14 de fevereiro de 2016

Fanfic: Um cão Andaluz


Sinopse:

Essa fic é baseada num curta-metragem de 1929 e traz como assunto principal a vida do anjo Isaac, cuja existência foi feita através de um pecado. A história se passa numa pequena ilha perto da encosta do oceano pacífico, em pleno anos 1920, uma época em que os pais escolhiam os pretendes para seus filhos se casarem e uma terra cercada por idolatria à Deusa da Magia, Hécate e a outros Deuses pagãs.

Obs: apenas parte do primeiro capítulo está aqui, quem quiser continuar a ler, entre em contato com o autor pelo e-mail.

Categoriasficção, aventura, fantasia, história original
Autor: Maycow Andrade

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Capítulo 1



Fazia dois minutos que Katherine Brown estava tentando quebrar as conchas em seu prato. Quando olhava para seus pais, Elena e Stenio, do outro lado da mesa e via que eles estavam olhando para ela, Katherine enfiava rapidamente o garfo na boca e fingia estar mastigando uma bola de ostra. Ela não queria que eles soubessem que ela não tinha jeito para a coisa, então enganava-os sempre que podia.
Katherine ergueu a cabeça quando viu um garçom se dirigir para uma mesa que ficava encostada perto da amurada do navio, e sentiu uma pontada de inveja quando viu que o casal recebera mais uma dose extra de vinho e dois pratos de macarrão italiano, enquanto ela se contentava com um casco de tartaruga que era dificílimo de abrir.
— E então? – começou a mãe de Katherine, enfiando a ponta do garfo em sua ostra e a colocando na boca. – Já decidiu em qual casa Lana vai passar a lua-de-mel quando zarpar na Grécia?
— Não – Stenio bebeu um gole do champanhe e limpou a mão na toalha de mesa que ele havia trazido consigo quando saiu de seu quarto. – Claro que não. Quero olhar todas as casas o mais de perto possível. Quero que seja uma casa pequena e quando Lana aumentar sua família, ela e seu marido cuidarão disso. Mas pensei na ideia de um resort.
Katherine franziu o cenho. Ela estava odiando ser ignorada pelos próprios pais. O motivo pelo qual eles decidiram jantar naquele restaurante, durante aquela noite, era por causa do noivado de Lana, a irmã-gêmea de Katherine.
Um noivado que seus próprios pais haviam arranjado para ela durante sua estadia naquele cruzeiro marítimo, onde eles saíram de Nova York com destino à Grécia. Seria lá que ela se casaria e onde seu pai arranjaria um resort para ela passar sua lua-de-mel.
Lana agora estava conversando com os pais de seu noivo a respeito de seu casamento em algum lugar do navio. Ela não estava animada com a ideia. Aliás, ninguém ficava quando o assunto era casamento porque quando isso acontecia tinha que ser por obrigação dos pais. A garota ou o rapaz podia estar perdidamente apaixonado por alguém, mas se o indivíduo não tivesse a aprovação dos pais, os dois jamais ficariam juntos.
Por sorte, Katherine conseguiu escapar de seu casamento porque ela ficou de recuperação em quatro matérias do ensino médio. Lana e ela haviam se formado na Trinity, um internato que ficava no Noroeste de Manhattan em Nova York, e quando seus pais receberam a notícia de que Katherine não havia conseguido concluir seu último ano, eles ficaram muito desgostosos porque Katherine sempre era melhor que Lana em tudo o que fazia. Desde os exercícios mais complicados e as exigências severas da Trinity, até as atividades mais básicas e extracurriculares.
Mas Katherine escondia um segredo só para si. Ela havia reprovado de propósito para que eles adiassem o arranjo do casamento dela. Lana também podia ter feito o mesmo, mas ela estava mais preocupada em terminar logo o ensino médio e acabar de vez com suas obrigações. Ou talvez, estivesse mesmo interessada em derrotar Katherine pelo menos uma vez na vida antes que o ensino médio acabasse.
— Como é mesmo o nome do rapaz? – perguntou Elena olhando para Stenio.
— Ah... – praguejou Stenio.
— Josh. – respondeu Katherine quando percebeu que seu pai havia esquecido o nome dele. – O nome dele é Josh.
Katherine virou a taça de champanhe na boca.
— Parece que o rapaz acabou de se formar em advocacia na Universidade de Harvard e pretende abrir um escritório quando ele e Lana forem morar na França, depois da lua-de-mel. – disse Stenio.
— Isso é ótimo. – murmurou Katherine. – Ela vai precisar de um quando quiser se divorciar dele.
Katherine foi a única que riu da própria piada, mas seus pais não gostaram nenhum pouco daquilo. A mãe dela olhou para a filha espantada. O Sr. Brown arrancou o garfo da boca e apontou para Katherine.
— Nunca... Mais... Repita... Isso.
Katherine olhou para o pai por um instante e logo em seguida, resolveu ficar quieta. A palavra “divórcio” era uma palavra execrável naquela época, quase como um palavrão a ser dito. O indivíduo que falasse aquilo ou que fizesse, o que era muito pior, merecia uma tapa na cara e ser extirpado do seu povo.
— O mar está muito agitado!  - continuou a Sra. Brown. Ela abraçou os próprios braços quando sentiu o vento gelado soprar pelo convés, então olhou para as águas do mar lá fora.
 — Como foi que vocês conseguiram dormir esta noite?
— Não conseguimos – disse o pai de Katherine. Ele olhou para a filha e sorriu para ela, pela primeira vez desde que aquele dia amanhecera.
— Mãe! Pai! – chamou uma voz familiar, se aproximando da mesa deles.
Lana Brown se aproximou de sua família usando o mesmo vestido de Katherine: cinza, longo e espalhafatoso. O cabelo escuro estava preso e até o colar de pérolas com os brincos de diamantes era o mesmo de sua irmã. O noivo dela, Josh, vinha logo atrás.
— Oh, querida! – disse Elena, se levantando da cadeira e fazendo todos os copos da mesa tintilarem. Ela correu para abraçar a filha. – Então, como foi?
— Ah, tudo bem – respondeu Lana disfarçando o olhar de tristeza. – Eles apoiaram a ideia do casamento. Está tudo certo.
— Mas isso é ótimo! – berrou Stenio, beijando a filha.
Katherine havia conseguido finalmente abrir sua concha, espalhando um monte de cacos pelo prato.
— Consegui! – gritou ela. Mas ninguém lhe deu atenção. O rosto dela ficou vermelho. Ela estava sendo completamente ignorada. Então, Katherine avistou um casal de tripulantes jogando comida no mar para um cardume de peixes voadores. Aonde eles estavam haviam muito das espécies deles. Lá embaixo, há vinte metros de altura, um barquinho de um velho marinheiro bêbado passou por eles e quase virou. Alguém soltou um rojão vermelho do convés dianteiro. Apesar do barco ser pequeno, lá estava muito mais divertido do que o próprio navio.
Quando Katherine tomou o último gole de seu drink ela sentiu seus olhos arderem, e ela teve quase certeza de que o rapaz Josh achou que ela estava olhando para ele. Ele era alto, magro e estava vestindo um terno cor-de-rosa com um chapéu branco. Ele tinha bigodes finos, os ossos da face eram marcados e seus olhos eram bem amendoados.
Josh sentiu seu coração disparar quando viu Katherine pela primeira vez. Ela entendeu o motivo do susto e quando Lana acompanhou o olhar do noivo, os olhos dela com os de Katherine se encontraram.
As duas riram, como não faziam juntas há muito tempo.
— Essa é Katherine – disse Lana. – Eu esqueci de mencioná-la. Ela é minha irmã-gêmea.
A boca de Josh se formou um “Oh”.
— Vocês... Vocês são idênticas. – murmurou ele, pasmo.
Era verdade. Qualquer tolo que não as conhecesse bem diriam que uma delas era apenas o reflexo ou a sombra da outra. As irmãs Browns não tinham diferença nenhuma; tinham a mesma voz; a mesma tonalidade de pele; as mesmas roupas e vestidos e os mesmos conhecimentos – já que ambas haviam estudado juntas.
— E estes são os meus pais - continuou Lana gesticulando para eles. – Acho que meu pai você já conhecia, então...
— Muito prazer, Senhora Brown – Josh se inclinou sobre a mesa e esticou a mão para Elena. Por último, cumprimentou o Sr. Brown que já o conhecia.
Logo em seguida, o mais novo casal do navio, se sentaram na mesa. Lana na ponta da frente, entre seu pai e Katherine, e Josh do lado da Sra. Brown. Katherine viu que sua taça de vidro estava vazia, então aproveitou para encher mais um pouquinho de vinho. Já que seu prato ainda estava cheio de ostras, o vinho com certeza ajudaria a descer aquelas bolas gosmentas e salgadas.
O pai das meninas fez uma pergunta sobre onde estavam os pais de Josh e por que eles não vieram jantar com eles, enquanto o rapaz provava do mesmo prato de sua nova família: ostras, champanhe e vinho.
— Ah, eles estavam ocupados – respondeu Josh, provando um gole do vinho. – Mas ficaram contentes pelo casamento e aceitaram Lana como parte da família. Eles também mandaram um “oi” para vocês.
Para surpresa e alegria de muitos, um garçom passou pela mesa e despejou uma bandeja de pernil assado sobre eles. Mais outros dois vieram e colocaram mais dois pratos salgados, como peixe e lagosta sobre a mesa e recarregaram o estoque de bebidas que haviam acabado. Eles recolheram as garrafas vazias, e assim que se afastaram, levando a louça suja, Katherine e sua família começara a fatiar um pedaço do pernil e a colocar no prato.
— Então, Josh – começou Katherine, assim que pegou seu prato e encheu novamente sua taça de vinho. Era seu terceiro copo. – É verdade que você se considera como um grande advogado?
Josh optou pelo champanhe, e quando tomou um gole, após ouvir as palavras de Katherine, ele quase se engasgou.
— Ah... Eu não me considero como um grande advogado. Qual é? Vamos com calma. Eu acabei de me formar.
Era impressão dela ou Josh não estava tão tristonho quanto Lana? Ele parecia agora um pouco mais feliz com a história do casamento. Era como se ele tivesse acabado de aceitar Lana como sua esposa automaticamente.
— Não é estranho como a mãe da noiva não sabia nada sobre você? - Katherine fez um gesto, indicando seus pais. Agora eles estavam cochichando um no ouvido do outro e voltando a falar novamente sobre a situação da casa que eles pretendiam alugar quando chegassem na Grécia.
Josh deu de ombros e depois encarou as ostras no seu prato com nojo.
— É, mais ou menos. – ele piscou.
De repente, Lana largou seu prato e olhou para seu noivo.
— Não ligue para Katherine. Ela gosta de constranger os homens.
— É. – ele sorriu. – Eu percebi.
Claro que percebeu.
— Então, Lana – disse a Sra. Brown, virando e sorrindo para a filha, muito animada. – Seu pai e eu estávamos conversando sobre a casa que você vai morar depois do casamento... na França. Se você quiser, você mesma pode escolher.
Lana franziu o nariz. Ela não estava preparada praquilo. Josh, talvez, já tinha sido avisado sobre isso.
— Bem... – Lana se remexeu na cadeira meio desconfortável. Quanto mais Katherine olhava para ela, mais ela sentia que os olhos de Josh estavam sobre sua irmã. E ela nem precisou olhar para ele para perceber isso. – Eu... Não acha que está se precipitando um pouco, mamãe? Eu e Josh mal nos conhecemos.
— Ah, querida – A mãe sorriu para ela. – Mesmo se vocês ainda não estiverem apaixonados, não se preocupem, com o tempo o amor virá. Não é mesmo, querido?
Katherine já estava se sentindo cansada em ter que sentir que Josh não tirava os olhos dela, então ela desviou o olhar para seus pais, para as conchas em seu prato, para a garrafa de vinho... tudo. Mesmo para Lana e para... ele.
— Claro. – concordou o pai. – O amor vem depois. Quando conheci sua mãe confesso que também não foi amor à primeira vista, mas com o tempo, eu me vi completamente apaixonado por ela. – Eles se beijaram ali na mesa. Katherine respirou fundo e largou a taça de vinho. Eca. – Além disso, antes do casamento, eu permitirei que venha visitar minha filha, mas sobre vigilância de alguém que goza de minha inteira confiança. Não posso deixar os dois sozinhos. Katherine estará muito ocupada fazendo suas aulas de reforço com um professor que se encontra na Grécia.
— Você ainda estuda? – perguntou Josh. – Pensei que já tivesse terminado o ensino médio assim como Lana.
— Ela ficou de recuperação – intrometeu-se Lana. Ela disse aquilo com muito orgulho e prazer, dando uma longa olhada em Katherine, como se a estivesse avaliando. Dos sapatos cremes aos cabelos curtos, liso e escuro, passando por seus brincos de diamantes de dois quilates. – Na mesma escola que eu estudei. Eu não entendo, você era tão boa em tudo o que tentava fazer e, de repente, ficou de recuperação... como assim?
— É, eu sei. Poxa, que chato. – murmurou Katherine. Trouxa era ela de não ter feito o mesmo que a irmã para se livrar do casamento.
— Ah, mais veja só, você vai ter um professor particular que vai dar aula só para você. E você sempre gostou de ser o centro das atenções, não é mesmo querida?
— Não. – respondeu Katherine de forma direta. Lana poderia provocá-la a noite toda até quando ela quisesse. Ela sabia que aquilo tudo era uma forma da irmã se desabafar por estar casando forçado e doía mais ainda em saber que sua irmã gêmea, aquela que nasceu no mesmo dia e na mesma hora contigo tinha se safado de tudo até mesmo quando não havia bancado a boa filha.
Lana balançou a cabeça.
— Você não entende, Kate, ele vai te passar um mooooooonte de trabalhos escolares para serem entregues em menos de um mês. No terceiro ano foi a mesma coisa. Eu sofri muito naquela época.
E ainda sofre, pensou Katherine.
— Aposto que nossa filha vai saber lidar com tudo isso – encorajou-a a Sra. Brown. – Ela sempre soube.
— Além do mais, Kate, não vai ter mais trabalho em dupla. Bom, pelo menos, você sempre se virou sozinha. – Lana sorriu para ela como se estivesse sendo simpática e solidária com a irmã, o que não era verdade.
Katherine sentiu uma vontade enorme de esbofetear a irmã por isso. Mas só pelo fato dela estar casando, Katherine já ficava muito feliz por isso, o que compensaria mil surras no rostinho dela.
— Soube que tem um casal no navio procurando desesperadamente uma noiva para esposar seu filho mais novo. O nome do cara parece que é Harry... alguma coisa... – comentou Lana, mudando de assunto. Seus pais pareceram bem interessados no assunto, e Katherine mais ainda.
— Ei! Eu também ouviu falar sobre eles dois. Parece que o rapaz Harry é formado em jornalismo, e os pais até espalharam cartazes pelo navio procurando por uma esposa urgente – riu Josh, achando essa ideia absurda.
— Oh, meu Deus – berrou Elena. Ela olhou para Katherine e depois olhou para Stenio. Quando o Sr. Brown olhou para a esposa, os dois sorriram juntos compreendendo rapidamente a ideia de ambos. Então, subitamente, os dois olharam para Katherine.
— Olha, querida – murmurou Stenio. – Achamos um noivo para você.
— O quê? – Katherine berrou, como se tivesse levado um choque. – Mas e os meus estudos... Eu ainda não terminei e nem mal comecei.
— Ora, podemos adiar é claro – disse a Sra. Brown.
— Sua mãe tem razão. Além do mais, depois da lua-de-mel, você não vai fazer mais nada mesmo. Pode passar o tempo livre estudando.
— Mas...
— Está combinando. – disse seu pai. – Amanhã mesmo procuraremos essa família e trataremos sobre o arranjo do seu casamento.
Lana esticou a mão e tocou na palma de Katherine.
— Que ótimo, minha irmã. Agora, quem sabe não podemos nos casar juntas?
A Sra. Brown bateu palmas, muito empolgada.
— Que ótimo. Meu sonho enfim se concretizou. Era tudo o que eu queria:  ver minhas duas filhas lindas se casando no mesmo dia e na mesma igreja.
Katherine repreendeu a felicidade da irmã tirando a mão dela.
— Meus parabéns, Kate – disse seu pai.
— Também estou muito feliz por você, Kate. Fico feliz em saber que vai casar com a gente. – disse Josh.
Katherine sentiu seu estômago pegando fogo e aquilo fez com que ela revirasse no assento. Quem Josh pensava que era para falar com ela daquele jeito? Ninguém a chamava de Kate, só os mais íntimos. E ele estava longe de ser seu íntimo.
Agora basta, pensou Katherine, para mim, chega.
— Podem me dar licença? – disse ela, se levantando da cadeira, educadamente. – Tenho que ir ao banheiro.
Ela andou pelo chão de mármore do navio, atravessou o grande salão que estava lotado de gente e foi para a parte mais secreta do cruzeiro. Ela, pelo menos, achava que conhecia aquele lugar melhor do que ninguém que trabalhava ali porque dera uma lida no mapa que o pai havia pego antes de embarcar. Só os marinheiros e operários tinham o direito de entrar naquela locação. Ela passou por gente que estava trabalhando no motor do navio e seguiu adiante até entrar na proa, onde alguns casais estavam namorando e tomando champanhe. Eles encararam ela, mas não disseram nada, em seguida, voltaram a namorar.
Katherine se aproximou da borda do barco e sentiu aquele vento gelado agredir seu rosto. O mar não estava tão agitado quanto ela imaginou que estaria, e ainda não havia nenhum sinal das casas com os tetos azuis que indicassem que eles já estavam chegando na Grécia. Ela vasculhou em sua bolsa vintage, procurando seu maço de cigarro para emergência e acendeu um.
Irritada, ela dava um trago após outro. Ter que ir ao casamento da irmã e ainda escolher um presente para ela já era ruim demais, mas ter que entrar na igreja com ela e com Josh e ainda por cima fazer isso de uma forma tão educada e inocente era bem a cara de Lana – está certo que talvez Katherine fosse a gêmea má, mas Lana sabia também ser muito má quando queria também.
Era a primeira vez que Lana conseguira se vingar de Katherine. Ela já estava tão acostumada com as derrotas da irmã que achou que dessa vez não seria diferente. Tudo bem, não ia ser para sempre, depois que Lana se cassasse ela sumiria de sua vida e tudo voltaria ao normal.
Katherine respirou fundo. Ela odiava se sentir derrotada daquele jeito. A vontade dela era pegar a irmã e jogá-la no mar para virar comida de tubarão. Mas não adiantaria nada.
Ela tinha que inventar um outro jeito de se ver livre da irmã para sempre. O casamento já estava chegando, mas ela não sabia se aguentaria esperar até lá.
Ela tinha que agir rapidamente.
— Não sabia que o banheiro ficava aqui.
Katherine foi tomada por um susto imediato. Ela virou sua cabeça e viu Josh se aproximando dela em passos leves, com um sorriso no rosto.
— E... Eu também não sabia que você fumava. – disse ele.
— O que você está fazendo aqui? Como me encontrou?
— Você não é a única que tem um mapa. – Ele enfiou as mãos no bolso. Apesar de estar com o chapéu, era possível ver o cabelo dele castanho-claro brilhando intensamente quando estava no sol. Era divino. – Pode me dar um trago?
— Você nem é fumante – ela tirou o cigarro de perto dele.
— Talvez eu queira aprender. – Katherine lhe estendeu o seu. Josh fez biquinho com os lábios e deu uma forte tragada no cigarro. Ele tossiu sem parar e bateu no peito várias vezes.
— Ora veja, um advogado fumante.
— Bem, eu ainda não sou um advogado. – disse ele, retomando o fôlego. – Como eu disse lá atrás, eu estou caminhando. E, se eu fosse um advogado oficial, qual seria o problema em fumar?
— Nenhum – Katherine deu de ombros. – Só acho que isso suja sua reputação.
Josh riu.
— Certo.
— Então, de onde você é? – Katherine não estava muito afim de discutir com ele, então resolveu mudar de assunto.
— Londres. Eu sou inglês e meus pais são portugueses. Engraçado, não? Eles mudaram para Inglaterra para estudar em Oxford e acabaram se casando lá.
— Você não gostava da Inglaterra?
— Claro. Eu adorava. Mas todos os meus sonhos estavam em Nova York.
— Foi lá que você conheceu meu pai, não?
— Sim. Acredite ou não, mas eu achei que seu pai fosse um assaltante. – ele riu.
— Ah – fez Katherine. Talvez ele se pareça mesmo, pensou ela, com raiva.
— Ele estava andando na rua sozinho e geralmente naquele horário, só os carros circulam nas ruas. Eu perguntei a ele onde ficava o centro da Times Square, estava meio perdido, sabe? – continuou ele. Katherine fez que sim.
— Deve ter conseguido logo de cara a confiança do papai. – Katherine achou que ele parecia um pouco nervoso agora. Talvez o cara estivesse ansioso pelo casamento. Ou era o fato de se casar tão cedo e morar com pessoas que ele mal conhecia. Se Katherine fosse um homem e seu pai lhe trouxesse qualquer garota, ela se mataria em seguida.
Ele jogou o seu cigarro no mar.
— Isso gera multa, sabia? – censurou-o Katherine.
— Eu não vou pagar.
Ambos ficaram quietos por um tempo, em seguida, Josh disse:
— Talvez, eu possa ajudá-la a superar seu vício em cigarros.
Katherine fungou.
— Eu não sou viciada. Você é que vai ficar se der mais uma tragada.
— Claro que não. – Josh sorriu.
Katherine balançou a cabeça, enfaticamente.
— Não se preocupe comigo. Eu sei me cuidar. – E era verdade. A vida de riquezas e com pessoas falsas e metidas lhe ensinaram a ser assim.
Josh semicerrou os olhos quando o vento jogou poeira em suas pálpebras.
— Confio em você. Você transporta segurança. Eu pude sentir isso quando te vi.
— É, eu sei.
— Você sempre é assim? – perguntou Josh, com os olhos brilhando.
Havia algo sobre o jeito leve e provocativo com que ele dissera aquilo que fez Katherine hesitar. Eles estavam... flertando? Olharam um para o outro por alguns segundos até que ele se inclinou sobre ela e a beijou. O beijo foi leve, rápido e molhado.
Katherine baixou os lábios e interrompeu o ósculo.
— Desculpe – disse ele. – Eu...
Katherine deu um passo para trás e olhou a sua volta, o casal que estava ali namorando não estava mais. Estavam só eles dois, sozinhos.
— Eu... – começou ela, empurrando o peito dele e virando-se de costas – Acho melhor você ir embora
Sem-graça, Josh viu que era o certo a fazer. Nervoso e sem jeito, ele baixou a cabeça e deu as costas a ela.
Viu? Lana podia ter arranjado um bom marido e até conseguido lhe fazer um casamento às pressas. Mas Katherine havia ficado dez minutos com seu futuro irmãozinho e ainda havia conseguido ganhar um beijo dele. E ela tinha certeza que Josh havia beijado ela antes de dar seu primeiro beijo em Lana.
O que significava que Katherine vencera. Outra vez.

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Saiba mais: maycow.hp@hotmail.com

4 comentários:

  1. Fernanda Gonçalves25 de janeiro de 2016 23:10

    Meu Deus... quero mais ♥ simplismente amei só pelo primeiro cap

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  2. Como faço para adquirir o livro completo ou os outros capítulos? Obrigado

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    Respostas
    1. Manda o e-mail pro autor que ele te explica direitinho o que fazer, ou te manda, sei lá :)

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  3. A princípio o livro te chama a atenção!

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