28 de fevereiro de 2016

Capítulo 24

Chaol não sabia o que diabos pensar quando Aelin pulou no poço, aterrissando em suas pernas. Mas a multidão tinha visto para quem ela apontara e já estava em um frenesi, empurrando-se para frente, passando o ouro quando apostas de última hora eram feitas.
Ele teve que plantar seus calcanhares para não ser derrubado para o espaço aberto do poço. Não havia redes ou grades. Se você caísse, era jogo justo. Uma pequena parte dele estava feliz por Nesryn estar de vigia na parte de trás. E uma parte menor dele estava feliz por uma noite sem mais caças infrutíferas pelos novos ninhos valg. Mesmo que isso significasse lidar com Aelin durante algumas horas. Mesmo que Arobynn Hamel houvesse lhe dado este pequeno presente. Um presente que, ele odiava admitir, era dolorosamente necessário, mas ele gostou. Mas era, sem dúvida, como Arobynn armou.
Chaol se perguntou qual seria o preço. Ou se seu medo de um preço potencial era pagamento suficiente para o rei dos Assassinos.
Vestida da cabeça aos pés de preto, Aelin era uma sombra viva, caminhando como um gato selvagem em seu lado do poço, quando o comandante valg pulou. Ele poderia ter jurado que o chão estremeceu.
Ambos eram insanos – Aelin seu mestre. Arobynn lhe dissera para escolher qualquer um dos valg. Ela escolhera seu líder.
Eles quase não tinham se falado após o resgate de Aedion. Francamente, ela não merecia uma palavra dele, mas quando o encontrou uma hora atrás, interrompendo uma reunião que era tão secreta que eles divulgaram o local para os líderes rebeldes apenas uma hora antes, ele... Talvez fosse um tolo, mas não podia, em sã consciência, dizer não. Não só porque Aedion o teria matado por isso.
Mas desde que os valg estavam aqui... Sim, esta noite seria útil, depois de tudo.
O senhor do Poços começou a gritar as regras. Simplesmente não havia nenhuma, salvo o uso de lâminas. Apenas mãos, pés e inteligência.
Deuses a guardassem.
Aelin acalmou seu ritmo, e Chaol teve de dar uma cotovelada no estômago de um homem ansioso demais para evitar ser empurrado para o abismo.
A rainha de Terrasen estava em um poço de combate nas favelas de Forte da Fenda. Ninguém aqui, ele apostaria, acreditaria nisso. Ele mesmo mal podia acreditar.
O dono do Poços rugiu para a partida começar, e então eles se moveram.
O comandante se lançou com um soco tão rápido que a maioria dos homens teria sido acertado na cabeça e cairia. Mas Aelin se esquivou e pegou o braço dele com uma das mãos, travando-o em um aperto que ele sabia que era de quebrar os ossos.
Quando o rosto do comandante estava torcido com dor, ela ergueu seu joelho acertando a lateral da sua cabeça.
Foi tão rápida, tão brutal, até mesmo a multidão não sabia o que diabos tinha acontecido até que o comandante estava cambaleando para trás, e Aelin dançava na ponta dos pés.
O comandante riu, endireitando-se. Era a única pausa que Aelin deu a ele antes de partir para a ofensiva.
Movia-se como uma tempestade da meia-noite. Fosse qual fosse o treinamento que teve em Wendlyn, o que quer que o príncipe houvesse ensinado a ela... Deuses ajudassem a todos.
Soco após soco, bloqueios, estocadas, giros... A multidão era uma coisa que se contorcia, espumando pela boca por sua rapidez, pela habilidade.
Chaol já a tinha visto matar. Tinha se passado um tempo desde que viu uma luta para o prazer dela.
E ela estava curtindo como o inferno aquilo.
Um adversário digno dela, ele supôs quando ela trancou suas pernas ao redor da cabeça do comandante e rolou, lançando-o.
Areia se erguia em torno deles. Ela acabou m cima, dirigindo o punho para baixo no rosto frio do suposto homem.
Apenas para ser arremessada longe com um toque tão rápido que Chaol dificilmente pôde seguir o movimento. Aelin acertou a areia ensanguentada e rolou para ficar de pé, assim como o comandante atacou mais uma vez. Em seguida, eles eram novamente um borrão de membros e golpes e escuridão.
Do outro lado do buraco, Arobynn estava de olhos bem abertos, sorrindo, um homem faminto diante de um banquete. Lysandra agarrou-se a seu lado, os nós dos dedos brancos quando ela agarrou seu braço. Homens sussurravam no ouvido de Arobynn, seus olhos presos no poço, tão famintos quanto Arobynn. Ou os proprietários do Poços ou potenciais clientes, a negociação para o uso da mulher brigando com tanta ira selvagem e prazer perverso.
Aelin acertou um chute no estômago do comandante que o enviou contra a parede de rocha. Ele caiu, ofegando por ar. A multidão aplaudiu e Aelin estendeu os braços, girando em um círculo lento e triunfante como a Morte.
O rugido da multidão respondeu ao feito e Chaol soube que o teto iria desabar.
O comandante se arremessou para ela, e Aelin girou, pegando-o e travando seus braços e pescoço em um aperto que não seria facilmente quebrado. Ela olhou para Arobynn, como se fosse uma questão.
Seu mestre olhou para os homens vorazes de olhos arregalados ao seu lado dele, em seguida, acenou para ela.
O estômago de Chaol se revirou. Arobynn tinha visto o suficiente. Era o suficiente.
Aquela não fora uma luta justa. Aelin participara dela porque Arobynn queria que ela participasse. E uma vez que ela derrubasse a torre do relógio e sua magia voltasse... O que ficaria contra ela?
Contra Aedion e o príncipe feérico dela, e todos os guerreiros como eles? Um mundo novo, sim. Mas um mundo no qual a voz humana comum não seria nada mais do que um sussurro.
Aelin torceu os braços do comandante, e o demônio gritou de dor, e então...
Então Aelin foi cambaleando para trás, agarrando seu antebraço, sangue brilhando através do fragmento em seu traje.
Foi só quando o comandante girou, sangue deslizando pelo queixo, seus olhos completamente escuros, que Chaol compreendeu. Ele a tinha mordido. Chaol assobiou por entre os dentes.
O comandante lambeu os lábios, seu sorriso crescendo com o sangue. Mesmo com a multidão, Chaol pôde ouvir o demônio valg dizer:
— Eu sei o que você é agora, cadela mestiça.
Aelin baixou a mão que estava em seu braço, o sangue brilhando em sua luva escura.
— Então é bom que eu também saiba o que você é.
Acabar com aquilo. Ela tinha que acabar com isso agora.
— Qual o seu nome? — ela perguntou, circulando o comandante demônio.
O demônio dentro do corpo do homem riu.
— Você não pode pronunciá-lo em sua língua humana — a voz deslizou por sob as veias de Chaol, congelando-as.
— Tão condescendente para um mero grunhido — ela sussurrou.
— Eu deveria levá-la para Morath, mestiça, e ver o quanto você fala então. Para que você veja todas as coisas deliciosas que fazemos para os do seu tipo.
Fortaleza de Morath – o duque Perrington. O estômago de Chaol virou chumbo. Era para lá que estavam levando os prisioneiros que não eram executados. Os que desapareceram na noite. Para fazer os deuses sabiam o quê com eles.
Aelin não lhe deu tempo para dizer algo mais, e Chaol desejou novamente que ele pudesse ver seu rosto, só para saber o que diabos estava acontecendo em sua cabeça quando ela abordou o comandante. Ela desceu com o peso considerável na areia e agarrou sua cabeça.
crack foi do pescoço do comandante.
As mãos continuando de cada lado do rosto do demônio, Aelin encarou os olhos vazios, a boca aberta. A multidão gritou seu triunfo.
Aelin ofegava, seus ombros curvados, e então ela se endireitou, espanando a areia dos joelhos de seu traje.
Ela olhou para o senhor do Poços.
— Anuncie.
O homem empalideceu.
— A vitória é sua.
Ela não se incomodou em olhar para cima novamente quando bateu sua bota contra a parede de pedra, libertando uma lâmina fina horrível.
Chaol estava grato pelos gritos da multidão quando ela a fincou através do pescoço do comandante. Mais uma vez. E de novo.
Na iluminação fraca, ninguém mais poderia dizer que a mancha na areia não era da cor certa.
Ninguém, mas os demônios com cara de pedra se reuniram em torno deles, marcando Aelin, observando cada movimento de sua perna enquanto ela separava a cabeça do comandante de seu corpo e, em seguida, a atirava na areia.



Os braços de Aelin tremiam quando ela pegou a mão de Arobynn e foi erguida para fora do poço.
Seu mestre esmagou os dedos em um aperto letal, puxando-a para perto no que qualquer um teria pensado ser um abraço.
— Por duas vezes agora, querida, você não me entregou. Eu disse inconsciente.
— Sede de sangue tem o melhor de mim, parece. — Ela aliviou seu braço esquerdo dolorido da mordida que a coisa maldita lhe tinha dado. Desgraçado. Ela quase podia sentir o sangue escorrer através do couro grosso de sua bota, sentir o peso da nesga agarrando o dedo do pé.
— Espero os resultados, Ansel, e logo.
— Não se preocupe mestre. — Chaol azia o seu caminho em direção a um canto escuro, Nesryn uma sombra atrás dele, sem dúvida preparada para acompanhar os valg uma vez que eles se fossem. — Você receberá o pagamento da dívida.
Aelin olhou para Lysandra, cuja atenção não estava no cadáver que estava sendo transportado para fora do poço pelos grunhidos, mas fixa predatória com foco os outros guardas valgs esgueirando-se.
Aelin limpou a garganta, e Lysandra piscou sua expressão suavizando em desconforto e repulsa.
Aelin já ia escorregar para fora, mas Arobynn perguntou:
— Você não está nem um pouco curiosa para saber onde nós enterramos Sam? — ele sabia que suas palavras seriam registradas como um golpe. Ele tinha a mão superior, o tiro certo, o tempo todo.
Até mesmo Lysandra recuou um pouco.
Aelin virou-se lentamente.
— Existe um preço para obter essa informação?
Um movimento na direção do Poços.
— Você já pagou por isso.
— Eu não poderia acreditar que você não me daria uma localização falsa e me faria levar pedras para um túmulo errado. — Não flores, nunca flores em Terrasen. Em vez disso, eles levavam pequenas pedras para os túmulos, marcando suas visitas, para falar aos mortos que eles ainda se lembravam.
Pedras eram eternas – flores não.
— Você me confunde com tais acusações. — O rosto elegante de Arobynn contava outra história. Ele diminuiu a distância entre eles, e falou tão baixinho que mesmo Lysandra não podia ouvir, — Você acha que não terá que pagar em algum momento?
Ela mostrou os dentes.
— Isso é uma ameaça?
— É uma sugestão — ele respondeu suavemente — que você se lembre do quanto minhas influências são consideráveis e o que eu poderia oferecer-lhe nesse momento quando você está desesperada por tantas coisas: dinheiro, lutadores... — um olhar pairou sobre o capitão e Nesryn. — Coisas que seus amigos precisam, também.
Por um preço – sempre por um preço.
— Apenas me diga onde você enterrou Sam e me deixe sair. Preciso limpar meus sapatos.
Ele sorriu satisfeito porque ganhou e ela aceitou sua pequena “oferta”, sem dúvida, em breve para fazer outro negócio, e depois outro, pelo tempo que ela precisava dele. Ele nomeou o local, um pequeno cemitério à beira do rio. Não nas criptas que guardavam os Assassinos, onde a maioria deles era sepultada. Provavelmente um planejado insulto a Sam – não  percebendo que Sam não queria ser enterrado nas criptas, de qualquer maneira.
Ainda assim, ela cuspiu um “Obrigada” e se obrigou a virar para Lysandra, com a voz arrastada:
— Espero que ele esteja pagando o suficiente.
A atenção de Lysandra, no entanto, estava na longa cicatriz que estragava o pescoço de Arobynn – a cicatriz que Wesley tinha deixado.
Mas Arobynn estava ocupado demais sorrindo para Aelin para notar.
— Nós nos veremos novamente em breve — ele disse. Outra ameaça. — Espero que quando isso acontecer, você já tenha feito a sua parte no trato.
Os homens de rosto duro que estiveram ao lado de Arobynn durante a luta ainda permaneciam a alguns metros de distância. Os proprietários do Poços. Deram-lhe um leve aceno de cabeça que ela não devolveu.
— Diga a seus novos parceiros que estou oficialmente aposentada — ela falou como despedida.
Foi um esforço de vontade deixar Lysandra com ele naquele inferno.
Ela podia sentir as sentinelas valg a monitorando, sentir a sua indecisão e malícia, e esperava que Chaol e Nesryn não tivessem problemas quando ela desapareceu no ar fresco da noite.
Ela não pedira que eles fossem apenas para vê-la retornar, mas para fazê-los perceber com precisão o quão estúpidos foram em confiar em um homem como Arobynn Hamel. Mesmo que o presente de Arobynn fosse a razão pela qual eles eram agora capazes de acompanhar o valg de volta para onde quer que eles estivessem escondidos.
Ela só esperava que, apesar de presente de seu antigo mestre, eles finalmente entendessem que ela deveria ter matado Dorian naquele dia.

16 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira29 de fevereiro de 2016 02:17

    Esse livro está com tretas infinitas, que feliiiiiiiiiiiiz, Aelin muito massa, assim como Celaena, já que ela fala que são duas pessoas diferentes.Amo todo mundo, tirando o nome da Evangeline pq em outro livro a Evangeline é uma desgraça do Inferno

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    1. A rainha vermelha ne .Mas eu adoro esse nome sério .

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    1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira19 de outubro de 2016 18:56

      Curti o seu nome viu
      Mano, quando a gente usa "viu" no final de frase, coloca "," ou não?
      Sempre fico na duvida

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  3. So nao gosto dessa facilidade que ela tem em matar Dorian , achei que era amigo dela que faria de tudo pra liberta-lo , mais ela nem se importa

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  4. Não tô gostando do que o Chaol tá falando sobre a Aelin/Celeana que os humanos não terão mais lugar no mundo que ela está construindo... bllablabla, parece que ele vai tentar matar ela

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  5. Ela se importa sim, por isso quer matar ele, eu nem falaria matar, diria que ela quer salvar ele. Sério, ele ta sendo controlado por um demônio e mesmo assim ainda tem consciência, ta sendo torturado psicologicamente todo santo dia, sendo obrigado a fazer coisa que não quer.
    Num dos caps passados ele mesmo falou que se sentiu aliviado quando Aelim tentou matar ele, como ainda pensam que ela não gosta dele? Tbm quero que ele volte ao normal, mas não sabem como e deixar ele desse jeito parece mais cruel do que tentar matar ele..

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  6. Concordo com vc isabela e espero que o chaol pare de ser chato agora morre de amores pelo Dorian mas quando a celaena se transformou no portal ele teve repulsa dela não entendo ele .

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  7. O Chaol tem uma visão bem preconceituosa dos feéricos que só querem justiça por tudo que o rei fez, assim como ele

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  8. Eu não achei os feéricos tão bonzinhos assim e acho que a Aelin ta sim passando uma impressão estranha. Não sei... uma grande parte de mim entende o Chaol e esse receio dele em relação a Rainha. Ele não viu o general e como ele desejou a morte, porém a Aelin ta tão focada no povo dela e nos objetivos dela que não entende o que o príncipe significa pro Cap e para o futuro do Reino. Ela poderia se esforçar um pouco mais em tentar descobrir como salvar-lo e não só ficar boladona por não ter esfolado o coitado. Aelin esqueceu deles durante a viagem. :/

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    1. Concordo, aposto que se fosse a Nehemia no lugar do Dorian ela pensaria diferente.

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  9. Chaol fala como se Aelin não se importasse com os humanos, principalmente quando for recuperar seu trono. Mas ela sofreu pelo seu povo ter sido massacrado e todos mortos em Endovier e Calaculla, ninguém ali foram guerreiros ou com algum tipo de poder, mas ela odeia a impunidade que o povo sofre na mão do rei de Adarlan como ela também odeia a maneira como a rainha Maeve trata os semi-feericos, como inferiores. Então Chaol não a conhece, não a amou de verdade, pq nunca a conheceu de verdade. Amou a Celaena que ele próprio inventou e agora novamente está inventando uma Aelin ruim que não existe. Quando que o personagem vai voltar à ser legal, pelamor?? Desisti. Tá um porre. KK

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    1. A autora é meio estranha. No final da Coroa da Meia Noite quando o Chaol vê a forma feérica da Aelin, ele mesmo diz:
      "Feérica, assassina, não importa o que você seja, eu..." e depois "Amo você".
      Agora vem essa dele amar só uma parte dela?
      Não gosto desse lenga-lenga. Eles mudam de pensamento e personalidade toda hora.

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  10. Sam </3
    Dentre o Dorian e o Rowan n sei quem prefiro. Se o Dorian casasse com a Celaena podiam juntar os reinos.
    Se a Celaena casasse com o Rowan governariam juntos só as pessoas do mundo féerico.

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