14 de fevereiro de 2016

Fanfic: Star's Owner


Sinopse:
Sei que já sentiu que sua vida estava fadada ao tédio eterno, mas e se de repente tudo mudasse para pior? Afinal um acidente pode acontecer com qualquer um. Daniel entende bem o que é isso, porém tomar as rédeas e mudar o rumo de seu próprio destino è algo do qual ele não pode fugir. Escolhas podem trazer a tona os dois lados de uma mesma moeda. Vida, morte, amor, redenção e muitas outras surpresas. Tudo isso te aguarda; e o dono das estrelas mal pode esperar por você.

Categorias: romance, amizade, drama, história original
Autora: Ivanka Cerqueira

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Capítulo 1


Porque a morte é simplesmente tão completa e o homem tão pequeno.
Bem, estou com medo do que está atrás e do que está antes.
Mumford and sons
O sol penetrava no quarto através das frestas da janela indicando a chegada de um novo dia. Possibilidades, é o que todas as manhãs me prometiam, mas no fim tudo o que existia era a mesmice. Uma sucessão de fatos repetitivos e automáticos.
Pisquei afastando o sono dos meus olhos e me sentei na cama, consciente de que mais vinte e quatro horas se estenderiam a minha frente, enquanto ouvia meus pais se arrastando de um lado a outro no andar de baixo. Mesmo sem estar lá, eu sabia exatamente o que eles estavam fazendo, cada gesto impresso em minha mente como se pudesse vê-los.
Mamãe teria se levantado as seis horas e despertado papai, que se levantaria após 15 minutos, durante o tempo que ela ia ao banheiro cruzando o corredor. Depois trocaria de roupa enquanto era a vez de papai usar o toalete e se arrumaria com perfeccionismo para encarar mais um dia em sua vida previsível. Ele a essa altura estaria na cozinha sentado em sua cadeira preferida, na ponta da mesa, lugar de destaque. Leria seu jornal, a perna balançando suavemente uma sobre a outra sem nunca se abalar com as notícias, não importando quanto horror, morte, roubos ou teorias conspiracionais houvesse. Ela desceria e faria o café da manhã: ovos mexidos com bacon, colocaria três pratos, se sentaria e começariam a comer. Tudo sem uma palavra ou um suspiro de resignação. Papai afagaria sua mão e então eu deveria estar lá. Sentado diante do prato, comendo com satisfação, grato pelo teto, pela comida e até mesmo pela saúde que me permitia levar a mão a boca.
Me levanto, sigo minha própria rotina e antes de dar-me conta, encontro-me diante de um prato cheio, eventualmente soltando sorrisos para mamãe.
- Seu lanche já está pronto, querido. – Diz ela colocando uma embalagem a minha frente para depois se levantar e retirar os pratos.
- Obrigado. – Digo, porque é isso o que se espera que eu diga. Também me levanto, não com tanta elegância. Meus ombros as vezes pendiam teimosamente e rumo em direção a sala, para pegar minhas coisas que estão sobre o sofá aonde os deixei quando descia para comer.
- Tenha um bom dia na escola, filho. – Diz papai sem levantar os olhos do jornal, porque é isso o que tem de dizer. Eu coloco a mochila sobre os ombros e aceno com cabeça. Uma vez que ele não espera por uma resposta, não tenho que dar-lhe uma.
O sol me recepciona novamente, um dia lindo e brilhante, com nuvens brancas e fofinhas em formato de algodão doce. Retiro minha bicicleta da garagem coloco o capacete e me ponho a pedalar, ganhando cada vez mais e mais velocidade. A brisa antes leve, se torna cada vez mais forte fustigando meu rosto e fazendo com que alguns fios do meu cabelo preso, escapem para fora do capacete.
Eu vou rápido, mas nunca rápido o suficiente. A escola é perto de casa e chego alguns minutos antes do sinal tocar, prendo-a no mesmo lugar aonde a tenho posto desde que tinha doze anos e papai me comprou minha primeira bicicleta e me deixou ir pedalando para a escola. É como se já houvesse meu nome nessa vaga, como se ela fosse estar ali para sempre, ou sempre houvesse estado.
Por alguns instantes sou engolfado pela multidão de mini adultos estridentes, que rapidamente esvaziam o corredor em busca da segurança de suas classes. Minha primeira aula é de matemática e me refúgio nos números frios e previsíveis.
Sempre a espera de alguém que os descubra chegando a mesma conclusão que centenas de pessoas antes de mim chegaram através dos séculos. Imutáveis, eternos, infinitos.
Gosto da sensação familiar que encontro nos números; como uma linha reta, o resultado é sempre o mesmo. Aqui ou na china nada muda.
E eu gosto disso. A segurança de saber que no fim as coisas são solucionáveis. Assim deslizo pelas próximas aulas com prazer: Física, seguido de química e então uma pausa para o lanche.
Me sento sobre a mesa embaixo de uma árvore, a mesma mesa e a mesma árvore aonde tenho sentando-me desde que cheguei a escola, mas nessa ao contrário do lugar onde deixo minha bicicleta, meu nome está literalmente gravado. Num impulso, após haver sido obrigado a me sentar em outra mesa depois que um bando de garotas tagarelas se apossou do meu banco, entalhei meu nome com um estilete. E por quatro anos, essa mesa tem sido minha.
Nico e Patrick se juntam a mim, meus dois únicos amigos. Tão amigos quanto poderia chamá-los. Nunca fui a casa deles, e eles nunca foram a minha mas nos entendemos bem, cada um conhecendo os limites dos outros.
Os óculos de Nico escorregam até o nariz, e ele faz uma sucessão de caretas para colocá-los de volta no lugar sem ter de usar as mãos ocupadas com seu sanduíche de creme de amendoim. Ele é pequeno e franzino para os nossos dezessete anos e seu cabelo ensebado sempre precisa de um corte.
- Cara, ouvi dizer que a Helena vai dar uma festa na casa dela. Ela está tãaaaaaaao gostosa.
-E porque motivo ela convidaria você? Não é como se fossemos populares – Patrick deu um pequeno tapa na cabeça de Nico, para enfatizar seu ponto. Patrick, ao contrário de Nico era grande e gordo. Mas fugia do estereótipo grande, gordo e nerd.
Um ano mais velho que nós, o conhecemos quando ele me pediu ajuda em matemática e basicamente fiz com que ele passasse de ano. Ele tem um pai alcoólico e agressivo e o vimos inúmeras vezes com manchas roxas pelo corpo, e a mãe trabalha tanto para sustentá-lo que ele mal a vê. Já a Nico, o conheci porque ele se sentava ao meu lado e passava toda a aula espirrando até que eu trouxe um remédio para alergia. Ele disse que era a coisa mais legal que alguém havia feito por ele e perguntou se eu queria que fossemos amigos. Claro que tínhamos doze anos e minha mãe me obrigou a levar o remédio quando comentei que um menino tinha espirrado em mim, e ela achou que ele provavelmente me infectaria.
Sorri enquanto comia meu próprio sanduíche e tomava suco, participando da conversa nos momentos devidos. Eles estavam sempre se afrontando e apesar de serem o completo oposto um do outro, tinha a impressão de que seriam amigos até o fim da vida.
Quando o sinal tocou marcando o final do recreio amassei minha caixinha de suco, joguei os restos do sanduíche no lixo e me pus a andar preguiçosamente de volta para minha sala com Nico tagarelando ao meu lado. Subitamente ele parou se virando para mim:
- Anda, cara. Como eu estou? -Disse alisando as sobrancelhas e passando a mão pelo cabelo ensebado.
- Bem...? Quer dizer está igual a todos os dias, creio. Porque pergunta?
- Ela está vindo, ela está vindo. Aja normal, aja normal. – Ele plantou um sorriso meio torto no rosto e se virou de supetão, bem a tempo de se topar com Helena, uma loira considerada por ele a beldade personificada. Por ele e por todos os meninos da cidade provavelmente.
- Ai, garoto! – Ela se recuperou do pequeno esbarrão provocado por Nico, que com sua pequena estatura precisaria de algum esforço para derrubá-la. Helena abanou as mãos para que ele saísse de sua frente como quem enxota um inseto e fixou seus olhos verdes, excessivamente maquiados, com cílios besuntados em rímel em mim. – Aí está você, Daniel. Quero te convidar para a minha festa amanhã, vai ser na piscina da minha casa e quero muito que você vá.
- Ahn... Ok. - Foi tudo o que pude dizer ao esticar minha mão pegando o folheto cor de rosa que ela me estendia, antes de bater os cílios soltando um sorrisinho provocativo e partir sem dirigir uma palavra a Nico.
- Vocês se conhecem e você não me disse? -Balancei a cabeça em negação, nunca havia trocado uma palavra com Helena antes. Primeiro, jamais tivera oportunidade, mas principalmente porque nunca tivera a intenção. Na mesma proporção que era linda prometia ser fútil, com um QI provavelmente do tamanho de uma ostra. Sua vida restringida ao colégio e a todas as coisa "interessantes" que podem acontecer nele.
Porém, caso ela quisesse namorar comigo, provavelmente faria as coisas como têm de ser feitas. Poderia ouvi-la falar horas a fio sobre a inveja alheia pairando em sua vida, ou sobre as novas tendências da moda e fingiria achar interessante quando ela combinasse nossos nomes para descobrir os de nossos possíveis bebês. Mas Helena seguramente apenas me encurralaria em alguma parede e depois de alguns beijos sairia com um sorriso triunfante para contar as amigas sobre sua nova conquista. Assim como aconteceu nas últimas três festas em que estive. - Porque ela sabe teu nome. Como é que 'A' Helena sabe teu nome?
- Hmmm, eu não sei. Acho que ela apenas sabe, do mesmo jeito que sei o dela.
- Você vai a essa festa? Porque cara, se for, precisa me levar junto e me apresentar a ela.
Empurrei o papel rosa em seu peito e soltando-o em sua mão quando ele a usou para impedi-lo de cair no chão. Não, eu não iria a essa festa.
A minha penúltima aula era de história e me sentei perto da janela, segundos antes da senhorita Medeiros entrar na sala. Ela era uma professora recém formada e por isso ainda acreditava poder mudar o mundo, ou mudar o mundo de alguém.
Com o tempo ela se casaria, teria seus próprios filhos, cuidaria da sua própria vida. Ficaria gorda e cansada, talvez um pouco preguiçosa e se encaixaria no sistema aonde os professores têm tanta vontade de ensinar quanto os alunos têm de aprender.
Ela ditaria a classe com uma voz monótona e mecânica, seus olhos somente plainando por sobre a cabeça dos alunos sem nunca se fixar em nenhum de nós e responderia as perguntas com uma voz igualmente monótona. O olhar sempre se voltando para o relógio então o sinal tocará e seus ombros iriam se abaixar em uma nítida demonstração de alívio.
Mas a senhorita Medeiros todavia não havia se apaixonado e acreditava que éramos todos pequenos anjos apenas em busca de migalhas de amor e atenção, vítimas de um mundo cruel e desarmonioso. Por isso quando chamou meu nome olhando com pena não desconfiei, distraído como estava rabiscando qualquer coisa em uma folha, quando ela interrompeu seu monólogo e foi até a porta.
- Daniel, querido, pegue suas coisas e vá para a diretoria, por favor. Tem algo que querem discutir com você lá.
Um burburinho percorreu a sala como uma onda, todos se perguntando em que nível de problemas eu haveria me metido. Reuni minhas coisas fazendo uma lista mental das coisas pelas quais poderia ser repreendido, mas não seria convocado a diretoria por não devolver um livro na biblioteca, livro esse que iria devolver, eventualmente. E não havia sido pego passando algumas questões para a menina desesperada ao meu lado, na classe de química. Não tinha ideia do que poderia ser.
É engraçado como as vezes mesmo escutando a verdade nosso cérebro se recusa a processá-la. Então você fica lá, parado diante do diretor apenas piscando, enquanto ele te diz tão gentilmente quanto crê ser possível que os seus pais sofreram um acidente de carro e não resistiram aos ferimentos. Que eles estão mortos.
Ele espera que grite ou chore, quem sabe desmaie? Entretanto você apenas acena com a cabeça e porque era a coisa certa a se fazer, pergunta a ele se estaria tudo bem caso volte para casa mais cedo. Ele se levanta e aperta o seu ombro, como se isso fosse capaz de desfazer ou de transmitir forças para enfrentar o que ele acabava de dizer.
Uma policial não muito simpática perto dos cinquenta pergunta se tenho familiares na cidade e diante de minha negativa pergunta pacientemente se eu tenho algum parente em algum lugar, avós talvez?
- Eu, ahn, acredito que tenho uma tia. Mamãe ligou algumas vezes para ela nos feriados mas não a vi muito. Ela vive em outro estado, creio.
A policial me pede o número e como não o tenho por razões óbvias me ofereço para ir em casa buscá-lo.
- Ótimo, nós o levaremos. – Diz apontando a cabeça para outro policial, que estava parado perto de uma samambaia de plástico, evidência do gosto duvidável do diretor Ryans.
-Agradeço, mas não. Trouxe minha bicicleta e pretendo voltar com ela, se não se importarem.
- Você é um menor e não pode perambular pela cidade desacompanhado.
-Estou preso? Não? – Segundo vovô, ser um Morris de quando em quando exige posicionar-se com a segurança que apenas pessoas que nasceram com a vida pronta tem. Eu não sabia usar muito bem essa autoridade como ele e certamente nunca o faria, mas, às vezes, funcionava com pessoas ordinárias. - Então irei caminhando para a minha casa até que você me dê voz de prisão, caso contrário, nos encontramos lá e confie em mim quando digo que não teria para onde fugir no momento.
Ela deu mostras de querer discutir, talvez me dar uns bofetes por ser um menino petulante e respondão. Porém, antes que o fizesse, o diretor Ryans balançou a cabeça relembrando-a da minha situação e de como eu, provavelmente, estava em choque e traumatizado. Ela se levantou da cadeira ao meu lado aonde estivera sentada deixando-me sair.

Oi, pessoal!
Bem vindos a historia do Dani, espero que gostem tanto quanto eu gostei de escrevê-la.
Comente o que estão achando conforme forem lendo. Adoraria saber suas opiniões.  :)
Bjooos e até mais!
Deixe sua opinião nos comentários!

5 comentários:

  1. Porque está 7 de fevereiro? E como fez isso e porque uai

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    1. É uma questão de organização... o Blogger coloca os posts mais recentes no início, então eu mudo a data de certas postagens pra elas aparecerem aqui

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  2. Desculpe,fui meio rude. Entendi, por isso esse é o melhor blog para ler, adoro o desing simples e aconchegante do blog. E parabéns por manter esse blog e não nos abandonar XD.
    Anônimo aqui.

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    1. Foi rude nada, imagina ehauehauhe
      Obrigada, e não pretendo abandoná-los tão cedo :)

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