28 de fevereiro de 2016

Capítulo 26

— Eu não estou prestes a cair morto — Aedion falou para sua prima, sua rainha, quando ela o ajudou a caminhar ao redor do telhado. Esta era a sua terceira volta, a lua brilhava sobre as telhas abaixo deles. Era um esforço manter-se de pé, não por causa do pulsar constante em suas costelas, mas pelo fato de que Aelin – Aelin – estava ao lado dele, um braço em volta de sua cintura.
Uma brisa fria da noite subiu com o cheiro da fumaça no horizonte e se envolveu em torno dele, esfriando o suor em seu pescoço.
Mas ele inclinou o rosto para longe da fumaça, respirando outro cheiro, melhor. E encontrou a fonte dele franzindo a testa para ele. O aroma requintado de Aelin o acalmava, o despertava. Ele nunca ficaria enjoado daquele cheiro. Era um milagre.
Mas seu olhar era severo – o que não era um milagre.
— O quê? — Ele exigiu.
Passara um dia desde que ela tinha lutado no Poços, um dia a mais sem dormir. Esta noite, cobertos pela escuridão, era o primeiro dia que ele fora capaz de sair da cama. Se ficasse enfiado lá mais um momento, começaria a derrubar as paredes.
Ele tivera o suficiente de gaiolas e prisões.
— Estou fazendo a minha avaliação profissional — disse ela, mantendo o ritmo ao lado dele.
— Como uma assassina, rainha, ou lutadora do Poços?
Aelin deu-lhe um sorriso – do tipo que lhe disse que ela estava pensando se chutaria sua bunda ou não.
— Não fique com ciúmes porque não recebeu uma mordida do bastardo valg.
Não era isso. Ela estava lutando com um valg na noite anterior, enquanto ele estava deitado na cama, sem saber que ela estava em qualquer tipo de perigo. Ele se tentou se convencer de que, apesar do perigo, apesar da forma como ela voltou cheirando a sangue e machucado no local onde um deles a mordera, ela pelo menos descobrira que Morath era onde as pessoas com magia estavam sendo transformadas em receptáculos para valg.
Tentou se convencer, e não conseguiu. Mas tinha que dar-lhe espaço. Ele não seria um filho da mãe feérico arrogante e territorial, como gostava de chamá-los.
— E se eu passar em sua avaliação — falou Aedion finalmente — nós iremos diretamente para Terrasen, ou esperaremos aqui pelo príncipe Rowan?
— O príncipe Rowan — repetiu ela, revirando os olhos. — Você continua insistindo em obter detalhes sobre o príncipe Rowan...
— Você fez amizade com um dos maiores guerreiros da história, talvez o maior guerreiro vivo. Seu pai, e os seus homens, todos me contaram histórias sobre o príncipe Rowan.
— O quê?
Oh, ele estava esperando para dar esta informação particular.
— Guerreiros do Norte ainda falam sobre ele.
— Rowan nunca veio a este continente.
Ela falou com tanta naturalidade – Rowan. Realmente não tinha ideia de quem ela agora considerava um membro da sua corte, quem libertara de seu juramento para com Maeve. A quem ela frequentemente referia como um pé no saco.
Rowan era o mais poderoso puro-sangue masculino feérico vivo. E o cheiro dele estava todo sobre ela. No entanto, ela não tinha ideia disso. Malditos deuses.
— Rowan Whitethorn é uma lenda. E assim como os seus... do que você os chama?
— Equipe — ela respondeu com tristeza.
— Os seis... — Aedion soltou um suspiro. — Nós costumávamos contar histórias sobre eles em torno de fogueiras. Suas batalhas, façanhas e aventuras.
Ela suspirou pelo nariz.
— Por favor, por favor, não conte isso nunca a ele. Eu nunca ouvi o final disso, e ele vai usá-lo em todas as discussões.
Honestamente, Aedion não sabia o que diria ao homem, porque havia muita, muita coisas a dizer. Expressar sua admiração seria a parte mais fácil. Mas quando fosse para agradecer-lhe o que tinha feito por Aelin nesta primavera, ou o que, exatamente, Rowan esperava como um membro de sua Corte – se o príncipe feérico oferecera o juramento de sangue, então... foi um esforço impedir-se de apertar o controle sobre Aelin.
Ren já sabia que o juramento de sangue era de Aedion por direito, e qualquer outra criança de Terrasen saberia também. Então a primeira coisa Aedion faria quando o príncipe chegasse seria se certificar de que ele entendesse o fato. Não era como em Wendlyn, onde eram oferecidos guerreiros do juramento sempre que seu governante quisesse.
Não desde que Brannon fundara Terrasen, quando seus reis e rainhas escolhiam apenas um de seus súditos para prestar o juramento de sangue, geralmente em sua coroação ou logo após. Apenas um, por sua vida inteira.
Aedion não tinha interesse em ceder à honra, mesmo para o lendário guerreiro-príncipe.
— De qualquer forma — disse Aelin rigidamente à medida que dobrava a esquina do telhado novamente — nós não iremos para Terrasen, não ainda. Não até que você esteja bem o suficiente para viajar rápida e arduamente. Agora, precisamos recuperar o amuleto de Orynth de Arobynn.
Aedion estava meio tentado a caçar o antigo mestre dela e cortá-lo em pedaços enquanto o interrogava sobre o local onde o amuleto estava escondido, mas poderia seguir com o plano da prima.
Ele ainda estava fraco, até agora mal fora capaz de ficar em pé tempo suficiente para urinar. Aelin ter que ajudá-lo na primeira vez foi estranho o suficiente para que ele não conseguisse, até que ela começou a cantar uma canção obscena na capacidade máxima de seus pulmões e abrir a torneira da pia, ao mesmo tempo ajudando-o a ficar em cima do vaso sanitário.
— Dê-me mais um dia ou dois, e eu vou ajudá-la a caçar um desses demônios idiotas para ele. — Raiva o atacou, tão forte quanto qualquer golpe físico. O rei dos assassinos exigira que ela se colocasse em tal perigo, como se a sua vida, como se o destino de seu reino, fosse um jogo, malditos deuses.
Mas Aelin... Aelin aceitara esse negócio. Por ele.
Mais uma vez, a respiração tornou-se difícil. Quantas cicatrizes ela acrescentaria a esse corpo flexível e poderoso por causa dele?
— Você não vai caçar o valg comigo — Aelin falou então.
Aedion tropeçou um passo.
— Oh, sim, eu vou.
— Não, você não vai. Em primeiro lugar, seu rosto é muito reconhecível...
— Nem mesmo comece.
Ela encarou-o por um longo momento, como se avaliando todas as suas fraquezas e força. Por fim, falou:
— Muito bem.
Ele quase se dobrou em alívio.
— Mas depois de tudo isso, o valg, o amuleto — incitou Aedion — libertaremos a magia? — um aceno de cabeça. — Suponho que você tenha um plano. — Outro aceno de cabeça. Ele cerrou os dentes. — Importa-se de compartilhá-lo?
— Em breve — respondeu ela docemente.
Deuses os ajudassem.
— E depois de completar o seu misterioso plano maravilhoso, iremos para Terrasen — ele não queria perguntar sobre Dorian. Vira a angústia em seu rosto naquele dia no jardim.
Mas se ela não podia matar o príncipe, ele o faria. Não apreciaria, e o capitão poderia muito bem matá-lo em troca, mas para manter Terrasen segura, ele cortaria a cabeça de Dorian.
Aelin assentiu.
— Sim, nós iremos, mas você tem apenas uma legião.
— Há homens que lutarão e outros territórios que podem surgir se você chamar.
— Podemos discutir isso mais tarde.
Ele segurou seu temperamento.
— Precisamos estar em Terrasen antes do verão, estar fora antes que a neve comece a cair no outono, ou então teremos que esperar até a primavera.
Ela assentiu com a cabeça distante. Na tarde anterior, ela despachou as cartas que Aedion lhe pediu para escrever a Ren, à Devastação e aos senhores restantes leais de Terrasen, deixá-los saber que eles estavam reunidos, e que qualquer pessoa com magia em suas veias estava em perigo. Ele sabia que os senhores restantes da antiga corte, bastardos astutos, não apreciariam avisos como esse, mesmo a partir de sua rainha. Mas ele tinha que tentar.
— E — acrescentou, porque ela realmente estava prestes a interrompê-lo — nós precisaremos de dinheiro para o exército.
— Eu sei — ela respondeu calmamente.
Não era uma resposta. Aedion tentou novamente.
— Mesmo que os homens concordem em lutar apenas por sua honra, teremos mais chances de ter um número maior se pudermos pagá-los. Para não falar de fornecer-lhes armas e alimento.
Durante anos, ele e a Devastação foram de taverna em taverna, levantando aos poucos fundos para seus próprios esforços. Ainda o matava ver os mais pobres de seu povo jogando as moedas de seu trabalho suado nas bacias que eles passavam ao redor, ver a esperança em seus rostos magros cheios de cicatrizes.
— O rei de Adarlan esvaziou nossos cofres reais. Foi uma das primeiras coisas que ele fez. O único dinheiro que temos vem do que o nosso povo pode doar, que não é muito, ou o que é concedido por Adarlan.
— Outra maneira de manter o controle todos esses anos — ela murmurou.
— Nosso povo está de mãos vazias. Eles não têm dois cobres para esfregar um no outro esses dias, muito menos para pagar impostos.
— Eu não aumentaria os impostos para pagar por uma guerra — ela falou bruscamente. — E prefiro não nos vender para nações estrangeiras em troca de empréstimos. Ainda não, de qualquer maneira.
A garganta de Aedion se apertou com a amargura revestindo seu tom, pois ambos consideravam outra maneira de o dinheiro e os homens serem obtidos. Mas ele não podia levar-se a mencionar a venda de sua mão em casamento a um reino estrangeiro rico, ainda não.
— É algo para começar a contemplar. Se a magia for realmente libertada, poderíamos recrutar os dominadores para o nosso lado oferecer-lhes formação, dinheiro, abrigo. Imagine um soldado que pode matar com espada e magia. Pode virar a maré de uma batalha.
Sombras brilharam em seus olhos.
— De fato.
Ele pesava sua postura, a clareza de seu olhar, seu rosto cansado. Demais – ela já enfrentara e sobrevivera a coisas demais.
Ele vislumbrara as cicatrizes – as tatuagens que as cobriam – sob a gola de sua camisa algumas vezes. Ainda não se atrevera a pedir para vê-las. A mordida em seu braço enfaixado não era nada comparada àquela dor, às muitas outras cicatrizes que ela não havia mencionado. As cicatrizes em ambos.
— E então — disse ele, limpando a garganta — há o juramento de sangue. — Ele tivera intermináveis horas na cama para compilar esta lista. Ela endureceu o suficiente para que Aedion rapidamente acrescentasse: — Você não tem que aceitá-lo, não ainda. Mas quando estiver pronta, eu estarei pronto.
— Você ainda quer fazer o juramento para mim? — Sua voz era plana.
— Claro que quero — ele atirou a cautela para o inferno e continuou: — Era meu dever, antes e agora. Isso pode esperar até chegarmos a Terrasen, mas serei eu quem vai levá-la. Ninguém mais.
Sua garganta fez um som seco.
— Certo — uma resposta rápida que ele não soube interpretar.
Ela o soltou e caminhou em direção a uma das pequenas áreas de treinamento para testar seu braço ferido. Ou talvez ela quisesse ficar longe dele, talvez ele tivesse abordado o tema de forma errada.
Poderia ter mancado telhado agora quando a porta se abriu e o capitão apareceu.
Aelin já caminhava em direção a Chaol com um foco predatório. Ele odiaria ser quem esperava ao fim da recepção em marcha.
— O que é isso? — ela perguntou.
Ele odiaria ser quem esperava no fim dessa recepção, desse cumprimento, também.
Aedion mancou até eles quando Chaol fechou a porta com um chute atrás de si.
— O mercado negro se foi.
Aelin respondeu rapidamente.
— O que você quer dizer?
O rosto do capitão era tenso e pálido.
— Os soldados valg. Eles foram para o mercado esta noite e selaram as saídas com todos lá dentro. Então eles botaram fogo. As pessoas que tentaram escapar através dos esgotos encontraram guarnições de soldados esperando lá, espadas prontas.
Isso explicava a fumaça no ar, cheiro de queimado no horizonte. Santos deuses. O rei perdera a cabeça completamente – devia ter parado de se importar com o pensamento público em geral.
Os braços de Aelin se encolheram em seus lados.
— Por quê? — o ligeiro tremor na voz dela fizeram os instintos feéricos de Aedion rugirem alto, impelindo-o a erguer o capitão e rasgar sua garganta, acabar com a causa de sua dor e medo...
— Porque descobriu-se que os rebeldes que o libertaram — Chaol direcionou um olhar cortante em direção a Aedion — reuniam-se no mercado negro para comprar suprimentos.
Aedion chegou ao lado dela, perto o suficiente agora para ver a tensão no rosto do capitão, a magreza que não tinha estado ali semanas atrás. Na última vez que tinham se falado.
— E suponho que você queira me culpar? — Aelin indagou com suavidade da meia-noite.
Um músculo tremeu na mandíbula do capitão. Ele nem sequer acenou uma saudação a Aedion, ou o reconheceu pelos meses que passaram trabalhando em conjunto, ou o que acontecera naquele quarto da torre.
— O rei poderia ter ordenado o fechamento qualquer meio — disse Chaol, a cicatriz delgada em seu rosto austera ao luar. — Mas ele escolheu fogo.
Aelin ainda permanecia impossivelmente indiferente.
Aedion rosnou.
— Você é um idiota por sugerir que o ataque foi uma mensagem para ela.
Chaol finalmente voltou sua atenção para ele.
— Você não acha que é verdade?
Aelin inclinou a cabeça.
— Você veio até aqui para arremessar acusações na minha cara?
— Você me disse para parar por esta noite — Chaol retrucou, e Aedion estava meio tentado a perfurar os dentes em sua garganta pelo tom que ele usou. — Mas eu vim perguntar por que você não foi para a torre do relógio. Quantas mais pessoas inocentes foram pegas no fogo cruzado?
Foi um esforço manter a boca fechada. Ele não precisava falar por Aelin, que falava com veneno impecável.
— Você está sugerindo que eu não me importo?
— Você arriscou várias vidas para libertar um homem. Penso que você acha esta cidade e os seus cidadãos dispensáveis.
Aelin assobiou:
— Preciso lembrá-lo, capitão, que você foi para Endovier e não piscou para os escravos nas celas comuns? Preciso lembrá-lo que eu estava faminta e acorrentada, e você deixou o duque Perrington forçar-me para o chão aos pés de Dorian enquanto você não fez nada? E agora tem coragem de me acusar de não me importar, quando tantas das pessoas nesta cidade têm lucrado com o sangue e miséria das próprias pessoas que você ignorou?
Aedion sufocou o grunhido fazendo o seu caminho até a garganta. O capitão nunca falou sobre o primeiro encontro com sua rainha. Nunca disse que não se movera enquanto ela era maltratada, humilhada. Tivera o capitão se encolhido com as cicatrizes em suas costas, ou simplesmente as examinou como se ela fosse algum prêmio animal?
— Você não pode me culpar — Aelin exalou. — Não vai me culpar pelo mercado negro.
— Esta cidade ainda precisa de proteção — Chaol estalou.
Aelin deu de ombros, indo em direção à porta do telhado.
— Ou talvez esta cidade devesse queimar — ela murmurou. Um calafrio percorreu a espinha de Aedion, mesmo sabendo que ela dissera isso para atingir o capitão. — Talvez o mundo deva queimar — acrescentou ela, e saiu do telhado.
Aedion virou-se para o capitão.
— Se quer comprar uma briga, venha a mim, não a ela.
O capitão apenas balançou a cabeça e olhou através das favelas. Aedion seguiu seu olhar, vendo a capital brilhando ao seu redor.
Ele odiou esta cidade desde a primeira vez que vira as paredes brancas, o castelo de vidro. Ele tinha dezenove anos, e havia camas que revelavam o seu caminho de uma ponta de Forte da Fenda a outra, tentando encontrar algo, qualquer coisa, para explicar por que Adarlan pensava que eram deuses malditos e superiores, por que Terrasen caíra de joelhos diante dessas pessoas. E quando Aedion terminara com as mulheres e as festas, após Forte da Fenda ter despejado suas riquezas aos seus pés e implorado por mais, mais, mais, ele ainda odiava a cidade – ainda mais do que antes.
E todo esse tempo, e todo o tempo depois, ele não tinha ideia que o que realmente procurava, com o que seu coração retalhado ainda sonhava, morava em uma casa de assassinos há poucas quadras de distância.
Por fim, o capitão disse:
— Você parece mais ou menos inteiro.
Aedion deu-lhe um sorriso lupino.
— E você não, se falar com ela dessa forma novamente.
Chaol balançou a cabeça.
— Você descobriu alguma coisa sobre Dorian enquanto estava no castelo?
— Você insulta minha rainha e ainda tem a coragem de me pedir essa informação?
Chaol esfregou as sobrancelhas com o polegar e o indicador.
— Por favor, diga-me. Hoje foi ruim o suficiente.
— Por quê?
— Fui caçar os comandantes valg nos esgotos depois da luta no Poços. Os seguimos para os seus novos ninhos, graças aos deuses, mas não encontramos nenhum sinal de humanos sendo mantidos prisioneiros. No entanto, mais pessoas desapareceram como num alçapão debaixo de nossos narizes. Alguns dos rebeldes querem abandonar Forte da Fenda. Estabelecer-se em outras cidades, em antecipação aos valg se espalhando.
— E você?
— Eu não vou sem Dorian.
Aedion não teve coragem de perguntar se isso significava Dorian vivo ou morto. Ele suspirou.
— Ele veio até mim nas masmorras. Me provocou. Não havia sinal do homem dentro dele. Ele nem sabia quem era Sorscha. — E então, talvez porque ele estivesse se sentindo particularmente amável, graças à bênção de cabelos dourados no apartamento abaixo, Aedion completou: — Sinto muito, por Dorian.
Os ombros de Chaol caíram, como se um peso invisível estivesse sobre eles.
— Adarlan precisa ter um futuro.
— Então faça de si mesmo rei.
— Eu não estou apto para ser rei — a auto aversão nessas palavras fez Aedion sentir pena do capitão, apesar de tudo.
Planos. Aelin tinha planos para tudo, ao que parecia. Ela convidara o capitão esta noite, ele percebeu, não para discutir qualquer coisa com ela, mas por esta conversa. Ele se perguntou quando ela começaria a confiar nele.
Essas coisas levavam tempo, ele lembrou a si mesmo. Ela estava acostumada a uma vida de sigilo; aprender a depender dele demoraria um pouco.
— Posso pensar em alternativas piores — disse Aedion. — Como Hollin.
— E o que você e Aelin farão quanto a Hollin? — Chaol perguntou, olhando em direção à fumaça. — Onde você desenharia a linha?
— Nós não matamos crianças.
— Mesmo aquelas que já apresentam sinais de corrupção?
— Você não tem o direito de arremessar esse tipo de merda na nossa cara, não quando o seu rei assassinou a nossa família. O nosso povo.
Os olhos de Chaol piscaram.
— Sinto muito.
Aedion balançou a cabeça.
— Nós não somos inimigos. Pode confiar em nós, confiar em Aelin.
— Não, eu não posso. Não mais.
— Quem perde é você — Aedion respondeu. — Boa sorte. — Era tudo o que ele realmente tinha a oferecer ao capitão.



Chaol saiu do apartamento no armazém e foi para o outro lado da rua onde Nesryn estava encostada num edifício, os braços cruzados. Sob as sombras de seu capuz, sua boca se curvou para o lado.
— O que aconteceu?
Ele continuou descendo a rua, o sangue rugindo em suas veias.
— Nada.
— O que eles disseram? — Nesryn manteve-se com ele, acompanhando-o passo a passo.
— Nada da sua conta, então esqueça. Só porque trabalhamos juntos não significa que você tem o direito de saber tudo o que acontece na minha vida.
Nesryn endureceu quase imperceptivelmente, e parte do Chaol se encolheu, já ansiando voltar atrás nas palavras.
Mas era verdade. Ele destruiu tudo no dia em que fugiu do castelo, e talvez tivesse começado a andar com Nesryn porque não havia mais ninguém que não o olhasse com piedade.
Talvez tivesse sido egoísta por fazê-lo.
Nesryn não se incomodou com um adeus antes de desaparecer por um beco. Pelo menos ele não podia se odiar mais do que já odiava.



Mentir para Aedion quanto ao juramento de sangue foi... Horrível.
Ela iria contar a ele – encontraria uma maneira de contar a ele. Quando as coisas fossem menos novas. Quando ele parasse de olhar para ela como se ela fosse um milagre, maldição – e não uma mentirosa, covarde, um pedaço de merda.
Talvez o mercado negro tivesse sido culpa dela.
Agachando-se em um telhado, Aelin sacudiu o manto de culpa e de temperamento que sufocara durante horas e voltou sua atenção para o beco abaixo. Perfeito.
Ela acompanhou várias patrulhas diferentes esta noite, notando que os comandantes que usavam anéis pretos pareciam mais brutais do que o resto, muitos nem sequer tentavam mover-se como seres humanos. O homem – ou era um demônio agora? – abriu um bueiro na rua abaixo, um dos mais leves.
Ela seria a sombra deste comandante e descobriria aonde ele fez o seu ninho, de modo que pudesse, pelo menos, dar a Chaol a informação e provar-lhe como ela investia no bem-estar da pobre cidade.
Os homens do comandante haviam se dirigido para o castelo de vidro brilhante, um tentáculo da névoa espessa lançando uma luz esverdeada. Mas ele se afastou, indo mais fundo nas favelas e para os esgotos abaixo deles.
Ela observou-o desaparecer através do bueiro, então agilmente saiu de cima do telhado, apressando-se para a entrada mais próxima que a levaria na direção dele. Engolindo o medo antigo, entrou discretamente nos esgotos uma quadra ou duas de onde ele desceu, e ouviu atentamente.
Água pingando, fedor de lixo, a correria dos ratos...
E passos ecoados à frente, dobrando a próxima grande intersecção de túneis. Perfeito.
Aelin manteve suas lâminas de seu traje escondidas, não querendo que elas enferrujassem na umidade do esgoto. Agarrou-se às sombras, seus passos silenciosos enquanto se aproximava da encruzilhada e espreitava a esquina.
Com certeza o comandante valg caminhava no túnel, de costas para ela, seguindo mais profundamente no sistema.
Quando estava muito à frente, ela dobrou no túnel seguinte, mantendo-se no escuro, evitando as áreas de luz que vinham das grades acima.
Túnel depois do túnel, ela o seguiu, até que ele chegou a uma enorme piscina.
Era cercada por paredes desmoronando cobertas de sujeira e musgo, tão antiga que ela se perguntou se elas estiveram entre as primeiras construídas em Forte da Fenda.
Mas não foi o homem ajoelhado diante da piscina, suas águas alimentadas por rios que serpenteavam de várias direções, que fez sua respiração travar e o pânico inundar suas veias.
Foi a criatura que saiu da água.

17 comentários:

  1. As disputas do Aedion e da Aelin são muito bonitinhas. Eu tô com dó da Aelin, toda essa admiração do primo deve ser um peso enorme pra ela. Tô com muita dó dele tbm, ele vai ficar arrasado quando souber da ligação, ele só fala disso desde que apareceu..
    E MEU DEUS! como o Chaol tá chato nesse livro!!! Eu tenho pena dele e entendo tudo o q ele tá passando mas HOMEM! CHEGA DE MIMIMI!!!

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  2. Tomora que o Dorian da uma facada no chaol pra ele deixa de ser estúpido

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  3. Depois de tudo que o Chaol passou e perdeu ainda tem gente pra chama-lo de chato.Aff.Eu tbem não confiaria na Aelin depois do que ela fez. O Chaol é o único que se importa com o Dorian pra tentar salva-lo.

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    1. Pior de tudo é que ela exige wue ele confie nela sem nunca ter confiado nele...

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    2. se me lembro bem ele que nunca confiou nela

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    3. Os estão chatos, brigam toda hora. mas tenho certeza q vão acaba juntos.

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  4. O chaol tah chato msn pela fé vai perder a mulher que ama pra deixar de ser burro.

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  5. chaol é um inutil nesse livro
    muito chatoo
    chaol so se importa com ele mesmo

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    1. Vdd Jessica, insensível, e ainda te ccoragem de dizer que ele é um mostro. ( Só pq ele quase vez virar cinzas uma cidade, qual é kkkk)

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  6. Nossa o Chaol tá insuportável!!!!

    Gente acho q o Rowan vai desfazer o juramento de sangue e reclamar a Aelin como parceira e aí o Aedion vai fazer o juramento e vai estar tudo perfeito!!!

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    1. Eles tem juramento de sangue e ainda por cima é carranam e não vejo problema dele reclamar ela como parceira apesar desse envolvimento, pq? Não pode namorar tendo juramento de sangue?

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  7. Tadinho, o Aedion vai ficar arrasado quando descobrir q a Aelin fez o juramento com o Rowan...
    Mds o Chaol ta muito irritante, só achando alguém pra culpar, alem da Aelin agora a Nesryn

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  8. Outros féericos tinham juramento de sangue com a rainha aquela. Pq a Celaena n pode ter mais de um?

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    1. é uma tradição da família dela que vem desde lá do brannon... ele fala no capítulo

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    2. Laura do Bom Senso 42 #Zueira19 de outubro de 2016 19:09

      Se vc quer dizer a Maeve ou seja como for o nome da rainha que mandava no Rowan e a Equipe, ela não pode ter isso pq, como o Aedion falou, na terra deles existe a tradição de só se escolher uma pessoa de confiança pra fazer o juramento, então ao já ter feito o juramento com Rowan, ela não faria com o Aedion, que já tinha esse direito antes.
      Não sei se vc leu TMI, TDA ou TID, mas pode se comparar á Parabatai, pois o juramento é feito somente uma vez, sem outra chance, mesmo que aqui seja somente uma tradição, é algo meio "Absoluto" pro coitado do Aedion, pelo menos é o que parece

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  9. Que ódio dessa autora! Ela pegou o Chaol, que era a melhor personagem da história, e transformou em uma coisa nada a ver

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  10. dorian e para chaol como,aedion e para aelin

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Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!