17 de fevereiro de 2016

Capítulo 11

Em alguns lugares as mudanças das estações são marcadas pela passagem de pássaros migratórios, ou pela maré alta ou baixa. Na nossa cidadezinha, as estações são marcadas pela volta dos turistas. Começa aos poucos, as pessoas saltando dos trens ou dos carros usando casacos impermeáveis coloridos, segurando seus guias de viagem e suas carteirinhas de sócio do National Trust. Depois, quando o calor aumenta um pouco e começa a temporada, os turistas são expelidos de seus carros e enchem a rua principal: americanos, japoneses e um bando de estudantes estrangeiros vão surgindo ao redor do castelo.
No inverno, quase todas as lojas fecham. Os comerciantes mais abonados aproveitam os longos meses sem movimento para passar as férias em casas fora da cidade, enquanto os mais resistentes promovem eventos natalinos e faturavam com corais ou feiras de artesanato. Quando a temperatura sobe, os estacionamentos do castelo lotam, os pubs recebem mais pedidos de sanduíches de queijo com picles e, alguns domingos ensolarados depois, passamos outra vez de modorrenta cidadezinha a tradicional destino turístico inglês.
Subi a colina desviando dos primeiros visitantes da temporada, com suas pochetes de neoprene presas à cintura, os guias turísticos bastante manuseados e as câmeras já prontas para fotografar o castelo na primavera. Sorri para alguns e parei para tirar fotos com as câmeras daqueles que me pediam. Alguns moradores locais reclamavam da alta temporada por causa dos engarrafamentos, dos banheiros lotados, dos pedidos estranhos no The Buttered Bun (“Vocês não têm sushi? Nem rolinhos primavera?”), mas eu não me incomodava. Gostava do jeito dos estrangeiros, dos relances de vidas tão diferentes da minha. Gostava de ouvir diferentes sotaques e tentar adivinhar de que região eram, observar as roupas de quem nunca viu um catálogo da loja de departamento Next, nem comprou um pacote de cinco calcinhas na Marks and Spencer’s.
— Você parece animada — disse Will, quando larguei minha mochila no corredor.
Seu tom dava a entender que minha animação era quase uma afronta.
— É porque é hoje.
— O que tem hoje?
— A nossa saída. Vamos levar Nathan para ver a corrida de cavalos.
Will e Nathan se entreolharam. Eu quase ri. Senti um enorme alívio ao ver como estava o tempo, e ao constatar a presença do sol soube que tudo ia dar certo.
— Corrida de cavalos?
— É. Está tendo uma corrida acirrada em... — tirei o bloco de anotações do bolso — Longfield. Se sairmos agora, chegamos a tempo de ver o terceiro páreo. E quero apostar cinco libras no cavalo Man Oh Man, portanto é melhor irmos logo.
— Corrida de cavalos.
— É. Nathan nunca foi a uma.
Em honra da ocasião, coloquei meu minivestido de matelassê azul, com um lenço com estampa de arreios de cavalo amarrado ao pescoço e um par de botas de montaria de couro.
Will me estudou cuidadosamente, depois deu marcha a ré em sua cadeira e virou-a de lado, de modo a poder ver melhor seu enfermeiro.
— Este é um desejo seu de longa data, Nathan?
Dei a Nathan um olhar de advertência.
— Sim — disse ele, e abriu um sorriso. — Quero ir, sim. Vamos ver os cavalinhos.
Nós tínhamos combinado, claro. Liguei para Nathan na sexta-feira e perguntei que dia ele estaria livre para o passeio. Os Traynor aceitaram pagar horas-extras (a filha deles tinha ido para a Austrália, e acho que eles queriam garantir que alguém “sensível” me acompanharia), mas até o domingo eu não estava bem certa sobre o que faríamos.
Aquilo parecia o começo ideal: um ótimo dia ao ar livre, a menos de meia hora de carro.
— E se eu disser que não quero ir?
— Então, você fica me devendo quarenta libras — respondi.
— Quarenta libras? Como você resolveu isso?
— Meus ganhos. Cinco pratas vezes o prêmio de oito para um. — Encolhi os ombros. — Man Oh Man é barbada.
Tive a impressão de tê-lo desequilibrado.
Nathan bateu com as mãos nos joelhos.
— Parece ótimo. E está um lindo dia para isso — disse ele. — Quer que eu embrulhe alguma coisa de comer para você levar?
— Não — respondi. — Lá tem um restaurante ótimo. Quando meu cavalo vence a corrida, o almoço é por minha conta.
— Você tem assistido a muitas corridas, então? — perguntou Will.
E assim, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, nós havíamos enfiado o casaco nele e eu corri lá para fora a fim de tirar o carro da garagem.

* * *

Eu tinha tudo planejado. Chegaríamos ao hipódromo num lindo dia de sol. Haveria puros-sangue lustrosos e de longas pernas, seus jóqueis em brilhantes selas ondulantes, desfilando devagar. Talvez uma ou duas bandas de música tocando. As arquibancadas estariam cheias de gente animada e encontraríamos um lugar de onde pudéssemos torcer e agitar os papeizinhos com nossas apostas vencedoras. O espírito competitivo de Will viria à tona, ele não resistiria a calcular as chances e a garantir que ganhasse mais do que Nathan e eu nas apostas. Eu tinha preparado tudo. Depois, quando cansássemos de ver cavalos, iríamos ao elogiado restaurante do hipódromo e teríamos um almoço de lamber os beiços.
Eu deveria ter dado ouvidos a meu pai.
— Quer saber quando a realidade vence a esperança? — ele perguntava. — Programe um divertido dia ao ar livre com a família.
Começou no estacionamento. Chegamos lá sem qualquer incidente, eu agora estava um pouco mais confiante de que Will não cairia para a frente se eu dirigisse a mais de trinta por hora. Tinha visto o itinerário na biblioteca e fui brincando animadamente durante quase todo o trajeto, comentando o lindo céu azul, os campos, a estrada vazia.
Não havia filas para entrar no hipódromo, que era, confesso, um pouco menos grandioso do que eu esperava, e o estacionamento era bem sinalizado.
Mas ninguém me avisou que era gramado e que foi muito usado durante todo o inverno chuvoso. Conseguimos uma vaga (sem dificuldades, já que estava apenas parcialmente cheio) e quase no mesmo momento em que a rampa de Will abaixou, Nathan pareceu preocupado.
— O terreno é muito macio — disse ele. — Ele vai afundar.
Olhei em direção às tribunas.
— Mas se conseguirmos colocá-lo naquela trilha ele ficará bem, certo?
— Essa cadeira pesa uma tonelada — disse ele. — E a trilha está a dez metros de distância.
— Ah, qual é. Essas cadeiras devem ser projetadas para enfrentar um pouco de terra macia.
Tirei a cadeira de Will com cuidado e então vi as rodas afundarem vários centímetros na lama.
Will não disse nada. Ele parecia desconfortável e havia se mantido em silêncio na maior parte do trajeto de meia hora. Ficamos ao lado dele, brincando com seus controles. Tinha surgido uma brisa e as bochechas de Will ficaram rosadas.
— Vamos lá — disse eu. — Vamos fazer isso manualmente. Tenho certeza de que conseguimos carregar a cadeira até lá.
Inclinamos Will para trás. Segurei-a de um lado, Nathan do outro e arrastamos a cadeira para a trilha. Progredíamos devagar, sobretudo porque eu parava a toda hora, já que meus braços doíam e minhas botas novinhas ficaram imundas com a sujeira.
Quando, finalmente, chegamos à trilha, a manta de Will tinha escorregado parcialmente e, de algum modo, se prendido nas rodas, ficando com um dos lados torcido e sujo de lama.
— Não se preocupe— disse Will, seco — é só cashmere.
Eu o ignorei.
— Certo. Conseguimos. Agora, vamos à parte divertida.
Ah, sim. A parte divertida. Quem achou que seria uma boa ideia colocar catracas em hipódromos? Não era como se eles precisassem controlar uma multidão, certo?
Como se houvesse uma horda de fãs de corridas gritando, ameaçando se amotinar se o cavalo Charlie’s Darling não chegasse em terceiro, além de garotas irritadas porque tinham de ficar em cercados longe da pista. Nathan e eu olhamos para a catraca, depois para a cadeira de Will e então nos entreolhamos.
Nathan foi até a bilheteria e explicou nossa situação para a moça lá dentro. Ela inclinou a cabeça para ver Will e indicou o final da tribuna.
— A entrada para deficientes é lá — disse.
Ela pronunciou deficientes como se estivesse num concurso de dicção. A entrada ficava a quase duzentos metros dali. Quando finalmente conseguimos chegar, o céu azul havia desaparecido de repente, sendo substituído por uma tempestade súbita. Claro que eu não tinha levado guarda-chuva. Fui falando sem parar e animadamente sobre como a situação era engraçada e ridícula e mesmo para mim aquilo soava irritante.
— Clark — disse Will, por fim. — Fique calma, sim? Você está cansativa.
Compramos entradas para as tribunas e então, com imenso alívio por finalmente entrarmos, empurrei a cadeira de Will para um lugar coberto, bem ao lado da tribuna principal. Enquanto Nathan resolvia a questão da bebida de Will, pude olhar nossos colegas turfistas.
Era realmente agradável na base da tribuna, apesar dos eventuais salpicos de chuva. Acima de nós, numa sacada envidraçada, homens de terno ofereciam taças de champanhe a mulheres com roupas de casamento. Eles pareciam estar quentes e confortáveis, e desconfiei de que aquela era a Tribuna Especial, listada no quiosque de vendas com preços estratosféricos. As pessoas lá usavam uma tarja, como um pequeno distintivo, sobre uma fita vermelha, para mostrar que eram especiais. Pensei por um momento se seria possível pintar as nossas fitas azuis de outra cor, mas concluí que sermos os únicos com uma cadeira de rodas provavelmente já nos fazia um pouco mais destacados.
Ao nosso lado, salpicados pelas tribunas e segurando copos de café de isopor e garrafinhas de bolso com uísque, havia homens de paletó de tweed e mulheres com casacos acolchoados. Pareciam um pouco mais comuns e suas pequenas tarjas também eram azuis. Desconfiei de que muitos deveriam ser treinadores, cavalariços ou ter alguma ligação com o turfe. Abaixo, um pouco mais à frente, ao lado de pequenas lousas brancas, ficavam os apontadores, seus braços balançando em algum tipo de código de sinais que não conseguia entender. Rabiscavam novas combinações de figuras e as apagavam de novo usando o punho da camisa.
E então, como se fosse uma paródia da sociedade de classes, na parte ao redor da pista de corrida se concentrava um grupo de homens de camisas polo listradas, com latas de cerveja na mão e parecendo estar em algum tipo de reunião. Suas cabeças raspadas davam a entender que prestavam algum serviço militar. De vez em quando, paravam para cantar ou faziam uma barulhenta luta corporal, dando cabeçadas ou gravatas uns nos outros. Quando passei por eles para ir ao banheiro, miaram por causa da minha saia curta (parecia que eu era a única pessoa de saia em toda aquela tribuna) e, sem me virar, levantei para eles meu dedo do meio. E eles perderam o interesse por mim quando sete ou oito cavalos começaram a contornar uns aos outros, diminuindo o ritmo em frente às tribunas numa demonstração primorosa de habilidade, todos se preparando para a próxima corrida.
E então pulei de susto quando a pequena multidão à nossa volta ganhou vida com um urro e os cavalos dispararam das baias de largada. Levantei-me e fiquei olhando, subitamente pasma, sem conseguir conter uma onda de animação ao ver os rabos dos cavalos ondulando ao sabor do vento atrás de seus corpos, os esforços furiosos dos homens com roupas de cores berrantes em cima deles, todos se acotovelando para garantir suas posições. Quando o vencedor cruzou a linha de chegada foi quase impossível não gritar.
Assistimos à Copa Sisterwood, e a seguir à Maiden Stakes, e Nathan ganhou seis libras numa pequena aposta. Will recusou-se a apostar. Assistiu a todas as corridas, mas manteve-se em silêncio, a cabeça enfiada no colarinho alto da jaqueta. Achei que ele tinha ficado dentro de casa tanto tempo que éramos obrigados a nos sentir mal por ele, e decidi que simplesmente não confirmaria isso.
— Acho que agora é o seu páreo, a Copa Hempworth — disse Nathan, olhando para o placar. — Em qual deles você disse que apostou? Man Oh Man? — Ele sorriu. — Eu não sabia que assistir a corrida é muito mais divertido quando se aposta.
— Sabe, eu não lhe disse isso, mas eu nunca tinha vindo ao hipódromo. — comentei com Nathan.
— Você está brincando.
— Nunca nem montei. Minha mãe tem pavor de cavalos. Não me levava nem nas cocheiras.
— Minha irmã tem dois cavalos, perto de Christchurch. Trata-os como se fossem bebês. Gasta todo o dinheiro com eles. — Nathan deu de ombros. — E ela nem vai poder comê-los quando eles morrerem.
A voz de Will se infiltrou até nós.
— Quantas corridas teremos de assistir até garantirmos que você considere seu velho sonho realizado?
— Não seja mal-humorado. Dizem que deve-se experimentar de tudo pelo menos uma vez na vida — falei.
— Acho que corrida de cavalos é a terceira coisa que não se deve fazer na vida, depois de incesto e dança folclórica inglesa.
— Você sempre diz para eu ampliar meus horizontes. Você está adorando isso — provoquei-o. — E não finja que não está.
Então, eles largaram. Man Oh Man usava sela roxa com um losango amarelo. Eu vi o animal se alinhar à pista branca, a cabeça estendida, as pernas do jóquei subindo e descendo, os braços agitando-se para a frente e para trás acima do pescoço do cavalo.
— Vamos lá, camarada!
Nathan estava envolvido, mesmo sem querer. Seus punhos estavam cerrados, seus olhos, fixos no borrão indistinto de animais correndo pelo lado da pista que estava mais distante de nós.
— Vamos, Man Oh Man! — gritei. — Nosso bife do jantar está cavalgando com você! — Vi o cavalo tentar em vão ganhar terreno, as narinas dilatadas, as orelhas grudadas na cabeça. Meu coração subiu para a boca. E então, quando alcançaram a reta final, meu grito começou a morrer: — Tudo bem, pode ser um café — eu me esforcei. — Fechamos com um café?
As tribunas ao meu redor explodiam em gritos e berros. A duas cadeiras de nós, uma garota pulava, rouca de tanto gritar. Notei que eu também pulava. Foi então que olhei para baixo e vi que Will estava de olhos fechados, uma ligeira ruga no meio de suas sobrancelhas. Afastei minha atenção da pista e me ajoelhei.
— Você está bem, Will? — perguntei, chegando para perto dele. — Precisa de alguma coisa? — Tinha de gritar para ser ouvida naquela confusão.
— Uísque — respondeu ele. — Duplo.
Encarei-o e seu olhar se ergueu até encontrar o meu. Ele parecia completamente farto.
— Vamos comer alguma coisa — sugeri a Nathan.
O cavalo Man Oh Man, aquele impostor de quatro patas, passou pela linha de chegada em um mísero sexto lugar. Houve nova gritaria e a voz do locutor veio pelos alto-falantes: Senhoras e senhores, uma incrível vitória de Love Be A Lady, seguido de Winter Sun e, logo depois, Barney Rubble, duas cabeças atrás, na terceira posição.
Empurrei a cadeira de Will pelo meio dos absortos grupos, batendo deliberadamente nas pessoas quando não atendiam ao meu segundo pedido de licença para passar.
Nós já estávamos no elevador quando ouvi a voz de Will:
— Então, Clark, isso quer dizer que você me deve quarenta libras?

* * *

O restaurante tinha sido reformado e a cozinha estava sob o comando de um chef com programa na TV cujo rosto estava em cartazes por todo o hipódromo. Eu tinha olhado o cardápio antecipadamente.
— A especialidade da casa é pato com molho de laranja — disse eu aos dois. — Pelo jeito, é gastronomia retrô, anos setenta.
— Como a sua roupa — disse Will.
Fora do frio e longe da multidão, ele parecia um pouco mais animado. Começara a olhar ao redor, em vez de retirar-se novamente para seu mundo solitário. Meu estômago começou a roncar, já antevendo um bom almoço com pratos quentes. A mãe de Will tinha nos dado oitenta libras de “ajudinha”. Decidi pagar por minha refeição e mostrar o recibo, por isso pediria o que me apetecesse no menu, fosse pato assado retrô ou outra coisa.
— Gosta de sair para comer, Nathan? — perguntei.
— Sou mais de comida para viagem com cerveja — respondeu ele. — Mas estou gostando de estar aqui hoje.
— Qual foi a última vez que você foi a um restaurante, Will? — perguntei.
Ele e Nathan se entreolharam.
— Desde que estou lá, ele não foi a nenhum — disse Nathan.
— Por estranho que pareça, não sou muito chegado a receber comida na boca na frente de desconhecidos.
— Então vamos pedir uma mesa em que possamos colocar você longe do salão — eu disse. Tinha previsto isso. — Se alguma celebridade estiver aí dentro, você vai perder.
— Porque as celebridades pululam num hipodromozinho lamacento em março.
— Você não vai estragar isso, Will Traynor — falei, quando a porta do elevador se abriu. — A última vez que comi fora foi num aniversário de quatro anos no único boliche indoor de Hailsbury, e não havia uma única coisa que não estivesse coberta de bolo. Inclusive as crianças.
Percorremos o corredor acarpetado com nossa cadeira de rodas. O restaurante ficava de um lado, atrás de uma vidraça, e eu pude ver que muitas mesas estavam vazias. Meu estômago roncou de expectativa.
— Olá — cumprimentei, entrando na recepção. — Uma mesa para três, por favor. — Por favor, não olhe para Will, disse em silêncio para a mulher. Não o faça se sentir esquisito. É importante que ele goste daqui.
— Sua tarja, por favor — pediu ela.
— Desculpe?
— Pode mostrar sua tarja de Área Especial?
Olhei para ela inexpressivamente.
— Este restaurante é exclusivo para os que têm a tarja da Área Especial.
Olhei para trás, na direção de Will e Nathan. Eles não podiam me ouvir, mas ficaram esperando, cheios de expectativa. Nathan estava ajudando Will a tirar o casaco.
— Hum... pensei que poderíamos almoçar onde quiséssemos. Temos as tarjas azuis.
Ela sorriu.
— Desculpe. Aqui é só para quem tem a tarja Especial. Está escrito em todo o nosso material promocional.
Respirei fundo.
— Certo. Tem algum outro restaurante aqui?
— Creio que a nossa área informal, o Bufê à Quilo, está em reformas, mas as tribunas têm barracas de comida. — Ela viu minha cara desmoronar e acrescentou: — O Porco no Espeto é muito bom. Tem porco assado no pão de passas. E eles também têm molho de maçã.
— Uma barraca.
— É.
Inclinei-me para ela.
— Por favor, viemos de longe e meu amigo ali não está se sentindo muito bem com esse frio. Tem algum jeito de conseguirmos uma mesa aqui? Precisamos realmente que ele fique num lugar quente. É muito importante que ele tenha um bom dia.
Ela franziu o nariz.
— Lamento muito — disse ela. — Quebrar essa regra vai além daquilo que minha função permite. Tem uma área para deficientes no andar de baixo, você pode fechar as portas. Não dá para ver a pista de corrida, mas é bem aconchegante. Tem aquecedores e tudo. Vocês podem comer lá dentro.
Olhei bem para ela. Eu podia sentir a tensão subindo pelas minhas canelas. Pensei que eu poderia ficar completamente rígida.
Li o nome dela no crachá.
— Sharon — disse eu — o restaurante está longe de estar lotado. Certamente seria melhor ter mais gente comendo do que deixar metade dessas mesas vazia, não acha? Só por causa de um antiquado código de classes num livro de regulamentos?
O sorriso dela lampejou sob a iluminação embutida.
— Senhora, já expliquei a situação. Se abrirmos exceção para a senhora, teremos de fazer o mesmo para todos.
— Mas não faz sentido — argumentei. — Hoje é uma segunda-feira chuvosa, estamos na hora do almoço. Você está com mesas vazias. Nós queremos almoçar. Um almoço realmente caro, com guardanapos e tudo. Não queremos comer espetinho de porco dentro de um armário sem vista, por mais confortável que seja.
Algumas pessoas que estavam comendo no restaurante começaram a se virar em nossa direção, curiosas com a discussão na entrada. Pude ver que Will estava constrangido. Ele e Nathan concluíram que alguma coisa estava errada.
— Então, a senhora devia ter comprado a tarja da Área Especial.
— Certo. — Alcancei minha bolsa e comecei a vasculhá-la em busca da minha carteira. — Quanto é a tarja da Área Especial? — Lenços de papel, velhos tickets de ônibus e um dos carrinhos Hot Wheels de Thomas voaram. Não me incomodava mais com nada. Eu daria a Will seu almoço bacana num restaurante chique. — Aqui. Quanto é? Mais dez? Vinte? — Empurrei um punhado de notas para ela.
Ela olhou para a minha mão.
— Desculpe, senhora, não vendemos tarjas aqui. Isto é um restaurante. A senhora terá que voltar à bilheteria.
— Aquela que fica lá trás, do outro lado das pistas.
— É.
Nós nos encaramos.
A voz de Will surgiu:
— Louisa, vamos embora.
De repente, senti meus olhos se encherem de lágrimas.
— Não — disse eu. — É ridículo. Viemos até aqui. Aguardem aqui enquanto compro tarjas da Área Especial para todos nós. E então, almoçaremos.
— Louisa, estou sem fome.
— Vamos ficar ótimos depois de almoçar. Podemos ver os cavalos e tudo. Vai ser ótimo.
Nathan se adiantou e colocou a mão no meu braço.
— Louisa, acho que Will quer apenas ir para casa.
Nós éramos, naquele momento, o foco de atenção de todo o restaurante. O olhar dos clientes passou por nós e viajou por cima de mim até chegar a Will, onde pairou com um leve toque de nojo ou pena. Senti por ele. Senti como se aquilo fosse um fracasso total. Olhei para a mulher, que pelo menos fez o favor de parecer meio constrangida depois que Will de fato falou.
— Bom, obrigada — disse eu a ela. — Obrigada por ser amável para cacete.
— Clark... — a voz de Will era carregada de advertência.
— Fico feliz por você ser tão flexível. Certamente eu a recomendarei a todos os meus amigos.
— Louisa!
Agarrei minha bolsa e a enfiei embaixo do braço.
— Você esqueceu o seu carrinho de brinquedo — disse ela, quando deslizei para fora pela porta que Nathan segurou para mim.
— O carrinho também precisa de uma maldita tarja? — perguntei, e os segui para dentro do elevador.
Descemos em silêncio. Passei quase todo o pequeno percurso tentando impedir que as mãos tremessem de raiva.
Quando chegamos ao pátio térreo, Nathan murmurou:
— Acho que podíamos comprar alguma coisa nas barracas, sabe. Estamos sem comer há horas. — Deu uma olhadela para Will, para que eu soubesse a quem ele realmente se referia.
— Ótimo — disse eu, animada. Dei um pequeno suspiro. — Eu adoro um pouco de torresmo. Vamos ao velho porco assado.
Pedimos três espetos de porco, torresmo e molho de maçã e ficamos abrigados debaixo do toldo listrado enquanto comíamos. Sentei-me num pequeno caixote para ficar na mesma altura de Will e ajudei-o a comer, partindo pedaços pequenos, usando meus dedos quando necessário. As duas mulheres que serviam atrás do balcão fingiam não olhar para nós. Pude vê-las observando Will com o canto dos olhos, cochichando uma com a outra, quando achavam que não ouvíamos. Coitado – eu praticamente podia escutá-las dizer. – que maneira horrível de se viver. Fiz cara séria para elas, desafiando-as a olhá-lo daquele jeito. Tentei não pensar muito no que Will deveria estar sentindo.
A chuva tinha parado, mas a pista de corrida varrida pelo vento pareceu ser absolutamente desoladora, sua superfície verde e marrom suja por papéis de apostas, o horizonte liso e vazio. O estacionamento tinha alagado com a chuva e, de longe, ouvíamos apenas o som distorcido do alto-falante enquanto outra corrida trovejava ao passar.
— Acho melhor irmos — disse Nathan, limpando a boca. — Quer dizer, foi ótimo e tal, mas é melhor não pegarmos trânsito, não?
— Tudo bem — respondi. Amassei meu guardanapo de papel e joguei-o na lixeira.
Will recusou o terceiro e último pedaço do espeto.
— Ele não gostou? — perguntou a mulher, quando Nathan começou a empurrar a cadeira pelo gramado.
— Não sei. Talvez ele tivesse gostado mais se a comida não viesse acompanhada de pessoas enxeridas — respondi, jogando os restos na lixeira.
No entanto, voltar para o carro e acionar a rampa era mais fácil na teoria que na prática. Nas poucas horas que ficamos no hipódromo, os carros que chegaram e saíram transformaram o estacionamento num mar de lama. Mesmo com a força impressionante de Nathan e meu melhor esforço, não conseguimos empurrar a cadeira nem até a metade do caminho gramado até o carro. As rodas atolavam e rangiam sem conseguir vencer os últimos centímetros. Meus pés e os de Nathan escorregavam na lama, que subia pelo lado dos sapatos.
— Não vai dar — constatou Will.
Eu me recusei a ouvi-lo. Não podia aceitar a ideia de que nosso dia terminaria daquele jeito.
— Acho que vamos precisar de ajuda — concluiu Nathan. — Não consigo nem colocar a cadeira de volta na trilha. Atolou.
Will deu um sonoro suspiro. Parecia estar mais irritado do que eu jamais o vira.
— Will, posso carregá-lo até o banco da frente, se eu inclinar um pouco o encosto. E então, Louisa e eu podemos ver se conseguimos levar a cadeira depois.
A voz de Will surgiu por entre os dentes trincados:
— Não quero que o dia de hoje termine comigo sendo içado pelos bombeiros.
— Desculpe, companheiro — disse Nathan. — Mas Lou e eu não vamos conseguir fazer isso sozinhos. Escute, Lou, você é mais bonita que eu. Vá e arranje mais alguns braços lá onde estávamos, sim?
Will fechou os olhos, endureceu o maxilar e eu corri em direção às tribunas.

* * *

É inacreditável que tantas pessoas possam recusar um pedido de ajuda que envolva uma cadeira de rodas atolada na lama, principalmente quando o pedido vem de uma garota usando uma minissaia e lançando seu sorriso mais amável. Não costumo lidar bem com estranhos, mas o desespero me fez destemida. Passei de um grupo a outro de turfistas que estavam na tribuna principal, perguntando se podiam ajudar um minuto. Olharam para mim e para minhas roupas como se eu estivesse tramando alguma cilada.
— Trata-se de um cadeirante — eu insistia. — Está um pouco preso.
— Estamos só esperando pelo próximo páreo — diziam. Ou: — Desculpe-me. — Ou: — Só depois do páreo das duas e meia. Temos um cavalo correndo nesse.
Cheguei até mesmo a pensar em arranjar um jóquei ou dois. Mas, quando cheguei perto da área destinada a eles, reparei que eram menores que eu.
No momento em que cheguei ao local de aquecimento, eu estava incandescente de raiva contida. Desconfio que rosnava para as pessoas, e não sorria. E ali estavam, finalmente, alegria suprema, os rapazes de camisas polo listradas. Nas costas das camisas lia-se “Última Batalha do Marky” e eles seguravam latas de Pilsner e Tennent’s Extra. O sotaque dava a entender que eram de algum lugar do nordeste e eu tinha certeza que não tinham parado de beber nem por um instante nas últimas vinte e quatro horas. Eles vibraram quando me aproximei, e precisei lutar contra a vontade de lhes mostrar o dedo outra vez.
— Sorria, belezinha. É o último fim de semana de solteiro de Marky — disse um, com voz pastosa e colocando no meu ombro a mão do tamanho de um pernil.
— Hoje é segunda-feira. — Tentei não vacilar ao me desvencilhar dele.
— Você está brincando. Já é segunda? — Ele cambaleou. — Bom, acho que você deveria dar um beijo nele.
— Na verdade — disse eu — vim aqui pedir ajuda a vocês.
— Ajudo no que quiser, gata. — A frase foi acompanhada de uma piscadela lasciva.
Os colegas ficaram balançando ao redor dele como plantas aquáticas.
— Não, sério. Preciso que vocês ajudem a um amigo. Lá no estacionamento.
— Desculpe, não sei se estou em condições de ajudar, gata.
— Preste atenção. Vai começar o próximo páreo, Marky. Você apostou nesse? Acho que eu apostei.
Eles se viraram para a pista, já perdendo o interesse em mim. Olhei por cima do meu ombro para o estacionamento, vendo a figura curvada de Will, com Nathan puxando inutilmente a cadeira. Imaginei-me voltando para casa e contando aos pais de Will que tínhamos largado a caríssima cadeira de rodas num estacionamento. Foi então que vi a tatuagem.
— Ele é soldado— falei, alto. — Ex-soldado.
Um por um, eles se viraram para mim.
— Foi ferido. No Iraque. Nós só queríamos que ele tivesse um bom dia ao ar livre. Mas ninguém nos ajuda. — Ao falar isso, senti lágrimas brotarem nos meus olhos.
— Veterano? Você está brincando. Onde ele está?
— No estacionamento. Pedi a várias pessoas, mas elas simplesmente não quiseram ajudar.
Tive a impressão de que eles levaram um ou dois minutos para processar o que eu dizia. Depois, se entreolharam, admirados.
— Vamos, rapazes. Não vamos assistir a esse páreo. — Passaram por mim em uma fila nada reta. Eu podia ouvi-los comentar entre eles, murmurando: — Malditos civis... não têm ideia de como é isso...
Quando alcançamos o estacionamento, vi Nathan ao lado de Will, cuja cabeça estava enfiada na gola do casaco por causa do frio, apesar de Nathan ter colocado mais uma manta no ombro dele.
— Esses simpáticos cavalheiros se ofereceram para nos ajudar — expliquei.
Nathan olhou as latas de cerveja. Preciso admitir que era preciso se esforçar para imaginar algum deles em uniforme militar.
— Querem levar ele para onde? — perguntou um.
Os outros rodearam Will, saudando-o com a cabeça. Um deles ofereceu a cerveja, provavelmente incapaz de notar que Will não podia segurá-la.
Nathan indicou o nosso carro.
— Queremos colocá-lo no carro. Mas, para fazermos isso, temos de levar a cadeira até o suporte e depois dar marcha a ré até ele.
— Não precisa fazer isso — disse um deles, dando um tapinha nas costas de Nathan. — Podemos carregá-lo até o carro, não é, rapazes?
Um coro de vozes concordou. Eles começaram a se posicionar ao redor da cadeira. Troquei o pé de apoio, desconfortável.
— Não sei... é uma distância grande para vocês carregarem — avisei. — E a cadeira é muito pesada.
Eles estavam completamente bêbados. Alguns mal conseguiam segurar a lata de cerveja. Outro deixou a lata de Tennent’s na minha mão.
— Não se preocupe, gata. Fazemos qualquer coisa por um colega de farda, não é, rapazes?
— Não vamos deixar você aqui, camarada. Jamais abandonamos um companheiro, não é?
Olhei para Nathan e, com a cabeça, neguei furiosamente diante de sua cara intrigada. Will parecia incapaz de se manifestar. Estava sério e, então, quando os homens se agruparam ao redor de sua cadeira e com um grito a içaram, ele ficou meio assustado.
— Qual era o regimento dele, querida?
Tentei sorrir, vasculhando minha memória em busca de nomes de regimentos.
— Décimo Primeiro... Décimo Primeiro Regimento de Rifles — respondi.
— Não conheço — comentou outro homem.
— É um regimento novo — gaguejei. — Supersecreto. Fica baseado no Iraque.
Os tênis deles escorregaram na lama e senti meu coração disparar. A cadeira de Will tinha sido levantada a vários centímetros do chão, como se fosse uma espécie de liteira. Nathan correu para pegar a bolsa de Will e abrir o carro antes que chegássemos até lá.
— Foram os garotos desse regimento que treinaram em Catterick?
— Eles mesmos — respondi, e então mudei de assunto. — E... qual de vocês vai se casar?
Tínhamos trocado números de telefone quando eu finalmente me livrei de Marky e seus companheiros. Eles fizeram uma vaquinha de quarenta libras para ser doada para o fundo de reabilitação de Will e só desistiram quando eu disse que ficaríamos mais contentes se fizessem um brinde a nós. Tive de dar um beijo em cada um. Eu estava quase tonta com o bafo de bebida deles quando terminei. Continuei acenando enquanto voltavam para a tribuna e Nathan buzinou, chamando para que eu entrasse no carro.
— Eles foram úteis, não? — perguntei, animada, ao ligar o carro.
— O mais alto derramou toda a cerveja na minha perna direita — disse Will. — Estou com cheiro de cervejaria.
— Não, não acredito no que estou vendo — exclamou Nathan, quando finalmente saí pela entrada principal. — Olhem. Ali tem um enorme estacionamento para deficientes, ao lado da tribuna. E todo asfaltado.

* * *

Will não disse mais nada até o fim do dia. Acenou para Nathan quando o deixamos em casa e então ficou em silêncio enquanto eu pesquisava sobre qual estrada tomar para o castelo, que parecia ir se estreitando a perder de vista agora que a temperatura voltara a baixar, e enfim parei o carro do lado de fora do anexo.
Desci a cadeira de Will, levei-o para dentro e preparei uma bebida quente para ele. Troquei seus sapatos e sua calça, colocando a manchada de cerveja na máquina de lavar, e acendi a lareira para que ele pudesse se aquecer. Liguei a TV e puxei as cortinas para deixar a sala aconchegante – talvez ainda mais aconchegante devido ao tempo que passamos no frio. Mas foi só quando me sentei com ele na sala, bebericando meu chá, que percebi que ele não estava falando – não por cansaço, ou por querer assistir TV. Ele apenas não estava falando comigo.
— Tem... alguma coisa errada? — perguntei, quando ele não disse nada após meu terceiro comentário sobre as notícias locais.
— Você sabe, Clark.
— Como assim?
— Bom, você sabe tudo que há para se saber a meu respeito. Então, diga qual é o problema.
Olhei bem para ele.
— Desculpe — disse eu, afinal. — Sei que hoje as coisas não saíram exatamente como planejei. Era para ser um ótimo passeio. Eu realmente pensei que você fosse gostar.
Eu não disse que ele estava sendo rude, que ignorava o que eu passei só para distraí-lo, que nem tentou aproveitar. Também não falei que, se tivesse me deixado ir comprar as malditas tarjas, teríamos tido um ótimo almoço e as outras coisas teriam sido esquecidas.
— É isso que quero dizer.
— O quê?
— Ah, você é igual a todos eles.
— Como assim?
— Se você tivesse se preocupado em me perguntar, Clark. Se, por uma vez, tivesse me consultado sobre esse tal passeio ao ar livre, eu teria dito a você. Detesto cavalos e corridas de cavalo. Sempre detestei. Mas você não se preocupou em perguntar. Decidiu o que gostaria que eu fizesse e foi em frente. Fez o que todo mundo faz. Decidiu por mim.
Engoli em seco.
— Eu não tive a intenção de...
— Mas você fez.
Ele virou a cadeira de costas para mim e, após alguns minutos de silêncio, concluí que eu estava dispensada.

19 comentários:

  1. Ela tem que perguntar a ele o que ELE que fazer! Claro não vai adiantar muito se ele dizer: "Eu quero que me matem." Mas ele que tem decidir, acho que ele só que ser um pouco independente, fazer suas próprias escolhas...Sei lá! Deve difícil ser alvo de pena de todos...

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    1. pois é concordo. e não falou em momento nenhum q não estava gostando, só quando chegou e casa. Mas ela só quis ajudar coitada

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  2. Pelo Anjo! Ela vacilou um pouco, mas foi engraçado quando os bêbados apareceram para ajudar. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Ass: Bina.

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    1. também foi engraçado a cena deles empurrando a cadeira tudo sujo de lama e depois na saída ver a pista de deficiente asfaltada

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  3. caracois!muito boa ela inventar q ele foi soldado no Iraque pra conseguir ajudar ela e boa de inventar coisas isso temos que admitir kkk

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    1. EU RINDO ALTO...
      Foi realmente engraçado quando os bêbados apareceram.kkkkk

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  4. Poxa... Aquele momento que boa intenção não é suficiente

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  5. Esse livro esta mt bom! Ela vacilou um pouquinho, e fiquei com dó do Will nesse cap, todos olhando pra ele,a cadeira presa na lama... Acho q só constrangeu ele mais ainda

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  6. Nossa eu ri demais nesse capitulo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk com os bebados kkkkkkkkk

    Sarah

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  7. Puts deu tudo errado !!

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  8. Esse capítulo foi engraçado e triste ao mesmo tempo.

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  9. eu comecei a chorar no nono capitulo, to morrendo de dó e sei que vou precisar de varias caixinhas de lenços ate o final dessa historia, hein karina? chorou tambem?

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  10. Ah Lou porque? Poderia perguntar né miga (imagino o que a mae dele vai falar e a irmã kkk)

    - Morgana

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  11. Estou com cheiro de cervejaria.
    — Não, não acredito no que estou vendo — exclamou Nathan, quando finalmente saí pela entrada principal. — Olhem. Ali tem um enorme estacionamento para deficientes, ao lado da tribuna. E todo asfaltado.

    KKKKKKKKKKKK

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  12. Não sei. Talvez ele tivesse gostado mais se a comida não viesse acompanhada de pessoas enxeridas — respondi, jogando os restos na lixeira.

    KKKKKKKKKKKK ai esse livro é bom demais

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  13. Minha filha e meu marido dormindo..e eu chorando de rir aqui..com a Lou dizendo toda embaraçada..é regimento novo! Kkkkkkk

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  14. Personagem meio boca aberta... como me sai com um tetraplegico e não pesquisa onde vai, que caminho irá pegar. Só em livros mesmo. Tirando a irritação por uma personagem tão desmiolada, o livro está Mara!

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  15. Lou vacilou em .. mas a lou é a melhor personagem ♥

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