6 de fevereiro de 2016

Capítulo 5

Rourke Farran era um homem muito, muito ocupado. Celaena e Sam esperavam a um quarteirão da casa de Jayne antes do alvorecer na manhã seguinte, os dois usando roupas comuns e mantos com capuzes tão grandes que cobriam a maior parte das feições sem levantar suspeitas. Farran saiu antes de o sol nascer por completo. Eles seguiram a carruagem do homem pela cidade, observando-o a cada parada. Era espantoso ele sequer ter tempo de se entregar aos prazeres sádicos, porque o negócio de Jayne certamente ocupava muito do dia.
Farran pegava a mesma carruagem preta para todo lugar – mais prova da arrogância, pois o tornava um alvo facilmente identificado. Ao contrário de Doneval, que era constantemente vigiado, o homem parecia deliberadamente sair sem guardas, desafiando qualquer um a enfrentá-lo.
Os assassinos o seguiram até o banco, depois até os restaurantes e as tavernas de propriedade de Jayne, até os bordéis e as tendas do mercado negro escondidas em becos caindo aos pedaços, enfim de volta ao banco. Farran fez diversas paradas na casa de Jayne entre um lugar e outro também. Então ele surpreendeu Celaena uma vez ao entrar em uma livraria; não para ameaçar o dono ou coletar propina, mas para comprar livros.
Ela odiou isso, por algum motivo. Principalmente quando, apesar dos protestos de Sam, entrou rapidamente na loja enquanto o livreiro estava nos fundos e olhou o recibo atrás do balcão.
Farran não tinha comprado livros sobre tortura ou morte ou nada maligno. Ah, não. Tinham sido romances de aventura. Romances que ela lera e dos quais gostara. A ideia de que o homem os lesse também pareceu, de alguma forma, uma transgressão.
O dia passou rapidamente, e o casal descobriu pouco, exceto como Farran se deslocava imprudentemente. Sam não devia ter problemas para eliminá-lo na noite seguinte.
Quando o sol mudava para os tons dourados do fim da tarde, Farran parou na porta de ferro que levava ao Cofres.
No fim da rua, Celaena e Sam observaram enquanto fingiam limpar esterco das botas em uma torneira pública.
— Parece adequado que Jayne seja dono do Cofres — disse Sam baixinho por cima do barulho da água corrente.
Celaena o olhou com raiva... ou teria olhado, se o capuz não atrapalhasse.
— Por que acha que fiquei tão irritada por você lutar lá? Se algum dia tivesse problemas com as pessoas do Cofres, se as irritasse, seria relevante o suficiente para que o próprio Farran aparecesse para puni-lo.
— Consigo lidar com ele.
A assassina revirou os olhos.
— Mas eu não esperava que ele fizesse uma visita. Parece sujo demais por aqui, até mesmo para ele.
— Deveríamos ir olhar?
A rua estava silenciosa. O Cofres ganhava vida à noite, mas, durante o dia, não havia ninguém no beco, exceto alguns bêbados cambaleantes e a meia dúzia de guardas a postos do lado de fora.
Era arriscado, considerou Celaena –o  entrar no Cofres atrás de Farran – mas... Se o homem de fato rivalizasse com ela pela fama, seria interessante ter uma noção de como era de verdade antes que Sam acabasse com a vida dele na noite seguinte.
— Vamos — disse a jovem.
Os dois entregaram moedas de prata para os vigias do lado de fora, então atiraram mais para os guardas do lado de dentro, depois entraram. Os brutamontes não fizeram perguntas e não exigiram que entregassem as armas ou os capuzes. A clientela habitual queria discrição enquanto participava dos prazeres deturpados do Cofres.
Do alto das escadas do lado de dentro da porta, Celaena instantaneamente viu Farran sentado em uma das mesas de madeira arranhadas e queimadas no centro do salão, conversando com um homem que ela reconheceu como Helmson, o mestre de cerimônias durante as lutas. Um pequeno público do almoço estava reunido nas outras mesas, embora todos tivessem aberto espaço ao redor de Farran. Nos fundos do cômodo, as arenas estavam escuras e silenciosas, os escravos trabalhavam para raspar o sangue e a imundície antes das comemorações da noite.
A assassina tentou não olhar muito tempo para os grilhões e para a postura submissa dos escravos. Era impossível saber de onde vinham – se haviam começado como prisioneiros de guerra ou apenas tinham sido roubados dos próprios reinos. Ela considerou se seria melhor acabar como escravo ali ou como prisioneiro em um violento campo de trabalhos forçados, como Endovier. Os dois pareciam versões semelhantes do Inferno.
Em comparação com a multidão fervorosa da outra noite, o Cofres estava praticamente deserto naquele dia. Até as prostitutas nas câmaras abertas que ladeavam o espaço cavernoso estavam descansando enquanto podiam. Muitas das jovens dormiam em pilhas emaranhadas sobre as camas estreitas, mal escondidas pelas cortinas em frangalhos destinadas a fornecer a ilusão de privacidade.
Celaena queria incendiar o lugar até virar cinzas, e então deixar que todos soubessem que aquele não era o tipo de coisa que a Assassina de Adarlan apoiava. Talvez depois de terem eliminado Farran e Jayne, fizesse isso mesmo. Um último toque de glória e vingança de Celaena Sardothien – uma última chance de fazer com que se lembrassem dela para sempre antes de partir.
Sam ficou perto da jovem ao chegarem à base das escadas e se dirigirem ao bar oculto pelas sombras. Um trapo de homem estava atrás do balcão, fingindo limpar a superfície de madeira enquanto os olhos azuis mareados permaneciam fixos em Farran.
— Duas cervejas — resmungou Sam.
Celaena colocou uma moeda de prata no bar, e a atenção do atendente se voltou para eles. Estava pagando muito além do preço, mas as mãos finas e feridas do homem fizeram a moeda sumir com um piscar de olhos.
Ainda havia gente o suficiente dentro do Cofres para que Celaena e Sam se misturassem – a maioria eram bêbados que jamais saíam do estabelecimento e pessoas que pareciam gostar daquele tipo de ambiente fétido durante o almoço. O casal fingiu beber as cervejas – derrubando álcool no chão quando ninguém olhava – e observou Farran.
Havia um baú de madeira fechado apoiado na mesa ao lado do homem e do mestre de cerimônias atarracado; um baú que Celaena não tinha dúvidas de que continha todo o lucro do Cofres da noite anterior. A atenção de Farran estava fixa, com intensidade felina, em Helmson, o baú parecia esquecido. Era quase um convite.
— Quanto acha que ele ficaria irritado se eu roubasse aquele baú? — ponderou a jovem.
— Nem mesmo pense na ideia.
Ela estalou a língua.
— Estraga-prazeres.
O que quer que Farran e Helmson estivessem discutindo, acabou rapidamente. Mas, em vez de subir as escadas, Farran foi até a ala das garotas. Passou caminhando por cada alcova e câmara de pedra, e as moças todas se aprumaram. As que dormiam eram rapidamente acordadas, qualquer sinal de sono desaparecia quando o homem passava. Olhou as jovens de cima a baixo, inspecionando, fazendo comentários para o mestre de cerimônias que seguia atrás. Helmson assentiu, fez reverências e vociferou ordens para as garotas.
Mesmo do outro lado do salão, o terror nos rostos delas era evidente.
Tanto Celaena quanto Sam se esforçaram para evitar ficarem tensos. Farran cruzou a ampla câmara e inspecionou as alcovas do outro lado. A essa altura, as mulheres daquele lado estavam prontas. Ao terminar, o homem olhou por cima do ombro e assentiu para Helmson.
O mestre de cerimônias relaxou os ombros com o que só podia ser alívio, mas então ficou pálido e encontrou outro lugar para ir quando Farran estalou os dedos para uma das sentinelas perto de uma porta pequena. Imediatamente a porta se abriu, e um sujeito acorrentado, sujo e musculoso foi arrastado para fora por outra sentinela. O prisioneiro parecia quase morto, mas, assim que viu Farran, começou a implorar e se debater contra as mãos do guarda.
Era difícil ouvir, mas Celaena distinguiu o bastante das súplicas frenéticas para entender a ideia geral: era um lutador no Cofres que devia a Jayne mais dinheiro do que poderia pagar e tentara trapacear para se livrar da dívida.
Embora o prisioneiro tivesse prometido pagar com juros, Farran apenas sorriu, deixando-o balbuciar até que, por fim, o sujeito parou para tomar um fôlego trêmulo. Então Farran indicou com o queixo uma porta escondida atrás de uma cortina em frangalhos, e o sorriso cresceu quando a sentinela arrastou o preso, ainda suplicante, na direção do lugar. Quando a porta se abriu, Celaena viu de relance uma escadaria para baixo.
Sem sequer um olhar na direção dos clientes que observavam com discrição das mesas, Farran levou a sentinela e o homem detido para dentro, fechando a porta. O que quer que estivesse prestes a acontecer era a versão de Jayne de justiça.
E claro o bastante, cinco minutos depois, um grito atravessou o Cofres.
Era mais animal que humano. A assassina ouvira gritos como aquele antes – testemunhara tortura o suficiente na Fortaleza para saber que, quando as pessoas gritavam daquele jeito, significava que a dor estava apenas começando. No fim, quando aquele tipo de dor acontecia, as vítimas costumavam ter estourado as cordas vocais e só conseguiam emitir gritinhos roucos e interrompidos.
Celaena trincou os dentes com tanta força que o maxilar doeu. O atendente do bar fez um gesto brusco para a banda no canto que imediatamente começou uma música para acobertar o barulho. No entanto, gritos ainda ecoavam sob o piso de pedra. Farran não mataria o homem imediatamente. Não, o prazer dele vinha da própria dor.
— Está na hora de partir — falou a jovem, ao reparar em como Sam agarrava a caneca com força.
— Não podemos apenas...
— Podemos — disse ela, com aspereza. — Acredite em mim, gostaria de entrar lá também. Mas este lugar foi projetado como uma armadilha mortal, e não tenho desejo algum de morrer aqui, nem agora. — O rapaz ainda encarava a porta para as escadas. — Quando a hora chegar — acrescentou Celaena, apoiando a mão no braço dele — você vai se certificar de que ele pagará.
Sam se virou para ela, o rosto escondido sob as sombras do capuz, mas a assassina conseguia interpretar a agressão no corpo dele bem o suficiente.
— Ele vai pagar por tudo isso — grunhiu o companheiro, e foi quando Celaena reparou que algumas das garotas choravam, outras estremeciam e algumas apenas encaravam o nada. Sim, Farran tinha visitado antes, usara aquele quarto para fazer o trabalho sujo de Jayne, enquanto lembrava a todos que não deveriam irritar o lorde do crime. Quantos horrores aquelas mulheres tinham testemunhado, ou pelo menos ouvido?
Os gritos ainda subiam do chão quando os dois saíram do Cofres.



Ela pretendia ir para casa, mas Sam insistiu em ir ao parque público construído ao longo de um bairro nobre às margens do Avery. Depois de perambularem pelos caminhos de cascalho bem definidos, ele se sentou em um banco de frente para a água. Tirando o capuz, esfregou o rosto com as grandes mãos.
— Não somos assim — sussurrou o rapaz por entre os dedos.
Celaena então afundou no banco de madeira. Sabia exatamente do que Sam estava falando. O mesmo pensamento ecoava pela cabeça dela conforme caminhavam. Tinham aprendido a matar e desmembrar e torturar – a assassina sabia como esfolar um homem e mantê-lo vivo enquanto o fazia. Sabia como manter alguém acordado e consciente durante longas horas de tormento; sabia onde infligir mais dor sem fazer com que a pessoa sangrasse até a morte.
Arobynn fora muito, muito inteligente quanto a isso também. Levara as pessoas mais desprezíveis – estupradores, homicidas, assassinos sórdidos que haviam massacrado inocentes – e fizera com que Celaena lesse todas as informações que reunira sobre eles. Obrigara a jovem a ler a respeito das coisas horríveis que tinham feito até que estivesse tão revoltada que não conseguia pensar direito, até estar ardendo para fazer com que sofressem. O mentor afiara o ódio dela até que se tornasse uma lâmina mortal. E ela permitira.
Antes de baía da Caveira, tinha feito tudo e raramente questionara. Fingia que tinha algum código moral, mentia para si mesma e dizia que, como não gostava daquilo, significava que tinha alguma desculpa, mas... mesmo assim ficara naquela câmara sob a Fortaleza dos Assassinos e vira o sangue fluir para o ralo no piso inclinado.
— Não podemos ser daquele jeito — falou Sam.
Ela pegou as mãos do rapaz, retirando-as devagar do rosto dele.
— Não somos como Farran. Sabemos como fazer aquilo, mas não gostamos. Essa é a diferença.
Os olhos castanhos estavam distantes, observando a corrente suave do Avery seguindo para o mar próximo.
— Quando Arobynn ordenava que fizéssemos coisas como aquela, jamais dissemos não.
— Não tínhamos escolha. Mas agora temos. — Depois que deixassem Forte da Fenda, jamais precisariam fazer uma escolha como aquela de novo, poderiam criar os próprios códigos.
Sam olhou para Celaena com a expressão tão assombrada e lívida que ela sentiu enjoo.
— Mas sempre havia aquela parte. Aquela parte que gostava, sim, quando era alguém que merecia de verdade.
— Sim — sussurrou a assassina. — Sim, sempre havia aquela parte. Mas ainda tínhamos um limite, Sam, ainda permanecíamos do outro lado. Limites não existem para alguém como Farran.
Eles não eram como Farran; Sam não era como Farran. Celaena sabia disso bem no fundo. O companheiro jamais seria como aquele homem. Jamais seria como ela também. Celaena às vezes imaginava se ele sabia o quanto ela podia se tornar sombria.
Sam encostou-se nela, apoiando a cabeça em seu ombro.
— Quando morrermos, acha que seremos punidos pelas coisas que fizemos?
Ela olhou para a margem distante do rio, na qual uma fileira de casas e docas desorganizadas tinha sido construída.
— Quando morrermos — falou Celaena —, não acho que os deuses sequer saberão o que fazer conosco.
Sam olhou para ela, um lampejo de diversão brilhando nos olhos.
A jovem sorriu em retorno, e o mundo, por um breve segundo, pareceu certo.



A adaga gemia conforme Celaena a amolava, as reverberações subindo pelas mãos. Sentado a seu lado no chão da sala, Sam estava debruçado sobre um mapa da cidade, tracejando ruas com os dedos. A lareira diante deles projetava sombras bruxuleantes sobre tudo, um calor bem-vindo em uma noite fria.
Os dois tinham voltado para o Cofres a tempo de verem Farran entrar na carruagem de novo. Então passaram o restante da tarde o seguindo: mais viagens ao banco e outros locais, mais paradas de volta à casa de Jayne. Celaena saíra sozinha durante duas horas para seguir o lorde do crime; para dar mais uma olhada sutil na casa e ver aonde ele ia. Foram duas horas monótonas usadas para descobrir em quais locais os espiões dele se escondiam nas ruas, pois Jayne sequer saiu da construção.
Se Sam planejava eliminar Farran na noite seguinte, os dois haviam concordado que a melhor hora para fazê-lo seria quando o homem pegasse a carruagem da casa para qualquer outro lugar em que tivesse negócios, próprios ou de Jayne. Depois de um longo dia de tarefas para o lorde do crime, Farran certamente estaria exausto, as defesas seriam mais descuidadas. O homem não saberia o que estava a caminho até que seu sangue fosse derramado.
Sam vestiria o traje especial que o mestre funileiro de Melisande havia feito, o qual, por si só, era uma armadura. As luvas ocultavam espadas embutidas, as botas eram especialmente desenvolvidas para escalar, e, graças a Celaena, o traje estava equipado com um retalho instransponível de Seda de Aranha sobre o coração.
A assassina tinha o próprio traje, é claro – usado apenas raramente agora que o comboio de Melisande voltara para casa. Se qualquer dos trajes precisasse de reparos, seria quase impossível encontrar alguém em Forte da Fenda habilidoso o suficiente. Contudo, eliminar Farran era definitivamente uma ocasião que valia o risco. Além das defesas do traje, Sam também estaria equipado com lâminas e adagas sobressalentes que Celaena agora amolava. Ela testou uma ponta contra a mão, sorrindo sombriamente quando a pele ardeu.
— Afiada o bastante para cortar ar — disse a jovem, embainhando a arma e apoiando-a ao lado.
— Bem — falou Sam, com os olhos ainda percorrendo o mapa —, vamos torcer para que eu não precise me aproximar o bastante para usá-la.
Se tudo corresse de acordo com o plano, o rapaz só precisaria disparar quatro flechas: duas para derrubar o cocheiro e o criado da carruagem, uma para Farran e mais uma só para se certificar de que o homem estivesse morto.
Celaena pegou outra adaga e começou a afiá-la também. Ela indicou o mapa com o queixo.
— Rotas de fuga?
— Já planejei uma dúzia — falou Sam, mostrando-as.
Com a casa de Jayne como ponto de partida, o companheiro escolhera diversas ruas em cada direção da qual pudesse disparar as flechas, as quais levavam a múltiplas rotas de fuga que tirariam Sam dali o mais rápido possível.
— Me fale mais uma vez por que não vou? — A adaga nas mãos de Celaena emitiu um gemido longo.
— Porque estará aqui, fazendo as malas?
— Fazendo as malas? — Parou a faca que afiava na mão.
Sam voltou a atenção para o mapa e disse, com muito cuidado:
— Garanti passagem para nós em um navio para o continente sul que partirá em cinco dias.
— O continente sul.
O rapaz assentiu, ainda concentrado no mapa.
— Se vamos sair de Forte da Fenda, então vamos fugir deste continente todo também.
— Não foi isso que discutimos. Decidimos nos mudar para outra cidade deste continente. E se houver outra Guilda de Assassinos no continente sul?
— Então pediremos para nos juntarmos a ela.
— Não vou implorar para me juntar a uma guilda desconhecida e ser subserviente a assassinos aspirantes à fama!
Sam ergueu o rosto.
— A questão é mesmo seu orgulho ou é a distância?
— Os dois! — Celaena soltou a adaga e a pedra de afiar no tapete. — Eu estava disposta a me mudar para um lugar como Banjali ou Enseada do Sino ou Anielle. Não para um continente totalmente novo, um lugar sobre o qual mal sabemos qualquer coisa! Isso não fazia parte do plano.
— Pelo menos estaremos fora do império de Adarlan.
— Não dou a mínima para o império!
Sam se sentou, apoiando-se nas mãos.
— Não pode simplesmente admitir que a questão é Arobynn?
— Não. Você não sabe do que está falando.
— Porque se velejarmos para o continente ao sul, então ele jamais nos encontrará de novo, e não acho que esteja pronta para aceitar isso.
— Meu relacionamento com Arobynn...
— O quê? Acabou? Por isso não me contou que ele veio visitá-la ontem?
O coração de Celaena deu um salto.
Sam continuou:
— Enquanto você seguia Jayne hoje, ele me abordou na rua e pareceu surpreso por você não ter dito nada sobre a visita. Também me disse para perguntar o que realmente aconteceu antes de Arobynn a encontrar quase morta na margem daquele rio quando éramos crianças. — O rapaz se aproximou, apoiando uma das mãos no chão ao chegar o rosto mais perto do dela. — E sabe o que respondi? — O hálito estava quente na boca de Celaena. — Que não me importava. Mas ele ficou tentando me fazer morder a isca, fazer com que eu não confiasse em você. Então, depois que Arobynn foi embora, fui direto para o porto e encontrei o primeiro navio que nos levaria para longe deste continente amaldiçoado. Longe dele, porque embora estejamos fora da Guilda, ele nunca vai nos deixar em paz.
Celaena engoliu em seco.
— Ele disse essas coisas a você? Sobre... sobre de onde vim?
Sam devia ter visto algo como medo nos olhos dela, porque subitamente sacudiu a cabeça, curvando os ombros.
— Celaena, quando estiver pronta para me contar a verdade, contará. E não importa qual seja, quando esse dia chegar, ficarei honrado por você confiar em mim o suficiente para compartilhar. Mas até então, não é de minha conta, e não é da conta de Arobynn. Não é da conta de ninguém, além da sua.
A assassina apoiou a testa na de Sam, e parte da tensão no corpo dele, e no dela, se dissolveu.
— E se mudar para o continente ao sul for um erro?
— Então iremos para outro lugar. Continuaremos nos deslocando até encontrarmos o lugar ao qual pertencemos.
Ela fechou os olhos e respirou para se acalmar.
— Vai rir se eu disser que estou com medo?
— Não — falou Sam, baixinho — nunca.
— Talvez eu devesse tentar seu truque. — Ela tomou fôlego de novo. — Meu nome é Celaena Sardothien, e não vou sentir medo.
O rapaz riu e o hálito fez cócegas na boca de Celaena.
— Acho que precisa dizer com um pouco mais de convicção que isso.
Celaena abriu os olhos e viu que Sam a olhava, o rosto era um misto de orgulho e deslumbramento e tanta afeição que a jovem conseguia enxergar aquela terra distante na qual encontrariam um lar, enxergar aquele futuro que os esperava e o brilho de esperança prometendo uma felicidade que Celaena jamais considerara ou ousara desejar. E embora o continente ao sul fosse uma mudança drástica nos planos... Sam estava certo. Um novo continente para um novo começo.
— Amo você — falou o companheiro.
Celaena o envolveu com os braços e o segurou mais perto, inspirando o cheiro dele. A única resposta da assassina foi:
— Odeio fazer as malas.

3 comentários:

  1. — Amo você — falou o companheiro.
    Celaena o envolveu com os braços e o segurou mais perto, inspirando o cheiro dele. A única resposta da assassina foi:
    — Odeio fazer as malas.

    nem assim ela consegue adimitir q ama ele MDS!

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  2. Qnd ela admitir, já foi. .... e a muito tempo!

    Flavia

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  3. Será que antes do Sam "partir" a Celaena contou pra ele a verdade?

    Eu acho que eu prefiro o Rowan, é mais "quente".


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