para depor o rei e colocá-la de volta ao trono.
O mundo parou.
Parou e continuou, então parou novamente.
— Mas — Arobynn continuou — parece que você não tinha ideia sobre essa pequena ideia, o que me faz pensar se o rei estava apenas procurando uma desculpa para atrair certa rainha cadela cuspidora de fogo para esta costa. Aedion será executado em três dias na festa de aniversário do príncipe como o entretenimento principal. Praticamente uma armadilha, não é? Eu seria um pouco mais sutil se tivesse planejado isso, mas você não pode culpar o rei pelo envio da mensagem.
Aedion. Ela dominou o enxame de pensamentos que nublou sua mente, golpeando-a, e focou no assassino na frente dela. Ele não lhe contaria sobre Aedion sem um motivo muito bom.
— Por que me avisar, afinal? — ela perguntou. Aedion fora capturado pelo rei; Aedion fora destinado para a forca como uma armadilha para ela. Cada plano tinha sido destruído.
Não, ela ainda podia levar esses planos até o fim, ainda faria o que ela tinha que fazer. Mas Aedion...
Aedion tinha que vir em primeiro lugar. Mesmo que mais tarde ele a odiasse, mesmo que ele cuspisse em seu rosto e a chamasse de traidora e prostituta, assassina e mentirosa. Mesmo que ele ressentisse o que tinha feito e se tornado, ela iria salvá-lo.
— Considere a ponta de um favor — disse Arobynn, levantando-se do banco. — Um sinal de boa fé.
Ela apostaria que foi mais, talvez ligada a um certo capitão cujo calor pairava no banco de madeira debaixo dela.
Ela também se levantou, deslizando para fora da cabine. Sabia que havia mais espiões de Arobynn monitorado-a, a tinham visto chegar, esperar no bar, e então ir para esta banqueta. Ela se perguntou se seu velho mestre sabia também.
Arobynn apenas sorriu para ela, mais alto por uma cabeça. E quando ele estendeu a mão, ela permitiu que ele escorregasse os nós dos dedos por sua bochecha. Os calos nos dedos disseram o suficiente sobre como muitas vezes ele ainda praticava.
— Eu não espero que você confie em mim, não espero que ainda me ame.
Apenas uma vez, durante aqueles dias de inferno e desgosto, Arobynn dissera que a amava. Ela estivera a ponto de sair com Sam, e ele viera até o seu apartamento, pedindo-lhe para ficar, alegando que estava zangado com ela por sair e que tudo o que tinha feito, cada esquema traçado, havia sido pensando pelo rancor por ela sair da Fortaleza. Ela nunca soubera de que forma ele quis dizer aquelas três palavras – Eu te amo – mas se inclinara a considerá-las como outra mentira nos dias que se seguiram, após Rourke Farran tê-la drogado e colocado as mãos imundas nela. Depois que ela apodreceu naquela masmorra.
Os olhos de Arobynn suavizaram.
— Senti sua falta.
Ela saiu de seu alcance.
— Engraçado, eu estava em Forte da Fenda neste outono e inverno, e você nunca tentou me ver.
— Como eu poderia ousar? Achei que você me mataria à primeira vista. Mas então eu soube do boato esta noite que você tinha voltado, e esperava que algo pudesse ter mudado sua mente. Você vai me perdoar se os meus métodos foram... Contraditórios.
Outro movimento e contra movimento, admitindo o como, mas não o motivo real.
— Eu tenho coisas melhores a fazer do que me preocupar se você vive ou morre.
— De fato. Mas você se importaria muito se o seu amado Aedion morresse.
Seu coração trovejou através dela, e ela se preparou. Arobynn continuou:
— Meus recursos são seus. Aedion está no calabouço real, vigiado dia e noite. Qualquer ajuda que precisar, qualquer apoio, você sabe onde me encontrar.
— A que custo?
Arobynn a olhou mais uma vez, e algo se revirou em seu abdômen, um olhar que era tudo, menos o de um irmão ou pai.
— Um favor, apenas um favor — sinos de alerta pulsavam em sua cabeça. Ela estaria melhor se fizesse um acordo com um dos príncipes valg. — Há criaturas que espreitam em minha cidade. Criaturas que usam os corpos de homens como roupas. Eu quero saber o que eles são.
Muitas coisas estavam agora prontas para ser emaranhadas.
Ela disse cuidadosamente:
— O que você quer dizer?
— A nova guarda do rei tem alguns deles, entre os seus comandantes. Eles estão reunindo pessoas suspeitas de serem simpáticos à magia, ou aqueles que já a possuíram. Execuções todos os dias, ao amanhecer e ao pôr do sol. Estas coisas parecem prosperar sobre eles. Estou surpreso que você não os tenha notado à espreita nas docas.
— Eles são todos monstros para mim. — Mas Chaol não tinha parecido ou soado como eles. Uma pequena misericórdia. Ele esperou. Então ela fez. Deixou-se quebrar em primeiro lugar. — É este o meu favor, então? Dizer-lhe o que eu sei?
Havia pouca utilidade em negar que ela sabia da verdade, ou perguntar como ele se tornou ciente de que ela sabia disso.
— Parte disso.
Ela bufou.
— Dois favores para o preço de um? Que típico.
— Dois lados da mesma moeda.
Ela olhou categoricamente para ele, e então disse:
— Através de anos roubando o conhecimento de alguma forma estranha de poder arcaico, o rei foi capaz de sufocar a magia, ao mesmo tempo invocando demônios antigos para se infiltrar em corpos humanos para o seu exército crescente. Ele usa anéis ou colares de pedra negra para permitir que os demônios invadam seus hospedeiros, e tem como alvo possuidores de magia, com seus dons tornando mais fácil para os demônios prenderem-se — verdade, verdade, mas não toda a verdade. Nada sobre os portões de Wyrd ou as chaves de Wyrd, nunca para Arobynn. — Quando eu estava no castelo, encontrei alguns dos homens que ele tinha corrompido, homens que se alimentavam de poder e se tornaram mais fortes. E quando estive em Wendlyn, enfrentei um de seus generais, que havia sido apreendido por um príncipe demônio de poder inimaginável.
— Narrok — Arobynn meditou. Se ele ficou horrorizado, se ficou chocado, seu rosto não revelava nada disso.
Ela assentiu com a cabeça.
— Eles devoram a vida. Um príncipe que pode sugar a alma para fora de você e se alimenta disso.
Ela engoliu em seco, e medo real revestiu sua língua.
— Será que os homens que você viu, esses comandantes, têm colares, ou anéis? — as mãos de Chaol estavam descobertas.
— Apenas anéis — disse Arobynn. — Existe uma diferença?
— Eu acho que apenas um colar pode segurar um príncipe; os anéis são para demônios menores.
— Como você os matou?
— Fogo — disse ela. — Eu matei os príncipes com fogo.
— Ah. Não é a forma que faço — ela assentiu com a cabeça. — E se eles usam um anel?
— Eu matei um deles com uma espada através do coração — Chaol matara Caim facilmente. Um pequeno alívio, mas... — decapitação pode funcionar para aqueles com colares.
— E as pessoas que costumavam possuir os corpos antes deles, se foram?
A súplica de Narrok, o rosto aliviado passou diante dela.
— Parece que sim.
— Quero que você capture um e o traga para mim.
— Absolutamente não. E por quê?
— Talvez seja capaz de me dizer algo útil.
— Capture-o você mesmo — ela retrucou. —Encontre outro favor para que eu cumpra.
— Você é a única pessoa que tem enfrentado essas coisas e saído viva — não havia nada em seu olhar misericordioso. — Capture um para mim, o mais rápido possível, e eu vou ajudá-la com seu primo.
Enfrentar um dos valg, mesmo um valg menor...
— Aedion vem em primeiro lugar — disse ela. — Nós resgatamos Aedion, e então eu arriscarei meu pescoço pegando um dos demônios para você.
Que os deuses ajudassem a todos se Arobynn já tivesse percebido que podia controlar esse demônio com o amuleto que havia escondido.
— É claro — ele concordou.
Ela sabia que era tolice, mas ela não podia evitar fazer a próxima pergunta.
— Para quê?
— Esta é a minha cidade — ele ronronou. — E eu particularmente me importo para a direção que está indo. É ruim para meus investimentos, e estou farto de ouvir os corvos que se deleitam dia e noite.
Bem, pelo menos eles concordavam em alguma coisa.
— Um homem de negócios de ponta a ponta, não é?
Arobynn continuou a fixá-la com o olhar de amante.
— Nada vem sem um preço — ele plantou um beijo em sua bochecha, seus lábios macios e quentes. Ela lutou contra o arrepio que a fez estremecer, e se obrigou a inclinar-se para ele quando trouxe a boca contra sua orelha e sussurrou: — Diga-me o que devo fazer para nos reconciliar; diga-me para rastejar sobre os carvões mais quentes, para dormir em uma cama de pregos, para dividir a minha carne. Diga, e será feito. Mas deixe-me cuidar de você como fiz uma vez, antes que a loucura... tivesse envenenado meu coração. Puna-me, torture-me, destrua-me, mas deixe-me ajudá-la. Faça esta pequena coisa para mim e deixe-me colocar o mundo a seus pés.
Sua garganta ficou seca, e ela se afastou o suficiente para olhar para ele, o rosto aristocrático e bonito, os olhos brilhando com uma tristeza e uma intenção predatória. Se Arobynn sabia sobre sua história com Chaol, e convocou o capitão aqui... Tinha sido por informações, para testá-la, ou de alguma forma grotesca para assegurar-se de seu domínio?
— Não há...
— Ainda não — disse ele, afastando-se. — Não diga isso ainda. Durma. No entanto, antes disso, faça talvez uma visita à seção sudeste dos túneis esta noite. Você pode encontrar a pessoa que está procurando. — Ela manteve o rosto ainda aborrecido, mesmo que tivesse escondido a informação. Arobynn se moveu em direção à sala lotada, onde seus três assassinos alertas estavam prontos, e então olhou de volta para ela. — Se você se permitiu mudar tão grandemente em dois anos, eu não posso mudar també?
Com isso, ele passeou entre as mesas. Tern, Harding e Mullin saíram em passos atrás dele – e Tern olhou em sua direção apenas uma vez, para devolver o mesmo gesto obsceno que ela lhe dera antes.
Mas Aelin olhou apenas para o rei dos Assassinos, em seus passos elegantes, poderosos, o corpo do guerreiro disfarçado na roupa do nobre.
Mentiroso. Treinado mentiroso astuto.
Havia muitos olhos nos cofres para ela esfregar a bochecha, onde o fantasma da marca dos lábios de Arobynn ainda sussurrava, ou em seu ouvido, onde seu hálito quente se demorava.
Desgraçado. Ela olhou em todo o salão, para as arenas de luta, as prostitutas jogando fora uma vida com homens que se dirigiam a este lugar, que tinha lucrado por muito tempo, de tanto sangue, tristeza e dor. Ela quase podia ver Sam ali, quase imaginá-lo lutando, jovem e forte e glorioso.
Ela puxou as luvas. Havia muitas, muitas dívidas a serem pagas antes que ela deixasse Forte da Fenda e tomasse de volta o seu trono. Começando agora. Sorte que ela estivesse com uma espécie assassina de humor.
Era só uma questão de tempo antes que Arobynn apontasse sua mão ou o rei dos homens de Adarlan encontrasse a trilha que ela cuidadosamente fizera a partir das docas. Alguém estaria indo atrás dela, dentro de momentos, na verdade, se os gritos seguidos de silêncio absoluto por trás da porta de metal no topo das escadas fossem alguma indicação. Pelo menos boa parte de seu plano permanecia no curso. Ela lidaria com Chaol mais tarde.
Com uma mão enluvada, ela puxou um dos cobres que Arobynn deixara sobre a mesa. Ela mostrou a língua para o perfil brutal e implacável do rei estampado em um dos lados, então para a fera bramindo estampada do outro. Chefões, Arobynn a tinha traído novamente. Ratos, os homens do rei. A grande porta de ferro no topo da escada foi aberta, o ar fresco da noite derramou para dentro.
Com um meio sorriso, ela girou a moeda com o polegar.
A moeda ainda girava quando quatro homens em uniformes negros apareceram no topo das escadas de pedra, uma variedade de armas ferozes em seus corpos. No momento em que o cobre bateu na mesa, a serpente alada brilhando sob a luz fraca, Aelin Galathynius estava pronta para o derramamento de sangue.

16 comentários:

  1. Ela soube mais tarde que Farran ORA assassinado pelo próprio guarda-costas de Arobynn...
    Karina, n seria FORA?

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  2. Acho que seu antigo mestre tinga uma queda por ela , e so queria ela pra ele

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  3. Eles vão pegar dorian

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  4. Bixo ardiloso da misera e esse antigo mestre dela

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  5. Ah bixo miserável vontade de socar a cara desse Arobynn.

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  6. Karina vc já atualizou os capitulos com a tradução oficial?

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    1. Não... e acho pouco provável que atualize, eu raramente faço isso :P

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  7. Quando mesmo a Cel percebeu que tinha sido o Arobynn que tinha matado matar o Sam? Leio esses livros com tanta velocidade que as vezes esqueço alguns detalhes kkk

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    1. No 0.5, A Lâmina da Assassina!

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    2. Na verdade não, na Lâmina da Assassina a Celaena se recusava a acreditar q tinha sido o Arobynn q traiu ela e o Sam. Ficou lá se fazendo de tonta jogando a culpa até pros cachorros do Arobynn (se ele tivesse cachorros) menos pra esse escroto. Acho que foi no livro anterior, ou talvez no segundo, n lembro direito.

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    3. Na verdade, acho que em nenhum momento ela se permite considerar muito a ideia. Acho que só quando ela descobre que o amuleto tá com ele é que ela realmente assume que foi ele.

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  8. Eu shippo a cel com o Rowan só que toda vez que ela fala de Sam eu me sinto uma traira por querer que ela fique com outro mais fazer o que né?! Não tem volta e por Sam eu darei meu voto de romance pra Rowan

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  9. Pera não vi nada alem dessas poucas falas sobre Rowan, perdi alguns coisa??
    E eu acho mmmtt q o antigo mestre dela tinha uma super queda por ela.

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    1. Sei lá, nem parece uma queda.... Acho que ele gostava mesmo de controlar ela. E quando ela se envolveu com o Sam, ele fez aquilo tudo por ciúmes, n por ela, mas pelo controle que ele tinha sobre ela e que o Sam ajudou a quebrar. E outra, a Celaena tinha uma devoção pelo Arobynn que ela transferiu pro Sam. E agora essa preocupação repentina com ela. Sei lá acho que ele só foi atrás dela pq ela agora se assumiu rainha e ele quer aproveitar a vantagem de controlar uma rainha. Ele é muito frio, n acredito nem por um momento que ele sinta algo por ela.

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  10. " Por que não gosto de dividir o que é meu "

    Isso já é o suficiente pra odiar esse demônio do Arobynn.

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