28 de fevereiro de 2016

Capítulo 22

Chaol deixou sua vigia no telhado do apartamento de Aelin no momento em que a cabeça encapuzada de um dos rebeldes apareceu e sinalizou que iria assumir. Graças aos deuses.
Ele não se incomodou em parar no apartamento para ver como Aedion estava. Cada um de seus passos batendo no degrau de madeira era um eco da fúria, da batida ensurdecedora de seu coração, até que era tudo o que ele podia ouvir, tudo o que podia sentir.
Encontrou com os outros rebeldes que estavam abaixo ou monitoramento a cidade e Nesryn, para se certificar de que seu pai não estava em perigo. Chaol apareceu sozinho enquanto espreitava pelas ruas da cidade. Todos tinham as suas ordens; todos estavam onde deveriam estar. Nesryn já lhe dissera que Ress e Brullo tinham dado o sinal de que tudo estava limpo em sua extremidade, e agora... Mentirosa. Aelin era e sempre tinha sido uma mentirosa, deuses malditos. Ela era tanto uma quebradora de juramento quanto ele. Pior.
Dorian não tinha ido embora. Ele não se foi. E ele não dava a mínima o quanto Aelin alardeava sobre a misericórdia para Dorian, ou que disse que era uma fraqueza não matá-lo. A fraqueza residia em sua morte – era o que ele deveria ter dito. A fraqueza estava em desistir.
Ele invadiu o beco. Deveria ter se escondido bem, mas o que rugia em seu sangue e ossos era implacável. Um bueiro surgiu sob seus pés. Ele fez uma pausa e olhou para a escuridão abaixo.
Ainda havia coisas a fazer, muitas coisas, tantas pessoas para manter longe do perigo. E agora que Aelin tinha mais uma vez humilhado o rei, ele não tinha dúvidas de que os valg arrebanhariam mais pessoas como punição, como uma declaração. Com a cidade ainda em tumulto, talvez fosse o momento perfeito para ele atacar. Para equilibrar as chances entre eles.
Ninguém viu quando ele entrou no esgoto, fechando a pesada tampa.
Túnel após túnel, sua espada reluzente à luz da tarde que passava através das grades, Chaol caçava os valg na sujeira, seus passos quase silenciosos. Eles geralmente iam para seus ninhos nas trevas, mas de vez em quando, retardatários rondavam os túneis. Alguns de seus ninhos eram pequenos, apenas três ou quatro deles guardando seus prisioneiros ou refeições, ele supôs. Fácil o suficiente para uma emboscada.
E seria maravilhoso ver aquelas cabeças de demônios rolando.
Se foi. Dorian se foi.
Aelin não sabia tudo. Fogo ou decapitação não poderiam ser as únicas opções. Talvez ele mantivesse um dos comandantes valg vivo, ver o quão longe o homem dentro do demônio realmente iria – talvez houvesse outra maneira, tinha que haver outra maneira...
Examinou túnel após túnel, todos os locais de costume, e nenhum sinal deles. Nenhum.
Chaol correu para o próximo caminho – dirigia-se para o maior ninho, onde eles sempre foram capazes de encontrar os civis em necessidade de resgatar, se tivessem sorte o suficiente para pegar os guardas de surpresa. Ele iria salvá-los, porque eles mereciam isso, e porque tinha que ajudá-los, ou então ele iria desmoronar e...
Chaol olhou para a boca escancarada do ninho principal.
Luz solar infiltrando-se acima iluminava as pedras cinzentas da pequena tira de água na parte inferior.
Nenhum sinal da escuridão reveladora que geralmente ficava envolta como um denso nevoeiro.
Vazio.
Os soldados valg haviam desaparecido. E levado seus prisioneiros com eles.
Ele não achava que eles tinham ido se esconder do medo.
Haviam se mudado, escondendo-se e a seus prisioneiros, como um gigante divertindo-se – vamos para o inferno – por cada rebelde que tinha realmente pensado que eles estavam ganhando esta guerra secreta. Por Chaol.
Ele deveria ter pensado em armadilhas como essa, deveria ter considerado o que podia acontecer quando Aelin Galathynius fizesse o rei e seus homens de bobo.
Deveria ter considerado o custo. Talvez ele fosse o tolo.
Havia uma dormência no seu sangue enquanto ele surgia a partir dos esgotos para uma rua tranquila. Era a ideia de ficar sentado em seu apartamento caindo aos pedaços, completamente sozinho com essa dormência, que o enviou para o sul, tentando evitar as ruas que ainda fervilhavam com pessoas em pânico. Todo mundo queria saber o que acontecera, quem fora morto, quem tinha feito aquilo. As decorações, enfeites e vendedores de comida tinham sido completamente esquecidos.
Os sons acabaram por morrer ao longe, as ruas limpas quando ele chegou a um bairro residencial onde as casas eram de tamanho modesto, mas elegantes e bem conservadas. Pequenos córregos e fontes de água vindo do Avery corriam por toda parte, prestando-se ao excedente de floração flores da primavera em cada porta, janela, e pequeno gramado.
Ele conhecia a casa pelo cheiro: pão recém-assado, canela e algumas outras especiarias que não podia nomear. Tomando o beco entre duas casas feitas de pedras pálidas, ele manteve-se nas sombras enquanto se aproximava da porta dos fundos, olhando através da vidraça da cozinha. Farinha revestia uma grande mesa de trabalho, juntamente com alguns vegetais, várias tigelas, e... A porta se abriu, e forma esguia de Nesryn encheu a entrada.
— O que você está fazendo aqui?
Ela estava de volta em seu uniforme de guarda, uma faca escondida atrás da coxa. Não tinha a menor dúvida de que ela avistara um intruso se aproximar casa de seu pai e se preparou.
Chaol tentou ignorar o peso empurrando para baixo em suas costas, ameaçando parti-lo em dois. Aedion estava livre e eles haviam conseguido muito. Mas quantos muitos outros inocentes haviam condenado hoje?
Nesryn não esperou por sua resposta antes de dizer:
— Entre.



— Os guardas iam e vinham. Meu pai deu-lhes assados.
Chaol olhou para cima a partir de sua própria torta de pera e esquadrinhou a cozinha. Azulejos brilhantes nas paredes atrás das bancadas em tons de azul, laranja e turquesa. Ele nunca estivera na casa de Sayed Faliq antes, mas sabia onde era – apenas em caso de...
Ele nunca se deixou considerar o que “apenas em caso de” poderia significar. Com certeza não era parecer como um cão vadio na porta dos fundos.
— Não suspeitam dele?
— Não. Só queriam saber se ele ou seus trabalhadores viram alguém que parecia suspeito antes do resgate de Aedion — Nesryn empurrou outra torta, esta de amêndoas e açúcar em sua direção. — O general está bem?
— Até onde eu sei.
Ele contou a ela sobre os túneis, os valg.
Nesryn disse apenas:
— Então, nós vamos encontrá-los novamente. Amanhã.
Ele esperou que ela andasse, gritasse e xingasse, mas ela manteve-se estável – calma. Alguma parte contraída dele relaxava.
Ela bateu um dedo na mesa de madeira – amorosamente desgastada, como se o amassar mil pães a tivesse alisado.
— Por que você veio aqui?
— Por distração. — Havia um brilho suspeito nos olhos escuros dela, o suficiente para que ele completasse: — Não assim.
Ela nem sequer corou, embora suas próprias bochechas queimassem. Se ela tivesse oferecido, ele provavelmente teria dito sim. E se odiava por isso.
— Você é bem-vindo aqui — ela falou — mas certamente seus amigos no apartamento do general, pelo menos, lhe proporcionam melhor companhia.
— Eles são meus amigos?
— Você e Sua Majestade têm feito um grande trabalho tentando ser ninguém.
— É difícil ser amigos sem confiança.
— Você foi aquele que foi até Arobynn novamente, mesmo depois que ela o advertiu.
— E ele estava certo — disse Chaol. — Ele disse que ela prometeria não tocar em Dorian, e, em seguida, fazer o oposto. — E ele seria eternamente grato pelo tiro de aviso que Nesryn havia disparado.
Nesryn balançou a cabeça, seu cabelo brilhando escuro.
— Vamos apenas imaginar que Aelin esteja certa e Dorian se foi. E depois?
— Ela não está certa.
— Vamos apenas imaginar...
Ele bateu com o punho na mesa com força suficiente para sacudir o seu copo de água.
— Ela não está certa!
Nesryn franziu os lábios, mesmo quando seus olhos se suavizaram.
— Por quê?
Ele esfregou seu rosto.
— Porque então tudo seria por nada. Tudo o que aconteceu... Isso é tudo por nada. Você não entenderia.
— Eu não entenderia? — Uma pergunta fria. — Você acha que eu não entendo o que está em jogo? Eu não me importo com o seu príncipe, não do mesmo jeito que você. Eu me importo com o que ele representa para o futuro deste reino, e para o futuro das pessoas como a minha família. Não permitirei que outro expurgo imigrante aconteça. Não quero nunca mais os filhos de minha irmã voltando para casa com narizes quebrados novamente por causa de seu sangue estrangeiro. Você me disse que Dorian consertaria o mundo, tornaria melhor. Mas se ele se foi, se cometemos um erro hoje em mantê-lo vivo, então encontrarei outra maneira de alcançar esse futuro. E outro depois disso, se necessário. Vou me manter assim, não importa quantas vezes esses açougueiros me derrubem.
Ele nunca a ouvira falar tantas palavras de uma vez, nunca tinha... nem mesmo sabia que ela tinha uma irmã.
Ou que ela era tia de alguém.
— Pare de sentir pena de si mesmo. Mantenha o curso, mas também trace alternativas. Ajuste-se.
Sua boca estava seca.
— Você já foi ferida? Por causa de sua descendência?
Nesryn olhou para a lareira crepitando, o rosto como gelo.
— Eu me tornei guarda da cidade porque nenhum deles veio em meu auxílio no dia que os outros alunos me cercaram com pedras nas mãos. Nenhum, mesmo que pudessem ouvir meus gritos — ela encontrou seu olhar novamente. — Dorian Havilliard oferece um futuro melhor, mas a responsabilidade também recai sobre nós. Sobre como as pessoas comuns escolhem agir.
Verdade – era tão verdadeiro, mas ele disse:
— Eu não vou abandoná-lo.
Ela suspirou.
— Você é ainda mais teimoso do que a rainha.
—  Espera que eu seja mais alguma coisa?
Um meio sorriso.
— Não acho que eu gostaria que você fosse qualquer coisa, mesmo um burro teimoso.
— Você realmente admitiu gostar de mim?
— Será que no verão passado não diz o suficiente? — Apesar de si mesmo, Chaol riu.
— Amanhã — disse Nesryn. — Amanhã, vamos continuar.
Ele engoliu em seco.
— Mantenha o curso, mas trace um novo caminho.
Ele poderia fazer isso; podia tentar, pelo menos.
— Te vejo no esgoto bem cedo.

23 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira29 de fevereiro de 2016 01:24

    Eu sinto na minha alma que ela também shippa Chaol e Celaena, é um sentimento espiritual, vcs não tem noção

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  2. Acho que nao tem mais nada entre eles o que sentiam foi quebrado demais , acho que nao tem concerto

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  3. Nível de romance...
    - Te vejo no esgoto bem cedo.

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  4. oq tinha entre chal e alein acabo foi mas ainda n so a favor de chal e faliq


    pode cre q nivel de romance "te vejo no esgoto bem cedo" kkkkkkkkk

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  5. o Chaol tá simplesmente INSUPORTÁVEL. Ele e esse amor reprimido pelo Dorian. Aff

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    1. Amor reprimido! Melhor comentário! !!!!!

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  6. To numa dúvida crueeel! Nn sei se shippo ela com o Chaol ou com o Rowan!!! Aaargh ela forma uma belo casal com os dois. Mas como q eu vou decidir isso? Esse livro ta mexendo com q minha saúde mental

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  7. Nossa até que emfim alguém pra dizer umas verdades na cara dele ele tava prescisando ouvir ele julga demais a celaena e o que ele fez com a nehemia não queria não mais toh pegando raiva da cara do chaol.

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    1. Falou tudo q eu ia dizer!!!!!
      Finalmente umas verdades

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  8. o chaol ta INSURPOTAVEL,CHATO, ESCROTOO !! espero q a Aelin fique com o Ronaw <3
    se o Chaol morresse nao ia fazer falta ele ta muito chatooooo

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  9. Por que a Aelin precisa ficar com alguém? Existe vida - e história - sem amores românticos.

    j.

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  10. Por que a Aelin precisa ficar com alguém? Existe vida - e história - sem amores românticos.

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    1. MAS TAMBEM J. AMORES ROMANTICOS É VIDA E HISTORIA................

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  11. Gosto da aelin exatamente porque ela mostra que a vida de uma mulher não resumir em ter um homem, família e casar a vida de uma mulher e muito mais do que isso.

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  12. Chaol e essa garota me parece legal, e a Cel e o seu "Principezinho de contos de fadas" ♥♡♥

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  13. Finalmente alguém disse umas verdades para esse idiota!!!!
    Tapa na cara das recalcadas q ficam dizem do q o Chaol tá sempre certo e q a Celena não tem coração por considerar matar o Dorian!!!!!!!
    A Chaol e muito criança e não conhece o mundo era um lord e depois viver a vida toda no castelo.
    Não sabe o q é sofrimento e precisa ficar levanndo umas reais da mulheres desse livro!!!!!!!

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  14. Ta dando vontade de entrar no livro e estapear a fuça do Chaol. Ele esta conseguindo ser mais dramatico que Aelin (sério, ainda me soa estranho chamar ela por esse nome).
    E sob o romance deles acho eu que ja era, foi quebrado e não tem mais conserto. Ja nem ligo mais com qual personagem vai terminar com qual, desde que tudo dê certo e Dorian seja liberto do capiroto nele, que a Aelin suba ao trona e que o Rowan apareça porque to com saudades ja rsrs.

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    1. Também acho Aelin estranho... na maioria das vezes uso Celaena mesmo

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  15. É tanto amor de Chaol por Dorian que tô começando à shippar é Dorian com Chaol kkkkk Doriaol ou Chaorian, apenas UHASHUASFH #zoas

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  16. Chaol e Dorian é igual Nico e Percy...kkkkkk

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