28 de fevereiro de 2016

Capítulo 25

Elide lavava pratos, cuidadosamente ouvindo o cozinheiro reclamar sobre o próximo embarque programado de suprimentos. Alguns vagões chegariam em duas semanas, ao que parece, transportando vinho, legumes e carne, e talvez, se tivessem sorte, salgados. No entanto, não era o que estava por vir que a interessava, mas como ela iria realizar, e que tipo de vagões podia suportar. E onde Elide poderia melhor se esconder.
Foi quando uma das bruxas entrou.
Não Manon, mas uma chamada Asterin, de cabelos dourados com olhos como a noite salpicado de estrelas e uma selvageria em sua própria respiração. Elide há muito tempo notara quão rápida ela era em sorrir, e marcara os momentos em que Asterin pensava que ninguém estava olhando e encarava o horizonte, seu rosto apertado.
Segredos – Asterin era uma bruxa com segredos. E segredos tornavam as pessoas mortais.
Elide manteve a cabeça baixa, ombros dobrados, quando a cozinha acalmou na presença da segunda imediata. Asterin apenas fez uma bravata até o cozinheiro, que ficara pálido como a morte. Ele era alto, um homem amável na maioria dos dias, mas um covarde no coração.
— Lady Asterin — disse ele, e todos, incluindo Elide, se curvaram.
A bruxa sorriu – com dentes brancos normais, graças aos deuses.
— Eu estava pensando que poderia ajudar com os pratos.
O sangue de Elide gelou. Ela sentiu os olhos de todos na cozinha correndo sobre ela.
— Apreciaríamos bastante, lady, mas...
— Está rejeitando a minha oferta, mortal?
Elide não se atreveu a virar. Sob a água com sabão, as mãos tremiam. Estavam em punhos. O medo era inútil; medo seria o que a mataria.
— N-não. É claro, senhora. Nós... E-Elide ficará feliz pela ajuda. — E foi isso.
O movimento da cozinha lentamente retornou, mas a conversa permaneceu silenciosa. Estavam todos assistindo, esperando – fosse pelo sangue de Elide ser derramado sobre as pedras cinzentas, ou para ouvir qualquer coisa suculenta dos lábios sempre sorridentes de Asterin Bico Negro.
Sentiu cada passo que a bruxa tomou em direção a ela – sem pressa, mas poderosa.
— Você lava. Vou secar — falou a sentinela ao seu lado.
Elide espiou por trás da cortina de seu cabelo. Olhos pretos – e dourado brilhava nos olhos de Asterin.
— O-obrigada — ela se fez gaguejar.
A diversão naqueles olhos imortais cresceu. Não era um bom sinal.
Mas Elide continuou seu trabalho, passando para a bruxa as panelas e pratos.
— Uma tarefa interessante para a filha de um lorde — Asterin observou, em voz baixa o suficiente para que ninguém mais na cozinha movimentada ouvisse.
— Estou feliz em ajudar.
— Essa corrente diz o contrário.
Elide não vacilou no trabalho; não deixou que a tigela em suas mãos escorregasse um centímetro. Cinco minutos, e então ela poderia murmurar alguma desculpa e sair.
— Ninguém mais neste lugar está acorrentado como um escravo. O que a faz tão perigosa, Elide Lochan?
Elide deu de ombros. Um interrogatório, isto é o que era. Manon a chamara de espiã. Parecia que sua sentinela decidira avaliar o nível de ameaça que ela representava.
— Você sabe que os homens sempre odiaram e temeram a nossa espécie — Asterin continuou. — É raro para eles nos capturarem, nos matarem, mas quando o fazem... Oh, eles se deliciam com essas coisas horríveis. Nos desertos, eles fizeram máquinas para nos separar. Os tolos nunca perceberam que tudo o que precisavam fazer para torturar nossa espécie era nos fazer implorar — ela olhou para as pernas de Elide —nos acorrentar. Manter-nos amarradas à terra.
— Sinto muito por ouvir isso.
Duas das mulheres prenderam o cabelo atrás das orelhas em uma tentativa fútil de ouvi-las. Mas Asterin soube manter a voz baixa.
— Você tem o que, quinze? Dezesseis?
— Dezoito.
— Pequena para a sua idade. — Asterin lançou-lhe um olhar que fez Elide se perguntar se ela podia ver através do vestido caseiro para a bandagem que ela usara para achatar os seios cheios em um peito imperceptível. — Você devia ter oito ou nove anos quando a magia desapareceu.
Elide esfregou o pote. Ela iria terminá-lo e ir embora. Falar sobre a magia em torno dessas pessoas, muitos deles ansiosos para vender qualquer tipo de informação aos senhores que governaram este lugar... isso a faria ganhar uma viagem para a forca.
— As Bruxas Donzelas tinham a sua idade na época — a sentinela continuou — nunca tiveram a chance de voar. O poder não se define até o primeiro sangramento. Pelo menos agora elas têm as serpentes aladas. Mas não é o mesmo, não é?
— Eu não sei.
Asterin se aproximou, uma frigideira de ferro em suas mãos longas e mortais.
— Mas seu tio sabe, não é?
Elide ficou menor e se deu mais alguns segundos de tempo do que ela considerou para fingir.
— Eu não entendo.
— Você nunca ouviu o vento chamando seu nome, Elide Lochan? Nunca o sentiu puxando-a? Nunca o ouviu e ansiava para voar em direção ao horizonte, para terras estrangeiras?
Ela passou a maior parte de sua vida trancada em uma torre, mas houvera noites de tempestades selvagens... Elide conseguiu tirar o último pedaço de comida queimada da tigela e enxaguá-la, entregando-a a bruxa antes de limpar as mãos no avental.
— Não, senhora. Não vejo por que o sentiria.
Mesmo que ela quisesse fugir – correr para o outro lado do mundo e lavar as mãos dessas pessoas para sempre. Não tinha nada a ver com o vento sussurrando.
Os olhos negros de Asterin pareciam devorá-la.
— Você ouve aquele vento, menina — disse ela como uma especialista tranquila — porque qualquer uma com sangue Dentes de Ferro ouve. Estou surpreso que sua mãe nunca tenha contado. É transmitido através da linhagem materna.
Bruxas – sangue. Dentes de Ferro – sangue. Em suas veias – na linhagem de sua mãe.
Não era possível. O sangue fluía vermelho; ela não tinha dentes ou unhas de ferro. Sua mãe era igual. Se houve ascendência, era tão antiga que tinha sido esquecido, mas...
— Minha mãe morreu quando eu era criança — disse ela, virando-se e acenando em despedida para o cozinheiro chefe. — Ela nunca me disse nada.
— Pena — comentou Asterin.
Todos os servos abriram a boca de espanto para Elide quando ela saiu mancando, o questionamento em seus olhos dizendo a ela o suficiente: eles não tinham ouvido. Um pequeno alívio, então.
Deuses, oh, deuses. Bruxa – sangue de bruxa.
Elide tomou as escadas, cada movimento enviando dores através de sua perna. Era por isso que Vernon a mantinha acorrentada? Para impedi-la de voar se ela mostrasse um pingo de poder? Era por isso que as janelas da torre em Perranth possuíam barras?
Não. Não. Ela era humana. Totalmente humana.
Mas no exato momento que aquelas bruxas se reuniram, quando ela tinha ouvido os rumores sobre os demônios que queriam... Procriar. Vernon a levara até ali. E tornou-se muito, muito próximo do duque Perrington.
Ela rezou para Anneith a cada passo acima, orou à senhora das coisas sábias para que a terceira em comando estivesse errada. Não foi até que ela chegou ao pé da torre da Líder Alada que Elide percebeu que não tinha ideia de aonde estava indo.
Ela não tinha para onde ir. Ninguém para correr.
Os vagões de entrega não chegariam por mais algumas semanas. Vernon poderia entregá-la quando quisesse. Por que ele não fez isso imediatamente? O que estava esperando? Para ver o primeiro dos experimentos antes de oferecê-la como moeda de troca para obter mais poder?
Se ela fosse uma mercadoria tão valiosa, teria que ir mais longe do que suspeitara para escapar de Vernon. Não apenas para o continente sul, mas para terras de que nunca tinha ouvido falar. Mas sem dinheiro, como ela faria isso? Sem dinheiro – exceto pelos sacos de moedas que a Líder Alada tinha espalhados pelo quarto. Ela olhou para cima nas escadas que se estendem para a escuridão. Talvez ela pudesse usar o dinheiro para subornar alguém – um guarda, uma bruxa inferior para tirá-la dali. Imediatamente.
Seu tornozelo latiu de dor quando correu até a escada. Ela não levaria um saco inteiro, penas algumas moedas de cada um, para que a Líder Alada não notasse.
Felizmente, o quarto da bruxa estava vazio. E os vários sacos de moedas tinham sido deixados de fora com um descuido único que uma bruxa imortal mais interessada em derramamento de sangue poderia alcançar.
Elide pegou cuidadosamente as moedas e recheou o bolso, a faixa em torno de seus seios e seu sapatos, para que não fosse descoberto tudo de uma vez, de modo que não chacoalhassem.
— Você está fora de si?
Elide congelou.
Asterin estava encostada contra a parede, os braços cruzados.



A segunda imediata sorria, cada um dos afiados dentes de ferro brilhando na luz da tarde.
— Coisinha corajosa e louca — comentou a bruxa, circulando Elide. — Não é tão dócil quanto finge, hein? — Oh, deuses. — Para roubar nossa Líder Alada.
— Por favor — Elide sussurrou. Implorando, talvez isso fosse funcionar. — Por favor, eu preciso deixar este lugar.
— Por quê? — Um olhar sobre a bolsa de dinheiro apertada nas mãos de Elide.
— Ouvi o que eles estão fazendo com as Pernas Amarelas. Meu tio... Se eu tiver... Se eu tenho o seu sangue, não posso deixá-lo me usar.
— Executando uma fuga por causa de Vernon... Ao menos agora nós sabemos que você não é espiã dele, bruxa donzela. — A bruxa sorriu, e era quase tão terrível quanto um dos sorrisos de Manon.
Foi por isso que ela a emboscara com o conhecimento: para ver onde Elide corria depois.
— Não me chame assim — Elide sussurrou.
— É tão ruim ser uma bruxa? — Asterin espalhou seus dedos, apreciando as unhas de ferro sob a luz fraca.
— Eu não sou uma bruxa.
— O que você é, então?
— Nada, não sou ninguém. Eu não sou nada.
A bruxa estalou a língua.
— Todo mundo é algo. Mesmo a bruxa mais comum tem seu clã. Mas quem tem a sua lealdade, Elide Lochan?
— Ninguém. — Apenas Anneith, e Elide às vezes pensava mesmo que poderia ser só imaginação.
— Não existe tal coisa com uma bruxa sozinha.
— Eu não sou uma bruxa — disse ela novamente. E uma vez que ela fosse embora, uma vez que ela deixasse este império apodrecido, ela seria absolutamente ninguém.
— Não, ela certamente não é uma bruxa — Manon estalou da porta, os olhos de ouro frios. — Comece a falar. Agora.



Manon tivera um dia bastante cheio de merda, o que dizia alguma coisa, dado o século de sua existência.
O clã das Pernas Amarela tivera seu implante em uma câmara subterrânea da Torre, um cômodo esculpido na própria rocha da montanha. Manon respirara o cheiro da sala forrada de camas e caminhou de volta para fora novamente. As Pernas Amarelas não queriam que ela estivesse por lá, de qualquer maneira, enquanto elas eram cortadas por homens, enquanto aquele pedaço de pedra era costurado dentro delas. Não, uma Bico Negro não tinha lugar na sala onde Pernas Amarelas estavam vulneráveis, e ela provavelmente faria algo maléfico e letal com o resultado.
Então ela fora treinar, onde Sorrel chutara a sua bunda em um combate corpo-a-corpo. Em seguida, houve não uma, não duas, mas três brigas diferentes explodindo entre os vários clãs, incluindo as Sangue Azul, que estavam de algum modo animadas com os valg. Elas haviam começado com seus narizes quebrados por sugerirem a um clã Bico Negro que era seu dever divino não apenas aceitar a implantação, mas também ir mais longe e acasalar fisicamente com os valg.
Manon não culpava as Bico Negro por encerrarem a conversa. Mas ela teve que distribuir punição igual entre os dois grupos.
E então isso. Asterin e Elide em seu quarto, a menina de olhos arregalados e cheirando a terror, sua terceira em comando tentando converter a garota para suas fileiras.
— Comece a falar agora.
Temperamento – ela sabia que deveria controlá-lo, mas o quarto cheirava a medo humano, e este era o seu espaço.
Asterin entrou na frente da menina.
— Ela não é uma espiã de Vernon, Manon.
Manon fez a honra de ouvir quando Asterin lhe contou o que tinha acontecido. Quando ela terminou, Manon cruzou os braços. Elide estava agachada ao lado da porta da câmara de banho, o saco de moedas ainda em suas mãos.
— Onde é que a linhagem se perde? — Asterin perguntou calmamente.
Manon liberou os dentes.
— Os seres humanos são feitos para conter o ciclo de sangramento. Não está ajudando. Se ela tem sangue de bruxa, é uma gota. Não o suficiente para torná-la nossa — Manon caminhou para sua segunda imediata.— Você é uma das Treze. Tem deveres e obrigações, e ainda assim esta é a forma como gasta seu tempo?
Asterin se manteve firme.
— Você disse para ficar de olho nela, e eu o fiz. Cheguei ao fundo da questão. Ela é quase uma bruxa donzela. Quer que Vernon Lochan a leve para aquela câmara subterrânea? Ou até uma das outras montanhas?
— Eu não dou a mínima para o que Vernon faz com seus animais de estimação humanos. — Mas uma vez que as palavras saíram, elas soaram falsas.
— Eu a trouxe aqui para que você pudesse saber...
— Você a trouxe aqui como um incentivo para ganhar de volta a sua posição.
Elide ainda tentava o seu melhor para desaparecer através da parede.
Manon estalou os dedos na direção da garota.
— Vou escoltá-la de volta para seu quarto. Fique com o dinheiro, se quiser. Minha terceira em comando tem uma torre cheia de bosta de serpente alada para limpar.
— Manon — Asterin começou.
Líder Alada — Manon rosnou. — Quando você parar de agir como um mortal insignificante, pode voltar a tratar-me como Manon.
— E ainda assim você tolera uma serpente alada que cheira a flores e faz olhos de filhote de cachorro para esta menina.
Manon quase a atingiu – quase pulou em sua garganta. Mas a menina estava assistindo, ouvindo. Então Manon agarrou Elide pelo braço e puxou-a porta afora.



Elide manteve a boca fechada quando Manon levou-a para descer as escadas. Ela não perguntou como a Líder Alada sabia onde seu quarto ficava.
Ela se perguntou se Manon iria matá-la uma vez que elas estivessem lá.
Perguntou-se se ela imploraria e rastejaria por misericórdia quando chegasse o momento.
Mas depois de um tempo, a bruxa falou:
— Se você tentar subornar alguém aqui, eles simplesmente te entregariam. Guarde o dinheiro para quando fugir.
Elide escondeu o tremor nas mãos e acenou com a cabeça.
A bruxa lançou-lhe um olhar de soslaio, seus olhos dourados brilhando à luz das tochas.
— Para onde diabos você teria corrido, afinal? Não há nada dentro de cem milhas. A única maneira seria se tivesse a menor chance de entrar no... — Manon bufou. — Os vagões de abastecimento.
O coração de Elide afundou.
— Por favor, por favor, não conte a Vernon.
— Você não acha que se Vernon queria usá-la assim, ele o teria feito? E por que fazê-la trabalhar como serva?
— Eu não sei. Ele gosta de jogos. Poderia estar esperando que uma de vocês confirmasse o que sou.
Manon ficou em silêncio outra vez, até que dobraram uma esquina.
O estômago de Elide caiu a seus pés quando ela contemplou quem estava na frente de sua porta, como se ela o tivesse convocado pelo simples pensamento.
Vernon vestia sua habitual túnica verde vibrante de Terrasen, e suas sobrancelhas se levantaram com a visão de Manon e Elide.
— O que você está fazendo aqui? — Manon estalou, parando na frente de pequena porta de Elide.
Vernon sorriu.
— Visitando a minha querida sobrinha, é claro.
Embora Vernon fosse mais alto, Manon parecia olhar para baixo para ele, parecia maior do que ele quando manteve o aperto no braço de Elide.
— Por quê?
— Estava esperando para ver como vocês duas estavam se dando bem — seu tio ronronou. — Mas... — Ele olhou para a mão que Manon tinha no braço de Elide. E a porta para além delas. — Parece que eu não precisava ter me preocupado.
Demorou mais tempo para Elide pegá-lo do que Manon, que mostrou os dentes e disse:
— Eu não tenho o hábito de forçar os meus servos.
— Só abate homens como porcos, correto?
— Suas mortes equiparam-se ao seu comportamento em vida — Manon respondeu com uma espécie de calma que fez Elide perguntar se ela deveria começar a correr.
Vernon soltou uma risada baixa. Ele era tão diferente de seu pai, que tinha sido caloroso e bonito e de ombros largos – tinha trinta anos quando foi executado pelo rei. Seu tio assistira a execução e sorrira. E depois veio contar-lhe tudo sobre ele.
— Aliando-se com as bruxas? — Vernon perguntou a Elide. — Quão cruel você é.
Elide baixou os olhos para o chão.
— Não há nada para se aliar contra, tio.
— Talvez eu mantivesse também protegida por todos esses anos, se você acredita que é assim.
Manon inclinou a cabeça.
— Diga logo o que quer e vá embora.
— Cuidado, Líder Alada — obervou Vernon. — Você sabe exatamente onde termina o seu poder.
Manon deu de ombros.
— Eu também sei exatamente onde morder.
Vernon sorriu e mordeu o ar na frente dele. Sua diversão em si afinada em algo feio quando voltou-se para Elide.
— Eu queria dar uma olhada em você. Sei o quão difícil foi hoje.
Seu coração parou. Teria alguém lhe contado sobre a conversa na cozinha? Havia um espião na torre agora?
— Por que seria difícil para ela, humano? — O olhar de Manon era tão frio quanto ferro.
— Esta data é sempre difícil para a família Lochan — disse Vernon. — Cal Lochan, meu irmão, era um traidor, você sabe. Um líder rebelde durante os poucos meses após Terrasen ser herdado pelo rei. Mas ele foi pego como o resto deles e executado. Difícil para nós para amaldiçoar seu nome e ainda sentir a falta dele, não é, Elide?
Ele a atingiu como um golpe. Como ela tinha esquecido? Ela não dissera as orações, não implorara aos deuses para cuidar dele. Morte – o dia de seu pai, e ela o tinha esquecido, tão certo como o mundo se esquecera dela. Manteve a cabeça baixa não como um ato agora, mesmo com os olhos do Líder Alada sobre ela.
— Você é um verme inútil, Vernon — disse Manon. — Vá cuspir o seu absurdo em outro lugar.
— O que a sua avó diria — Vernon refletiu, enfiando as mãos nos bolsos — sobre tal... Comportamento?
O rosnado de Manon correu atrás dele quando ele passeou pelo corredor.
Manon abriu com força a porta de Elide, revelando um quarto apenas suficientemente grande para um berço e uma pilha de roupas.
Ela não tivera permissão para trazer quaisquer pertences, nenhuma das lembranças que Finnula escondera todos esses anos: a pequena boneca que sua mãe trouxera de volta a uma viagem ao sul do continente, o anel de sinete de seu pai, um pente de marfim de sua mãe – o primeiro presente que Cal Lochan dera a Marion, a lavadeira, enquanto a cortejava. Aparentemente, Marion Dentes de Ferro teria sido um nome melhor.
Manon fechou a porta com um pontapé.
Demasiado pequeno – o quarto era pequeno demais para duas pessoas, especialmente quando uma delas era antiga e dominava o espaço apenas por respirar. Elide caiu na cama, mesmo que apenas para colocar mais ar entre ela e Manon.
A Líder Alada olhou para ela por um longo momento, e então disse:
— Você pode escolher bruxa donzela. Azul ou vermelho.
— O quê?
— Será que o seu sangue corre azul ou vermelho? Você decide. Se ele for azul, sou eu que tenho jurisdição sobre você. Canalhas como Vernon não podem fazer nada quando contra a minha raça, não sem a minha autorização. Se o seu sangue for vermelho... Bem, eu particularmente não me preocupo com os seres humanos, e ver o que Vernon faz com que você pode ser divertido.
— Por que você ofereceria isso?
Manon deu-lhe um meio sorriso, mostrando todos os dentes de ferro sem remorso.
— Porque eu posso.
— Se o meu sangue correr... azul, não vai confirmar o que Vernon suspeita? Será que ele não vai agir?
— Um risco que você terá que tomar. Ele pode tentar agir e aprender onde isso o coloca.
Uma armadilha. E Elide era a isca. Se ela reivindicasse sua herança como uma bruxa e se Vernon a levasse para ser implantada, Manon teria motivos para matá-lo.
Ela tinha um sentimento de que Manon esperava por isso. Não era apenas um risco; era um risco estúpido e suicida.
Mas melhor do que nada.
As bruxas não baixavam os olhos para homem nenhum... Ela poderia até ir embora, talvez pudesse aprender uma coisa ou duas sobre o que era necessário para ter presas e garras. E como usá-las.
— Azul — ela sussurrou. — Meu sangue corre azul.
— Boa escolha, bruxa donzela — disse Manon, e a palavra era um desafio e uma ordem. Ela se virou, mas olhou por cima do ombro. — Bem-vinda as Bico Negro.
Bruxa donzela. Elide apenas a fitou. Ela provavelmente acabara de cometer o maior erro de sua vida, mas... Isso era estranho.
Estranho, esse sentimento de pertencer a algo.

7 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira29 de fevereiro de 2016 02:33

    Oh loko bicho

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  2. OMG!Agora que eu percebi que a Elide é filha da Lady Marion, a mulher que ajudou a Aelin a fugir quando a família dela foi assassinada. Em Herdeira do Fogo, Marion até fala pra Aelin dizer a Elide que a ama muito. Não fazia idéia que a Marion tinha sangue de bruxa!!! São tantas informações nos livros, que só agora percebi que a Elide tinha sido citada em Herdeira do Fogo

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  3. OMG!!! Simplesmente amei!! Tô de queixo caído até agora. A mulher que se sacrificou pra salvar a Aelin era bruxa... \O/ Vou demorar pra me recuperar dessa....

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  4. Eu soube disso alguns capítulos atraz mais enfim adorei ela decidindo reivindicar sua linhagem como bruxa.

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  5. Pêra fiquei meio perdida agora, a Elide em pensamento não tinha dito que mesmo se a linhagem de bruxa fosse de sua mãe, ela ainda assim tinha sangue vermelho, agora ela fala que tem sangue azul, será que ela fez isso pra irromper uma guerra, entre bruxas e humanos, ou eu li errado anteriormente, li na pressa e vi errado. Hmm Karina help me please?

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    1. Ela disse que tinha sangue azul pra Manon para que o seu tio não mandasse mais nela, assim ela deixa de ser uma escrava, e se torna uma protegida das Bico Negros pois la as bruxas donzelas (jovens) são extremamente respeitadas

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    2. A questão do sangue foi uma escolha. Ela tem descendência bruxa, então poderia ser, aos olhos das Dentes de Ferro, uma bruxa ou uma humana. Escolheu o sangue azul para ter a proteção delas... mudou de ideia para se proteger. Ou pelo menos fingiu mudar

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