28 de fevereiro de 2016

Capítulo 23

Aedion voltou à consciência e absorveu cada detalhe que podia sem abrir os olhos. Uma brisa salgada vinha de uma janela próxima aberta, fazendo cócegas em seu rosto; pescadores gritavam as suas capturas a poucos quarteirões de distância; e... e alguém respirava uniforme e profundamente nas proximidades. Adormecido.
Ele abriu um olho para descobrir que estava em um pequeno cômodo com painéis de madeira, decorado com cuidado e uma propensão para o luxo. Ele sabia de quem era este quarto. Sabia de quem era este apartamento.
A porta do outro lado de sua cama estava aberta, revelando a grande sala além, limpa, vazia e banhada pelo sol. Os lençóis em que dormia, as roupas de seda, os luxuosos travesseiros, o colchão incrivelmente macio. Exaustão revestia seus ossos e dor atravessava sua lateral, nas costelas, como devia. E a sua cabeça estava infinitamente mais clara quando ele olhou na direção da fonte da respiração profunda e viu a mulher dormindo na poltrona de cor creme ao lado da cama.
Suas longas pernas nuas estavam espalhadas sobre um dos apoios de braço laminados, cicatrizes de todas as formas e tamanhos adornando-as. Ela descansava a cabeça contra o encosto, o cabelo dourado batendo na altura dos ombros – as pontas manchadas de marrom avermelhado, como se um corante barato tivesse sido lavado às pressas – espalhado por seu rosto. Sua boca estava ligeiramente aberta enquanto ela cochilava, confortável em uma camisa branca de grandes dimensões e que parecia ser um par de cuecas dos homens. Segura. Viva.
Por um momento, ele não conseguiu respirar.
Aelin.
Ele murmurou o nome dela.
Como se tivesse ouvido, ela abriu os olhos – ficando totalmente alerta enquanto examinava a porta, o cômodo mais além, então o quarto em si em busca de qualquer perigo. E então, finalmente, ela olhou para ele e ficou completamente imóvel, mesmo que seu cabelo tivesse balançado na brisa suave.
O travesseiro sob seu rosto tornou-se úmido.
Ela só esticou as pernas, como um gato e disse:
— Estou pronta para aceitar seus agradecimentos pelo meu resgate espetacular a qualquer momento, sabe.
Ele não conseguia parar as lágrimas escorrendo por seu rosto, mesmo quando murmurou:
— Lembre-me de nunca ficar do lado oposto ao seu.
Um sorriso surgiu em seus lábios, e os olhos – os olhos iguais aos dele – brilharam.
— Olá, Aedion.
Ao ouvir seu nome sendo pronunciado pela língua dela, algo soltou-se dentro de si, e ele teve que fechar os olhos, seu corpo gritando de dor quando ele sacudiu com a força das lágrimas tentando sair dele. Quando ele se dominou, disse com a voz rouca:
— Obrigado por seu resgate espetacular. Mas não vamos repetir nunca mais.
Ela bufou, seus olhos alinhados com a prata.
— Você é exatamente como eu sonhei que seria.
Alguma coisa em seu sorriso lhe disse que Ren ou Chaol lhe contaram sobre ele, sobre ser a Puta de Adarlan, sobre a perdição, ela já sabia... Então, tudo o que podia dizer era:
— Você é um pouco mais alta do que eu imaginava, mas ninguém é perfeito.
— É um milagre o rei ter conseguido resistir, ter feito a execução só ontem.
— Diga-me que ele está com uma raiva que nunca foi vista antes.
— Se você ouvir o suficiente, pode realmente ouvi-lo gritando do palácio.
Aedion riu, e isso fez sua ferida doer. Mas a risada morreu quando ele olhou-a da cabeça aos pés.
— Vou estrangular Ren e o capitão por deixarem você me salvar sozinha.
— E aqui vamos nós. — Ela olhou para o teto e suspirou alto. — Um minuto de conversa agradável, e, em seguida, a baboseira feérica territorial surge em sua fúria.
— Eu esperei trinta segundos a mais.
Sua boca se curvou para o lado.
— Eu honestamente pensei que não duraria dez.
Ele riu novamente, e percebeu que se a amara antes, ele simplesmente amou a memória da princesa tirada dele. Mas a mulher, a rainha – o último pingo de família que ele tinha...
— Valeu a pena — disse ele, o sorriso desaparecendo. — Você valeu a pena. Todos esses anos, toda a espera. Você vale a pena.
Ele sabia no momento em que ela olhara para ele diante de seu tablado de execução que ela era desafiadora e má e selvagem.
— Acho que a cura, o tônico, é falar — ela observou, mas sua garganta tremia enquanto enxugava os olhos. Ela baixou os pés no chão. — Chaol disse que você é até pior do que eu sou a maior parte do tempo.
— Chaol já está a caminho de ser estrangulado, e você não está ajudando.
Ela deu aquele meio sorriso novamente.
— Ren está no Norte... Eu não cheguei a vê-lo antes de Chaol convencê-lo a ir para lá para sua própria segurança.
— Bom — ele conseguiu dizer, e deu um tapinha na cama ao seu lado. Alguém lhe tinha enfiado em uma camisa limpa, por isso ele estava decente o suficiente, mas ele conseguiu transportar-se a meio caminho em uma posição sentada. — Venha aqui.
Ela olhou para a cama, para seu lado, e ele se perguntou se cruzara alguma linha, assumido algum vínculo entre eles que já não existia, até os ombros baixarem e ela sair da poltrona em um movimento suave, felino antes de cair, sobre o colchão.
O cheiro dela acertou-lhe. Por um segundo, ele só podia respirar profundamente em seus pulmões, seus instintos feéricos rugindo que esta era a sua família, esta era a sua rainha, esta era Aelin. Ele a teria reconhecido mesmo que fosse cego.
Mesmo que houvesse outro perfume entrelaçado com o dela. Incrivelmente poderoso e antigo – e masculino. Interessante.
Ela se enrolou nos travesseiros, e ele se perguntou se ela sabia o quanto significava para ele, como um macho semifeérico, tê-la inclinando-se para endireitar os cobertores, em seguida, lançando-lhe um afiado olhar crítico pelo seu rosto. Para mexer com ele.
Ele olhou de volta, procurando as feridas, qualquer sinal de que o sangue no outro dia não tinha pertencera apenas aos homens. Mas exceto por alguns cortes rasos em seu antebraço esquerdo, ela estava ilesa.
Quando ela parecia segura de que ele não estava prestes a morrer, e quando ele teve certeza de que as feridas no braço dela não estava infectadas, ela recostou-se nos travesseiros e cruzou as mãos sobre o abdômen.
— Você quer ir primeiro, ou eu deveria?
Lá fora, as gaivotas estavam gritando umas pelas outras, e a brisa suave, salgada, beijou-lhe a face.
— Você — ele sussurrou. — Conte-me tudo.
Então ela o fez.



Eles falaram e falaram, até que a voz de Aedion tornou-se rouca e, em seguida Aelin o intimidou para beber um copo de água. E então ela decidiu que ele estava olhando demais para a cozinha, então foi até lá e buscou um pouco de caldo de carne e pão. Lysandra, Chaol e Nesryn estavam longe de ser vistos então eles tiveram o apartamento para si. Bom. Aelin não queria compartilhar seu primo agora.
Quando Aedion devorou a comida, ele contou a verdade integral sobre o que havia acontecido com ele nestes últimos dez anos, assim como ela fizera. E quando ambos tinham acabado de contar suas histórias, quando suas almas estavam drenadas pelo luto – mas douradas com crescente alegria – ela se aninhou em frente a Aedion, seu primo, seu amigo.
Eles haviam sido forjados do mesmo minério, dois lados do mesmo ouro, moedas e cicatrizes.
Ela sabia quando olhou para cima da plataforma de execução. Ela não conseguia explicar. Ninguém conseguia entender essa ligação instantânea, a garantia e retidão de alma profunda, a menos que, também, a tivesse experimentado. Mas ela não devia nenhuma explicação a ninguém – não sobre Aedion.
Eles ainda estavam deitados na cama, o sol agora se pondo no fim da tarde, e Aedion apenas a fitava, piscando, como se não pudesse acreditar.
— Você tem vergonha pelo o que eu fiz? — ela ousou perguntar.
Sua testa franziu.
— Por que você pensaria isso?
Ela não conseguia olhar nos olhos dele enquanto corria um dedo pelo cobertor.
— Você tem?
Aedion ficou em silêncio por tanto tempo que ela levantou a cabeça, mas o encontrou olhando para a porta, como se pudesse ver através dela, do outro lado da cidade, para o capitão. Quando ele se virou para ela, seu rosto bonito estava aberto – suave de uma forma que duvidava já ter visto.
— Nunca. Eu nunca poderia ter vergonha de você.
Ela duvidava, e quando desviou o olhar, ele gentilmente agarrou seu queixo, forçando-a a encará-lo.
— Você sobreviveu... Eu sobrevivi. Estamos juntos novamente, e um dia eu implorei aos deuses que me permitissem vê-la, mesmo que apenas por um momento, para vê-la e saber o que você tinha feito, apenas uma vez... Era tudo que eu sempre esperei.
Ela não conseguia impedir as lágrimas que começaram a escorregar por seu rosto.
— Tudo o que teve de fazer para sobreviver, o que fez por despeito ou raiva ou egoísmo... Eu não dou a mínima. Você está aqui e você é perfeita. Sempre foi, e sempre será.
Ela não tinha percebido o quanto precisava ouvir isso.
Jogou os braços ao redor dele, tomando cuidado por seus ferimentos, e apertou-o tão firmemente quanto ousou. Ele passou um braço ao redor dela, o outro os apoiando, e enterrou o rosto em seu pescoço.
— Senti sua falta — ela sussurrou para ele, respirando seu cheiro, o perfume de guerreiro masculino que ela apenas estava aprendendo, lembrando-se. — Todos os dias, eu senti sua falta.
Sua pele ficou úmida abaixo do rosto dele.
— Nunca mais — ele prometeu.



Não foi realmente nenhuma surpresa que após Aelin ter destruído o Cofres, um novo labirinto de pecado e devassidão imediatamente surgira nas favelas.
Os proprietários nem tentaram fingir que não era uma imitação completa do original, não com um nome como Poços. Mas, enquanto seu antecessor tinha, pelo menos, uma atmosfera semelhante a uma taberna, o Poços não se incomodou com isso. Em uma câmara subterrânea escavada de pedra bruta, o álcool era pago pelo preço da sua cobertura – se você quisesse beber, teria que procurar os barris nos fundos e servir-se.
Aelin encontrou-se pouco inclinada a gostar dos proprietários: eles operavam por um conjunto diferente de regras.
Mas algumas coisas permaneciam as mesmas.
Os pisos eram escorregadios e cheiravam a cerveja, urina e coisa pior, mas Aelin previra isso. O que ela não esperava, exatamente, era o barulho ensurdecedor. As paredes próximas de pedra ampliavam os aplausos selvagens dos poços de luta que mais tarde renderam o nome do lugar, onde os espectadores apostavam nas lutas abaixo.
Lutas como a que ela estava prestes a participar.
Ao lado dela, Chaol, encapuzado e mascarado, mudou o peso em seus pés.
— Esta é uma ideia terrível — ele murmurou.
— Você disse que não conseguiu encontrar os ninhos valgs, de qualquer maneira —, disse ela com igual tranquilidade, colocando uma mecha solta de seu cabelo vermelho tingido, mais uma vez, sobre seu capô. — Bem, aqui estão alguns comandantes encantadores e asseclas, apenas esperando por você para controlá-los
para casa. Considere a forma de um pedido de desculpas do Arobynn. — Porque ele sabia que iria trazer Chaol com ela esta noite. Ela adivinhou tanto, não debatendo trazendo o capitão, mas no final ela precisava dele aqui, precisava estar aqui sozinha, mais do que ela precisava para derrubar os planos de Arobynn.
Chaol cortou um olhar em sua direção, mas então voltou sua atenção para a multidão ao seu redor, e disse novamente:
—Esta é uma ideia terrível.
Ela seguiu seu olhar em direção a Arobynn, que estava do outro lado do poço de areia em que dois homens lutavam, agora tão ensanguentados que ela não podia dizer quem estava em pior forma.
— Ele convoca, eu respondo. Apenas mantenha seus olhos abertos.
Era o máximo que eles falaram um com o outro durante toda a noite. Mas ela tinha outras coisas para se preocupar. Levou apenas um minuto neste lugar para entender por que Arobynn a tinha convocado.
Os guardas valg estavam reunidos no Poços – não para prender e torturar, mas para assistir. Eles estavam intercalados entre a multidão, com capuzes, sorrindo e frios.
Como se o sangue e raiva os alimentasse.
Por baixo de sua máscara preta, Aelin focava em sua respiração.
Três dias depois de seu resgate, Aedion ainda estava ferido o suficiente para permanecer acamado, um dos rebeldes de maior confiança de Chaol vigiando o apartamento. Mas ela precisava de alguém em sua retaguarda esta noite, então pediu que Chaol e Nesryn viessem. Mesmo sabendo que ela jogaria nos planos de Arobynn.
Ela acompanhou-os ao subterrâneo em uma reunião secreta dos rebeldes, para deleite de ninguém.
Especialmente quando, aparentemente, os valg desapareceram com suas vítimas e não puderam ser encontrados, apesar dos dias seguindo-os. Um olhar para os lábios franzidos de Chaol lhe dissera exatamente quem ele acreditava ser o culpado por isso. Então ela ficou feliz em falar com Nesryn em vez dele, apenas para deixar sua mente focar na nova tarefa pressionando sobre ela, a badalada que agora era um som zombaria do castelo de vidro. Mas destruir o relógio da torre – libertar a magia – podia esperar.
Pelo menos ela tinha certeza sobre Arobynn querer Chaol aqui, os valg claramente eram uma oferta significante para seduzir o capitão a continuar confiando nele.
Aelin sentiu a chegada de Arobynn momentos antes de seu cabelo vermelho deslizar em sua visão periférica.
— Algum plano para destruir este estabelecimento também?
Uma cabeça escura apareceu no outro lado dele, junto com os olhares arregalados de homens que seguiram por toda parte. Aelin era grata pela máscara que escondia a tensão em seu rosto quando Lysandra inclinou a cabeça em saudação. Aelin fez uma boa atuação ao olhar Lysandra de cima a baixo, e, em seguida, virou-se para Arobynn, descartando a cortesã como se ela não fosse mais do que um pouco de ornamentação.
— Eu apenas limpei o terreno — Aelin respondeu a Arobynn. — Destruir esse buraco de merda só estragaria tudo de novo.
Arobynn riu.
— Caso esteja pensando, certa dançarina celebrada foi em um navio para o sul com todas as suas garotas antes mesmo das suas aventuras chegarem às docas. — O rugido da multidão quase abafou suas palavras.
Lysandra franziu a testa para um folião que quase derramou sua cerveja sobre a saia de seu vestido verde hortelã e creme.
— Obrigado — respondeu Aelin, e quis dizer isso. Ela não traria o pequeno jogo de Arobynn com ela, pondo Chaol uns contra os outros, não quando isso era exatamente o que ele queria. Arobynn deu-lhe um sorriso de satisfação suficiente para fazê-la perguntar: — Existe uma razão especial para que os meus serviços sejam necessários aqui esta noite, ou este é outro presente seu?
— Depois de você tão alegremente ter destruído o Cofres, agora está no mercado um novo investimento. Os donos do Poços, apesar de ser de conhecimento público que queiram um investidor, estão hesitantes em aceitar a minha oferta. Sua participação esta noite pularia um longo caminho para convencê-los de meus bens consideráveis e... o que eu poderia trazer para a mesa. — E fazer uma ameaça para os proprietários, para mostrar o seu arsenal mortal de assassinos e mostrar em que eles poderiam a transformar até mesmo o maior lucro com brigas fixas contra assassinos treinados. Ela sabia exatamente o que iria dizer em seguida. — E então, meu lutador foi completamente nocauteado — Arobynn continuou. — E eu precisava de um substituto.
— E quem sou como lutadora, exatamente?
— Eu disse aos proprietários você foi treinada pelos Assassinos Silenciosos no deserto Vermelho. Você se lembra deles, não é? Dê ao Poços qualquer nome que você quiser.
Era uma alfinetada. Ela nunca esqueceu aqueles meses no deserto Vermelho. Ou quem a tinha enviado lá.
Ela empurrou o queixo para Lysandra.
— Você não é um pouco exigente para este tipo de lugar?
— E aqui estava eu pensando que você e Lysandra se tornaram amigas depois de seu resgate dramático.
— Arobynn, vamos assistir em outro lugar — Lysandra murmurou. — A luta está terminando.
Ela se perguntou como era ter de suportar o homem que matara seu amante. Mas o rosto de Lysandra era uma máscara de preocupação, cautelosa, estúpida – outra pele que ela usava preguiçosamente, braços segurando um leque de rendas e marfim. Tão fora de lugar nesse buraco.
— Bonito, não é? Arobynn me deu — falou Lysandra, notando-lhe a atenção.
— Uma pequena lembrança para uma senhorita tremendamente talentosa — disse Arobynn, inclinando-se para beijar o pescoço nu de Lysandra.
Aelin sufocou seu desgosto com tanta força que quase engasgou.
Arobynn passeou para longe no meio da multidão como uma cobra através da grama, chamando a atenção do gracioso senhor do Poços. Quando estava embrenhado o suficiente na multidão, Aelin aproximou-se de Lysandra. A cortesã desviou o olhar dela, e Aelin sabia que não era uma rejeição.
Tão baixinho que ninguém podia ouvir, Aelin disse:
— Obrigada pelo outro dia.
Lysandra manteve os olhos sobre a multidão e os lutadores ensanguentados em torno deles. Eles se moveram para os valg, e ela rapidamente olhou para Aelin novamente, movendo-se de modo que a multidão formou uma parede entre ela e os demônios por todo o Poços.
— Ele está bem?
— Sim, apenas descansando e comendo o máximo que pode — respondeu Aelin. E agora que Aedion estava seguro... Ela logo teria de começar a cumprir seu pequeno favor para Arobynn. Embora duvidasse que seu antigo mestre tivesse muito tempo de vida, uma vez que Aedion se recuperasse e descobrisse em que tipo de perigo Arobynn estava colocando-a. Ainda mais quando soubesse o que ele fizera com ela ao longo dos anos.
— Bom — disse Lysandra, a multidão mantendo-as escondidas.
Arobynn deu uma batidinha no ombro do dono do Poços e caminhou de volta na direção delas. Aelin bateu o pé até que o rei dos Assassinos estava entre eles novamente.
Chaol sutilmente moveu-se ao alcance da voz, uma mão na espada.
Aelin apenas apoiou as mãos nos quadris.
— Quem deve ser o meu adversário?
Arobynn inclinou a cabeça para alguns homens dos guardas valg.
— Qualquer um deles que você desejar. Só espero que você escolha um em menos tempo do que levou para decidir qual deles vai me entregar.
Então era disso que se tratava. Quem tinha a mão superior. E se ela se recusasse com a dívida não paga... Ele poderia fazer pior. Muito pior.
— Você está louco — disse Chaol para Arobynn, seguindo sua linha de visão.
— Então ele fala, — Arobynn ronronou. — De nada, aliás, pela pequena dica.
Ele lançou seu olhar em direção ao valgs recolhidos. Então, eles eram um presente para o capitão.
Chaol o encarou fixamente.
— Eu não preciso de você para fazer o meu trabalho...
— Fique fora disso — Aelin estalou, esperando que Chaol entendesse que a ira não era para ele. Ele se voltou para a areia salpicada de sangue, balançando a cabeça. Que ele ficasse furioso; ela tinha muita raiva por ele de qualquer maneira.
A multidão diminuiu a gritaria, e o senhor do Poços chamou a próxima luta.
— É você — disse Arobynn, sorrindo. — Vamos ver o que essas coisas são capazes de fazer.
Lysandra apertou seu braço, como se pedindo para ele deixá-la ir.
— Eu me manteria para trás — Aelin observou, estralando o pescoço. — Você não gostaria de ter sangue em seu vestido bonito.
Arobynn riu.
— Faça um bom show, sim? Quero que os proprietários se impressionem e se urinem.
Oh, ela faria um show. Depois de dias enfiada no apartamento ao lado de Aedion, ela tinha energia de sobra.
E não se importava em derramar um pouco de sangue valg.
Ela se empurrou através da multidão, sem se atrever a chamar mais atenção para Chaol dizendo adeus.
Pessoas deram uma olhada nela e recuaram. Com o traje, as botas e a máscara, ela sabia que estava encarnado a Morte.
Aelin incorporou em uma bravata, seus quadris mudando a cada passo, revirando os ombros, como se os soltando. A multidão ficou maior, mais inquieta.
Ela aproximou-se do senhor do Poços, que a olhou e disse:
— Nenhuma arma.
Ela simplesmente inclinou a cabeça e levantou os braços, girando em círculo e até mesmo permitindo que o assecla do senhor do Poços a revistasse com as mãos suadas para provar que ela estava desarmada.
Na medida em que ele poderia dizer.
— Nome — ele exigiu. Em torno dela, o ouro já estava trocando de mãos.
— Ansel de Briarcliff — respondeu ela, a máscara distorcendo sua voz para uma grossa e rouca.
— Adversário.
Aelin olhou através do poço, para a multidão reunida, e apontou.
— Ele.
O comandante valg já estava sorrindo para ela.

8 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira29 de fevereiro de 2016 01:51

    Quem não ama tretas??!?!??!?! Eu amo, cara, tenho que dormir, mas eu não quero, e minha força de vontade prevalece😊😊😊

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    1. Miga pior eu q tenho q ler textos da faculdade... livro amaldiçoado q prende seus leitores! Hahahahaa

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  2. Adoro essas partes. E o sono não vem

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  3. Tão citando demais a Ansel e o que está acontecendo no Deserto vermelho. só acho que a Aelin vai acabar se envolvendo ...cadê vc Rowan ?*-*

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  4. Será q a Anselmo vai voltar?

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  5. Eu amo essa mulher kkkkkk e que comece a briga \o/
    Mas sobre a conversa dela com Aedion: me emocionei ♥
    Eles são lindos como a família que é, não estão mais sozinhos, tem um ao outro :')

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  6. 🎶🎵 Essa mina é louca... 🎵🎶
    Uma guerreira nata!!!

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  7. "— Adversário. Aelin olhou através do poço, para a multidão reunida, e apontou. — Ele. O comandante valg já estava sorrindo para ela."

    Mas quem é que não gosta de brincar com o fogo!!

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