28 de dezembro de 2015

Nascido para a Noite Infinita


Simon, como o resto da Academia, fica surpreso quando um feiticeiro bebê de pele azul-marinho é encontrado nos degraus da Academia. Eles entregam a criança para o palestrante convidado Magnus Bane, que tem que levar a criança para casa... temporariamente, é claro... e para seu namorado, Alec.


Toda noite e toda manhã
Alguém para a miséria está a nascer.
Em toda tarde e toda manhã linda
Uns nascem para o doce gozo ainda.
Uns nascem para o doce gozo ainda,
Outros nascem para uma noite infinda.
– William Blake, Augúrios da inocência



Magnus acreditava que muitas antiguidades eram criações de beleza duradoura. As pirâmides. David, de Michelangelo. Versailles. O próprio Magnus.
No entanto, só porque algo era antigo e imbuído de anos de tradição, isso não o tornava uma obra de arte. Mesmo que você fosse Nephilim e acreditasse ter o sangue do Anjo, isso mão queria dizer que suas coisas eram melhores que a dos outros.
A Academia dos Caçadores de Sombras não era uma criação de beleza duradoura. A Academia dos Caçadores de Sombras era um depósito de lixo.
Magnus não desfrutava da paisagem no início da primavera, antes de o inverno terminar verdadeiramente. Toda a paisagem era tão monocromática quanto um filme antigo, sem a energia da narrativa. Campos cinzentos escuros se tornavam um céu cinza pálido, e árvores eram reduzidas a dedos cinzentos esticando-se para nuvens de chuva. A Academia combinava com seus arredores, de cócoras na paisagem como um grande sapo de pedra.
Magnus viera para cá algumas vezes antes, visitando amigos. Ele não tinha gostado. Lembrava de caminhar sob o olhar frio dos alunos que eram treinados pelos métodos estreitos e escuros da Clave e do Pacto, que eram jovens demais para perceber que o mundo podia ser mais complicado do que isso.
Pelo menos naquela época o lugar não estava desmoronando. Magnus olhou para uma das torres delgadas que decoravam os quatro cantos da Academia. Não se erguia em linha reta; na verdade, parecia uma parente pobre da torre pendente de Pisa. Magnus a encarou, concentrou-se e estalou os dedos. A torre saltou para trás no lugar, como se fosse uma pessoa agachada de repente se endireitou. Houve lá uma série distante de gritos vindo das janelas da torre. Magnus não percebera que havia pessoas lá dentro. Não parecia nem um pouco seguro.
Bem, os habitantes da torre ex-inclinanda logo perceberam que ele lhe fizera um favor. Magnus olhou para o anjo no vitral situado acima da porta. O anjo olhou para ele, espada em chamas e rosto censurando, como se desaprovasse a maneira como Magnus se vestia e estivesse pronto para ordenar-lhe mudar de roupa.
Magnus passou por baixo do anjo crítico e entrou num corredor de pedra, assobiando baixinho. O corredor estava vazio. Ainda era de manhã cedo, o que talvez explicasse um pouco do cinza. Magnus esperava que o dia se iluminasse antes que Alec chegasse.
Ele havia deixado seu namorado em Alicante, na casa de seu pai. A irmã de Alec, Isabelle, ficaria lá também. Magnus dormira com inquietação na casa do Inquisidor na noite anterior, e disse que os deixaria para tomar café da manhã sozinhos – apenas a família. Durante anos, ele e Robert e Maryse Lightwood organizaram suas vidas para que eles se vissem apenas em caso de uma chamada urgente ou grandes pagamentos em dinheiro pelos atendimentos de Magnus. Ele tinha quase certeza de que Robert e Maryse sentiam falta daqueles dias e desejavam que eles voltassem. Sabia que eles nunca o desejariam para o seu filho, e mesmo que aceitassem que ele agora se relacionasse com homens, não teriam preferido um ser do Submundo, e certamente não um que estava por ali nos dias do Círculo de Valentim e os viu num momento de suas vidas sobre a qual eles não se orgulhavam atualmente.
O próprio Magnus não se esquecera. Ele podia amar um Caçador de Sombras, mas era impossível amá-los todos. Ele esperava muitos mais anos de evitamentos educados pela frente, quando necessário, e tolerância aos pais de Alec. Este era um pequeno preço a pagar para estar com Alec.
Só agora que ele escapara de Robert Lightwood e teve a chance de inspecionar os quartos que tinha solicitado que a Academia preparasse para eles. A partir do estado do resto da Academia, Magnus tinha pressentimentos sombrios sobre esses quartos.
Ele subiu levemente as escadas silenciosas e ecoantes do lugar. Sabia para onde estava indo.
Ele concordara em vir e dar uma série de palestras, a pedido de sua velho amiga Catarina Loss, mas ele era, afinal, o Alto Feiticeiro do Brooklyn e tinha certo padrões. Não tinha nenhuma intenção de deixar seu namorado durante semanas. Havia deixado claro que ele precisava de uma suíte para si e para Alec, e que o conjunto deveria incluir uma cozinha.
Ele não ia comer qualquer uma das refeições que Catarina descrevera em suas cartas. Se possível, ele evitaria até mesmo vê-las.
O mapa que Catarina desenhara para ele era exato: ele encontrou seus aposentos na parte superior do edifício. Os quartos ligados no sótão poderiam, Magnus adivinhou, possivelmente contar como uma suíte. E havia uma pequena cozinha, embora Magnus temesse que não fosse atualizada desde a década de 1950. Havia um rato morto no banheiro. Talvez alguém o tivesse deixado lá para recebê-los. Talvez fosse um presente festivo.
Magnus vagou pelos cômodos, acenando com uma mão para incentivar as janelas e bancadas a se lavarem. Ele estalou os dedos e enviou o rato morto como um presente para seu gato, Presidente Miau. Maia Roberts, a líder do bando de lobisomens de Nova York, cuidava de seu gato quando ele estava fora. Magnus esperava que ela pensasse que Presidente Miau fosse poderoso caçador.
Então ele abriu a pequena geladeira. A porta pesada caiu, até que Magnus lançou-lhe um olhar duro e ela pulou de volta ao lugar. Magnus espiou dentro da geladeira, acenou com a mão livre e viu com satisfação que ela agora estava preenchida com muitos itens da Whole Foods, o mercado de produtos orgânicos. Alec não precisava saber disso, e Magnus mandaria o dinheiro para a Whole Foods mais tarde, de qualquer maneira. Ele limpou os quartos mais uma vez, acrescentando almofadas nas cadeiras de madeira tristes e empilhando seus cobertores multicoloridos de casa na cama torta de dossel.
A missão de decoração de emergência foi completada e sentindo-se muito mais alegre, Magnus desceu ao salão principal da Academia, esperando encontrar Catarina ou ver a chegada de Alec. Não havia sinal de atividade, por isso, apesar seus receios, Magnus foi verificar se Catarina estava no salão de jantar.
Ela não estava lá, mas havia alguns alunos Nephilim espalhados, tomando café da manhã. Magnus supôs que as pobres criaturas haviam levantado cedo para jogar dardos ou fazer algum outro negócio desagradável.
Havia uma menina loura e magra colocando uma substância que poderia ser mingau ou ovos em seu prato. Magnus a observou com silencioso horror enquanto ela o levou para uma mesa, agindo como se realmente tivesse a intenção de comê-lo. Então ela notou Magnus.
— Oh, olá — disse a loira, parando em seu caminho como se tivesse sido atingido por um caminhão.
Ele deu a ela o seu sorriso mais encantador. Por que não?
— Olá.
Magnus conhecia a encarada desde antes de a encarada ser inventada. Estava familiarizado com o significado deste olhar. As pessoas o tinham despido com os olhos antes.
Ele ficou impressionado com a intensidade deste olhar particular. Era raro que as pessoas arrancassem suas roupas e as jogasse para vários cantos da sala com os olhos.
E não eram sequer roupas particularmente excitantes. Magnus decidiu se vestir com calma dignidade, como convinha a um professor, e usava uma camisa preta e calças feitas sob medida. Ele vestia também, para dar elegante toque de educador, uma túnica curta sobre a camisa, mas o reluzente fio de ouro que atravessava o tecido era muito sutil.
— Você deve ser Magnus Bane — a loira falou. — Já ouvi muito sobre você a partir de Simon.
— Eu não posso culpá-lo por se gabar — disse Magnus.
— Estamos muito contentes de tê-lo aqui — continuou ela. — Eu sou Julie. Sou praticamente a melhor amiga de Simon. Sou muito legal com seres do Submundo.
— Que bom para nós, seres do Submundo — Magnus murmurou.
— Estou muito animada para suas palestras. E para passarmos algum tempo juntos. Você, eu e Simon.
— Não será uma festa — disse Magnus.
Ela estava tentando, pelo menos, e nem todos os Nephilim eram assim. E ela mencionava Simon a cada respiração, apesar de Simon ser um mundano. Além disso, a atenção era lisonjeira.
Magnus abriu o sorriso mais encantador.
— Estou ansioso para conhecê-la melhor, Julie.
Era possível que ele tenha calculado mal o sorriso. Julie estendeu a mão como se quisesse tomar a de Magnus, e deixou cair a bandeja. Ela e Magnus olharam para o prato e seu conteúdo cinza pobre.
— É melhor assim — disse Magnus com convicção.
Ele gesticulou, e toda a bagunça desapareceu.
Então fez um gesto para a mão estendida de Julie, e um pote de iogurte de blueberry com uma pequena colher apareceu nela.
— Oh! — exclamou Julie. — Oh, uau, obrigada.
— Bem, já que a alternativa era voltar e pegar mais uma vez a comida da Academia — Magnus falou — acho que você me deve bastante. Possivelmente me deve o seu primogênito. Mas não se preocupe, não estou em busca de primogênitos no momento.
Julie deu uma risadinha.
— Você quer sentar?
— Obrigado pela oferta, mas, na verdade, eu estava procurando por alguém.
Magnus inspecionou o cômodo, que lentamente se enchia. Ele ainda não encontrou Catarina, mas na porta viu Alec, com o ar de recém-chegado e conversando com um indiano mundano que parecia ter uns dezesseis anos.
Ele chamou a atenção de Alec e sorriu.
— Ali está o meu alguém. Adorei conhecê-la, Julie.
— Igualmente, Magnus — ela o assegurou.
Quando Magnus se aproximou Alec, o outro menino apertou a mão do Caçador de Sombras.
— Eu só queria dizer obrigado — disse o garoto, e saiu, com um aceno de cabeça para Magnus.
— Você o conhece? — perguntou Magnus.
Alec parecia levemente atordoado.
— Não. Mas ele sabia tudo sobre mim. Nós estávamos conversando sobre todas as maneiras que existem para ser um Caçador de Sombras, sabia?
— Anotado — disse Magnus. — Meu famoso namorado, inspiração para as massas.
Alec sorriu, um pouco envergonhado, mas principalmente divertido.
— Então, aquela menina estava flertando com você.
— Sério? — perguntou Magnus. — O que você poderia dizer?
Alec lançou-lhe um olhar cético.
— Bem, isso estava prestes a acontecer. Tenho estado por aí há um bom tempo — disse Magnus. — E também tenho sido lindo por um longo tempo.
— É mesmo?
— Estou em alta demanda. O que você vai fazer sobre isso?
Ele não podia, e não deveria, brincar com Alec sobre isso anos atrás. Alec era novo no amor, tropeçando através de seu próprio terror sobre quem era e como se sentia, e Magnus fora bastante cuidadoso com ele, como sabia que podia ser, com medo de machucar Alec e de destruir esse sentimento entre eles, novo para Magnus como era para Alec.
Era uma alegria recente ser capaz de provocar Alec e saber que não o magoaria, ver Alec se portando de uma maneira diferente do que costumava, fácil e casual e confiante em sua própria pele, sem nenhuma da arrogância de seu parabatai, mas com uma certeza tranquila e própria.
A sala de jantar de pedra era mal iluminada, e o barulho dos estudantes comendo e bisbilhotando desvanecido à distância, nada e plano de fundo para o sorriso de Alec.
— Isto — disse Alec.
Ele estendeu a mão e puxou Magnus pela frente de sua túnica, recostando-se contra a moldura da porta e levando Magnus lentamente para um beijo.
A boca de Alec era macia e segura, o beijo lento, suas mãos fortes segurando Magnus perto, pressionado ao longo da linha quente de seu corpo. Atrás das pálpebras fechadas de Magnus, a manhã transformou-se do cinza para dourado.
Alec estava aqui. Mesmo uma dimensão inferno, como Magnus lembrou, tinha sido bastante melhorada pela presença de Alec. A Academia dos Caçadores de Sombras seria um estalar de dedos.

* * *

Simon chegou tarde para o café da manhã e encontrou Julie incapaz de falar sobre outra coisa além de Magnus Bane.
— Feiticeiros são sexys — disse ela em tom de alguém que teve uma revelação.
— A senhorita Loss é nossa professora, e eu estou tentando comer — Beatriz olhou desanimada para seu prato.
— Os vampiros são grosseiros e mortos, lobisomens são grosseiros e peludos, e elfos são traiçoeiros e dormiriam com sua mãe — Julie continuou. — Feiticeiros são os seres do submundos sensuais. Pense nisso. Todos eles têm problemas com os pais. E Magnus Bane é o mais sexy de todos eles. Ele pode ser o Alto Feiticeiro das minhas calças.
— Uh, Magnus tem um namorado — observou Simon.
Havia um brilho assustador nos olhos de Julie.
— Há algumas montanhas você ainda quer subir, mesmo que haja placas de “Não ultrapasse”.
— Eu acho que é grosseiro — disse Simon. — Você sabe, a maneira como pensa os vampiros são.
Julie fez uma careta para ele.
— Você é tão sensível, Simon. Por que deve ser sempre assim sensível?
— Você é tão terrível, Julie — Simon devolveu. — Por que você tem que sempre ser tão terrível?
Alec viera com Magnus, Julie relatou. Simon estava pensando na terribilidade de Julie, que, afinal, não era nova. Alec ficaria na Academia durante semanas. Ele normalmente via Alec em uma multidão de pessoas, e nunca parecia o momento certo para falar com ele. Este era o momento certo. Era hora de conversar sobre o problema entre eles que Jace insinuara tão sombriamente. Ele não queria que houvesse algo de errado entre ele e Alec, que parecia ser o cara legal de que Simon podia se lembrar. Alec era o irmão mais velho de Isabelle, e Isabelle era... era quase certamente... a namorada de Simon.
Ele queria que ela fosse.
— Devemos tentar um pouco de prática com arco e flecha antes da aula? — perguntou George.
— Isso é algo bem específico, George — disse Simon. — Pedi-lhe para não fazer isso. Mas com certeza.
Todos eles se levantaram, empurrando seus pratos de lado, e caminharam até as portas da frente da Academia, indo para os campos de exercícios.
Esse era o plano, mas nenhum deles foi para os campos de treinamento naquele dia. Nenhum deles conseguiu passar do limiar da Academia. Todos estavam na escadaria da frente, em um grupo horrorizado.
No primeiro degrau de pedra estava um pacote, envolto em um cobertor amarelo felpudo. A visão de Simon falhou de uma forma que nada tinha a ver com os óculos e tudo a ver com pânico, recusando-se a registrar o que estava realmente diante dele. É um pacote de lixo, Simon disse a si mesmo. Alguém tinha deixado um embrulho de lixo na porta deles.
Exceto que o embrulho estava se movendo, em pequenos movimentos incrementais. Simon observou os pequenos movimentos irritantes sob o cobertor, viu os olhos brilhantes que espreitavam para fora do casulo amarelo felpudo, e sua mente aceitou o que ele estava vendo, mesmo enquanto outro choque vinha.
Uma pequena mão emergiu dos cobertores, acenando em protesto contra tudo o que estava ocorrendo.
O punho era azul, da cor do mar profundo quando você estava em um barco enquanto a noite caía. O azul da cor do uniforme do Capitão América.
— É um bebê — Beatriz ofegou. — É um bebê feiticeiro.
Havia um bilhete preso no cobertor amarelo do bebê. Simon o viu no preciso momento em que o vento o levou, arrancando-o do cobertor e se afastando. Simon agarrou o papel do aperto frio do vento e olhou para as palavras, um rabisco apressado num pedaço de papel rasgado.
O bilhete dizia: Quem poderia amar isso?

* * *

— Oh não, o bebê azul abandonado — disse George. — Não podemos deixá-lo aí jogado!
Ele franziu a testa, como se não tivesse a intenção de fazer uma rima. Em seguida, ele se ajoelhou, porque George era o coração mole não-tão-secreto do grupo, e desajeitadamente pegou o pacote amarelo em seus braços. Ele levantou-se, seu rosto pálido, segurando o bebê.
— O que vamos fazer? — Beatriz perguntou, ecoando o pensamento de George. — O que vamos fazer?
Julie estava grudada contra a porta. Simon tinha visto pessoalmente ela cortar a cabeça de um demônio enorme com uma pequena adaga, mas ela apareceu prestes a correr com terror se alguém lhe pedisse para segurar o bebê.
— Eu sei o que fazer — disse Simon.
Ele procuraria Magnus, pensou. Sabia que Magnus e Alec tinham chegado e estavam acordados. E precisava falar com Alec, de qualquer maneira. Magnus ajudara com a amnésia de demônio de Simon. Magnus vivera por séculos. Ele era o adulto mais adulto que Simon conhecia. Um bebê feiticeiro abandonado nesta fortaleza de Caçadores de Sombras era um problema Simon não tinha ideia de como solucionar, e ele sentiu que precisava de um adulto. Simon já estava se virando para ir.
— Devo fazer respiração boca a boca no bebê? — George perguntou.
Simon congelou.
— Não, não faça isso. O bebê está respirando. Ele está respirando, certo?
Todos eles se viraram e olharam para o pequeno pacote. O bebê acenou com a mão novamente. Se o bebê estava se movendo, Simon pensou, então deve estar respirando. Ele não ia mesmo pensar em bebês de zumbis neste momento.
— Devo pegar uma garrafa de água quente para o bebê? — George indagou.
Simon respirou fundo.
— George, não perca a cabeça. Esse bebê não está azul porque tem frio ou porque não consegue respirar. Bebês mundanos não ficam azuis assim. Este bebê é azul porque ele é um feiticeiro, assim como Catarina.
— Não exatamente como a senhorita Loss — disse Beatriz em voz alta. — Ela é mais num tom de azul céu, considerando que este bebê é mais azul marinho.
— Você parece muito bem informada — George decidiu. — Você deve segurar o bebê.
— Não! — gritou Beatriz.
Ela e Julie ergueram as mãos em sinal de rendição. Na medida em que estavam, ficou claro que George estava segurando o bebê e não eles não deveriam fazer nada precipitado.
— Todo mundo fique onde está — disse Simon, tentando manter a voz calma.
Julie se animou.
— Oooh, Simon — disse ela. — Boa ideia.
Simon correu para o outro lado do corredor e até as escadas, movendo-se em um ritmo que teria espantado seu professor ruim de treinamento. Scarsbury nunca lhe proporcionou motivação como essa.
Ele sabia que Magnus e Alec foram colocados em uma suposta suíte nos sótãos. Aparentemente, havia até uma cozinha separada.
Simon apenas subia e subia, sabendo que chegaria ao sótão em algum ponto. Ele chegou até em cima, ouviu murmúrios e movimento atrás da porta, e a abriu.
Então ele estacou, preso em seu segundo limiar do dia.
Havia um lençol sobre Alec e Magnus, mas Simon podia ver o suficiente. Ele podia ver os ombros brancos com runas cicatrizadas de Alec e o cabelo preto selvagem de Magnus espalhado sobre o travesseiro. Podia ver Alec congelando, em seguida, virando a cabeça e dando a Simon um olhar de absoluto horror.
Os olhos dourados de gato de Magnus brilhavam por sobre o ombro pálido de Alec. Ele soou quase vibrante quando perguntou:
— Podemos ajudá-lo?
— Oh meu Deus — disse Simon. — Oh, uau. Ai, eu sinto muito.
— Por favor, saia — Alec falou em uma voz apertada e controlada.
— Certo! Claro! — ele fez uma pausa. — Eu não posso sair.
— Acredite em mim — disse Alec. — Você pode.
— Há um bebê abandonado nos degraus da frente da Academia e eu acho que é um feiticeiro! — Simon deixou escapar.
— Por que você acha que o bebê é feiticeiro? — perguntou Magnus. Ele era o único no ambiente que estava composto.
— Hã, porque o bebê é azul marinho.
— Esta é uma evidência bastante convincente — Magnus admitiu. —Você poderia nos dar um momento para nos vestir?
— Sim! Claro! De novo, eu sinto muito.
— Vá agora — Alec sugeriu.
Simon fechou a porta e saiu.
Depois de um curto período de tempo, Magnus emergiu da suíte do sótão vestido de roupas pretas justas com um bordado dourado cintilante. O cabelo ainda estava bagunçado, apontado em todas as direções, como se Magnus tivesse sido pego em uma pequena tempestade pessoal, mas Simon não ia comentar sobre o cabelo de seu potencial salvador.
— Eu realmente sinto muito — Simon falou de novo.
Magnus fez um gesto preguiçoso.
— Vendo o seu rosto não foi o melhor momento do meu dia, Simon, mas essas coisas acontecem. É certo que nunca aconteceu com Alec antes, e ele precisa de mais alguns minutos. Mostre-me onde a criança está.
— Siga-me — pediu Simon.
Ele desceu as escadas correndo mais rápido do que as subiu, pulando dois degraus de cada vez. Encontrou o grupo na soleira da mesma maneira que ele os deixou, Beatriz e Julie como a plateia horrorizada para o cuidado aterrorizado e inexperiente de George. O embrulho estava agora fazendo um baixo som lamentoso.
— Por que você demorou tanto? — Beatriz assobiou.
Julie ainda parecia muito abalada, mas ela conseguiu dizer:
— Olá., Magnus.
— Olá novamente, Julie — respondeu Magnus, novamente a única pessoa calma no ambiente. — Permita-me segurar o bebê.
— Oh, muito obrigado — George respirou. — Não que eu não goste do bebê. Mas eu não tenho a menor ideia do que fazer com ele.
George parecia ter segurado o bebê pelo tempo que Simon levou para subir e descer os lances de escadas. Ele olhou para baixo, para o bebê enrolado no cobertor e, em seguida, quando o entregou para Magnus, ele se atrapalhou e quase o deixou cair chão de pedra.
— Pelo Anjo! — exclamou Julie, a mão apertada contra o peito.
Magnus deteve o desastre e pegou a criança, segurando o cobertor embrulhado contra o seu peito bordado de ouro. Magnus segurava o bebê com mais experiência do que George o fez, o que significava que Magnus apoiou a cabeça do bebê e pareceu ter segurado um bebê uma ou duas vezes na vida. George não parecia prestes a vencer qualquer campeonato de carregamento de bebês.
Com uma mão brilhando com anéis, Magnus afastou um pouco o cobertor, e Simon prendeu a respiração. Os olhos de Magnus viajaram pelo bebê, seus pés e mãos impossivelmente pequenos, os olhos arregalados em seu rostinho, os cachos de um azul tão escuro que eram quase pretos. A queixa baixa e constante do bebê aumentou um pouco, ficando mais aguda, e Magnus puxou o cobertor de volta para seu lugar.
— É um garoto — disse Magnus.
— Ah, um rapaz — falou George.
— Ele tem cerca de oito meses eu diria — continuou Magnus. — Alguém cuidou dele até que não aguentou mais, e suponho que através do recrutamento de mundanos para a Academia, alguém pensou saber o lugar certo para trazer uma criança que não queriam.
— Mas alguém não deixaria sua criança... — George começou, e calou-se sob o olhar de Magnus.
— As pessoas deixariam. As pessoas deixam. E as escolhas que as pessoas fazem são diferentes, com crianças bruxas — Magnus disse. Sua voz era baixa.
— Então, não há nenhuma chance de alguém vir buscá-lo — disse Beatriz.
Simon pegou o bilhete que tinha encontrado dobrado no cobertor da criança e entregou a Magnus.
Ele não se sentia, olhando para o rosto de Magnus, que ele poderia entregá-lo a qualquer outra pessoa. Magnus olhou para o bilhete e assentiu. Quem poderia amar isso? brilhou entre os dedos, e, em seguida, ele colocou-o no bolso.
Havia outros alunos reunindo-se em torno deles, e um burburinho crescente de ruído e confusão. Se Simon estivesse em Nova York, imaginou que as pessoas viriam tirar fotos do bebê com seus telefones.
Ele se sentiu um pouco exposto, como num jardim zoológico, e ficou agradecido que Magnus estivesse lá.
— O que está acontecendo? — perguntou uma voz do o topo da escada.
A reitora Penhallow estava ali de pé, com seu cabelo loiro avermelhado solto sobre os ombros, apertando ao redor do corpo um robe de seda preta gravado com dragões. Catarina estava ao seu lado, completamente vestida de jeans e uma blusa branca.
— Parece que alguém deixou um bebê em vez de as garrafas de leite — Catarina comentou. — Que descuido. Bem-vindo, Magnus.
Magnus deu-lhe um pequeno aceno com a sua mão livre e um sorriso irônico.
— O quê? Por quê? Por que alguém faria tal coisa? O que devemos fazer com isso? — perguntou a reitora.
Às vezes Simon esquecia que a reitora Penhallow era jovem, jovem demais para uma professora, quanto mais uma reitora. Outras vezes ele foi vigorosamente lembrado desse fato. Ela parecia prestes a entrar em pânico como Beatriz e Julie fizeram.
— Ele é muito jovem para ser ensinado — disse Scarsbury, olhando para baixo a partir do alto da escadaria. — Talvez devêssemos entrar em contato com a Clave.
— Se o bebê precisar de uma cama — George ofereceu, — Simon e eu poderíamos mantê-lo em nossa gaveta.
Simon lançou um olhar consternado a George. George parecia perturbado.
Alec Lightwood se movia como uma sombra por entre a multidão de estudantes, cabeça e ombros acima a maioria deles, mas sem empurrar ninguém de lado. Ele moveu-se tranquila e persistentemente, até que estava onde queria estar: ao lado de Magnus.
Quando Magnus viu Alec, seu corpo inteiro relaxou. Simon ainda não notara a tensão correndo por Magnus até que viu o momento em que a facilidade foi devolvida.
— Este é o bebê feiticeiro sobre a qual Simon falou — Alec disse em voz baixa, e acenou com a cabeça para o bebê.
— Como você vê — disse Magnus. — O bebê não seria capaz de passar por mundano. Sua mãe claramente não o queria. Ele está em um ninho de Nephilim, e não posso pensar, entre fadas, Caçadores de Sombras ou lobisomens, onde no mundo ele poderia possivelmente pertencer.
A calma e diversão de Magnus pareceram infinitos até poucos minutos atrás. Agora Simon ouviu desgaste em sua voz, uma corda em que muito esforço foi colocado, e que arrebentaria logo mais.
Alec colocou a mão no braço de Magnus, logo acima do cotovelo. Ele apertou Magnus com firmeza, quase distraidamente fornecendo silencioso apoio. Ele olhou para Magnus e, em seguida, mudou o foco para baixo, por um momento longo e pensativo, para o bebê.
— Posso segurá-lo? — perguntou Alec.
Surpresa apareceu sobre o rosto de Magnus, mas não permaneceu.
— Claro — disse ele, e colocou o bebê nos braços de Alec, estendidos para recebê-lo.
Talvez fosse que Alec tivesse segurado um bebê mais recentemente do que Magnus, e certamente mais frequentemente do que George. Talvez fosse porque Alec estivesse usando o que parecia ser um pijama incrivelmente velho, desgastado e amaciado pelos anos e que mudou do verde escuro para cinza, com apenas vestígios remanescentes da cor original.
Seja qual fosse a razão, assim que Alec pegou o bebê, o choramingo contínuo cessou. Ainda havia o zumbido de sussurros urgentes, para cima e para baixo no hall, mas o grupo pequeno em torno da criança de repente encontrou-se em um bolsão de silêncio abafado.
O bebê olhou para Alec com olhos graves, apenas um tom mais escuro que os do próprio Alec. Alec olhou de volta para o bebê. Ele parecia tão surpreso quanto qualquer outra pessoa pelo repentino silêncio.
— Então — disse Delaney Scarsbury. — Nós deveríamos entrar em contato com a Clave e colocar este assunto diante deles, ou o quê?
Magnus virou em um turbilhão de ouro e ficou Scarsbury com um olhar que o fez encolher de volta contra a parede.
— Não tenho a intenção de deixar uma criança feiticeira para a misericórdia da Clave — Magnus declarou, sua voz extremamente fria. — Nós cuidaremos deste assunto, não é, Alec?
Alec ainda estava olhando para o bebê. Ele ergueu a cabeça quando Magnus se dirigiu a ele, seu rosto momentaneamente atordoado, como um homem que acaba de acordar de um sonho, mas sua expressão transformou-se em uma súbita certeza.
— Sim — ele respondeu. — Nós cuidaremos.
Magnus espelhou o movimento Alec tinha feito antes, apertando o braço de Alec em silêncio agradecido, ou uma demonstração de apoio. Alec voltou a olhar para o bebê.
Era como se um enorme peso tivesse sido tirado do peito de Simon. Não que ele tivesse estado verdadeiramente preocupado que ele e George teriam que criar o bebê em sua gaveta – bem, possivelmente era um pouco disso, mas o espectro de uma responsabilidade enorme tinha apareceu diante dele.
Esta era uma criança indefesa, abandonada. Simon conhecia muito bem, como seres do Submundo eram vistos por Caçadores de Sombras. Simon não tinha ideia do que fazer. Magnus tomara a responsabilidade. Ele pegara o bebê deles, tanto metafórica quanto literalmente.
Ele não tinha arrumado o cabelo enquanto fazia isso. Não agira como se fosse algo importante afinal.
Magnus era um cara muito legal.
Simon sabia que Isabelle dormira em Alicante, para que ela e Alec estivessem com seu pai por uma noite. Ela iria para a casa onde Ragnor Fell tinha uma vez viveu, onde havia um telefone funcionasse. Catarina instalara um telefone na Academia e disse que ele poderia usá-lo uma vez.
Eles tinham um encontro por telefone. Simon estava planejando dizer a ela quão legal e Magnus seu irmão tinham sido.

* * *

Magnus pensou que poderia se tornar o primeiro bruxo na história a ter um ataque do coração.
Ele caminhava pelo campo de treinamento da Academia dos Caçadores de Sombras durante a noite porque não podia mais apenas ficar lá e respirar o ar sufocante com centenas de Nephilim.
Aquela pobre criança. Magnus achava difícil olhar para ela, era tão pequena e totalmente impotente. Ele não podia fazer nada além de pensar em quão vulnerável a criança era, e quão profunda deve ter sido a miséria e a dor de sua mãe. Ele sabia como bruxos das trevas eram concebidos e suas origens. Catarina fora criada por uma família amorosa que sabia o que ela era, e ajudou-a a ser quem é. Magnus fora capaz de se passar por humano, até que pôde mais.
Magnus sabia o que acontecia com crianças feiticeiras que não nasciam com aparência humana, que suas mães e o mundo inteiro não podiam aceitar. Ele não era capaz de calcular quantas crianças devem ter havido em toda essas eras escuras do mundo que poderiam ter sido feiticeiras, que poderiam ter sido imortais, mas nunca tiveram a chance de viver. Crianças abandonadas como essa fora, ou afogadas como o próprio Magnus quase tinha sido, crianças que nunca deixaram uma marca mágica reluzindo na história, que nunca receberam ou deram amor, que nunca foram nada além de um sussurro desaparecendo no vento, uma memória de dor e desespero desbotando no escuro. Nada mais restava dessas crianças perdidas, e nem um feitiço, uma risada ou um beijo.
Sem sorte, Magnus teria estado entre os perdidos. Sem amor, Catarina e Ragnor estariam entre os perdidos.
Magnus não tinha ideia do que fazer com esta última criança perdida.
Ele agradeceu, não pela primeira vez, qualquer que fosse o estranho belo e afortunado que lhe tinha enviado Alec. Alec foi o único quem carregou o bebê feiticeiro pelas escadas até o sótão, e quando Magnus evocou um berço, Alec foi quem colocou o bebê com ternura dentro dele.
Então, quando o bebê começou a gritar com sua pequena cabeça azul, Alec o tirara do berço e caminhou pelo quarto com ele, acariciando suas costas e murmurando para ele. Magnus conjurou suprimentos e tentou preparar o leite em pó. Tinha lido em algum lugar que você devia testar a temperatura do leite em sua própria pele, e acabou queimando o pulso.
O bebê chorou por horas e horas e horas. Magnus supôs que ele não podia culpar a pequena alma perdida. Ele finalmente dormiu depois que o sol se pôs através das pequenas janelas do sótão, e todo o dia se foi. O próprio Alec cochilava, encostado berço do bebê, e Magnus sentiu que tinha que sair. Alec simplesmente assentiu com a cabeça quando Magnus disse que estava saindo para tomar um ar. Alec possivelmente estava esgotado demais para se importar com o que Magnus fazia.
A lua brilhava, redonda como uma pérola, transformando em prata o cabelo do anjo do vitral e os campos semimortos do inverno em extensões claras. Magnus estava tentado a uivar para a lua como um lobisomem.
Ele não podia pensar em qualquer lugar para onde poderia levar a criança, alguém a quem pudesse confiá-la e que iria querê-la, alguém que poderia amá-la. Ele mal podia pensar em um lugar deste mundo hostil onde a criança poderia estar segura.
Ouviu o som de vozes elevadas e passos apressados, como nesta tarde, na frente da Academia. Outra emergência, Magnus pensou. Este é o primeiro dia, e a este ritmo, a Academia vai me matar. Ele correu do campo de treinamento para a porta da frente, onde viu a última pessoa que ele jamais esperava ver aqui em Idris: Lily Chen, a líder do clã de vampiros de Nova York, com mechas azuis em seu cabelo que combinavam com seu colete e seus saltos altos que deixavam marcas profundas na terra.
— Bane — disse ela. — Eu preciso de ajuda. Onde ele está?
Magnus estava cansado demais para discutir com ela.
— Siga-me — pediu Magnus, e liderou o caminho de volta até as escadas.
Mesmo que ele fosse, pensou consigo mesmo, todo o barulho que ele ouvira fora da Academia não poderia ser Lily sozinha. Ele pensava isso, mas não suspeitou pelo o que estava por vir.
Magnus deixara para trás uma criança dormindo e seu amor cansado, e abriu a porta em uma cena de caos absoluto. Por um momento, parecia que havia mil pessoas em seus aposentos, e, em seguida, Magnus percebeu que a real situação era muito pior.
Cada membro da família Lightwood estava lá, cada um fazendo barulho suficiente por dez. Robert Lightwood falava alto em sua voz retumbante. Maryse Lightwood segurava uma garrafa e parecia gesticular ao redor, dando um discurso. Isabelle Lightwood estava de pé em cima de um banquinho sem nenhuma razão aparente que Magnus pudesse ver. Jace Herondale estava, ainda mais misteriosamente, deitado no chão de pedra, e aparentemente trouxera Clary, que olhava para Magnus como se estivesse intrigada pela sua presença aqui também.
Alec estava de pé no meio do quarto, no meio da tempestade humana que era sua família, segurando o bebê protetoramente em seu peito. Magnus não podia acreditar que era possível o seu coração afundar ainda mais, mas de alguma forma lhe pareceu o maior desastre do mundo que o bebê estar acordado.
Magnus parou na soleira da porta, olhando fixamente o caos, sentindo-se totalmente incerto sobre o que fazer a seguir.
Lily não teve essa hesitação.
— LIGHTWOOD! — Lily gritou, atravessando a soleira.
— Ah sim, Lily Chen, acredito eu? — perguntou Robert Lightwood, voltando-se para ela com a dignidade do Inquisidor e nenhum sinal de surpresa. — Lembro-me que você foi a representante interina dos vampiros ao Conselho por um tempo. Que bom em vê-la novamente. O que posso fazer por você?
Robert estava, obviamente, fazendo o seu melhor para mostrar toda a cortesia a uma importante líder vampira. Magnus apreciou isso, mesmo que um pouco. Lily não se importava.
— Nada! — ela retrucou. — Quem é você mesmo?
As grossas sobrancelhas negras elevaram-se.
— O Inquisidor? — relembrou Robert. — Eu fui o líder do Instituto de Nova York por mais de uma década?
Lily revirou os olhos escuros.
— Oh, parabéns, você quer uma medalha? Eu preciso de Alexander Lightwood, obviamente — disse Lily, e passou por um Robert e uma Maryse espantados até o filho deles. — Alec! Você conhece o negociante elfo, Mordecai? Ele tem vendido frutas para mundanos no Central Park. De novo! Ele está lá outra vez! E então Elliott mordeu um mundano que havia comido uma fruta.
— Ele revelou sua natureza vampira enquanto intoxicado? — perguntou Robert afiadamente.
Lily lançou-lhe um olhar fulminante, como se perguntando por que ele ainda estava aqui, em seguida, e retornou sua atenção para Alec.
— Elliott fez uma dança chamada Dança dos Vinte e Oito Véus na Times Square. Está no YouTube. Muitos comentadores o descreveram como a dança erótica mais chata já realizada na história do mundo. Eu nunca estive tão envergonhada na minha não-vida. Estou pensando em parar de ser líder do clã e tornar-me uma freira vampira.
Magnus notou Maryse e Robert, que não tinham o melhor relacionamento e dificilmente falavam um com o outro, consultando-se um com o outro em sussurros sobre o que poderia ser YouTube.
— Como a atual líder do Instituto de Nova York — Maryse falou, com uma tentativa de firmeza — se houver atividades ilegais acontecendo no Submundo, isso deve ser relatado a mim.
— Eu não falo com Nephilim sobre assuntos de seres do Submundo — respondeu Lily severamente.
Os pais Lightwood a fitaram, e em seguida, balançaram a cabeça em sincronia para encarar o filho deles.
Lily acenou com a mão, desconsiderado.
— Exceto por Alec, ele é um caso especial. O resto de vocês Caçadores de Sombras apenas entraria, estabeleceria a sua preciosa Lei e cortaria a cabeça das pessoas. Nós, seres do Submundo, lidamos com os nossos assuntos por nós mesmos. Vocês Nephilim podem arrancar as cabeças dos demônios e eu os consultarei assim que o próximo grande mal ocorrer, em vez do próximo grande aborrecimento, que provavelmente ocorrerá na terça-feira, quando eu, Maia e Alec lidaremos com isso. Obrigada. Por favor, parem de me interromper. Alec, essas pessoas são mesmo confiáveis?
— Eles são meus pais — disse Alec. — Eu sei sobre as frutas das fadas. Elas tem aproveitado mais e mais chances ultimamente. Eu já enviei uma mensagem para Maia. Ela tem Bat e alguns outros garotos rondando o parque. Os amigos de Bat estão seguindo Mordecai; ele pode reagir. E você mantenha Elliott longe do parque. Você sabe como ele é com frutas de fadas. Você sabe que ele mordeu o mundano de propósito.
— Poderia ter sido um acidente — Lily murmurou.
Alec deu Lily um olhar profundamente cético.
— Oh, este seria seu décimo sétimo acidente? Ele tem que parar com isso ou vai perder o controle sob a influência e matar alguém. Ele não matou o homem, não é?
— Não — Lily respondeu com tristeza. — Eu parei Elliott a tempo. Eu sabia que você teria que matá-lo, e então você me daria o seu olhar decepcionado — ela fez uma pausa. — Você tem certeza de que os licantropes têm a situação em mãos?
— Sim — Alec confirmou. — Você não precisava vir para Idris e derramar todos os assuntos dos seres do Submundo na frente de toda a minha família.
— Se eles são sua família, sabem que você pode lidar com algo pequeno como isso — Lily respondeu com desdém. Ela correu as duas mãos através do cabelo preto lustroso, alisando-o. — Isto é um alívio. Oh — acrescentou ela, como se tivesse acabado de notar. — Você está segurando um bebê.
Lily tendia a ter o foco de um laser.
Após a guerra com Sebastian, os Caçadores de Sombras tiveram que lidar com a traição das fadas, com a crise de tantos Institutos que caíram e com a quantidade de Nephilim que foram perdidos ou transformados em Crepusculares durante a guerra, sua segunda guerra em um ano.
Eles não estavam em forma para manter um olhar atento nos seres do Submundo, mas os próprios seres do Submundo tiveram as suas perdas. Antigas estruturas que tiveram seu lugar na sociedade durante séculos, como o Praetor Lupus, foram destruídas na guerra. As fadas estavam esperando pela revolta. E os clãs de lobisomens e vampiros de Nova York tinham líderes novos. Lily e Maia eram jovens, e conseguiram a liderança inesperadamente. Ambas haviam se encontrado, devido à inexperiência e não à falta de tentativas, em apuros.
Maia chamara Magnus e perguntou se poderia ir visitá-lo, pedir seu conselho em algumas coisas. Quando ela apareceu, arrastou Lily junto dela. As duas, em seguida, sentaram-se em torno da mesa de café de Magnus e gritaram uma com a outra por horas.
— Você não pode simplesmente matar alguém, Lily! — Maia dizia.
E Lily continuava respondendo:
— Explique por que.
Alec estava irritado naquele dia, quase tendo arrancado seu braço abaixo do cotovelo durante uma luta com um demônio dragão. Ele estava encostado no balcão da cozinha, escutando, cuidando de seu braço, e trocando mensagens de texto com Jace como Entendo o q vc quer dizer qdo fala q coisas extintas n estao extintas e Pq vc eh desse jeito?.
Até que ele perdeu a paciência.
— Sabe, Lily — ele disse em uma voz fria, pousando o telefone na bancada — que você gasta mais de metade do seu tempo atormentando Magnus e Maia em vez de oferecer sugestões? E você os faz usar aproximadamente a mesma quantidade de tempo para te responder. Então está tomando o dobro do tempo. O que significa que está desperdiçando o tempo de todos. Esse não é um modo eficiente para o comportamento de uma líder.
Lily ficou tão espantada que quase pareceu ficar pálida por um momento, quase verdadeiramente jovem, antes de sussurrar:
— Ninguém lhe perguntou, Caçador de Sombras.
— Eu sou um Caçador de Sombras — respondeu Alec, ainda calmo. — A situação que você está tendo com as sereias, o Instituto do Rio de Janeiro teve o mesmo problema alguns anos atrás. Eu sei tudo sobre isso. Quer que eu conte? Ou prefere acabar com meia dúzia de turistas num barco para Staten Island afogados e muitos Caçadores de Sombras fazendo perguntas embaraçosas, além de uma vozinha em sua cabeça dizendo: “Uau, eu queria ter escutado Alec Lightwood quando tive chance”?
Houve um silêncio. Maia comera um bolinho inteiro enquanto esperavam.
Lily manteve os braços cruzados e parecia emburrado.
— Não desperdice meu tempo, Lily — disse Alec. — O que você quer?
— Quero que você se sente e me ajude, suponho — Lily resmungou.
Alec se sentou.
Magnus não esperava que as reuniões acontecessem mais do que algumas vezes, muito menos ver uma relação crescendo entre Alec e Lily. Alec não costumava ficar inteiramente confortável com vampiros. Mas ele sempre respondia quando contavam com ele, como aconteceu. Sempre que Lily ia até ele com um problema, em primeiro lugar com altivez e um ar de relutância e mais tarde com devida confiança, Alec não descansava até resolvê-lo.
Numa quinta-feira à noite, Magnus ouvira a campainha e saiu do quarto para encontrar Alec colocando óculos, e percebeu que as ocasionais reuniões de emergência tornaram-se encontro regulares. Neste dia, Maia, Lily e Alec desenrolaram um mapa de Nova York para identificar áreas problemáticas e ter debates acalorados em que Lily fazia muitas piadas ruins sobre licantropes, e ficou combinado que cada um deles chamaria o outro quando tivessem um problema que não sabiam como resolver. Seres do Submundo e Caçadores de Sombras igualmente iam a Nova York sabendo que havia um grupo com seres do Submundo e Caçadores de Sombras que podiam e cooperariam para resolver problemas. Eles viriam se consultar e descobrir se o grupo poderia ajudá-los, também.
Magnus percebeu que esta era a sua vida agora, e ele não queria que fosse diferente.
— Eu gosto muito de Alec — Lily falara para Magnus em uma festa um mês mais tarde, um pouco bêbada e com glitter em seu cabelo. — Especialmente quando ele é presunçoso comigo. Ele me lembra Raphael.
— Como você se atreve — Magnus respondeu. — Você está falando do homem que eu amo.
Ele foi até o bar. O smoking do bartender tinha uma cor que brilhava no escuro, o que tornava mais fácil encontrá-lo na penumbra. Ele tinha falado sem pensar, casualmente, e depois parou, o copo em sua mão sua mão piscando turquesa nas luzes da festa. Ele tinha falado sobre Raphael facilmente, casualmente insultuoso, como se Raphael ainda estivesse vivo.
Lily fora aliada e segunda em comando de Raphael por décadas. Ela tinha sido totalmente leal a ele.
— Bem, eu amei Raphael — disse Lily. — E Raphael nunca amou ninguém, até onde sei. Mas ele era meu líder. Se eu comparar alguém a Raphael, é um elogio. Eu gosto de Alec. E gosto de Maia — ela fitou Magnus com os olhos arregalados, as pupilas dilatadas até que eles estivessem quase totalmente pretos. — Nunca tive um carinho enorme por você. Contudo Raphael sempre disse que você era um idiota, mas que podia ser confiável.
Raphael tinha amado muitas pessoas, Magnus sabia. Ele amava sua família mortal. Talvez Lily não soubesse sobre eles: Raphael era bastante cuidadoso sobre eles. Magnus pensava que Raphael poderia ter amado Lily, embora não do jeito como ela queria.
Ele sabia que Raphael tinha confiado nela. E Raphael confiava em Magnus. Eles estavam juntos, estes dois em quem Raphael confiara, em um daqueles terríveis momentos silenciosos em que você lembra dos mortos e sabe que nunca irá vê-los novamente.
— Aceita outra bebida? — Magnus perguntou. — Posso ser confiável para servir-lhe outro drink.
— Traga um drink que O negativo, estou me sentindo viva hoje —Lily disse a ele. Ela olhou à distância enquanto Magnus fazia seu drink, os olhos fixos nas fagulhas de brilho que caíam do teto em intervalos, mas sem vê-las. — Eu nunca pensei que teria que liderar o clã. Imaginei que Raphael estaria sempre lá. Se eu não tivesse os encontros com Alec e Maia, não saberia o que fazer na metade do tempo. Uma licantrope e um Caçador de Sombras. Você acha que Raphael teria vergonha?
Magnus deslizou bebida de Lily na frente do bar para ela.
— Não acho — ele disse a ela.
Lily sorriu, um lampejo de presas sob seu batom cor de ameixa, e, agarrando a bebida, perambulou atrás de Alec.
Agora Lily foi para o lado de Alec, tendo seguido-o para Idris, e olhou para o bebê nos braços dele.
— Olá,bebê — Lily sussurrou, pairando sobre a criança. Ela estalou os dentes na direção do bebê.
Jace rolou levemente no chão e ficou de pé. Robert, Maryse e Isabelle colocaram as mãos em suas armas. Lily estalou os dentes de novo, totalmente inconsciente da família Lightwood claramente pronta para mobilizá-la e cortá-la em pedaços. Alec olhou para sua família por sobre Lily e balançou a sua cabeça em um gesto curto e firme. O bebê olhou para as presas cintilantes de Lily e riu. Lily clicou os dentes para ele novamente e ele riu mais uma vez.
— O quê? — perguntou Lily, olhando para Alec e soando tímida de repente. — Eu sempre gostei de crianças quando eu era viva. As pessoas diziam que eu era boa com elas — ela riu, um pouco conscientemente. — Há algum tempo.
— Isso é ótimo — disse Alec. — Você estará disposta a tomar conta dele de vez em quando, então.
— Haha, eu a líder do clã de vampiros de Nova York e sou muito importante — Lily respondeu. — Mas posso olhá-lo quando eu for para a sua casa.
Magnus se perguntou quanto tempo Alec imaginava que demoraria até encontrarem uma casa para o bebê. Ele devia pensar que levaria um tempo, e Magnus temia que Alec estivesse certo.
Ele observou Alec, a cabeça inclinada sobre o bebê em seus braços, inclinando-se para Lily enquanto eles murmuravam juntos para a criança. Alec não parecia muito chateado, ele pensou. Foi Lily quem, depois de um momento de brincadeiras com o bebê, começou a parecer um pouco inquieta.
— Ocorre-me que eu poderia estar me intrometendo — Lily falou.
— Ah, é mesmo? — perguntou Isabelle, seus braços cruzados. — Você acha?
— Desculpe, Alec — pediu Lily, incisivamente sem pedir desculpas a qualquer outra pessoa. — Te vejo em Nova York. Volte rápido ou algum idiota vai destruir o lugar. Adeus, Magnus, outros Lightwood aleatórios. Até logo, bebê. Tchau, bebezinho.
Ela ficou na ponta dos pés de suas botas de salto alto, beijou Alec na bochecha e rebolou para fora do quarto.
— Eu não gosto da atitude desta vampira — disse Robert no silêncio seguinte à saída de Lily.
— Lily é legal — respondeu Alec suavemente.
Robert não disse mais uma palavra contra Lily. Ele estava tomando cuidado com seu filho, Magnus observara, dolorosamente cuidadoso, mas Robert era o único que causara dor. Robert fora imprudente com seu filho no passado. Seria um longo tempo de dor e cuidados até que as coisas estivessem bem entre eles.
Robert e Alec estavam tentando. Foi por isso que Alec tinha ficado para tomar café da manhã com seu pai esta manhã. Embora Magnus não tivesse certeza do que Robert Lightwood estivesse fazendo aqui na Academia dos Caçadores de Sombras, no escuro da noite. Além de Maryse, que devia estar cuidando do Instituto de Nova York. Além de Isabelle e Jace.
Magnus estava sempre satisfeito em ver Clary.
— Olá, bisuit — ele cumprimentou.
Clary se esgueirou até a porta e sorriu para ele, mil litros de problemas em um corpo pequenino.
— Oi.
— O que...
Magnus planejava perguntar discretamente que diabos estava acontecendo, mas ele foi interrompido por Jace deitado no chão mais uma vez. Magnus olhou para baixo, um pouco distraído.
— O que você está fazendo?
— Estou preenchendo as fendas com pedaços de tecido — Jace explicou. — Foi ideia de Isabelle.
— Eu rasguei uma de suas camisas para fazê-lo — Isabelle disse a ele. — Nenhuma das suas boas camisas, obviamente. Uma não fará falta a você, e você não deve repeti-las, de qualquer maneira.
O mundo embaçou-se brevemente na frente dos olhos de Magnus.
— Você fez o quê?
Isabelle olhou para ele do banco onde estava de pé, com as mãos na cintura.
— Estamos tornando a suíte à prova de crianças. Se é que se pode chamar isso de suíte. Esta Academia inteira é uma armadilha da morte para o bebê. Depois que terminarmos aqui, deixaremos o seu apartamento à prova de bebês.
— Você não tem permissão para ir ao nosso apartamento — Magnus disse a ela.
— Alec me dar um molho de chaves diz algo diferente — Isabelle respondeu.
— Eu fiz isso — confirmou Alec. — Dei as chaves a ela. Perdoe-me, Magnus, eu te amo, não sabia que ela faria algo assim.
Normalmente, Robert parecia um pouco desconfortável sempre que Alec expressava seu afeto a Magnus. Desta vez, porém, ele olhava fixamente para o bebê bruxo e nem sequer pareceu ouvir.
Magnus estava começando a sentir-se cada vez mais perturbado pelas voltas que esta noite estava tomando.
— Por que você está aí? — Magnus perguntou a Isabelle. — Por quê?
— Pense bem — disse Isabelle. — Nós tivemos que lidar com as fendas. O bebê poderia rastejar ao redor e sua mão ou pé ficar preso em um buraco! Ele poderia se machucar. Você não quer que o bebê se machuque, não é?
— Não. Mas também não tenho a intenção de mudar toda a minha vida e reorganizá-la por causa de um bebê.
O que ele falou soou bastante razoável. Ele ficou atordoado quando Robert e Maryse riram juntos.
— Oh, eu me lembro de pensar dessa forma — Maryse comentou. — Você vai aprender, Magnus.
Havia algo estranho na maneira como Maryse falava com ele. Parecia ter sentimento. Normalmente ela era cuidadosamente educada ou profissional. Ela nunca tinha sido calorosa antes.
— Eu esperava isso — declarou Isabelle. — Simon me contou tudo sobre o bebê no telefone. Eu sabia que vocês estariam atordoados e oprimido. Então, tive que avisar mamãe, e ela contou a Jace, e Jace estava com Clary, e todos nós viemos de imediato para arregaçar as mangas.
— É realmente bom para você— Alec observou.
Havia um ar de surpresa nele, que Magnus compreendia totalmente, mas ele também parecia tocado, o que Magnus não entendia de todo.
— Oh, o prazer é nosso — Maryse disse ao filho.
Ela avançou para Alec, as mãos estendidas. Ela fez Magnus lembrar de uma ave de rapina, as garras estendidas, morrendo de fome.
— O que você me diz — ela falou de uma forma alarmantemente doce — de me deixar segurar o bebê? Neste quarto, eu sou a que tem mais experiência com bebês, afinal de contas.
— Isso não é verdade, Alec — apontou Robert. — Isso não é verdade! Eu era bastante envolvido com todos vocês quando eram pequenos. Sou excelente com bebês.
Alec piscou para seu pai, que aparecera ao lado de Alec com a velocidade de um Caçador de Sombras.
— Pelo o que me lembro — disse Maryse — você os jogava para cima.
— Os bebês amam isso — afirmou Robert. — Bebês amam saltar.
— Jogá-lo para cima fará com que o bebê vomite.
— jogá-lo fará com que o bebê vomite com alegria — respondeu Robert.
Magnus acreditara, por vários momentos, que a única explicação possível era que toda a família estava bêbada. Agora ele estava chegando a uma conclusão muito pior.
Isabelle viera, em um turbilhão de organização, cuidar da segurança do bebê por toda a suíte. Ela foi capaz de convencer Jace e Clary a virem e ajudarem também. E Maryse falara com parceiro do filho com um carinho que nunca tinha mostrado antes, e agora ela queria segurar o bebê.
Maryse estava experimentando a febre de ser avó.
Os Lightwood pensavam que ele e Alec ficariam com o bebê.
— Eu preciso sentar — Magnus falou em uma voz rouca.
Ele agarrou a moldura da porta para não cair.
Alec olhou para ele, assustado e preocupado. Seus pais aproveitaram a chance para atacar, as mãos estendidas para o bebê, e Alec recuou um passo. Jace levantou do chão, ficando costas para seu parabatai, e Alec visivelmente tomou uma decisão e colocou o bebê nos braços de seu parabatai, de modo a ter as mãos livres para argumentar com seus pais.
— Mamãe, papai, talvez não multidão não fiquem todos sobre ele — Magnus ouviu Alec sugerir.
Magnus percebeu, por algum motivo, que o seu próprio foco tinha deslizado para o bebê. Esta era uma preocupação natural, ele disse a si mesmo. Qualquer um estaria preocupado. Jace, tanto quanto Magnus sabia, não estava acostumado a crianças. Não era como se os Caçadores de Sombras fossem sempre babás para as crianças do quarteirão.
Jace segurava o bebê um pouco sem jeito.
Sua cabeça dourada, com o cabelo cheio de pó e sujeira de ficar deitado no chão trabalhando com fendas, estava inclinada sobre o bebê, olhando fixamente para baixo para o rostinho solene do bebê.
O bebê estava vestido, Magnus viu. Ele usava um macacão laranja cujos pés eram feitos de maneira a se parecer com as patas de uma pequena raposa. Jace esfregou uma das patas da raposa com uma mão morena, os dedos Marcados como o de um guerreiro e magros como os de um músico, fazendo o bebê contorcer-se vigorosamente e oscilar para frente.
Magnus correu, apenas percebendo que se movera quando estava no meio do quarto. Ele também percebeu que todos pularam para frente para pegar o bebê também.
Exceto que Jace mantivera o controle sobre o bebê, apesar as oscilação.
Jace pareceu aterrorizado por um minuto, depois relaxou e olhou para todos com seu habitual ar de superioridade leve.
— Ele está bem — Jace disse. — Ele é forte.
Ele olhou para Robert, recordando claramente das suas primeiras palavras, e jogou o bebê cuidadosamente para cima. O bebê se debateu, um pequeno punho saltando na direção do rosto de Jace.
— Isso é bom — incentivou Jace. — Está certo. Talvez um pouco mais na próxima vez. Logo você estará atacando demônios no rosto. Quer distribuir socos na cara de demônios comigo e Alec? Quer? Sim, você quer.
— Jace, querido — Maryse balbuciou. — Me passe o bebê.
— Quer segurar o bebê, Clary? — perguntou Jace, num tom de alguém que trazia um grande oferecimento à sua amada.
— Eu estou bem aqui, obrigada — respondeu Clary.
Os Lightwood, incluindo Jace, a encararam com uma espécie de tristeza maravilhada, como se ela tivesse acabado de se mostrar tragicamente insana.
Isabelle saltara do banco na mesma hora em que todos correram para o bebê, pronto para pegá-lo. Ela olhou para Magnus agora.
— Você vai passar a perna em seus pais para poder segurar o bebê? — perguntou Magnus.
Isabelle riu levemente.
— Claro que não. Logo o leite dele estará pronto. Depois... — o rosto de Isabelle mudou, transformado em aterrorizante determinação — vou alimentar o bebê. Até lá eu posso esperar, e ajudar vocês a descobrirem o nome perfeito para ele.
— Nós falamos um pouco sobre isso enquanto vínhamos de Alicante — disse Maryse, sua voz ansiosa.
Robert deu outro de seu sorriso brilhante e doce de gato, e se moveu inquietantemente desta vez para o lado de Magnus. Colocou uma mão pesada no ombro dele. Magnus olhou para a mão de Robert e sentiu um mal-estar profundo.
— É claro, isso cabe a você e a Alec — Robert assegurou.
— É claro — concordou Maryse, que nunca concordava em nada com Robert. — E nós não queremos que vocês façam nada com que não se sintam confortáveis. Eu nunca quereria que o pequeno tivesse um nome associado com tristeza em vez de alegria, ou que qualquer um de vocês sentisse como se tivesse que fazer isso. Mas nós pensamos que desde que... bem, feiticeiros escolhem o próprio sobrenome um pouco mais tarde, por isso “Bane” não é parte de uma tradição familiar... nós pensamos que vocês poderiam considerar, em memória, mas não como um fardo...
— Max Lightwood — Isabelle completou, com uma voz segura.
Magnus se encontrou piscando, em parte por perplexidade, mas em parte por causa de outra sensação de que ele descobriu muito menos fácil de definir. Sua visão turva tinha algo de novo e seu coração pulou.
O erro dos Lightwood era ridículo, e ainda assim Magnus não pôde deixar de se surpreender com a oferta e quão genuína e sincera ela soou. Esta era uma criança feiticeira, e eles eram todos Caçadores de Sombras. Lightwood era um antigo e orgulhoso nome de Caçador de Sombras. Max Lightwood fora o filho mais novo dos Lightwood... este era um nome para um dos seus próprios.
— Ou, se vocês não gostarem... Michael. Michael é um bom nome —Robert ofereceu ao longo silêncio. Ele limpou a garganta depois disso e olhou para fora das janelas do sótão, para os bosques que rodeiam a Academia.
— Ou vocês podem hifenizar — disse Isabelle, sua voz um pouco demasiadamente afiada. — Lightwood-Bane ou Bane-Lightwood?
Alec se moveu, estendendo a mão para não tomar o bebê, mas para tocá-lo. O bebê ergueu uma mão, os dedos minúsculos enrolando-se em torno do dedo de Alec, como se procurando-o também. O rosto de Alec, entristecido desde a menção ao nome de seu irmão, foi aquecido por um pequeno sorriso repentino.
— Magnus e eu ainda não conversamos sobre isso, e nós precisamos conversar — disse ele calmamente. A voz dele tinha autoridade, mesmo quando era tranquila. Magnus viu Robert e Maryse acenarem a cabeça para ele quase inconscientemente. — Mas eu estava pensando que Max talvez soe bem.
Foi quando Magnus percebeu a magnitude da situação. Não era apenas uma conclusão maluca a que Isabelle chegara e conseguira convencer a todos. Não era apenas os Lightwood.
Alec também pensava que ele e Magnus ficariam com o bebê.
Dessa vez Magnus andou até uma das cadeiras raquíticas enfeitadas por uma almofada que ele trouxe de casa e se sentou. Ele não conseguia sentir os dedos. Pensou que poderia estar em choque.
Robert Lightwood o seguiu.
— Eu não pude deixar de notar que o bebê é azul — Robert comentou. — Os olhos de Alec são azuis. E quando você... — ele fez um gesto estranho de balançar os dedos e um som de whoosh, whoosh — faz magia, às vezes, há uma luz azul.
Magnus olhou para ele.
— Não estou conseguindo captar o que quer dizer.
— Se você fez o bebê para si e Alec, pode me dizer — explicou Robert. — Eu sou um homem muito tolerante. Ou, estou tentando ser. Eu gostaria de ser. Gostaria de entender.
— Se eu fiz... o... bebê...? — Magnus repetiu.
Ele não tinha certeza de por onde começar. Ele imaginara que Robert Lightwood sabia como bebês eram feitos.
— Magicamente — Robert sussurrou.
— Vou fingir que você nunca me falou isso — disse Magnus. — Farei de conta que nós nunca tivemos essa conversa.
Robert piscou, como se eles estivessem se entendendo. Magnus estava sem palavras.
Os Lightwood continuaram em seu trabalho de deixar a suíte à prova de crianças, alimentar o bebê e todos querendo segurar o bebê ao mesmo tmepo. Luz enfeitiçada preenchia todo o pequeno espaço do sótão, brilhando e ofuscando a visão de Magnus.
Alec pensava que eles ficariam com o bebê.
Ele queria chamá-lo de Max.

* * *

— Eu vi Magnus Bane e uma vampira sexy no corredor — Marisol anunciou enquanto passava pela mesa de Simon.
Jon Cartwright estava carregando sua bandeja, e ele quase a deixou cair.
— Uma vampira — ele repetiu. — Na Academia?
Marisol olhou para sua expressão escandalizada e acenou com a cabeça.
— Uma sexy.
— Elas são o pior tipo — Jon cuspiu.
— Então você não estava tão ruim, Simon — Julie observou enquanto Marisol seguiu em frente, relatando seu conto de uma vampira sedutora.
— Você sabe — disse Simon — às vezes acho Marisol vai longe demais. Eu sei que ela gosta de encher o saco de Jon, mas ninguém é burro o suficiente para acreditar em um bebê feiticeiro e uma vampira no mesmo dia. É demais. Isso não faz sentido. Jon vai perceber.
Ele enfiou um pedaço misterioso em seu guisado na boca.
O jantar foi muito tarde esta noite, e muito congelado.
Marisol mentir sobre vampiros deve ter colocado a ideia em sua cabeça: Simon pensou que beber sangue não podia ter sido tão ruim quanto aquilo.
— Você pensaria que ela teve emoção suficiente por um dia — George concordou. — Eu me pergunto como o pobre bebê está indo. Eu estava pensando, você acha que ele pode mudar de cor como um camaleão? Quão legal seria?
Os olhos de Simon brilharam.
— Muito legal.
— Nerds — observou Julie.
Simon tomou isso como elogio. Ele sentia que George realmente tinha que ser seu aprendiz. Ele até comprara graphic novels voluntariamente quando ele estava na Escócia durante o Natal. Talvez um dia o aluno se tornasse mestre.
— É uma má notícia para você, Simon — disse George. — Eu sei que você queria falar com Alec.
O breve momento de alegria de Simon desapareceu, e ele caiu com o rosto em cima da mesa.
— Esqueci sobre essa conversa com Alec. Quando fui chamá-los por causa do bebê, interrompi Alec e Magnus no quarto. Se Alec não gostava de mim antes, ele definitivamente me odeia agora.
Outra memória antiga, absolutamente indesejável, brilhou na mente de Simon: o rosto pálido de Alec furioso enquanto ele olhava para Clary. Talvez Alec odiasse Clary também. Talvez uma vez que alguém o interrompesse, ele nunca esquecia e nunca perdoava, e odiaria ambos para sempre.
Suas fantasias medonhas foram interrompidas por uma comoção em torno da mesa.
— O quê? Onde? Quando? Como? Magnus parece um amante tenro e atlético? — Julie exigiu.
— Julie! — disse Beatriz.
— Obrigado, Beatriz — disse Simon.
— Não diga uma palavra, Simon — Beatriz continuou. — Não até que eu tenha pegado caneta e papel para poder escrever tudo o que você diz. Sinto muito, Simon, mas eles são famosos, e celebridades têm de suportar esse interesse em suas vidas amorosas. Eles são como Brangelina.
Beatriz vasculhou sua bolsa até que encontrou um bloco de notas, em seguida, abriu-o e olhou para Simon com um ar de expectativa.
Julie, que nascera e fora criada em Idris, fez uma careta.
— O que é Brangelina? Soa como um demônio.
— Não diga isso! — George protestou. — Acredito no amor deles.
— Eles não são como Brangelina — Simon disse. — Do que você os chamaria? Algnus? Isso soa como uma doença de pés.
— Obviamente você os chamaria de Malec — Beatriz respondeu. — Você é estúpido, Simon?
— Eu não serei distraída! — Julie exclamou. — Magnus tem piercings? Claro que sim; quando ele perderia a oportunidade de um brilho?
— Eu não notei, e mesmo se tivesse notado, não discutiria isso — disse Simon.
— Oh, porque as pessoas no mundo mundano nunca são obcecadas por celebridades e suas vidas amorosas — Beatriz falou. — Veja só, Brangelina. E aquela boy band sobre a qual George é obcecado. Ele tem todos os tipos de teorias sobre os romances deles.
— O que... com que banda George é obcecado? — Simon perguntou lentamente.
George pareceu traído.
— Eu não quero falar sobre isso. A banda está passando por alguns tempos difíceis ultimamente, e isso me deixa muito triste.
Isto estava longe demais da coisa mais preocupante e perturbadora que aconteceram com Simon hoje. Ele decidiu parar de pensar sobre George e a boy band.
— Eu sou o único que cresceu a uma viagem de metrô da Broadway, e sei que as pessoas ficam muito interessadas ​​em celebridades — Simon falou. — Mas é estranho para mim quando as garotas ficam obsessivas com Jace ou Magnus. É estranho quando Jon segue Isabelle com a língua de fora.
— A paixão de George por Clary é estranha também? — perguntou Beatriz.
— Hoje é o Dia de Entregar o George, Beatriz? — George exigiu. — Si, possa ter tido certos pensamentos sobre gatas de bolso, mas eu nunca lhe contaria sobre eles! Não quero tornar isso estranho!
— Gatas de bolso? — Simon o encarou. — Parabéns, você tornou tudo estranho.
George abaixou a cabeça de vergonha.
— É estranho para mim, porque todo mundo age como se conhecessem gente famosa, mas eu realmente conheço essas pessoas. Eles não são como fotos, cartazes para pendurar na parede. Eles não são nada como vocês acha que eles são. Eles têm direito à privacidade. É estranho porque vejo todos agindo como se soubessem quem meus amigos são, quando só conhecem um pouquinho deles, e é estranho ver alguém agindo como se tivesse algum tipo de direito sobre os meus amigos e suas vidas.
Beatriz hesitou, em seguida, baixou a caneta.
— Tudo bem. Posso ver que é estranho para você, mas isso vem de todos admirando o que eles fizeram. As pessoas agem como se os conhecessem porque querem conhecê-los. E ser admirado significa que eles têm muita influência sobre as outras pessoas. Eles podem fazer o bem com isso. Alec Lightwood é a inspiração de Sunil em ser um Caçador de Sombras. E você, Simon. Um monte de gente o segue porque te admiram. Pode haver alguma estranheza misturada à admiração, mas penso que está tudo bem.
— Oh, não é o mesmo comigo — Simon murmurou. — Quero dizer, eu não me lembro. Isso é para os meus amigos. Incluindo Alec, que é... meu amigo que não gosta de mim. Eles são os especiais.
Ele não podia ser legal e seguro como Magnus ou Jace. Ele não sabia do que Beatriz estava falando. Além disso, sentiu-se de repente paranoico sobre se as pessoas se perguntavam se ele tinha piercings.
Simon não tinha piercings. Ele costumava ser um músico em Brooklyn. Provavelmente deveria ter piercings.
Beatriz hesitou um instante, em seguida, arrancou a página que tinha escrito sobre e amassou-a em uma bola.
— Você é muito especial, Simon — ela disse, e corou. — Todo mundo sabe disso.
Simon olhou para o rosto vermelho e lembrou-se de George mencionando que alguém tinha uma queda por ele. Ele pensou por um momento que poderia ser Julie, o que seria tanto bizarro quanto estranhamente lisonjeiro ter transformado o coração de uma princesa do gelo Caçadora de Sombras com seus encantos viris, mas supôs que Beatriz fizesse mais sentido. Ele e Beatriz eram realmente bons amigos. Beatriz tinha o melhor sorriso da Academia. Simon já tivera uma queda por uma garota atraente de quem era amigo de volta no Brooklyn. Ele se sentiu principalmente estranho agora. Perguntou-se se ele deveria declinar Beatriz gentilmente.
Julie pigarreou.
— E só para você saber... — disse ela — tem havido perguntas invasivas sobre você. Também houve um incidente em que alguém tentou roubar uma das suas meias usadas e guardá-la como um troféu.
— Quem foi essa pessoa da meia? — Simon perguntou. — Isso é simplesmente nojento.
— Nós nunca dissemos nada a eles — Julie falou. — E eles podem ter perguntado uma vez, mas nunca perguntaram novamente — seu lábio descobriu os dentes. Parecia um tigre loiro rosnando. — Porque você é uma pessoa real para nós, Simon. E você é nosso amigo.
Ela estendeu a mão sobre a mesa e tocou a mão de Simon, em seguida, puxou-a de volta como se tivesse se queimado. Beatriz pegou a mão de Julie assim que ela a recolheu e rebocou a amiga para fora da cadeira em direção ao canto da sala onde a comida era servida.
Nenhuma delas precisava de mais comida. Elas mal tocaram em seu ensopado. Simon as observou enquanto saíam, e depois enquanto conversavam em sussurros tensos entre elas.
— Bem, ambas parecem estranhamente chateadas.
George revirou os olhos.
— Vamos, Si, não seja lento.
— Você não pode querer dizer... — começou Simon. — Não podem as duas... gostarem de mim, né?
Houve um longo silêncio.
— Nenhuma delas gosta de você? — perguntou Simon. — Você é matéria estrangeira. E tem sotaque escocês.
— Não esfregue isso na minha cara. Talvez as meninas me temam porque meus olhos aguçados veem muito profundamente em suas almas — disse George. — Ou talvez sejam intimidadas por meus bons olhos. Ou talvez... por favor, não me faça mas falar sobre o sujeito solitário que sou.
Ele observou Julie e Beatriz um pouco melancolicamente. Simon não poderia dizer se George estava melancólico sobre Julie ou Beatriz, ou simplesmente melancólico sobre o amor em geral. Ele não tinha ideia de que seus amigos estavam envolvidos em tal emaranhado emocional.
Ele foi surpreendido. Ele se sentiu estranho. E não sentia mais nada.
Ele gostava muito Beatriz. Julie era terrível, mas Simon pensou nela contando-lhe sobre sua irmã, e teve que admitir: Julie era terrível, mas ele gostava dela, também. Ambas eram bonitas e duronas e não vinham com uma carga de memórias perdidas e emoções emaranhadas.
Ele não sentia prazer em saber que elas gostavam dele. Não foi mesmo ligeiramente tentado.
Ele desejou com toda a intensidade de sua mente que Isabelle estivesse aqui, não numa carta, não em uma voz no telefone, mas aqui.
Ele olhou para o rosto triste de George e ofereceu:
— Quer falar sobre quando Magnus e Alec irem, e nós roubarmos a suíte deles e fazer nossas próprias refeições em nossa pequena cozinha particular?
George suspirou.
— Poderia realmente acontecer, Simon, ou este é um sonho muito bom? Todo dia seria uma canção. Tudo o que eu quero é fazer um sanduíche, Simon. Apenas um sanduíche humilde, com presunto, queijo, talvez um pouquinho de... oh meu Deus.
Simon se perguntou que gosto teria um pouquinho de “oh meu Deus”. George tinha congelado, a colher aos lábios, os olhos fixos em um ponto mais acima do ombro de Simon.
Simon se virou em seu assento e viu Isabelle enquadrada na porta do refeitório da Academia. Ela usava um iridescente vestido longo, e pulseiras reluzentes estavam distribuídas por seus braços. O tempo pareceu passar lentamente, como num filme, como que por magia, como se ela fosse um gênio que podia aparecer em uma nuvem de fumaça brilhante para conceder desejos, e cada desejo seria ela.
— Surpresa — disse Isabelle. — Sentiu a minha falta?
Simon ficou de pé. Ele pode ter derrubado sua tigela vazia no colo de George. Estava arrependido, mas faria as pazes com ele mais tarde.
— Isabelle. O que você está fazendo aqui?
— Parabéns, Simon, que resposta romântica — Isabelle devolveu. — Eu devo tomar isso como um “Não, eu não senti falta sua, e estou me encontrando com outras meninas”? Se assim for, não se preocupe com isso. Por que se preocupar, quando a vida é tão curta? Especificamente a sua vida, porque vou arrancar a sua cabeça.
— Estou confuso com o que você está dizendo — Simon revelou.
Isabelle levantou as sobrancelhas e abriu os lábios, mas antes que ela pudesse falar, Simon a pegou pela cintura e a puxou contra ele, beijando sua boca surpresa.
A boca de Isabelle relaxou, curvando-se sob o sua. Ela atirou os braços em volta do pescoço dele e o beijou de volta, sensual e exuberante mais uma vez, a femme fatale e a princesa guerreira, a menina dos sonhos de todas as suas fantasias nerds em uma. Simon se afastou por um momento para fitar os olhos escuros feito a noite de Isabelle.
— Eu não estava ciente — Simon falou — que existiam outras garotas no mundo além de você.
Ele ficou envergonhado logo que disse isso. Essa não era uma resposta para suavizar a anterior. Ele estava sendo honesto, tentando dizer a Isabelle o que só agora ele percebera. Mas viu que os olhos de Isabelle brilharam como estrelas novas em vigília da noite, sentiu o braço dela em volta de seu pescoço puxando-o para outro beijo, e pensou que a frase era sentimental. Afinal, ele havia conseguido uma garota, a garota. A única que Simon queria.

* * *

Era meia-noite quando Magnus teve todos os Lightwood fora de sua suíte. Isabelle escapara para ver Simon algum tempo antes, e Clary e Jace puderam ser convencidos facilmente a saírem juntos, mas por alguns instantes ele pensou que teria que usar magia em Maryse e Robert. Ele os empurrou para fora da porta enquanto eles ainda lhe davam dicas úteis para o bebê.
Assim que eles se foram, Alec se arrastou até a cama e deitou a cabeça, dormindo instantaneamente. Magnus ficou com o bebê.
Era possível que o bebê estivesse atordoado pelos Lightwood também. Ele estava deitado no berço encarando o mundo com os olhos arregalados. O berço estava sob uma janela, e a criança estava em uma pequena piscina da luz, o luar iluminando seu cobertor amarrotado e suas pequenas pernas gordas. Magnus agachou-se ao lado do berço e o assistiu, esperando a próxima erupção de gritos que significava que ele precisava ser trocado e alimentado. Em vez disso, ele adormeceu também, a boca dele aberta, um pequeno botão de rosa azul.
Quem poderia amá-lo? a mãe do bebê tinha escrito, mas o bebê não sabia disso ainda. Ele dormia, inocente e sereno quanto qualquer criança seguramente amada. A mãe de Magnus poderia ter pensado as mesmas palavras de desespero.
Alec pensava que eles ficariam com o bebê.
Mantê-lo ainda não ocorrera a Magnus. Ele tinha pensado que vivera a vida acreditando que mil possibilidades estavam abertas para ele, mas não pensara nessa possibilidade como sendo aberta para ele: a vida familiar como mundanos e Nephilim possuíam, amor tão confiante que podia ser compartilhado com alguém novo no mundo e indefeso.
Ele experimentou o pensamento agora.
Mantê-lo. Ficar com o bebê. Ter o bebê, com Alec.
Horas se passaram. Magnus não tinha percebido, o tempo passou tão calmamente, como se alguém tivesse colocado um tapete na noite para abafar os passos do tempo. Ele não registrou nada além daquele pequeno rosto, até que sentiu um toque suave em seu ombro.
Magnus não levantou, mas se virou para ver Alec olhando-o. O luar transformava em prata a pele de Alec e deixava seus olhos tom mais escuro, mais profundo e infinito de uma ternura azul.
— Se você pensou que eu estava te pedindo para ficar com o bebê —Magnus falou — eu não estava.
Os olhos de Alec se arregalaram. Ele absorveu a notícia em silêncio.
— Você é... ainda muito jovem — Magnus disse. — Me desculpe se às vezes parece que não me lembro disso. É esquisito para mim – ser imortal, jovem e velho ao mesmo tempo é esquisito para mim. Sei que devo parecer estranho para você às vezes.
Alec assentiu com a cabeça, pensativo e sem magoar.
— Você parece — ele concordou, e inclinou-se de lado contra o berço, tocando o cabelo de Magnus e lhe dando um beijo leve como a luz da lua. — E eu nunca quis nada além disso. Não quero um amor menos estranho.
— Mas você não precisa temer que eu um dia vá deixá-lo — disse Magnus. — Você não precisa ter medo do que vai acontecer com o bebê ou que eu ficarei magoado, porque o bebê é... um feiticeiro, e não era desejado. Você não tem que se sentir preso. Não precisa temer, e não precisa fazer nada disso.
Alec se ajoelhou nas sombras e nas tábuas empoeiradas do sótão, ao lado do berço e de frente para Magnus.
— E se eu quiser? Eu sou um Caçador de Sombras. Nós casamos jovens, e temos filhos jovens, porque nós podemos morrer jovens, porque queremos fazer o nosso dever para com o mundo e ter todo o amor do mundo que pudermos. Eu costumava... costumava pensar que nunca poderia fazer isso, nunca teria isso. Eu me sentia preso. Não me sinto preso agora. Eu nunca poderia lhe pedir para viver em um Instituto, e não quero. Quero ficar em Nova York, com você, e com Lily e Maia. Quero continuar fazendo o que estamos fazendo. Quero que Jace dirija o Instituto depois da minha mãe, e quero trabalhar com ele. Quero ser parte da conexão entre o Instituto e os seres do Submundo. Por muito tempo, pensei que eu nunca poderia ter essas coisas que desejava, exceto talvez manter Jace e Isabelle a salvo. Pensei que eu poderia cuidar da retaguarda deles em uma luta. Agora tenho mais e mais pessoas com quem me importo e... quero que todos que amo... quero que as pessoas que nem conheço, todos nós, saibam que temos em nossa retaguarda e não temos que lutar sozinhos. Eu não estou preso. Estou feliz. Estou exatamente aonde queria estar. Eu sei o que quero, e tenho a vida que quero. Não temo qualquer uma das coisas que você falou.
Magnus respirou fundo. Era melhor perguntar a Alec do que continuar imaginando a coisa errada.
— Do que você tem medo então?
— Você se lembra da mamãe sugerindo chamar o bebê de Max?
Magnus assentiu, cuidadosamente tranquilo. Ele não conhecera muito o irmão de Alec, Max. Robert e Maryse Lightwood sempre tentaram manter seus filhos longe de seres do Submundo, e Max era jovem demais para desobedecer.
A voz de Alec era baixa, tanto pelo bebê e quanto pela memória.
— Eu nunca fui o irmão legal. Lembro que quando minha mãe costumava deixar Max sair comigo, quando ele era realmente pequeno, ainda aprendendo a andar, e eu estava sempre com medo de que ele iria cair e seria culpa minha. Eu sempre tentei fazê-lo obedecer as regras e obedecer o que mamãe dissesse. Isabelle era ótima com ele, sempre fazendo-o rir, e pelo Anjo, Max queria ser como Jace. Ele pensava que Jace era o melhor e mais legal Caçador de Sombras que já viveu, que o sol nascia e se punha com ele. Jace lhe deu um soldadinho de brinquedo e Max costumava levá-lo para a cama com ele. Eu tinha ciúmes de como Max amava tanto aquele brinquedo. Eu costumava dar-lhe outras coisas, brinquedos que eu achava que eram melhores, mas ele sempre amou aquele soldado. Ele morreu segurando aquele brinquedo em busca de conforto. Fiquei feliz que ele tivesse algo de que gostava para confortá-lo. Foi estúpido e mesquinho da minha parte ser ciumento.
Magnus balançou a cabeça. Alec deu-lhe um sorriso triste, e em seguida abaixou a cabeça preta, olhando para o chão.
— Eu sempre pensei que haveria mais tempo — disse Alec. — Pensei que Max ficaria mais velho, que ele treinaria mais com a gente, e eu o ajudaria a treinar. Pensei que ele viria em missões conosco, e eu cuidaria de sua retaguarda, da maneira como sempre tentei fazer com Jace e Isabelle. Ele saberia que seu irmão mais velho e chato era bom em alguma coisa, então. Saberia que podia contar comigo, não importa o quê. Ele deveria ter sido capaz de contar comigo.
— Ele foi capaz de contar com você — Magnus respondeu. — Eu sei que sim. Ele sabia disso. Ninguém que já te conheceu poderia duvidar disso.
— Ele nem sequer sabia que eu sou gay. Ou que eu te amo. Eu gostaria que ele pudesse conhecê-lo.
— Eu queria poder conhecê-lo — disse Magnus. — Mas ele te conhecia. Ele te amava. Você sabe disso, não sabe?
— Eu sei. Eu apenas... eu sempre desejei que pudesse ser mais para ele.
— Você sempre tenta ser mais para todos que ama. Não percebe como toda a sua família se volta para você, como confiam em você. Eu confio em você. Até Lily depende de você, pelo amor de Deus. Você ama tanto as pessoas que gosta que tenta ser um ideal impossível para elas. Não percebe que é mais do que o suficiente.
Alec encolheu os ombros, um pouco impotente.
— Você me perguntou sobre o que eu estava com medo. Estou com medo que ele não vá gostar de mim — disse Alec. — Temo piorar a situação dele. Mas eu quero tentar estar lá para ele. Eu o quero. E você?
— Eu não esperava por ele. Não esperava que nada parecido com isso acontecesse comigo. Mesmo que às vezes eu pensasse sobre como seria se você e eu tivéssemos uma família, pensei que demoraria anos. Mas sim. Sim, eu quero tentar também.
Alec sorriu, seu sorriso tão brilhante que Magnus percebeu quão aliviado ele ficou, e percebeu tardiamente quão preocupado Alec estivera de que ele diria não.
— É rápido — Alec admitiu. — Pensei sobre ter uma família, mas acho que sempre imaginei... Bem, acho que nunca esperei que nada como isso acontecesse antes de nos casarmos.
— O quê?
Alec apenas o encarou. O braço forte do arqueiro estava no berço do bebê, mas Alec estava concentrado em Magnus, seus olhos azuis escuros mais escuros do que nunca nas sombras, o olhar de Alec mais importante do que um beijo de qualquer outra pessoa. Magnus viu que ele realmente quis dizer aquilo.
— Alec. Meu Alec. Você tem que saber que isso é impossível.
Alec pareceu surpreso e horrorizado.
Magnus começou a falar, as palavras saindo de sua boca mais e mais rápido, tentando fazer Alec ver.
— Caçadores de Sombras podem se casar com seres do Submundo em cerimônias de seres do Submundo ou mundanas. Já vi isso acontecer. Vi outros Caçadores de Sombras anularem esses casamentos como se não significassem nada, e vi alguns Caçadores de Sombras dobrarem sob pressão e quebrar os votos que fizeram. Eu sei que você nunca faria dobraria ou quebraria. Sei que os votos de casamento significariam muito para você. Sei que esse e quaisquer outros votos que você me fez, manteria. Mas eu estava vivo antes dos Acordos. Sentei-me, comi e conversei com os Caçadores de Sombras sobre a paz entre nossos povos, e, em seguida, esses mesmos Caçadores de Sombras jogaram fora os pratos em que tocamos porque achavam que eu irremediavelmente teria contaminado o que toquei. Eu não terei uma cerimônia em que alguém olhará como se fosse inferior. Não quero que você tenha menos do que a cerimônia que poderia ter tido, para honrar seus votos como um Caçador de Sombras. Já tive o suficiente de compromissos em nome de fazer as pazes. Quero que a Lei mude. Não quero me casar até que possamos nos casar de dourado.
Alec estava quieto, a cabeça baixa.
— Você entende? — Magnus perguntou, sentindo-se quase desesperado. — Não é que eu não queira. Não é que eu não te ame.
— Eu entendo — Alec respondeu. Ele tomou uma respiração profunda e olhou para cima. — Mudar a Lei pode demorar um pouco — ele disse simplesmente.
— Pode.
Ambos ficaram em silêncio por um tempo.
— Posso dizer uma coisa? — Magnus perguntou. — Ninguém nunca quis se casar comigo antes.
Ele tivera outros amores, mas nenhum deles lhe pediu, e ele soubera, sentira com um sentimento de afundamento frio, que seria inútil pedir-lhes. Se fosse porque eles não sentiam que a promessa “até que a morte os separe” não contava quando Magnus não iria morrer, ou porque eles encaravam Magnus levianamente ou pensavam que por ser imortal, ele os encarava levianamente. Ele nunca soube das razões pelas quais eles não quiseram se casar com ele, mas ali estava: houvera amantes dispostos a morrer com ele, mas ninguém nunca estivera disposto a jurar viver com ele todos os dias durante o tempo que ambos tivessem de vida.
Ninguém até este Caçador de Sombras.
— Eu nunca pedi ninguém que ninguém se casasse comigo antes — Alec devolveu. — Então, isso é um não?
Ele riu quando fez a pergunta, com um riso leve, desgastado mas feliz. Alec sempre tentou dar aqueles que amava um caminho ou uma porta aberta; tentou dar àqueles que amava tudo o que queriam. Eles ficaram sentados ali, encostados juntos no berço de seu bebê.
Magnus levantou a mão e Alec pegou-a meio do ar, entrelaçando seus dedos. Os anéis de Magnus e as cicatrizes de Alec brilharam ao luar. Ambos apertaram as mãos.
— É um sim, um dia — respondeu Magnus. — Para você, Alec, é sempre sim.

* * *

Depois das aulas no dia seguinte, Simon estava sentado em seu quarto na masmorra úmida, resistindo à quase irresistível tentação de procurar Isabelle, e reuniu toda a sua coragem.
Subiu os muitos lances de escadas e bateu na porta dos aposentos de Alec e Magnus.
Magnus abriu a porta. Ele estava vestindo jeans e uma camiseta desgastada e larga, segurando o bebê, e parecia muito cansado.
— Como você sabia que ele tinha acabado de acordar de um cochilo? — Magnus perguntou enquanto abria a porta.
— Uh, eu não sabia — disse Simon.
Magnus piscou para ele, da forma lenta pessoas que cansados ​faziam, como se tivessem que pensar profundamente sobre piscar.
— Oh, minhas desculpas — ele respondeu. — Pensei que fosse Maryse.
— A mãe de Isabelle está aqui?! — Simon exclamou.
— Shhhh! Ela pode te ouvir.
O bebê estava lamuriando, não muito um choro, mas fazendo um som como um pequeno e infeliz trator. Ele enxugou o rosto úmido contra o ombro de Magnus.
— Eu realmente sinto interromper — Simon falou. — Mas queria saber se eu poderia ter uma palavra a sós com Alec.
— Alec está dormindo — disse Magnus sem rodeios, e começou a fechar a porta.
A voz de Alec ecoou para fora antes que a porta estivesse totalmente fechada. Ele soou como se estivesse no meio de um bocejo.
— Não, não estou. Estou acordado. Posso falar com Simon — ele apareceu na porta, abrindo-a novamente. — Saia e dê um longo passeio. Respire um pouco de ar fresco. Isso vai te despertar.
— Estou ótimo — disse Magnus. — Não preciso dormir. Ou despertar. Eu me sinto ótimo.
O bebê acenou com as mãos gordas na direção de Alec, os gestos abertos e descoordenados, mas inconfundíveis. Alec pareceu assustado mas sorriu, de repente, um sorriso inesperadamente agradável, e estendeu a mão para pegar o bebê em seus braços. Assim que o fez, o bebê parou de reclamar.
Magnus balançou o dedo no rosto do bebê.
— Acho a sua atitude insultuosa — informou ele. Ele beijou Alec brevemente. — E não vou demorar muito.
— Leve o tempo que precisar — disse Alec. — Tenho essa sensação de que meus pais podem estar vindo para ajudar muito em breve.
Magnus saiu, e Alec afastou-se da porta, indo para a janela com o bebê.
— Então — Alec começou. Sua camisa foi amarrotada, claramente dormindo, e ele ninava um bebê. Simon sentiu-se mal por incomodar. — O que você quer falar comigo?
— Sinto muito de novo pelo outro dia — Simon falou.
Então ele perguntou se era horrível que ele tivesse feito referência a sexo na frente do filho de Alec. Talvez Simon apenas estivesse condenado a ofender Alec mortalmente, de novo e de novo. Para sempre.
— Está tudo bem. Uma vez eu interrompi você e Isabelle. Acho que esse foi o troco — ele franziu a testa. — Embora vocês dois estivessem no meu quarto no momento, por isso, na verdade, acho você ainda me deve.
Simon ficou alarmado.
— Você interrompeu Isabelle e eu? Mas nós não... quero dizer, não fizemos... não é?
Seria típico da vida de Simon, ele pensou. De todas as coisas do mundo, ele esqueceu disso.
Alec parecia perturbado em ter esta discussão, mas Simon fitou-o com um olhar articulado e Alec aparentemente teve pena do quão patético Simon era.
— Eu não sei — Alec respondeu finalmente. — Você estava no processo de tirar a roupa, se eu lembro. E não tento me lembrar. E você parecia estar envolvido em algum tipo de encenação.
— Oh. Uau. Uma encenação avançada? Havia trajes? Adereços? O que Isabelle vestia, exatamente?
— Eu não vou discutir isso.
— Mas se você pudesse apenas me dar uma dicazinha...
— Saia daqui, Simon — Alec ordenou.
Simon afastou a pontada de pânico e se ordenou a prosseguir. Estas eram mais palavras do que ele falara para Alec em anos. Embora Alec o tivesse mandado sair do quarto, portanto Simon teve que admitir que as coisas não estavam exatamente indo bem.
— Desculpe — disse Simon. — Quero dizer, me desculpe pelas perguntas impróprias. E desculpe por interrompê-los, hã, ontem manhã. Sinto muito por tudo. Sinto muito pelo o que ocorreu de ruim entre nós. Tudo sobre o que você está com raiva. Eu honestamente não me lembro, mas lembro como você é quando está com raiva, e não quero que as coisas sejam assim entre nós. Eu lembro que você não gosta de Clary.
Alec olhou para Simon como se ele fosse louco.
— Eu gosto de Clary. Clary está entre os meus melhores amigos.
— Oh. Me desculpe. Pensei que eu tivesse lembrado... Devo ter entendido errado.
Alec respirou fundo e admitiu:
— Não, você não entendeu errado. Eu não gostava de Clary no início. Fui duro com ela uma vez. Eu... a bati contra uma parede. Ela bateu a cabeça. Eu era um guerreiro treinado e ela não tinha qualquer formação na época. Eu sou duas vezes o tamanho dela.
Simon tinha vindo aqui para se reconciliar com Alec, ele não estava preparado para o forte desejo de socá-lo que o tomou. Ele não podia fazê-lo. Alec estava segurando um bebê.
Tudo o que podia fazer era encará-lo em silêncio furioso à ideia que alguém tocara em sua melhor amiga.
— Não é nenhuma desculpa — continuou Alec. — Mas eu estava com medo. Ela sabia sobre eu ser gay, e me disse que sabia. Ela não estava me dizendo nada que eu já não soubesse, mas eu estava com medo dela porque eu não a conhecia. Ela não era minha amiga então. Ela era apenas uma mundana invadindo a minha família, e eu conhecia os Caçadores de Sombras, era amigo de Caçadores de Sombras que se tivesse adivinhado isso, teriam corrido para contar aos meus pais, e aí os meus pais poderiam enfiar algum senso em mim. Eles teriam contado para todo mundo. Teriam pensado estar fazendo a coisa certa.
— Não teria sido a coisa certa — Simon disse, ainda furioso, mas abalado. — Clary nunca faria isso. Ela nunca me contou.
— Eu não conhecia no momento. Você está certo. Ela nunca contou a ninguém sobre nada disso. Ela tinha todo o direito de dizer que eu tinha começado rudemente com ela. Jace teria me dado um soco na cara se soubesse. Fique com medo que ela contasse ar Jace que eu era gay, porque eu não estava pronto para Jace saber sobre mim. Mas você está certo. Ela nunca o faria, e não o fez — ele olhou para fora da janela, acariciando as costas do bebê. — Eu gosto de Clary — ele falou simplesmente. — Ela sempre tenta fazer o que é certo, nunca deixa ninguém lhe dizer o que é isso. Ela lembra meu parabatai, o quanto ele quer viver. Ocasionalmente eu preferiria que ela tomasse menos riscos loucos, mas se eu odiasse pessoas louca e corajosamente imprudentes, eu odiaria...
— Deixe-me adivinhar. O nome dele rima com Face Herringfail.
Alec riu e Simon se felicitou mentalmente.
— Então você gosta de Clary — disse Simon. — Eu sou o único de quem você não gosta. O que eu fiz? Sei que você tem um prato cheio, mas se você apenas pudesse me dizer o que eu fiz, então eu poderei pedir desculpas por isso para que talvez fiquemos bem, eu realmente apreciaria.
Alec olhou para ele, então se virou e caminhou em direção a uma das cadeiras no sótão. Havia duas cadeiras velhas de madeira, cada qual decorada com almofadas bordadas com pavões, e havia um sofá. O sofá estava um pouco torto. Alec sentou numa das cadeiras, e Simon decidiu não arriscar o sofá e sentou na outra.
Alec colocou o bebê no colo, um braço cuidadosamente em volta de seu corpo pequeno e rechonchudo. Com a mão livre, brincou com as mãozinhas dele, batendo-lhes com as pontas dos dedos como se estivesse ensinando-o a brincar de adoleta.
Ele estava claramente se preparando para uma confissão.
Simon respirou fundo, preparando-se para o que quer que fosse. Ele sabia que podia ser muito ruim. Ele tinha que estar pronto.
— O que você fez? — perguntou Alec. — Você salvou a vida de Magnus.
Simon ficou perplexo. Um pedido de desculpas parecia inadequado.
— Magnus tinha sido sequestrado, e eu entrei em uma dimensão demoníaca para salvá-lo. Esse era todo o meu plano. Tudo o que eu queria fazer era salvá-lo. No caminho, Isabelle foi gravemente ferida. Durante a minha vida inteira, eu sempre quis proteger as pessoas que eu amava, certificar-me de que estavam a salvo. Eu deveria ter sido capaz de fazê-lo. Mas eu não podia. Não era capaz de ajudar qualquer um deles. Você sim. Você salvou a vida de Isabelle. Quando o pai de Magnus pai tinha a intenção de levá-lo e não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso, nada mesmo, você ajudou. Eu sempre te desvalorizei no passado, e você fez tudo o que eu sempre quis, e então você se foi. Isabelle ficou destruída. Clary foi pior. Jace estava muito chateado. Magnus se sentia culpado. Todo mundo estava sofrendo tanto, e eu queria ajudá-los, aí você voltou, mas não se lembra do que fez. Eu não sou realmente bom com estranhos, e você estava realmente estranho. Eu não podia falar com você. Não era que tivesse alguma coisa errada. Apenas não havia nada que eu pudesse fazer para aproximá-lo de nós. Eu lhe devia mais do que jamais poderia pagar, e nem sequer sei como agradecer. Não teria significado nada. Você nem sequer se lembra.
— Oh — disse Simon. — Uau.
Era esquisito pensar em estranhos sem rosto pensando em Simon como um herói. Era ainda mais estranho ter Alec Lightwood, que ele pensava que nem sequer gostava dele, falando como se ele fosse um herói.
— Então você não me odeia, e você não odeia Clary. Você não odeia ninguém.
— Eu odeio as pessoas forçando-me a falar sobre os meus sentimentos — Alec corrigiu.
Simon olhou para ele por um momento, um pedido de desculpas em seus lábios, mas ele não o verbalizou. Em vez disso, sorriu, sorriu timidamente e Alec devolveu o sorriso.
— Eu venho fazendo muito isso desde que cheguei à Academia.
— Posso imaginar — concordou Simon.
Ele não tinha certeza do que aconteceria com o bebê que Alec e Magnus estavam tomando conta, mas pelo o que Isabelle contara, ela tinha certeza de que eles ficariam com ele.
Isso deve ter exigido uma boa conversa.
— Eu gostaria — Alec continuou — de não falar sobre sentimentos novamente por cerca de um ano. Também talvez dormir durante um ano. Os bebês nunca dormem?
— Eu costumava tomar conta deles às vezes — Simon respondeu. — Pelo o que me lembro, bebês dormem muito, mas quando você menos espera. Bebês: mais parecido com a Inquisição espanhola do que você pensa.
Alec assentiu, embora parecesse confuso.
Simon fez uma nota mental de que era seu dever agora, como amigo estabelecido de Alec, apresentar Alec ao Monty Python logo que possível. O bebê trinou como se estivesse satisfeito com a comparação.
— Ei — disse Alec. — Sinto muito se fiz você pensar que eu estava com raiva de você só porque eu não sabia o que dizer.
— Bem, aqui está uma coisa. Eu foi ajudado em minha suposição.
Alec parou de brincar de adoleta com o bebê. Ele ainda terminou a última vez.
— O que você quer dizer?
— Você não falava muito comigo, e eu estava um pouco preocupado com isso — explicou Simon. — Assim, perguntei ao meu amigo, entre nós, homens, se você tinha algum problema comigo. Perguntei ao meu bom amigo Jace.
Houve uma pausa enquanto Alec absorvia essa notícia.
— Você perguntou.
—E Jace — continuou Simon. — Jace me disse que havia um grande problema sombrio entre nós. Disse que não era direito dele falar sobre isso.
O bebê olhou para Simon, então de volta para Alec. Seu rostinho parecia pensativo, como se ele fosse sacudir a cabeça e dizer: Esse Jace, o que ele fará a seguir?
— Deixe isso comigo — Alec falou calmamente. — Ele é meu parabatai e temos um vínculo sagrado e tudo, mas agora ele foi longe demais.
— Isso é legal. Por favor, execute um terrível vingança por nós dois, porque eu com certeza seria vencido por ele em uma luta.
Alec assentiu, admitindo este fato muito verdadeiro.
Simon não podia acreditar que estivera tão preocupado sobre Alec Lightwood. Alec era ótimo.
— Bem — disse Alec. — Como eu disse... eu te devo.
Simon acenou com a mão.
— Nah. Deixa isso pra lá.

* * *

Magnus estava tão cansado que andou até chegar na sala de jantar da Academia dos Caçadores de Sombras e pensou em comer lá. Então ele olhou para a comida e voltou a raciocinar direito.
Não era bem a hora do jantar, mas havia alguns estudantes reunidos desde cedo, embora Magnus não escolheria chegar em primeiro lugar em uma corrida pela lasanha viscosa. Magnus viu Julie e seus amigos em uma mesa.
Julie olhou Magnus de cima a baixo, que tinha o cabelo bagunçado e uma camiseta amassada de Alec, e Magnus viu a profunda desilusão em seu rosto. Então, os sonhos de uma jovem morreram. Magnus admitia, depois de uma noite sem dormir e vestindo uma das camisetas de Alec, porque Isabelle tinha destruído várias de seu guarda-roupa e o bebê chorando a noite inteira, que ele podia não estar em seu estado mais glamouroso.
Provavelmente era bom para Julie enfrentar a realidade, embora Magnus estivesse determinado a, pelo menos em algum momento, tomar um banho, vestir uma camisa melhor e deslumbrar o bebê com seu esplendor.
Magnus visitara Ragnor na Academia, e sabia como as refeições eram ali. Ele apertou os olhos, tentando descobrir quais mesas pertenciam às elites e quais eram da escória, os seres humanos que aspiravam a ser Nephilim, mas não eram aceitos pelos Nephilim como bons o suficiente até passarem pela Ascensão.
Magnus sempre pensara que a escória mostrava enorme autocontrole por não se levantarem contra a arrogância dos Caçadores de Sombras, botando a Academia abaixo e fugindo para a noite.
Era possível que a Clave tivesse razão quando chamava Magnus de insurgente.
Ele não podia perceber, no entanto, que mesas pertenciam a que grupo. Era muito claro, anos atrás, mas ele tinha certeza de que a loira e a morena conhecidas de Simon eram Nephilim, e quase certeza de que o idiota lindo que queria criar um bebê com Simon em uma gaveta de meias não era.
A atenção de Magnus foi atraída pela voz imperiosa e gutural vinda a partir de uma garota latina que parecia ter uns quinze anos. Ela era uma mundana, Magnus percebeu em um relance. Outra coisa que ele podia dizer em um resumo: em um par de anos, ela passando pela Ascensão ou não, ela seria um terror sagrado.
— Jon — ela dizia para o menino do outro lado da mesa. — Estou com muita dor no meu dedo do pé! Eu preciso de aspirina.
— O que é aspirina? — perguntou o menino, entrando em pânico.
Ele era, obviamente, um Nephilim. Magnus poderia dizer sem ver suas runas. Na verdade, estava preparado para apostar que o rapaz era um Cartwright. Magnus conhecera vários Cartwright através dos séculos. Todos os Cartwright tinham aquele mesmo angustiante pescoço grosso.
— Você compra em uma farmácia — disse a garota. — Não, não me diga, você não sabe o que é uma farmácia. Alguma vez já deixou Idris em toda a sua vida?
— Sim! — disse Jon, possivelmente Cartwright. — Saí em muitas missões de caça ao demônio. E uma vez mamãe e papai me levaram para a praia na França!
— Incrível — respondeu a garota. — Eu quero dizer isso. Vou explicar toda a medicina moderna para vocês.
— Por favor, não faça isso, Marisol — pediu Jon. — Eu não me sentiria bem depois que você explicasse sobre apendicectomias. Eu não poderia comer.
Marisol fez uma careta para seu prato.
— Você está dizendo que eu faria um enorme favor.
— Eu gosto de comer — Jon falou tristemente.
— Certo — respondeu Marisol. — Então não explicarei a medicina moderna para você, e então, uma emergência médica acontece comigo. Poderia ser resolvido com a aplicação de alguns primeiros socorros, mas você não sabe nada disso, e assim que eu vou morrer. Vou morrer a seus pés. É isso o que você quer, Jon?
— Não. O que de primeiros socorros? Existe um... um segundo socorro?
— Não posso acreditar que você vai me deixar morrer quando a minha morte poderia ser facilmente evitada se você apenas tivesse me escutado — Marisol devolveu impiedosamente.
— Está bem, está bem! Eu vou escutar.
— Ótimo. Pegue um pouco de suco, porque falarei por um bom tempo. Ainda estou muito magoada que você tenha pensado em me deixar morrer — Marisol adicionou enquanto Jon levantava e ia para o lado da sala onde as bebidas e alimentos pouco apetitosos e potencialmente venenosos estavam servidos. — Pensei que Caçadores de Sombras tivessem que proteger os mundanos! — Marisol gritou-lhe. — Não suco de laranja, eu quero de maçã!
— Você acreditaria — disse Catarina, aparecendo ao lado de Magnus — que a criança Cartwright era o maior valentão da Academia?
— Parece que ele conheceu um valentão maior — Magnus murmurou.
Ele congratulou-se pelo palpite correto quanto a Cartwright. Era difícil ter certeza, com famílias de Caçadores de Sombras. Certos traços pareciam correr nas linhagens, inatos como eram, mas sempre havia exceções.
Por exemplo, Magnus sempre conhecera Lightwoods bastante esquecíveis. Gostava de alguns deles – Anna Lightwood e seu desfile de jovens senhoras de corações partidos, Christopher Lightwood e seus explosões, e agora Isabelle, mas nunca houve um Lightwood que tocou seu coração, como alguns Caçadores de Sombras: Will Herondale, Henry Branwell ou Clary Fray.
Até que houve um Lightwood que foi inesquecível; até que um Lightwood não só tocou, mas tomou seu coração.
— Por que você está sorrindo sozinho? — Catarina perguntou, a voz suspeita.
— Eu só estava pensando que a vida é cheia de surpresas — Magnus respondeu. — O que aconteceu com esta Academia?
A menina mundana não poderia intimidar o garoto Cartwright a menos que ele se preocupasse com o que acontecesse com ela, a menos que ele a visse como uma pessoa, e não queria tirá-la do seu caminho como Magnus vira inúmeros Nephilim fazerem com mundanos e seres do Submundo, também.
Catarina hesitou.
— Venha comigo — ela disse. — Há algo que quero te mostrar.
Ela pegou a mão dele e o levou para fora do refeitório da Academia, os dedos azuis entrelaçados com os dedos de anéis azuis. Magnus pensou no bebê e se encontrou sorrindo mais uma vez. Ele sempre tinha pensado que azul era a cor mais linda.
— Tenho dormido no antigo quarto de Ragnor — Catarina falou.
Ela mencionou seu velho amigo e rápida e praticamente, sem nenhum indício de sentimento. Magnus segurou a mão dela um pouco mais apertado enquanto subiam dois lances de escadas e atravessavam corredores de pedra. As paredes carregavam tapeçarias ilustrando grandes feitos dos Caçadores de Sombras. Havia furos em várias das tapeçarias, incluindo um que deixou o anjo Raziel decapitado. Magnus temia que houvesse ratos hereges nas tapeçarias.
Catarina abriu uma grande porta de carvalho escuro e levou-o para uma sala abobadada de pedra onde havia algumas imagens nas paredes que Magnus reconheceu como de Ragnor: um esboço de um macaco, um mar com um navio de pirata.
A cama de carvalho esculpido de Catarina era coberta por lençóis hospitalares brancos graves, mas as cortinas roídas pelas traças eram de veludo verde, e havia uma mesa decorada em couro verde sob a única grande janela da sala.
Havia uma moeda sobre ela, um círculo de cobre escurecido pela idade, e duas folhas de papel amarelando-se nas bordas.
— Eu estava vendo os papéis na mesa de Ragnor quando encontrei esta carta — Catarina falou. — Era o único item realmente pessoal no quarto. Pensei que você pudesse gostar de lê-la.
— Eu gostaria — disse Magnus, e ela a colocou nas mãos dele.
Magnus desdobrou a carta e olhou para a letra preta pontiaguda definida profundamente na superfície amarelada, como se o escritor estivesse irritado com o papel. Ele sentiu como se estivesse prestes a ouvir uma voz que tinha pensado estar silenciada para sempre.

Para Ragnor Fell, educador proeminente na Academia dos Caçadores de Sombras e antigo Alto Feiticeiro de Londres:
Lamento, mas não fico surpreso ao ouvir que a mais recente turma de fedelhos Caçadores de Sombras sejam tão pouco promissores quanto a última. Aos Nephilim falta imaginação e curiosidade intelectual? Você me surpreende.
Estou anexando uma moeda gravada com uma grinalda, um símbolo da educação no mundo antigo. Foi-me dito que uma fada colocou boa sorte nela, e você certamente precisará de sorte em reformar os Caçadores de Sombras.
Estou como sempre impressionado com a sua paciência e dedicação ao seu trabalho, e seu contínuo otimismo de que seus alunos possam ser ensinados. Eu queria ter a sua perspectiva brilhante na vida, mas infelizmente não consigo fazer isso ao olhar em volta e perceber que estamos rodeados por idiotas. Se eu estivesse ensinando crianças Nephilim, imagino que de vez em quando me sentiria forçado a falar com eles acentuadamente e, ocasionalmente, seria forçado a drená-los inteiramente de sangue.
(Nota para qualquer Nephilim que esteja lendo ilegalmente as cartas do Sr. Fell e invadindo sua privacidade: estou, naturalmente, brincando. Tenho uma personalidade muito divertida).
Você pergunta como a vida em Nova York é e eu só posso relatar o habitual: malcheirosa, lotada e povoada quase inteiramente por maníacos. Quase fui derrubado por um grupo de feiticeiros e lobisomens no Bowery Street. Um feiticeiro particular estava na frente, acenando um brilhante boá de penas de senhoras roxas sobre a cabeça como uma bandeira. Estou tão envergonhado de conhecê-lo. Às vezes finjo para outros seres do Submundo que não o conheço. Espero que eles acreditem em mim.
A principal razão pela qual estou escrevendo para você é, é claro, para que possamos continuar com suas aulas de espanhol. Incluo uma nova lista de palavras do vocabulário, e asseguro-lhe que você está indo muito bem. Se um dia tiver que tomar a terrível decisão de acompanhar certo bruxo mal vestido que conhecemos para o Peru novamente, desta vez você estará preparado.

Sinceramente seu,
Raphael Santiago

— Ragnor não teria como saber que a Academia seria fechada após o Círculo de Valentim atacar a Clave — Catarina disse. — Ele manteve a carta para que pudesse aprender espanhol, e então nunca foi capaz de voltar para buscá-la. Porta esta carta, porém, parece que eles escreviam um para o outro com bastante frequência. Ragnor deve ter queimado as outras, desde que elas continham comentários que poderiam colocar Raphael Santiago em problemas. Sei que Ragnor gostava da língua afiada do pequeno vampiro — ela apoiou a bochecha contra o ombro de Magnus. — E sei que você gostava, também.
Magnus fechou os olhos por um momento e se lembrou de Raphael, a quem uma vez fizera um favor; Raphael, que morrera para ele em troca.
Ele o havia conhecido pela primeira vez quando ele se transformara, uma criança arrogante com uma vontade de ferro, e o conhecido através dos anos enquanto Raphael liderava um clã de vampiros em tudo, menos no nome.
Magnus não conhecera Ragnor quando Ragnor era jovem. Ragnor era mais velho que Magnus, e no momento em que o conheceu, tornou-se perpetuamente irritadiço. Ragnor gritava para as crianças saírem de seu jardim antes dos jardins serem inventados. Ele sempre fora gentil com Magnus, disposto a entrar em qualquer um dos seus esquemas, desde que pudesse reclamar enquanto fizessem isso.
Ainda assim, apesar da perspectiva sombria de Ragnor da vida em geral e, em particular, dos Caçadores de Sombras, Ragnor foi o único que veio para Idris ensinar Caçadores de Sombras. Mesmo após o fechamento da Academia, ele permanecera em sua cabana perto da Cidade de Vidro e tentou ensinar os Nephilim que estavam dispostos a aprender. Ele sempre tinha esperança, mesmo quando se recusava a admitir.
Ragnor e Raphael. Ambos eram supostamente imortais. Magnus pensara que eles durariam para sempre, como ele fez, enfrentando os séculos, que sempre haveria outro encontro e outra chance. Mas eles se foram, e os mortais que Magnus amava sobreviveram. Era uma lição, Magnus pensou, amar enquanto você pode, amar o que era frágil, bonito e em risco. Ninguém estava seguro para sempre.
Ragnor e Magnus não foram para o Peru novamente, e nunca o fariam agora. Claro, Magnus fora proibido de ir ao Peru, não era como se pudesse voltar, de qualquer maneira.
— Você veio para a Academia por Ragnor — Magnus disse a Catarina. — Por uma questão dos sonhos de Ragnor, para ver se pode ensinar os Caçadores de Sombras a mudar. Parece um lugar bastante diferente desta vez. Você acha que conseguiu?
— Nunca pensei que viria — disse Catarina. — Este sempre foi o sonho de Ragnor. Eu fiz isso por ele, e não pelos Caçadores de Sombras. Sempre pensei que o ensino de Ragnor fosse tolo. Você não pode ensinar se eles não querem aprender.
— O que mudou seu pensamento?
— Eu não mudei meu pensamento. Desta vez, eles queriam aprender. Eu não poderia ter feito isso sozinho.
— Quem te ajudou? — perguntou Magnus.
Catarina sorriu.
— Nosso antigo Diurno, Simon Lewis. Ele é um menino doce. Poderia ter aproveitado por ser um herói de guerra, mas ele se declarou um membro da escória e continuou falando mesmo que não tivesse nada a ganhar com isso. Tentei ajudá-lo, mas isso era tudo que eu podia fazer, e eu só podia esperar que fosse suficiente. Um por um, os estudantes seguiram o seu exemplo e começaram a desviar das maneiras extremas dos Nephilim, como um conjunto de dominós rebeldes. George Lovelace mudou-se para o dormitório da escória com Simon. Beatriz Velez Mendoza e Julie Beauvale sentaram-se com eles na hora das refeições. Marisol Rojas Garza e Sunil Sadasivan começaram a lutar com as crianças da elite em cada oportunidade. O que eram duas correntes de um grupo tornou-se uma equipe, até mesmo Jonathan Cartwright. Não foi apenas Simon. Estas são crianças que sabem que Caçadores de Sombras lutaram lado a lado com seres do Submundos quando Valentim atacou Alicante. Estas são as crianças que viram a reitora Penhallow dar-me as boas vindas à sua Academia. Elas são filhas de um mundo em mudança. Mas acho que elas precisavam de Simon aqui, para ser seu catalisador.
— E você aqui, para ser professora deles — completou Magnus. — Você acha que encontrou uma nova vocação no ensino?
Ele olhou para ela, magra e azul como o céu no quarto pedra-e-verde de seu velho amigo.
Ela fez uma cara terrível.
— É claro que não — respondeu Catarina Loss. — A única coisa mais terrível do que a comida são todos os horríveis adolescentes chorões. Assistirei Simon Ascender com segurança e, em seguida, rei embora daqui, de volta ao meu hospital, onde os problemas são fáceis de se lidar, como gangrena. Ragnor deve ter sido maluco.
Magnus levantou a mão de Catarina, que ele ainda segurava, até os lábios.
— Ragnor teria ficado orgulhoso.
— Oh, pare com isso — disse Catarina, empurrando-o. — Você está tão mole desde que se apaixonou. E agora vai ficar ainda pior, porque tem um bebê. Eu me lembro como era. Eles são tão pequenos, e você vai colocar muitos desejos neles.
Magnus olhou para ela, assustado. Ela quase nunca mencionava o filho que criou antes, o filho de Tobias Herondale. Em parte porque não era seguro: não era um segredo que um Nephilim poderia conhecer, era um pecado que eles nunca perdoariam. Em parte, Magnus sempre suspeitou, Catarina não falava dele porque doía demais.
Catarina percebeu o olhar.
— Eu contei a Simon sobre ele. Meu menino.
— Você realmente deve confiar em Simon — Magnus falou lentamente.
— Sabe de uma coisa? Eu realmente confio. Aqui, leve isto. Quero que você fique com elas. Já terminei com isso.
Ela pegou a velha moeda sobre a mesa e colocou-a na palma da mão de Magnus, na mão que já segurava a carta de Raphael para Ragnor.
Magnus olhou para a moeda e a carta.
— Você tem certeza?
— Tenho. Li bastante a carta durante o meu primeiro ano na Academia, para me lembrar do que eu estava fazendo ali e o que Ragnor queria. Tenho honrado meu amigo. Quase concluí minha tarefa. Você pode levar.
Magnus guardou a carta e o amuleto de boa sorte, enviado por um de seus amigos mortos para outro.
Ele e Catarina saíram juntos do quarto de Ragnor. Catarina disse que ia jantar, o que Magnus pensou ser extremamente imprudente da parte dela.
— Você não pode fazer algo seguro e calmante, como bungee jumping? — ele perguntou, mas ela insistiu. Ele deu um beijo em sua bochecha. — Venha para o sótão mais tarde. Os Lightwood estarão lá, então preciso de proteção. Nós teremos uma festa.
Ele virou-se e a deixou, sem querer entrar na sala de jantar e encarar a lasanha viscosa mais uma vez. Enquanto fazia o seu caminho até as escadas, encontrou Simon em seu caminho para baixo.
Magnus olhou para Simon considerando. Simon parecia alarmado com isso.
— Venha comigo, Simon Lewis — Magnus ordenou. — Vamos bater um bate-papo.

* * *

Simon estava no topo de uma das torres das Academia dos Caçadores de Sombras com Magnus Bane, assistindo o crepúsculo chegando e sentindo-se vagamente desconfortável.
— Eu poderia jurar que esta torre costumava ser torta.
— Uh — disse Magnus. — Uma percepção engraçada.
Simon não estava certo do porquê Magnus o procurara. Ele gostava de Magnus. Apenas nunca tivera uma conversa longa com ele, e agora o feiticeiro lhe lançava um olhar que dizia Qual o seu negócio, Simon Lewis? Magnus fazia a camiseta cinza desgastava que vestia parecer levemente elegante. Ele tinha bastante certeza de que Magnus era legal demais para se preocupar com o seu negócio.
Ele olhou para Magnus, que estava se posicionando perto de uma das grandes janelas sem vidro da torre, o vento noturno soprando seu cabelo para trás.
— Eu te disse uma vez — Magnus falou — que um dia, de todas as pessoas que conhecemos, nós dois poderíamos ser os únicos a restar.
— Eu não me lembro.
— Por que deveria? — perguntou Magnus. — A não ser que uma aberração leve todos que amamos, isso não é mais verdade. Você é mortal, agora. E mesmo o imortal pode ser morto. Talvez esta torre entre em colapso e deixe todo mundo para nos lamentar.
A vista da torre, as estrelas sobre as árvores, era linda. Simon queria descer.
Magnus enfiou a mão no bolso e tirou uma velha moeda decorada. Simon não podia ver a decoração no escuro, mas que podia ver que havia uma.
— Isto pertenceu a Raphael uma vez. Você se lembra de Raphael? — perguntou Magnus. — O vampiro que te transformou.
— Só algumas partes — disse Simon. — Lembro dele me dizendo que Isabelle estava fora do meu alcance.
Magnus virou o rosto, escondendo sem muito sucesso um sorriso.
— Isso soa como Raphael.
— Lembro-me... de sentir a morte dele — Simon falou, sua voz travando em sua garganta. Esse era o pior de suas memórias roubadas, que o peso da memória permanecesse quando todo o resto se foi, que ele sentisse a perda sem saber o que tinha perdido. — Ele queria me dizer alguma coisa, mas eu não sei se ele gostava de mim. Eu não sei se gostava dele.
— Ele se sentia responsável por você. Ocorreu-me que talvez eu hoje deveria me sentir responsável por você da mesma maneira. Eu fui a pessoa que realizou o feitiço que trouxe de volta suas memórias; fui o único que te enviou no caminho para a Academia dos Caçadores de Sombras. Raphael foi o primeiro a colocá-lo em outro mundo, mas eu o pus em outro mundo também.
— Eu fiz minhas próprias escolhas — disse Simon. — Você me deu a chance de fazer isso. Não lamento o que fez. Você está arrependido de ter restaurado minhas memórias?
Magnus sorriu.
— Não, eu não me arrependo. Catarina contou-me um pouco do que está acontecendo na Academia. Parece que você está fazendo muito bem suas escolhas sem mim.
— Tenho tentado.
Ele ficou chocado com Alec louvando-o, e não era como se esperasse que Magnus fizesse o mesmo. Mas sentiu-se aquecido pelas palavras de Magnus, de repente estava todo aquecido, apesar do vento que soprava a partir da frieza cristalina do céu. Magnus não estava falando sobre os pedaços meio esquecidos de seu passado, mas sobre o que ele era agora e o que tinha feito com o seu tempo desde então.
Não foi nada de extraordinário, mas ele tinha tentado.
— Também ouvi dizer que teve um pouco de aventura no País das Fadas — disse Magnus. — Nós temos tido problemas em Nova York com vendedores de frutas encantadas também. Parte do problema com as fadas tornando-se selvagens é a Paz Fria em si. As pessoas em que não se confiam acabam se tornando indignas de confiança. Mas é algo errado também. O País das Fadas não é uma terra sem regras, sem governantes. A Rainha que foi aliada de Sebastian desapareceu, e há muitos rumores escuros sobre o motivo. Eu não gostaria de repetir nenhum deles à Clave, porque ela só imporia punições mais severas sobre as fadas. Eles tornam-se mais duros, mais selvagens e enigmáticos, e o ódio entre os dois lados cresce a cada dia. Há tempestades atrás de você, Simon. Mas esta é outra e uma tempestade maior que vem por aí. Todas as velhas regras estão caindo. Está pronto para outra tempestade?
Simon ficou em silêncio. Ele não sabia como responder a isso.
— Eu o vi com Clary, e com Isabelle — Magnus continuou. — Sei que está no caminho para a Ascensão, a ter um parabatai e um amor Caçador de Sombras. Está feliz com isso? Tem certeza?
— Eu não sei sobre ter certeza — Simon disse. — Não sei quanto a estar pronto, qualquer um. Não posso dizer que não tive dúvidas, que não pensei em voltar atrás e ser um adolescente em uma banda no Brooklyn. Acho que às vezes é muito difícil de acreditar em si mesmo. Você faz coisas que não tem certeza de que pode fazer. Apenas age, apesar de não ter certeza. Não acredito que eu possa mudar o mundo – soa bobo até falar sobre isso – mas eu vou tentar.
— Todos nós mudamos o mundo a cada dia que vivemos nele — disse Magnus. — Você apenas tem que decidir como deseja mudar. Eu o trouxe a este mundo, pela segunda vez, e apesar de suas escolhas forem pessoais, assumo alguma responsabilidade. Até se estiver comprometido, você tem outras opções. Eu poderia arranjar para que você seja um vampiro novamente, ou um licantrope. Ambos são arriscados, mas nenhum é tão arriscado quanto a Ascensão.
— Sim. Eu quero tentar mudar o mundo como um Caçador de Sombras — disse Simon. — Quero isso de verdade. Quero tentar mudar a Clave a partir de dentro. Quero tal poder para ajudar as pessoas. O risco vale a pena.
Magnus assentiu.
Ele falou sério, Simon pensou, quando disse que as escolhas de Simon eram pessoais. Ele até havia deixado Simon, naquele dia no Brooklyn quando ele e Isabelle abordaram Simon saindo do colégio. Ele não questionou Simon agora, mesmo que Simon temesse que escolher ser um Caçador de Sombras e não um ser do Submundo pudesse tê-lo ofendido. Ele não queria ser como os Caçadores de Sombras que agiam como se fossem melhores do que os seres do Submundo. Queria ser um tipo totalmente diferente de Caçador de Sombras.
Magnus não parecia ofendido. Ele permaneceu no topo da torre, na pedra sob a luz das estrelas, girando a moeda que pertencera aos mortos em seus dedos. Ele pareceu pensativo.
— Você já pensou sobre o seu nome Caçador de Sombras?
— Hum... — Simon respondeu timidamente. — Um pouco. Eu estava pensando, na verdade, qual é o seu verdadeiro nome?
Magnus enviou-lhe um olhar de soslaio. Ninguém lançava olhares laterais como alguém com olhos de gato.
— Magnus Bane — ele respondeu. — Sei você esqueceu muito, Smedley, mas francamente.
Simon aceitou a repreensão sutil. Ele entendeu porque Magnus se oporia à implicação de que o nome que ele escolhera para si, mantido por longos anos e tornado tanto infame quanto ilustre, não fosse real.
— Sinto muito. É só que a minha mente permanece voltando para os nomes. Se eu sobreviver à Ascensão, terei que arranjar um nome de Caçador de Sombras. Não sei como escolher ao certo... não sei como escolher um que vá significar alguma coisa, significar mais do que qualquer outro nome.
Magnus franziu a testa.
— Não tenho certeza se estou qualificado para este negócio de conselho. Talvez eu devesse usar uma barba branca falsa para me convencer de que sou um sábio. Escolha o que você se sentir bem, e não se preocupe demais — Magnus falou eventualmente. — Será o seu nome. Você viverá com ele. Você lhe dará significado, e não o contrário.
— Eu vou tentar. Existe alguma razão para que “Magnus Bane” fosse o único que parecia certo?
— Magnus Bane parecia certo por uma série de razões — Magnus disse, o que não foi realmente uma resposta. Ele pareceu sentir a decepção de Simon e ter pena dele, porque acrescentou: — Aqui está uma.
Magnus girou a moeda em cima e embaixo dos dedos, o círculo de metal se movendo cada vez mais rápido. As linhas azuis de magia pareciam extensões de seus anéis, uma pequena tempestade crescendo na palma da mão de Magnus e circundando a moeda em uma rede de raios.
Então Magnus jogou a moeda para fora da torre, para o vento da noite. Simon podia ver a moeda caindo, ainda brilhando em azul, indo além dos limites dos campos da Academia.
— Há um fenômeno científico para descrever algo que acontece quando um objeto está em movimento. Você acha que sabe exatamente que caminho vai tomar e aonde vai acabar. Então, de repente, sem razão aparente... a trajetória muda. Ele vai para um lugar que você nunca teria esperado.
Magnus estalou os dedos, e a moeda ziguezagueou no ar e retornou para eles enquanto Simon assistia, sentindo como se estivesse vendo magia pela primeira vez. Magnus deixou cair a moeda na mão de Simon e sorriu, um sorriso rebelde e ardente, seus olhos como ouro de um tesouro recém-descoberto.
— É o chamado efeito Magnus — disse ele.

* * *

— Fzzzz — fez Clary, com a cabeça vermelha brilhante pairando sobre a cabecinha azul escura do bebê.
Ela deu beijinho nas bochechas do bebê, zumbindo como uma abelha enquanto fazia isso, e o bebê riu e agarrou seus cachos.
— Fzzzz, fzzz, fzzzz. Eu não sei o que estou fazendo. Nunca tive uma relação estreita com um bebê. Por dezesseis anos, pensei que eu fosse apenas uma criança, bebê. E depois disso, bebê, você não quer saber o que eu pensava. Por favor, perdoe-me se estou fazendo isso errado, bebê. Você gosta de mim? Eu gosto de você.
— Passe-me o bebê — disse Maryse ciumentamente. — Você ficou com ele por quatro minutos inteiros, Clarissa.
Era uma festa na suíte de Magnus e Alec, e o jogo de escolha foi Passe o bebê. Todo mundo queria abraçá-lo. Simon descaradamente tentou bajular o pai de Isabelle, ensinando Robert Lightwood a usar o relógio digital de Simon como um timer.
Robert estava agora segurava o relógio em um aperto mortal e o estudava cuidadosamente. Seria novamente a vez de Robert com o bebê em dezesseis minutos, e ele apertou Simon ombro e disse: “Obrigado, filho”, que Simon tomou como uma bênção para o namorado da filha. Ele não lamentava a perda de seu relógio.
Clary entregou o bebê, e inclinou-se para trás contra o sofá entre Simon e Jace. O sofá rangeu perigosamente quando ela se acomodou. Simon podia estar mais seguro na torre anteriormente torta, mas ele estava disposto a ficar em perigo se pudesse ficar ao lado de Clary.
— Ele é tão doce — Clary sussurrou para Jace e Simon. — É estranho pensar que ele é Alec e Magnus, apesar de tudo. Quero dizer, vocês conseguem imaginar?
— Não é estranho — Jace respondeu. — Quero dizer, eu consigo imaginar.
Um rubor subiu em suas maçãs do rosto salientes. Ele se afastou para o canto do sofá enquanto Simon e Clary se viraram e o fitaram. Clary e Simon continuaram a olhar com julgamento.
Isso deixou Simon muito feliz. Julgar as pessoas era um elemento essencial da melhor parte da amizade.
Em seguida, Clary se inclinou e beijou Jace.
— Vamos ter essa conversa aqui uns dez anos. Talvez mais! Vou dançar com as meninas.
Ela juntou-se Isabelle, que já estava dançando ao som da música suave no meio de um círculo de admiradoras que viera porque ouviram que ela estava de volta. A primeira entre elas era Marisol, que Simon tinha bastante certeza de que estava determinada a ser Isabelle quando crescesse.
A celebração ao bebê Lightwood estava em pleno andamento. Simon sorriu, observando Clary. Ele podia lembrar um par de vezes que ela fora cautelosa em torno de outras meninas, e elas ficavam grudadas todo o tempo. Foi bom ver Isabelle estender as mãos para Clary, e Clary agarrá-las sem hesitação.
— Jace — disse Simon enquanto Jace observava Clary e sorria. Jace olhou para ele e pareceu irritado. — Lembra quando você me disse que queria que eu pudesse me lembrar?
— Por que você está me perguntando se me lembro das coisas? — perguntou Jace, parecendo definitivamente irritado. — Eu não sou o único que tem problemas com lembranças. Lembra-se?
— Eu só queria saber o que você quis dizer com isso.
Simon esperou, dando a Jace uma oportunidade para tirar vantagem de sua amnésia demônio e dizer-lhe outro segredo falso. Em vez disso, Jace parecia incrivelmente desconfortável.
— Nada. O que eu quis dizer? Não era nada.
— Você não disse que queria que eu me lembrasse do passado em geral? — perguntou Simon. — Então eu me lembro de todas as aventuras que tivemos e os laços viris que formamos juntos?
Jace continuou a fazer uma careta desconfortável. Simon lembrou de Alec dizendo que Jace ficou muito chateado.
— Espere, isso é verdade, não é? — perguntou Simon, incrédulo. — Você está com saudades de mim?
— Obviamente que não! — estalou Jace. — Eu nunca sentiria falta sua. Eu, hum, estava falando de algo específico.
— Ok. Então, que algo específico queria que eu lembrasse? — perguntou Simon. Ele olhou desconfiado para Jace. — A mordida?
— Não!
— Esse foi um momento especial para você? — Simon perguntou. — Um que você queria que eu lembrasse que nós compartilhamos?
— Lembre-se deste momento — Jace falou. — Na próxima oportunidade que surgir, deixarei você morrer no fundo de uma barco do mal. Quero que você lembre do motivo.
Simon sorriu para si mesmo.
— Não, você não vai. Você nunca me deixaria morrer no fundo do barco do mal — ele murmurou enquanto Alec caminhou até o sofá instável e Jace parecia indignado com o que estava ouvindo.
— Simon, normalmente é um prazer falar com você — Alec disse. — Mas eu poderia ter uma palavrinha com Jace?
— Oh, certo. Jace, eu tinha esquecido sobre o que estava tentando te falar. Mas agora eu me lembro muito claramente. Alec e eu tivemos uma pequena conversa sobre o problema dele comigo. Você sabe, aquele sobre o qual você me contou, o segredo escuro.
Os olhos dourados de Jace ficaram sem expressão.
— Ah.
— Você acha que é divertido, não é?
— Apesar de eu perceber que você está um pouco irritado comigo, e este possa não ser o melhor momento para uma chuveirada com louvor — Jace falou lentamente — a honestidade obriga-me a dizer: Sim. Sim, eu acho que sou hilário. “Lá vai Jace Herondale”, as pessoas dizem. — Com sua sagacidade cortante, e também com o cabelo com um ótimo corte. É um fardo Simon nunca poderia suportar.
— Alec vai te matar — informou-lhe Simon, e deu um tapinha no ombro de Jace. — E eu acho que é justo. Por que vale a pena, eu sentirei saudades suas, amigo.
Levantou-se do sofá. Alec avançou sobre Jace. Simon confiava em Alec para exigir vingança terrível para ambos. Ele havia desperdiçado tempo suficiente na brincadeira idiota de Jace.
George dançava com Julie e Beatriz, fazendo palhaçadas ao redor para fazê-las rir. Beatriz já gargalhava, e Simon imaginava que Julie riria em breve.
— Vamos lá, dançar comigo não é tão ruim — George falou para Julie. — Posso não ser nenhum Magnus Bane... — ele fez uma pausa e olhou para Magnus, que transformou sua camiseta velha em uma roupa preta com lantejoulas azuis brilhando por baixo. — Eu definitivamente não poderia fazer aquilo — ele adicionou. — Mas eu sou do exterior! E tenho um sotaque escocês.
— Você sabe o que é certo — disse Simon. Ele ergueu a mão para George bater e sorriu para as meninas, mas logo já estava passando por eles, em seu caminho para o centro dos dançarinos. Em seu caminho para Isabelle.
Ele veio por trás dela e deslizou o braço em torno de sua cintura. Ela encostou-se nele. Isabelle usava o mesmo vestido do dia em que a conheceu pela segunda vez, lembrando-o da noite estrelada da Academia dos Caçadores de Sombras.
— Ei — ele sussurrou. — Quero te falar uma coisa.
— O que foi? — Isabelle sussurrou de volta.
Simon a virou para ele, e ela permitiu. Ele achava que eles deveriam ter esta conversa cara-a-cara.
Atrás dela, ele podia ver Jace e Alec. Eles estavam se abraçando, e Alec ia. Jace dava tapinhas nas costas do parabatai em uma parabenização carinhosa. Era demais esperar a terrível vingança, embora Simon não pudesse realmente dizer que queria isso.
— Eu queria falar com você antes de tentar Ascender — ele começou.
O sorriso sumiu do rosto de Isabelle.
— Se este é um discurso “caso eu morra”, não quero ouvir — disse ela ferozmente. — Você não vai fazer isso comigo. Não vai nem mesmo considerar a possibilidade de morrer. Você vai ficar bem.
— Não. Você entendeu tudo errado. Eu queria falar agora porque se eu Ascender, receberei minhas memórias de volta.
Isabelle parecia confusa em vez de brava, o que era uma melhoria.
— O que é, então?
— Não importa se eu conseguir minhas memórias de volta ou não. Não importa se outro demônio me der amnésia amanhã. Eu te conheço: você vai me encontrar novamente, vai me resgatar não importa o que acontecer. Você virá para mim, e eu descobrirei todos vocês novamente. Amo-te. Eu te amo sem as memórias. Eu amo você agora.
Houve uma pausa, quebrada por irrelevâncias como a música e o murmúrio das pessoas ao redor. Ele não conseguia ler a expressão no rosto de Isabelle.
Isabelle disse em uma voz calma:
— Eu sei.
Simon olhou para ela.
— Essa foi... — ele começou lentamente. — Essa foi uma referência a Star Wars? Porque se foi, eu gostaria de declarar o meu amo tudo de novo.
— Vá em frente, então — disse Isabelle. — Quero dizer, declare-se de novo. Estive esperando por algum tempo.
— Eu te amo.
Isabelle estava rindo. Simon teria pensado que ficaria horrorizado de dizer aqueles palavras para uma garota e ela rir dele. Mas Isabelle estava sempre surpreendendo-o. Ele não conseguia parar de olhar para ela.
— Sério? — ela perguntou, e seus olhos estavam brilhando. — Mesmo?
— Realmente — confirmou Simon.
Ele puxou-a para si e eles dançaram juntos, no último andar da Academia, no coração de sua família. Desde que ela esperava fazia algum tempo, ele ficava repetindo.

* * *

Magnus continuava perdendo seu bebê de vista. Esse não parecia um bom sinal para o futuro. Magnus tinha certeza de que devia-se manter um controle firme sobre a sua localização.
Ele finalmente encontrou o bebê com Maryse, que o pegara em triunfo e fugira com o seu tesouro para a cozinha.
— Oh, olá — disse Maryse, parecendo um pouco culpada.
— Olá, você — disse Magnus, e colocou uma mão em torno da pequena cabeça azul, sentindo os cachos cheios. — E Olá para você.
O bebê deixou escapar um pequeno gemido impaciente. Magnus pensava que estava aprendendo a distinguir os diferentes sons, e ele convocou magicamente uma mamadeira, com leite já pronto. Ele estendeu os braços e Maryse colocou visivelmente toda a sua força de vontade para entregar o bebê.
— Você é bom com ele — Maryse ofereceu enquanto Magnus ajeitava o bebê e colocava a mamadeira em sua boca.
— Alec é melhor — Magnus respondeu.
Maryse sorriu e pareceu orgulhosa.
— Ele é muito maduro para sua idade — ela falou com carinho, e hesitou. — Eu... não era, na idade dele, quando fui uma jovem mãe. Eu não... me comportei de uma maneira que eu gostaria que qualquer um dos meus filhos vissem. Não que seja uma desculpa.
Magnus olhou para o rosto de Maryse. Ele lembrou que estiveram em lados opostos uma vez, há muito tempo, quando ela fora um dos discípulos de Valentim e ele sentia que odiaria a ela e a todos como ela para sempre.
Lembrou-se também de escolher perdoar outra mulher que estava ao lado de Valentim, que o buscara carregando uma criança em seus braços e querendo fazer as coisas direito. Aquela mulher tinha sido Jocelyn, e o bebê havia se tornado Clary, a primeira e única criança cujo crescimento Magnus observara.
Ele nunca tinha pensado que teria seu próprio filho para assistir crescer.
Maryse olhava para ele, parada ali, muito alta e ereta. Talvez sua suposição sobre como ela havia se sentido durante todos estes anos fosse errada; talvez ela nunca tenha decidido ignorar o passado, e pensasse com o orgulho Nephilim que ele deveria seguir seu exemplo. Possivelmente ela sempre quis pedir desculpas, mas era orgulhosa demais.
— Oh, Maryse, esqueça. Sério, não mencione isso novamente. Em uma das voltar que nunca esperei, somos uma família. Todas as belas surpresas da vida são o que fazem a vida valer a pena.
— Você ainda se surpreende?
— Todos os dias — disse Magnus. — Especialmente desde que conheci o seu filho.
Ele saiu da cozinha com seu bebê nos braços e Maryse atrás dele, de volta à a festa.
Seu amado Alec, modelo de maturidade, parecia bater repetidamente na cabeça de seu parabatai. A última vez que Magnus os vira, eles estavam se abraçando, então ele presumiu que Jace tinha feito uma de suas muitas infelizes piadas.
— O que há de errado com você? — Alec exigiu. Ele riu e continuou distribuindo golpes enquanto Jace se debatia no sofá, fazendo almofadas voarem, uma visão da graça dos Caçadores de Sombras. — Sério, Jace, o que há errado com você?
Esta pareceu uma pergunta razoável para Magnus.
Ele olhou ao redor da sala. Simon dançava com Isabelle, muito mal, por sinal. Isabelle não parecia se importar. Clary pulava para cima e para baixo com Marisol, quase mais alto que a menina mais nova. Catarina parecia extorquis Jon Cartwright nas cartas, próximos à janela.
Robert Lightwood estava de pé ao lado Magnus. Robert tinha que parar de tentar acompanhar pessoas como esta. Alguém teria um ataque cardíaco.
— Olá, homenzinho — cumprimentou Robert. — Onde você tinha se metido?
Ele lançou um olhar desconfiado para Maryse, que revirou os olhos.
— Magnus e eu estávamos tendo uma conversa — ela disse, tocando o braço de Magnus.
Seu comportamento fez muito sentido para Magnus: aproximar-se do genro para ganhar mais acesso ao neto. Ele tinha visto estes tipos de interações familiares antes, mas nunca, nunca pensara que ele seria parte delas.
— Oh? — Robert falou ansiosamente. — Vocês decidiram o nome dele?
A última música parou de tocar, no mesmo momento em Robert fez a pergunta. Sua voz alta ecoou no silêncio.
Alec saltou por cima de Jace e sobre as costas do sofá para ficar ao lado Magnus. O sofá desabou, delicadamente, com Jace ainda preso entre as almofadas.
Magnus olhou para Alec, que olhou de volta para ele, a esperança brilhando em seu rosto. Aquilo foi uma coisa que não mudou acerca de Alec o tempo que estiveram juntos: ele não tinha malícia, não usava truques para esconder o quanto realmente sentia. Magnus esperava que ele nunca perdesse isso.
— Falamos sobre isso, na verdade — Magnus disse. — E pensamos que vocês tiveram a ideia certa.
— Você quer dizer... — Maryse começou.
Magnus inclinou a cabeça, tão perto quanto poderia chegar de uma curva arrebatadora, segurando o bebê.
— Estou muito contente de apresentá-los a Max Lightwood.
Magnus sentiu a mão de Alec, quente com gratidão e confiante com amor, contra as costas dele. Ele olhou para o rosto do bebê. O bebê parecia muito mais interessado em sua mamadeira do que em seu nome.
Poderia vir o tempo quando esta criança, sendo um feiticeiro, gostaria de escolher o seu próprio nome para carregar através dos séculos. Até o momento em que ele tivesse idade suficiente para escolher quem ele queria ser, Magnus pensou que poderia fazer muito pior com esse nome, este sinal de amor e aceitação, dor e esperança.
Max Lightwood.
Uma das belas surpresas da vida.
Houve um sussurro encantado, murmúrios de prazer e aprovação. Em seguida, Maryse e Robert começaram a brigar acerca de nomes do meio.
— Michael — Robert repetiu, um homem teimoso.
Catarina se aproximou, guardando um rolo de dinheiro em seu sutiã e, portanto, não parecendo a professora mais apropriada da história.
— Que tal Ragnor? — ela sugeriu.
— Clary — chamou Jace do sofá caído. — Ajude-me. Está tudo escuro.
Magnus desviou do debate porque a mamadeira de Max estava quase vazia e Max estava começando a chorar.
— Não uma mamadeira mágica, faça uma de verdade — Alec disse. — Se ele se acostumar com você sendo tão rápido para alimentá-lo, você terá que dar mamadeiras o tempo todo.
— Isso é chantagem! Não chore — Magnus exortou seu filho, voltando para a cozinha, onde ele poderia fazer leite manualmente.
Não foi tão difícil preparar o leite. Magnus assistira Alec fazê-lo várias vezes, e descobriu que era capaz de acompanhar, repetir o que Alec tinha feito.
— Não chore — ele persuadiu Max novamente enquanto o leite era aquecido. — Não chore, e não vomite na minha camisa. Se você fizer qualquer uma dessas coisas, eu vou perdoá-lo, mas ficarei chateado. Quero que a gente se dê bem.
Max continuou chorando. Magnus balançou os dedos de sua mão livre sobre o rosto do bebê, desejando que houvesse a um feitiço para fazer bebês ficarem em silêncio que não seria errado para lançar.
Para sua surpresa, Max interrompeu o choro, da mesma maneira que fizera no dia anterior, quando transferido para os braços de Alec. Ele olhou com um olhar interessado para os brilhos lançados em seu rosto pelos anéis de Magnus.
— Está vendo? — continuou Magnus, e devolveu a mamadeira de Max a ele, cheia novamente. — Eu sabia que íamos nos dar bem.
Ele andou e ficou na porta da cozinha, embalando Max em seus braços, para que ele pudesse assistir a festa. Três anos atrás, ele não pensaria que nada disto era possível.
Havia tantas pessoas com quem ele se sentia ligado neste quarto. Tanta coisa tinha mudado, e havia tanto potencial para mudança. Era aterrador, pensar em tudo o que poderia ser perdido, e emocionante pensar em tudo o que tinha adquirido.
Ele olhou para Alec, que estava de pé entre seus pais, sua postura confiante e relaxada, sua boca se curvando em um sorriso por algo que um deles dissera.
— Talvez um dia sejamos apenas você e eu, meu pequeno blueberry — Magnus conversava. — Mas não por muito, muito tempo. Cuidaremos dele, você e eu, não vamos?
Max Lightwood fez um borbulhante som feliz que Magnus tomou como uma concordância. Este quarto quente e brilhante não era um local ruim de partida para seu filho aprender que havia mais da vida do que muitas pessoas jamais aprenderam, que havia amor ilimitado para ser encontrado, e tempo para descobri-lo. Magnus tinha que confiar por si, por seu filho, por seu amado, por todos os brilhantes mortais desbotando e imortais lutando que ele conhecia, que haveria tempo suficiente.
Ele colocou a mamadeira para um lado e comprimiu os lábios contra os cachos difusos que cobriam a cabeça de seu filho. Ele ouviu Max murmurar baixinho em seu ouvido.
— Não se preocupe — Magnus murmurou de volta. — Nós estamos todos juntos aqui.

64 comentários:

  1. Hihi, Magnus ♥ ~( ̄▽ ̄~)(~ ̄▽ ̄)~

    Ah, e Karina, o texto está muito estranho!

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    1. kkkkkkkk é que imaginei que como atrasei, vcs quereriam ler o quanto antes... então nem terminei a tradução, só joguei no google e postei

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  2. Está muito confuso, depois do ''— É o chamado efeito Magnus — disse ele.''! Parece que alguém apagou algumas palavras. Quero dizer, várias, pelo visto... E o que são esses números? 186/237?
    Ass: Thalita
    ''

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  3. Clary se esgueirou até a porta e sorriu para ele, mil litros de problemas em um corpo pequenino.

    kkkkkkkkkk

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  4. ''— Se você fez o bebê para si e Alec, pode me dizer — explicou Robert. — Eu sou um homem muito tolerante. Ou, estou tentando ser. Eu gostaria de ser. Gostaria de entender.

    lol... Ahhh, Karina, arruma o final!! Louca para ler!

    — Se eu fiz... o... bebê...? — Magnus repetiu.

    Ele não tinha certeza de por onde começar. Ele imaginara que Robert Lightwood sabia como bebês eram feitos.

    — Magicamente — Robert sussurrou.

    — Vou fingir que você nunca me falou isso — disse Magnus. — Farei de conta que nós nunca tivemos essa conversa.

    Robert piscou, como se eles estivessem se entendendo. Magnus estava sem palavras.

    Os Lightwood continuaram em seu trabalho de deixar a suíte à prova de crianças, alimentar o bebê e todos querendo segurar o bebê ao mesmo tmepo. Luz enfeitiçada preenchia todo o pequeno espaço do sótão, brilhando e ofuscando a visão de Magnus.

    Alec pensava que eles ficariam com o bebê.

    Ele queria chamá-lo de Max.''

    kkkk, hilário!

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    1. Néee! Robert penando que Magnus criou o bebê (?), Maryse tendo ataques de avó maluca, Alec querendo ficar com o bebê... esses Lightwood <3

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  5. Omg .
    Tava tão ansiosa pra esse conto!!!

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  6. Aí mds adorei! Karina, o final tá meio bizarro... não é assim não,né?

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    1. Não... é que era noite e eu estava morrendo de sono.. pra não fazer vcs esperaram mais um dia, só joguei no google e postei assim mesmo. Mas agora está arrumado ^^

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  7. Esse capítulo foi emocionante; estou muito feliz com Magnus e Alec formando uma família e terem escolhido o nome Max.... ficou difícil não chorar!
    E a parte da Izzy ameaçando cortar a cabeça do Simon, eu ri feito louca!!!

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  8. O que houve com essa ultima parte? N consigo entenderr

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  9. "Face Herringfail" 😂😂😂😂...
    Morri de rir aqui.
    Vllw Karina Vc é a Melhor.

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  10. Perfeito! Karina você me deu um susto quando mudou a data de publicação desse kk eu achei que não iria mais publicar... Eu adorei.. E é a primeira vez que comento, mais eu amo seu blog e o acompanho desde 2013.. Você mudou minha vida... TE AMO DEMAIS GURIA ❤

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  11. Afrodite Cahill di Angelo5 de janeiro de 2016 05:30

    K sua linda divisa abaldpra de cores eu odeio incomodar mas a letra ta bugada no final e tem alguns errimhos eu odeio incomodar só quero q as outras pesss tenham uma leitura coesa.

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  12. É impressão minha ou a partir do começo da festa o texto tá impossível de entender????
    Tá errado msm ou é pra ser assim???
    Vc vai arrumar Ka??

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  13. sobre esse capitulo só tenho a dizer coisas boas, como nao amar os caçadores de sombras? como não amar todos? e ate mesmo Maryse e Robert? eu amo todos.
    o bebe foi uma das melhores coisas que poderia ter acontecido a Magnus.
    espero que todos passem bem pela ascensão, pois a Cassie tem o péssimo costume de nos tirar bons personagens.

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  14. O melhor dos contos até agora! Obrigada por posta-lo, Karina! Vc é a melhor! A sua equipe e o seu blog são os melhores! *-*

    Só uma coisa: um pouco depois da metade da história para baixo as linhas estão todas bagunçadas e é quase impossível de ler. Sei que isso aconteceu pq vc postou às pressas, então, só aviso para arrumar os parágrafos quando tiver tempo :)

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  15. Virou meu conto favorito
    O mais lindo e engraçado

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  16. ka , acho q tem alguma coisa errada com o texto kkkkkkkk "—Não chore, e não cuspir para cima
    na minha camisa. Se você fizer qualquer uma dessas coisas, eu
    vai perdoá-lo, mas vou ficar chateada. eu quero nós
    para se dar bem. — ", ficou meio estranho kkkk parecendo um estrangeiro tentando falar português kkkk . bjoss

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    1. kkkkkkk esses foi o Google Tradutor tentando falar português, Lívia... mas agora está tudo certo, atualizei o post ^^

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  17. Eu AMO Malec e Max Lightwood
    :)

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  18. JACE É TÃO ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️

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  19. George é fã da One Direction! Adorei essa parte do texto kkkkkkkkk

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  20. "Magnus temia que houvesse ratos sacrílegos nas tapeçarias."
    em vez de "ratos sacrilégios" faria mais sentido "ratos hereges"
    essa parte ta um pouco antes da carta do Raphael pro Ragnor.

    e também tem uma pare beeeeem depois que o Simon ta falando com a Izzy e ele diz algo como "a família Isabelle, de"

    e tipo, eu sei que tu anda ocupada e tals, mas qnd tu tiver tempo seria bom reler e ajeitar os erros, já que não dá pra confiar no Google 100% (experiência própria e parecida, kkkk)

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  21. Ah sim, qnd o Magnus fala o nome do bebê eu pensei na cena do Rei Leão, só que um Simba azul XD lol

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  22. Apaixonada por esse capítulo, simplesmente perfeito.
    Amei, amei e amei...aqui chorando de emoção!
    Bjs Karina, amo seu blog!

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  23. Karina sua linda, obrigada pelos contos. Você tem alguma idéia de quando sai os outros livros, as outras séries dos caçadores de sombras? Triste aqui de ter que esperar e esperar :(

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  24. Karina sua linda, obrigada pelos contos. Você tem alguma idéia de quando sai os outros livros, as outras séries dos caçadores de sombras? Triste aqui de ter que esperar e esperar :(

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    1. The Dark Artifices sai esse ano... provavelmente pra abril~maio

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  25. Papai Bane, quem imaginaria?!
    Ass: Bina.

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  26. ola karina eu fiz algumas fanfics desses contos eu ja li em ingles mesmo e gstaria que vc a lesse quem sabe num ato de enloquencia a publicasse futuramente . tem como eu te enviar?

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    1. Ai, fica complicado ler, viu, não costumo fazer isso... ainda mais agora, que to superatrasada e atolada com o blog..

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  27. Amo todos eles *_* ♡.♡

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  28. ri tanto que meu marido achou que eu tava pirando de vez maravilhoso

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  29. Gente, achei que não iria gostar muito desse conto por nao ser totalmente focado no si, mas foi o melhor até agora pra mim.
    Ver o Alec desse jeito, achei maravilhoso!! Infinitamente ansiosa pelo ultimo conto.

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  30. Tem como não amar Malec? Não, não tem. A expectativa deles formando uma família me deixa louca. E sobre o Instituto do Rio de Janeiro,gostei... A família Lightwood está finalmente se unindo, torço tanto para essa família ficar unida. Ai, tem como não amar a Cassandra? Pft: ♡♡♡

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  31. Muitos errinhos nas palavras! Uma duvida básica.... Foi mesmo a Cassandra quem escreveu esses livros????

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    1. Sim... ela escreveu e nós traduzimos, por isso os erros. Foi trabalho rápido (ou mais rápido possível heauehaue)

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  32. O melhor até agora. <3 Magnus <3

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  33. É triste pensar que dentro de algum tempo os únicos a sobrarem serão Magnus e Max. É triste pensar que Jace, Clary, Alec, Izzy, Simon, todos estarão mortos e os únicos sobreviventes serão Magnus e agora pequeno Max.
    Acho que meu coração está quebrado.

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    1. E provavelmente, Jem e Tessa.

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  34. MEU DEUS EU ESTOU COMPLETAMENTE APAIXONADA pelo Alec e pelo Magnus. Já gostava muito deles, agora ♡♡♡♡♡♡♡ bem mais

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  35. E adorei o fato que existem ship Malec até nos personagens do livro HAHAHAH

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  36. S2MalecS2
    Sempre Foi meu casal favorito!!!
    Só Tessa&Jem pra competir!!!
    E Sizzy, forevemente!!!

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  37. Magnus acreditava que muitas antiguidades eram criações de beleza duradoura. As pirâmides. David, de Michelangelo. Versailles. O próprio Magnus. Kkkkkk Convenvido!
    Melhor conto! Morri de amores o conto inteiro. A família Lightwood inteiramente reunida, sem preconceito algum, aceitando e entendendo. Foi maravilhoso! Vovó Maryse e vovô Robert, quem poderia esperar por isso?! E que eles fossem se tornar pessoas absolutamente adoráveis em face desse pequeno feiticerinho filho de Malec? Todo mundo reunido dessa forma, os laços que eles construíram nesse conto,foi tudo tão mágico (e não foi pq Magnus estava ali, ok, talvez um pouquinho). E o shippe Malec? Ahshabs Todo mundo aparecendo,todos juntos como se fossem uma grande família, até mesmo os novos personagens...Estou absolutamente obcecada por esses contos, e cada um deles consegue ser melhor que o anterior! Eu poderia ficar lendo-os o dia todo e foi o que fiz. Pobres pessoas ao meu redor, principalmente minha mãe que se irritaram com isso. Mas suponho que ela esteja conformada, de mãos atadas. Não vou dar um tempo significante enquanto não terminar de ler todos.

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  38. Robert e Maryse obcecados pelo Max. Marisol e Jon visivelmente em um começo de romance. Smedley. A carta do Raphael. Sem outras palavras:PERFEITO!

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  39. O Simon poderia escolher o nome da mãe da Clary (Fairchild). Ele e a Clary são praticamente irmãos e agora serão Parabatai. Simon conhece a família da Clary e o Luke desde sempre. Acho que seria a melhor escolha de sobrenome para ele, caso ele não seja um Herondale perdido.

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  40. E o nome do meio do bebê Max, poderia ser Raphael. Seria uma homenagem justa ter o nome de um amigo do Magnus que era do submundo, além de ser um nome que também é o de um anjo (arcanjo), em uma criança feiticeira que passou a também fazer parte de uma família de Caçadores de Sombras. Mene mene tekel upharsin.

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    1. Eles adotaram um segundo filho.
      E colocaram o nome de Rafael.

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  41. Izzy sem dúvida é o sonho de qualquer nerd, ou melhor de qualquer homem, até que enfim Simon,kkkk, excelente capitulo, tudo muito bom, esse é o nosso epílogo...

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  42. MELHOR CONTO DESSE LIVRO ❤❤❤ Foram tantos feels, não sei lidar com isso. Sizzy, Malec, MAAX *O*, Raphael, Ragnor, Clary, Jace, George, Aaaaah
    Amei tudo,absolutamente tudo nesse conto. Alec tá divino, cara, amando-o muito. Maryse e Robert sendo avós *---------*

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  43. Meu conto preferido ♥♥♥. Foi perfeito. Teve de tudo um pouco. Amei a Maryse e o Robert como avós; Alec d Magnus como pais. A Cassie sabe como emocionar seus leitores.

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  44. pra mim não foi o melhor conto mais com certeza um dos mais engraçados

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  45. Amei!!!! Essa família sempre surpreende!!!

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  46. Eu não pude deixar de notar que o bebê é azul — Robert comentou. — Os olhos de Alec são azuis. E quando você... — ele fez um gesto estranho de balançar os dedos e um som de whoosh, whoosh — faz magia, às vezes, há uma luz azul.

    Morri nessa parte! Esse foi o conto em que eu mais ri!

    PS: estou adorando que haja uma personagem com o meu nome

    Beatriz<3

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    1. Siiim, morri com a família pensando que Magnus arrumou o bebê pra eles criarem! kkkkkkkkkkk

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  47. Melhor conto de todos! <3 Amo essa cena do Alec e do Jace, a relação parabatai deles é maravilhosa! E Max é a coisa mais fofa desse mundo.

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  48. Família Bane-Lightwood é a coisa mais linda desse mundo!!!

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  49. Alec deve ter enterrado o jace nas almofadas com força e piorado a situação quando o sofa tombou, pra ele pedir Socorro pra clary huahuahu

    "clary- gritou jace- me ajuda aqui, ta escuro"

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  50. MELHOR.CAPÍTULO.DE.TODOS.
    Ai mds, que coisa mais linda. Eu nunca gostei mto do Robert e da Maryse, mas ver eles agirem como avós foi lindo <3 Normalmente os homens aprendem os erros e se tiverem sido péssimos pais vão ser ótimos avôs, vamos esperar para q com o Robert seja assim u_u
    Esse foi o capítulo mais engraçado, fofo e maravilhoso de todos.
    Nunca shippei Malec tão forte quanto agora.
    Jace caindo com o sofá e pedindo ajuda pra Clary AHSUAHSIUA
    Izzy e Simon finalmente se dando bem <3
    Momentos Malec extremamente fofos <3
    Marisol e Jon (meu shipp, acho o Jon um estúpido, mas a Marisol faria bem pra essa arrogância dele u_u). Ou então, eles podem se tornar parabatais quando ela Ascender.
    Eu to AOIHDFIUOAHFIUAHFIUOAHFIUFGIUABIB com esse capítulo. Mds. Eu quero imprimir esse capítulo e colar as folhas na minha parede, socorr.

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