28 de fevereiro de 2016

Capítulo 29

Rowan Whitethorn debateu internamente por um bom minuto se valia a pena caçar o príncipe semifeérrico e rasgá-lo em tiras sangrentas pelo o que ele havia chamado Aelin, ou se ele ficaria melhor aqui, com sua rainha, enquanto ela andava de um lado para o outro na frente da lareira do quarto. Ele entendia, realmente entendia por que o general estava enfurecido. Ele teria sentido o mesmo. Mas não era uma desculpa boa o suficiente. Nem mesmo perto.
Sentado à beira do colchão de penas, ele a assistiu se mover.
Mesmo sem a sua magia, Aelin era fogo vivo, ainda mais agora com o cabelo vermelho – a criatura cujo rugido cheio de emoções ele podia, por vezes, acompanhar e se maravilhar.
E o rosto dela.
Que rosto, deuses amaldiçoados.
Enquanto eles estiveram em Wendlyn, levou um tempo para perceber que ela era bonita. Meses, na verdade, para realmente perceber isso. E nestas últimas semanas, contra o seu melhor juízo, ele pensara muitas vezes naquele rosto – especialmente naquela boca espertinha.
Mas ele não se lembrava do quão impressionante ela era até que ela retirara o capuz mais cedo, e isso o atingiu como um tolo.
Estas semanas de separação foram um lembrete brutal de que sua vida tinha sido assim até que ele a encontrara bêbada e quebrada naquele telhado em Varese. Os pesadelos começaram na mesma noite em que ela o deixou – tais sonhos implacáveis que ele quase vomitara quando despertava deles, Lyria gritando, um zumbido nos ouvidos. A lembrança enviou um frio na espinha. Mas mesmo isso foi queimado pela rainha diante dele.
Aelin continuava em sua andança pelo tapete diante da lareira.
— Se esta é qualquer indicação do que esperar da nossa corte — Rowan falou finalmente, flexionando os dedos em uma tentativa de desalojar a tremores vazios que ele não fora capaz de dominar desde que sua magia fora sufocada — então nós nunca sofreremos de tédio.
Ela estendeu uma mão em um movimento de desprezo e irritação.
— Não me provoque agora — ela esfregou seu rosto e soprou uma respiração.
Rowan esperou, sabendo que ela estava reunindo as palavras, odiando a dor e a tristeza e culpa em cada linha de seu corpo. Ele venderia sua alma ao deus negro para nunca receber seu olhar como aquele novamente.
— Toda vez que eu me viro — ela falou, aproximando-se da cama e se encostando ao poste esculpido — sinto como se um movimento errado ou palavra impensada os levasse à ruína. As vidas de pessoas – do meu povo – dependem de mim. Não há espaço para erro.
Lá estava ele, o peso que lentamente a esmagava. Matava-o saber que adicionaria mais peso ainda quando lhe contasse a notícia que carregava – a razão que o fizera desobedecer a sua primeira ordem para ele.
Ele não podia lhe oferecer nada além da verdade.
— Você cometerá erros. Tomará decisões, e às vezes se arrependerá dessas escolhas. Às vezes, não haverá uma escolha certa, apenas a melhor de várias opções ruins. Não preciso dizer-lhe que consegue fazer isso. Você sabe que consegue. Eu não teria feito meu juramento para você se não acreditasse nisso.
Ela deslizou para a cama ao lado dele, o cheiro dela acariciando-o. Jasmim, verbena-limão e brasas crepitantes. Elegante, feminino, e absolutamente selvagem. Quente, firme e inquebrável, sua rainha.
Exceto pela fraqueza que ambos compartilhavam: esse vínculo entre eles.
Porque em seus pesadelos, ele às vezes ouvia a voz de Maeve por sobre o estalo de um chicote, astuto e frio. Nem pelo mundo todo, Aelin? Mas e por seu príncipe Rowan?
Ele tentou não pensar sobre isso: o fato de que Aelin entregaria uma das pedras de Wyrd por ele. Ele trancou o conhecimento com tanta força que ele conseguia escapar apenas em seus sonhos, ou quando ele acordava tateando a cama fria em busca de uma princesa que estava a milhares de quilômetros de distância.
Aelin balançou a cabeça.
— Era muito mais fácil estar sozinha.
— Eu sei — ele respondeu, reprimindo o instinto de colocar o braço em volta dos ombros dela e guardá-la para si. Ele se concentrou em ouvir a cidade à sua volta em seu lugar.
Podia escutar mais do que ouvidos mortais, mas o vento não cantou seus segredos para ele. Ele não o sentia mais puxando-o. E preso em seu corpo feérico, incapaz de mudar – enjaulado. Agravado pelo fato de que ele não podia proteger este apartamento de quaisquer ataques inimigos enquanto eles estavam aqui.
Não impotente, ele lembrou a si mesmo. Ele se vestira da cabeça aos pés de ferro antes e ainda matara. Podia manter este apartamento seguro – da maneira antiquada. Ele apenas ficaria em equilíbrio. Em um momento em que perder o equilíbrio poderia ser fatal para ela.
Por um tempo, eles se sentaram em silêncio.
— Eu falei algumas coisas terríveis para ele.
— Não se preocupe com isso — ele respondeu, incapaz de impedir o rosnado. — Ele disse algumas coisas igualmente deploráveis a você. Os seus temperamentos são parecidos.
Ela soltou uma risada ofegante.
— Conte-me sobre a fortaleza, como estava quando você voltou para ajudar a reconstruir.
Assim ele o fez, até que chegou ao conhecimento que estava guardando por toda a noite.
— Basta dizer — ela sugeriu, com uma espécie de olhar direto e inflexível.
Ele se perguntou se ela percebia que por tudo o que reclamava sobre seu absurdo senso de alfa, ela própria era alfa em suas atitudes. Rowan tomou um longo suspiro.
— Lorcan está aqui.
Ela se endireitou.
— Foi por isso que você veio.
Rowan assentiu. E porque manter distância era a jogada mais inteligente; Lorcan era mau e astuto o suficiente para usar seu vínculo contra eles.
— Peguei seu cheiro próximo da Defesa Nebulosa e o segui até a costa, em seguida, até um navio. Peguei o rastro dele quando desembarquei esta noite — o rosto dela estava pálido, e ele acrescentou: — Fiz questão de cobrir meus passos antes de procurá-la.
Com mais de cinco séculos de idade, Lorcan era o macho mais forte do reino feérico, igualando-se apenas o próprio Rowan. Eles nunca foram verdadeiros amigos, e após os acontecimentos de apenas algumas semanas, Rowan teria gostado mais do que tudo de abrir a garganta dele por deixar Aelin para morrer nas mãos dos príncipes valg. Ele poderia muito bem ter a chance de fazer isso – em breve.
— Ele não a conhece bem o suficiente para pegar imediatamente seu perfume — Rowan continuou. — Eu apostaria um bom dinheiro que ele estava no barco apenas para me trazer aqui, me fazer levá-lo até você.— Mas era melhor do que deixar Lorcan encontrá-la enquanto ele permanecia em Wendlyn.
Aelin praguejou com plenitude criativa.
— Maeve provavelmente acha que nós também vamos levá-lo direito para a terceira chave de Wyrd. Você acha que ela o ordenou nos enfrentar e recuperar a chave, ou depois disso?
— Pode ser — o pensamento foi suficiente para disparar raiva gelada através dele. — Eu não vou deixar isso acontecer.
A boca dela se curvou para o lado.
— Você acha que eu poderia vencê-lo?
— Se você tivesse a sua magia, possivelmente — irritação ondulava em seus olhos, o suficiente para que ele soubesse que algo mais a incomodava. — Mas sem a magia, em sua forma humana... você estaria morta antes de desembainhar a espada.
— Ele é bom assim.
Ele acenou lentamente.
Ela o encarou com olhos de uma assassina.
— Você poderia vencê-lo?
— Seria tão destrutivo que eu não arriscaria. Você se lembra do que eu te falei sobre Sollemere.
O rosto dela se contraiu à menção da cidade que ele e Lorcan tinham obliterado à pedido de Maeve quase dois séculos atrás. Era uma mancha permaneceria para sempre, não importa o quanto dissesse a si mesmo sobre quão corruptos e ruins seus moradores foram.
— Sem a nossa magia, é difícil decidir quem ganharia. Isso dependeria de quem quer mais.
Lorcan, com sua raiva fria interminável e um talento para matar dado pelo próprio Hellas, nunca se deixaria perder. Batalhas, riquezas, mulheres – Lorcan sempre ganhava, a qualquer custo. Uma vez, Rowan poderia tê-lo deixado vencer, deixar Lorcan acabar com ele apenas para colocar um fim a sua própria vida miserável, mas agora...
— Se Lorcan fizer um movimento contra você, ele morre.
Ela não piscou à violência que se atou a cada palavra. Outra parte dele, uma parte que estivera encolhida desde o momento em que ela o deixara, desenvolveu-se como um animal selvagem que se estende antes de um incêndio. Aelin inclinou a cabeça.
— Alguma ideia de onde ele se esconderia?
— Nenhuma. Começarei a caçá-lo amanhã.
— Não — ela disse. — Será fácil para Lorcan nos encontrar sem você caçando-o. Mas se ele espera que eu o leve até a terceira chave para que ele possa levá-la para Maeve, então talvez... — ele quase podia ver as engrenagens girando em sua cabeça. Ela soltou um grunhido. — Pensarei sobre isso amanhã. Você acha que Maeve quer a chave apenas para me impedir de usá-la, ou para usá-la ela mesma?
— Você sabe a resposta para isso.
— Ambos, então — Aelin suspirou. — A questão é, ela vai tentar nos usar para caçar as outras duas chaves, ou ela tem mais um de seus guardas procurando por elas agora?
— Vamos esperar que ela não envie qualquer outra pessoa.
— Se Gavriel souber que Aedion é seu filho... — ela olhou para a porta do quarto, culpa e dores cintilando em suas encantadoras características. — Será que ele seguiria Maeve, mesmo que isso significasse ferir ou matar Aedion no processo? Seu controle sobre ele tão forte?
Fora um choque perceber o filho de quem descansava na mesa da cozinha.
— Gavriel... — ele vira o guerreiro com as amantes ao longo dos séculos, e o viu deixá-las sob a ordem de Maeve. Também tinha a quantidade de homens caídos por suas mãos em sua carne. E de toda a sua equipe, apenas Gavriel parara naquela noite para ajudar Aelin contra os valg.
— Não responda agora — Aelin cortou com um bocejo. — Devemos ir para a cama.
Rowan observara cada centímetro do apartamento nos momentos em que chegou, mas perguntou tão casualmente quanto pôde:
— Onde eu deveria dormir?
Ela deu um tapinha na cama atrás deles.
— Como nos velhos tempos.
Ele apertou a mandíbula. Tinha se preparando para isso todas as noites nas ultimas semanas.
— Não é como na fortaleza, onde ninguém pensa duas vezes sobre isso.
— E se eu quiser que você fique aqui comigo?
Ele não permitiu que essas palavras se afundassem totalmente, a ideia de estar na cama dela. Ele trabalhou duro para afastar esses pensamentos.
— Então eu ficarei. No sofá. Mas você precisa ser clara para os outros sobre o que minha estada aqui significa.
Havia tantos limites que precisavam ser traçados. Ela estava fora dos limites – completamente fora dos limites, por cerca de uma dúzia de razões diferentes. Ele pensara que seria capaz de lidar com isso, mas...
Não, ele lidaria com isso. Gostaria de encontrar uma maneira de lidar com ela, porque ele não era um tolo, e tinha algum autocontrole – malditos deuses. Agora que Lorcan estava em Forte da Fenda, os seguindo, caçando a chave de Wyrd, ele tinha coisas maiores para se preocupar.
Ela encolheu os ombros, irreverente como sempre.
— Então emitirei um decreto real sobre minhas boas intenções para com você durante o café da manhã.
Rowan bufou. Embora ele não quisesse, perguntou:
— E o capitão?
— O que tem ele? — ela perguntou também acentuadamente.
— Basta considerar como ele poderia interpretar as coisas.
— Por quê? — ela fez um excelente trabalho em não mencioná-lo.
Mas havia raiva suficiente, dor suficiente nessa única pergunta, que Rowan não pôde voltar atrás.
— Conte-me o que aconteceu.
Ela não encontrou seus olhos.
— Ele disse que o que aconteceu aqui, aos meus amigos, a ele e Dorian, enquanto eu estava fora em Wendlyn, era culpa minha. E que eu era um monstro.
Por um momento, a ira o deixou cego, era uma descarga através dele. Seu instinto era de correr para pegar sua mão, tocar sua face que permanecia voltada para baixo. Mas ele manteve-se sob controle. Ela ainda não olhava para ele quando começou:
— Você acha...
— Nunca — disse ele. — Nunca, Aelin.
Finalmente, ela encontrou seu olhar, com olhos que eram muito velhos, tristes e cansados para seus dezenove anos. Fora um erro chamá-la de menina – e havia momentos em que Rowan de fato esquecia quão jovem ela realmente era. A mulher diante dele poderia quebrar a coluna vertebral de alguém com três vezes a sua idade.
— Se você é um monstro, eu o sou também — ele falou, com um sorriso largo o suficiente para mostrar seus caninos alongados.
Ela soltou uma risada áspera, perto o suficiente para aquecer o rosto dele.
— Apenas durma na cama — pediu ela. — Não quero procurar roupa de cama para o sofá.
Talvez fosse o riso, ou o brilho prateado de seus olhos, mas ele respondeu:
— Tudo bem — enganado, ele era um idiota estúpido quando foi para ela. Obrigou-se a acrescentar: — Mas isso envia uma mensagem, Aelin.
Ela levantou as sobrancelhas de uma forma que significava que o fogo normalmente começaria a brilhar, mas não aconteceu.
Ambos estavam presos em seus corpos, encalhados sem magia. Ele se adaptaria; ele aguentaria.
— Oh? — ela ronronou, e ele preparou-se para a tempestade. — E qual é a mensagem que isso envia? Que sou uma prostituta? O que faço na privacidade do meu próprio quarto, com o meu corpo, não é da conta de ninguém.
— Você acha que não concordo? — o temperamento dela deslizou pela ligação. Ninguém nunca fora capaz de se infiltrar sob sua pele tão rápida e profundamente no espaço de poucas palavras. — Mas as coisas agora são diferentesAelinVocê é uma rainha neste reino. Temos que considerar o que aparenta, que impacto nossa relação pode ter sobre aqueles que a consideram imprópria. Explicar que isto é para sua segurança...
— Oh, por favor. A minha segurança? Você acha que Lorcan ou o rei ou quem mais tenha rancor de mim vai deslizar pela janela no meio da noite? Consigo me proteger, você sabe.
— Deuses, eu sei que você consegue — ele nunca tivera dúvidas.
Suas narinas inflaram.
— Esta é uma das brigas mais estúpidas que já tivemos. Tudo graças a sua idiotice, eu poderia acrescentar — ela caminhou até seu closet, seus quadris balançando como se acentuassem cada palavra que ela dizia: — Basta vir para a cama.
Ele soltou uma respiração apertada enquanto ela e seus quadris desapareciam no closet.
Limites. Linhas. Fora dos limites.
Essas eram suas novas palavras favoritas, refletiu, com a lembrança da respiração dela ainda em sua bochecha.



Aelin ouviu a porta do banheiro ser fechada, em seguida, a água corrente quando Rowan lavou-se com os produtos de higiene pessoal que deixara para ele.
Não era um monstro – não pelo o que tinha feito, não pelo seu poder, e não quando Rowan estava lá. Ela agradeceu aos deuses todos santos dias pela pequena misericórdia de lhe dar um amigo que era seu nesse jogo, seu igual, e que nunca olharia para ela com horror em seus olhos. Não importa o que tivesse acontecido, ela sempre seria grata por isso.
Mas... Imprópria. Imprópria, de fato.
Ele não sabia quão imprópria ela poderia ser.
Ela abriu a gaveta de cima da cômoda de carvalho. E, lentamente, sorriu.
Rowan estava na cama quando ela desfilou em direção ao banheiro. Ela ouviu, mais do que viu, ele mover-se na posição vertical, o colchão gemendo quando ele gritou:
— Que diabos é isso?
Ela continuou indo em direção ao banheiro, recusando-se a pedir desculpas ou olhar para a camisola rosa e delicada bastante curta de renda. Quando saiu, de cara lavada e limpa, Rowan estava sentado, os braços cruzados sobre o peito nu.
— Você se esqueceu da parte de baixo.
Ela simplesmente apagou as velas o cômodo, uma por uma. Os olhos a seguiram o tempo todo.
— Não existe parte de baixo — respondeu ela, erguendo as cobertas do lado dela da cama. — Está começando a ficar tão quente, e odeio suar quando estou dormindo. Além disso, você é praticamente um forno. Então é isso ou eu durmo nua. Você pode dormir na banheira, se tem um problema com isso.
Seu rugido sacudiu o quarto.
— Você fez o seu ponto.
— Hmm — ela deslizou na cama ao lado dele, a uma distância saudável, apropriada.
Por alguns instantes, houve apenas o som do farfalhar dos cobertores quando ela se aninhou por baixo.
— Preciso preencher alguns lugares com um pouco mais tinta — ele categoricamente.
Ela mal podia ver seu rosto no escuro.
— O quê?
— Sua tatuagem — ele falou, olhando para o teto. — Há alguns pontos que preciso preencher em algum momento.
Claro. Ele não era como os outros homens, nem mesmo chegava perto. Havia tão pouco que pudesse fazer para ameaçá-lo. Um corpo nu era um corpo nu. Especialmente o dela.
— Tudo bem — ela respondeu, virando-se para ficar de costas para ele.
Eles ficaram em silêncio novamente.
— Eu nunca vi roupa assim — ele falou então.
Ela rolou.
— Você quer me dizer que as fêmeas em Doranelle não têm roupas de dormir escandalosas? Ou em qualquer outro lugar no mundo?
Seus olhos brilhavam como os de um animal no escuro. Ela esquecera o que era ser feérico, ter sempre um pé na floresta.
— Meus encontros com outras fêmeas geralmente não envolvem desfiles em roupas de dormir.
— E que roupas que envolvem?
— Normalmente, nenhuma.
Ela estalou a língua, empurrando a imagem para longe.
— Tendo o prazer absoluto de conhecer Remelle na Primavera deste ano, tenho dificuldade em acreditar que ela não o sujeitaria a desfiles de roupas.
Ele virou o rosto para o teto novamente.
— Nós não estamos falando sobre isso.
Ela riu.
Aelin: um.
Rowan: zero.
Ela ainda sorria quando ele perguntou:
— Será que todas as suas roupas de dormir são assim?
— Então você gostaria de ver minhas camisolas, príncipe. O que os outros vão dizer? Talvez você devesse emitir um decreto para esclarecer. — Ele resmungou, e ela sorriu em seu travesseiro. — Sim, eu tenho mais, não se preocupe. Se Lorcan vai me matar enquanto durmo, posso muito bem ter boa aparência.
— Vaidosa até o amargo fim.
Ela empurrou de volta o pensamento sobre Lorcan, do que Maeve podia querer.
— Há uma cor específica que você gostaria de me ver? Se vou escandalizá-lo, eu deveria, pelo menos, fazê-lo com algo que você goste.
— Você é uma ameaça.
Ela riu de novo, sentindo-se mais leve do que sentira em semanas, apesar da notícia que Rowan lhe dera. Estava bastante certa de que eles foram feitos para a noite, quando a voz dele ressoou através da cama.
— Dourado. Não amarelo – dourado de verdade, metálico.
— Você está sem sorte — disse ela em seu travesseiro. — Eu nunca possuiria algo tão ostensivo.
Ela quase podia senti-lo sorrindo quando adormeceu.



Trinta minutos mais tarde, Rowan ainda estava olhando para o teto, os dentes cerrados enquanto acalmava o rugido em suas veias que progressivamente destruía seu autocontrole.
Aquela camisola maldita. Merda.
Ele estava atolado em um monte de merda.



Rowan dormia, seu corpo maciço coberto pela metade com os cobertores, quando o amanhecer entrou pelas cortinas de renda. Levantando-se em silêncio, Aelin mostrou a língua para ele quando encolheu os ombros em seu robe de seda azul clara, prendeu o já desbotado cabelo vermelho em um nó no alto da cabeça e caminhou até a cozinha.
Como o mercado negro queimara até as cinzas, os comerciantes miseráveis lá fora fariam uma pequena fortuna com todas a barras de tintura que ela compraria. Aelin estremeceu com o pensamento de ter que rastrear o fornecedor novamente – a mulher parecia o tipo que teria escapado das chamas. E agora cobraria o dobro, triplo, em seus corantes já superfaturados para compensar seus bens perdidos. E uma vez que Lorcan podia rastreá-la só pelo cheiro, mudar a cor de seu cabelo não teria nenhum impacto sobre ele. Embora ela supusesse que com a guarda do rei à procura de seu... Oh, era também extremamente cedo para avaliar a pilha gigante de merda que havia se tornado sua vida.
Grogue, ela fez chá principalmente pela memória muscular. Começou preparar torradas, e rezou para que ovos tivessem sido deixados na caixa de refrigeração – eles estavam. E bacon, para seu deleite. Naquela casa, comida tendia a desaparecer assim que ela entrava.
Um dos maiores de todos os porcos se aproximou da cozinha sobre os pés imortais – mudo. Ela se preparou com os braços cheios de comida, cutucou a caixa de refrigeração pequena e fechou com um quadril.
Aedion olhou cautelosamente enquanto ela ia para o pequeno balcão ao lado do fogão e começou a puxar copos e utensílios de cozinha.
— Há cogumelos em algum lugar — ele comentou.
— Bom. Então limpe-os e corte-os. E a pique a cebola também.
— É a punição por ontem à noite?
Ela abriu os ovos um a um em uma tigela.
— Se você acredita que seja uma punição aceitável, com certeza.
— E fazer café da manhã esse horário terrível é sua punição autoimposta?
— Estou fazendo café da manhã porque cansei de você queimar e fazer o cheiro impregnar a casa inteira.
Aedion riu baixinho e veio ao seu lado para começar a cortar a cebola.
— Você ficou no telhado durante todo o tempo que esteve fora, não é? — ela tirou uma frigideira de ferro a partir do móvel acima do fogão, colocou-o em um queimador e atirou um pedacinho de manteiga em sua superfície escura.
— Você me chutou para fora do apartamento, mas não do armazém, então percebi que eu poderia muito bem fazer-me útil e vigiar — as sinuosas e antigas maneiras de entortar ordens. Ela se perguntou o que as antigas maneiras tinham a dizer sobre propriedade da rainha.
Ela pegou uma colher de pau e empurrou a manteiga derretendo pela panela.
— Nós dois temos temperamentos atrozes. Você sabe que eu não quis dizer o que eu disse, sobre a coisa de lealdade. Ou sobre a coisa semihumana. Você sabe que nada disso importa para mim.
Santos deuses, filho de Gavriel. Mas ela manteria a boca fechada sobre o assunto até que Aedion descobrisse como abordar o assunto.
— Aelin, tenho vergonha do que eu disse a você.
— Bem, nós dois temos, então vamos deixar por isso mesmo — ela pegou os ovos, mantendo um olho sobre a manteiga. — Eu... eu entendo, Aedion, realmente entendo sobre o juramento de sangue. Eu sabia o que significava para você. Cometi um erro em não lhe contar. Eu normalmente não admitiria esse tipo de coisa, mas devia ter te contado. E eu sinto muito.
Ele cheirou as cebolas, seu corte especialista deixando uma pilha pura em uma extremidade da tábua de corte, e depois começou com os pequenos cogumelos marrons.
— Esse juramento significava tudo para mim. Ren e eu costumávamos brigar por causa disso quando éramos crianças. Seu pai me odiava porque eu era o único favorecido para fazê-lo.
Ela pegou as cebolas dele e atirou-as na manteiga, o chiado enchendo a cozinha.
— Não há nada que o impeça de fazer o juramento, você sabe. Maeve tem vários membros jurados de sangue em sua corte — um deles estava agora tornando a vida de Aelin um inferno. — Você pode fazê-lo, assim como Ren – somente se quiser, mas eu não ficaria chateada caso não queira.
— Em Terrasen, havia apenas um.
Ela mexeu as cebolas.
— As coisas mudam. Novas tradições de uma nova corte. Você pode jurar agora, se quiser.
Aedion terminou os cogumelos e baixou a faca quando se inclinou contra o balcão.
— Não agora. Não até eu vê-la coroada. Não enquanto não estivermos em frente ao povo, em frente ao mundo.
Ela despejou os cogumelos na panela.
— Você é ainda mais dramático do que eu.
Aedion bufou.
— Apresse-se com os ovos. Eu vou morrer de fome.
— Faça o bacon, ou não vai comer nenhum dos dois.
Aedion mal podia se mover rápido o suficiente.

30 comentários:

  1. Com que Aelin vai ficar? Dorian, Chaol ou o príncipe Férico? Ou será ninguém.

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    1. Eu queria Dorian, mas aí pareceu que ela ia ficar com Chaol, e agora com Rowan...

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    2. Isso sem falar no Sam... Essa mulher ta mais rodada q prato de microondas kkkkkkk
      Levem na brincadeira, pf gnt

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    3. Eu gostava muito do Chaol, mas ele está insuportável e já machucou muito ela. Uma parte de mim ainda quer os dois juntos, mas ele não merece ela.

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    4. Dentre todos os homens que passaram na vida de Celaena/Elentiya/Aelin/Lillian eu sinceramente prefiro o Sam. Quando eu cheguei no primeiro capítulo da parte que ele morre em Lâmina da Assassina, eu chorei bastante. Só de escrever isso eu já tenho lágrimas nos olhos. Mas enfim, como ele morreu, eu prefiro Rowan

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    5. Também sempre preferi Doria mais agora que Rowan apareceu não consigo nem sequer pensar nos outros.

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    6. Concordo com a Juliana. O Sam era um amorzinho e podia pelo menos ter tido uma morte rápida, mas não, a autora foi lá e fez o coitado ser torturado.

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  2. Com o Rowan, espero!

    O Dorian coitado, tá possuído.. acho que nunca mais ele vai pegar ninguém, pobrezinho... Sem falar que mesmo sem o capiroto dentro dele, ele é bem aguado.

    O Chaol tá se mostrando um babaca. Escroto, escroto e escroto.

    Mas o Rowan.. esse é quente! kkkkkk Nhan nham nham...

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    1. kkkkkkkkkkkkkkkkk Janina eu quase morri de ri do seu cometario kkkkk muie capiroto foi de mais kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk mas tenho q concordar com vc

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    2. Me diz que eu não li isso kkkkkkkk

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  3. "Aquela camisola maldita. Merda." Ri muito!!

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    1. Duas kkkk ´parecia uma louca no meio da sala de aula...... senhor

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  4. Acho q Rowan ta ganhando disparado

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  5. "Enquanto eles estiveram em Wendlyn, levou um tempo para perceber que ela era bonita. Meses, na verdade, para realmente perceber isso. E nestas últimas semanas, contra o seu melhor juízo, ele pensara muitas vezes naquele rosto – especialmente naquela boca espertinha."
    Eu era team Chaol, agr team Rowan... Daqui a pouco aparece outro kk

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  6. Eu amei esse cap . muito engraçado

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  7. Meu Deus, quem eh esse lorcab??? Pq ele deveria estar morto???
    Oq ele fez de ruim pra eles, me.perdi nessa parte....
    Alguém me.ajuda pf

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    1. Lorcan é um feérico juramentado por sangue de Maeve... era companheiro de Rowan, um dos cinco, lembra?

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  8. Esse livro ta ficando bem chato na minha opinião.

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    1. Eu tb acho ....quase nao passei a pagina quando ela mandou Aedion embora ....tipo arisca sua vida salvando o cara depois expulça ele da casa dela

      Tb odeio esse Rowan ele nem gostava de celaena

      E outra Aelin ta mais rodade que (bela do crepusculo )

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    2. Sera que isso tudo tem um proposito no final ?
      Kkk

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    3. Nem mesmo gosto de Crepúsculo, mas... Quando q a Bella foi rodada? Outra coisa, é bem normal as pessoas terem mais de um relacionamento na vida, sabe? Aposto q se fosse um homem o principal q tivesse se relacionado com várias outras mulheres vc n estaria aqui bostejando. Todos os homens q passaram pela vida da Aelin contribuíram pra ela se tornar a mulher q é hj. E é bem simples: Quando se apaixonou pelo Sam ela era uma adolescente, uma menina (e sinceramente eu preferia q a autora n tivesse matado ele e eles estivessem juntos até agora). Ai então quando ela tava competindo pra ser a campeã do rei ela sentiu atração pelo Dorian, ela quis ficar com ele, ficou. Ai ela percebeu q gostava do Chaol, ficou com o Chaol. O Chaol foi um escroto q merecia um soco na cara, ela terminou. Ai ela conheceu o Rowan. Embora eu ache q eles fiquem mto melhores sendo apenas amigos parece q a autora vai fazer eles terem algo a mais. E n vejo problema nenhum. Deixa de ser machista.

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    4. Palmas gostei,sério deixa de se escroto vcs se não estão gostando pare ler e simples , e, Mtu pelo contrário esse livro ta mais legal

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  9. Quero muito ela com o Rowan mdss hahahahha

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  10. kkkkk tbm estou começando a me converter a Team Rowan, os momentos íntimos deles são os melhores, demora um bom tempo pra eu conseguir parar de rir :')

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  11. Eu acho que ela vai ficar com Rowan mesmo... Todo mundo meio com raiva dela e tal,eu nao entendo.
    Tava na cara que ela nao ia ficar com Dorian,era físico
    Com o Chaol só gostando da parte Celaena dela e odiando sua parte mágica,odiaria se eles ficassem juntos
    E tanto Sam (o melhor de todos,mas morto :/) como Rowan foi uma coisa lenta,que demandou muito tempo,mas que aos poucos foi surgindo e tal...
    é que nem o jhon green fla, se apaixonar e como cair no sono,gradativamente e de repente...
    E sobre a questão de acharem muitos concorrentes,pode ate ser verdade,mas eu nao me incomodo nao,sendo que realmente ela só ficou com Chaol
    -Rachel

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  12. Gnt como assim?:" o fato q ela entregou uma das pedras de wryd por ele" whaaat? Ta falando do anel?

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  13. só eu q tô sentindo falta da ligeirinha?

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