28 de fevereiro de 2016

Capítulo 18

Não eram apenas as flores de vidro que tinham sido armadas com uma subtância reativa, discretamente comprada por Aelin no mercado negro. O pó que as bailarinas espalhavam pelo salão também fora carregado com a substância também. E valeu a pena cada maldita prata que gastara quando a fumaça irrompeu pelo salão, erguendo o pó que tinha sido espalhando por toda parte.
A fumaça era tão espessa que ela mal podia ver mais do que trinta centímetros à frente, e estava perfeitamente camuflada com a capa cinza que havia dobrado como a saia de seu traje. Assim como Arobynn tinha sugerido.
Gritos pararam a música. Aelin já se movia para o tablado nas proximidades quando a torre – a torre do relógio que iria salvá-los e condená-los soou meio-dia.
Não havia colar preto no pescoço de Aedion, e isso era tudo o que ela precisava ver, mesmo quando o alívio ameaçou tremer os joelhos. Antes da primeira batida do relógio terminar, ela deslizara para fora as adagas incorporadas ao corpete de seu traje, os fios de prata e o aço mascarando-as, e cortou a garganta do guarda mais próximo.
Aelin girou e atacou o homem mais próximo dela, logo em seguida mergulhou outra lâmina profundamente no intestino de um terceiro.
A voz de Florine subiu acima da multidão, mandando seus dançarinos saírem – fora, fora.
A segunda batida da torre do relógio soou, e Aelin puxou sua adaga da barriga do guarda gemendo, outro surgindo até ela pela fumaça.
Os restantes iriam para Aedion por instinto, mas eles seriam retardados pela multidão, e ela já estava perto o suficiente.
O guarda – um daqueles de uniforme negro – atacou-a com sua espada, um ataque direto contra o peito. Aelin aparou o golpe de lado com um punhal, girando em seu torso exposto. O cheiro do sangue quente em sua mão subiu quando ela empurrou a outra lâmina em seu olho.
Ele ainda estava caindo quando ela correu os últimos metros para a plataforma de madeira e se atirou para ela, rolando e mantendo-se abaixada até que estava diretamente abaixo de dois outros guardas que ainda tentavam enxergar entre os véus de fumaça. Eles gritaram quando ela estripou os dois com suas lâminas.
A batida do relógio soou, e havia Aedion, os três guardas ao redor dele empalados pelos restos de seu banco.
Ele era enorme, ainda maior de perto. Um guarda surgiu entre eles vindo de fora da fumaça, e Aelin gritou:
— Abaixe!
Antes de atirar sua adaga no rosto do homem. Aedion apenas se moveu rápido o suficiente para evitar o golpe, e o sangue do guarda respingou no ombro da túnica de seu primo.
Ela se lançou para as correntes em torno dos tornozelos de Aedion, embainhando a lâmina restante a seu lado.
Um choque passou através dela, o azul claro cauterizando a sua visão enquanto o Olho de Elena queimava. Ela não se atreveu a parar, nem mesmo por um segundo. O que quer o rei tivesse escrito nas correntes de Aedion queimava como fogo azul quando ela abriu um corte no antebraço com sua adaga e usou seu sangue para desenhar os símbolos que ela memorizara nas correntes: Abrir.
As correntes caíram no chão.
O relógio soou pela sétima vez.
A gritaria mudou para algo mais alto, mais selvagem, e a voz do rei ressoou sobre a multidão em pânico.
Um guarda correu para eles segurando uma espada. Outro benefício da fumaça: era arriscado demais disparar flechas. Mas ela só daria crédito a Arobynn se saísse dessa com vida.
Ela puxou outra adaga, escondida no forro de sua capa cinza. O guarda caiu segurando a própria garganta, agora aberta de orelha a orelha. Então ela e virou para Aedion, puxou o longo colar do Olho do pescoço e atirou-o sobre a cabeça dele. Ela abriu a boca, mas ele disse ofegante, antes dela:
— A espada.
E foi quando ela notou a lâmina exibida por trás de seu banquinho. A Espada de Orynth. A arma de seu pai.
Ela estava focada demais em Aedion, nos guardas e nas dançarinas para perceber o que a lâmina era.
— Fique perto — foi tudo o que ela disse quando pegou a espada do suporte e empurrou-a em suas mãos.
Ela não se permitiu pensar muito sobre o peso da lâmina, ou sobre como ela tinha chegado ali. Só agarrou Aedion pelo pulso e correu pela plataforma em direção às janelas do pátio, onde a multidão gritava e os guardas tentavam estabelecer uma linha de contenção.
O relógio emitiu seu nono badalar. Ela soltou as mãos de Aedion assim que chegaram ao jardim; eles não tinham mais um segundo a perder na fumaça sufocante.
Aedion cambaleou, mas continuou de pé, logo atrás quando ela saltou para fora da plataforma em meio à fumaça, exatamente onde Brullo alegou que dois guardas estariam posicionados. Um morreu com uma adaga enfiada na coluna, o outro com uma pancada na parte lateral do pescoço. Ela apertou os punhos das suas lâminas por causa do sangue escorregadio que agora revestia cada polegada de seu traje.
Agarrado à espada com as duas mãos, Aedion pulou ao lado dela, e seus joelhos se dobraram.
Ele estava ferido, mas não de qualquer ferida que ela pudesse ver. Ela o percebera nos momentos que eles desceram no meio da multidão, alterando seu comportamento como Lysandra instruíra. A palidez do rosto de Aedion não tinha nada a ver com o medo, nem suas respirações rasas. Ele estava ferido.
Ela teria matado esses homens muito, muito facilmente.
A multidão estava estrangulada nas portas do pátio, assim como ela tinha calculado. Bastou gritar:
— Fogo! Fogo!
E os gritos se tornaram frenéticos.
A multidão começou a quebrar as janelas e as portas de vidro, atropelando uns aos outros e aos guardas. Pessoas agarraram baldes para apagar as chamas, jogando água em todos os lugares e apagando as marcas de Wyrd nas soleiras.
As ondas de fumaça na frente lideraram o caminho para o jardim. Aelin abaixou a cabeça de Aedion para fugir com a massa de cortesãos e serviçais. Tossindo, apertando, gritando, rasgando suas roupas, até que – até que o sol do meio-dia a cegou.
Aedion assobiou. Semanas nas masmorras provavelmente acabando com os seus olhos.
— Apenas se segure em mim — ela instruiu, colocando a mão enorme em seu ombro. Ele agarrou-a com força, suas correntes batendo contra ela enquanto ela seguia no meio da multidão para o ar claro aberto, além.
A torre do relógio soou sua décima segunda e última badalada quando Aelin e Aedion derraparam até parar diante de uma fila de seis guardas bloqueando a entrada para as sebes do jardim.
Aelin saiu do aperto de Aedion, e seu primo praguejou quando seus olhos se ajustaram o suficiente para ver o que agora estava entre eles e a liberdade.
— Não fique no meu caminho — ela disse a ele, em seguida, lançou-se para os guardas.



Rowan tinha lhe ensinado alguns truques novos.
Ela era uma nuvem rodopiante de morte, a rainha das sombras, e estes homens já eram carniça. Cortando, abaixando e girando, Aelin entregou-se completamente à calma para matar, até que o sangue era uma névoa em torno dela e do cascalho escorregadio entre eles. Quatro dos homens de Chaol vieram correndo, então foram para o outro lado. Aliados ou apenas inteligentes, ela não se importava.
E quando o último desses guardas de uniforme preto caiu sangrando no chão, ela se voltou para Aedion. Ele estava de boca aberta, mas soltou uma risada sombria e baixa quando tropeçou em uma corrida ao lado dela, nas sebes.
Arqueiros – eles tinham que passar pelos arqueiros que com certeza começariam a disparar assim que a fumaça desaparecesse.
Eles correram ao redor e entre os jardins que ela percorrera dezenas de vezes durante a sua estadia ali, quando ela ia correr todas as manhãs com Chaol.
— Mais rápido Aedion — ela incitou, mas ele já estava indo o quanto podia.
Ela fez uma pausa e cortou seu pulso encharcado de sangue com um punhal antes de esboçar a marca de Wyrd e desbloquear cada uma de suas algemas. Mais uma vez, a luz brilhou e queimou. Mas então as algemas se abriram silenciosamente.
— Truque legal — ele ofegou, e ela puxou as correntes para fora.
Ela estava prestes a atirar o metal de lado quando o cascalho rangeu atrás deles.
Não eram os guardas, e nem o rei.
Foi com uma pontada de horror que ela encontrou Dorian andando na direção deles.

20 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira29 de fevereiro de 2016 00:10

    "Ela era uma nuvem rodopiante de morte, a rainha das sombras" pela mor de deus que loko veii, mano, o demônio chegou, coitado do Dorian, coitada da Celaena também, sofrer com o Chaol, pq tenho certeza de que ela vai machucar o Dorian

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  2. E quando o último desses guardas de uniforme preto caiu sangrando no chão, ela se voltou para Aedion. Ele estava de boca aberta...
    BOCA ABERTA FOI A MINHA. MESMO CONHECENDO SUA FÚRIA.

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    1. Simmm KKKKKKKKKKK eu tbm tava fe boca aberta e ri com ele de nervoso

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  3. Carai, q capítulo foi esse, mano... meu coração tá batendo, seloko

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  4. Gente eu to morrendo aqui

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  5. :O Tô com medo de ler o próximo capitulo!

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  6. Espero que ela não mate o Dorian nem ele mate ela.

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  7. Tô com medo de ir pro próximo capítulo, tá indo tudo tão bem
    Vai da merda

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  8. Eu estaria morta se não quisesse ler o livro todo

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  9. Meu deus, não vou dormi hoje. TÔ COM ADRENALINA NO CORPO.

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  10. Só eu que PRECISO DE UM FILME DESSA SAGA, só pra ver as cenas de luta?

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    1. Filem não amiga seriado q é maior e a mais detalhes!!!!!!!!
      Esse livro é bom de mais!!!!!!

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    2. Seriado seria massa!

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  11. Eu preciso estduas e esse livro não deixa!!!!!!
    Meu coração está quase saindo pela boca!!!!!!!

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  12. Aedion me lembra muito o Finnick (ñ lembro se é assim q se escreve)

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