28 de fevereiro de 2016

Capítulo 13

Aelin não sabia se devia ser confortada pelo fato de que, apesar das mudanças que dois anos fizeram em sua vida, apesar do inferno que atravessou, a Torre dos Assassinos não tinha se alterado. As sebes que ladeavam a cerca de ferro forjado em torno da propriedade possuía a mesma altura exata, ainda era aparada com precisão magistral; ao caminho ladeado por cascalho ainda tinha as mesmas pedras cinzentas, e a casa arrebatadora senhorial ainda tinha o tom pálido e elegante, as portas de carvalho polido brilhando com a luz do sol da manhã.
Ninguém na rua residencial tranquila parava para olhar a casa que criou alguns dos mais ferozes assassinos de Erilea. Por anos agora, a Torre dos Assassinos permanecera anônima, digna, um dos muitos palácios num rico distrito no sudoeste de Forte da Fenda. Embaixo do nariz do rei de Adarlan.
Os portões de ferro estavam abertos, e os assassinos disfarçados de vigias comuns não estavam familiarizados com ela enquanto passava por ali. Mas eles não a impediram, apesar do traje e armas que portava, apesar do capuz cobrindo seu rosto.
A noite teria sido melhor para esconder-se por toda a cidade. Outro teste para ver se ela podia chegar ali à luz do dia sem atrair muita atenção. Felizmente, a maior parte da cidade estava preocupada com os preparativos para as celebrações do aniversário do príncipe no dia seguinte: comerciantes já estavam à postos, vendendo de tudo, desde pequenos bolos com bandeiras com a serpente alada de Adarlan a fitas azuis (para combinar com os olhos do príncipe, é claro). Isso fez seu estômago revirar.
Chegar ali sem ser detectada tinha sido um teste menor, porém, em comparação ao que estava diante dela.
E o que a esperava no dia seguinte
Aedion – cada respiração parecia ecoar o seu nome. Aedion, Aedion, Aedion.
Mas ela empurrou para longe o pensamento do que já poderia ter sido feito a ele nessas masmorras quando caminhou até os amplos degraus da frente da Fortaleza.
Ela estivera naquela casa desde a noite em que tudo fora para o inferno.
Ali, à sua direita, estavam os estábulos onde ela deixou Wesley inconsciente quando ele tentou avisá-la sobre a armadilha que fora armada para ela. E lá, um andar acima, com vista para o jardim da frente, estavam as três janelas de seu antigo quarto. Elas estavam abertas, as pesadas cortinas de veludo balançando na brisa fresca da primavera, como se o quarto estivesse sendo exibido para ela. A menos que Arobynn tivesse dado seus aposentos para outra pessoa.
As portas de carvalho esculpidas se abriram quando ela atingiu o degrau mais alto, revelando um mordomo que ela nunca tinha visto antes e que, no entanto, fez uma mesura e um gesto para que ela o seguisse. Do outro lado do grande salão de mármore, as portas duplas do escritório de Arobynn estavam abertas.
Ela não olhou para a soleira quando a ultrapassou, examinando a casa que tinha sido um refúgio e uma prisão e um inferno.
Deuses, esta casa. Sob o teto abobadado e lustres de vidro do hall de entrada, o piso de mármore polido brilhava tanto que ela podia ver seu próprio reflexo escuro enquanto andava.
Nem uma alma à vista, nem mesmo o miserável do Tern. Eles estavam fora ou permaneceram longe sob ordens até que esta reunião fosse feita – como se Arobynn não quisesse ser ouvido.
cheiro da Torre dos Assassinos em volta dela, repuxava sua memória. Flores frescas e pão assado, o cheiro penetrante de metal, ou o sentimento – um sentido nítido de violência por toda parte.
Cada passo em direção àquele escritório ornamentado era uma lembrança e ela estava se preparando.
Lá estava ele, sentado à escrivaninha enorme, seu cabelo ruivo como aço fundido à luz do sol que entrava pelas janelas que iam do chão ao teto, cobrindo uma das paredes de painéis de madeira. Ela lembrou da informação que aprendera na carta de Wesley e manteve sua postura relaxada, casual.
Mas ela não podia deixar de olhar para o tapete – um movimento que Arobynn observava ou esperava.
— Um novo tapete — ele comentou, desviando o olhar dos papéis diante dele. — As manchas de sangue no outro nunca saíram realmente.
— Pena — respondeu ela, caindo em uma das cadeiras na frente dele, tentando não olhar para a cadeira ao lado, onde Sam costumava se sentar. — O outro era mais bonito.
Até que seu sangue o encharcara quando Arobynn a surrara por arruinar seu acordo de comércio de escravos, fazendo Sam assistir o tempo todo. E quando ela estava inconsciente, ele batera em Sam até ele desmaiar, também.
Ela se perguntava quais das cicatrizes nos nós dos dedos de Arobynn vieram desses espancamentos.
Ela ouviu o mordomo oferecendo algo, mas não se dignou a olhar para ele quando Arobynn respondeu:
— Nós não queremos ser perturbados.
O mordomo murmurou seu entendimento, e as portas do escritório se fecharam.
Aelin pendurou uma perna sobre o braço da cadeira.
— A que devo essa convocação?
Arobynn se levantou, um movimento fluido delineado com o poder contido, e deu a volta na mesa para se apoiar contra sua borda.
— Eu apenas queria ver o que você estava fazendo no dia antes de seu grande evento — seus olhos cintilaram de prata. — Queria desejar boa sorte.
— E para ver se eu ia traí-lo?
— Por que eu pensaria isso?
— Não acho que você queira entrar em uma conversa sobre a confiança agora.
— Certamente que não. Não quando você precisa de todo o seu foco para amanhã. Então, muitas pequenas coisas que poderiam dar errado. Especialmente se você for pega.
Ela sentiu a adaga da ameaça implícita escorregar entre suas costelas.
— Você sabe que eu não quebro facilmente sob tortura.
Arobynn cruzou os braços sobre o peito largo.
— Claro que não. Eu não espero nada menos que minha protegida me resguarde caso o rei a pegue.
Isso explicou a convocação.
— Eu nunca perguntei — Arobynn continuou. — Você irá fazer isso como Celaena?
Tão bom quanto qualquer um para lançar um olhar entediado em torno do estudo, sempre o protetor irreverente.
Nada sobre a mesa, nada nas prateleiras, nem mesmo uma caixa que poderia conter o amuleto de Orynth. Ela se permitiu dar uma varredura na sala antes de mover os olhos indolentes para ele.
— Eu não tinha planejado deixar um cartão de visitas.
— E que explicação dará a seu primo quando estiverem reunidos? A mesma que deu ao nobre capitão? — Ela não queria saber como ele estava ciente do desastre. Ela não tinha contado, Lysandra ainda não tinha ideia de quem ela era. Ela pensaria sobre isso mais tarde.
— Eu contarei a verdade a Aedion.
— Bem, vamos esperar que seja desculpas suficientes para ele.
Foi um esforço físico reprimir a réplica.
— Estou cansada e não sinto vontade de acender um treino verbal hoje. Apenas me diga o que quer para que eu possa mergulhar em minha banheira. — Não era uma mentira. Seus músculos doíam de rastrear os soldados valg, caminhando por toda Forte da Fenda na noite anterior.
— Você sabe, minhas instalações estão à sua disposição — Arobynn prendeu sua atenção em sua perna direita, pendurada no braço da cadeira, como se ele tivesse de alguma forma descoberto que a perna estava lhe dando problemas. Como se soubesse que a luta nos Cofres de alguma forma agravara a velha ferida que ela recebeu durante seu duelo com Cain. — Meu médico poderia olhar a perna para você. Não quero que sinta dor. Ou esteja prejudicada amanhã.
Ela manteve a expressão entediada.
— Você realmente gosta de se ouvir falando, não é?
Uma risada sensual.
— Uma bela disputa verbal.
Ela esperou, ainda descansando na cadeira.
Arobynn correu um olho para baixo do traje, e quando seu olhar encontrou o dela, havia apenas um cruel assassino frio olhando para ela.
— Ouvi que você estava monitorando patrulhas da guarda do rei, mas deixando-os sem serem incomodados. Por acaso esqueceu do nosso pequeno negócio?
Ela sorriu um pouco.
— Claro que não.
— Então por que meu demônio prometido não está em minha masmorra?
— Porque não vou capturar um até depois de Aedion ser libertado — um piscar. — Essas coisas podem levar o rei até você. Até nós. Não colocarei em risco a segurança de Aedion para satisfazer a sua curiosidade mórbida. E quem sabe se você não esquecerá de me ajudar quando estiver ocupado com seu novo brinquedo?
Arobynn afastou-se da mesa e aproximou-se dela, inclinando sobre a cadeira o suficiente para compartilhar a respiração.
— Eu sou um homem de palavra, Celaena.
Mais uma vez, esse nome.
Ele deu um passo para trás e inclinou a cabeça.
— Você, por outro lado... Eu me lembro de sua promessa de matar Lysandra anos atrás. Fiquei surpreso quando ela retornou ilesa.
— Você fez o seu melhor para garantir que eu a odiasse. Imaginei por que não ir para o lado oposto, por uma vez? Acontece que ela não é tão mimada e egoísta quanto você me fez acreditar. — Sempre o protetor petulante, sempre o espertinho. — Mas se quer que eu a mate, com prazer voltarei minha atenção para isso, em vez do valg.
A suave risada.
— Não há necessidade. Ela me serve bem o suficiente. Substituível, no entanto, se você decidir que gostaria de manter sua promessa.
— Isso foi o teste, então? Para ver se eu continuava com minhas promessas? — Sob as luvas, o corte que ela fizera na palma da mão queimava como uma marca.
— Foi um presente.
— Prefiro joias e roupas. — Ela levantou-se e olhou para seu traje. — Ou coisas úteis.
Seus olhos seguiram os dela e permaneceram.
— Você o preenche melhor do que aos dezessete anos.
E isso era o bastante. Ela estalou a língua e virou-se, mas ele agarrou seu braço exatamente onde as lâminas invisíveis saíam. Ele também sabia disso. Uma provocação; um desafio.
— Você terá que ficar quieta com seu primo uma vez que ele escaque amanhã — disse Arobynn. — Se decidir não cumprir sua parte no trato... descobrirá muito rapidamente, Celaena querida, quão mortal esta cidade pode ser para aqueles que apoiam a rainha cadela cuspidora de fogo.
— Nada mais de declarações de amor ou ofertas de caminhar sobre brasas para mim?
Uma risada sensual.
— Você sempre foi minha parceira de dança favorita — ele chegou perto o suficiente para tocar os lábios nos dela se ela oscilasse um centímetro para frente. — Se quiser que eu sussurre palavras doces em seu ouvido, majestade, farei exatamente isso. Mas você ainda me dará o que preciso.
Ela não se atreveu a se afastar. Sempre houve um brilho em seus olhos prateados – como a luz fria antes de um alvorecer. Ela nunca foi capaz de desviar o olhar dele.
Ele inclinou a cabeça, o sol refletindo seu cabelo ruivo.
— E sobre o príncipe?
— Que príncipe? — ela perguntou cuidadosamente.
Arobynn deu um sorriso inteligente, afastando-se alguns centímetros.
— Há três príncipes, suponho. Seu primo, e os dois que agora compartilham o corpo de Dorian Havilliard. Será que o bravo capitão sabe que seu amigo está sendo devorado por um desses demônios?
— Sim.
— Será que ele sabe que você pode optar por fazer a coisa certa e impedir o filho do rei antes que ele pode se tornar uma ameaça?
Ela segurou seu olhar.
— Por que você não me contou? Você é aquele que está se reunindo com ele.
Sua risada escorregou feito gelo sobre seus ossos.
— Então o capitão tem dividido com você esse tempo todo. Ele parece compartilhar tudo muito bem com sua ex-amante, a menina Faliq. Sabia que o pai dela faz as melhores tortas de pera em toda a capital? Ele está até mesmo fornecendo algumas para o aniversário do príncipe. Irônico, não é?
Era a sua vez de piscar. Ela tinha conhecimento de que Chaol teve pelo menos uma amante diferente, Lithaen, mas... Nesryn? E como era conveniente para ele não lhe contar, especialmente quando ele tinha jogado tudo o que acreditava ser absurdo sobre ela e Rowan em seu rosto. Seu príncipe das fadas, ele retrucou. Duvidava que Chaol tivesse feito algo com a jovem desde que ela partira para Wendlyn, mas... Mas ela estava sentindo exatamente o que Arobynn queria que ela sentisse.
— Por que você não fica fora dos nossos assuntos, Arobynn?
— Você não quer saber por que o capitão veio me ver novamente na noite passada?
Bastardos, ambos. Ela advertiu Chaol sobre a confusão com Arobynn. Para revelar que ela não sabia ou para esconder a vulnerabilidade... Chaol não poria em risco sua segurança ou seus planos para amanhã, independentemente de quais informações ele manteve escondido dela. Ela sorriu para Arobynn.
— Não. Eu fui quem o mandou para cá — ela passeou em direção às portas do escritório. — Você deve estar realmente entediado se me chamou apenas para me insultar.
Um vislumbre de diversão.
— Boa sorte amanhã. Todos os planos estão em vigor, caso você esteja preocupada.
— Claro que estão. Eu não esperaria nada menos de você — ela abriu uma das portas e acenou com a mão uma despedida preguiçosa. — Te vejo por aí, mestre.



Aelin visitou o Banco Real novamente a caminho de casa, e quando voltou para seu apartamento, Lysandra estava à espera, como planejado.
Seria bom que Lysandra tivesse trazido comida. Muita comida.
Aelin sentou na mesa da cozinha, onde Lysandra atualmente descansava. A cortesã estava olhando em direção à grande janela acima da pia da cozinha.
— Você percebe que tem uma sombra no telhado ao lado, não é?
— Ele é inofensivo. — E útil. Chaol tinha homens vigiando a Fortaleza, os portões do palácio, e o apartamento – tudo para monitorar Arobynn. Aelin inclinou a cabeça. — Olhos afiados?
— Seu mestre me ensinou alguns truques ao longo dos anos. Para proteger-me, é claro. — Para proteger seu investimento, foi o que ela não precisou dizer. — Você leu a carta?
— Cada maldita palavra.
Na verdade, ela tinha lido a carta de Wesley várias e várias vezes, até que tinha memorizado as datas, os nomes e contas, até que enxergara através de tanto fogo que estava contente que sua magia estivesse atualmente sufocada. Mudou pouco de seus planos, mas ajudou. Agora ela sabia que não estava errada, que os nomes em sua própria lista estavam corretos.
— Me desculpe, eu não pude mantê-la — disse Aelin. — Era a única maneira de permanecer seguro.
Lysandra apenas balançou a cabeça, tirando um fio de algodão do corpete de seu vestido cor de ferrugem. As mangas vermelhas eram soltas e esvoaçantes, com punhos apertados de veludo preto e botões de ouro que brilharam na luz da manhã quando ela estendeu a mão para uma das uvas de estufa que Aelin comprara no dia anterior. Um vestido elegante, mas modesto.
— A Lysandra que eu conhecia costumava usar muito menos roupas — Aelin observou.
Os olhos verdes de Lysandra piscaram.
— A Lysandra você conhecia morreu há muito tempo.
Assim como Celaena Sardothien.
— Eu lhe pedi para me encontrar hoje para que pudéssemos... conversar.
— Sobre Arobynn?
— Sobre você.
As sobrancelhas elegantes se estreitaram.
— E quando nós vamos começar a falar sobre você?
— O que você quer saber?
— O que está fazendo em Forte da Fenda? Além de resgatar o general amanhã.
Aelin respondeu:
— Eu não a conheço bem o suficiente para responder a essa pergunta.
Lysandra meramente inclinou a cabeça.
— Por Aedion?
— Ele é mais útil para mim vivo do que morto. — Não era uma mentira.
Lysandra cutucou com cuidado um prego sobre a mesa desgastada. Depois de um momento, tomou a palavra:
— Eu costumava ter inveja de você. Não só porque você tinha Sam, mas também Arobynn... Eu era uma tola, acreditando que ele lhe dera tudo e nunca negou nada, te odiando porque eu sempre soube, no fundo, que eu era apenas um peão para ele usar contra você, uma maneira de fazê-la lutar por seu carinho, para mantê-la acordada, machucando-a. E eu gostava, porque pensei que era melhor ser peão de alguém do que não ser nada. — Sua mão tremia quando ela a ergueu para escovar uma mecha de seu cabelo. — Acho que eu teria continuado nesse caminho por toda a minha vida. Mas então Arobynn matou Sam e organizou a sua captura, e... e me chamou na noite em que você foi levada para Endovier. Depois, na volta de carruagem, eu só chorava. Eu não sabia por quê. Mas Wesley estava lá comigo. Essa foi a noite em que tudo mudou entre nós. — Lysandra olhou para as cicatrizes em volta dos pulsos de Aelin, então para a tatuagem em seu próprio.
— Na outra noite, você não veio só para me avisar sobre Arobynn.
Quando Lysandra levantou a cabeça, seus olhos estavam frios.
— Não — ela disse com selvageria macia. — Eu vim para ajudá-la a destruí-lo.
— Você tem que confiar muito em mim para dizer isso.
— Você destruiu o Cofres — lembrou Lysandra. — Foi por Sam, não foi? Porque aquelas pessoas, todas elas trabalharam para Rourke Farran, e estava lá quando... — ela balançou a cabeça. — Tudo é por Sam, o que você planejou para Arobynn. Além disso, se você me trair, há pouco que possa me ferir mais do que eu já suportei.
Aelin recostou-se na cadeira e cruzou as pernas, tentando não pensar na escuridão da mulher de frente para ela e ao que ela havia sobrevivido.
— Fiquei muito tempo sem exigir retribuição. Não tenho nenhum interesse no perdão.
Lysandra sorriu e não havia nenhuma alegria.
— Depois que ele matou Wesley, eu ficava acordada na sua cama e pensei em matá-lo ali mesmo. Mas isso não parecia ser suficiente, e a dívida não pertencia somente a mim.
Por um momento, Aelin não podia dizer nada. Em seguida, ela balançou a cabeça.
— Você quer dizer, honestamente, que estava esperando por mim esse tempo todo?
— Você amava Sam tanto quanto eu amava Wesley.
Seu peito era um buraco, mas ela balançou a cabeça. Sim, ela tinha amado Sam, - mais do que jamais amara ninguém. Até mesmo Chaol. E ler na carta de Wesley exatamente o que Arobynn ordenara que Rourke Farran fizesse com Sam tinha deixado uma ferida furiosa no interior dela. As roupas de Sam ainda estavam nas duas gavetas inferiores de sua penteadeira, onde Arobynn tinha realmente desembalado e guardado. Ela usara uma de suas camisas para dormir nas últimas duas noites.
Arobynn pagaria.
— Sinto muito — disse Aelin. — Pelos anos que passei sendo um monstro com você, por qualquer parte que eu tenha tido em seu sofrimento. Eu desejava que tivesse sido capaz de te ver melhor. Que pudesse ter visto tudo melhor. Eu sinto muito.
Lysandra piscou.
— Nós éramos jovens e estúpidas, e deveríamos ter visto uma à outra como aliadas. Mas não há nada que nos impeça de nos ver dessa forma agora. — Lysandra deu um sorriso que era mais do que um lobo refinado. — Se você está dentro, eu também estou.
Assim – muito rápido – e facilmente uma oferta de amizade foi jogada em seu caminho. Rowan poderia ser seu amigo mais querido, seu carranam, mas ela sentia falta... ela queria companhia feminina. Profundamente. Ainda que um pânico velho se erguesse com o pensamento de que Nehemia não estava mais lá para proporcionar isso – e parte dela queria jogar a oferta de volta no rosto de Lysandra só porque ela não era Nehemia – mas ela se obrigou a ignorar o medo.
Aelin disse com voz rouca:
— Eu estou.
Lysandra soltou um suspiro.
— Oh, graças aos deuses. Agora posso falar com alguém sobre roupas sem ser perguntada o que achariam disso ou se aprovariam, ou engolir uma caixa de chocolates sem que tivesse alguém me dizendo que eu deveria cuidar melhor da minha silhueta. Você gosta de chocolates, certo? Lembro de roubar uma caixa do seu quarto uma vez quando você estava fora para matar alguém. Eles eram deliciosos.
Aelin acenou com a mão em direção às caixas de presentes na mesa.
— Se me trouxe chocolates, em minha concepção você é minha nova pessoa favorita.
Lysandra riu, um som surpreendentemente profundo e estranho – uma risada que provavelmente ela nunca deixou seus clientes ou Arobynn ouvirem.
— Uma noite em breve, vou me esgueirar de volta para cá e nós poderemos comer chocolates até vomitar.
— Nós somos senhoritas refinadas e educadas.
— Por favor — disse Lysandra, acenando com a mão bem cuidada — você e eu somos nada além de feras vestindo peles humanas. Não adianta tentar negar.
A cortesã não tinha ideia do quão perto estava da verdade. Aelin se perguntou como a mulher reagiria ao vê-la na outra forma de caninos alongados. De alguma forma, ela duvidou que Lysandra fosse chamá-la de monstro por sua forma, ou para as chamas a seu comando.
O sorriso de Lysandra hesitou.
— Tudo está pronto para amanhã?
— É preocupação que estou detectando?
— Você vai valsar no palácio e acha que uma cor de cabelo diferente fará com que não seja notada? Confia tanto assim em Arobynn?
— Você tem uma ideia melhor?
O encolher de ombros de Lysandra era a definição de indiferença.
— Acontece que sei uma coisa ou duas sobre como fazer papéis diferentes. Como fazer olhos desviarem quando não se quer ser vista.
— Eu sei como ser furtiva, Lysandra. O plano é sólido. Mesmo que seja ideia de Arobynn.
— E se a gente matar dois coelhos com uma cajadada só?
Ela poderia ter se despedido, podia ter descido e ido embora, mas não aconteceu, havia um brilho feroz tão perverso nos olhos da cortesã.
Então Aelin descansou os antebraços sobre a mesa.
— Estou ouvindo.

20 comentários:

  1. Hunn, essas duas vão aprontar muito ainda :v

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  2. Essa parceria vai estremecer o rei dos assassinos, nao vejo a hora delas acabar com ele

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  3. Eu gosto mais dela agora . mulher ta com sangue nos olhos

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  4. Caramba, só eu acho q essa mina tah mentindo???
    Isso deve ser um plano di rei dos assassinos 😫

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  5. essas duas dou por visto oq vam aprontar kkkkkkkk

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  6. lysandra vai morrer.... afinal todos morrem... TT

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    1. Tá repreendido kkkkkk eu gostei dela, tô cansada de curtir um personagem e dps ele morrer D:

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  7. A M E I!!! Essas duas vão tornar a vida de Arobynn um inferno! Mas acho q Celaena podia curtir um pouco mais com a cara de Arobynn e beijar ele. Só pra ver a reaçao haahah!!!

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  8. Eu fico feliz pelas duas e tbm fico desconfiada.

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  9. sei la ein ainda nao confio nela .. acho q ela vai trair Aelin so achho

    espero q eu esteja errada ,mais sei la
    temos q confiar desconfiando kk

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  10. kkkk pse, se tem uma coisa que esse livro me ensinou é ser desconfiada e a fama dos cortesaos não está muito boa pra mim dps do Archer

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  11. Nossa,isso ainda vai dar errado...sei lá

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  12. Mais dar merda VAI ou melhor vai todo mundo ficar churrasco quando as torres forem derrubadas :-D

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  13. Gostei dessa amizade, gostei muito dela... mas ainda tenho um pé atrás com Lysandra

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  14. A prostituta e a psicótica,que amizade.

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  15. Gostei mais dessa amizade do que entre Celaena e Nehemia KKKKK já começou emocionante, se unindo como aliadas

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  16. N acho q a Lysandra esteja mentindo, ela n tem motivos pra isso. E outra coisa, fico feliz q a autora tenha feito elas se tornarem amigas, odeio quando fazem duas mulheres serem inimigas sem motivo algum.

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  17. É até estranho ler esse capítulo e lembrar de Lâmina da Assasina: as alfinetadas que as duas trocavam direto. Espero que dê certo!!

    Ass.: B.Bunny

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