28 de fevereiro de 2016

Capítulo 10

A visão de Aedion estava flutuando, sua respiração gloriosamente difícil.
Em breve. Ele podia sentir a morte agachada no canto de sua cela, em contagem regressiva, esperando a última de suas respirações, um leão esperando para atacar. De vez em quando, Aedion sorria para aquelas sombras recolhidas.
A infecção se espalhara, e faltando dois dias até o espetáculo em que ele seria executado, sua morte estava vindo muito em breve. Os guardas assumiram que ele estava dormindo para passar o tempo.
Aedion estava esperando por sua comida, observando a pequena janela gradeada no topo da porta da cela por qualquer sinal da chegada dos guardas. Mas ele estava bastante certo de que estava tendo alucinações quando a porta se abriu e o príncipe entrou.
Não havia guardas atrás dele, nenhum sinal de escolta quando o príncipe olhou da porta.
O rosto imóvel do príncipe disse-lhe imediatamente o que ele precisava saber: esta não era uma tentativa de resgate. E o colar de pedra preta em torno da garganta dele disse todo o resto: as coisas não tinham corrido bem no dia em que Sorscha tinha sido assassinada.
Ele conseguiu sorrir.
— É bom vê-lo, príncipe.
O príncipe correu um olhar sobre o cabelo sujo de Aedion, a barba que tinha crescido durante as últimas semanas, e depois para a pilha de vômito no canto de quando ele não foi capaz de arrastar-se até o balde uma hora atrás.
Aedion segurou o melhor que pôde.
— O mínimo que pode fazer é me levar para jantar antes de olhar para mim desse jeito.
Olhos de safira do príncipe balançaram, e Aedion piscou a neblina cobrindo sua visão.
Aquele que o estudava era frio, predatório, e não muito humano.
— Dorian — Aedion chamou em voz baixa.
A coisa que o príncipe era agora sorriu um pouco. O capitão disse que aqueles anéis de pedra de Wyrd escravizavam a mente – e a alma. Ele tinha visto o colar esperando ao lado do trono do rei, e se perguntou se era o mesmo. Pior.
— Diga-me o que aconteceu na sala do trono, Dorian — Aedion murmurou, sua cabeça pendendo.
O príncipe piscou lentamente.
— Nada aconteceu.
— Por que você está aqui, Dorian? — Aedion nunca abordara o príncipe pelo seu nome, mas o usou. Lembrá-lo, de alguma forma, parecia importante. Mesmo que ele só provocasse o príncipe para matá-lo.
— Eu vim checar o general traidor antes de o executarem como um animal.
Sem chance de ser morto hoje, então.
— Da mesma forma que eles executaram sua Sorscha?
Embora o príncipe não tivesse se mexido, Aedion podia jurar que ele recuou, como se alguém puxasse a corrente, como se ainda houvesse alguém em necessidade de escapar.
— Eu não sei do que você está falando — a coisa dentro do príncipe disse. Mas suas narinas inflaram.
— Sorscha — Aedion respirou, seus pulmões doendo. — Sorscha, a sua mulher, a curandeira. Eu estava de pé ao seu lado quando eles cortaram a cabeça dela. Eu te ouvi gritando quando mergulhou para o corpo dela. — A coisa ficou um pouco rígida, e Aedion pressionou: — aonde eles a enterraram, Dorian? O que eles fizeram com o corpo dela, o corpo da mulher que você amava?
— Eu não sei do que você está falando — ele repetiu.
— Sorscha — Aedion estava ofegante, sua respiração irregular. — O nome dela era Sorscha, ela te amava e eles a mataram. O homem que colocou esse colar em seu pescoço a matou.
A coisa ficou tranquila. Em seguida, inclinou sua cabeça. O sorriso que lhe deu era horrível em sua beleza.
— Eu vou gostar de assisti-lo morrer, Ggneral.
Aedion tossiu uma risada. O príncipe – a coisa que ele tinha se tornado – virou-se suavemente e saiu.
E Aedion poderia ter rido de novo, por despeito e desafio, se não tivesse ouvido o príncipe falar a alguém no corredor:
— O general está doente. Providencie para que ele seja atendido imediatamente.
Não.
A coisa deve ter sentido o cheiro nele.
Aedion não pôde fazer nada quando uma curandeira foi convocada – uma mulher mais velha chamada Amithy – e ele foi obrigado, muito fraco para recuar, quando ela viu seus ferimentos. Ela empurrou um tônico para baixo em sua garganta que o fez engasgar; sua ferida foi lavada e esfregada, e seus grilhões foram encurtados até que ele não pudesse mover as mãos o suficiente para rasgar a costura. Os tônicos continuaram chegando a cada hora, não importava quão duro ele mordesse, não importava quão vigorosamente ele tentasse manter a boca selada.
Então, eles se foram, e Aedion amaldiçoou e jurou a morte por ele, mesmo quando rezou silenciosamente para Mala Portadora da Luz que mantivesse Aelin longe da festa, longe do príncipe, e longe do rei e dos seus colares de pedra de Wyrd.



A coisa dentro dele deixou as masmorras e se dirigiu para o castelo de vidro, a coisa que dirigia seu corpo como um navio. E agora o obrigou a se mover quando eles se apresentaram diante do homem que ele viu muitas vezes nesses momentos que perfurou através da escuridão.
O homem estava sentado em um trono de vidro, com um leve sorriso.
— Curve-se.
A coisa dentro dele puxou com força seu vínculo, um relâmpago espetando seus músculos, ordenando-os a obedecer. Foi como se ele tivesse sido forçado a descer para aquelas masmorras, onde o guerreiro de cabelos dourados havia dito seu nome, disse que seu nome tantas vezes que ele começou a gritar, mesmo que não fizesse nenhum som.
Ele ainda estava gritando enquanto seus músculos o traíam mais uma vez, o trazendo de joelhos, os tendões em seu pescoço doendo, forçando-o a abaixar a cabeça.
— Ainda resistindo? — o homem perguntou, olhando para o anel escuro em seu dedo como se ele já possuísse a resposta. — Posso sentir tanto de você aí. Interessante.
Sim, aquela coisa na escuridão estava ficando mais forte, agora capaz de alcançar a parede invisível entre eles e fazê-lo um fantoche, falar através dele. Mas não totalmente, não por longos períodos de tempo. Ele corrigiu os buracos o melhor que pôde, mas aquilo continuava rompendo.
Demônio. Um príncipe demônio.
E viu o momento – de novo e de novo, quando a mulher que ele amava tinha perdido a cabeça.
Ouvir seu nome na língua rouca do general o fez começar a atacar as barreias na outra parede em sua mente, a barreira que o manteve trancado no escuro. Mas a escuridão em sua mente era um túmulo selado.
O homem no trono ordenou:
— Relatório.
O comando estremeceu através dele, e ele cuspiu os detalhes de seu encontro, cada palavra e ação. E a coisa – o demônio – estava encantado pelo horror dele.
— Inteligente da parte de Aedion tentar morrer tranquilamente sem mim — disse o homem. — Ele deve pensar que há uma boa chance de a prima de vir à festa, se está tão desesperado para nos roubar de nosso entretenimento.
Ele ficou em silêncio, uma vez que não fora instruído a falar. O homem olhou para ele, aqueles olhos negros cheios de alegria.
— Eu deveria ter feito isso anos atrás. Não sei por que perdi tanto tempo esperando para ver se você tem qualquer poder. Fui um tolo.
Ele tentou falar, tentou mover-se, tentou fazer qualquer coisa com seu corpo mortal. Mas o demônio agarrou sua mente como um punho, e os músculos de seu rosto deslizaram em um sorriso.
— É meu prazer servi-lo, majestade.

12 comentários:

  1. QUE ÓDIO DESSE REI FDP DESGRAÇADO. Dorian, meu querido Dorian, preso por esse monstro que se chama de pai. Espero que ele continue lutando :'(

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  2. Mais que FDP!!! Só ñ estou com mais ódio pq parece que o Dorian ainda pode sair vivo dessa...
    Finalmente um luz no fimndo túnel.

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  3. FILHO DA PUTA, QUE ÓDIOOOOOOOOOOO

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  4. Ainda uma esperança!!! 😂😂😂Dorina ainda pode sair vivo!!

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  5. Nossa, da vontade de entrar no livro e quebrar esse colar a qualquer custo, coitado do Dorian nem consigo imaginar quão horrível deve ser ficar preso e torturado na própria mente :c

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  6. Gente,eu não sei porque,mas esse rei me lembra o Presidente Snow, de jogos vorazes....

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    1. Até o presidente snow tinha uma neta que ele amava, até o pai de maxon em A Seleção amava o filho e sua esposa, esse rei de Adarlan é um monstro. Capaz de matar a alma do próprio filho, substituí-lo por um demônio, pqp
      Acho que a maldade dele se iguala somente com um vilão, o Voldemort

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    2. Agora só vou conseguir um rei snow+clarkson sem nariz

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  7. Ler essas partes do ponto de vista do Dorien esta sendo doidamente angustiante, não poder entrar no livro e ajuda-lo.

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