28 de fevereiro de 2016

Capítulo 35

Deuses, ele odiava o cheiro do sangue deles.
Mas dane-se se não era uma coisa gloriosa estar coberto dele enquanto duas dúzias de valgs jaziam mortos à sua volta, e boas pessoas estavam finalmente seguras.
Encharcado em sangue valg da cabeça aos pés, Chaol Westfall procurou algum tecido limpo para limpar sua lâmina preta, mas não havia. Do outro lado da clareira escondida, Nesryn fazia o mesmo.
Ele matou quatro; ela derrubara sete. Chaol sabia apenas porque estava olhando para ela o tempo todo; ela emparelhara com outra pessoa durante a emboscada. Ele pediu desculpas pela briga na outra noite, mas ela apenas acenara – e continuou fazendo par com outro rebelde. Mas agora... ela desistira de tentar limpar sua lâmina e olhou na direção dele.
Seus olhos escuros eram brilhantes, e até mesmo com o rosto salpicado de sangue negro, seu sorriso – aliviado, um pouco selvagem com a emoção da luta, a vitória – era... Bonito.
A palavra soou através dele. Chaol franziu a testa, e a expressão foi imediatamente apagada de seu rosto. Sua mente era sempre uma confusão depois de uma luta, como se tivesse girado ao redor e torcido a cabeça para baixo, e em seguida, tomado uma dose forte de licor. Mas ele caminhou na direção dela. Eles haviam feito isso, juntos, tinham salvado essas pessoas. Mais numa vez do que jamais resgataram antes, e sem perda de vida para os valg.
Sangue coagulado estava salpicado no chão gramíneo, os únicos restos dos corpos valg decapitados que já tinham sido arrastados e jogados atrás de uma pedra. Quando eles saíram, pagariam ao antigo proprietário um agrado para queimá-los.
Três de seu grupo tinham sido designados para libertar os prisioneiros amontoados, agora sentados na grama. Os malditos valg haviam enfiado muitos deles nos dois vagões que Chaol quase vomitara com o cheiro.
Cada vagão era pequeno, e tinha somente uma janela alta com grades no topo, e um homem desmaiara lá dentro. Mas todos estavam a salvo agora.
Ele não pararia até que os outros ainda escondidos na cidade estivessem fora do caminho do mal também.
Uma mulher se aproximou com as mãos imundas, as unhas e os dedos inchados rachados como se ela tivesse tentado se agarrar em cada reentrância que fora possível.
— Obrigada — ela sussurrou, com a voz rouca. Provavelmente de tanto gritar sem receber resposta.
A garganta de Chaol apertou quando deu às mãos da mulher um aperto suave, consciente de seus dedos quase quebrados, e deu um passo para onde Nesryn agora limpava a lâmina na grama.
— Você lutou bem — ele disse a ela.
— Eu sei que sim — Nesryn olhou por cima do ombro para ele. — Precisamos levá-los ao rio. Os barcos não vão esperar para sempre.
Bem – ele não esperava calor ou camaradagem depois de uma batalha, apesar...
— Talvez quando voltarmos à Forte da Fenda, possamos beber alguma coisa — ele precisava de uma bebida. Seriamente.
Nesryn levantou-se, e ele lutou contra o impulso de limpar uma mancha de sangue negro de sua bochecha bronzeada. O cabelo preso para trás havia se soltado, e a brisa morna da floresta fez os fios flutuarem na frente de seu rosto.
— Pensei que nós fôssemos amigos.
— Nós somos amigos — ele respondeu com cuidado.
— Amigos não gastam tempo um com o outro somente quando estão sentindo pena de si mesmos. Ou enchem as cabeças um do outro com perguntas difíceis.
— Eu lhe disse que sentia muito pela outra noite.
Ela embainhou a lâmina.
— Tudo bem distrairmos um ao outro por qualquer motivo, Chaol, mas, pelo menos, sou honesta quanto a isso.
Ele abriu a boca para protestar, mas talvez ela estivesse certa.
— Eu gosto da sua companhia — ele respondeu. — Eu queria beber para celebrar... não para aquilo. E eu gostaria de ir com você.
Ela apertou os lábios.
— Essa foi à tentativa mais meia-boca de bajulação que já ouvi. Mas bem, eu vou acompanhá-lo — a pior parte foi que ela nem sequer soava maluca, ela realmente quis dizer aquilo. Ele podia ir beber com ou sem ela, e ela não se importaria particularmente. A ideia não agradou.
A conversa pessoal decididamente acabada, Nesryn inspecionou as pessoas, os vagões, e a carnificina.
— Por que agora? O rei teve dez anos para fazer isso. Por que a pressa repentina de levar todas essas pessoas para Morath... O que está em andamento?
Alguns dos rebeldes se puseram a caminho. Chaol estudou as consequências sangrentas como se fosse um mapa.
— O retorno de Aelin Galathynius pode ter começado isso — Chaol falou, consciente de quem ouvia.
— Não — Nesryn devolveu simplesmente. — Aelin anunciou-se apenas dois meses. Algo desse tamanho... isso parece trabalho de um longo tempo.
Sem – um dos líderes com quem Chaol regularmente se encontrava, refletiu:
— Devemos considerar deixar a cidade, nos deslocar para outros lugares onde a posição deles não seja tão segura. Talvez tentar estabelecer uma fronteira de alguma forma. Se Aelin Galathynius persistir perto de Forte da Fenda, devemos nos encontrar com ela, talvez ir para Terrasen, sair de Adarlan, e manter as fileiras.
— Não podemos abandonar Forte da Fenda — Chaol respondeu, olhando para os prisioneiros sendo ajudados a levantar.
— Pode ser suicídio ficar — Sen desafiou.
Alguns dos outros assentiram em seu acordo.
Chaol abriu a boca, mas Nesryn falou antes.
— Nós precisamos nos dirigir para o rio. Rápido.
Ele lançou-lhe um olhar agradecido, mas ela já estava em movimento.



Aelin esperou até que todos estivessem dormindo e a lua cheia tivesses se erguido antes de sair da cama, com cuidado para não empurrar Rowan.
Ela escorregou para dentro do closet e se vestiu rapidamente, a bainhas com as armas que ela casualmente deixara lá naquela tarde. Nenhum dos homens comentara quando ela tirou Damaris da mesa de jantar, alegando que  queria para limpá-la.
Ela prendeu a lâmina antiga nas costas junto com Goldryn, os dois punhos espreitando por sobre cada ombro, enquanto ficava na frente do espelho do closet e apressadamente trançava o cabelo para trás. Era curto o suficiente, agora que a trança havia se tornado um incômodo, e algumas mechas caíram para frente, mas pelo menos ele não estava em seu rosto.
Ela saiu pé ante pé do closet, uma capa de reposição na mão, passando pela cama onde o torso tatuado de Rowan brilhava à luz da lua cheia entrando pela janela. Ele não se mexeu enquanto ela sorrateiramente saía do quarto e do apartamento, não mais do que uma sombra.

7 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira29 de fevereiro de 2016 14:36

    AELIN!!!!! VOLTE JÁ PARA SEU QUARTO!!!!!! Ela vai fazer merda, eu tô sentindo, ela não devia ir sozinha, seja lá o que ela for fazer... MANO, CARA,VELHO, EA VAI NO TÚMULO DO SAAAAAAAMMMM, mas é claro que ela ia fazer isso

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  2. Espero que ela mate uns valgs pelo caminho

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  3. espero q ela n fasa nenhuma merda no caminho isso sim!

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  4. Ela vai fazer merda tenho quase certeza, e a merda começa com D e termina com orian

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  5. Gente, a Aelin tem que comentar com a Nesryn sobre a Lysandra trazer as roupas......eu acho que tem alguma coisa aí....sei lá

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  6. Kkkkk todos estão falando que vai dar merda. Mas gente, A CEL, ou melhor AELIN SEMPRE VAI DAR MERDA E A MAIORIA DE NÓS VAI AMAR KKK

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