28 de fevereiro de 2016

Capítulo 12

Um guarda entregou a convocação do duque, e Manon – que estava a ponto de levar Abraxos para um passeio a sós – expôs os dentes por uns bons cinco minutos enquanto andava pelo chão da torre.
Ela não era um cão para ser chamada, e nem suas bruxas. Os seres humanos serviam para o esporte e sangue ocasional, não muito raro como geradores de bruxas novas. Jamais comandantes; nunca superiores.
Manon desceu, e quando chegou na base das escadas da torre, Asterin chegou um passo atrás dela.
— Eu estava indo procurá-la — sua tenente murmurou, sua trança dourada balançando. — O duque...
— Eu sei o que o duque quer — Manon estalou seus dentes de ferro para fora.
Asterin levantou uma sobrancelha, mas se manteve em silêncio.
Manon verificou sua inclinação crescente para começar a evisceração. O duque a convocou para as intermináveis reuniões com o homem alto e magro que se chamava Vernon e ele não olhou para Manon com medo e respeito o suficiente. Ele dificilmente aguentaria poucas horas de treinamento com as Treze, muito menos ser transportado no ar por longos períodos de tempo sem gritar.
Ela inspirava pelo nariz e soltava o ar pela boca, uma e outra vez, até que conseguiu retrair seus dentes e unhas.
Não era um cão, não era uma tola insolente, não era qualquer um. Ela era a Líder Alada, e herdeira do clã por cem anos. Podia lidar com esse porco mortal que seria comida de verme em algumas décadas e, em seguida, voltaria para a sua gloriosa e maléfica existência imortal.
Manon escancarou as portas da sala do conselho do duque, ganhando um olhar dos guardas postados fora – um olhar que não tinha nenhuma reação, sem emoção. Humano em forma, mas nada mais.
O duque estudava um mapa de gigante propormções e sua mesa, seu companheiro ou conselheiro ou bobo da corte, Lord Vernon Lochan, de pé ao seu lado. Alguns lugares para trás fitando a superfície de vidro escuro, Kaltain estava sentada, imóvel, exceto pela vibração de sua garganta clara quando ela respirava. A brutal cicatriz em seu braço de alguma forma escureceu em um vermelho púrpura. Fascinante.
— O que você quer? — Manon exigiu.
Asterin tomou o seu lugar ao lado da porta, os braços cruzados.
O duque apontou para a cadeira em frente a ele.
— Nós temos assuntos para discutir.
Manon permaneceu de pé.
— Minha montaria está com fome, e eu também sugiro falar-me rapidamente, para que eu possa começar com a minha caça.
Lord Vernon, de cabelo escuro, magro como um junco e vestido com uma túnica azul brilhante que parecia muita limpa, olhou Manon de esguelha. Manon mostrou os dentes para ele em advertência silenciosa. Vernon apenas sorriu.
— O que há de errado com a comida que oferecemos, senhorita?
Os dentes de ferro de Manon deslizaram para baixo.
— Eu não como comida feita por mortais. E nem minha montaria.
O duque finalmente levantou a cabeça.
— Se eu soubesse que você seria tão exigente, teria pedido que a herdeira das Pernas Amarelas fosse eleita Líder Alada.
Manon casualmente balançou as unhas até saírem.
— Acho que você encontraria em Iskra uma Líder da Alada indisciplinada, difícil e inútil.
Vernon deslizou em uma cadeira.
— Já ouvi falar sobre a rivalidade entre os Clãs das Bruxas. Tem algo contra as Pernas Amarelas, Manon?
Asterin soltou um rosnado baixo, uma ameaça informal.
— Vocês mortais tem sua gentalha — disse Manon. — Temos as Pernas Amarelas.
— Uma elitista! — Vernon murmurou para o duque, que bufou.
Uma linha de chama fria passou pela espinha de Manon.
— Você tem cinco minutos, duque.
Perrington bateu os dedos sobre a mesa de vidro.
— Estamos a começando... Experimentos. Ao olharmos para o futuro, precisamos expandir nossos números, para melhorar os soldados que já temos. Vocês bruxas, com a sua história, permitem-nos a oportunidade de fazer exatamente isso.
— Explique.
— Eu não estou aqui para explicar todos os detalhes dos meus planos — respondeu o duque. — Tudo o que preciso é que me dê um grupo de jovens das Bico Negro sob seu comando para testes.
— Que tipo de testes?
— Para determinar se são compatíveis para reprodução com os nossos aliados do outro reino – os valg.
Tudo parou. O homem tinha que ser louco, mas...
— Não vão reproduzir como os humanos, é claro. Seria uma tarefa fácil, relativamente indolor, um procedimento com costurar pedra logo abaixo do umbigo. A pedra permite que eles as vejam. E uma criança nascida de linhagem valg e bruxa... Você pode entender o investimento que seria. Vocês bruxas valorizam sua prole tão ardentemente.
Ambos os homens sorriam maliciosamente, à espera de sua aceitação.
Os valg – os demônios que tinham se reproduzido com os féericos para criar as bruxas – de alguma forma voltaram, e estavam em contato com o duque e o rei... Ela encerrou as perguntas.
— Você tem milhares de seres humanos aqui. Use-os.
— A maioria não é inerentemente dotada de magia e compatível com os valg, como as bruxas são. E somente bruxas têm sangue valg já correndo em suas veias.
Será que sua avó sabia disso?
— Estamos aqui para sermos o seu exército, não suas putas — Manon disse com calma letal.
Asterin postou-se a seu lado, o rosto pálido e apertado.
— Escolha um clã de Bico Negro — foi à única resposta do duque. — Eu as quero prontas em uma semana. Interfera nisso, Líder Alada, e farei de sua preciosa montaria carne para cães. Talvez faça o mesmo com suas Treze.
— Toque em Abraxos e arrancarei a pele de seus ossos.
O duque voltou para o seu mapa e acenou com a mão.
— Dispensada. Oh, vá até o ferreiro. Ele mandou dizer que seu último lote de lâminas está pronto para inspeção.
Manon ficou ali, o do peso do vidro preto comprimindo-se, ela poderia quebrar e usar os cacos para lentamente, profundamente cortar os dois homens.
Vernon ergueu as sobrancelhas em uma provocação silenciosa, e foi o suficiente para Manon se por em movimento – para a porta, antes que ela pudesse fazer algo realmente estúpido.
Elas estavam a meio caminho de seus aposentos quando Asterin perguntou:
— O que você vai fazer?
Manon não sabia. E ela não podia perguntar à sua avó, não sem parecer insegura ou incapaz de seguir ordens.
— Eu vou descobrirei.
— Mas você não vai dar um clã de Bico Negro para ele, para esta... esta criação.
— Eu não sei. — Talvez não fosse ruim juntar a sua linhagem com os valg. Talvez eles fizessem suas forças mais fortes. Talvez os valg soubessem como quebrar a maldição Crochan.
Asterin agarrou-a pelo cotovelo, unhas cavando em sua pele. Manon piscou para o toque, a demanda absoluta contida nele. Nunca antes Asterin tinha sequer chegado perto...
— Você não pode permitir que isso aconteça — disse Asterin.
— Já tive o suficiente de pedidos por um dia. Mê faça outro, e você encontrará a sua língua no chão.
O rosto de Asterin estava vermelho.
— Bruxas donzelas são sagradas – sagradas, Manon. Não as damos, nem mesmo para outros clãs.
Era verdade. Bruxas donzelas eram tão raras, e todas do sexo feminino, como um presente da deusa três faces. Elas eram sagradas desde o momento em que a mãe mostrava os primeiros sinais de gravidez até quando atingia a maioridade aos dezesseis anos. Machucar uma bruxa grávida, machucar uma bruxa donzela na barriga ou sua filha, era uma violação do código tão profunda que não havia quantidade de sofrimento que poderia ser infligida ao agressor para coincidir com a hediondez do crime. A própria Manon participara de duas longas execuções agora, e a punição nunca parecia o suficiente.
Crianças humanas não contavam, era tão boas quanto carne bovina para alguns dos clãs. Especialmente as Pernas Amarelas. Mas bruxas jovens... Eram o maior orgulho manter uma bruxa donzela em seu clã; e não havia maior vergonha do que perder uma.
— Qual clã você escolheria? — Asterin perguntou.
— Eu ainda não decidi. — Talvez ela pegasse um clã menor – apenas caso permitisse um mais poderoso se juntar com o valg. Talvez os demônios dessem à sua raça moribunda o tiro de vitalidade que tinha sido tão desesperadamente necessário para as últimas décadas. Séculos.
— E se elas se opuserem?
Manon atingiu as escadas para sua torre pessoal.
— A única pessoa que se opõe a qualquer coisa nestes dias, Asterin, é você.
— Não está certo.
Manon fez um movimento rápido com uma mão, rasgando tecido e pele logo acima seios de Asterin.
— Estou substituindo-a por Sorrel.
Asterin não tocou no sangue que descia de sua túnica.
Manon começou a andar novamente.
— Eu avisei no outro dia para ficar na linha, e uma vez que você escolheu ignorar-me, não tenho nenhum uso para você nessas reuniões, ou às minhas costas — nunca, nenhuma vez nos últimos cem anos tinham trocado seus postos. — A partir de agora, você é terceira na hierarquia. Se provar que possui um pingo de controle, poderei reconsiderar.
— Lady — Asterin disse suavemente.
Manon apontou para as escadas atrás.
— Você quem dirá às outras. Agora.
— Manon — pediu Asterin, um apelo em sua voz que Manon nunca tinha ouvido antes.
Manon continuou andando, seu manto vermelho balançando atrás dela na escada. Ela não se importava de ouvir o que Asterin tinha a dizer – não quando sua avó deixara claro que qualquer passo fora da linha, qualquer desobediência, faria todas ganharem uma execução brutal e rápida. O manto em torno dela nunca permitiria que ela esquecesse.
— Eu vejo lá em cima em uma hora — disse Manon, sem se preocupar em olhar para trás quando entrou em sua torre.
Que cheirava a ser humano.



A jovem serva ajoelhava-se diante da lareira, uma escova e pá de lixo em suas mãos. Ela tremia ligeiramente, mas o cheiro de seu medo já havia revestido a sala. Ela provavelmente entrou em pânico desde o momento em que pôs os pés dentro da câmara.
A menina abaixou a cabeça, seu cabelo meia-noite deslizando sobre o rosto pálido, mas não antes de Manon notar o vislumbre de avaliação em seus olhos escuros.
— O que está fazendo aqui? — Manon perguntou categoricamente, as unhas de ferro clicando uma contra a outra, só para ver o que a menina faria.
— Lim-limpeza — a menina gaguejou demasiado entrecortada, também perfeitamente. Subserviente, dócil e aterrorizada, exatamente do jeito que as bruxas preferiam. Apenas o cheiro de medo era real.
Manon retraiu seus dentes de ferro.
A serva moveu em seus pés, fazendo uma careta de dor. Ela se mexeu o suficiente para que as surradas saias caseiras de seu vestido balançassem, revelando uma grossa corrente entre seus tornozelos. O tornozelo direito fora mutilado, seu pé torcido de lado, brilhante com a pele cicatrizada
Manon escondeu o sorriso predador.
— Por que me dariam uma aleijada por serva?
— E-eu só sigo ordens. — A voz era aguada, não digna.
Manon bufou e se dirigiu para a mesa de cabeceira, sua trança e o manto vermelho-sangue fluíam atrás dela. Lentamente, à escuta, ela se serviu de um pouco de água.
A serva recolheu suas ferramentas de forma rápida e habilmente.
— Eu posso voltar quando não for incomodá-la, senhora.
— Faça o seu trabalho, mortal, e, em seguida, vá embora. — Manon se virou para ver o acabamento da menina. A serva mancando pela sala, mansa e frágil e indigna de um segundo olhar. — Quem fez isso com sua perna? — Manon perguntou, encostada na cabeceira da cama.
A serva nem sequer levantar a cabeça.
— Foi um acidente. — Ela reuniu as cinzas no balde que arrastara até ali. — Eu caí um lance de escadas quando tinha oito anos, e não havia nada a ser feito. O meu tio não confiava em curandeiros o suficiente para deixá-los entrar em nossa casa. Tive a sorte de ficar com ele.
— Por que as correntes? — Outra questão plana, entediado.
— Para que eu não possa fugir.
— Você não teria ido longe nestas montanhas, de qualquer maneira.
Houve um ligeiro endurecimento em seus ombros magros, o valente esforço para esconder isso.
— Sim — a menina respondeu — mas eu cresci em Perranth, não aqui. — Ela empilhou a sujeira que deve ter limpado, mancando mais a cada passo. A caminhada para baixo, puxando o balde pesado de cinzas, seria outra miséria, sem dúvida. — Se precisar de mim, é só chamar por Elide. Os guardas saberão onde me encontrar.
Manon observava cada passo mancado que a levou para a porta. Manon quase a deixou sair, deixou pensar que estava livre, antes de dizer:
— Ninguém nunca puniu seu tio por sua estupidez sobre curandeiros?
Elide olhou por cima do ombro.
— Ele é o senhor de Perranth. Ninguém podia fazer isso.
— Vernon Lochan é seu tio — Elide assentiu. Manon inclinou a cabeça, avaliando o comportamento gentil tão cuidadosamente construído. — Por que seu tio veio para cá?
— Eu não sei — Elide sussurrou.
— Por que trazer você junto?
— Eu não sei — disse ela novamente, pousando o balde. Ela se moveu, trocando seu peso para a perna boa.
— E quem atribuiu você a esta torre? — Manon perguntou muito baixinho.
Ela quase riu quando os ombros da menina curvaram-se quando ela baixou a cabeça ainda mais.
— Eu não sou uma espiã. Juro pela minha vida.
— Sua vida não significa nada para mim — respondeu Manon, saindo da cabeceira da cama e rondando mais perto. A serva se manteve firme, tão convincente em seu papel de submissa humana. Manon enfiou uma unha pontuda de ferro por baixo do queixo de Elide, puxando a cabeça para cima.
— Se eu pegá-la me espionando, Elide Lochan, você se encontrará se com duas pernas inúteis.
O cheiro forte de seu medo encheu o nariz de Manon.
— Minha senhora, e-eu juro que não v-vou...
— Saia — Manon raspou a unha sob o queixo de Elide, deixando um fio de sangue em seu rastro. E só por isso, Manon se afastou e chupou o sangue de Elide de sua unha de ferro.
Foi um esforço manter o rosto inexpressivo quando saboreou o sangue. A verdade era contada.
Mas Elide tinha visto o suficiente, ao que parecia, e a primeira rodada de seu jogo tinha acabado. Manon deixou a menina mancar para fora, a pesada corrente tilintando depois dela. Manon olhou para a porta vazia. Tinha sido divertido, em primeiro lugar, deixar a garota achar que Manon fora enganada por ela, por doce de língua, pelas ações inofensivas. Em seguida, a herança de Elide fora revelada e todos os instintos predatórios de Manon fora ativados quando ela monitorou a forma como a menina escondeu o rosto, assim suas reações seriam veladas, da maneira como a outra falou o que ela queria ouvir. Como se ela estivesse se sentindo um inimigo em potencial.
A menina ainda podia ser uma espiã, Manon disse a si mesma, voltando-se para a mesa, onde o cheiro de Elide estava mais forte.
Com certeza, o extenso mapa do continente trazia vestígios de canela e sabugueiro, o cheiro de Elide, em pontos concentrados. Como impressões digitais.
Uma espiã de Vernon, ou uma com seus próprios planos? Manon não tinha ideia.
Mas valia a pena manter um olho em qualquer pessoa com sangue de bruxa nas veias. Ou talvez treze.



A fumaça de incontáveis forjas incomodava os olhos de Manon o suficiente para que ela mantivesse a pálpebra de voo no lugar após a aterrissagem no coração do campo de guerra, ao som marteladas e crepitação de chamas.
Abraxos assobiou, andando em um círculo apertado que definia os soldados sombrios e blindados que assistiram seu pouso na borda. Eles encontraram outro lugar para ficar quando Sorrel desceu na lama ao lado de Manon um momento depois, rosnando duro para o grupo mais próximo de curiosos.
Abraxos soltou um grunhido de sua autoria, dirigida à montaria e Sorrel, e Manon deu-lhe uma pontada afiada com seus calcanhares antes de desmontar.
— Nada de brigas — ela rosnou para ele, estando próxima à pequena clareira em meio aos abrigos construídos para os ferreiros. A clareira era reservada para as montadoras de serpentes aladas, completamente circundada por postes enraizados em todo o seu perímetro para prender suas montarias. Manon não se incomodou, embora Sorrel tenha amarrado a dela, não confiando na criatura.
Ter Sorrel na posição de Asterin era... estranho. Como se o equilíbrio do mundo tivesse mudado de lado. Mesmo agora, suas serpentes aladas eram ariscas perto uma da outra, embora nenhuma ainda tivesse se lançado para o combate imediato. Abraxos normalmente deixava espaço para a serpente azul-celeste fêmea de Asterin, mesmo roçando contra ela.
Manon não esperou Sorrel discutir com sua montaria antes de caminhar para o covil do ferreiro, o edifício pouco mais que toras de madeira erguidas com um telhado improvisado. As forjas – gigantes de pedra – providenciavam luz, e em torno delas, homens martelavam, dobravam, puxavam e afiavam.
O ferreiro da torre já esperava apenas após o primeiro posto, apontando para elas com uma mão vermelha cicatrizada. Em cima da mesa diante do homem musculoso de meia-idade, jazia uma disposição de lâminas – de aço de Adarlan, brilhantes de tanto polimento. Sorrel permaneceu ao lado de Manon enquanto esta fez uma pausa antes pegar um punhal e pesá-lo em suas mãos.
— Ferreiro — Manon falou para ele, que a fitava com olhos escuros e penetrantes. Ela ergueu outro punhal, em seguida uma espada, pesando-os também. — Eu preciso de armas leves para os clãs.
Os olhos do ferreiro estreitaram-se ligeiramente, mas ele pegou a espada que tinha baixado e pesou-a. Ele inclinou a cabeça, batendo no punho decorado e sacudindo a cabeça.
— Eu não me importo se é bonita — devolveu Manon. — Há apenas uma finalidade que importa para mim. Reduza ad decorações e poderá diminuir algum peso.
Ele olhou para onde estava Ceifadora de Vento em suas costas, seu punho maçante e comum. Mas ela o vira admirar a lâmina, uma verdadeira obra-prima quando se encontraram na outra semana.
— Só vocês mortais se importam que a espada pareça bonita — disse ela. Seus olhos brilharam, e ela se perguntou se ele teria dito a ela para ficar longe, se tivesse uma língua para fazê-lo. Asterin, através de suas formas de encantar ou aterrorizar as pessoas e conseguir informações úteis, descobrira que a língua do homem havia sido cortada por um dos generais dali por espalhar os seus segredos. Ele não devia ser capaz de escrever ou ler, então. Manon quis saber que outras coisas que o detinham, talvez uma família, para manter um homem tão habilidoso seu prisioneiro. Talvez tenha sido por causa disso que ela explicou:
— As serpentes aladas serão peso suficiente durante a batalha. Entre as nossas armaduras, armas, suprimentos e armaduras das montarias, precisamos encontrar lugares para aliviar a carga. Ou então elas não aguentarão ficar no ar por muito tempo.
O ferreiro apoiou as mãos nos quadris, estudando as armas que tinha feito, e levantou uma mão, fazendo um gesto para que ela esperasse, enquanto corria mais fundo no labirinto de fogo e minério fundido e bigornas.
Um grande e rápido tinido de metal contra metal foi o único som quando Sorrel testou uma das lâminas ela mesma.
— Você sabe que apoiarei qualquer decisão que tome — disse ela. O cabelo castanho de Sorrel fora puxado firmemente para trás, seu rosto bronzeado, provavelmente lindo para os mortais, estável e sólido como sempre. — Mas Asterin...
Manon abafou um suspiro. As Treze não ousaram mostrar qualquer reação quando Manon levara Sorrel para esta visita antes da caçada. Vesta se mantivera perto de Asterin na torre abandonada, embora ausente de solidariedade ou em indignação silenciosa, Manon não soubesse. Mas Asterin encontrara o olhar de Manon e acenou – gravemente, mas ela balançou a cabeça.
— Você não quer ser minha imediata?
— É uma honra ser sua imediata — Sorrel respondeu, sua voz áspera cortando os martelos e outros sons. — Mas também era uma honra ser sua segunda imediata. Você sabe que Asterin oscila entre a selvageria em um bom dia. Mantê-la neste castelo, dizer que ela não pode matar ou mutilar ou caçar, dizer-lhe para se manter afastada dos homens... Ela está sendo obrigada a ficar no limite.
— Estamos todas no limite — Manon contara às Treze sobre Elide, e se perguntou se os olhos afiados da menina perceberiam que ela agora tinha um grupo de bruxas farejando atrás dela.
Sorrel soltou um suspiro, seus poderosos ombros se elevaram. Ela largou o punhal.
— Na Ômega, nós sabíamos qual era o nosso lugar e o que era esperado de nós Tivemos uma rotina. Tínhamos finalidade antes disso, nós caçávamos as Crochans. Aqui, não somos mais do que as armas à espera de sermos utilizadas — ela apontou para as lâminas inúteis sobre a mesa. — Aqui, sua avó não está por perto para... Influenciar as coisas, para fornecer regras estritas. Para instilar medo, ela tornaria a vida do duque um inferno.
— Você está dizendo que sou uma líder ruim, Sorrel? — uma pergunta em voz baixa.
— Estou dizendo que as Treze sabem por que sua avó a obrigou a matar a Crochan por esse manto.
Perigoso – um terreno tão perigoso.
— Acho que vocês às vezes se esquecem do que minha avó pode fazer.
— Confie em mim, Manon, nós não esquecemos — Sorrel respondeu suavemente quando o ferreiro apareceu ao longe, um conjunto de lâminas em seus braços poderosos. — E mais do que qualquer um de nós, Asterin nem por um segundo esqueceu do que a Grã-Bruxa é capaz de fazer.
Manon sabia que poderia exigir mais respostas, mas também sabia que Sorrel era como rocha e rocha não quebraria. Então, ela enfrentou o ferreiro se aproximando enquanto colocava suas outras lâminas na mesa, o estômago apertado.
Pela fome, ela disse a si mesma. Pela fome.

15 comentários:

  1. Elide eh a filha da Lady q cuidava da Aelin. Ne?

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    1. Sim! Demorei muito pra relacionar ehauheuaheu

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    2. Não foi ela que começou a revolta no Campo de Escravos (não lembro o nome) depois da morte da Neemia?

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    3. Nope... aquela escrava que começou a revolta morreu. Uma anônima...

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    4. Sério isso? Nem percebi. Alguêm pode me explicar?

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    5. Tem uma parte que ela lembra de quando era criança... brincar com Aedion, a Marion (acho que é o nome da mulher que cuidava da Aelin) chegando com uma criança tímida atrás dela, escondida em suas saias... era Elide o nome dela

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  2. Eita.. eu não tinha percebido.. kkk

    Eita, na hora que essa galera se juntar.. kkk

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  3. Eu entendi direito? A Manon disse que a Elide tem sangue de Bruxa?

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  4. Marion disse pra Aelin quando ela se sacrificou pra ela dizer pra Elide que ela a amava .

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  5. Eu sabia que reconhecia o nome dela e o Lochan de algum canto só não lembrava de onde!!!! Achei até que era de outra saga

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  6. Elide, filha da lady marion :o
    Eu imaginava que se ela aparecesse seria uma moça corajosa que se juntaria com Aelin p derrotar o rei
    Mas pelo que vi ela aparece um ratinho assustado tadinha, e ainda com deficiência D: como ela iria se defender? Tô mt ansiosa p saber o desenrolar dessa história
    Antes de Sorscha morrer eu pensava que ela que fosse a Elide, seria legal se fosse :T

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  7. Eu tenho que parar de pausar a leitura só p vir comentar aqui KKKKK então pera, elide só tava fingindo em ser submissa? E sangue bruxa? Mdss comassim

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  8. Sangue de bruxa ?? Isso quer dizer que a mae dela era bruxa ? Se era qual tipo ? Ou o pai (mas existem bruxos homens?) Ou a coitada eh adotada ?

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    1. A mãe, ou a avó, ou a bisavó... a linhagem bruxa deve ser transmitida pelo lado materno, só tem mulheres

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