28 de fevereiro de 2016

Capítulo 38

Aelin não se atreveu a voltar para os esgotos – não até ter certeza de que Lorcan estava fora da área e os valg não estavam à espreita.
Na noite seguinte, eles se juntaram para jantar a comida que Aedion preparara, e estavam sentados em torno da cozinha quando a porta se abriu e Lysandra assobiou com um “Olá” antes que todos soltassem as armas que tinham agarrado.
— Como você faz isso? — Aedion exigiu quando ela desfilou para a cozinha.
— O que é uma infeliz procurando uma refeição — foi tudo o que Lysandra falou, espiando por cima do ombro de Aedion para a propagação de pão, legumes em conserva, ovos frios, frutas, carne seca e sobras de torta e café da manhã. — Não é possível que nenhum de vocês cozinhe?
Aelin, que roubava uvas do prato de Rowan, bufou.
— Café da manhã, ao que parece, é a única refeição que qualquer um de nós acha decente. E ele — ela apontou um polegar na direção de Rowan — só sabe assar carne espetada em uma vara sobre uma fogueira.
Lysandra cutucou Aelin no banco e segurou a bainha do vestido azul como seda líquida enquanto pegava um pouco de pão.
— Patético... Completamente patético para líderes conceituados e poderosos.
Aedion apoiou os braços sobre a mesa.
— Sinta-se em casa para cozinhar.
Lysandra beijou o ar entre eles.
— Olá, general. É bom ver que está bem.
Aelin teria se contentado em sentar e assistir – até que Lysandra direcionou aqueles olhos verdes oblíquos para Rowan.
— Não acho que tenhamos sido apresentados no outro dia. Sua rainha tinha algo bastante urgente para me dizer.
Um olhar de um gato manhoso na direção de Aelin.
Rowan, sentado do lado direito da Aedion, inclinou a cabeça para o lado.
— Você precisa de uma apresentação?
O sorriso de Lysandra cresceu.
— Eu gosto das suas presas — ela falou docemente.
Aelin engasgou com a uva. É claro que Lysandra gostava.
Rowan deu um pequeno sorriso que normalmente feito Aelin correr.
— Está estudando-os para que possa reproduzi-los quando tomar minha forma, metamorfa?
O garfo de Aelin congelou no ar.
— Besteira — disse Aedion.
Toda a diversão desaparecera da face da cortesã. Metamorfa.
Deuses santos. O que era magia de fogo, ou vento e gelo, em comparação com mudança de forma? Metamorfos: espiões e ladrões e assassinos capazes de exigir qualquer preço por seus serviços; a amargura de tribunais em todo o mundo, tão temidos que foram caçados quase à extinção, mesmo antes de Adarlan proibir a magia.
Lysandra arrancou uma uva, examinou-a e, em seguida ergueu os olhos para Rowan.
— Talvez eu só esteja estudando para que você saiba onde vou afundar as minhas presas já que pretende me atacar pelas costas.
Rowan riu.
Isso explicava muito. você e eu somos nada além de feras vestindo peles humanas.
Lysandra voltou sua atenção para Aelin.
— Ninguém sabe disso. Nem mesmo Arobynn — seu rosto estava duro. Um desafio e uma pergunta estavam naqueles olhos.
Segredos – Nehemia mantivera segredos dela, também. Aelin não disse nada.
A boca de Lysandra apertou quando ela se virou para Rowan.
— Como você sabe?
Um encolher de ombros, quando Aelin sentiu sua atenção sobre ela e sabia que ele podia ler as emoções incomodando-a.
— Eu conheci alguns metamorfos séculos atrás. Seus cheiros são os mesmos.
Lysandra se cheirou, mas Aedion murmurou:
— Então, é isso o que você é.
Lysandra olhou para Aelin novamente.
— Diga alguma coisa.
Aelin levantou uma mão.
— Apenas me dê um momento — um momento para comparar uma amiga à outra, a que amara e que mentiu para ela em cada possibilidade, e a amiga que ela tinha odiado e que guardara segredos de si mesma, até que o amor e o ódio se encontraram no meio, fundidos pela perda.
Aedion perguntou:
— Quantos anos você tinha quando descobriu?
— Jovem, cinco ou seis. Eu sabia que, mesmo jovem, devia esconder isso de todos. Não era minha mãe, o meu pai deve ter tido o dom. Ela nunca o mencionou. Ou pareceu sentir falta dele.
Dom – escolha interessante de palavras.
— O que aconteceu com ela? — Rowan perguntou.
Lysandra deu de ombros.
— Eu não sei. Eu tinha sete anos quando ela me bateu, então me jogou para fora da casa. Porque nós vivíamos aqui, nesta cidade, e naquela manhã, pela primeira vez, cometi o erro de mudar em sua presença. Eu não me lembro do motivo, mas lembro de estar assustada o suficiente e ter me transformado em um gato malhado assobiando na frente dela.
— Merda — disse Aedion.
— Então você é uma metamorfa completa e poderosa — disse Rowan.
— Eu sabia o que eu era por um longo tempo. Mesmo antes daquele momento, sabia que eu podia mudar para qualquer criatura. Mas a magia foi proibida aqui. E todos, em todos os reinos, desconfiavam dos metamorfos. Como eles poderiam saber? — uma risada baixa. — Depois que ela me chutou para fora, fui deixada nas ruas. Éramos pobres o suficiente para que não fosse tão duramente diferente, mas ela ameaçou me entregar às autoridades, então eu corri, e nunca mais a vi. Até voltei nos meses posteriores para casa, mas ela havia se mudado.
— Ela soa como uma pessoa maravilhosa — Aedion comentou.
Lysandra não esteve mentido para ela. Nehemia mentira a título definitivo, escondendo coisas que eram vitais. O que Lysandra fizera... elas fizeram o mesmo: afinal, ela não tinha contado a Lysandra que era rainha
— Como você sobreviveu? — Aelin perguntou por fim, seus ombros relaxando. — Alguém com sete anos de idade, nas ruas de Forte da Fenda, não costuma ter um final feliz.
Algo cintilou nos olhos de Lysandra, e Aelin se perguntou se ela estava esperando o golpe descer, à espera do fim para sair.
— Eu usei minhas habilidades. Às vezes eu era humana, às vezes usava peles de outras crianças de rua com alto nível em suas feições. Às vezes me transformava num gato de rua, ou num rato, ou numa gaivota E então aprendi que se eu me fizesse mais bonita – se fosse bela, quando implorasse por dinheiro, ele vinha muito mais rápido. Eu estava usando um daqueles belos rostos quando a magia caiu. E fiquei presa nele desde então.
— Então, esse rosto — Aelin falou — não é o seu verdadeiro? Seu corpo real?
— Não. E o que me mata é que não consigo lembrar de como meu rosto verdadeiro era. Esse é o perigo de mudar de forma. Você acaba esquecendo sua forma real porque é a memória que orienta a mudança. Eu me lembro de estar plana como uma ratazana, mas não lembro se meus olhos eram azuis, cinza ou verde... não consigo me lembrar da forma do meu nariz ou queixo. E era o corpo de uma criança, também... Eu não sei o que... Como eu ficaria assim agora, como uma mulher.
— E esta foi a forma como Arobynn e encontrou poucos anos mais tarde — Aelin continuou.
Lysandra assentiu com a cabeça e pegou em uma parte invisível de algodão em seu vestido.
— Se a magia for libertada novamente, você seria cautelosa com uma metamorfa?
Então aí estava, cuidadosamente redigida, tão casualmente perguntada, como se não fosse a questão mais importante de todas.
Aelin deu de ombros e ofereceu-lhe a verdade.
— Eu teria ciúmes de um metamorfo. Trocar para qualquer forma que eu quiser seria um pouco mais acessível — ela considerou. — Um metamorfo seria um poderoso aliado. E um amigo ainda mais divertido.
— Não fará uma diferença em um campo de batalha, uma vez que a magia for liberada — Aedion ponderou.
Rowan apenas perguntou:
— Será que você tem uma forma favorita?
O sorriso de Lysandra foi curto, nada de malévolo.
— Eu gosto de coisas com garras e presas muito, muito grandes.
Aelin engoliu a risada.
— Existe uma razão por trás dessa visita, Lysandra, ou você está aqui apenas para fazer meus amigos se contorcerem?
Toda diversão desapareceu quando Lysandra levantou um saco de veludo cujos contornos pareciam pertencer a uma grande caixa.
— O que você pediu.
A caixa bateu quando ela colocou o saco sobre a mesa de madeira desgastada.
Aelin deslizou o saco em direção a ela, mesmo que os homens tenham erguido as sobrancelhas e sutilmente cheirado o que estava dentro da caixa.
— Obrigada.
— Arobynn vai pedir pelo seu favor amanhã, a ser entregue na noite seguinte. Esteja pronta — Lysandra falou.
— Bom — foi um esforço manter seu rosto em branco.
Aedion se inclinou para frente, olhando entre eles.
— Será que ele apenas espera que Aelin o entregue?
— Não. Todos vocês, penso.
— É uma armadilha? — Rowan perguntou.
— Provavelmente, de uma forma ou de outra — respondeu Lysandra. — Ele quer que você entregue e, em seguida, junte-se a ele para jantar.
— Demônios e jantar — disse Aelin. — Uma combinação deliciosa.
Apenas Lysandra sorriu.
— Será que ele vai nos envenenar? — refletiu Aedion.
Aelin riscou um pedaço de terra sobre a mesa.
— Veneno não é o estilo de Arobynn. Se ele fosse fazer alguma coisa com a comida, seria adicionar alguma droga que nos incapacitaria enquanto ele se moveria para onde quisesse. É o controle que ele ama — ela acrescentou, ainda olhando para a mesa, sem querer sentir e ver o que estava escrito no rosto de Rowan ou Aedion. — A dor e o medo, sim, mas o poder é o que ele realmente adora.
O rosto de Lysandra tinha perdido sua suavidade, seus olhos frios e afiados, um reflexo dos próprios, não havia dúvida para Aelin. A única pessoa que podia entender, que também aprendera em primeira mão exatamente até onde o desejo pelo controle podia ir. Aelin se levantou de seu assento.
— Eu vou levá-la até a sua carruagem.



Ela fez uma pausa entre Lysandra e as pilhas de caixotes no armazém.
— Você está pronta? — Lysandra perguntou, cruzando os braços.
Aelin assentiu.
— Não tenho certeza de que a dívida pelo o que ele... por tudo o que fez, possa ser paga. Mas terá que ser suficiente. Estou correndo contra o tempo.
Lysandra franziu os lábios.
— Eu não serei capaz de arriscar vir aqui novamente depois.
— Obrigada por tudo.
— Ele ainda pode ter alguns truques na manga. Esteja com a guarda erguida.
— E você esteja com a sua.
— Você não... ficou furiosa por eu não ter contado?
— Seu segredo poderia ter te matado tão facilmente quanto o meu, Lysandra. Eu apenas senti... eu não sei. Se senti alguma coisa, foi me perguntar se fiz alguma coisa errada para você não confiar em mim o suficiente para me contar.
— Eu queria... estava morrendo por não contar.
Aelin acreditava nela.
— Você se arriscou com aqueles guardas valg por Aedion, por mim, no dia em que o resgatamos — Aelin lembrou. — Eles provavelmente estariam fora de si se descobrissem que havia um metamorfo nesta cidade. — E naquela noite no Poços, quando ela se mantivera afastada dos valg, escondendo-se atrás Arobynn, ela o fizera para evitar seu reconhecimento. — Você tem que ser louca.
— Mesmo antes de eu saber quem você era, Aelin, eu sabia pelo o que você estava trabalhando... isso vale a pena.
— O que é? — sua garganta se apertou.
— Um mundo onde pessoas como eu não tenham que se esconder — Lysandra se virou, mas Aelin agarrou-a pela mão. Lysandra sorriu um pouco. — Em tempos como estes, eu gostaria de ter a sua habilidade específica em vez disso.
— Você faria isso se pudesse? Cerca de duas noites a partir de agora, quero dizer.
Lysandra gentilmente soltou de sua mão.
— Pensei sobre isso todos os dias desde que Wesley morreu. Eu faria isso, e de bom grado. Mas não me importo se você o fizer. Você não hesitará. Acho que é reconfortante, de alguma forma.



O convite chegou por meninos de rua às dez horas da manhã seguinte.
Aelin olhou para o envelope de cor creme sobre a mesa em frente à lareira, o lacre de cera vermelho marcado com punhais cruzados. Aedion e Rowan, olhando por cima de seus ombros, estudaram a caixa viera com ele. Os machos cheiraram – e franziram a testa.
— Tem cheiro de amêndoas — disse Aedion.
Ela tirou o cartão. Um convite formal para o jantar no dia seguinte, às oito – para ela e dois convidados – e uma requisição pela dívida para com ele.
Sua paciência estava no fim. Mas era a forma típica de Arobynn, despejar o demônio em sua porta não seria suficiente. Não – ela teria que entregá-lo em seus termos.
O jantar seria tarde o suficiente para dar-lhe tempo para conseguir o prato principal.
Havia uma nota no final do convite, em um rabisco elegante e eficiente. Um presente – que espero que use amanhã à noite.
Ela atirou o cartão em cima da mesa e acenou com a mão para Aedion ou Rowan abrirem a caixa enquanto ela ia até a janela e olhava para fora em direção ao castelo. Estava tremendamente brilhante no sol da manhã, reluzindo como se tivesse sido trabalhado a partir de pérola, ouro e prata.
O deslizar da fita, o baque da abertura da tampa da caixa, e...
— Que diabos é isso?
Ela olhou por cima do ombro. Aedion segurava uma grande garrafa de vidro em suas mãos, cheio de um líquido âmbar.
Ela respondeu sem rodeios:
— Óleo perfumado para a pele.
— Por que ele quer que você use? — Aedion perguntou muito calmamente.
Ela olhou pela janela novamente. Rowan espreitou e empoleirou-se na poltrona atrás de si, uma força constante em suas costas.
— É apenas mais um movimento no jogo que vamos participar.
Ela teria que esfregar em sua pele. O perfume dele.
Ela disse a si mesma que não esperava menos que isso, mas...
— E você vai usá-lo? — Aedion cuspiu.
— Amanhã, o nosso único objetivo é recuperar o amuleto de Orynth. Concordamos que usar o óleo o deixará mais seguro.
— Eu não entendo.
— O convite é uma ameaça — Rowan respondeu por ela. Podia senti-lo a centímetros de distância, estava ciente de seus movimentos, tanto quanto ela própria. — Dois acompanhantes – ele sabe quantos de nós estão aqui, sabe quem você é.
— E você? — perguntou Aedion.
O tecido da camisa sussurrou contra a pele de Rowan quando ele deu de ombros.
— Ele provavelmente descobriu até agora que sou feérico.
O pensamento de Rowan enfrentando Arobynn, e o que Arobynn podia tentar fazer...
— E o demônio? — Aedion exigiu. — Ele espera que o levemos em toda a nossa elegância?
— Outro teste. E sim.
— Então, quando nós vamos capturar um comandante valg?
Aelin e Rowan se entreolharam.
— Você vai ficar aqui — ela  falou para Aedion.
— Com o inferno vou.
Ela apontou para as costelas dele.
— Se você não tivesse sido um cabeça quente chorando no meu pé e rasgado seus pontos lutando com Rowan, poderia ir. Mas ainda está se recuperando, e não vou arriscar expor os seus ferimentos à sujeira nos esgotos só para você se sentir melhor consigo mesmo.
As narinas de Aedion queimaram quando ele freou seu temperamento.
— Você está indo para enfrentar um demônio...
— Ela terá cuidado — disse Rowan.
— Eu posso cuidar de mim mesma — ela retrucou. — Vou me vestir.
Ela agarrou seu traje de onde deixara para secar sobre uma poltrona diante das janelas abertas.
Aedion suspirou atrás dela.
— Por favor, apenas fique segura. E Lysandra é confiável?
— Nós descobriremos amanhã — respondeu ela. Ela confiava em Lysandra, não a deixaria perto de Aedion de outra forma, mas Lysandra não saberia necessariamente se Arobynn a estava usando.
Rowan levantou as sobrancelhas. Você está bem?
Ela assentiu com a cabeça. Só quero passar por esses dois dias e acabar com isso.
— Isso nunca vai parar de ser estranho — murmurou Aedion.
— Lide com isso — ela respondeu, levando o traje para o quarto. — Vamos caçar, um demônio bonitinho.

11 comentários:

  1. so q tenho a impresao q vai da merda?

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  2. Com certeza vai dar merda...

    Ass: Duda, filha de Hades

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  3. vai dar merda de novo '-'

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  4. Gente metade dos capítulos da Aelin os comentários são "Vai dar meeda" hahahahahahahahahah!

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  5. Sempre da merda, nem que seja uma merdinha, mas sempre tem que acontecer uma merda kkkkkk

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  6. KKK SE NAO DE MERDA N E AELIN KKKKKK

    -MRG

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  7. É impressão minha ou a Aelin shippa Lysandra e Aedion? Eu shippo!

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  8. essa LYsandra não é cofiàvel!!

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  9. essa Lysandra não é confiàvel não!!

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  10. metamorfaaaaaa tô chocada

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